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Saturday, January 27, 2018

O poder do amor



Vou fazer uma coisa diferente enquanto escrever aqui vou começar ouvindo ao mesmo tempo uma música linda de uma de minhas bandas favoritas, Everything but the girl e refletir.

Faz tempo que eu não escrevo aqui. E hoje quando vim do supermercado, antes fui na academia...tive um insight, várias ideias sobre fins e começos, inspiração, amor, hormônios, relacionamentos passados, euforia, motivação e queria escrever, mas estava com sacola de compras, coisas de ginástica e acabei indo no canal Herengracht perto de casa e fiz um LIVE no Facebook antes que as ideias do que eu queria transmitir se perdessem por ai como acontece quando a impossibilidade da escrita se apresenta.

 Tenho feito alguns lives em redes sociais...tanto no Facebook como no Instagram, podem me chamar de exibida, mas nem é esse motivo, nesse mundo de solidão, de busca, de encontros e desencontros, de alegrias e tristezas, eu queria dizer que achei o amor...e perdi um amor, mas nada disso é amor...pois o amor é pra sempre, sempre, o amor tem poder, ele está lá dentro na gente, só temos que libertá-lo, e deixar fluir, acreditar, nada a temer quando a outra pessoa se vai, o tempo de validade expirou. 

Foi a química dos hormônios da ginásticas, as endorfinas com a dopamina nesses últimos dias, no vórtice,  e vou explicar, quero sempre explicar o que sinto, essa necessidade de entendimento e clareza, até por mim, e pra mim, nada científico porque meu entendimento é bem superficial e abrangente, sou apenas mais um ser que acha que é diferente e quer dominar essa mente que mente, e seguir mais o coração, a intuição, o subconsciente o que as sutilezas dizem nas entrelinhas. 

Desde que me falaram que era bipolar fico brigando na gangorra, tentando me equilibrar e ter uma vida mais saudável mentalmente, descobri o ioga, digo a yoga, e a cura é diária...o convencimento é diário de que não sou uma pessoa louca, e sim uma pessoa que mais do que merece ter tudo de mais maravilhoso nessa vida, às vezes fico triste, aquela tendência melancólica, e tem dias que nossa energia está baixa, hora de parar e repô-la, hora de meditar, hora de beber muita água, e dormir uma noite e pensar, as palavras são de prata, o silêncio de ouro e tudo vai ficar bem, porque já está bem.

Estou apaixonada porque sou uma pessoa apaixonada e por tudo, e quase todos os dias, eu vou atrás do meu dia, eu atraio, o carpediem na minha vida carpe omnium, que é sorver TUDO, o que há de bom, e a ser aprendido, todo o dia, um novo dia eu vou atrás do ASICS, mente sã em corpo são, todo o dia, eu me exponho, porque gosto disso, mas percebi que nessa minha exposição, o meu recado será dado, e interpretado conforme o momento e o estado de ânimo das pessoas, nada a fazer, apenas continuar e ser fiel à mim na minha jornada.

Hoje pela manhã, resolvi no Facebook mandar inbox para alguns amigos aleatoriamente umas citações em inglês de Carl Jung de um site bem interessante, tudo isso antes da ginástica e desse insight, fim de semana sem festas, sem programas sem filhos, queria ir no Festival Internacional de cinema de Roterdã, uma amiga está trabalhando nos filmes brasileiros são 21 filmes ao total, mas por incrível que pareça, não consegui uma companhia, todos cansados ou envolvidos em outros eventos, e algo me disse: FIQUE EM CASA, relaxando, descansando, detox, recupere, ordene os pensamentos, coma frutas, coisas leves. Tomei café, queria comer uma banana mas só tinha bergamotas, não combinam com café e fui pra academia com o estômago cheio de café, duas xícaras e água, não vazio mas isso faz com que a química do corpo mude.

Meu momento é muito bom, e não tenho como não mencionar o Vórtice (acima já citado), o livro que ganhei em português do meu irmão que mora em Lisboa e inclusive tem um clube seleto de amigos que estudam o livro, como se fosse um guia. Estou no vórtice, e tudo está bem, porque estou alinhada, no vórtice, meus chacras, os meridianos (centros de energias do corpo), tenho sido aluna assídua das aulas de do in yoga, uma nova forma de yoga que pratico, e estou muito grata por todas as descobertas, o piano está indo...meio a passos de tartaruga, mas sempre, a escrita está irregular, minhas aulas (as que dou de yoga constante), academia (em abril farão dois anos que estou praticando fitness), ou seja, emagreci, me sinto saudável, física e mentalmente, pronta todos os dias para enfrentar os problemas que aparecem e resolvê-los da melhor maneira possível, afinal sou mãe, amiga, esses papéis todos que temos na vida, e que nos identificam dizem muito de nosso carácter e de nossa personalidade.

Tive hoje, aquele sentimento das relações que se findam, quando outras começam, e estava com uma sacola prateada e as minhas botinhas (uma amiga diz as botinhas Barbarella, prateadas). Tive a sensação daquele vazio que sentimos quando um relacionamento acaba de verdade, pra sempre. Independente do relacionamento, bom, ruim, médio. Fica aquele vazio, daquela pessoa que passou pela nossa vida, daquela pessoa, que ficamos, dormimos juntos, comemos juntos, viajamos, brigamos, amamos...fazem parte do nosso dia a dia, e depois se vão, para nunca mais voltar ou não daquela maneira. 

E dependendo da situação, das circunstâncias elas voltam como amigas, mentoras, conhecidas, exes.

Pois é, a incerteza do FIM. A esperança em dias melhores, relacionamentos melhores, rever os erros, e dizer pra si, da próxima será melhor, na próxima vez eu não vou me perder...da próxima vez eu vou cuidar de mim melhor, e saberei discernir solidão, distração, diversão de amor verdadeiro.

E isso que aconteceu em meus relacionamentos depois do primeiro relacionamento que foi há muitos anos atrás, na juventude, aquele relacionamento amoroso, aquele amor de descobertas de si, do outro, o primeiro amor, eles foram amores dos mais variados, amores sempre inventados, escolhidos, líquidos, fluídos.

Agora eu estou numa fase que quero saber bem onde estou pisando, o caminho onde estou trilhando, mas não fazer *somente planos e sim, saber o que é bom pra mim no momento presente, sinto minha vida cada vez mais curta no sentido que dramas são altamentos desnecessários, e direcionar meus pensamentos, minha mente, com positividade, e nada de arrependimentos como sempre ocorreu na minha vida eu quero ter, tirar o supérfluo o que quer me sabotar e destruir, quer seja um amigo invejoso, um inimigo oculto com energia negativa, pessoas tóxicas e desorientadas emocionalmente instáveis, não quero dar voz à ninguém que acha que eu estou no caminho errado. 

Quero apenas seguir vivendo e aproveitar o desenrolar de algo que poderá vir a ser uma bela estória de amor, um romance como tem sido esses meus últimos dezenove dias, algo bem forte e intenso, e não mais um amor líquido qualquer. Tenho muito para dar, e quem me ama sabe que sempre dei todo o meu amor e minha paixão, em tudo que faço, e em todos que passam pelo meu caminho. 

Sem medo de amar, e de brilhar vou continuar e não deixar nada e ninguém impedir essa minha caminhada, e esse momento de real felicidade, que é o amor maduro, o amor companheirismo o amor erótico, o amor e estar bem na presença do outro, o amor que faz esquecer tudo nos braços do amado.

Pois esse é o meu samkalpa todos os dias, ao acordar e ao dormir, minha intenção e meu modo de vida, minha oração pela abundância do amor que sempre tem aparecido em minha vida em todas as suas formas. 






Sunday, February 5, 2017

Um gato pra chamar de meu

Postagem do outono de 2015.

Ando pelas ruas com a maior energia, se ando sozinha, é uma festa, no sentido que faço o que quero e ninguém me enche o saco, se ando com a minha filha, procuro lugares não muito tumultuados onde ela não saia do eixo dela. Se ando com meu filho e namorado, precisaria escrever sobre isso numa outra ocasião, eles me podam e às vezes parecem que eles me odeiam, não propriamente odiar, mas são contra o meu jeito de ser. Assim, na ida para algum lugar, ou sem destino, se vou pra rua, sou completamente dona de mim, porém no fim do dia...estou cansada, como uma anciã de 100 anos.  Hoje por exemplo fui pra Haia (Den Haag), voltei pra Leiden e tomei um trem e fui no meu filho que matou aula, dois dias sem ir na escola (mama mia), o que fiz para merecer isso? E lá chegando ele tinha acabado de acordar, meio-dia. Mandei ele tomar banho, e ir pra escola, que a coordenadora (diretora) queria falar com ele, no que ele demorou uma hora e meia pra tal. E quando eu sai para um lado de trem, e ele de bicicleta, ele não foi pra escola. Foi fazer a identidade dele, já que só tem o passaporte.

Estou cansada. Duas semanas atrás deu tudo errado quando fui buscar a minha filha. Ela começou a me bater na rua, e tive que ligar pro pai dela para buscá-la. Ela desconta em mim, todas as frustrações. Depois se arrepende. Não é à toa que ela mora num 'begeleidingwoning', numa moradia com acompanhamento, assistentes, toda monitora e auxiliada nas atividades diárias. Me canso. Eu faço tudo pra agradar as pessoas, mas o que está acontecendo que estou esquecendo de mim? Não, não esqueço de mim, e não sou a única. Ter filhos, marido, namorado, pesa muito em responsabilidades, e às vezes estou somente cansada, e são nesses momentos que sinto. Eu mereço me dar atenção.

Fico cansada e estou cansada e começo a me queixar pra mim e lá vem o diálogo interno, o que será que está acontecendo. Eu deveria chutar o balde, e mandar todos pra pastarem. Penso no meu namorado, que acha ridículo minha maneira de fazer as coisas, colocar a mesa bonitinha, guardanapos combinando, copos todos do mesmo tamanho, garfos/facas na posição correta. Umas uvas para enfeitar, e ele reclama, que é uma besteira eu fazer isso. Claro, eu deveria mandar ele pastar também.
E esses dias de golpe, impeachtment, falcatruas, brigas com amigos, que nem sei se são amigos. Não quero agradar ninguém, cansei, estou cansada.
Por mim sumiria, iria para um lugar bem longe de todos, sem internet...e voltaria com outro nome, escolheria uma meia dúzia de amigos no Facebook, e começaria do zero, de tanta frustração, naquelas, foi comprar cigarros e nem fuma.

Quando o cansaço vem culpo a idade, ou seria a acidez do corpo, as frutas que não como (ou como de menos), legumes de menos, o vinho, a yoga diária que virou olhar pra fora e viajar na maionese, olhe pra dentro Bebete! Mas o que fazer? Sempre tive muita vitalidade, energia, mas o gás agora tem que ser melhor trabalhado, nada a fazer, é a idade mesmo? Ou sim, continuar nessa labuta e achar uma harmonia, entre o cansaço físico e o mental, e a minha vitalidade e energia, dando limites para os outros não forçarem a barra.
... os longos 55 anos andando, caminhando, pintando cabelo, mirando um monitor, o celular, sentada na cadeira, poltrona, sofá, miro um espelho passando batom, os carros passam, as bicicletas passam, as pessoas passam, o tempo passa e não sou vista, e nem quero ser vista, como antigamente, acostumei assim e até me escondo, quando resolvo fazer uma aparição, ou chamo atenção me sinto uma estranha no ninho (saio do esquema do comum com algum detalhe), eles me olham, mas não me vêem realmente...coloco um chapéu, coloco um gorro, quero ser discreta e sigo na camuflagem, preciso ser discreta, passar batido e as folhas vão caíndo, amarelas, vermelhas, como se ainda fossem belas, tudo na minha cabeça diante de meus pés, elas caem e secam, feias, desidratadas, esqueléticas, mortas. Outono, essa estação maravilhosa, todas essas cores, esses convites...à preparação do longo inverno, também maravilhoso, a hibernação, o vinho, o chocolate com creme, tudo uma festa, com livros, papéis, luminárias, o piano capengando mas indo. ♫...até Netflix eu tenho para me manter longe de mim.
Ponho o pé fora da porta, toda montada (vestida da cabeça aos pés) pessoas doidas, bêbadas, estrangeiras, urinam nas alamedas, se drogam à luz do dia, me xingam...eu sou daquelas que ando nas alamedas, se procuro é por coisas belas, uma vitrine de loja, ou de casa, os gatos que andam por ai atrás das vitrines, um chão, um piso, uma folha que ainda não morreu, lojas de antiguidades, artes, monumentos históricos, meu olhar fotografa o banal, o normal, o comum, incomum e me deparo com loucos, bêbados, sem teto, gente que circula por ai, sem refúgios, sem lar. Gente infeliz, que não pensa direito, sobrevivem sei lá como. Sorte que para casa 1 infeliz tem 9 felizes* circulando pelo planeta, e como eu gostam de viver a própria vida e não ser estorvo para ninguém. E toda a felicidade que falo, é ficar na sua, não odiar o outro por ser outro, um desconhecido.
Entro num dos cafés prediletos, barista, sou exigente...tenho a liberdade de escolha. Odeio comércio só com objetivo comercial, financeiro, ideal comercial, sem alma. Gosto dos pequenos cafés, onde os donos são aqueles que trabalham, pequenos comerciantes atrás do que curtem, do que gostam de fazer, do que sabem. Artistas e não somente vendedores, artesões do bem estar. Um café latte s.v.p.! Um biscoito, uma água pra acompanhar, uma torta de maçã ou de caramelo com gengibre, sempre um livro e um cadeiro capa dura na bolsa, fora o celular, e a necessidade viciante de compartilhar um estado de animo. Esses segredos de pessoas como eu, o ser feliz andando a esmo, nas alamedas, se vestir pra mim, tomar café, chá, livros, piano e sempre em busca de inspiração em brechós, lojinhas...
A vida segue errante, chega um momento que nada lá fora é tão interessante quanto as minhas caminhadas pelas ruelas, becos. Tudo já passou, como se tivesse vivido na grande prosa da vida, vários livros, vários contos, vários poemas e não me resta mais nada, a não ser sobreviver e viver a meu modo, acabaram-se os ensaios, e esse é o pensamento cansado, porque no dia seguinte...o humor muda, o pique muda, fico sonhando em encontrar alguém como eu, pra conversar, parecido, mas diferente...e olho tudo que tenho, tudo que colecionei, todos os cartões, papéis, móveis, cores, livros, olho pra mim com esse cabelo longo, penso novamente, pintarei ou não pintarei...corto ou não corto? Se eu pudesse teria alguém fazendo por mim, cuidando dos meus cabelos, mas como não tenho, eu mesmo tenho que me esforça. A 'boa' aparência no reflexo no espelho, os cuidados com o meu templo, meu corpo...dizem muito sobre como me sinto por dentro. Tudo que faço é pra mim...sou uma caçadora de inspiração, tudo me inspira como se tivesse ainda a curiosidade daquela menina de 13 anos, com a vida repleta de aventuras pela frente.
Ser muitas não é uma tarefa fácil. Fácil acho é ser alguém que é uma só, um só. Eles nascem e já sabem o que são, o que querem fazer, o que os move...e nem a palavra fácil se adequa.
Eu sou o contrário, por medo de fracassar em meio à tantas escolhas eu não me jogo completamente, não me dou ao direito de arrependimentos, não me arrependo, palavra riscada no meu vocabulário particular. Eu pondero, penso, me organizo, demoro muito para tomar uma decisão perante tantos caminhos, tantos interesses, apesar de minha destreza de resolver pepinos como mãe, como uma mulher emancipada, independente, descobri que sou ótima, nesses anos todos e lá se vão...13 anos no divórcio, enterrei de vez um pseudo príncipe que vai me salvar de todos os dragões, do mal. Vejo pessoas cometendo os mesmos erros que cometi. Todos eles foram ótimas lições, apesar de todo o sofrimento, toda a lenga lenga, do amor, do desamor, do medo da solidão. Se eu soubesse antes que eu me bastava, não estaria agora a escrever essas linhas.
Volta e meia aparece um gato aqui dentro de casa, um gato bichano mesmo, que não é o meu, e penso...que desapego, não preciso de nada e ninguém pra chamar de meu, porque tudo é meu e ao mesmo tempo nada.
E um gato pra chamar de meu, mesmo que seja esses gatos da vizinhança, seria mais um apego ou trabalhar o desapego, porque ninguém é dono de ninguém.


Wednesday, July 29, 2015

O que aprendi até agora

Ana Albero

Vez ou outra me percebo fazendo uma coisa bem inadequada: eu vejo gente morta, ops, eu me comparo com os outros (vivos).

Me policio e doutrino até, 'não devemos nos comparar" blablabla, mas bate às vezes aquele caos mental, e nem sei porque cargas d'água, e lá me vejo me comparando (para o bem e para o mal, ou melhor para melhor ou pior) com pessoas, com outros corpos completamente diferentes do meu, outros estilos de vidas, diferentes da minha, outras vidas  hipotéticas,(imaginárias), outros 'backgrounds',  uma lista finita pra não exagerar, que de nada corresponde com a MINHA e vou colocar em letras garrafais, MINHA VIDA, minha pessoa, meu jeito de ser a realidade que vivo e com quem eu sou.

Quando isso acontece, é um passo para o abismo chamado, masoquismo, e no fundo ao mesmo tempo sádica, ou cientista pois eu sou meu próprio monstro Bebete Frankenstein inventado.
Vivo experimentando no laboratório da minha mente essas inadequações.

O que aprendi até agora?
Que isso só me traz frustração, e da frustração vem a insegurança e na insegurança o sofrimento e no sofrimento a dor, lágrimas, choros e velas, e o outro lado da moeda, é assim mesmo, às vezes vem essa auto-sabotagem mascarada de quem é melhor ou pior, como se fosse ganhar uma medalha ou um puxão de orelha me traz de volta pra a realidade, eu sou eu, e me basto.

É o tipo de pensamento que parece que você tomou uma droga e ter que fazer algo pra sair desse transe, quando isso ocorre.
Há anos que não acredito em muitas coisas que sempre (me fizeram) acreditar, ou eu acreditei porque deveria, ou era conviniente.
Quando eu rezava antes de dormir quando pequena: eu sempre papagaiava, era um mantra desorganizado, pedir proteção ao anjo da guarda, ou por si, não me bastava, era frágil, inocente,
sujeita aos perigos da natureza humana, da maldade.

Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador...a ladainha continuava.
Ai ai ai ai, aí vem a mistura e a mente acaba acreditando que o anjo vai te proteger, o que não vai.
Os pais protegem os filhos e olhe lá!
E quando os pais se vão, ninguém mais vai te proteger.
A vida é assim, a gente aprende a viver e a se proteger de todo o mal, por bem ou por mal.
Para nos protegermos, precisamos acreditar em quem somos, e pra acreditar em quem somos e ter confiança que tá tudo bem, precisamos ousar ser quem somos.
Fácil, né?
Não, não é.

O raio sempre nos parte, antes, durante ou depois da chuva.

Não que eu não goste de mim, não confie em mim, que tenha baixa auto estima, nada dessas balelas, mas às vezes a gente acaba se viciando, é muito fácil ficar viciado, ou bem diria acomodado, cansado, hipnotizado por hábitos corriqueiros, e deixar a gente, a nossa vida REAL, pra segundo plano.

Às vezes me escondo de mim.

Sorte que há coisas que sempre me salvam, uma delas é a música, a outra é a vontade de ir ao banheiro, e a outra é quando eu começo a rir do meu jeito de ser, e até de minha estupidez, e não me levar tão a sério, tudo isso me salva me protege realmente, não preciso de anjos.
E fora que adoro escrever, e ultimamente é o que me salva do meu próprio Frankenstein, quando tudo está mal, não tenho outra saída.

Me olho a distância e percebo: Bebete como você é engraçada pra você mesma, falando a realidade do que realmente acontece com a sua vida, é como se fosse uma arma defensora, e tudo acaba bem, meu próprio escudo protetor, sou eu, ser eu.
E quando estou dramática, melancólica, triste ou me sentido solitária, escrevo, e volta a me equilibrar.

Recentemente tomei conhecimento de uma empresa, que na verdade é uma pessoa física antes de tudo que entende de marketing pessoal, e acabei seguindo essa pessoa (as idéias dela, e o que ela escreve), pra dizer que não sigo ninguém, eu sigo poucos por livre e espontânea vontade. Eu curto gente genial, e sem pretensão, como essa.
Ela é ela, incrível o currículo, e eu sou eu.

Aliás sigo os meus amigos, porque gosto deles, da vida deles, gosto de estar próxima deles, com a diferença de opinião também deles, mas no fundo fazemos parte de uma família virtual, digamos assim, também contam como proteção, amor.


Me comparar com gente 'diferente' de mim (acontece por descuido, viu?) ao ver uma foto da mulher girafa e ver que meu pescoço está ficando mais curto, eu percebo que às vezes faço 3 ou mais vezes a mesma coisa, e acho isso irritante, e daqui pra frente vou CORTAR da minha vida bater na mesma tecla, na mesma tecla...só as teclas do piano com as diferentes notas musicais, que é uma pulga na camisola, mas estou indo...e não quero chegar à lugar algum, quero seguir, tocando e aprendendo, praticando, indo...piano, vida, escrever, cantar no chuveiro, tudo.


Outro exemplo já na vida Facebook(i)ana: quando eu entro online. Eu vou no 'news feed' e sem querer, aparece um amigo que postou um artigo/repostou/compartilhou...e eu leio mais de uma vez o tal artigo, ou o título, afinal é um amigo e não posso deixar o amigo na mão (dentro da minha cabeça).
E ai, vejo outro amigo, que postou a mesma coisa, e 2 dias depois a lesma lerda outro conhecido.
E me pergunto: que porra é essa?
Bebete não era pra escrever palavrão na linguagem escrita? Me contradigo.




Que histeria coletiva é essa amigo? Por favor parem com essa insanidade! Me parem se eu estiver fazendo a mesma coisa, na mesmice da repetição. Cansei dessa vida, essa vida não é a minha é um vírus, um chip que colocaram na tela do meu computador, do meu celular, um aplicativo subliminar, ler as mesmas coisas, compartilhar as mesmas coisas.
Fomos clonados, e nem sabemos? Vamos construir outra coisa?
Vamos construir um mundo melhor?

Eu vou na cozinha pegar um copo d'água.

Prometi pois, a não mais ler os news feed over and over again,  ocultar o tal artigo, e percebi o que tenho feito, é ocultar, ocultar e mais ocultar, de tanto bichinho de estimação fofo que vejo quando estou online, ou de gente (como eu) que vive postando e postando e postando auto ajuda, que não AJUDA em praticamente muita coisa, falo na PRÁTICA, continuem fazendo o que fazem. Fecharei meus olhos para a histeria coletiva.



O que está acontecendo? Seriam os deuses internautas? Estaria eu perdendo interesse nos meus amigos? O FB virou mainstream demais? O começo do fim?

Pois bem há anos repito a mesma ladainha, vou tentar ser clara, quero MUDAR, daqui pra frente não mais ver 2 vezes a mesma postagem do 'tal' amigo, e do outro amigo, e nem eu repostar, repostar e repostar.
Basta! OK? Combinado?
Quero sair, quero visitar outros 'sites', quero conhecer gente nova, blogs, novos, idéias novas, idéias boas, quero cores, respostas...quero filosofia, quero usar mais minhas mãos, quero mais água.

Anos após anos, estamos nós, na internet, é chegada a hora da maturidade digital, vivemos...confidenciando nossos segredos, nossas vidas, nossas viagens, expondo nossa família, filhos, nossa imagem, nossas opiniões sobre política, economia, religião, sexual, moda, cultura, comida, etcetera e dividindo o que lemos, o que acreditamos, o que achamos que devemos, mas eu ando um pouco de saco cheio de tudo isso, da mesmice, sem querer esnobar a vida e interesses de ninguém.
Somos mercadores de ilusões, vendemos peixes imaginários.
Estamos carentes de nem sei o que.
Talvez de arte de verdade, poesia, criatividade, caridade, vida rasgada mesmo, gente doida no bom sentido se expressando, idéias fantásticas, ou gente boa, anônima, simples mas que tem muito mais conteúdo do que essas pessoas idiotas que compram uma bolsa de 55 mil reais e depois o couro da bolsa solta tinta e com toda a razão pedem o dinheiro de volta e colocam o 'drama' de luxo que eu nem precisaria ter lido, mas li e tive até curti.

Meu Deus? O que é isso, até que ponto chegamos?
Aliás, até que ponto 'eu che GAY'...?

Eu quero idéias novas, eu quero fazer a diferença, eu quero acrescentar.
Eu quero unir, eu quero ver gente de verdade, brilhar, ajudar, descobrir estórias, estou cansada de tanto narcisismo coletivo, eu quero ver as pessoas realmente FELIZES com elas mesmas.


Não quero comparações, (nem para o bem e nem para o mal), nem por descuido,  nem clones, eu quero junto colaborar com as pessoas,  no que juntos podemos fazer, para melhorarmos o mundo de verdade, lançar a semente e não sair por ai querendo dar lição ou tentar em vão mudar o outro impondo nossas crenças de COMO O MUNDO SERIA MELHOR SE...ou colocar toda a agenda pessoal no Facebook: incheck eu fui ao banheiro, incheck eu não matei Joana D'arc, incheck, estou sozinha no escuro e preciso levantar pra acender a luz, vou na cozinha pegar um copo d'água.


Quero mais camaradagem, empatia, mais gentileza e ouvir mais (tenho me policiado pra isso) pois sei que sou uma pessoa crítica, mas usar a minha crítica, sem ferir, nem pisar em ninguém, porque simplesmente não vale a pena me mostrar uma pessoa estúpida, mal educada, com pretensão como se minha vida estivesse e fosse um mar de rosas, o que não é, como nenhuma vida o é.



Resumindo, o que aprendi até agora, é que sempre estou aprendendo a ser quem realmente sou, doa a quem doer!
Ai.










Monday, March 19, 2012

6 dias sem cigarro - parei

Consegui, há 6 dias que não fumo.
Uma vitória diária. No primeiro dia, lembro bem, o dia inteiro os pensamentos eram, acender um cigarro, e não acendar mais nenhum cigarro...pois bem, o tempo está passando, e eu não acendi nenhum.

Lembro que uma amiga fumante disse: você não vai ficar chata que nem ex-fumante, né?

Bom, né? O que dizer?
De qualquer maneira ainda está cedo, pra saber qual será meu comportamento, mas pelo que me conheço, eu terei que mudar o meu discurso, fumante é fumante, ex-fumante é ex-fumante, e não fumante (que nunca fumou) nunca fumou e não conhece, os dois lados, sei lá, só quero ser eu normalmente, ser eu sem cigarros, eu NOVO.

No outono da vida, no auge dos meus 51 anos, a boa idéia numa bela idade, parei de fumar.
Comecei a fumar com um conceito, aliás essa minha tendência conceitual me acompanha ao longo da minha vida, quase tudo pra mim tem um conceito, um capítulo, um tomo, como se estivesse escrevendo um livro imaginário.

A cara tava seca demais, a garganta tava seca demais, me sentindo velha demais, contra fumantes (hipócrita)  fiz uma promesa, e agora era a hora de cumpri-la. Promesa, anos atrás achei que ia parar aos 50. Os 50 chegaram e nada, mas 51 está bom. Comecei com 26 (1986), parei mais ou menos 3 anos (entre a gravidez da Dominique, depois Dimitri, dei 10 meses de peito pro Dimi), voltei quando me divorciei, então vamos fazer essa conta, não fumei durante 3 anos, então foram 22 anos de vida de fumante, levando o treco na minha boca, inalando, dando baforadas. Não posso dizer que era uma fumante inveterada, mas era viciada, e ainda por cima, uma fumante completamente desajeitada, nos últimos tempos, dava umas 4 baforadas e colocava o cigarro fora, na rua estava com paranóia que as pessoas me julgassem, aliás era como se todo mundo (passantes não fumantes, ou sem cigarros nas mãos), olhassem pra mim dizendo em pensamentos: "Ela ainda fuma, coitada, hahaha".

Me sentia um lixo humano, porque...sobrava um tantão do cigarro (dinheiro jogado fora), e ao mesmo tempo fumava com mais frequência, já que fumava menos. Entenderam?
Chega de veneno de rato! Basta!

E como nada me interessa mais nesse momento, eu vou colocar aqui tudo relacionado com essa fase que estou passando, de ex fumante, que posso avisar, está sendo bem difícil, não que agora só pense em acender o cigarro, porque agora quem quer vencer sou eu, porque o vício da nicotina é osso duro de roer, só quem já fumou e parou sabe, ou quem nem tentar tenta, por medo de falhar.

Pra começar, eu já devia ter começado a escrever, mas não deu, eu até queria fazer um outro blog, mas pra que abrir outro, fazer outra conta? Essa é minha vida, esse é meu bloguinho.

Hoje foi um dia que eu senti muita falta do cigarro, mas de jeito nenhum quero fumar novamente, estou me sentindo muito bem, e diferente, parece que comecei uma nova vida, me mudei de país, de cidade, de emprego.

O mais interessante em parar de fumar, é  como a gente se livra de um hábito horroroso, anos e anos de vício e dependência de cigarro, a gente não se reconhece mais sem cigarros e temos que nos reconhecer e conhecer novamente, nos reeducarmos, é tudo novidade, e temos que prestar atenção a todo instante, porque era sempre um café, um cigarro, uma refeição um cigarro, uma conversa bacana, um cigarro, telefone, cigarro, uma caminhada (um cigarro), ...sorte que hoje em dia ninguém mais fuma dentro de ambientes, e os fumantes estão sendo cercados por todos os lados, coitados, mas é ainda cedo pra contar vitórias, a vitória é o diária como já disse. A recaída pode ser fácil...e eu quero persistir e ser forte.


Outra, dá uma fome do 'cão', e ficar gorda, seria um castigo, não uma recompensa, tenho que tomar cuidado, sorte que eu tenho uma experiência horrorosa com comer demais (literalmente me entupir de comida), um dia que fumei uma maconha (lá pelos idos dos anos 70, tinha uns 16 anos), pois foi quando fumei maconha (e muito pouco), nunca gostei, sempre achei maconha uma chatice, nunca tive o "perfil" de maconheira, porque era contra o cigarro, e contra maconha, mas jacaré sempre morre pela boca.

E cheguei em casa, comi a geladeira inteira (tudo que tinha de restos, e olha que na nossa casa tinha comida demais na geladeira, sempre tinha sobremesas, lasanhas, pães, bolos, geléias feitas pela minha mãe, sempre chegava alguém morrendo de fome da rua e minha mãe cozinhava pra um pelotão), coloquei catchup em tudo pra acompanhar os salgados (me entupi) que vergonha contar isso agora, me senti tão mal, tão mal, mas tão mal, sentei no sofá no living (era moderno dizer living nos anos 70) completamente cheia, enjoada, stoned, parecia que ia explodir que nem a Dona Redonda da Saramandaia (veja o vídeo acima), e o homem no restaurante do filme Monty Phyton..., minha mãe querendo ajudar, quis me trazer um copo d'água com um remédio pro estômago, ela não imaginava que eu tinha me drogado, e eu não podia falar que era larica, e parecia que eu tinha um saco sem fundos...que meu estômago não existia, e nem falar direito conseguia, tive que ficar parada por horas no sofá, até a comida descer, foi uma tortura, uma experiência, inesquecível e desagradável, burra, merecia mesmo, adolescente idiota faz burrada mesmo.

Óbvio, que nem lembrei dos conselhos do vô Horácio, uruguayo, magro, elegante, inteligente, charmoso, caminhava muito, dizia que nunca comia dois pratos de comida, nunca repetia, que ali estava sua sabedoria, comer somente o necessário, o cérebro é lerdo dizia, viveu 93 longos anos. A dona Redonda não explodiu.
E agora eu vou dormir, amanhã...serão 7 dias, e estou curiosa pra ver o que vai acontecer, amanhã quero beber água quando der aquela vontade de comer qualquer coisa, mas não quero explodir, e ficar infeliz, quero curtir esses primeiros dias do resto de minha vida de ex-fumante.


Saturday, March 10, 2012

Paralisia do sono e crenças pessoais

Já se passaram alguns dias desde a minha primeira(?) experiência de Paralisia_do_sono. A paralisia do sono é um distúrbio do sono muito comum, mas nunca tinha acontecido comigo, nas minhas aventuras oníricas, já tive sonhos premonitórios,  já vi meu corpo levitar, ir até o teto enquando o corpo estava deitado na cama, e eu me olhando lá de cima dormindo. Já tive pesadelos horríveis (assim como todo mundo), já tive muitos sonhos eróticos (como todo mundo), já tive sonhos lúcidos (no futuro próximo quero me aventurar nesse ramo), ...sonho e adoro, normalmente lembro de meus sonhos, mas é só acordar e perceber: um sonho é apenas um sonho, nunca tem sequência.

Dizem que a metade da população do planeta têm ou terá, pelo menos 1, 2 vezes na vida um episódio de paralisia do sono, quem viver verá, se você que está lendo isso nunca teve, sinta-se avisado, é pior que pesadelo, muito pior, é um pesadelo acordado, e a diferença que percebi (antes de saber sobre o assunto), é que os pesadelos sempre têm um final feliz (a gente acorda antes de se esborrachar no chão por exemplo ou antes que o monstro horrendo faça a gente em picadinhos), na paralisia do sono não, pânico e pavor permanecem presentes ao acordar,  a única alternativa é se informar, saber que é um dos distúrbios do sono, que tudo está na nossa cabeça.

Antes de continuar, gostaria de dizer que se você não tem nenhum interesse por onirismo: interrompa essa leitura, siga ao próximo blog, antes que você leve uma surra. Quem avisa amigo é!

Vou dar meu relato pessoal (abaixo) e quero dizer de antemão como ele se associa com minhas crenças pessoais inconscientes, normalmente os sonhos na paralisia do sono estão associados com a cultura dos povos (oriente ou ocidente, povos primitivos, suas religiões e crenças) que podem aparecer em forma de alucinações = fiz uma pequena pesquisa (afinal teria que dormir na mesma cama), não sosseguei enquanto não achei uma resposta aceitável (para poder dormir novamente) e escrevendo agora nesse blog, estou dando mais ênfase à esse assunto e espero que isso não seja processado no meu não-consciente, afinal não quero ter outro tipo de sonho como esse tão cedo), apesar de saber que dificilmente terei a mesma experiência, e dessa vez estarei preparada com algumas dicas básicas que aprendi. Li bastante sobre o tema e vi que as diferentes crenças são evidenciadas nos relatos de distúrbio do sono da maioria das pessoas. Li relatos de pessoas em blogs e sites científicos e não científicos, (de vários cantos do planeta), li muita bobagem relacionada ao tema é claro, por ignorância, fiz a triagem do joio e do trigo, li em português, inglês e holandês (os relatos se assemelham independente dos idiomas), ainda não li livros relacionados ao assunto, dois deles me interessam: O livro tibetano dos mortos e o livro de /Sleep-Paralysis-Night-mares-Connection-Anthropology de Shelley R. Adler encomendarei assim que possível, tenho um fraco por minha vida paralela, por meditação e estados de consciência, e muita coisa que diz respeito a essas viagens inter galácticas de nossa mente, tudo que me ajuda a interpretar minha vida, meus anseios, a superar meus medos mais profundos, tudo que me acorda e me interessa, curiosidade é o que nunca me faltou.

O que sempre me fascinava no mundo onírico, é que não temos controle de praticamente nada, não podemos planejar passo a passo, não podemos limitar as coisas e eventos como o fazemos quando estamos acordados, mas eles nos ajudam muito a lidar com a camada mais tênue entre a consciente e a percepção, a intuição dando direções à uma vida mais verdadeira, na incansável busca do (auto)-conhecimento e recentemente descobri que sim, podemos sim fazer um treinamento para termos e identificarmos um sonho lúcido, e a até a paralisia do sono abre essas portas, mas isso deixarei para outra postagem.



Para relatar o meu sonho, preciso com antecedência me ater a um fato muito importante do meu passado (o meio em que nasci, o cenário; Brasil Católico, mãe católica, colégio de freiras, frequentei coral de Igreja, etc), participei  das crenças de meu povo ativamente (feriados santos), vamos rir um pouquinho minha gente (risos). Não questiono mais isso, são fatos. Paralelo à isso sempre surgiram dúvidas desde pequena aos dogmas do Cristianismo (Espírito Santo, Virgem Maria, Ressureição de Cristo, os mais comuns), mesmo sendo OBRIGADA a acreditar nessa doutrina, nesses dogmas, eu sempre questionei calada, (ninguém obriga ninguém a acreditar em nada realmente), acreditamos no que queremos acreditar. E mais tarde depois no budismo que pratiquei (já aqui na Holanda) sendo que a filosofia budista sempre me atraiu, abro parêntese para dizer que não considero um mal (não podemos mudar o passado), apenas entender os fatos e relacioná-los ou questioná-los à luz da razão. Ser ou não religioso é um rótulo que carregamos, cabe a cada um saber de si, ao longo de nossas vidas, quer aceitemos isso ou não, a etiqueta externa (religioso, ateu, agnóstico, seja o que for), e há um certo rótulo interno (digamos que exista uma determinada lavagem cerebral feita no passado), que mesmo ao refutarmos essas experiências passadas , ficam elas lá latentes. As imposições vêm do externo, de fora para dentro, e assim nossas crenças vão se manifestando sem nos darmos conta racionalmente, sendo implantadas na nossa consciência, o mesmo que implante de cabelo (a pessoa é careca mas tem um cabelo postiço), mas no fundo ela sabe que aquele cabeça é ilusão, ele pode sonhar que esteja ainda careca,  a prótese de silicone seria o mesmo exemplo. Na tenra idade (infância), esses são conceitos vindos de fora, também valores (de fora), como bem e mal, o bem e mal é relativo. Já o que se manifesta na camada interna (inconsciente/subconsciente) mesmo que isso não seja consciente pela maioria, não temos controle, o que se processa é simplesmente processado, misturado, triturado, nonsense, até comum num universo onírico. Não estou e nem pretendo provar nada científico ou dizer que foi uma experiência espiritual, apenas quero exemplicar minha experiência pessoal, tentando ser mais clara e racional possível. Não quero questionar religiões, nem fé aqui (hoje).


Rezar pra mim sempre considerei uma forma de proteção, e de pedir coisas, assim era quando pequena, para dormir com os anjos tinha que rezar. E os pedidos: Eu prometo ser boazinha se conseguir passar nos exames, conseguir o que quero, e essas coisas, bem como me livrar dos males (de todos os tipos) do diabo, dos monstros ou pessoas ruins, foi me ensinado que era pra rezar aos mortos, senão eles não entrariam no céu (ameaça) isso na infância, fui crescendo e as orações eram para ajudar os doentes, proteção, etc,...quando pequena achava que rezar era muito chato, porque eu começava e caia no sono, quer dizer, às vezes não tinha tempo o suficiente de fazer o sinal da cruz (do final) pra fechar a oração, e esperava não passar nem pelo purgatório, porque afinal quem quer ficar num lugar ermo de pessoas chorando e rangendo os dentes até se redimir de seus pecados? (todo o cristão depois dos 7 anos é um pecador). Eu sempre tive mais asco da idéia do purgatório, porque sabia que era muito boazinha pro inferno, afinal não tinha cometido nenhum pecado mortal, só venial, ou seja, ia ter que passar pelo PURGATÓRIO. E outra, por anos a fio, em Porto Alegre, cada vez que passava na frente de uma igreja, fazia o sinal da cruz, às vezes eu tinha vergonha de fazê-lo, mas como boa católica (era obrigada), e se alguém me pegasse e me culpasse: passou na frente da igreja e não fez? Seria pecado, e teria que me confessar, e a irmã ia dar nota baixa por comportamento, vai saber o castigo. E quando o fazia (na presença de alguém não tão católico assim, faziam troça da minha cara (não era cool). Até que um dia (nem lembro quando), desisti e larguei de mão aquele martírio, daqui por diante, não faria mais o maldito/bendito sinal da cruz ao passar na frente de igreja, assumi a responsabilidade.

Crucifixos e adornos eu sempre gostei (aliás adoro cemitérios, cenários lúgubres e cinzentos), eles significavam que os vampiros, demônios, ou qualquer forças malévolas que fossem se apoderar de mim, sumissem pra bem longe (sempre fui fã de filmes de terror). Pensando de outra forma, o escudo de proteção invisível da nave Júpiter 2 (Perdidos no Espaço, minha série favorita), o anel pra chamar Shazan surtia o mesmo efeito, a réstia de alhos, as balas de prata (onde achar, e lá criança carrega armas de fogo?), o taco de madeira fincado no coração (essa proteção contra vampiros achava muito lerda), armas protetoras contra o mal, sem esqueçar a LUZ (do sol).

Os anos se passaram e eu vim morar na Holanda, já como católica não praticante, e aqui na Holanda no geral as pessoas não são religiosas,  já foram protestantes (a percentagem existente é mínima), os estrangeiros constroem seus templos, suas mesquitas, suas igrejas, e a religião protestante (e pequena parcela católica está em extinção) há claro comunidades religiosas, sectos, e uma finita e considerável população New Age.

Lá pelo ano de 2002 se não estou enganada, tive uma introdução ao budismo numa reunião levada por um amigo ( shakubuku) , e gostei muito porque estava tentando aumentar meu círculo social, e lá encontrei pessoas bem legais, italianos, holandeses, japoneses, e gostei da atmosfera pois fazíamos reuniões nas casas das pessoas (fiz várias na minha casa), fazíamos chanting juntos, e conheci pessoas que sou amiga até hoje. Acontece que a São Tomé aqui, continuou sendo São Tomé. Me identifiquei por uns tempos com a filosofia budista, de outro lado, não pude negar minha consciência martelando, no budismo a igreja era disfarçada, e até o pior, o problema é sempre o mesmo, os tais fiéis (querendo resolver os seus problemas) e assuntos desnecessários ao redor, fé inabalável devemos ter em nós mesmos, e no livre arbítrio do que é bom pra nós e ponto final.

Ai Meu Deus, ai meu Buda (qual deles?) que dilema, e de repente estava até podando meu vocabulário, uma confusão mental, e resolvi ser sincera comigo mesmo, e abandonei a etiqueta das duas. Não sou NADA, não quero ser nada DISSO, me deixem em paz. E me tenho paz até hoje.

Relato:

Deitada sozinha no lado esquerdo da cama (de casal = meu lado), no meu próprio quarto de barriga pra cima, tapada com os meus edredons normais (cobertor extra), apenas com a cabeça de fora. Sinto um perigo eminente (estou de olhos abertos), o perigo toma proporções maiores, terror, pavor, medo, ameaças, e eis que sinto e vejo a figura de uma mulher magra ao lado direito de cabelos brancos semi longos desgrenhados, perto da guarda da cama (acho que é minha mãe morta, mas minha mãe não era magra, e seu cabelo apesar de branco sempre estava arrumado, fiquei na dúvida), peço ajuda mentalmente pois ela como mãe e morta vai me ajudar, o perigo está no ar e é apavorante, mas ELA NÃO ME OUVE, porque estou muda (o pedido de S.O.S. foi só na minha cabeça), da minha boca não sai nada, absolutamente nada, só no meu pensamento, e ela vai embora, nem sei se era a minha mãe ou não *, afinal minha mãe me remetia a um semblante de bondade. Me sinto abandonada, ameaçada, apavorada, ela foi embora, não percebeu que estava em perigo, ou não quis me ajudar só ficou ali, me olhando, tento fazer o SINAL DA CRUZ (não tenho outra saída, no meu sonho sabia que aquilo era ridículo (lucidez), uma apelação, mas era isso ou a morte), mas eis que não posso me mexer (o meu segundo pedido de ajuda e proteção falha)...fecho os olhos novamente (questões de segundos de sonhos), abro novamente ESTOU ACORDADA (no meu quarto, na mesma posição) um pouco mais cinza claro (as paredes são pintadas de branco), mas estou dormindo e ao lado esquerdo (o lado que ainda estou deitada de barriga pra cima imóvel) está uma criatura masculina magra não dá pra ver direito suas feições (depois descobri que era um humanóide), acinzentada, careca de cabelos ralos, alguns fios, ele está sentado ao lado da cama (só posso ver o tronco, os membros superiores a cabeça e sentir a má intenção, e seu braço esquerdo está próximo de meu peito (por alguns segundos pensei que poderia ser um tipo de sonho erótico, tenho frio), mas seu braço parece que entra no meu tórax pra tirar minha vida, pegar meu coração, que pavor, fecho os olhos, isso é a morte penso (a única saída fechar os olhos), abro (pois não sei o que é pior deixá-los abertos ou fechados) e ele não está mais ali. Me sinto nesse momento, completamente em pânico (imóvel), acordada, como se no meu quarto estivesse 'cheio de assombrações' agora invisíveis, (essas duas pessoas mortas que apareceram no meu sonho) o que elas querem de mim? E eu muda e imóvel, paralisada, atônita e sentindo uma imensa dor (não física), medo, pavor, terror, morte, estaria morta? Penso ligeiramente nas crianças dormindo nos quartos ao lado, SOCORRO DIMITRI, SOCORRO DOMINIQUE, estou muda, eles não me ouvem, nunca tive medo de nada, moro numa casa de 3 pisos sózinha com as crianças, o que está acontecendo comigo? Acordo (dessa vez de verdade)  apavorada (o quarto é o mesmo), eles se foram, mas estou com medo de pegar no sono novamente (medo de me virar, medo de me levantar, pânico),  completamente angustiada. (fim).




A paralisia do sono é simplesmente um distúrbio do sono, nada mais que isso, agora eu sei, sabendo disso, desse tipo de sonho, estou acordada pra muitas coisas, que mesmo que eu não queira, ainda estão adormecidas em mim.Acordei com uma certa vergonha de ter feito o sinal da cruz (como assim não sou mais católica e não acredito em sinal da cruz) pensando ligeiramente (afinal estava em perigo), somente quando pesquisei na internet e dois amigos do Facebook me contaram o que era, fui pesquisar e aos poucos aprendi e entendi o que aquele tal Sinal da Cruz significava no contexto (achei exatamente a explicação racional desejada) foi-se a vergonha. Nossa mente é uma caixa de surpresas, que venham os pesadelos, os monstros mais bestiais da ignorância, as almas mais penadas e sobrenaturais, bem-vindo sejam os pesadelos mais obscuros, entre vivos e mortos arrastando correntes, agora sei que eles são fichinha, e têm sempre um FINAL FELIZ; paralisia do sono, não, o final feliz você tem que procurar por si próprio ao acordar, se informando sobre o assunto, senão, você ficará com medo de dormir no mesmo quarto, na mesma cama, de pegar no sono, tanto faz sozinho ou acompanhado, pois mesmo que você tenha alguém ao lado, ele jamais vai poder protegê-lo de si mesmo. E que venham agora os sonhos lúcidos, Amen.

* a mulher magra do sonho só pode ser Old Hag, vivendo e aprendendo.

** queria agradecer a esse blog português, obrigada.



Wednesday, December 21, 2011

Arrependimento e perdão

Muitas pessoas falam sobre: eu me arrependo disso e daquilo. O que seria se arrepender de experiências, escolhas passadas que não se pode mudar?
Tem gente que se arrepende de ter seguido um certo estudo, outros de terem tido um relacionamento que acabou e deixou feridas ainda não cicatrizadas, outros de se mudarem de cidade, de estado, de emprego, de casa, mas as pessoas esquecem que naquele exato momento e situação, era algo que se queria.
Se arrepender, esquecer (desapegar), se perdoar, é aprender a lição até certo ponto. Pra mim é escolha não se arrepender, e porque no último mês ter lido sobre dois amigos que mencionaram o assunto em blogs, eu quero dar a minha opinião e visão sobre essa palavra e suas irmãzinhas, remorso, frustração, sensação de infelicidade, e a não valorização de experiências da vida, falta de apreciação à nossa vida (atual), insatisfação.

Agora deixa eu contar como lido com essa palavrinha, arrependimento sempre soou uma palavra estranha pra mim, se arrepender é o juízo presente de uma atitude tomada no passado, a constatação do erro (irremediável ?), a dor da consequência, a sensação que na nossa vida em algum momento no remoto passado pudesse fazer com que o nosso presente fosse mais feliz ou diferente, dando assim outro rumo (ao nosso presente = negação do atual), ou seja, talvez fôssemos uma pessoa completamente diferente (o que também não existe). Nutrir arrependimentos é achar que erramos e que o erro é ruim, é deslocar o (suposto) erro (que num determinado ponto era acerto, ação, atitude tomada = passado). Isso pra mim soa estranho porque por mais que hoje em dia se saiba que não agimos corretamente todos os dias do passado, o erro = aprendizado, era essa a nossa intenção naquele momento a agir daquela exata maneira, a tentativa de acerto, ação.  A vida é uma ininterrupção de acertos, erros, lições, prejuízos, danos, mais erros, mais acertos...acredito que até a velhice, mas é muito mais do que isso, é busca à felicidade plena e autêntica, que significa basicamente estarmos confortáveis com nossas ações, atitudes, ou seja, nos apreciarmos de todas as formas, apreciarmos ser quem somos e nossa vida.

Uma das coisas na vida que procuro estar atenta e consciente é de fazer o uso ou não de palavras, que muitos sabemos possuem uma força poderosa, tanto para o bem como para o mal. Claro que às vezes me pego falando umas bobagens, mas a minha educação foi de não usar determinadas palavras tidas por minha sábia mãe como palavras negativas.
Desde pequenos aprendemos muitas palavras, mas ignoramos o valor real do significado dessas palavras na prática, na nossa vida prática, às vezes as palavras são bem óbvias, e simples e ficam enraizadas na nossa mente, porque afinal já (achamos) que sabemos o que ela define. Muitas vezes papagaiamos definições sem nos darmos conta, do verdadeiro significado, eis minha reflexão.

Muitas vezes na minha vida segui minha intuição, outras vezes nem tanto, errei muito e acredito que continuo errando, a vida é uma escola contínua, não precisamos obter notas, mas devemos sempre ter em mente que arrependimentos não ajudam em nada à evitar cometer erros futuros, é torturar o presente, é bloquear a essência e dinâmica da vida, ao invés de evitar cometer esses erros (que certamente virão), devemos aprender a lição do perdão, da auto-apreciação (mesmo com esse erro tal erro do passado).

A mente precisa estar alerta, é preciso entender a lição,  usar de sinceridade, com quem? Consigo mesmo ora bolas.

Precisamos parar de achar que o passado poderia ter sido diferente "se"..., não é, isso gera insatisfação, e uma vida miserável, à quem queremos agradar afinal?

Voltar atrás ninguém pode, se arrepender na minha opinião é desperdício de energia, se eu pudesse voltar atrás...faria isso/aquilo diferente, muito bom, mas isso também não existe, só em conversa entre amigos. A vida precisa ser vivida no presente, tudo que aconteceu conosco no passado, faz parte do passado e melhora nosso presente, e até se nos arrependermos de algo, paciência já virou passado, não poderá ser mudado, e creio que sempre acontece algo em nossa vida  do qual não gostamos, que gostaríamos que fosse diferente, não existe nenhum ser no mundo que tenha tido uma vida perfeita, sem erros, sem dor, e até sem 'arrependimentos', mas como lidamos com isso é que faz a diferença.

Se num momento X da vida, tomamos uma decisão (atitude) Y...e hoje nos arrependemos (erro), devemos saber que esse "erro" foi de certo modo um acerto, pois só através do erro, de experiências das mais variadas, da conscientização, conseguimos nos perdoar, seguir em frente e acertar cada vez mais (crescer e amadurecer), através de uma filosofia de vida baseada na sabedoria, nas profundezas da alma e do auto-conhecimento, pois aprender a se perdoar também é uma lição e das mais valiosas. Já associei, a palavra arrependimento com experiências não vividas, não escolhas supostamente erradas, mas mesmo assim não vejo isso como verdadeiro, isso é algo que li, que me disseram, e que estou nessa fase em minha vida tentando desaprender, pois como se pode se arrepender de coisas que não se faz? Se não fizemos "nada", que supostamente é alguma coisa, que "deveríamos" ter feito no passado, não seríamos quem somos hoje. Lógico, se a criatura está insatisfeita com a sua própria vida, é outro assunto.

A vida é um grande tricô, uma rede, está toda entrelaçada com nossas escolhas, nossos relacionamentos familiares (nosso histórico), nossas tentativas de acerto, nossos relacionamentos no ambiente em que vivemos (amigos, conhecidos, comunidade, cultura, etc) nossos medos, nossos sonhos, nossas ações no passado, lições aprendidas, e principalmente com nosso pensamento e interpretação perante as coisas, a própria vida, as mudanças internas, o passar das horas a compreensão e aceitação das coisas serem como são.

É uma questão de escolha (pessoal) não usar a palavra arrependimento deliberadamente, a não ser quando se faz um mal à alguém, volto o pensamento atrás e digo: causei o mal à Fulano, e não quero fazer novamente, me vinguei do Sicrano, hoje eu não faria igual, pisei no calo, me alterei, usei "drogas", bebi demais, hoje modero. Aí entra a lei de causa e efeito, causamos e o efeito vem, é uma lei universal como várias outras, carma. E todo carma começa com um pensamento transformado em ação, a não ser que a pessoa acredita em vidas passadas, em carmas imutáveis e outros limites da mente e prefere colocar a "responsabilidade" na vida passada, na família em que nasceu, no pai, na mãe, na sociedade, no governo, na economia, no mercado, nas ações da bolsa, no laudo médico, nas circunstâncias em geral... e por ai afora.

Quer a pessoa na vida, possuir arrependimentos o melhor remédio é erradicar no fundo do coração essa palavra do vocabulário o mais breve possível, que como já citei, é uma palavra torturante...e proferí-la por si, significa que ainda não desapegamos dela, continuamos no nosso presente com a mesma à tiracolo, ela está lá invisível, mas pesa, e carregar algo pesado é desgastante e cansativo.


Desapegue, desapegue da culpa, portanto, desapegue do arrependimento. Viva uma vida daqui pra frente, escolha viver desse modo, é uma escolha, ou pelo menos eu fiz essa escolha, aprenda com o passado, agradeça ao passado, a máquina do tempo não foi inventada, é muito romântico a idéia do Super Homem voltar no tempo e salvar a namorada, dar aquela voltinha mudando a rotação da terra. Ele pode, é ficção.
E quanto a nós, devemos seguir em frente na nossa realidade, olhar de vez em quando pro céu estrelado, esquecer da terra, apreciar esse céu, apreciar as incontáveis estrelas.
Feliz 2012 à todos nós!







A tranquilidade das manhãs de domingo

Na verdade a manhã se passou, a manhã de domingo. Acordei antes do despertador. Não acho ruim, com essas musiquinhas bacanas de celu...