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Wednesday, November 19, 2008

Uma semana apenas




Traga-me uma semana, uma semana de férias, uma semana só.
Uma semana...somente uma semana, então semaninha, 7 dias.
Não eu não quero ir pra lugar algum, quero ficar aqui mesmo no meu canto, e se der na louca, visitar uma cidade qualquer que nunca fui, as ruas sejam estranhas, e eu precise de um mapa ou boca pra me orientar, mas me perder por ai, adoro me perder pra me achar.
Mas quero então fazer diferente, não mostrar pra ninguém que estive lá, não tirar foto de monumento, de cemitério, de coisas "cool", não fazer shopping, ir de ônibus, descer no ponto final, comer uma batata frita com maionese podre (sim eles comem isso aqui)...e depois voltar.
Muita coisa pra mim virou normal nesses meus 48 aninhos de vida, muita coisa.
Não que as coisas sejam normais, mas o meu modo de ver as coisas, de assimilar as coisas, de aceitar as coisas, e de me aceitar.

Não não quero ir pra praia, ou ficar num hotel***** à beira da piscina, nem visitar museu, ponte dos suspiros, nada, agora não.
Não, não preciso de uma faxineira, copeira, cozinheira, arrumadeira, criada, governanta...não. Não é isso que estou falando, estou aprendendo a ouvir, e lembro de um homem que disse que não gostava de máquina de lavar louças, porque tinha que ser duas, e agora eu concordo plenamente com ele, queria duas máquinas de lavar louça, duas, não uma...duas...e claro espaço pra elas. As máquinas fazem muitas coisas pela gente, mas não fazem tudo, nem as outras pessoas, nós temos que arregaçar as mangas, ninguém, mas ninguém pode fazer o trabalho que é pra você fazer.
Se você disser, não gosto de limpar a casa, de arrumar camas, bom que gosta? Mas tem que ser feito, porque eu não suporto sujeira, poeira, bagunça, vai entupindo a minha cabeça, vai pesando, e de repente tenho 100 quilos 30 só nos pensamentos.

Preciso de tempo, horas, dias...literalmente vagos, livres, de folga.
Todo mundo precisa de folga, de ficar sózinho, do seu espaço, eu preciso disso, mas não é pra ficar na internet, netlogo, facebook, orkut, myspace, youtube, google, wikipedia, outlook,etc...é pra trabalhar.

Já a Tina disse que temos que fazer um esquema, que eu achei muito complicado, pra nos orientarmos para termos as coisas em ordem em nossa vida, hmmm, pode até ser...mas se eu conseguisse usar essa lista dela, eu usaria esse tempo pra fazer essas coisas que precisam ser feitas, não estar aqui como milhões de pessoas no mundo estão, digitando linhas, clicando aqui e ali, trabalhando, se divertindo, procurando, achando.

Se eu tivesse essa semaninha a primeira coisa que faria, era dormir até tarde, fazer o que bem entendesse a noite, ir ao cinema, jantar mais tarde, ficar na net até tirar água de pedra...e cansada dormir.
Dormir, é uma das coisas que mais gosto de fazer, dormir...lençóis limpinhos, ler um poquinho antes, escovar meus dentes e passar fio dental sem pressa nenhuma, creme no rosto, nas mãos, na região dos olhos - que envelhecem primeiro.
Não que esteja cansada, não estou...
Mas queria arrumar minha casa, que há semanas está uma bagunça. Pilhas de garrafa pra levar pro container, pilhas de roupas limpas minhas e das crianças pra dobrar e colocar nos armários, juntar todas as roupas que não servem mais, não uso mais, não gosto mais dar pro exército da salvação.
Colocar todas as imbecilidades que compro, e tenho duplo na loja de segunda mão, todos os abridores e copos e canecas e pires e pratos que não quero mais pra bem longe.
Colocar todas as revistas que nunca mais vou folhear fora, ou dar, guardar só as que realmente gosto de reler.
E todos os milhares de brinquedos que eles nunca mais vão brincar pra o planeta lixo de brinquedos.
Ir na Ikea pimpar minha casa: estou precisando de uma estante de livros, um tapete novo na sala, uma luminária alta, esvaziar um guarda roupa e mudar de lugar...
Arrumar as malas no quartinho da "empregada" lá fora corretamente pra que não peguem mofo. Tirar fotos de 4 bicicletas e colocar pra vender no markplaats.nl um site de vendas de coisas usadas na Holanda...sim, já tinha tirado na minha máquina japonesa falante, mas como a máquina é tão complicada, eu acabei deletando tudo sem querer.
Nesse tempo livre, ia ler todos os manuais de apetrechos que adquiri até hoje e não li, meu telefone novo com secretária eletrônica - quase nem existe mais essas coisas, dessa máquina tagarela também, do meu i-pod que tenho há século, mas o livro é tão grosso, e do meu celular que eu acabei usando mesmo só pra ligar, e mandar sms.
Õ meu eterno lamento diz: queria que a minha vida não tivesse nenhum fio, mas são tantos fios...tantos carregadores, até a minha filha agora tem um celular, e fora a aula pra ela, ela aprendeu felizmente a ligar e atender, duas funções que parecem idiotas, mas difíceis para uma criança que tem pouco alcance com abstração.

Tirar todas as folhas secas caídas no jardim, limpar o jardim...varrer, arrumar o schuur - quartinho das bicicletas, arranjos de natal, caixas de tinta, e toda a parafernália que se usa uma vez por ano.

Chamar o carro da prefeitura que busca lixo grande. Afinal não quero multa, o vizinho dedura, não quero.

Sorte que já me livrei de dois televisores enormes, antigos...ninguém queria de presente, ninguém...e não se pode colocar no lixo, e eu acho até o cúmulo de colocar esse tipo de coisa no "lixo"...Buda me livre, demorou duas semanas pra eles virem, eles vieram...e quando chegou aqueles dois homens eu fiz pfffff. Até que enfim.
Tentei vender, não deu, tentei dar, ninguém quis...
Um peso a menos, um espaço a mais.
Mas traga-me essa semana, sem pressa...porque sou só uma.
Não estou cansada, estou cansada de ser DJ. Na minha própria casa, e às vezes das centenas de CD's que tenho, ouço por uns tempos os mesmos.
E eu?
Quero cortar meu cabelo, é só marcar...sim parece fácil, é só marcar, mas não é, no tal dia que liguei, ela não estava, estava de férias, lei de Murphy, e tem que ser com a ela a pequena grande Sabine, que menina incrível.
Fazer manicure, pedicure cuidar de mim por fora...há tempos estou cuidando de dentro, e está tudo OK, nem posso me queixar. Mas a manutenção é necessária por dentro e por fora.
Sim continuo bonita e disciplinada com a yoga, com a mente no lugar preciso que deve estar, mas ....preciso de tempo.
Tempo pra ser criativa, tempo pra usar melhor meu tempo.
Quem sabe nessa semana marcar a cirurgia das varizes, sim...há anos que preciso, mas deixa pra lá, como ficar sem andar de bicicleta por uma semana, duas?
Mamãe não pode.
Cada vez que vou dar uma voltinha a noite com as crianças na koopavond(noite que as lojas estão abertas até as 21:OO) fico pensando, chegará o tempo que irei sozinha, assim...no dia de semana, fazer o que quero a noite. Será engraçado, acho que vou até estranhar.
Talvez fosse o caso de pagar caro pra ir ao cinema no dia de semana, uma babá que ganha de 6 a 10 euros por hora, e mais entrada do filme, é ...não posso me dar a esse luxo por enquanto.

Arrumar minha casa para o Natal que está quase chegando e o ano de 2009, vejo as teias de aranhas nos lugares que o teto é alto, e olho e penso, preciso tirar essas teias de aranhas, mas não é de aranha, é poeira mesmo, poeira dançante, que nem naquelas mansões mau assombradas...brrrrrrrrr os móveis cobertos de lençóis brancos, o candelabro encima do piano de calda, mas o janelão aberto, a chuva lá fora e claro isso é um filme daqueles bem previsíveis em preto e branco, um filme com o Christofer Lee e o Peter Cushing, amava os dois...e muita "teias", muita poeira, muito abandono.

Tenho tudo que preciso, em termos...mas os anos passam, e de repente aquele barulho, aquele carnaval todo, aquele desfile de cores, imagens, tons e sons na sua frente, te cansa...aqueles milhões de livros pra ler, filmes pra ver, blogs pra ler, amigos pra ligar, festas pra ir, emails pra responder, mudanças pra fazer...vão-se empilhando, empilhando...me fazendo lembrar um terrível trabalho numa agência de propaganda muito legal, eu tinha 22 anos e era datilógrafa, minha função era auxiliar de escritório, e eu cursava a faculdade de Turismo a noite, cada vez mais eles colocavam trabalhos pra bater na minha mesa, e quando eu acabava e a minha mesa ficava mais ordenada, lá vinha cada vez mais coisa, mais faturas, mais campanhas publicitárias, mais dinheiros, mais clientes, clientes negando as campanhas, e mais novas campanhas, e trabalho - trabalho- trabalho. Ufa...finalmente o trabalho um dia acabou, aquele, pedi as contas assim que peguei meu diploma. Um dos donos da agência me achava "interessante" e dizia, não quer ser modelo? Eu me olhava no espelho e me sentia muito feia, muito sem cara de modelo, na verdade muito insegura, nada assertiva, estava começando a vida, e não sabia nem dizer não, nem dizer sim pra certas coisas.
Esse mesmo homem, chamava-se Ricardo Rizzo, dizia:
- Bernadete, muda essa faculdade, que não vai te dar nada, e que não vale nada pra publicidade, porque eu mesmo me arriscava a dar umas opiniões pedidas, no departamento de redação, esse sim, me chamava à atenção, naquela mansão no bairro de Petrópolis em Porto Alegre. Muda essa faculdade pra Publicidade e Propaganda...dizia.
Mas eu cabeça dura embestei que queria conhecer o mundo todo, ou na verdade conhecer a Europa, jamais mudei...fiquei uns tempos desempregada, fazendo nada, fazendo bobagens, na dolce vita...vivendo de amor, com um diploma qualquer nota na mão.
Comprei minha primeira moto, uma XR 125 Yamaha, preta...já amava a cor preta.
E assim se foi...porque eu comecei a escrever isso não faço a mínima idéia. Acabou de ligar uma amiga do Brasil, que está visitando a família em Manaus, mas antes passou por Miami...e como ela foi assim correndo eu até pensei que tinha dito algo de errado, mas ela me ligou, então está tudo bem.

Nada melhor do que uma casa arrumada, leve, gavetas ordenadas, e a satisfação da missão cumprida...vai zerar bonitinho esse ano de 2008. Um ano muito bom, um ano com algumas tristezas, mas sem altos e baixos, ou poucos. Um ano da amizade, um ano de poucos encontros mas bons. Poucas festas, mas ótimas.
Um ano de algumas perdas, o pai de um coleguinha do Dimitri se foi, gente boa, e um filho de um conhecido da época do Budismo, essa perda foi pior ainda, o cara tinha depressão, mas não tomava nada, e deu cabo de si mesmo...
Só pra não falar que DEPRESSãO, não é caso sério...é sim, bipolaridade também.
É uma merda (não costumo escrever isso), mas é uma merda, depressão, bipolaridade, essas coisas que estão dentro do nosso cérebro, e não podemos fazer nada naturalmente, pegar um sol, uma praia...agora vou tomar meus remédios com mais vontade ainda, e dizendo que nem Rita Lee, botei botox sim. Já usei tanta droga, essa é mais uma delas.
E pra mim também...não gosto de botox, mas daqui há uns 10 anos, quero fazer uma correção nas pálpebras sim, e não ficar com essa cara de cansada, essa cara caída, e tudo cai, não tem jeito, mas tem coisas que dão pra levantar. E ponto.

Um feliz ano bom...e preciso estar preparada para o ano seguinte, um ano de muitas promessas, um ano tranqüilo na medida certa do ritmo das coisas que são como são, e esse ritmo do universo continua a mil, nós que inventamos os calendários, o relógios, as medidas, blabla.
E se depender de mim, será muito parecido...porque só vai mudar o algarismo de 8 pra 9, tanto melhor, adoro o número 9...de qualquer maneira o ano promete com Obama no mundo...um negro, um homem negro, o presidente, o tal YES, WE CAN.
Mas antes preciso dessa semana, essa semana...que não vou deixar pra ser um sonho, vou buscá-la pelo menos em suaves prestações.

Wednesday, May 9, 2007

Dia de cão



Acordei super bem hoje, aprontei os rebentos pra ir pra escola. Levei o Dimitri como de costume pra escola de bicicleta...antes disso percebi que havia deixado 4 velas grandes acesas a noite inteira, que é um perigo mortal de incêndio, não suporto esse tipo de desatenção, porque sou responsável não só pela minha vida, mas pelas pessoinhas que moram comigo. Felizmente nada aconteceu, e prometi prestar mais atenção na próxima vez, esses pequenos detalhes são aviso de coisas piores que podem acontecer.

Nessa semana o "tempo"(temperatura) mudou aqui na Holanda, mais frio, chuva, ventania...céu cinza. Semana passada estava tudo tão lindo que eu sabia que não iria durar pra sempre, ai que droga porque de inverno a única coisa que gosto agora são os casacos e botas, de resto, foi-se o tempo que achava inverno chique, e a palavra intimista um interessante termo pra combinar com inverno.
O tempo infelizmente influencia meu estado de espírito, sim. Claro, já me senti muito infeliz num dia de sol, blablabla. Mas hoje em dia, prefiro ficar triste num dia de sol de rachar (porque nunca mais vi um), o sol não só me aquece, como me acorda, me dá energia pra batalha, me faz sentir melhor comigo mesmo, coisas de quem nasceu em clima tropical, e esse céu cinza e a cara de desinteresse dos holandeses me aborrece e entristece mais ainda. Sinto falta de pessoas sorridentes, o sorriso aqui é econômico, amarelo, sinto falta de amigos por perto, fico nostálgica, sinto a falta até de ex namorado, pela solidão que é isso aqui.

Sentindo dentro de mim um ar de MELANCOLIA (e antes que essa melancolia virasse depressão leve, ou coisa pior valhe-me Buda) fui pro parque "fazer ginástica e correr atrás da serotonina, endorfinas,", desde que descobri que MEXER O CORPO, correr, praticar esportes, dançar, nos ajuda de uma forma curativa à sermos mais felizes e faz bem a nossa saúde física e mental - eu sempre soube aliás, quero fazer disso uma rotina diária pra mandar a tristeza às favas, e o mesmo clima holandês de altos índices pluviométricos me impedem, e descobri que não gosto de academia, então só me resta correr ao ar livre (porque gosto).
Corri várias voltas, felizmente não estava chovendo, ouvindo meu ipod, quando numa das voltas um cão solto grande e preto- eu acho que a raça era labrador, saiu correndo e raivoso atrás de mim. Tive que correr acelerado - se bem que ele era mais rápido que eu, e se não fosse a intervenção da dona, eu estaria neste momento em picadinhos, pois cara de bons amigos ele não tinha, e como ele era rápido e veio direto na minha caneca.

No meu reflexo só o que conseguir falar era "fucking dog"...e disse pra dona mantê-lo com a coleira na linha, mas ela já estava longe, felizmente como se nada tivesse acontecido, tudo aconteceu muito rapidamente.
Ufa, sobrevivi, fiz mais ginástica e mais voltas no parque e não só catei as serotoninas como a adrenalina foi a mil e o coração quase saíndo pela boca. Voltei pra casa fazer chanting e gongyo (orações do budismo), minha meditação diária pra focar minha energia espiritual, preciso disso como bússola e nesse caso, depois do susto...pude orar pra coisas melhores acontecerem.

Fico fula da vida porque aqui na Holanda os cães grandes vão "passear" no parque, detalhe - soltos, eles não parecem amistosos, por aqui não se vê muitos poodles por exemplo, não é cachorrinho de madame, é cachorrão....e cara de cachorrão correndo atrás de você assusta.
Quando tinha cachorro (Paloma) ela sofria muito pelos cachorrões que viviam atrás dela.
O povo não se toca, e quer deixar o bichinho a vontade pra se exercitar, na maior liberdade, o que acho até correto, mas tem muito cachorrão e muitos talvez nem sejam perigosos, mas que assustam assustam e o que é pior monopolizam o parque e defecam por tudo...que não é só um nojo, mas uma falta de educação do dono, pois existe vários lugares que você pode pegar sacos plásticos para colocar as fezes, quem não faz é preguiçoso.
Às vezes penso que até foi bom a Paloma ter morrido, porque cada vez que íamos passear no parque era um estresse pra ela, pequeninha, coitadinha tentando se defender, latindo e mostrando os dentes, e eu jámais deixei as fezes dela a Deus dará, engraçado vim de um país menos desenvolvido, mas já vi que o desenvolvimento está na cabeça das pessoas, não num território determinado chamado país. Acho também que ela foi ficando cada vez mais doente aqui, e que odiou a Europa.

Felizmente meu dia de cão passou, até um solzinho apareceu timidamente entre as nuvens, a oração funcionou.
Ao chegar em casa, depois de buscar meu filho na escola, percebi que deixei a porta dos fundos aberta.
Acorda Alice, aliás Bebete, não foi a primeira vez e acho que não será a última.
Nessas horas de desatenção(dupla), é bom não estar no Brasil, porque já imagino o estrago mas aqui a probabilidade é pequena de alguém entrar na sua casa, a maior é de ser mordido por um cão furioso solto pelo parque.
Agora tenho mais um motivo pra correr.

Wednesday, April 18, 2007

Pára o mundo que eu quero descer


Felizmente posso reclamar a vontade por aqui.
Quem não quiser ler, passe amanhã...onde eu poderei estar mais alegre e cativante e menos realista, pessimista, intimista, egoísta, individualista.
O título acima não é meu, é de um pagode (sim, pagode)....que nunca ouvi, mas no ano passado por ocasião de uma visita a uma amiga. Contando a minha saga, ela falou que eu estava nessa fase, que achei bem apropriada, estava trocando de medicação do anti-depressivo ao lítio, e estava me sentindo um lixo, com emoções variadas, conturbadas, pensamentos suicidas, paciência zero, e como nunca havia trocado de um remédio pro outro, não sabia que minhas atitudes impensadas, impulsivas, impetuosas se deviam a situação por qual me encontrara, como por exemplo querer me jogar em velocidade de um carro, puxar a direção pro meu lado...(eu não era a motorista).
Se eu soubesse que a culpa era da química...

Eu que havera jogado todos os rivotril(ansiolítcos), anos atrás no lixo...e nunca mais retornara no consultório daquele psiquiatra caro e charmoso em São Paulo.

Bem que eu queria, descer...ser...aliás, descer e caminhar a pé...por uma estrada de chão batido, sózinha, até "me encontrar"...e se não me encontrasse, ficar por lá mesmo, e assumir minha nova identidade, uma mulher sem passado vinda do além, em busca de uma conexão de internet...pro laptop, pra escrever no blog, no word, etc...parecida com fo filme do Aki Kaurismaki (Man without a past).
Parece que eu terei que tomar atitudes drásticas pra me encontrar...mas a energia pra tomá-las é que são elas. Será que eu realmente quero? Se tudo que ouço hoje em dia são rótulos, e "eles" querem que eu pertecença a algum, seria Matrix?
Escrever pra mim é uma dádiva divina, pelo menos posso e me orgulho disso...além de que me alivia temporariamente de meus temores, a maioria dos bipolares possuem esse dom, hahahaha nossa vingança de um mundo banal....hahahaha.

Estou nessa fase morna, apesar da dosagem do lítio ter diminuído. Saudades também do tempo que nem cogitava sobre a bipolaridade. E às vezes me saboto, e digo a mim mesma. Não sou isso, não tenho isso, só tenho que aprender a lidar com isso.....onde fui me meter, num país onde o seguro de saúde paga os remédios, quase todos.
E lembro de que um dia, por ciúmes de "atenção"...cobri minha cozinha de lixo, bichos de pelúcia, coisas da geladeira - de dentro da geladeira, porcarias em geral. E fiz uma bela obra de arte, com borra de café...frutas velhas, restos de comida...um mosaico de nojo sob o chão.
Quando a criatura chegou, e viu minha masterpeace, só pôde comentar:
- Inacreditável....
O que claro, era acreditável...pois estava tudo ali, em plena luz do dia, pra dá-lo uma lição, onde eu seria capaz de chegar se não conseguisse o desejado, e como não havia conseguido, ele não perdia por esperar....não era uma vingança, era uma diversão, um ato lúdico...porque como uma "louca" eu dava muita risada, me divertindo com a obra.
Isso foi há muitos anos, diria uns sete anos atrás? E eu sempre encontro desculpas pra fazer o que quero, uma eterna criança teimosa.

Eu prefiro que todos me chamem de louca, do que ficar nesse estado, achando que tudo está bem, porque não está.
Minha inconstância está numa velocidade acelerada e constante. Já não me reconheço, e me sinto um joguete do mundo moderno. Abro as revistas e leio facilmente, pessoas falando sobre suas depressões, bipolaridades, sobre medicação, psicoses, esquizofrenia...como se você mais cedo ou mais tarde vai passar por algo assim. Enquanto isso o outro lado, querendo fugir como do diabo da cruz, desse tipo de gente.
Ah! De médico e de louco...

Vou na net, e também encontro...todos compactuando com seus problemas, e dilemas, o barco afundando, e nem o capitão quer ficar.
Leio que Britney Spears, é a maior piada de EUA....e a mídia é uma piada maior ainda. E que um "maluco"...mata 32 numa universidade, um justiceiro das causas próprias. E me recordo do Filme Elephant....viu só quem brinca com fogo faz xixi na cama.
Legal né? Os EUA....vão guerrear no terreno dos outros, enquanto não olham pra próprias calças, o dólar baixo, seria o declínio do Império Americano?

Por que as pessoas estão, andam tão infelizes hoje em dia, por que há tanta violência no mundo, porque nos últimos tempos eu estou sem energia pra começar a fazer ginástica (correr).
Sendo que isso será minha única salvação. (sic)
E as que estão felizes, ou se dizem felizes estão frustadas? Ou não tem nada a dizer, porque às vezes quando se está "feliz" se fica completamente sem graça?Com cara de boboca, robô.
Por que sou tão 8 ou 8O? Ou é tudo...ou nada? E claro eu sempre prefiro altas doses de tudo.

Por que ando tão chata e negativa?
E porque a alegria é tão lega, mas os médicos de loucos preferem chamar hipomania????

Exploda-se o mundo, não quero respostas, eu só quero descer.

Thursday, April 5, 2007

Porre sem bebida


Só pra nao esquecer...um dia eu disse isso e gostei.
Minha vida tá ficando assim, tá tudo direitinho, tudo no seu lugar,
tudo bonitinho, mas tá um porre...um porre sem bebida. É como se
cada dia fosse igual, apesar deles serem diferentes, todo santo dia a lenga lenga, me sinto uma fábrica(linha de montagem), conversas ao telefone, internet, crianças, afazeres domésticos, administração da casa, preencher formulários, de vez em quando chove...de vez em quando faz sol, duas vezes por semana colocar o lixo lá fora, sim porque se eu esquecer o lixo tem que ficar parado dentro do saco, dentro de casa. arghhhhhhhhhh, terapia, médico das crianças, fonoaudiólogo, oculista.
O pneu da bicicleta às vezes fica murcho, tenho "amiguinhos virtuais" e amigos reais, tenho que fazer a manutenção dos amigos, telefonar aqui, mandar um scrap ali, responder o email acolá, aliás põe emails nisso.
Tem muita goiabada pra pouco queijo que nem fala uma amiga, essa é a versão dela. E as pessoas estão cada vez mais sózinhas, sem tempo.
E pra mim tá muito porre pra pouca bebida.

As pessoas não se dão conta e dizem

- Eu bebo socialmente. E bebida tem gosto bom???
- Esse é um bom vinho. (Também sei apreciar vinho), mas as pessoas bebem, pra ficar bêbadas, e não pra ficar sóbrias, porque álcool é alcool, e quanto maior o teor alcóolico maior o perigo. Mas bebida é bebida, é social...porque é permitido, e muitos mantêm o controle até, mas que saem do estado sóbrio saem, e fazem suas vidas um pouco mais "alegrinhas".

Beber socialmente é beber limonada, sem cachaça, são duas doses de whisky, 3 cervejas a tarde, e uma garrafa de vinho no jantar.
E no outro dia, o contrário...vamos bebemorar algo...sempre há um bom motivo ou motivo fraco pra abrir alguma garrafa, e se não tem motivo, é beber porque tá com vontade.
Não ouço dizer, abri uma coca light pra comemorar, ou vão cheirar uma branquinha da boa, e só se for no Brasil, porque a qualidade é uma porcaria, muito longe de Cochabamba.
Não eu não cheiro MAIS cocaína...eu me podo! Eu digo não as drogas! Argh......mas tomo um monte de remédios, arghhhhhh! Logo logo vou arrancar todos os cabelos, e o cabelereiro irá a falência comigo.

No fundo eu tenho inveja de pessoas que bebem mesmo(não passam mal), e não pensam que no dia de amanhã, aliás no dia seguinte, elas terão pele seca, tudo seco por dentro, um bafo horroroso (é o delas e não o do outro), vão dar vexame, brigar com todo mundo, fazer o que não deve, e vão esquecer tudo no outro dia e até as chaves de casa, a bolsa, a carteira, o passaporte europeu (esse dói) e pra quem abriu as perdas sem camisinha e a longo prazo uma cirrose hepática de leve. Tudo culpa da bebida. Ah! Elas estão vivendo, e eu me comportando.
Sim, queria ser essa pessoa solta, mas não...perder o controle não é comigo, mas tenho que aguentar o porre de água.

E se alguém disser:

- Lembra o que você fez "aquilo"?

- Eu? Não lembro.

E assim vai, elas bebem, fazem, e não lembram.
Amnésia total, e eu bem que deveria ter descoberto esse método antes, na época que namorei aquele cachorro, aliás aquele coelho, porque assim, depois de 3 anos, eu nem ia lembrar que ele existe. kkkkkkkk. E só não conto o que uma amiga fez no final de semana passada, porque ela pode ler isso aqui e nao gostar. Ponto pra ela.
Mas nada enquanto eu aqui, não bebo, e fico lembrando de todas as coisas que fiz, que não fiz, e que não tenho coragem de fazer, que deveria ter feito e fiz o contrário, tudo por medo de não perder a pose, ter controle sob
tudo e todos, cheia de responsabilidades.

Que porre!

A vida tá muito chata, e tenho que me cuidar com as palavras, cuidar com os remédios estabilizadores de humor, fazer o controle de sangue periódico, cuidar dos amigos próximos, cuidar pra agradar a todos, cuidar pras crianças chegarem na hora na escola, cuidar pra eles comerem um bom lanche, cuidar se o pneu da bicicleta não tá esvaziando, recarregar todas as baterias possíveis e imagináveis(celular/digital/ipod/escova de dentes elétricas), ter a geladeira sempre recheada, todas as contas pagas, lembrar dos aniversários sempre, porreeeeeeeee.

Amanhã mesmo, vou abrir aquela garrafa de vodka Absolut Raspberry, que meu amigo Pier trouxe quando esteve na Escandinávia. Porque porre sem bebida,
eu não aguento mais.

A tranquilidade das manhãs de domingo

Na verdade a manhã se passou, a manhã de domingo. Acordei antes do despertador. Não acho ruim, com essas musiquinhas bacanas de celu...