Thursday, January 15, 2009

Life is real





Some people say that i'm to open they say it's not good to let them no everything about me and they say one day they will use every little things against me but i don't mind maybe they're right that's just how it is and i got nothing to hide.

i live my life the way i want i got nothing to hide nothing at all life is not a fairy tale life is about more cause life is real.
i live my life the way i want i got nothing to hide nothing at all life is not a
fairy tale life they should know taht life is real.

A friend of mine gave me an advice he said be careful and think twice before you talk about your life protect yourself just keep quiet the more they know the harder they try to spoil your ways to spread lies and even though i know he could be right i just said i..

i live my life the way i want i got nothing to hide nothing at all life is not a fairy tale life is about more cause life is real.
i live my life the way i want i got nothing to hide nothing at all life is not a
fairy tale life they should know that life is real.

Me i be ayo ogunmakin fear no foe i am real from head to toe just like my heart and my soul.
Me i be ayo ogunmakin fear no foe i am real from head to toe like life is real and you should know. (2 fois)

(Merci ? juny pour cettes paroles)

Ayo - life is real

Tuesday, January 13, 2009

Agora nãoooooooooooooooooo leão




Forget your personal tragedy. We are all bitched from the start and you especially have to be hurt like hell before you can write seriously. But when you get the damned hurt, use it-don't cheat with it. Ernest Hemingway
Num forum sobre a Astrud Gilberto na internet...eu cai matando, ironizando.
Não que eu não goste da família Gilberto, mas às vezes é muito cool da cobra pra mim...e eu não tô podendo...sempre com os mesmos hits de bossa nova e a mesma panelinha de sempre.
E um carinha que eu não conheço, foi tão carinhoso com a minha najisse, najice(veneno de naja a cobra)...
ou seja, não entendeu nada, e claro, computador, internet, não vê cara, e nem vê tom cínico e dúbio por que as palavras ficam sem entonação. Se você for muito bom no idioma que escreve, ou se a pessoa lá no outro lado do mundo, te conhece bem ela com certeza vai perceber que você não estava num bom dia, ou conhece seu tipo de humor e de crítica. Eu estava azeda, e ele um doce falando em pôr do sol em uma praia...e eu aqui no freezer.


Hoje eu até estava podendo no início do dia...sim eu estava boazinha, comportada.

Depois de levar Dimitri na escola, e não chegar atrasado...(eu nunca chegava atrasada na escola) e minha mãe teve 8 filhos, eu tenho dois, acordo no horário, mas sempre aparece ou desaparece uma pedra, e o menino chega atrasado...a porta quase fechando...eu estou cada vez mais relapsa, não porque durmo e perco a hora, perca a hora porque durmo porque tomo remédio pra dormir, e porque tenho muito feno no meu garfo que nem dizem os holandeses...
Um leão morto, o primeiro do dia, ele não chegou atrasado.
O segundo, foi falar pra uma amiga, que acho o ex marido dela "legal", Be(be)te Faria se não fosse ex de amiga. E como ainda moram juntos, por falta de casa (18 anos de casamento), fica difícil considerar ex.
E ele me pára a bicicleta pra me dar um beijo de feliz ano novo...todo perfumado.
E eu com a cara no chão, ela estava comigo...e eu tentando ser bem comportada, depois de sentir aquele perfume de pessoa animada. Ele se parece muito comigo, e até meditação está fazendo, fora que é um advogado, profissão que parece exercer bem, mas tem uma voz divina, e adora tocar violão, piano, cantar...

E cá viemos tomar um, dois cafés pra conversar, "botar o papo" em dia. Aliás o papo do dia, pois depois da separação dela, estamos mais próximas que nunca.

Essa minha amiga, é quase perfeita.
Porque ela é imperfeita.
Educada, sorriso lindo, cabelo idem. Oriental...veio da Indonésia, mas mora desde os 20 anos no Ocidente(Holanda), estudou belas artes aqui em Amsterdã.
Bonita, inteligente, amiga pra todos os momentos...presença que é sempre, mas sempre agradável, como é bom ficar na presença dela...ela é até disputada na escola do meu filho, percebo.
Mãe, artista plástica, cheia de talentos pra decoração, confecção de bolsas, roupas, paredes, desenho de banheiro, sala, cozinha, jardim. E aquele jeito nonchalant de ser, apesar da finesse...inteligente, honesta, ultra-leve.

O banheiro estilo marroquino na casa dela, foi ela que projetou.
Eu achei muito interessante, digo bonito(comparando com meu banheiro a maioria são lindos)...nada desses banheiros cheios de pompa, até me pareceu o nosso banheiro na rua Visconde Duprat(Porto Alegre), antes da reforma...aquela coisa cimento batido...sem azulejos azuis...aquela coisa pobre, aquela "casa de banho"...era tão estranho, na verdade feio pra caramba, mas antes do meu pai gastar os tubos na tal de reforma da casa.

Bom depois de dois cafés each, ela se foi...me desejando um bom dia...e lá foi ela pensando na próxima viagem ao Marrocos que fará, nos Berbers...ficar numa tenda no deserto, ir pra Marrakesh...etc.

E eu com toda aquela cafeína no cérebro fui fazer a minha hatha yoga diária, que cá entre nós me pareceu mais uma power yoga...ou até a asthanga (que é muito mais dinâmica = digo, cansativa).
Resolvi treinar vários asanas novos como se já estivesse me considerando uma advancer, que não sou, e nem sei se serei...porque eu simplesmente tenho uma dificuldade física enorme de sair do chão, digo de ficar sem os dois pés plantados no chão, sou assim desde criança. Não consigo, 'sempre acho que meus braços vão me deixar na mão, e bem que gostaria de ficar só me apoiando com as mãos, braços...mas ainda não dá e ponho a culpa que tenho braço curto, perna curta, sou toda truncada.
Estou vertiginosamente mais elástica, e mais disciplinada. Outro dia quando me despedi de duas amigas e disse, tchau...vou fazer yoga, e uma delas disse:
- Não dá pra você tirar o dia livre hoje?
Bom, ela é mais ou menos amiga, quem mora na Holanda sabe o que quero dizer com mais ou menos amiga.

Só faltou eu dar uma paulada na cabeça da infeliz.
Mas nada, dei o tal sorriso amarelo do Antonio Fontelles e me despedi.

Bom, yoga, café da manhã, banho, lentes...make up...modelão...e pensei, até às 17:30 fazer o que quero, por causa da babá de terças feiras. Que supostamente vem todas as terças-feiras, pega Dimitri na escola e fica até às 17:30.
E pra variar a idiota fica doente, e manda uma mensagem...Tô doente.

Imediatamente tive uma CRISE de comercial do CUP A SOUP....
um comercial bem interessante, onde o camarada é um manager bem bacana, legal com os colegas, amigo, o ambiente é bem desestressado.
Mas quando tá tomando a caneca de sopa pronta na sala dele, e um subalterno entra na sala e faz uma pergunta, ele SURTA total...aos berros, diz:

- A G O R A Nãoooooooooooooooooo

Nu, even niet...(tradução em holandês).


- Depois pede desculpa pra todos os colegas, dizendo que surtou porque é um idiota, imbecil, homem também tem aqueles dias,etc...

Tive que cancelar tudo...e sorte que não tinha ninguém no caminho pra descer o pau, e ela me passou uma SMS, senão ia ouvir poucas e boas.
Ela "vive", ficando doente, a mãe doente, o namorado doente, férias na Turquia, férias no trailer, férias em Portugal, férias em Espanha, férias na Grécia, férias férias e mais férias. Ano passado eu quase a mandei praquele lugar, quase. Porque nem sempre tem uma substituta. E já algum tempo aderi esse comercial como meu símbolo e forma de desculpar quando surto. Primeiro yoga, algo que vai mal, surto, depois desculpas.

E o tudo era, ir à biblioteca...numa dar partes mais legais que ninguém te enche o saco, que não passa nenhum conhecido, e os desconhecidos eu nem quero saber. Contando que não tenha nenhum mendigo dormindo cheirando mal por perto, é porque maloqueiro desocupado, e que no fundo já teve um papel intelectualizado nessa sociedade conhece e sabe muito bem que as bibliotecas públicas são os templos daqueles que procuram de vez em quando um abrigo de paz, silêncio.
Só faltam servirem água quente, o saquinho de chá eu roubo do supermercado (Aki Kaurismaki) no filme "Man without a past",lembram?

Cancelei, ir pra lá...ler o meu livro e o caderno de anotações pra começar a colocar em ordem as idéias pras minha memórias desmemoriadas, porque muitos detalhes a gente esquece mesmo, coisa de véia.

Seria isso, um projeto, objetivo, sonho?
Acho que é o sonho de todo mortal, ter filho, planta árvore, escrever livro...ou pelo menos dois deles.
Sei lá, é um querer ....querer registrar de uma forma honesta, aberta, e também porque gosto muito, mas muito mesmo de escrever...e porque quero que as pessoas chorem e riem das minhas desgraças se lerem, e se eu realmente concretizar meu digamos assim, sonho de menina.
E preciso, necessito calar a minha boca na net (quanto tempo, eu joguei todos os meus dias de ontem, hoje, minhas experiências, assim ...ao vento). E esse camaçal de folhas brancas, já deveria estar cheios.
Essa pergunta nunca se cala, e nem minha boca.

Estou comprando também, uma máquina de escrever manual, e não elétrica...vai fazer barulho, vai, o pessoal aqui em casa vai ficar louco...vai, e vai dificultar tudo, vai, e assim eu gosto, coisa fácil eu não gosto, me entedia, pego sempre o caminho mais bonito, mesmo que seja mais longo (a não ser que esteja com pressa).
Eu vou ficar louca, vou...mas louca pro bem, não que queira ser uma Hemingway. Mas eu vou dar sequência, com ou sem babá*...nesse projeto, objetivo, meta, golllllllllllllll de placa.
A disciplina na yoga já se estabeleceu, agora é minha próxima disciplina tomar forma.
Porque a disciplina de mãe, aprendi na marra e mãe sózinha aprendo todo dia, com esses leões ferozes, mata um aqui, mata outro ali, e eu não tenho nada contra o rei dos animais, nem contra os coelhinhos, tigres de Bengalas.

Wednesday, December 31, 2008

Cartas de Barcelona


Os índios Aymara, que habitam há séculos as margens do lago Titicaca, nos
Andes, defendem a necessidade de sete diferentes tipos de paz.

A primeira é para dentro de si.
Consigo próprio, na saúde do corpo, na lucidez da mente, no prazer do seu
trabalho, na correspondência de seus amores.

A segunda é para cima.
Com os espíritos de seus antepassados, com a vontade de Deus.

A terceira paz é para frente, com seu passado.
Nossa cultura ocidental põe o passado para trás. Já os Aymara põem o
passado
à frente, porque ele é o conhecido, o visto, o vivido.

A quarta é para trás, com seu futuro, o que não podemos ver.

A quinta é para o lado esquerdo, com seus próximos.

A sexta paz é para o lado direito, com seus vizinhos.

A última paz é para baixo, com a terra em que você pisa, de onde virá seu
sustento.

Paz em 2009!

Amor em 2009!

Beijos Vilma (de Barcelona)



Querida Vilma,

Estou indo para Amsterdã hoje - na casa de uma amiga...
e iremos numa festa de amigos num local onde era uma loja brasileira de artesanatos indígenas, A PATROPI...coincidentemente ou não, essa minha amiga dona da loja, possui uma porcentagem de sangue indígena, e eu também...tribos diferentes, sabedorias semelhantes, assim como esses índios ai dos Andes.
A vida de índio às vezes condiz mais com a minha realidade guerreira, mutante, livre.

A dona fechou a loja e está indo p/ uma temporada na India...fazer yoga...por quatro meses, deixará o filho de 12 anos com o pai...

Faz um bom tempo que faço yoga, depois que recebi o diagnóstico da Bipolaridade...mas faço numa escola em Leiden
e em casa, os resultados são fantásticos, e é um tempo pra mim mesma...e pro meu equilíbrio emocional, pra minha paz interior...pra cuidar da minha vida de índio.

Estou em paz agora...sei lá qual delas, mas como dizia Drummond...

- Tem uma pedra no meio do caminho...sempre....

Minha filha Dominique ficou com cachumba (mesmo vacinada) mas ficará com o pai...volto amanhã...com dor no coração
irei nessa festa...tão estranho isso. Logo nesse ano que vou pra outra cidade, sempre passo por aqui...assistindo os fogos na praça em frente a minha casa.


Te desejo uma virada de ano, de muita PAZ, alegria, e que no ano de 2009...em todos os dias, vc encontre a saúde o suficiente para seguir em frente...o resto todo vem.

Então pra mim essas são as pazes:

- paz consigo, paz física, paz espiritual, paz na mente
- paz com os outros, e com a família, pessoas ao seu redor...e diferentes relacionamentos com elas...
- paz e esperança sempre num PRESENTE melhor
- paz em saber que temos tudo o que queremos e assim...somos agradecidos pelo universo...e nossa luz é eterna.


Um explêndido 2009 pra você e para os seus!


Bebete (que um dia pertenceu como um grão de areia na terra Basca, que um dia foi índia, que um dia foi o que é agora, luz e bicho humano)...


PAZ - Gernika coloquei isso de uma rapariga mais vermelha do que eu...

Saturday, December 13, 2008

Bandeira branca ao AMOR PRÓPRIO


Há cinco anos atrás eu conheci uma pessoa que entrou na minha vida de sopetão e permanece até hoje, SIM 13 de dezembro de 2009, eu fui jantar com essa pessoa pela primeira vez na minha vida, e como já falei nesse blog, ele foi muito honesto no primeiro encontro, mas pela maneira de falar eu senti que era um garoto "problema"..
Sim, hoje fariam 5 anos de relacionamento. Mas oficialmente acabou dia 9 de setembro do corrente.
Conheci com essa pessoa que foi mais um tipo de montanha russa. Minhas relações amorosas, normalmente são um desastre, oops foram, mas nem todas, tive muito bons momentos, com pessoas que passaram pela minha vida.

A minha primeira relação longa quando era jovem, foi uma exceção.
Tive muitos namorados, muitos mesmo, uns duraram uma noite, um dia, um mês, três, seis meses, 5 anos, 6 anos, 6 anos e meio, 7 anos...mas agora parece que toda aquela cortina de quantidades e anos em minha vida divididos com alguém, se fecharam...é sempre um novo, diferente, expectativas, corpos, almas, vozes, mentes.

Agora tudo é novo pra mim, eu deixo a corrente me levar.
Quebrei sem querer todos os padrões nesses últimos anos, aliás desde que comecei a ter um relacionamento atrás do outro.

Antigamente, sem questionar estava a procura de homens, namorados, querendo que alguém me achasse legal, e que eu achasse legal também, era muito normal sair pra dançar e catar uma vítima, e pelo visual e jeito, a gente via se ia rolar algo ou não..
A máscara caiu....os anos passaram.
Hoje felizmente, com 48 anos de idade...me sinto completa, querida, e não como Cristina, "eu não sei o quero, mas sei o que não quero"do último filme de Woody Alle (Vicky Cristina Barcelona)...eu sei o que quero e sei o que não quero.
E não quero ninguém. Não quero ninguém atrapalhando meus projetos, minha vida, meus sonhos, meu sono, minha beleza como ser humano completo, minha família.

Não quero mais me apaixonar como já aconteceu, não quero um corpo pra me esquentar, não quero marido, não quero mais filhos, já tenho.
Quero um amigo, só isso - um amigo.
E o que acontecer depois, e se acontecer é lucro.
E se aparecer fast love também está ótimo.
E vou saber reconhecer, quando for só sexo, e quando for alguém especial e pronto.

As pessoas entram na vida da gente de mansinho, aliás...a gente dá a chance e busca a oportunidade pra colocar pessoas em nossas vidas, que projetamos todas nossas carências, frustações, dores do passado mal resolvidas e muitas vezes pelo temor de se ficar sozinho (até a morte os separe), ou no inverno frio.

De preferência quero pessoas pertos de mim que digam:

- Você é muito legal.

Mas seria uma grande besteira dizer:

- Sem você eu não vivo, vou morrer...ninguém morre assim, a não ser que tenha uma depressão profunda e se mate ou que um carro passe por cima, bala perdida também se perde vidas.

A outra grande besteira, a imaturidade romantizada...de um futuro pra todo o sempre até que a última chama se apague, e tem gente que acredita.
Eu mesmo acreditei...
E a chama se apaga de qualquer forma, não só porque se deixa de amar, ou porque nos desapaixonamos, ou porque temos incompatibilidades de "gênios", mas porque simplesmente acontece, quando não é pra ser não será e pronto.

Quando relações turbulentas acabam simplesmente, morremos, nos afastamos de nosso propósito individual, exigindo do outro algo, que ele nunca nos dará, que é a nossa própria felicidade e auto-conhecimento. Ficamos na guerra entre egos, e ninguém quer ceder, porque mesmo que um ceda, o outro não, a distância entre mentes é muito grande.
Ficar sózinho é muito relativo.
Não ter companhia pra fazer o que se gosta é outro papo.
Sonhar ter alguém do lado, como idealizamos...eu não acredito mais.
Não que esteja sendo despeitada e querendo falar daqueles que estão namorando ou casados e estão felizes juntos, se respeitam, crescem juntos e são companhias amigáveis recíprocas...se amam e se gostam e se admiram. Estou falando de mim, e do padrão de relacionamentos que tive em toda minha vida.
E fique bem claro que eu não me arrependendo de todos os relacionamentos que tive, não...porque senão estaria escrevendo aqui sobre superficialidades, celebridades(leia-se vida dos outros), e outras bobagens mais.

O amor chegou muito cedo na minha vida, o verdadeiro amor.
Aquele que todos sonham e ouvem falar.
Aquele de encontrar o amigo o amante o protetor o professor, e mesmo na separação de corpos...a admiração mútua se prossegue e a felicidade do outro em questão é muito mais importante do que FICAR JUNTOS.
A importância que se dá ao outro, e o dharma é para sempre, aliás agora que eu entendo o significado da palavra DHARMA, que aprendi nesse ano, e pela minha sede de compreensão e entendimento prático da espiritualidade que me encontro desde que me conheço por gente.
Mas como me mãe fofa sempre dizia, "há o momento certo pra tudo, cada coisa tem sua hora".

Como isso me aconteceu muito cedo(amor), e por imaturidade...achei que isso era o normal, o natural...fui aos poucos crescendo, e evoluindo e percebendo que não é tão "assim" como eu achava.
Nunca encontrei nenhuma, mas nenhuma pessoa com a mesma intensidade de amor, no mesmo nível de comunicação, afeição, deslumbramento, entendimento intelectual e espiritual, NUNCA.

E busquei, busquei inconscientemente...a mesma pessoa em diferentes rostos e corpos, mas nunca fui amada e amei com a mesma intensidade, nunca.
Por que seria, me perguntava?
Existe aquela besteira "one love"?
O universo se fechou, se abrindo pra experiências diversas, onde aprendi e como posso garantir.
Aprendi, esqueci, errei, cai, levantei, levante, cai de novo...e assim vou até os 100 anos acho, lá no asilo, cega e surda, mas creio que as burradas vão diminuir daqui pra frente.
Consecutivos dramas se desenrolaram na minha vida.
Consecutivas formas de encontrar no outro o vácuo que estava me faltando com o tal de outro.

Recentemente encontrei um moço, muito mas muito carinhoso, uma pessoa fantástica. Motivo pelo qual não estou emotiva hoje. Não sinto que amo meu ex mais, como o amava, aceitando tudo dele. Eu o amei, mas a falta de sensibilidade pra ele entender a minha pessoa, deixou muito a desejar...então ainda estou tentando entender que tipo de amor era aquele, e se é realmente amor, ou equívoco.

Agora é a hora de deixá-lo falando sozinho, porque ele ainda quer guerra.
Hoje mesmo recebi um email gigante dele, sobre todas as ASNEIRAS, CULPAS, e péssimas atitudes que tive nesses quase cinco anos, segundo o próprio.
Como se ele fosse um santo, e com a conduta impecável.
Como se adiantasse fazer agora uma análise do que já passou, como se mudasse o já feito, como se eu não fosse uma boa pessoa, igual a tantas outras que tentam acertar num relacionamento, se envolvem mas cometem falhas porque todo mundo comete.
A situação e as palavras das correspondências dele eram quase que patéticas, porque ele diz que vai me dar até $, pros últimos dois anos que não contribuiu...como se eu o tivesse cobrando, gosto de presentes, mas também gosto muito de dar, e não quero em troca, principalmente coisas materiais. Talvez seja a forma que ele encontrou de se redimir do que me fez.
Mas creio que não passa na cabeça do sujeito a palavra:

- Desculpa se te magoei, se não te entendi, me perdoa por o mal que te causei.

A inteligência emocional dessa pessoa é quase zero, em termos de AMOR, uma das palavras mais difíceis de serem interpretadas, faladas...porque todo mundo sabe, o amor simplesmente EXISTE, ou não.
E a maneira de ele expressar o AMOR dele é com palavras ríspidas, você é uma DOENTE, precisa fazer terapia. (Minha psiquiatra só não me deu alta porque eu nunca fui internada, e estou há mais de 1 ano ESTÁVEL)...

Eu tento não pensar com o ego, e devolver a altura, porque até bem sei que ele não teve amor materna, um lar conturbado, cheio de atritos, ou seja, me baixar ao nível de egoísmo e incompreensão dele, não, tenho dó...porque apesar de tudo, foi comevente o final, ele dizendo que eu sou a número 1 no coração dele, como se eu fosse me comover que esse blablabla.
O que significa isso?
Deve ter "trepado" com outra e confundiu as coisas, agora que ele não me TEM mais à sua disposição.

Eu cansei.
Eu cansei de tentar entender.
Eu até poderia dizer que eu cansei de AMAR, de entender...e de tentar entender, uma pessoa tão contraditória, que me desequilibrou drasticamente, me humilhou, diminuiu, e me fez ficar com raiva de mim mesma, de quase me odiar...o que não fiz, mas fiquei doente, sim...ADOECI.
Adoeci, e lembro muito bem, quando meu médico me receitou uns calmantes, e eu fiquei BOAZINHA, ele voltou...porque eu estava BOAZINHA, uma planta, um vegetal, sem opinião
ficava sentada na poltrona, e não ousava dizer muito, pra não contrariá-lo, para ele ficar, só porque o "amava"...e não queria perdê-lo.
Viciei nele, viciei no sexo...viciei no corpo...como se fosse heroína...e em cada briga, em cada afastamento, distãncia...ficava doente, entrava em pânico, fazia loucuras...sem a minha droga.
Até que no ano passado, 31 de dezembro de 2008...quando foi a última vez que ele me deu o fora, caiu a ficha. Eu levantei. Eu levantei e fui festear...e me arrumei, e coloquei o meu sorriso e minha vontade de viver, com a promessa que 2008 seria assim. Lágrimas secas, e fui me fechando, fui me fechando, me encolhendo, me adorando, me descobrindo, me conhecendo e me amando. Até aparecer alguém muito doce, mas muito mesmo, ao natural...que disse que eu também era um doce.
Que eu era legal, muito legal.
E eu de repente, acreditei nisso porque vi nessa pessoa, uma outra...mas muito legal.
Me deixei levar.
Somos amigos.
Gostei e percebi que quero ficar comigo, só ou acompanhada, quero fazer tudo o que quero e não quero mais cair no conto do vigário, nem do bispo nem do papa.
O que vier, não me interessa.
O que me importa agora é como estou, onde cheguei, aqui...junto de mim.

E não quero mais me perder nesse bloco do Amor, porque definitivamente achei novamente a máscara real do amor próprio.

Wednesday, December 3, 2008

Blindness


Tá difícil de sair de casa pra ir ao cinema nesse final de ano.
Só tava passando coisa que não estou muito interessada de ver nos cinemas da minha cidade, e com esse frio, não tenho o mínimo ânimo de ir pra Haia, ou Amsterdã...sózinha.
Sim, porque vou ao cinema só sem nenhum problema, mas se é pra ir ao cinema por ir, fico em casa assistindo um DVD ou mesmo na net, que estou me divertindo bastante.
No Brasil nem dava pra ir só, sempre tinha companhia, sempre tinha coisa boa passando, mas isso também já passou...porque eu tô escrevendo isso?
Bom, essa é as desvantagens de morar no frio, e em cidade pequena...mas não posso nem colocar a culpa na cidade, porque até tem bastante atividades culturais, meu tempo livre que é escasso, sexta ou sábado a noite...então em média, são 6 dias no mês que tenho livre pra ir ao cinema a noite.

Sábado passado descobri um filme bom pra ver, Blindness. Mas estava me sentindo um pouco envergonhada pois não li o livro em que o filme foi baseado, o livro que quase todos que se interessam por literatura da língua portuguesa deveriam ler, o Ensaio sobre a Cegueira, que quase todo mundo sabe foi o primeiro romance na língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de literatura.Eu fiquei toda arrepiada com a notícia na época, e queria correndo ler, mas acabei deixando pra depois, e o depois não chegou.

Como assistir o filme antes de ler o livro?
Facinho fui mesmo assim, porque queria mostrar pro meu novo amigo, que o diretor era um brasileiro, e que era baseado no livro em português, pra holandês iniciante é uma aula de cultura estrangeira, e ele agora está tendo contato direto com a minha cultura, a minha língua por enquanto não, porque só conheceu duas amigas portuguesas que falam inglês. Mas está interessado em sair comigo, em ficar comigo nos finais de semana. Nos dias de semanas ficamos namorando por SMS, apesar de morarmos na mesma cidade, e já é bem-vindo no meu mundo, de cinema, na minha música, meus amigos, minhas festas, no meu coração porque é uma pessoa ímpar...(filhos vou deixar pra mais tarde).

Tenho as crianças, ele tem o trabalho, enfim.

É estranho se ir ao cinema quando se está assim como eu tranquilamente apaixonada...sim é assim que me vejo.
Se vai de mãos dadas, fica-se junto, grudado...de vez em quando um olhar no escuro, só não rolou beijo que o filme não tem nada que combina com beijo, só no intervalo no meio do filme, muito comum aqui onde moro, pára tudo, se toma café, cerveja, vinho, chocomel, fuma-se um cigarro lá fora...e fumar junto é tão romântico.

Um certo desconforto inicial, me lembrou Dogville...aquela tela esbranquiçada, aquele povo sem enxergar nada, como eles se sentiram?
Qual o tipo de laboratório que fizeram?
Que cidades eram aquelas?
No livro era Lisboa, mas reconheci algumas partes de São Paulo, seria Itália também?
Não sou tão viajada assim pra reconhecer o background daquele caos todo.

M A G N í F I C O, incrível...e depois de vários dias, ainda estou com tudo aquilo dentro da minha corrente sanguínea.
Fernando Meirelles cometeu umas gafes, li depois ...mas o todo, ficou divino.
E a vontade louca de sair lendo o livro, o original em Português luso, que vou ganhar do meu irmão quando ele vier pro Natal.
Obra de arte total, aquilo que você raramente vê nos dias de hoje no cinema, que criatividade, que pathwork de temas, político, social, humano.
Que raiva que me deu, que sensação estranha, gosto disso, porque chega uma parte da história que tudo fica redondinho.
E não poderia ser de outro jeito, que mente.
Não sou lá boa crítica...mas é diferente, de quase tudo que já vi, mas ainda me lembra Dogville, no lado da maldade que emanada de certas pessoas, em situações conflitantes, de poder, de sobrevivência - salve-se quem puder, only the strongs will survive, mas não na força física, na clareza de poder ver, depois li que o Saramago mora numa ilha por 14 anos, mora ilhado...com a mulher, numa ilha vulcânica lá nas Canárias...

Como essa metafóra da cegueira, ilustrou bem o que se passa ao nosso redor, dentro de nós.
Lembrei-me dos meus tempos de infância, quando faltava luz, nos reuníamos ao redor de uma vela, ou lampião...e ficávamos contando causos...no nosso alpendre lá no alto da Visconde Duprat, olhávamos as luzes ao longe, contávamos estrelas, estávamos unidos, e inconscientemente dáva-mos vazão ao nosso lado caloroso,contávamos anedotas, minha mãe sempre na retaguarda, ouvindo neutra, na minha grande família do sul do Brasil, unidos, éramos felizes quando faltava luz...mas logo ela vinha, e alguém dizia.

Chegou a luz, e aquele elo criado no escuro entre a gente, se evaporava com a claridade...ficava até um constrangimento no ar, não era a mesma coisa, tinha que ser melhor com a luz, era melhor aquela eletricidade toda, mas nos distanciávamos.
Cada um ia pro seu canto, achando que assim era melhor, na nossa cegueira.
E diz o ditado popular: o maior cego é aquele que não quer ver...
Mas eu acho até que nem é uma questão de querer, ele é cego porque só quer enxergar com os olhos, mas só os olhos é muito pouco.
Meu óculos novo ficará pronto em duas semanas. Meu novo amado, ajudou a escolher com muita paciência a armação em várias lojas, aliás eu escolhi...e depois levei-o pra confirmar, se tinha o aval dele ou não. E ele não pode negar a sobriedade e sofisticação de Paloma Picasso e rendeu-se.

Quanto ao filme, meus amigos.

Vejam com vossos próprios olhos!

Wednesday, November 26, 2008

Amor, pão e circo


Hoje sai da aula de yoga semanal cantarolando(pratico também em casa, viram?)mas é muito melhor sair de casa, e ir até um determinado lugar...em casa sigo todas as recomendações da professora, mas na escola também tem o contato com os outros...fica num prédio antigo, belíssimo, onde há vários cursos ministrados, pintura, escultura, tai chi, computer, fotografia digital, cinema, e também concertos, festival,curso de idiomas, num canal no rio Reno, tudo é tão romântico, lírico quando a gente quer e pode.
Há mais de 100 anos...sim, 100 anos existe a Volkshuis (casa do povo).

Pertinho da escola, caminho para todos os lados, mas tem uma ruela que gosto muito...tem uma loja de CD's e DVD's muito intimista a Plato, onde fiz amizade com um vendedor que também produz música e está no meu MySpace, coincidentemente ele viajou pro Brasil e arrisca umas palavras em português.
Como devido aos acontecimentos do final de semana passado, o final de semana mais frio até o momento, até nevou, e mais um segredo que eu não conto (ainda).
Eu me via cantarolando a música "Ando meio desligado..."

O que você acha desse CD novo Tropicália?

- E ele me respondeu, muito legal...


Por fora tava bem bonitinho, a diagramação o design gráfico tava um xuxuzinho...e ele até perguntou se eu queria ouvir, mas já conhecia a maioria das músicas.
Tropicália, nunca foi o meu forte...mas quando era pequena tocava lá em casa. E uma vez respondendo os questionários de menina da escola, tinha a pergunta:

- Qual a música que você gosta mais, e alguém falou:

Tá todo mundo colocando a Rita Lee...como se escreve? Perguntei...

Que nem a calça LEE, com dois elles...cool.

Como não tinha muito tempo, estava morrendo de fome, comprei o CD Tropicália sem ouvir...e um dos Mutantes(que eram os hits), no final tava tudo repetido, odeio comprar coisa correndo...tinha até uma vitrina com músicas estrangeiras, mas não esse rótulo chato de World Music...faça-me o favor, World Music...enquanto a música Americana é Americana, jazz, rock, folk,...que puta discriminação sempre achei esse imperalismo americano. Mas uma vitrine com as coisas legais de países variados...

A música é do mundo e para as pessoas, não é mesmo, e a letra que foda-se, porque a música o instrumental é a linguagem universal.
Será que quem está lendo isso, e está notando que eu estou falando palavrão no blog.
Foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se porra.

Sim estou aprendendo a me soltar, com um amiga, que diz palavrão, e fica tudo tão chic...como ela, e comigo horrível, mas não vou desistir...estou de saco cheio e quero aprender a falar palavrão, nunca é tarde.
Aceito dicas de como falar palavrão e ficar TRES CHIC, três vezes chique.

Comprei, sai correndo tentar pegar o "breakfast" do Mc Donalds...sem direito de beber o suco, etou proibida pela minha dietista beber suco como água, e sim chá ou água mesmo, e lá encontrei o Americano que eu simpatizo no Mc...e aproveitei pra ele matar as saudades e pedi em inglês.

Por três dias tenho que escrever tudo que como e bebo, e tenho que mostrar na próxima consulta, mas se me comporto emagreço rapidamente, e esse que é o problema porque só gostaria de emagrecer nos lugares QUE não quero, mas a gente não pode escolher constituição física, genética...ou tem que apelar pra faca, esse já é outro papo.

Antes de tomar meu breakfast percebi que tinha uma mensagem de uma pessoa muito linda que conheci nesses últimos dias, uma pessoa que está tomando conta dos meus pensamentos, do meu inbox do celular, uma pessoa que está chegando devagarinho na minha vida, uma pessoa que estou admirando, e que me faz ficar muito feliz, mas também me deixa triste e trás à tona todas aquelas emoções e inseguranças em relação ao que acontecerá no futuro.


Será que será uma relação?
Será que seremos namorados?
Será que será?
Será que o sabiá sabia asso(biá)r
Será que não estou indo rápido demais?
Será que vou conseguir segurar mais essa onda?
Será que ele vai me dar o fora, no primeiro surto?
Será que mereço ser feliz?
Será que mereço?
Será que desta vez eu acerto na mosca?
Será que não tenho que parar de pensar?
Calar a minha boca...e fazer como o que fiz naquela foto.

"Don't talk just KISS"...big bitch, stupid cow

Claro que eu leio, leio e leio...leio tudo
sobre todos os assuntos, converso com os amigos interessados.
Recebo dicas, conselhos, notas, incentivos...
Todos querem ajudar...não trepa logo.
Trepa logo, só trepa não se envolve, trepa logo e sai fora,
não trepa porque homem não gosta do QUE É MUITO FÁCIL, não fala pra
não entrar areia.


Mas me pergunto,
é pra casar?
é pra namorar?
é pra ter filhos?
é pra ir ao cinema?
é só pra fuder?
é pra conversar?

é pra tudo?
tem uma função?


O que eu coloquei na minha cabeça depois de uma decepção com o Viking foi de que a próxima pessoa que eu me ENVOLVER, nem digo apaixonar, porque se apaixonar é muito difícil, ou me apaixono pela pessoa errada...que depois fica me pisando...me amassando e jogando pedras. E nos últimos tempos acabei me acostumando de levar pedras...pedradas, pedreiras e rochedos.

Então coloquei que quero uma pessoa, que eu naturalmente eu goste, mas que SEJA MEU AMIGO primeiro, digo, não precisa ser amigo de infância, mas que tenha coisas em comum, e se não tiver que seja aberto para tal...curiosidade pra tal.

Certas coisas vêm assim, parecendo "por acaso" na vida da gente.
Quero me ater no presente, e não pensar no futuro...
Seja o que for, mas às vezes é difícil pra quem levou muita porrada
nessas histórias ridículas de A M O R ...

Mas também sei que é proibido proibir, o lema do movimento Tropicália, um bando de molecada, querendo fazer barulho, mas sendo proibido...ou seja, não conseguindo se
expressar no ano de 1968...agora 2008, cá estou eu na Holanda, comprando o CD dessa revolução musical brasileira...

Eu ouvindo o track "Ando meio desligado" que cai direitinho ao meu momento, e meu filho gostando do BAT MACUMBA...

- Mãe, o que é Bat macumba....Bat ma...

Bat-ma
Bat-ma
Ba

Batma
Batmacum
Batmacumba

eh eh


E eu

Eu só quero que você me queira


E se as pessoas na sala de jantar estão preocupadas em nascer e morrer,
eu continuo querendo pão, circo e muito....mas muito amor.

Não leve a mal.

Wednesday, November 19, 2008

Uma semana apenas




Traga-me uma semana, uma semana de férias, uma semana só.
Uma semana...somente uma semana, então semaninha, 7 dias.
Não eu não quero ir pra lugar algum, quero ficar aqui mesmo no meu canto, e se der na louca, visitar uma cidade qualquer que nunca fui, as ruas sejam estranhas, e eu precise de um mapa ou boca pra me orientar, mas me perder por ai, adoro me perder pra me achar.
Mas quero então fazer diferente, não mostrar pra ninguém que estive lá, não tirar foto de monumento, de cemitério, de coisas "cool", não fazer shopping, ir de ônibus, descer no ponto final, comer uma batata frita com maionese podre (sim eles comem isso aqui)...e depois voltar.
Muita coisa pra mim virou normal nesses meus 48 aninhos de vida, muita coisa.
Não que as coisas sejam normais, mas o meu modo de ver as coisas, de assimilar as coisas, de aceitar as coisas, e de me aceitar.

Não não quero ir pra praia, ou ficar num hotel***** à beira da piscina, nem visitar museu, ponte dos suspiros, nada, agora não.
Não, não preciso de uma faxineira, copeira, cozinheira, arrumadeira, criada, governanta...não. Não é isso que estou falando, estou aprendendo a ouvir, e lembro de um homem que disse que não gostava de máquina de lavar louças, porque tinha que ser duas, e agora eu concordo plenamente com ele, queria duas máquinas de lavar louça, duas, não uma...duas...e claro espaço pra elas. As máquinas fazem muitas coisas pela gente, mas não fazem tudo, nem as outras pessoas, nós temos que arregaçar as mangas, ninguém, mas ninguém pode fazer o trabalho que é pra você fazer.
Se você disser, não gosto de limpar a casa, de arrumar camas, bom que gosta? Mas tem que ser feito, porque eu não suporto sujeira, poeira, bagunça, vai entupindo a minha cabeça, vai pesando, e de repente tenho 100 quilos 30 só nos pensamentos.

Preciso de tempo, horas, dias...literalmente vagos, livres, de folga.
Todo mundo precisa de folga, de ficar sózinho, do seu espaço, eu preciso disso, mas não é pra ficar na internet, netlogo, facebook, orkut, myspace, youtube, google, wikipedia, outlook,etc...é pra trabalhar.

Já a Tina disse que temos que fazer um esquema, que eu achei muito complicado, pra nos orientarmos para termos as coisas em ordem em nossa vida, hmmm, pode até ser...mas se eu conseguisse usar essa lista dela, eu usaria esse tempo pra fazer essas coisas que precisam ser feitas, não estar aqui como milhões de pessoas no mundo estão, digitando linhas, clicando aqui e ali, trabalhando, se divertindo, procurando, achando.

Se eu tivesse essa semaninha a primeira coisa que faria, era dormir até tarde, fazer o que bem entendesse a noite, ir ao cinema, jantar mais tarde, ficar na net até tirar água de pedra...e cansada dormir.
Dormir, é uma das coisas que mais gosto de fazer, dormir...lençóis limpinhos, ler um poquinho antes, escovar meus dentes e passar fio dental sem pressa nenhuma, creme no rosto, nas mãos, na região dos olhos - que envelhecem primeiro.
Não que esteja cansada, não estou...
Mas queria arrumar minha casa, que há semanas está uma bagunça. Pilhas de garrafa pra levar pro container, pilhas de roupas limpas minhas e das crianças pra dobrar e colocar nos armários, juntar todas as roupas que não servem mais, não uso mais, não gosto mais dar pro exército da salvação.
Colocar todas as imbecilidades que compro, e tenho duplo na loja de segunda mão, todos os abridores e copos e canecas e pires e pratos que não quero mais pra bem longe.
Colocar todas as revistas que nunca mais vou folhear fora, ou dar, guardar só as que realmente gosto de reler.
E todos os milhares de brinquedos que eles nunca mais vão brincar pra o planeta lixo de brinquedos.
Ir na Ikea pimpar minha casa: estou precisando de uma estante de livros, um tapete novo na sala, uma luminária alta, esvaziar um guarda roupa e mudar de lugar...
Arrumar as malas no quartinho da "empregada" lá fora corretamente pra que não peguem mofo. Tirar fotos de 4 bicicletas e colocar pra vender no markplaats.nl um site de vendas de coisas usadas na Holanda...sim, já tinha tirado na minha máquina japonesa falante, mas como a máquina é tão complicada, eu acabei deletando tudo sem querer.
Nesse tempo livre, ia ler todos os manuais de apetrechos que adquiri até hoje e não li, meu telefone novo com secretária eletrônica - quase nem existe mais essas coisas, dessa máquina tagarela também, do meu i-pod que tenho há século, mas o livro é tão grosso, e do meu celular que eu acabei usando mesmo só pra ligar, e mandar sms.
Õ meu eterno lamento diz: queria que a minha vida não tivesse nenhum fio, mas são tantos fios...tantos carregadores, até a minha filha agora tem um celular, e fora a aula pra ela, ela aprendeu felizmente a ligar e atender, duas funções que parecem idiotas, mas difíceis para uma criança que tem pouco alcance com abstração.

Tirar todas as folhas secas caídas no jardim, limpar o jardim...varrer, arrumar o schuur - quartinho das bicicletas, arranjos de natal, caixas de tinta, e toda a parafernália que se usa uma vez por ano.

Chamar o carro da prefeitura que busca lixo grande. Afinal não quero multa, o vizinho dedura, não quero.

Sorte que já me livrei de dois televisores enormes, antigos...ninguém queria de presente, ninguém...e não se pode colocar no lixo, e eu acho até o cúmulo de colocar esse tipo de coisa no "lixo"...Buda me livre, demorou duas semanas pra eles virem, eles vieram...e quando chegou aqueles dois homens eu fiz pfffff. Até que enfim.
Tentei vender, não deu, tentei dar, ninguém quis...
Um peso a menos, um espaço a mais.
Mas traga-me essa semana, sem pressa...porque sou só uma.
Não estou cansada, estou cansada de ser DJ. Na minha própria casa, e às vezes das centenas de CD's que tenho, ouço por uns tempos os mesmos.
E eu?
Quero cortar meu cabelo, é só marcar...sim parece fácil, é só marcar, mas não é, no tal dia que liguei, ela não estava, estava de férias, lei de Murphy, e tem que ser com a ela a pequena grande Sabine, que menina incrível.
Fazer manicure, pedicure cuidar de mim por fora...há tempos estou cuidando de dentro, e está tudo OK, nem posso me queixar. Mas a manutenção é necessária por dentro e por fora.
Sim continuo bonita e disciplinada com a yoga, com a mente no lugar preciso que deve estar, mas ....preciso de tempo.
Tempo pra ser criativa, tempo pra usar melhor meu tempo.
Quem sabe nessa semana marcar a cirurgia das varizes, sim...há anos que preciso, mas deixa pra lá, como ficar sem andar de bicicleta por uma semana, duas?
Mamãe não pode.
Cada vez que vou dar uma voltinha a noite com as crianças na koopavond(noite que as lojas estão abertas até as 21:OO) fico pensando, chegará o tempo que irei sozinha, assim...no dia de semana, fazer o que quero a noite. Será engraçado, acho que vou até estranhar.
Talvez fosse o caso de pagar caro pra ir ao cinema no dia de semana, uma babá que ganha de 6 a 10 euros por hora, e mais entrada do filme, é ...não posso me dar a esse luxo por enquanto.

Arrumar minha casa para o Natal que está quase chegando e o ano de 2009, vejo as teias de aranhas nos lugares que o teto é alto, e olho e penso, preciso tirar essas teias de aranhas, mas não é de aranha, é poeira mesmo, poeira dançante, que nem naquelas mansões mau assombradas...brrrrrrrrr os móveis cobertos de lençóis brancos, o candelabro encima do piano de calda, mas o janelão aberto, a chuva lá fora e claro isso é um filme daqueles bem previsíveis em preto e branco, um filme com o Christofer Lee e o Peter Cushing, amava os dois...e muita "teias", muita poeira, muito abandono.

Tenho tudo que preciso, em termos...mas os anos passam, e de repente aquele barulho, aquele carnaval todo, aquele desfile de cores, imagens, tons e sons na sua frente, te cansa...aqueles milhões de livros pra ler, filmes pra ver, blogs pra ler, amigos pra ligar, festas pra ir, emails pra responder, mudanças pra fazer...vão-se empilhando, empilhando...me fazendo lembrar um terrível trabalho numa agência de propaganda muito legal, eu tinha 22 anos e era datilógrafa, minha função era auxiliar de escritório, e eu cursava a faculdade de Turismo a noite, cada vez mais eles colocavam trabalhos pra bater na minha mesa, e quando eu acabava e a minha mesa ficava mais ordenada, lá vinha cada vez mais coisa, mais faturas, mais campanhas publicitárias, mais dinheiros, mais clientes, clientes negando as campanhas, e mais novas campanhas, e trabalho - trabalho- trabalho. Ufa...finalmente o trabalho um dia acabou, aquele, pedi as contas assim que peguei meu diploma. Um dos donos da agência me achava "interessante" e dizia, não quer ser modelo? Eu me olhava no espelho e me sentia muito feia, muito sem cara de modelo, na verdade muito insegura, nada assertiva, estava começando a vida, e não sabia nem dizer não, nem dizer sim pra certas coisas.
Esse mesmo homem, chamava-se Ricardo Rizzo, dizia:
- Bernadete, muda essa faculdade, que não vai te dar nada, e que não vale nada pra publicidade, porque eu mesmo me arriscava a dar umas opiniões pedidas, no departamento de redação, esse sim, me chamava à atenção, naquela mansão no bairro de Petrópolis em Porto Alegre. Muda essa faculdade pra Publicidade e Propaganda...dizia.
Mas eu cabeça dura embestei que queria conhecer o mundo todo, ou na verdade conhecer a Europa, jamais mudei...fiquei uns tempos desempregada, fazendo nada, fazendo bobagens, na dolce vita...vivendo de amor, com um diploma qualquer nota na mão.
Comprei minha primeira moto, uma XR 125 Yamaha, preta...já amava a cor preta.
E assim se foi...porque eu comecei a escrever isso não faço a mínima idéia. Acabou de ligar uma amiga do Brasil, que está visitando a família em Manaus, mas antes passou por Miami...e como ela foi assim correndo eu até pensei que tinha dito algo de errado, mas ela me ligou, então está tudo bem.

Nada melhor do que uma casa arrumada, leve, gavetas ordenadas, e a satisfação da missão cumprida...vai zerar bonitinho esse ano de 2008. Um ano muito bom, um ano com algumas tristezas, mas sem altos e baixos, ou poucos. Um ano da amizade, um ano de poucos encontros mas bons. Poucas festas, mas ótimas.
Um ano de algumas perdas, o pai de um coleguinha do Dimitri se foi, gente boa, e um filho de um conhecido da época do Budismo, essa perda foi pior ainda, o cara tinha depressão, mas não tomava nada, e deu cabo de si mesmo...
Só pra não falar que DEPRESSãO, não é caso sério...é sim, bipolaridade também.
É uma merda (não costumo escrever isso), mas é uma merda, depressão, bipolaridade, essas coisas que estão dentro do nosso cérebro, e não podemos fazer nada naturalmente, pegar um sol, uma praia...agora vou tomar meus remédios com mais vontade ainda, e dizendo que nem Rita Lee, botei botox sim. Já usei tanta droga, essa é mais uma delas.
E pra mim também...não gosto de botox, mas daqui há uns 10 anos, quero fazer uma correção nas pálpebras sim, e não ficar com essa cara de cansada, essa cara caída, e tudo cai, não tem jeito, mas tem coisas que dão pra levantar. E ponto.

Um feliz ano bom...e preciso estar preparada para o ano seguinte, um ano de muitas promessas, um ano tranqüilo na medida certa do ritmo das coisas que são como são, e esse ritmo do universo continua a mil, nós que inventamos os calendários, o relógios, as medidas, blabla.
E se depender de mim, será muito parecido...porque só vai mudar o algarismo de 8 pra 9, tanto melhor, adoro o número 9...de qualquer maneira o ano promete com Obama no mundo...um negro, um homem negro, o presidente, o tal YES, WE CAN.
Mas antes preciso dessa semana, essa semana...que não vou deixar pra ser um sonho, vou buscá-la pelo menos em suaves prestações.

A tranquilidade das manhãs de domingo

Na verdade a manhã se passou, a manhã de domingo. Acordei antes do despertador. Não acho ruim, com essas musiquinhas bacanas de celu...