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Monday, June 25, 2018

A tranquilidade das manhãs de domingo




Na verdade a manhã se passou, a manhã de domingo. Acordei antes do despertador. Não acho ruim, com essas musiquinhas bacanas de celular de hoje em dia. Antes que passe da hora, afinal estou com companhia, da minha filha, e ela acorda cedo. Já deixo um ‘pequeno almoço’, musli, uma fruta, a vitamina D dela...(mesa posta na noite anterior), e quando acordo (sou mais preguiçosa), fazemos um ‘café da manhã/brunch” juntas, dependendo da hora, mas antes ela vai pra minha cama e ficamos juntas. Hoje coloquei vídeos dos anos 80/90: Sade Adu, Liza Stensfield, Wham, Nene Cherry & Youssou n’dour, Simply Red..ela queria músicas tranquilas, e eu as escolhi a dedo.
Saí na quinta-feira, sexta-feira, sábado...e HOJE DOMINGO dia de sossego, silêncio, só eu e Dominique, ela fazendo as coisas dela, e eu as minhas. Alguém importante ia me ligar às 15 horas, e antes ligou um amigo da Escócia, que há muito não falava, amigo querido que passou por mals bocados e agora está lutando de volta, e tenho certeza que ele vai sair dessa fase de tsunami emocional. Na quinta-feira fui jantar, beber e conversar na casa de uma querida amiga, ela estava no Brasil, e deixou a família aqui, e foi ficar com a mãe que já passou dos 80 anos. O preço que pagamos por morar fora, os queridos ficam. Na quarta-feira passei um frio danado num ponto de ônibus no meio do nada...e na sexta-feira fiquei deprê, muito deprê e sabia que era o álcool falando, sabia que era a parte de mim que morria, o outro, o ex...como no filme Eternal sunshine of the spotless MIND. Sonhei que o ex, e no sonho...ele meio que ficava ao redor, não estávamos mais juntos, mas ele ficava lá, o que novamente me deixou down ao acordar, e pensar como é difícil.
.
Dia dedicado ao espírito/descanso do corpo, repor as energias desses dias, equilíbrio: chás (acabei de tomar um muito bom), já toquei um pouco da minha lição de casa no piano, e estou ouvindo a rádio NPO 4, uma das rádios digitais clássicas que ouço, não conheço coisa melhor que sossego quando se precisa, curtir até a minha melancolia. Sentada nesse confortável sofá de couro vermelho caíndo aos pedaços, olho meu jardim invernal meio bagunçado, gosto dele assim, e suas mudanças conforme as estações do ano, os vidros sujos...lavei-os dias atrás, mas chove e suja tudo... ainda estão sujos (um VIDRÃO enorme na janela sem venezianas), janelas holandesas que não se abrem...penso nas melhorias que preciso fazer no verão no mesmo jardim/quintal, cada coisa tem seu tempo, ainda bem, nada de estresse. Penso o quanto de 'lembranças' em forma de papel e trecaiadas preciso me desfazer, e também roupas, sapatos, 'milhos', penso nos 'afspraken (compromissos com pessoas), tudo se dá um jeito. Penso num querido amigo que vai completar 50 anos e vai casar com o já marido e a preparação disso tudo no primeiro semestre do ano 📷, e os 20 anos da minha filha, ela já está contando os dias, falo pra ela, você ainda tem 19 anos, aproveite. Penso nela novamente ontem comigo no cinema, e no pequeno diálogo com uma aluna de yoga que estava por lá. Deixo elas falarem: - Olá, meu nome é Dominique. De onde vocês se conhecem? - Sua mãe me dá aulas de yoga. - Ok, sou filha dela (hehehe), e eu tenho 19 anos, como é seu nome? E ainda tem o meu filho, que menino doce, poeta... Penso numa amiga que fez uma sopa de lentilha para levar ao amigo enfermo, penso nos amigos em Portugal, penso no momento difícil que meu irmão está passando em SP, penso na pessoa que vai me ligar às 15 horas...penso no meu ex namorado (sinto saudades das partes boas) a mente pregando peças, ainda confundida, penso na abundância e nas viagens que ainda quero fazer neste ano...e nos eventos que participarei em breve...penso que TUDO É DIVINO, tudo é maravilhoso apesar dos pesares, apesar da fome no mundo, da tristeza, da depressão das pessoas, e desse pessoal nojento que joga porcarias no chão, papel no chão, latinha de refrigerante, tendo uma lata de lixo por perto.
Reflito sobre o destino e vida de cada um, dos amigos espalhados no planeta, dos livros que preciso e quero ler...da tristeza e impotência dos brasileiros diante da situação política do país, nas injustiças, e penso que cada vez mais consigo ser eu mesma, e a sensação de LIBERDADE de espírito, e ainda espírito aventureiro.
"- Que aula maravilhosa né meninas? Estou completamente VICIADA EM DO IN YOGA'...disse isso no vestiário da última aula (não vivo e não quero mais viver sem, aliás não vivo sem música clássica, nem meditação, nem "meu' samkalpa diário, nem samadhi, nem o PRESENTE, viver o presente, e meu corpo maravilhoso, veículo de prana, minha respiração, alimento pro corpo e alma...já não vivia sem essa PROCURA, fiz de tudo e me encontrei no CHI, os chacras...e todo o estudo que envolve o aprendizado da yoga curativa, o corpo as ervas, a respiração, os canais de comunicação, DO IN, eu lembro bem quando entrou na minha vida nos anos 80, precariamente através de um livro que caiu na minha mão. Os pontos, os centros de energia, como tocar com os dedos, como acabar com uma dor de cabeça. Eu e me amiga e colega em São Paulo, éramos metidas na auto-cura. Sempre procurei o mapa da mina, consegui achar vários, e vários tesouros e estou rodeada deles.
Acredito que todas concordaram comigo com a observação que fiz, algumas em silêncio, reconheço em suas faces e seus corpos nas aulas e a presença da mesma, e o progresso da professora, que começou como aluna, pegou o diploma, deu algumas aulas como experimento, passou para uma aula por semana, e agora já dá duas aulas por semana na Vrouwfit...e a boa energia coletiva que emana de uma aula assim contagia e pois te muda.
Na conversa ao telefone das 15 horas, a pessoa diz...vai dar uma voltinha com a sua filha mesmo assim, é bom. E percebi, por que não? Novamente sair, tomar um capuccino lá fora, uma passeada, e lá fomos nós porque ela concordara...nada de consumo, sábado fora o dia para o shopping pra ela, que fica feliz com as pequenas coisas. E fomos curtir o final do domingo, ver vida pulsante, ver o sol mesmo que tímido, easy like sunday morning.

Wednesday, April 25, 2012



Eu raramente choro, aliás...não choro mais, parece que os dramas da minha vida evaporaram, lágrimas de crocodilos então? Nem sei mais o que é isso, me emociono, mas as emoções mudaram, onde foram as lágrimas?

Será que ainda sou humana? Será que ainda me emociono de verdade? Tudo o que não quero é ser piegas, ser dramática, não quero mais isso, perda de tempo, apesar de saber que o tempo não se perde, se aprende, se vive, hoje em dia eu percebo as coisas como elas são, sei que tudo pode mudar do dia pra noite, numa fração de segundos, mas não me desespero como costumava me desesperar, não me (d)escabelo, não me arranho, não grito mais, não quebro espelho, não rasgo papéis, e fotos (nunca rasguei), e nem maldigo a Deus, eu sei que ele não existe, eu seguro a onda, eu amadureci, eu mudei, eu mudo.

Mas hoje chorei, e bastante, chorei por causa de morte * causa justa, chorei porque estou viva, e percebo que cada vez que a morte ronda, ela deixa pessoas tristes, confusas, ela deixa a gente com a boca aberta, com aquele vazio, vácuo, dá aquela rasteira...eu choro por nós os vivos, chorei pela fragilidade de nossas vidas, chorei porque vamos morrer um dia, e que todo mundo ao nosso redor vai morrer também, sem avisar (praticamente)...chorei porque não posso fazer nada, chorei porque o marido da avó das crianças morreu, deixando a mulher sozinha. Chorei porque ele teve um ataque no coração, um golpe fulminante, assim...nesse dia lindo de sol e céu azul, raridade na Holanda. Nesse começo de primavera fantástico, que deixa nós meros mortais do hemisfério norte felizes e cheios de energia. Chorei porque ele sempre foi legal comigo, desde que cheguei na Holanda, sempre pronto pra me ajudar. Chorei porque o conhecia há 15 anos.

O coração dele parou, e ele se foi...e nós ficamos, sempre alguém fica, uns vão, outros ficam, ninguém volta pra contar.
E me preocupo, sinto por eles os que ficam, eles sentem, e dos que vêem o corpo morto, de frente...os que dão a notícia, os que não estão preparados a lidar, com essas coisas da vida, a morte, porque na verdade, na vida real, quem está preparado? As pessoas próximas, as pessoas que sentirão falta no dia a dia, claro todos podemos viver sozinhos, somos sozinhos, porém é triste.

A vida continua após a morte, é preciso cuidar do funeral, do caixão, dos rituais de morto, é preciso se despedir do morto, é preciso protocolo, convidar as pessoas, participar a morte, mandar cartões, fazer cartões (é assim que é aqui na Holanda), se paga um seguro funeral (enterro/cremação), terá café, chá, bolo ou só biscoitos? Meus pêsames, se manda cartão de condolências, é educado, faz parte, o que não faz parte, é achar palavras, sorte que os cartões já possuem essas palavras que a gente não acha, assunto delicado, quem gosta? Morte, ninguém, compreensível.

É uma partida, uma despedida,para dar algumas resposta à nós que ficamos, em vida, nesse planeta, nessa esfera, nessa dimensão, nesse Universo.

Pra onde irão os mortos? Onde irá  opa Jan Willem?

Ultimamente tenho pensado muito na morte, nos mortos...e cada dia me convenço, que não resta nada, que a matéria se esvai, que o tal espírito/alma/energia...se dissolve no Universo, Multiverso, que nem antes da vida, antes da vida, não existia vida, se houver reencarnação, será outro corpo/carne/ossos, nunca esse.
Que não há vida após a morte para aqueles que morreram, apenas há vida após a morte, pra nós que estamos vivos, é muito duro, é muito triste, nunca mais veremos os parentes mortos, os amigos, nunca mais nos encontraremos, mas essa idéia...é a idéia de vivo, pra isso existe LUTO.

Não é preciso chorar (demais), nem se desesperar...acabamos calados, mudos diante da morte, sem explicação nenhuma, os que se foram, só ficam na nossa memória. Nós ficamos, até chegar o nosso dia, e assim ficaremos na memória, por um tempo determinado daqueles que ficam, pra depois deixarmos de existir pra sempre, ou pra existir somente em literatura/história...como os bons e maus que passaram por esse mundo civilizado, os famosos de verdade.
De resto, nada tem importância...é triste admitir, mas nada mais importa.

E quanto ao choro, fui consolada e consolei, tentei, consegui, cada um tem seu próprio luto, é individual.
Que fiquemos em paz, mortos e vivos, enquanto houver vida, e depois da morte.




Thursday, January 6, 2011

2011 uma Odisséia no espaço

Claro, é 2011...ano novo, tempo de renovação.
Andei por ai, lendo blogs, e como tem coisa boa e porcaria. Entrei no Twitter e me senti seguida, mas seguida do que? Eu lá tenho algo a dizer?
Vivo chupando daqui e dali, idéias, links, fotos, e o resto é só querer, quero várias coisas inconcretas.
Não que me considere aposentada, mas me considero estragada. Como se existisse diferentes mundos, diferentes realidades, a vida real, da net, da pessoa, dos papéis na sociedade, a mental  e espiritual.

No ano de 2010 vi poucos amigos antigos, conheci outras pessoas novas, fiz novas amizades. O ano foi muito longo e estou sem saco nenhum de ficar falando no passado.
Gosto do novo, novo penteado, corte de cabelo, roupa nova, bota nova, casa nova, namorado novo, visitar prédios novos. Cansei de tranqueira, gente com tranqueira, casas feias, gente jogada, cheiro ruim de coisa velha. Esse ano vou jogar mais coisa no lixo da "Loja de caridade",  livros que nunca li, livros que já li...e vou vender essas 4 bicicletas que tenho, mais um telefone duplo, umas roupas, botas, etc.

Estou adorando ter cinquenta anos, o lado chato que daqui pra frente vou ter que fazer de 2/2 o exame de mama, mamografia, eu pensei que já tivesse feito, mas nada. Eles te puxam o peito e colocam amassado  pra fazer o raio-x, quatro vezes. Além da gente ter que ficar pelado na frente de gente estranha, a mulher puxa o peito 4 vezes. Sorte que não acharam nada, nenhum nódulo, nada...mas sempre dá um medinho fazer esse tipo de coisa.

Muitos objetivos foram alcançados em 2010, materiais e imateriais.
Parei de tomar lítio lá por fevereiro, e me sinto ótima...de vez em quando baixa uma louca em mim, mas uma louca normal, tolerável. Durmo normalmente, não tenho insônia, não fico na paranóia quase nunca.

Cinquenta anos me deixou mais cara de pau ainda, estou aprendendo a dizer "Não"...normalmente eu sou impulsiva, me abro com as pessoas, quero ajudá-las, mas de uma coisa eu tenho certeza, não quero gente alcóolatra nem junky perto de mim, ex junky ex alcóolatra, não tenho o minimo interesse, nem gente superficial que não me diz uma palavra interessante, com atenção.

Meu vício no FB está indo, mas tem dias que está horrível por lá...as pessoas cada vez mais repetitivas, alienadas, sem graça, salvo poucas exceções. Redes sociais...
Ano novo começou essa semana. E não quero fazer nenhum plano, só sei que quero fazer algumas coisas, e a única coisa que sei que quero, é não gastar o que não tenho, só isso, pois já me basta a entrada da adolescência das 'crianças"...

Hoje mesmo estou com pouca lucidez por causa da dor de garganta e da falta de sono que me deu...às 3 da matina, nunca tenho isso, felizmente consegui identificar a causa.
E é que eu não vou permitir ninguém me manipular, me deixar louca, nada.

Wednesday, November 19, 2008

Uma semana apenas




Traga-me uma semana, uma semana de férias, uma semana só.
Uma semana...somente uma semana, então semaninha, 7 dias.
Não eu não quero ir pra lugar algum, quero ficar aqui mesmo no meu canto, e se der na louca, visitar uma cidade qualquer que nunca fui, as ruas sejam estranhas, e eu precise de um mapa ou boca pra me orientar, mas me perder por ai, adoro me perder pra me achar.
Mas quero então fazer diferente, não mostrar pra ninguém que estive lá, não tirar foto de monumento, de cemitério, de coisas "cool", não fazer shopping, ir de ônibus, descer no ponto final, comer uma batata frita com maionese podre (sim eles comem isso aqui)...e depois voltar.
Muita coisa pra mim virou normal nesses meus 48 aninhos de vida, muita coisa.
Não que as coisas sejam normais, mas o meu modo de ver as coisas, de assimilar as coisas, de aceitar as coisas, e de me aceitar.

Não não quero ir pra praia, ou ficar num hotel***** à beira da piscina, nem visitar museu, ponte dos suspiros, nada, agora não.
Não, não preciso de uma faxineira, copeira, cozinheira, arrumadeira, criada, governanta...não. Não é isso que estou falando, estou aprendendo a ouvir, e lembro de um homem que disse que não gostava de máquina de lavar louças, porque tinha que ser duas, e agora eu concordo plenamente com ele, queria duas máquinas de lavar louça, duas, não uma...duas...e claro espaço pra elas. As máquinas fazem muitas coisas pela gente, mas não fazem tudo, nem as outras pessoas, nós temos que arregaçar as mangas, ninguém, mas ninguém pode fazer o trabalho que é pra você fazer.
Se você disser, não gosto de limpar a casa, de arrumar camas, bom que gosta? Mas tem que ser feito, porque eu não suporto sujeira, poeira, bagunça, vai entupindo a minha cabeça, vai pesando, e de repente tenho 100 quilos 30 só nos pensamentos.

Preciso de tempo, horas, dias...literalmente vagos, livres, de folga.
Todo mundo precisa de folga, de ficar sózinho, do seu espaço, eu preciso disso, mas não é pra ficar na internet, netlogo, facebook, orkut, myspace, youtube, google, wikipedia, outlook,etc...é pra trabalhar.

Já a Tina disse que temos que fazer um esquema, que eu achei muito complicado, pra nos orientarmos para termos as coisas em ordem em nossa vida, hmmm, pode até ser...mas se eu conseguisse usar essa lista dela, eu usaria esse tempo pra fazer essas coisas que precisam ser feitas, não estar aqui como milhões de pessoas no mundo estão, digitando linhas, clicando aqui e ali, trabalhando, se divertindo, procurando, achando.

Se eu tivesse essa semaninha a primeira coisa que faria, era dormir até tarde, fazer o que bem entendesse a noite, ir ao cinema, jantar mais tarde, ficar na net até tirar água de pedra...e cansada dormir.
Dormir, é uma das coisas que mais gosto de fazer, dormir...lençóis limpinhos, ler um poquinho antes, escovar meus dentes e passar fio dental sem pressa nenhuma, creme no rosto, nas mãos, na região dos olhos - que envelhecem primeiro.
Não que esteja cansada, não estou...
Mas queria arrumar minha casa, que há semanas está uma bagunça. Pilhas de garrafa pra levar pro container, pilhas de roupas limpas minhas e das crianças pra dobrar e colocar nos armários, juntar todas as roupas que não servem mais, não uso mais, não gosto mais dar pro exército da salvação.
Colocar todas as imbecilidades que compro, e tenho duplo na loja de segunda mão, todos os abridores e copos e canecas e pires e pratos que não quero mais pra bem longe.
Colocar todas as revistas que nunca mais vou folhear fora, ou dar, guardar só as que realmente gosto de reler.
E todos os milhares de brinquedos que eles nunca mais vão brincar pra o planeta lixo de brinquedos.
Ir na Ikea pimpar minha casa: estou precisando de uma estante de livros, um tapete novo na sala, uma luminária alta, esvaziar um guarda roupa e mudar de lugar...
Arrumar as malas no quartinho da "empregada" lá fora corretamente pra que não peguem mofo. Tirar fotos de 4 bicicletas e colocar pra vender no markplaats.nl um site de vendas de coisas usadas na Holanda...sim, já tinha tirado na minha máquina japonesa falante, mas como a máquina é tão complicada, eu acabei deletando tudo sem querer.
Nesse tempo livre, ia ler todos os manuais de apetrechos que adquiri até hoje e não li, meu telefone novo com secretária eletrônica - quase nem existe mais essas coisas, dessa máquina tagarela também, do meu i-pod que tenho há século, mas o livro é tão grosso, e do meu celular que eu acabei usando mesmo só pra ligar, e mandar sms.
Õ meu eterno lamento diz: queria que a minha vida não tivesse nenhum fio, mas são tantos fios...tantos carregadores, até a minha filha agora tem um celular, e fora a aula pra ela, ela aprendeu felizmente a ligar e atender, duas funções que parecem idiotas, mas difíceis para uma criança que tem pouco alcance com abstração.

Tirar todas as folhas secas caídas no jardim, limpar o jardim...varrer, arrumar o schuur - quartinho das bicicletas, arranjos de natal, caixas de tinta, e toda a parafernália que se usa uma vez por ano.

Chamar o carro da prefeitura que busca lixo grande. Afinal não quero multa, o vizinho dedura, não quero.

Sorte que já me livrei de dois televisores enormes, antigos...ninguém queria de presente, ninguém...e não se pode colocar no lixo, e eu acho até o cúmulo de colocar esse tipo de coisa no "lixo"...Buda me livre, demorou duas semanas pra eles virem, eles vieram...e quando chegou aqueles dois homens eu fiz pfffff. Até que enfim.
Tentei vender, não deu, tentei dar, ninguém quis...
Um peso a menos, um espaço a mais.
Mas traga-me essa semana, sem pressa...porque sou só uma.
Não estou cansada, estou cansada de ser DJ. Na minha própria casa, e às vezes das centenas de CD's que tenho, ouço por uns tempos os mesmos.
E eu?
Quero cortar meu cabelo, é só marcar...sim parece fácil, é só marcar, mas não é, no tal dia que liguei, ela não estava, estava de férias, lei de Murphy, e tem que ser com a ela a pequena grande Sabine, que menina incrível.
Fazer manicure, pedicure cuidar de mim por fora...há tempos estou cuidando de dentro, e está tudo OK, nem posso me queixar. Mas a manutenção é necessária por dentro e por fora.
Sim continuo bonita e disciplinada com a yoga, com a mente no lugar preciso que deve estar, mas ....preciso de tempo.
Tempo pra ser criativa, tempo pra usar melhor meu tempo.
Quem sabe nessa semana marcar a cirurgia das varizes, sim...há anos que preciso, mas deixa pra lá, como ficar sem andar de bicicleta por uma semana, duas?
Mamãe não pode.
Cada vez que vou dar uma voltinha a noite com as crianças na koopavond(noite que as lojas estão abertas até as 21:OO) fico pensando, chegará o tempo que irei sozinha, assim...no dia de semana, fazer o que quero a noite. Será engraçado, acho que vou até estranhar.
Talvez fosse o caso de pagar caro pra ir ao cinema no dia de semana, uma babá que ganha de 6 a 10 euros por hora, e mais entrada do filme, é ...não posso me dar a esse luxo por enquanto.

Arrumar minha casa para o Natal que está quase chegando e o ano de 2009, vejo as teias de aranhas nos lugares que o teto é alto, e olho e penso, preciso tirar essas teias de aranhas, mas não é de aranha, é poeira mesmo, poeira dançante, que nem naquelas mansões mau assombradas...brrrrrrrrr os móveis cobertos de lençóis brancos, o candelabro encima do piano de calda, mas o janelão aberto, a chuva lá fora e claro isso é um filme daqueles bem previsíveis em preto e branco, um filme com o Christofer Lee e o Peter Cushing, amava os dois...e muita "teias", muita poeira, muito abandono.

Tenho tudo que preciso, em termos...mas os anos passam, e de repente aquele barulho, aquele carnaval todo, aquele desfile de cores, imagens, tons e sons na sua frente, te cansa...aqueles milhões de livros pra ler, filmes pra ver, blogs pra ler, amigos pra ligar, festas pra ir, emails pra responder, mudanças pra fazer...vão-se empilhando, empilhando...me fazendo lembrar um terrível trabalho numa agência de propaganda muito legal, eu tinha 22 anos e era datilógrafa, minha função era auxiliar de escritório, e eu cursava a faculdade de Turismo a noite, cada vez mais eles colocavam trabalhos pra bater na minha mesa, e quando eu acabava e a minha mesa ficava mais ordenada, lá vinha cada vez mais coisa, mais faturas, mais campanhas publicitárias, mais dinheiros, mais clientes, clientes negando as campanhas, e mais novas campanhas, e trabalho - trabalho- trabalho. Ufa...finalmente o trabalho um dia acabou, aquele, pedi as contas assim que peguei meu diploma. Um dos donos da agência me achava "interessante" e dizia, não quer ser modelo? Eu me olhava no espelho e me sentia muito feia, muito sem cara de modelo, na verdade muito insegura, nada assertiva, estava começando a vida, e não sabia nem dizer não, nem dizer sim pra certas coisas.
Esse mesmo homem, chamava-se Ricardo Rizzo, dizia:
- Bernadete, muda essa faculdade, que não vai te dar nada, e que não vale nada pra publicidade, porque eu mesmo me arriscava a dar umas opiniões pedidas, no departamento de redação, esse sim, me chamava à atenção, naquela mansão no bairro de Petrópolis em Porto Alegre. Muda essa faculdade pra Publicidade e Propaganda...dizia.
Mas eu cabeça dura embestei que queria conhecer o mundo todo, ou na verdade conhecer a Europa, jamais mudei...fiquei uns tempos desempregada, fazendo nada, fazendo bobagens, na dolce vita...vivendo de amor, com um diploma qualquer nota na mão.
Comprei minha primeira moto, uma XR 125 Yamaha, preta...já amava a cor preta.
E assim se foi...porque eu comecei a escrever isso não faço a mínima idéia. Acabou de ligar uma amiga do Brasil, que está visitando a família em Manaus, mas antes passou por Miami...e como ela foi assim correndo eu até pensei que tinha dito algo de errado, mas ela me ligou, então está tudo bem.

Nada melhor do que uma casa arrumada, leve, gavetas ordenadas, e a satisfação da missão cumprida...vai zerar bonitinho esse ano de 2008. Um ano muito bom, um ano com algumas tristezas, mas sem altos e baixos, ou poucos. Um ano da amizade, um ano de poucos encontros mas bons. Poucas festas, mas ótimas.
Um ano de algumas perdas, o pai de um coleguinha do Dimitri se foi, gente boa, e um filho de um conhecido da época do Budismo, essa perda foi pior ainda, o cara tinha depressão, mas não tomava nada, e deu cabo de si mesmo...
Só pra não falar que DEPRESSãO, não é caso sério...é sim, bipolaridade também.
É uma merda (não costumo escrever isso), mas é uma merda, depressão, bipolaridade, essas coisas que estão dentro do nosso cérebro, e não podemos fazer nada naturalmente, pegar um sol, uma praia...agora vou tomar meus remédios com mais vontade ainda, e dizendo que nem Rita Lee, botei botox sim. Já usei tanta droga, essa é mais uma delas.
E pra mim também...não gosto de botox, mas daqui há uns 10 anos, quero fazer uma correção nas pálpebras sim, e não ficar com essa cara de cansada, essa cara caída, e tudo cai, não tem jeito, mas tem coisas que dão pra levantar. E ponto.

Um feliz ano bom...e preciso estar preparada para o ano seguinte, um ano de muitas promessas, um ano tranqüilo na medida certa do ritmo das coisas que são como são, e esse ritmo do universo continua a mil, nós que inventamos os calendários, o relógios, as medidas, blabla.
E se depender de mim, será muito parecido...porque só vai mudar o algarismo de 8 pra 9, tanto melhor, adoro o número 9...de qualquer maneira o ano promete com Obama no mundo...um negro, um homem negro, o presidente, o tal YES, WE CAN.
Mas antes preciso dessa semana, essa semana...que não vou deixar pra ser um sonho, vou buscá-la pelo menos em suaves prestações.

Monday, November 10, 2008

Ik wil chocola (eu quero chocolate)



"The table is red."

Era o segundo semestre de 1996, quando aportei na Holanda. Dava tempo de ir com meu marido Peter ao cinema de vez em quando, no cine clube Kijkhuis em Leiden, e fomos assistir "L'utieme Jour", um filme tocante que me marcou até hoje, e eu gostaria muito de rever, mas filme antigo não se acha tão fácil, tem que comprar na internet, procurar, tenho a maior preguiça, raramente compro artigo pela internet, gosto de ir na loja, e talvez seja até bom, porque senão não sairia mais de casa, e ficaria gorda que nem no filme do W-ally.

Ik wil chocola, dizia George, o carinha no filme com síndrome de Down. Sempre me lembro do jargão: Ik wil chocola. George tinha alergia a chocolate, e quanto ficava triste ou frustrado comia chocolate e pensava na mãe morta, que era a única pessoa que se importava com ele, mas depois pagava o preço, passava muito mas muito mal.
Às vezes quando estou mal, digo pras crianças com o mesmo tom de voz do George:

IK WIL CHOCOLA...um dia eles também vão assistir esse filme, porque já o conhecem de tanto que eu falo.

E semana passada eu sofri, fiquei de mal com a vida, chorei, porque eu também tenho de certa forma um George em casa, mas outro tipo, um George que não se percebe nas feições, um George que é difícil de explicar quando os outros perguntam o que é mesmo o "autismo"? Minha filha não somente vai na escola, ela segue um tratamento, e tem altos e baixos, e ultimamente mais baixos que altos, atravancando o conhecimento e aprendizado escolar, o mundo dela é o mundo de um seriado da TV Holandesa Het huis Anubis, sua nova obsessão...que poderá durar até 3/4 anos.

Lembro-me bem como se fosse hoje, eu perguntei ao Peter:

- E se tivermos um George?

ele respondeu:

- Vamos amá-lo de qualquer jeito, não será nenhum estorvo.

Aquilo me deu conforto, porque eu não tinha a mínima idéia do que era ter um filho com distúrbio do autismo, e nem pensava em ter dois filhos, como tenho hoje, foi tudo muito rápido, olhando agora pra trás.

Mas é fácil falar, aqui na Holanda quando a gestante tem uma idade de risco, e faz o teste pra detectar se o feto possui coluna bífida ou outra anomalia, ela pode optar pelo aborto. Porque só mesmo os pais para saber que não é fácil ter um filho assim, um filho assim tem que ser protegido constantemente, um filho assim precisa de atenção, dedicação, muito amor, mas muito mesmo.
Com um filho assim praticamente não se tem vida própria, pro resto dos seus dias, não há férias, não é trabalho das 9 às 5...tem dias que é um fardo, e não se pode deixar pra lá.
É como se eles andassem sob a água, leves, sem pecados, sem maldade...mas ao mesmo tempo você como mãe o levasse o tempo todo sob os ombros, como Atlas, chega num momento, suas costas doem, você se olha no espelho e não se reconhece, você envelheceu, mas não na idade, por dentro. E tem de achar milhões de maneiras para anestesiar sua dor, que ninguém mais sente, só quem passa pelos mesmo problemas, dificuldades, acredito que seja assim pessoas que estão com problemas de câncer, outras doenças em estágio avançado, doenças psiquiátricas, você precisa de um grupo, de um conforto, de um interesse, de colocar sua estória pra fora, pra não sobrecarregar amigos, família.

É tudo tão fácil, e tão difícil...com essas pessoas.
São preto no branco, sem meios termos.
Os Georges são pessoas muito especiais, ao mesmo tempo que podem ser um peso, eles têm tiradas absurdas, engraçadas, que fazem-nos perceber como a vida não é só triste, dramática, alegre, cômica, mas um fluxo oscilante de momentos, um tobogã, um aviãozinho que voa alto e depois cai lá embaixo, nessa gangorra inesperada das emoções e sentimentos que um ser humano possa ter.
Os Georges da vida...aqui onde moro é invadido de Georges...eu os vejo, estão em todos os lugares.
Talvez porisso que a Holanda (ou outro país parecido) não seja hipócrita, eles estão por todos os lugares, as caras já são conhecidas, e não existem mais chacotas...não são permitidas, já foi assim tempos atrás porque mongol, é ainda um adjetivo usado para xingamento, mas as pessoas de bem se policiam, para não proferir tal cúmulo, é passé...(me corrijam aqueles que escrevem francês), fora de moda toda, retrógrado, antiguado. O termo mongolóide, fora do contexto médico, está como o acender um cigarro na sala de visitas de alguém com câncer no pulmão.
Fazê-lo, é pura maldade.

A Dominique ficou contente ontem, dei o primeiro celular de verdade de presente, desses pre-pagos, bem bonitinho da Nokia, e coloquei na agenda de endereços o meu telefone, o do pai...virão ainda o dos avós, escola, e outros poucos. Mas primeiro ela vai ter que aprender a usá-lo, não entende nada de nada, quando falei que era pré pago, ela achou que tinha dinheiro dentro do telefone.
E sempre essas coisas de ser canhota, dificultam um pouquinho também.
Mas aos poucos ela vai, as únicas duas colegas meninas também tem, a Amber e a Emily.
Ela odeia a Emily, que roubou a única amiga dela a Amber.
Ficou desconsolada...mas agora melhorou.

Essa semana as coisas estão entrando nos eixos, a vida continua mesmo, eu mesmo já estou dançando na sala, que me diz que estou em paz comigo.
E assim no oitavo dia, George subiu ao céu, sem antes não deixar de dar uma lição de vida ao amigo Ari um bem sucedido homem de negócios, mas com a vida privada na privada, divorciado, sem contato com as crianças, irritado, solitário, estressado, calculista.

E no fundo é o que importa na vida das pessoas, a família - aqueles à que queremos bem, e os laços de amizade que se fazem espontaneamente, e crescem através dos anos.
É quando começamos a sorrir, quando temos amigos por perto, que estão sempre dispostos a dar uma palavra de conforto nas situações críticas, ou nos fazerem sorrir, mesmo sorriso colorido. Ou a esses Georges, repetitivos...mas muito engraçados, porque se não fossem eles, o mundo seria muito chato, previsível, e fácil uma loucurinha de vez em quando não faz mal à ninguém.
Sabemos que a vida não são só férias, carnaval, sorrir o tempo todo, ou só ser sério, aliás é preciso saber pra sobreviver, que a vida graças a toda a dinâmica, tem altos e baixos, tem fases, e depois mais fases, sempre muda.
Então George, não coma mais chocolate, eu me importo com você, eu vou cuidar de você nem que seja até o oitavo dia.

Wednesday, July 18, 2007

Ele se foi...eles se foram


É muito estranho acordar, ver que um dia bonito vai fazer lá fora, com uma luminosidade que promete um sol brilhando mais tarde, ir até o quintal e constatar que tem um rato morto, prostrado assim...pela passagem, e imediatamente o que te vem na cabeça é asco, e não chegar muito perto por via das dúvidas, nunca se sabe.

Constato que ele morreu afogado, sim...na noite anterior chovera muito, quase tive uma inundação, esse chão de areia holandês, vai descendo cada vez mais, e as casas vão ficando tortas, e o chão vai ruindo, volta e meia é preciso fazer nova pavimentação.


Ele se foi.


Não tenho gatos, mas o rato se foi, digo, camundongo, mouse, muis...
E nem colocar no lixo posso, porque o lixeiro passa duas vezes por semana, e está tarde demais.
Vou deixá-lo ali, pra ele embrulhar meu estômago cada vez que for pro jardim fumar.

O que deveria fazer com ele, afinal?

Trazê-lo pro lixo da cozinha, e ele ficará se decompondo até a noite de amanhã dentro da minha casa(quinta feira), quando terei o aval pra colocar o saco de lixo lá fora? Sexta feira passa o caminhão do lixo cedo pela manhã...


Na calçada ele não pode ficar, virão gatos...aliás será que um gato gosta de rato morto, ou é somente caçador??? Não, na calçada eu ganho multa, e é contra meus princípios, além de que é bem perto da minha porta de entrada, e não fará lá muita diferença, dentro do saco, fora do saco.

As moscas e formigas já começaram a fazer um banquete, parecem rituais primitivos ao redor...o sol vai pra trás das nuvens timidamente, ele vem e vai, e as moscas vêm e voltam, mas ele continua ali, inerte, nojento, estático, sem vida, sem funeral. Porque se ele fosse um ratinho de estimação, com certeza faria um ritual com cruz cristã e enterraria em um terreno baldio (que não existe na Holanda), ratos brancos vão pro céu e como no Eraserhead "in heaven everything is fine", já dizia a Lady in The Radiator, mas rato sem dono, cinza ou preto, não merece funeral, vá que ele tenha tido uma vida fora da lei, vá que tenha sido pedófilo, bandido ao contrário do Robin Hood, que nem políticos no Brasil que roubam os pobres pra dar pros ricos, ou que não tenha se comportado bem na casa dos pais, e fugido...e assim, não achando o caminho de volta, bateu as botas. Ratos de cor de burro quando foge, são ratos duvidosos. Os brancos são limpinhos - tá me parecendo coisa de espírito de Hitler.


E com uma das poucas amigas que consigo falar ao telefone (e ter assunto), sem precisar mascarar minha felicidade ou infelicidade, ela supõe que o meu meio está Kafkiano, e é verdade...e não melhor do que a morte desse pobre ratinho, condenado pelo destino, sem parentes, sem funeral e ainda por cima ser chamado de nojento, por mim uma pobre bip tentando se desafogar das águas da depressão central.


- Filho, não chegue perto, ele "transmite" doenças! (era o que minha mãe dizia), rato cinza é rato ruim, a peste, agora digo mesmo pro meu filho, e repito tudo, não ande de pés descalços, pegará friagem, não coloque pentes/escovas e jamais sapatos na mesa.


E coincidência ou não, as mortes verdadeiras circundam o meu universo, portanto o nosso, o acidente da TAM vôo 3054, que saiu de minha cidade natal (Porto Alegre) para São Paulo (o perigoso aeroporto de Congonhas no meio das cidades, dos edifícios, casas, postos de gasolina...nitroglicerina pura como dizia o desenho CAIU, e lá se foram quase 200 almas, dentre elas...um deputado federal (gaúcho) e outros VIP anônimos, comoção nacional.


E muitos comentários, notícias. E acharam a misteriosa caixa preta, mas as vidas não voltam pra contar suas versões.
E o rato não volta pra contar sua estória, e ele era um desconhecido pra mim, e na lista dos quase 200....só vi nomes, felizmente nenhum parente, nenhum amigo, conhecido...todos strangers como o rato.

- Não confunda rato com camundongo, dizia a minha "mesma" mãe...(mas o shape é o mesmo, o tamanho que muda, a cor, tonalidade) digo eu.
Todos se foram, e nada foi como esse blog, por acaso.
Dead is in the air.


Tuesday, July 3, 2007

Uma lerda no mundo agitado


Tenho um novo brinquedo, um telefone celular Sony Ericsson, super moderninho com tudo que se tem direito, telefonar, mandar sms's, câmera fotográfica de vídeos, MP3, rádio, internet - esse eu tirei pq tinha que pagar mais, e também muitos games em 3D.
Quem escolheu o modelo foi o meu filho, com um argumento técnico.
A cor é vermelha no tom bordeaux, bem diferente do meu antigo Nokia cinza.
Mas eu gostei muito do painel, que é grande, e pra uma ceguinha é sempre conveniente isso.

Mas eu estou a lerdeza em pessoa, virei eu uma ogra, o verão tem sido de chuva, 15 graus...isso é verão?
E não há muito a fazer a não ser a rotina diária, ir ao dentista, escola, levar no judô, compras, lojas, arrumar a casa, pensar na vida, sonhar acordada.
Final de semana passada fomos assistir Shrek the third, e eu gostei muito, apesar de perder muitas coisa com a dublagem em holandês, prefiro ler em holandês do que ouvir, mas essas animações modernas são bem superiores mesmo.
No sábado Dimitri tirou o diploma B de natação, o A ele tinha conseguido umas semanas atrás( e eu tinha ficado doente) e a Dominique conseguiu o A na segunda feira na escola.

Tarefa cumprida, principalmente pro pai deles que era pessoa que os levava na natação. E ele deve estar feliz que não vai precisar mais acordar cedo todos os sábados, ou pelo menos não ter a obrigação que tinha.

No próximo domingo é o festival de verão de música em Leiden o werfpop e esse eu não perco, todo o ano estou lá pra ver as bandas, dar uma banda, e fica num parque super legal, com cara de festival mesmo, mas o tempo tem que colaborar senão fica muito chato.
E na próxima sexta em Londres meu amigo o DJ Renato Lopes vai tocar numa festa, com outros DJ's e a festa é organizada pela Simone Rutuolo, que morava no ABC...num deles lógico. Pena não poder ir assim, sem compromisso.

Na semana que vem tenho visitas de Berlim, a elétrica Sabrina Fidalgo tá chegando, e com certeza vamos tricotar bastante, assim espero, ela está envolvida em um projeto que é um documentário sobre os bailes funks no Rio de Janeiro.

Quantos aos meus amigos, não tenho visto, só falado ao telefone. Tenho uma amiga que está apaixonada, e curtindo a vida real, bom pra ela.
E eu de certa forma também estou vivendo mais a vida real do que a virtual, estou reassistindo filmes velhos, adquirindo CD's de músicas velhas, bandas velhas, não que seja uma fase nostálgica, mas os releases são tão fraquinhos, e compro muitos DVD's pras crianças, aliás a coleção deles é bem maior do que a minha, comprei recentemente Spiderman 2, e gostei bastante do filme, e do vilão, adoro os vilões que sempre fracassam no final.

Estou me sentindo a mocinha boazinha do filme a Mary Jane - MJ como o Peter Parker a chama, ele vivia dando desculpas e nunca ia assistir a peça encenada por ela, do Oscar Wilde, estava sempre sem tempo por ser o Spiderman e aquela velha estória de não poder revelar a verdadeira identidade. Ah! esses super heróis dramáticos.

Finalmente chegamos no mês de julho, em breve irei pra França no curso de budismo, mas amanhã é um dia crucial nesse mundo agitado, a data de falecimento do meu pai, 4 de julho, dia da independência americana, fácil de lembrar em vários sentidos.
Parece que foi ontem agora que estou lerda e o mundo gira gira gira frenético ao meu redor, ano passado eu estava mais rápida que o mundo, todos eram devagar, pensavam devagar.
E como eu percebi no ano passado, meu pai virou estrela...e está lá no alto, todas as noites, cuidando de mim, de todos os seus filhos.
Quem sabe não é ele o responsável pela minha mudança?
Porque há prazer na lentidão, como diz Kundera.
Quem sabe.

Monday, June 4, 2007

Differently happy



















Allegory of Happiness 1564
Oil on copper, 40 x 30 cm
Galleria degli Uffizi, Florence




Não, não descobri o "meu caminho", porque que nem o poeta dizia.

"Caminhante, não existe caminho, o caminho se faz ao caminhar", e essa caminhada é todo o dia, dia após dia, até o último sopro (de vida).


Mas eu mudei, estou muito feliz (hoje) de um modo diferente daquela felicidade, que você quer contar pra todos, contagiar o mundo e todos ao redor, ou pelo menos eu era assim antes...



Estou feliz por saber que mudei, e também curiosa por descobrir a cada dia, o que essa mudança traz de positivo na minha vida e dos meus, já vi melhoras concretas porisso sei que funciona, estou mais alerta, discreta(eu??? sim), observadora (sempre fui - mas de um outro jeito), e ouço mais, o que é quase incrível, mas é verdade.



Eu mudei porque sei que posso controlar meus impulsos, eu mudei porque percebo que assim eu fico mais perto de meus objetivos pessoais, tanto maiores como menores, estabelecendo metas, avaliando meu comportamento, mas não me criticando, o passado é o passado, não há como negar o passado, principalmente as burradas que se faz, teve bons acontecimentos também, mas é muito interessante.




Eu mudei porque sigo um tratamento consciente, odeio tomar pílulas achando que elas vão resolver os meus problemas, e colocar pra baixo do tapete, coisas que negativas que nem percebia em minha personalidade.



Sempre fui exigente comigo mesmo, gosto do pacote todo, sou perfeccionista, estudante, e agora sou minha própria cobaia, sem querer.



Mas já que reconheço que algo está errado, não mascaro...pra mim é AGORA, e não no futuro...tudo depende de mim, meu desenvolvimento pessoal, e ações a serem tomadas.
Eu mudei, porque aceito mais as coisas como são, e assim reclamo menos, e reclamando menos me desgasto menos, posso pensar e agir melhor, e deixo a preguiça delado, é difícil extirpá-la, mas venço-a, sigo o meu coração, que é bem diferente de seguir um impulso.
Ligar o piloto automático, é as vezes tão fácil...basta estar cansado, porisso...dormir, pára tudo, sim eu estou em primeiro lugar.



Tenho motivos suficientes pra reclamar de minha sorte e de minha cruz, mas quanto mais reclamamos, parece que o problema só aumenta, e mais chato fica pra nós, e pros outros, reclamar fica ali ali com o desabafo, mas é diferente mesmo.



Hoje mesmo estava num órgão público, tinha marcado hora pra resolver um problema de imposto federal (belasting dienst), e lá estava um homem de cadeira de rodas, sem uma perna.
Isso parece tão comum quando vem de um estranho, o problema é dele...quase ninguém olha pra não ser indiscreto, é assim...a perna não vai voltar.
E a funcionária que marcou comigo, simplesmente me esqueceu, me deixou esperando...e não apareceu. Voltei pra casa, e pensei...seja o que for, ela me liga se desculpando, me confundiu com outra, pediu mil desculpas várias vezes. Eu disse, tudo bem...eu quero que o problema se resolva, e ponto final. Fiquei pensando...eu fui com meu filho, fiquei 45 minutos esperando...pra "nada"...e não dei barraco???


Differently happy...



Não não é só o amor, não não é o sol...o dinheiro recebido de férias, um presente de um amigo, um cartão de aniversário de um irmão (fofinho, já mandou cartão, porque irá pra Itália).
As flores na primavera no jardim, isso tudo ajudam, fazem parte, mas não é a causa.
Não é uma desculpa de fora qualquer, claro que ganhar na loteria ia pegar bem, mas nem jogar eu jogo, então não vai acontecer....só se eu jogar.



Estou assim, e o mérito é todo meu...porque não veio de mão beijada.




A outra festa acabou, ainda sou uma sonhadora, às vezes fujo da realidade, visto-a realidade de colorido, mascaro-a, mas já percebi que dela não dá pra fugir, e quanto mais se foge, mais a tacada de volta fica mais forte. O negócio é pegar leve mesmo, e o gostinho é outro.

Beber pra esquecer também está fora de questão.
Tá legal bebe, tá mal...só vai ficar pior.
Claro, cada um cada um.
O negócio é sorver...tão diferente, apreciar, polir o paladar...tanto uma bebida,
como a vida, pequenos goles, pequenos carnavais.


Logo logo vou começar uma psico-terapia bem diferente, uma terapia que vai enterrar de vez a outra Bebete, agora eu estou de luto (da antiga), esse luto tem um Q de crise de identidade, insegurança, e muita esperança e novidades futuras. É o processo de mudança, tudo pode acontecer diferente do que era, cada dia continuará sendo um novo dia, como é para todos.
Vocês acham que estou brincando? Não, o assunto é sério...só que complicado, afinal a perna perdida agora é a minha.



Parece tudo tão óbvio, e talvez tão estúpido, ou talvez eu esteja até falando grego, pros leitores do blog.
Mas esse tipo de terapia é própria do meu mal, digamos assim, porque você realmente muda quando as coisas se estabilizam. Eu nem sabia que ia tão longe...eu não sabia que podia ser outra, sendo eu...e eu que tanto gostava da lenda do Dr Jekyl Mr. Hyde...

É mais um motivo, pra estar assim differently happy...

Wednesday, May 16, 2007

Dancer in the dark...BRAZIL


Cá estou eu novamente, no interessante mês de maio.
Dominique vai fazer nove anos no dia 19, no sábado.
Comprei uma bicicleta cor de rosa pra ela como presente, a outra estava pequena.
E mais uma vez uma festa, um ano para celebrar.
Nove anos atrás estava nessa época com um barrigão imenso, louca pra ser mãe, e apesar da dificuldade pra dormir e caminhar no último mês, nunca deixei em todos os nove meses a peteca cair.

Já no mês de junho é o mês do meu aniversário. Este ano completarei 47 primaveras.


Credo, apesar de sempre ter em mente que só é velho quem se sente velho, me dá um medinho, porque daqui há três anos terei 50, sim cinquenta anos, metade de um século inteiro.
O ano do meu nascimento é 1960, eu e Brasília - capital do Brasil que foi inaugurada em abril de 1960, sempre gostava de lembrar dessa bobagem.

Há pouco tempo atrás alguém disse pra mim:

- Por que você está com "essa" cara de braba?

Braba, eu? respondi.

- Não, só estou precisando de um face lift...uma puxadinha de leve aqui, e mais as pálpebras, e lá se vai a "brabeza"...falei em tom de brincadeira.

A força da gravidade chega pra todos. Pra alguns até mais tarde que os outros.
Muitos homens não se preocupam com isso. Os problemas estéticos do homens pode ser calvície e uma barriga de cerveja, aliás a natureza poupou tanto os homens.
Já com a mulher do ocidente, o buraco é bem mais em baixo.
Nunca leventei bandeiras nem contra e nem a favor da cirurgia plástica. Mas não há como negar que agora que a idade está avançando, penso nisso. Porque simplesmente não quero ter uma cara de "braba" e um aspecto de cansaço, principalmente quando não estou nem cansada nem braba.

Uma amiga me confidenciou que irá ao Brasil, e fará umas "reformas faciais", já que o corpinho está todo em dia. Ela completou 50 anos no ano passado. E também ouve queixas de "brabeza" vinda das pessoas conhecidas até, que não percebem que um rosto de 30 é diferente de um de 40 e um de 50 e assim por diante. Tentei consolá-la, mas ela me disse que eu tinha o meu sorriso, que me tirava uns anos.

Minha pobre mãe, depois de dar a luz a 8 filhos, tinha uma barriga constante- que para ela era horrível e lhe causava a maior baixo-estima. Mesmo não estando grávida, as pessoas comentavam e achavam que ela estava grávida. Sempre ouvi de minha mãe, esse desejo profundo de fazer uma "plástica na barriga", que anos depois foi aparecer como lipo-aspiração, lipo-escultura, e sei lá como é o nome hoje em dia. Também se queixava que o seguro de saúde não cobria o que ela queria fazer na época. Acho que ela devia estar informada sobre esse assunto.

Recentemente fui numa festa aqui na Holanda, aniversário de uma amiga brasileira.
A maioria das mulheres lá eram turbinadas. Face lifting, botox, lipo, implante nos seios, etc...

Até me considerei privilegiada com minha aparência física, porque a maioria, exceto uma psicóloga praticante por aqui, eram de idades inferiores a minha.
Uma mais entusiasmada falou que eu deveria esperar uns "3 anos" pra mexer com o meu rosto, mas que eu já poderia fazer uma lipo (como ela fizera) nos culotes agora. Porque eu fui falar que tinha culotes pra puxar assunto. Eu sei como são as mulheres brasileiras em geral no quisito VAIDADE e cabeça vazia, e a aparência é mais importante que inteligência, muitas deixam a inteligência a carga do homem, claro há muita brasileira inteligente e também vaidosa, mas nos Estados Unidos e no Brasil a coisa é exagerada.

Achei aquilo tudo descabido, porque até posso dizer que sou uma pessoa vaidosa e isso pros cuidados normais e diários, já acho um trabalhão, como hidratar a pele, consultar regularmente e dentista, pintar os cabelos, passar uma máscara no cabelo, no rosto, fazer depilação, unha dos pés e das mãos, sendo que as do pé só faço no verão...
Entrei na dança delas, porque é o que elas acreditam, e a forma que elas encontraram de mudar algo e assim se sentirem mais felizes, mas eu sempre VOU PRA CASA, e tiro minhas próprias conclusões referentes as minhas necessidades e prioridades, porque não faço parte desse universo de gente que acha que cirurgia é uma coisa normal, natural, banal.
Epa, péra ai eu vi um documentário de plásticas nos seios que deram errado, e também a famosa modelo e atriz Cláudia Liz ficou em coma numa das lipos, e fora ficar com cara de Elza Soares, Dercy Gonçalves quando tudo que você queria era ser Brigitte Bardot(na época de Roger Vadim).
Valha-me Lord!

E também sei, que minha situação financeira...não me permitiria um "extreme-makeover" desse porte, mas uma coisa eu tenho certeza, entraria na faca agora, aliás no LASER pra poder voltar a enxergar como antes, e assim até me ver melhor no espelho, e ver realmente se a minha cara é de braba, ou se os outros estão exagerando.

Sim, o tempo é implacável com todos, e todos querem ser mais jovens...aparentar mais jovens e desejáveis, eu basicamente quero enxergar, tudo e todos, jovens e velhos e a mim no espelho e não quero dançar no escuro, só numa pista de dança qualquer.

Saturday, April 21, 2007

LOST in Holland


Privacy pra reflexão, é o melhor caminho e a melhor escolha em busca do nosso autêntico EU.

Oscar Wilde dizia que "ficar sózinho é uma atividade intelectual", claro ele era um intelectual, mas pra mim agora é uma atitude fundamental.
Infelizmente a ilha deserta está longe, não sou um personagem de L O S T, mas não preciso...porque estou sózinha e também perdida que nem os personagens, mesmo com outros ao redor, mas certamente estou a procura de algo que me faça" feliz", e talvez eu não goste muito da resposta final, mas poderá ser novamente uma mudança de país, casar está fora de planos, bicicletas tenho pra dar e vender, plantar árvores, planto plantas, um livro(?), um trabalho enriquecedor(boa). No Brasil eu era (apesar de tudo) mais "feliz", ou pelo menos não encucava tanto, porque sempre com um projeto novo que sempre realizei, por anos a fio, a custa de muita luta, mas dançando em média 3 x por semana(endorfinas?), esforço pra ir atrás de clientes (muitos vinham por si) energia(sempre tive pra dar e vender), se você paga seu aluguel se considera bem feliz, mais um punhado de amigos aqui, problemas diários resolvidos, pode se considerar satisfeito...mas as pessoas sabem como fazer uma festa, e temporiamente esquecer de suas eternas misérias, vivem o dia de hoje, ou seria minha vida que era assim e mudou.
E aqui na Holanda é essa energia parada, essa dinâmica de lutar contra a maré, contra a corrente, ou seja, não é meu elemento...aqui me sinto robótica, tudo já está tão pronto, sou mais uma que deve baixar a cabeça(estrangeira), e aceitar...e agradecer, nos primeiros anos tinha porque de lutar, aprender, fazer...agora já falo a língua, meus filhos já nasceram e crescem bem, já sobrevivi as dores de um divórcio, já conheci várias pessoas, fiz amigos, mas agora sinto falta de meu entusiasmo pela vida, me sinto perdida, não são meus filhos, não são meus exes, não é minha casa, cidade...e talvez esse país...sou eu, perdida, doente, carente de projetos, é pra agradecer?
Recentemente tive visita brasileira, a pessoa em questão achou a Holanda "muito parada", e estava admirada que EU (pelo meu passado), conseguia sobreviver...mas acho que é isso que faço "sobrevivo", sem empolgação.
Eu quero tirar da vida, minha VIDA, tudo, pelo menos muito mais que esse poço de lamentações que virou esse blog e não somente sobreviver com um tapinha nas costas, que "eu faço bem"..., faça-me o favor, eu quero ACONTECER, mas parece que tudo já aconteceu por aqui. Todo ano aquela lamúria do final da segunda guerra mundial, dos veteranos, das vítimas, guerras e guerras, e a culpa na caras das pessoas.


Temporariamente cansei dos outros também, das cobranças, quero tempo pra mim, os "fãs" obstinados querendo saber quem será meu próximo futuro amante, quantos remédios eu tomo, qual a próxima briga em público que terei, skype, sem MSN's, não atendo telefone, responder loads of mails, correntes(why?) sim, por que preciso te responder de volta? se você é meu amigo não precisa de confirmações, se vc precisa será jogado aos leões por mim, e eu não perdôo, eu esqueço, salvo algumas exceções eu respondo, ouço minhas músicas e grupos favoritos na altura desejada, me sinto salva, penso em cortar o cabelo de uma forma que agrade mais a mim do que aos outros, a moda, o sistema...seria também crise de meia-idade?
Odeio formas, e todos vestidos iguais...saindo do forno.

Sempre quando penso em mudar, penso em o cortar cabelo....ele sempre cresce, e eu POR SORTE, não vim do Rio de Janeiro, o lugar no Brasil em que a maioria das mulheres são escravas do cabelo no estilo Pocahontas, elas acham que se cortarem os cabelos perderão suas forças e poderes sexuais, o que é verdade, porque certos homens gostam apenas de mulheres de cabelos compridos, isso se chama Fetiche de Sansão...ou de propaganda de shampoo????hihihihi.
Eu nunca fiz dread-locks e sempre tive loucuras pra fazer, parece cabelo piolhento, mas adoro, mas tenho certeza se eu aparecer de dreads amanhã, pedras serão jogadas na Geni.

Crise ou não, faço de meus valores de juventude, valores eternos, jamais me vender, jamais dizer não, quando queria dizer sim e vice e versa...se o fizer, estarei certa que a agressão voltará contra mim, quanto mais ficar distante de mim mesma, mais terei o efeito bumerangue desse ato, porisso que não me arrependo dos atos do passado, e procuro nunca dizer NUNCA, e ensino isso a meus filhos, que ainda me ouvem... meu coração de estudante está sempre presente pelo menos, e aprender com tudo e todos é o meu lema, li a idiotice que "é fazendo merda que se aduba a vida", pois...
Estórias como Eduardo Juliani Bello(te amo pra sempre querido), contava sobre as minhas escapadas (tínhamos uma relação aberta). "Berna, porque você fica com o cara dizendo que está apaixonada, se o você quer é trepar com o cara"? Ele me conhecia, melhor que a mim mesma, assim como minha mãe, sabia que eu ao acordar, ainda estava dormindo"...Eles me conheciam...as pessoas que realmente nos amam, também estão abertas pra conhecer o nosso eu autêntico, percebo agora, eles vêem mais que uma "pessoa normal", elas tem raio x da nossa alma, e eu mal consigo me olhar no espelho.

Quanto tinha 7 anos na escola, lembro de que todos riram de mim, e os que não entenderam riram juntos, quando por ocasião de uma pergunta sobre vegetais comestíveis, eu levantei o dedo e disse "alfafa"....rsrsrs(risos gerais)...acho que era pra ficar inibida e envergonhada, mas lembro que aprendi, que alfafa era pra cavalo e não para humanos...e ademais eles já tinham dito quase todos legumes e verduras que eu conhecia. Coisa de criança, e criança é assim - pura, era pra ser ridicularizada?

Todo mundo está querendo ouvir coisas belas, porisso que não adianta falar coisas que as pessoas não querem ouvir, porisso que estou pensando em mim e quero me curar, estou cansada de auto-flagelação, meu vício no mundo virtual e mundo real, cigarros, coca colas, biscoitos, Mac Donalds, comidas o tempo todo que eu nem gosto, eu nunca dei tanta importância pra comida(sempre saborosa no Brasil), sempre pensei nas gramas suficientes pra me manter viva, e no paladar com paixão..amo carne por exemplo, e o que estou fazendo aqui se a carne na Holanda, é a mesma que dava pro meu cachorro no Brasil.
Há 10 anos estou no primeiro mundo comendo carne pra cachorro mas bebendo vinho "francês"...ai como sou feliz. Ou será que é pra comer "alfafa", sim porque a alfafa é pra consumo humano aqui, que ironia do destino né?

E divago sobre esse país rico aqui, onde todos possuem tudo, e largam o lixo em outros países, porque "aqui tem que ficar dentro dos conformes", bonitinho, arrumadinho, clean em ordem...e a lixeira vai pra África, Ásia e até as baterias(pilhas das parafernálias) pra vizinha França, contaminando crianças no campo com o ar poluído da queima de lixo tóxico...aqui ao lado, na França.
Seria essa riqueza aqui justa? Por que primeiro mundo? O tempo todo vejo os drogados na rua, os bêbados "recuperados", nas portas do supermercados. Perto da escola do meu filho, vi recentemente um cara de picando (tomandonna veia), quando ele viu que as crianças se aproximavam...ele colocou a mochila em cima do braço, pra disfarçar. Aiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!Aquela cena não me sai da cabeça, imagina de uma criança. Meu filho não viu, por sorte...teria que falar a verdade.

Primeiro mundo? claro que não, enquanto isso reflito sobre uma criança de 4 anos morta, afogada em um canal de minha cidade. E um outro "bebê" encontrado em um canal em Amsterdã...boiando há dias na água. Como ficar feliz ao ler jornais? Como ficar feliz em ver tanta injustiça e violência no mundo, odeio notícias, estou evitando ver tv e ler jornais, pra manter o mínimo de sanidade mental que tenho, sou muito suscetível às injustiças do mundo, só que o tempo todo acontece barbaridades, em todos os lugares do mundo, e eu aqui sentada no conforto do meu lar nessa horrorosa cadeira da Ikea, ouvindo New Order, Older(save me from myself).

Já sei, com um óculos cor de rosa posso tentar ver o mundo, não aqui na Holanda tem de ser um óculos COR DE LARANJA, a cor da família (sem graça) real...uma das maiores besteiras do mundo, a monarquia, pelo amor de deuz com Z, que mediocridade, e semana que vem é o importante dia da rainha 30 de abril, e a idiota aqui também vai ver o circo apagado, porque posso parar atrás das grades, então vou entrar no carnaval.
Vou fazer em dessas 48 horas chamadas fim de semana, minhas "48 party without people", a única pessoa, a única estrela aqui sou eu. Exceto no domingo, tenho um compromisso importante em Amsterdã (como dizia Belchior) e não posso faltar.

Pra achar o EU AUTÊNTICO, preciso muito auto-conhecimento, uma das partes mais difíceis depois do tempo dispensado à mim mesma, principalmente porque minha identidade camaleônica mais atrapalha do que ajuda, minha metamorfose e inconstância não cooperam pra uma conclusão linear, sei que ela não existe, aliás é a morte como diria Pessoa.
Poucos se conhecem...porque se muda o tempo todo, não somente eu, mas você também, mas sempre é necessário o primeiro passo pra tudo, e eu sou muito jovem pra morrer, e de certas festas já estou cansada, já vi tantos filmes.

Mas agora quero pensar diferente, pensar sobre uma reconstrução dos pedaços que ficaram, por fazer burradas num passado próximo, por não ter ouvido que essa síndrome da perda de si mesmo é coisa séria, e que por mais que eu dê uma de Brigitte Bardot, Greta Garbo, se eu não cuidar de mim acabarei que nem a Gloria Swanson, insana...querendo algo que jamais será como antes.
Na lista pra me encontrar, usufruo de tantos aditivos, meu salário mensal, livros comprados, revistas, roupas adquiridas que por mim jogaria todas numa fogueira e as queimaria sem perdão, se pelo menos pudesse receber o dinheiro de volta. Pouco importa, nunca fui muito ligada em dinheiro, ele cai do céu em abundância, sempre. Minha parafernália "media", Dvd player, cd player, laptop, ipod's, tv set, telefone, celular,controle remotos, e milhões de fios , e todos os apetrechos de cozinha, geladeira, fogão, forno, micro ondas, sugador de gorduras, aspirador de pó, batedeira, liquidificador, torradeira, prensadeira, lava louças, secadora e lavadora de roupas, cafeteira elétrica, bliblablibla...ah! meu secador de cabélo e mais duas vidas pipocantes que são quase extensões de mim mesma, e ah!...como carregar esse mundo pra uma ilha deserta? Seria melhor pra uma ilha mágica, habitada...Florianópolis, tenho dúvidas, dúvidas e mais dúvidas.
Adoro recomeços...

Mas agora me sinto LOST, felizmente não preciso tomar nenhuma decisão drástica, só me achar...tenho 48 horas pra isso, ou a vida inteira que não sei até onde vai.

A tranquilidade das manhãs de domingo

Na verdade a manhã se passou, a manhã de domingo. Acordei antes do despertador. Não acho ruim, com essas musiquinhas bacanas de celu...