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Tuesday, January 13, 2009

Agora nãoooooooooooooooooo leão




Forget your personal tragedy. We are all bitched from the start and you especially have to be hurt like hell before you can write seriously. But when you get the damned hurt, use it-don't cheat with it. Ernest Hemingway
Num forum sobre a Astrud Gilberto na internet...eu cai matando, ironizando.
Não que eu não goste da família Gilberto, mas às vezes é muito cool da cobra pra mim...e eu não tô podendo...sempre com os mesmos hits de bossa nova e a mesma panelinha de sempre.
E um carinha que eu não conheço, foi tão carinhoso com a minha najisse, najice(veneno de naja a cobra)...
ou seja, não entendeu nada, e claro, computador, internet, não vê cara, e nem vê tom cínico e dúbio por que as palavras ficam sem entonação. Se você for muito bom no idioma que escreve, ou se a pessoa lá no outro lado do mundo, te conhece bem ela com certeza vai perceber que você não estava num bom dia, ou conhece seu tipo de humor e de crítica. Eu estava azeda, e ele um doce falando em pôr do sol em uma praia...e eu aqui no freezer.


Hoje eu até estava podendo no início do dia...sim eu estava boazinha, comportada.

Depois de levar Dimitri na escola, e não chegar atrasado...(eu nunca chegava atrasada na escola) e minha mãe teve 8 filhos, eu tenho dois, acordo no horário, mas sempre aparece ou desaparece uma pedra, e o menino chega atrasado...a porta quase fechando...eu estou cada vez mais relapsa, não porque durmo e perco a hora, perca a hora porque durmo porque tomo remédio pra dormir, e porque tenho muito feno no meu garfo que nem dizem os holandeses...
Um leão morto, o primeiro do dia, ele não chegou atrasado.
O segundo, foi falar pra uma amiga, que acho o ex marido dela "legal", Be(be)te Faria se não fosse ex de amiga. E como ainda moram juntos, por falta de casa (18 anos de casamento), fica difícil considerar ex.
E ele me pára a bicicleta pra me dar um beijo de feliz ano novo...todo perfumado.
E eu com a cara no chão, ela estava comigo...e eu tentando ser bem comportada, depois de sentir aquele perfume de pessoa animada. Ele se parece muito comigo, e até meditação está fazendo, fora que é um advogado, profissão que parece exercer bem, mas tem uma voz divina, e adora tocar violão, piano, cantar...

E cá viemos tomar um, dois cafés pra conversar, "botar o papo" em dia. Aliás o papo do dia, pois depois da separação dela, estamos mais próximas que nunca.

Essa minha amiga, é quase perfeita.
Porque ela é imperfeita.
Educada, sorriso lindo, cabelo idem. Oriental...veio da Indonésia, mas mora desde os 20 anos no Ocidente(Holanda), estudou belas artes aqui em Amsterdã.
Bonita, inteligente, amiga pra todos os momentos...presença que é sempre, mas sempre agradável, como é bom ficar na presença dela...ela é até disputada na escola do meu filho, percebo.
Mãe, artista plástica, cheia de talentos pra decoração, confecção de bolsas, roupas, paredes, desenho de banheiro, sala, cozinha, jardim. E aquele jeito nonchalant de ser, apesar da finesse...inteligente, honesta, ultra-leve.

O banheiro estilo marroquino na casa dela, foi ela que projetou.
Eu achei muito interessante, digo bonito(comparando com meu banheiro a maioria são lindos)...nada desses banheiros cheios de pompa, até me pareceu o nosso banheiro na rua Visconde Duprat(Porto Alegre), antes da reforma...aquela coisa cimento batido...sem azulejos azuis...aquela coisa pobre, aquela "casa de banho"...era tão estranho, na verdade feio pra caramba, mas antes do meu pai gastar os tubos na tal de reforma da casa.

Bom depois de dois cafés each, ela se foi...me desejando um bom dia...e lá foi ela pensando na próxima viagem ao Marrocos que fará, nos Berbers...ficar numa tenda no deserto, ir pra Marrakesh...etc.

E eu com toda aquela cafeína no cérebro fui fazer a minha hatha yoga diária, que cá entre nós me pareceu mais uma power yoga...ou até a asthanga (que é muito mais dinâmica = digo, cansativa).
Resolvi treinar vários asanas novos como se já estivesse me considerando uma advancer, que não sou, e nem sei se serei...porque eu simplesmente tenho uma dificuldade física enorme de sair do chão, digo de ficar sem os dois pés plantados no chão, sou assim desde criança. Não consigo, 'sempre acho que meus braços vão me deixar na mão, e bem que gostaria de ficar só me apoiando com as mãos, braços...mas ainda não dá e ponho a culpa que tenho braço curto, perna curta, sou toda truncada.
Estou vertiginosamente mais elástica, e mais disciplinada. Outro dia quando me despedi de duas amigas e disse, tchau...vou fazer yoga, e uma delas disse:
- Não dá pra você tirar o dia livre hoje?
Bom, ela é mais ou menos amiga, quem mora na Holanda sabe o que quero dizer com mais ou menos amiga.

Só faltou eu dar uma paulada na cabeça da infeliz.
Mas nada, dei o tal sorriso amarelo do Antonio Fontelles e me despedi.

Bom, yoga, café da manhã, banho, lentes...make up...modelão...e pensei, até às 17:30 fazer o que quero, por causa da babá de terças feiras. Que supostamente vem todas as terças-feiras, pega Dimitri na escola e fica até às 17:30.
E pra variar a idiota fica doente, e manda uma mensagem...Tô doente.

Imediatamente tive uma CRISE de comercial do CUP A SOUP....
um comercial bem interessante, onde o camarada é um manager bem bacana, legal com os colegas, amigo, o ambiente é bem desestressado.
Mas quando tá tomando a caneca de sopa pronta na sala dele, e um subalterno entra na sala e faz uma pergunta, ele SURTA total...aos berros, diz:

- A G O R A Nãoooooooooooooooooo

Nu, even niet...(tradução em holandês).


- Depois pede desculpa pra todos os colegas, dizendo que surtou porque é um idiota, imbecil, homem também tem aqueles dias,etc...

Tive que cancelar tudo...e sorte que não tinha ninguém no caminho pra descer o pau, e ela me passou uma SMS, senão ia ouvir poucas e boas.
Ela "vive", ficando doente, a mãe doente, o namorado doente, férias na Turquia, férias no trailer, férias em Portugal, férias em Espanha, férias na Grécia, férias férias e mais férias. Ano passado eu quase a mandei praquele lugar, quase. Porque nem sempre tem uma substituta. E já algum tempo aderi esse comercial como meu símbolo e forma de desculpar quando surto. Primeiro yoga, algo que vai mal, surto, depois desculpas.

E o tudo era, ir à biblioteca...numa dar partes mais legais que ninguém te enche o saco, que não passa nenhum conhecido, e os desconhecidos eu nem quero saber. Contando que não tenha nenhum mendigo dormindo cheirando mal por perto, é porque maloqueiro desocupado, e que no fundo já teve um papel intelectualizado nessa sociedade conhece e sabe muito bem que as bibliotecas públicas são os templos daqueles que procuram de vez em quando um abrigo de paz, silêncio.
Só faltam servirem água quente, o saquinho de chá eu roubo do supermercado (Aki Kaurismaki) no filme "Man without a past",lembram?

Cancelei, ir pra lá...ler o meu livro e o caderno de anotações pra começar a colocar em ordem as idéias pras minha memórias desmemoriadas, porque muitos detalhes a gente esquece mesmo, coisa de véia.

Seria isso, um projeto, objetivo, sonho?
Acho que é o sonho de todo mortal, ter filho, planta árvore, escrever livro...ou pelo menos dois deles.
Sei lá, é um querer ....querer registrar de uma forma honesta, aberta, e também porque gosto muito, mas muito mesmo de escrever...e porque quero que as pessoas chorem e riem das minhas desgraças se lerem, e se eu realmente concretizar meu digamos assim, sonho de menina.
E preciso, necessito calar a minha boca na net (quanto tempo, eu joguei todos os meus dias de ontem, hoje, minhas experiências, assim ...ao vento). E esse camaçal de folhas brancas, já deveria estar cheios.
Essa pergunta nunca se cala, e nem minha boca.

Estou comprando também, uma máquina de escrever manual, e não elétrica...vai fazer barulho, vai, o pessoal aqui em casa vai ficar louco...vai, e vai dificultar tudo, vai, e assim eu gosto, coisa fácil eu não gosto, me entedia, pego sempre o caminho mais bonito, mesmo que seja mais longo (a não ser que esteja com pressa).
Eu vou ficar louca, vou...mas louca pro bem, não que queira ser uma Hemingway. Mas eu vou dar sequência, com ou sem babá*...nesse projeto, objetivo, meta, golllllllllllllll de placa.
A disciplina na yoga já se estabeleceu, agora é minha próxima disciplina tomar forma.
Porque a disciplina de mãe, aprendi na marra e mãe sózinha aprendo todo dia, com esses leões ferozes, mata um aqui, mata outro ali, e eu não tenho nada contra o rei dos animais, nem contra os coelhinhos, tigres de Bengalas.

Tuesday, May 1, 2007

As mães no picnic de lama


Hoje foi mais um dia "geslaagd" (bem sucedido).

As crianças estão de férias, e tarefa difícil é entreter crianças em tempo livre, mas como estamos muito afortunados nessa época do ano na Holanda, os dias estão lindos pra fazer atividades ao ar livre.

Ano passado sugeri em fazer um piquenique, e a moda pegou. Também porque na Holanda é bem comum fazer picnics, com aquelas cestas típicas, pano no chão e também formigas, ou com a bolsa que quiser, o pano que quiser, só não pode faltar muita comida e bebida, pra criançada, e pra nós "café"...(açúcar pra quem bebe com açúcar e "koffiemelk" leite concentrado pro café), claro chá e água também. No ano passado tinha vinho, porque a Diana (ausente este ano) estava fazendo anos, mas este ano ela não foi, trabalha. Nem a marroquina mãe do Hassan (nunca sei o nome dela), o pai faleceu no Marrocos e ela estava lá.


O parque escolhido foi o mesmo do ano passado, é no meio do bosque e ao lado de um grande canal, tem um lago cheio de brincadeiras e pontes de madeiras pras crianças brincarem de "Jerônimo" a vontade, só que tem um detalhe o fundo é repleto de lama, lamaçal, lodo PRETO, e claro eles ficam completamente cheios de lamas por todos os poros. Lavar a roupa depois é uma tortura...bom, ainda nem fiz...é quando sinto saudades do bom e velho "tanque"do Brasil que aqui entrou em extinção há muito tempo.


Nesse parque que fica nos arrabaldes da cidade, tem muito verde e também tem um sistema de água, que a criança bombeia e depois de um tempo a água aparece e passa por uma via crucis até chegar a lugar nenhum, ou seja uma poça enorme de lama.


É incrível como eles se divertem, até mesmo minha filha Dominique que gosta de brincadeiras femininas, ela entrou na guerra de lama, e eu de vez em quando intermediava, porque lama no olho do outro é refresco. E eles iam com uma "jangada" pra lá e pra cá...brincam com pedra, com paus, galhos de árvores, bichos, insetos...uma festa.


Lá também não tem WC, e lá fui eu a Maria Chiquinha fazer xixi no mato, o que é sempre muito engraçado, porque parece que vai aparecer alguém e rir da sua cara, por um ato tão natural, mas

tão privado, aqui na Holanda não existe latrina, o que é bem melhor porque "latrina" é coisa mais nojenta do mundo, cheia de mosca varejeira, e me pergunto quem limpa aquela coleção de bosta que ficam pelas latrinas no mundo afora.

É país pequeno não pode se dar ao luxo de ter uma coisa assim.

Sorte que já aprendi a identificar uma planta que queima"brandnetel"...em português seria "urticária", "urticão"? A sensação é horrível, e não some em quinze minutos, imagina sentar com o fiofó lá...


Fora as 3 holandesas, apenas eu (brasileira) e minha amiga Ade(Indonésia)...éramos estrangeiras claro, todas as mães que lá estavam têm muita coisa em comum. Há três anos que estou convivendo com essas mulheres diariamente, e nos conhecemos a fundo o suficiente pelos nossos filhos, nada pra nós é estranho, porque as crianças estão na mesma fase de desenvolvimento, pra mim é uma experiência peculiar, porque desde que meus filhos, e especialmente Dimitri foi pra escola "primária", meu universo aqui na Holanda se abriu, bem como a minha casa ficou mais cheia (de pestinhas mas ficou), meu telefone toca mais, tenho mais pessoas pra dividir meus temores, minhas saudades, minhas alegrias, conhecimentos, tudo isso sem fofoca, e várias atividades pra fazer mais condizentes com a minha vida de mãe.


Infelizmente Dominique está em escola especial (em outra cidade, longe) e o contato com outros pais são escassos, só de vez em quando. E ela vai de "táxi"(uma van) pra escola, e não faço o mesmo que meu filho, levo todos os dias, busco todos os dias...vejo as várias crianças, os vários pais toda a santa manhã, e a santa tarde.


Segundo uma amiga (que já tem filha grande de 17 anos), isso vai mudar no futuro, quando eles próprios forem pra escola sózinhos, e nós como pais ficarem pra segundo plano. Claro vai mudar, mas eu ainda não quero pensar, de uma certa forma, quando escolhemos pela maternidade, esquecemos ou desconhecemos o universo e dia a dia que está por vir, claro não temos bola de cristal, mas quando não tinha filha, jamais pensei que meus dias iam ser tão estruturados, acordar, fazer a mochila da escola das crianças, acordá-los, vesti-los (todo dia uma roupa conforme a temperatura lá fora), é dia da natação na escola, da ginástica, da aula de artes cêninas, é dia aberto pra levar brinquedo, dia do fotógrafo da escola, dia especial qualquer (páscoa/natal/SinterKlaas/aniversário, blablabla).



Pois é,

é a tal vida de mãe.

E dizem que "apenas" o segundo domingo de maio é o dia das mães.

Que piada.

Mas que o picnic tava engraçado e bom, isso tava...mesmo com a lama.

A tranquilidade das manhãs de domingo

Na verdade a manhã se passou, a manhã de domingo. Acordei antes do despertador. Não acho ruim, com essas musiquinhas bacanas de celu...