Wednesday, February 25, 2015

A dieta da vaca holandesa

"Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos." Clarice Lispector. 

Foi dada a largada para a temporada das vacas, os alquimistas estão chegando, e com eles as vacas e as magras: muuuu. Mas como as vacas são holandesas elas dizem: boe = buuuu.
Preciso estar pronta: e digo repito Shakespeare: 'Estar pronto é tudo.".
E sabe de uma coisa? Que venha, adoro desafios, e desafios existem pra nos empurrar pra frente, para nos tirar da mesmice e sairmos da desconfortável zona de conforto, afinal chega de se esconder, dissimular, e se perder e se achar...(risos)  meu momento chegou, e literalmente a vaca aqui está gorda demais, hora da dieta, a aposentadoria chegará, mas vem cá? Ainda não quero sair de cena. 

Recentemente minha filha foi morar num "Instelling", numa Instituição para pessoas deficientes de diferentes idades, necessidades, condições. Quem me acompanha, sabe que ela é autista e tem uma deficiência intelectual. O que vem a ser essa combinação?Digamos que ela sempre (por toda a vida dela), precisará de monitoramento, presença de um adulto responsável. Dominique não faz praticamente nada sozinha, a não ser dormir, comer, caminhar, essas coisas básicas. Ela sabe ler e escrever e fala, mas não faz perguntas, e tem um outro sistema operacional que nem uma amiga minha costuma falar sobre no site Autimates.
Ela é linda, e morro de saudades dela. Mas ela está bem, e volta e meia a gente se vê, finais de semana, eu faço visitas...e assim caminha a humanidade, e meus dias se passam, meu filho também aparece de vez em quando, está aqui nas férias nessa semana, tudo mudou na minha vida como mãe.
A princípio ela ficará até 9 meses por lá, mas depois irá para um lugar definitivo, escolhido pela comissão de saúde que estuda o caso dela e por mim, estou torcendo para que seja na minha cidade, mas tem uma lista de espera bem grande por aqui, e talvez seja por lá (cidades na região), deixa a humanidade caminhar, preciso ir também.
Ano decisivo na minha vida então, ano de 2015, ano de me colocar em primeiro lugar, prioridade número UM, EU, euzinha...e apertar os cintos, daqui pra frente preciso procurar uma ocupação prazeirosa, um trabalho de preferência fora de casa, ainda estou a pensar qual direção tomar, mas me manter em movimento já é um bom começo, ficar parado é poste que nem diz José Simão, e os cachorros fazem xixi no poste, sede e fome de endorfinas como sobrevivência. Depois de anos em casa com muito amor e dedicação aos meus filhotes, ainda estou planejando e me organizando para a mudança derradeira, mas a mudança maior já aconteceu, não estou mais todos os dias com meus filhos, estou com espaço, tempo, vontade, e necessidade para não sucumbir. 
 Resolvi apertar os cintos porque sim, minha vida financeira precisa se manter saudável, parei de fumar (há quase 3 anos), nessas economizei quase € 4.000 e fora a saúde que agradece, pulmão clareando, et cetera et cetera, comprei um piano no lugar, flores, velas, luminárias e quinquilharias que nem sei. 
Bom, já tenho uma bicicleta, aliás 2 (uma sem marchas tipo bicicleta do vovô como dizem aqui, e outra com marchas, que ganhei de presente). Tenho passe de trem que pago uma taxa anual de € 60, e tenho 40% de desconto de trem (quem viaja comigo de trem, também tem desconto, posso levar até 3 pessoas), porque os trens são caros na Holanda (TKT sem desconto: Roterdã/A'DAM/Roterdã custa € 30, frown emoticon ...opa é mais barato ir pra Paris. Enfim, vou continuar...a andar...

Roupas? Meu guarda-roupa está lotado, e nunca tenho o que vestir, mas vários 'little black dresses", sapatos, botas, etc, ou seja, à quem quero enganar?
Acabou, daqui pra frente vigorará a criatividade nos acessórios, penteados, etc..pois meu cartão de crédito vai entrar em hibernação, compras só à vista, até sanar todo o saldo do cartão. Novos ventos soprando nesse final de mês de fevereiro, as águas de março chamando a primavera, e assim, abril, e maio...e mais vida lá fora.

Já não gasto mais em revistas caras: livros? Estou com uma pilha pra ler para os próximos 2/3 anos. E tem a biblioteca pra ver todas as revistas do mês corrente, de 'graça'...normalmente bebo um capuccino por lá um caffe latte, mas daqui pra frente, vou levar meu próprio 'chimarrão', e de quebra, conhecer umas pessoas, pois qual o louco que sai na rua tomando chimarrão? O meu irmão, o Horácio Indarte
...se ele não está com o chimas, ele está lá na praça Roosevelt em São Paulo com a Mona Lisa dele. 

A partir de agora também, quem quiser ter o ar da minha graça, vai ter que conversar comigo em 'off', e marcar um programa amigo low budget. Até segunda ordem, vou ter que me recolher que nem Greta Garbo. Viagem ao Brasil? Só se for de 'negócios', investimentos. Why not? 
Energia elétrica/gás: já mudei para uma companhia mais econômica, e a lei é, aquecimento só nos lugares onde transitam pessoas, nesse imenso casarão de 5 cômodos. Restaurantes? O 'go Dutch" vai ficar pra depois, mas convites são bem-vindos! Brincadeira, comida em casa, é sempre mais gostosa, restaurante é bom, mas em ocasiões especiais, senão vira festival de lugar comum, sempre pra mim o mais importante é e sempre será a companhia, a gezelligheid, o realce, o palco.


Compras? Nada de colocar pães fora (mon dieu, e a quantidade que foi fora?), essa coisa de fazer torrada...não funciona), é muita torrada, pra pouca gente, ou de beber vinho como se não houvesse o amanhã, mais frutas...compradas na _________feira, às quartas-feiras e sábados, não precisa ser na xepa, não me xoxa, brincadeira tenho preguiça de feiras, vou quando acho que devo, e o supermercado fica a 3 minutos a pé da minha casa, com o cartão 'bonus', recebo muito descontos de promoções semanais, quem mora na Holanda sabe do que estou falando. 

Aulas particulares de português, yoga e meditação como coach, trabalhos de tradução (português/holandês), fico com seu gato/cachorro temporariamente (claro depende do cachorro, eu hein? e gato se for preto terá a minha preferência, uso muito roupas pretas), levo seu filho/trago da escola, escolinha, empurro o moleque no balanço,  o acompanho na natação, na esgrima, na aula de música se não coincidir com os dias da minha aula de piano claro, idéias, idéias e idéias em tempos de coléra, ops de crise. Crise? Acho que desde que nasci o mundo está em crise. E nem é uma questão de ser mão de vaca, é tendência mesmo, não existe uma maneira pra vencer, se não houver suor, brilho e devido valor as coisas que não se compram e sim são conquistadas.

Mas o que eu realmente queria e quero é fazer turismo receptivo sob medida na Holanda e Europa, viajar sempre foi e será uma paixão (sou diplomada), te acompanho, dou dicas que você nem imagina! Meu toque pessoal será pessoal e sob medida, nada de clichês, é só falar comigo (é fácil de me achar online = inbox), tá vindo à Holanda? Beleza, as flores estão chegando juntamente com os alquimistas, a primavera vem ai. Uma coisa sempre puxa a outra, mas é preciso tentar, arriscar a ter algo para no futuro ser meu próprio negócio, essa coisa de trabalhar para os outros, nunca foi meu forte, sou muito dona de mim, apenas tenho que ser realista, abrir um negócio até se abre, mas fora conhecimentos, aqui o Leão, dá uma mordida boa de 40% do seu lucro, ele será seu sócio, é preciso não se assustar do rugido. 
Nesse aperto de cintos, nessa vaca magra, o grande negócio é saber que tudo na vida é temporário e GG já sabia.

[...]
Essa aparência de um mero vagabundo
É mera coincidência
Deve-se ao fato de eu ter vindo 
ao seu mundo com a incumbência
De andar a terra, saber por que o amor 
Saber por que a guerra
Olhar a cara da pessoa comum e da pessoa rara
Um dia rico, um dia pobre, um dia no poder
Um dia chanceler, um dia sem comer
Coincidiu de hoje ser meu dia de mendigo
Meu amigo, se eu quisesse, eu entraria sem 
você me ver, sem você me ver, sem você me ver

O que vai permanecer? Minha curiosidade, minha essência,  minhas aulas de piano, minha cara de pau, meus 'escritos', minhas viagens anuais pro SOL, Grécia (chamou chamou?) Kalimera!



E mais,  minhas visitas, meu cineville, citytrips (London calling] minhas caminhadas, pedaladas, picnics, meu doce sorriso colgate palmolive smile emoticon, jantares kaZamigas, trabalho voluntário (permuta) e lindos zzzzonhos em meus brancos lençóis 100% algodão e nada de pesadelos até as vacas voltarem do brejo e decidirem engordar. Beijo me app!

Tuesday, February 10, 2015

Prelude Op. 28 n. 4 in E minor - Chopin



Ando tão fora 'do mundo' dos outros, e mais ainda quando abro a minha boca socialmente, em grupos, onde nem todas as pessoas dividem a mesma linha de pensamento ou interesses.
Sem perceber criei um mundo meu particular, que é às vezes tão lindo, e difícil de dividir, pois não interessa à ninguém, ele é só meu, não tem tradução.

Em grupo preciso brincar de faz de conta, de esconde esconde, o que eu realmente não acho fácil, mas sendo diplomática, assim o faço, para o bem de todos, pois em grupo também descubro uma outra faceta minha, inexplorada, e exerço mais do que nunca a virtude chamada paciência.

Tenho a impressão que vez ou outra minhas idéias soam como as de uma vida de eremita, ele(a) que saiu há pouco de uma caverna nos confins de uma floresta abandonada, ficou lá a meditar e a viver de uma forma austera, a comer frutos maduros que caiam das árvores, e caçar para sua subsistência, se proteger das intempéries, sem muito alarde,  sem participar de nenhum evento cotidiano, mundado, ficou lá à mercê sem cuidados com higiene, cheio de sujeiras e fedores rodeando sua matéria, mas com a mente e alma a levitar enebriadas de aromas de rosas, folhas secas e molhadas após a chuva, galhos, jasmins, lavandas, cheiro de terra odores esses flanando em seus pensamentos em contato da rica, prazeirosa e auto-suficiente mãe natureza, leve como uma pluma, em uma outra esfera, uma realidade antagonal à maioria de nós pobres humanos entupidos de perfumes embalados pelo suor de um trabalho quase que escravo, reclamamos quando a água não sai de nossas torneiras, ou de um problema de ordem supérflua em nossa vã alienação.
Estamos nós aqui, a pensar em nossos cabelos brancos ou ralos, em nossas rugas que aparecem dia após dia, cheios de deveres e afazeres, obrigações, conceitos e preconceitos pois vivemos cercados em grupos (casa/trabalho/vida social), como escudos de proteção de um mundo repleto de arapucas, perigos, buracos, areias movediças, maremotos, terremotos, invasões bárbaras, vírus.

Somos felizes em nossa ignorância, rimos de nós mesmos, e assim os dias se sucedem, um após o outro, bestas até acordarmos  realmente e VIVER, conforme queremos.



Mas o nosso ermitão, ficou lá naquele lugar, não para esquecer o sentido da vida, mas realmente viver de uma forma anti-convencional, livre, refúgio sem limites e também para não se contaminar com o pensamento alheio, não se deixar influenciar, e não prestar contas com ninguém.

Sim, porque as convenções, a sociedade no sistema capitalista, faz com que façamos COISAS o tempo todo, precisamos trabalhar para o ganhar o pão nosso de cada dia, ou arrumar alguém pra ganhar pela gente. Precisamos não pensar demais nesse pão, não encucar demais, precisamos beber pra esquecer, lembrar pra esquecer novamente, comer para esquecer.

Pagamos sempre um preço para ouvir Chopin, nocturnes/etudes/waltz/preludes...

Eu não consigo ficar sem ouvir Chopin por muito tempo, ou Bethoveen, ou Bach, ou qualquer música que queira ouvir que me transporte para essa floresta, para esse mundo que criei pra mim onde sou a verdadeira rainha e lembrando de minhas aulas de latim SERVAE DOMINAS AMANT. As elocubrações foram tantas nesses anos todos, os sacrifícios se transformaram como vinagre ao vinho, que atingi o âmago do âmago, uma vida bela de arte, conhecimento, que a solidão se tornou solitude.


Minhas infindáveis descobertas, as cores que me cercam, o pensamento do amor ideal, o que o que o futuro me trará de bom, de melhor?
O que é melhor que isso? Que esse estado? Que a idéia de aprender cada vez mais, de conhecimento, quantas vidas serão necessárias?

O que é mais belo que ouvir essas notas musicais umas ao lado das outras, nos encantando com esse presente maravilhoso em forma de prelúdios e tudo que virá depois?

Por que muitos não percebem onde está a verdadeira riqueza, que é a imaginação, a criação, a criatividade, a fantasia de um mundo criado do jeito
mais sublime que há, o mundo da beleza do conhecimento, sabedoria? A riqueza interior?

Toda a minha riqueza até agora, veio da fortuna de ter meus talentos, de ser a pessoa que sou, que me formei e transformei e me transformarei até
virar pó, todos os meus amores, quem amei e continuei amando, todos que eu pertenci e que pertenceram a esse templo maravilhoso, meu corpo, e minha energia.
Jamais consigo pensar numa vida de RIQUEZAS, sem pensar no quão rica eu já sou, por ser eu.


Isso assusta, porque poucos entendem. 
A maioria das pessoas creio eu, pensam que há algo de fora, que de repente uma magia vai acontecer, e elas de repente, serão belas, ricas, bem torneadas, magras, morarão em palácios repletos de serviçais, usarão as roupas mais lindas e mais caras, serão amadas por todos ao redor de uma forma avassaladora, dominarão o mundo, admiradas, por suas formas, a juventude eterna que acham que possuem. E andarão em tapetes com todas as cores dos arco-íris. Elas se esquecerão as sujeiras que fazem...viverão nessas gaiolas douradas para mostrarem o quão fúteis, parasitas, fracas, inseguras, medrosas são pelo resto dos anos de suas vidas vazias, fracassadas, inúteis, precisam ser salvas com a luz.

Cada dia que acordo, levanto daquela cama, e algo me empurra a completar a minha OBRA DE ARTE, nada de pintura, escultura, nem ópera, nem composição musical nem mesmo uma valsa, não sou jardineira de nada, meu talento artístico SOU eu e minha forma de expressão, meus pensamentos, o que sou pra mim.
O que escrevo, como me visto, como falo, o jeito de sorrir, de chorar, a maneira de ser e viver, a chícara de café que esvazia, o bule de chá, o lenço de papel, as idas ao banheiro, os livros espalhos pela casa, o olhar pela janeira pra ver como está o tempo lá fora, programar uma pequena viagem na minha imaginação, usar minhas agendas de papel, folhear revistas, me rodear de pequenas belezas e seus detalhes.


Essa é a recompensa pela minha ARTE, ser agraciada por um nome tão lindo de família como é indARTE, é mais do que habitar qualquer conto de fadas tropicais, e além de tudo ter um Borda, que é bordar, pintar a (Ind)arte e Bordar no Borda...incrível essa divagação, viajar, é pra lá que eu vou, fui, cheguei...parto novamente.

Essa viagem é tão dentro, que quando vou pra fora, colocar em palavras preciso ser clara, ter a obrigação de resumir, tudo o que não sou e nem quero ser um resumo, esses limites impostos de métricas e tempos, uma volta ao passado que já passou e nada mais é do que memórias.  NÃO ULTRAPASSE, dizem os cautelosos, de seus limites. Vá só até lá, até determinado ponto, porque se você for acolá, vai dar nisso ou naquilo, e tendo aquilo, vai dar tudo certo depois da aposentadoria, e você terá então um enfarte e MORRE(rá), de corpo físico porque já estava morto vivo.
E se não der certo, como sempre tem algo que não dá, você viveu intensamente, aprendeu. Pois a lição foi a prendida, se não for pra ser eu mesma, traga-me a morte, precisamos conversar!