Wednesday, April 20, 2011

Wabi sabi, sabia?



Hoje novamente, um dia lindo de sol...me belisco, sim: ainda estou na Holanda, e o dia fantástico melhor que na Ilha da Fantasia porque não é seriado, não é fake, é real,, muitas flores, luminosidade extrema, cores por tudo.

Pois a Páscoa está chegando, e com ela o descanso merecido, pretendo não ficar lavando roupas, limpando a casa, fazendo administração, cuidando das coisas corriqueiras, no mínimo organizar aos poucos o sótão, que está ficando muito bagunçado, e está na hora de uma arrumação, talvez receba visitas e gosto e posso oferecer o mínimo de conforto e privacidade, tenho uma grande sala, só pra isso, porta fechada, pia pra escovar os dentes, lavar o rosto, quarto de hóspedes.

Tenho espaço sobrando, e que maravilha, deixar assim, não precisar preenchê-lo com porcarias desnecessárias que entopem minha cabeça, já tão cheia, que 'criam' pó demais deixando as coisas belas, feias, não que seja minimalista, não o sou, e nunca serei.

Dias de descanso significam repensar na minha vida, fazer uma limpeza mental, seguir o fluxo da minha realidade, do meu espaço, pensar no sempre e impossível bem estar da minha família, não fazer nada assim, de especial.

Sair da estagnação de alguns assuntos pendentes que povoam minha cabeça com nuvens escuras, ver mais claramente, o ponto doente desses assuntos, pensar em atitudes a serem tomadas, assumir essas atitudes, não  me sentir culpada, nem preterida, nem isso ou aquilo, não quero mais inseguranças na minha vida, ciúmes, chantagens emocionais, vitimização, mesquinhez, infantilidade, fofocas, contribuir a favor da podridão, quero viver artisticamente, sem precisar me explicar, sem precisar pisar em ovos, e sem ser 'muleta' pra capengas, cegos. Aliás à esse ponto que cheguei, percebo que é uma labuta diária, esculpir nossa vida da maneira como queremos, ser quem se é, e tenho certeza, estou no caminho 'certo', cheio de pedras como todo caminho.

Nesse processo humano e maravilhoso que é a vida, posso afirmar que sou uma pessoa feliz e imensamente agradecida, ontem mesmo li um artigo numa revista sobre uma família jovem, onde os pais são HIV positivo, e a tristeza  que é viver em segredo, nem as crianças sabem, uma vida intragável a meu ver, carregar além do vírus esse stigma, pois conforme a entrevista eles contaram pra pessoas mais chegadas, e a resposta foi, afastamento, asco, discriminação, incompreensão. Viva Elizabeth Taylor!

Não é uma questão de merecer a vida que tenho, mas de estar consciente de mudanças em minha vida, de organização e leveza pra seguir meus dias, de ser honesta comigo mesmo, de tentar levar minha vida da melhor maneira possível, esquecendo a canalhice e o lixo do mundo e das pessoas, nem julgá-las posso, a humanidade tem disso.


Uma das mudanças que percebo, é que estou mais 'anti-social', ando vendo poucos os amigos, muitos se afastaram, cada um está cuidando da sua vida, e está difícil de 'juntar' todos novamente, como fazia. Poucos amigos dão festas, daquelas festas mesmo, daquelas que a conversa fica pra depois, dança-se, come-se, bebe-se, celebra-se o encontro...recentemente fui à uma, dancei, e quando vi estava botando 'os bofes' pra fora, fisicamente tenho que me cuidar percebi, a idade vai chegando, e meu corpo de 50, não funciona como o meu de 40, nesse sentido, a máquina vai emperrando aqui e ali, e é preciso estar atento, a saúde nossa de cada dia.

É preciso fazer festa? Pode parecer estranho, mas o conceito de festa pra mim, mudou. Festa pra mim nesse ano, será o aniversário dos meus filhos, no mês que vem Dominique vai completar 13 aninhos, já não é mais uma criancinha, é adolescente, o corpo mudou, a cabeça mudou, está uma mocinha, e apesar de saber que é assim mesmo, que os filhos vão crescendo...e acompanhar essa mudança, um fato natural, tem lá suas implicações e complicações, me pego nostálgica, com amarras em cada ano e mudança que passou, e só posso agradecer de estar aqui saudável, e poder ajudá-los com o melhor de mim, nessa festa sem fim.

Dizem que estou mais 'calma', mas não me vejo assim, vejo que minhas prioridades são outras, minha idade mudou (maturidade?), vivo mais a minha vida do que tenho necessidade de sair por ai, encontrando gente nova, aventuras cansativas, por mais colorida que seja a vida lá fora, sei que meu estado mental é o mais importante. Todos os meus planos estão aos poucos se realizando, e estou tentando simplificar minha vida da melhor maneira possível pra seguir em frente, não deixando espaços pra frustrações, e está tudo bem como está, mesmo com passos de formiguinha, não tomo mais lítio, estou 'estável', seguro minha barra, dia após dia, passo a passo.

Essa semana comecei um desses passos, um tratamento sério no meu pé, será assim nos próximos anos, não poderei mais descuidar nem um segundo do meu pé. Vou dar à eles, o tratamento adequado, que nem dou ao meu cabelo, a minha pele. Faço visitas frequentes ao cabeleireiro, compro cremes pro rosto e corpo, pinto as unhas dos pés e das mãos, me maquio, mas agora...será diferente, um profissional fará isso, não pela estética somente, mas por cuidados básicos e preventivos. É assim com meus olhos já há anos, será assim com os pés...especialistas. E quando eu não sentir mais nenhuma dorzinha, vou poder voltar a correr, nesses dias lindos que tem feito, fazer yoga ao ar livre, na grama, a beira do canal, usar minhas horas livre ao ar livre...e ter mais contato com a natureza ao redor, viver a primavera, o verão, ver as folhas caírem no outono, beber muito chá, hibernar no inverno, beber mais chá, curtir tudo como é nas quatro estações.

Pensando bem, tenho vivido uma vida bem wabi sabi, e nem sabia.







Wednesday, April 13, 2011

Rua Visconde Duprat e o nosso jardim atual



canteiro da frente da casa tomando forma
Sempre gostei de plantas, flores, especialmente de árvores.
Talvez porque tenha crescido em casas grandes e tenha me dado aquela sensação de imensidão e liberdade, e só fui morar em apartamento aos 14 anos de idade na adolescência, quando o que me interessava era ampliar meu círculo de amizades, expandir meu 'network', conhecer pessoas, viver minha juventude sem pensar no futuro.

A segunda casa que morei (dos 6 aos 14) foi uma enorme casa de madeira na Visconde Duprat, 68 em Porto Alegre, creio que tive a infância mais feliz que muitos por ai, por ter nascido na capital do Rio Grande do Sul, mas numa época de pouquíssima criminalidade, e as casas não tinha grades e nem sistemas complicados de segurança, tínhamos um pastor alemão, chamado Diana, e só.  Impossível pois não recordar tudo isso com saudosismo, por causa do quintal, jardim, do imenso pomar, escadarias a bela e imponente fachada lá no alto, apesar de às vezes estar melancólica e pensativa, e gostava muito da companhia de livros. Achava que a infância não era lá aquela alegria que os adultos falavam, e um tanto solitária pois só tinha irmãos homens, e pouquíssimas primas e nenhuma de minha idade pra brincar.

O terreno era gigantesco e a casa ficava no alto como já falei, parecida com a casa do filme Psycho (Psicose no Brasil), mas a nossa tinha uma fachada bem larga, e uma calçada imensa. adentrando o portão tinha uma escada com dezoito degraus...e depois se passava por um caminho de pedras e mais uns 6 ou 8 até chegar na varanda de alvenaria, e na varanda a vista era magnânima pro "morros" de Porto Alegre completamente VERDES, o que infelizmente não é o que se vê hoje em dia segundo esse vídeo abaixo, que diz que dentro de 50 anos eles não terão mais nenhum verde.

Meu querido pai teve a sorte de ter um cunhado português o tio Manoel que era corretor de imóveis, casado com a Tia Maria (única irmã de meu pai), tia magra, esguia e elegante, e achara aquela pérola pra ele, aliás pra nossa numerosa família e lá no alto à pedido de minha mãe, porque ela já sofrera problemas com enchentes/inundações quando morava na rua Barão do Amazonas na parte plana, entre o bairro Petrópolis e Jardim Botânico, nos anos 50, e eu ainda não era nascida, que ficava perto do arroio do Ipiranga na famosa Avenida Ipiranga de Porto Alegre, que se assemelha com as marginais de São Paulo, cortando boa parte da cidade.

A casa era mista mas primordialmente de madeira, e tinha uma porta de estrutura de ferro, madeira e vidro crespo todo trabalhado com ferros também trabalhados na entrada principal. No alpendre tinha duas entradas, a principal e a lateral que dava para o quarto de meus pais e esta porta raramente se abria e claro, o lado dos fundos da casa com a lavanderia (coberta), um pátio acimentado e mais uma escada, também era outra entrada, sem portas nas laterais da casa.

Mas não quero falar da casa em si, quero falar do quintal, jardim e pomar, superficialmente porque assunto é o que não me falta referente as 'aventuras' naquele endereço que guardo na minha memória com muito carinho.
Apesar do pomar ter quase todas as frutas possíveis e imagináveis (figo, 4 abacateiros, bananeira, pereira, bergamoteira, tangerina, laranjeira, parreira, pessegueiro, fora a pequena horta com tomateiros, xuxu 'na cerca', temperos, etc etc.

Tínhamos também uma pequena pitangueira ao lado direito da casa, que era mais estreiro que o lado esquerdo, onde estava situado o jardim lateral, mais imponente e variado, e a fachada com aquelas plantas gigantes cactus, ilustrando o paisagismo típico de grandes jardins de casarões do início do século passado. Tínhamos muitas hortências (que funcionavam como muro, típicas no Rio Grande do Sul), margaridas, e várias flores que juro...não sei o nome, mas não tínhamos nenhuma ROSEIRA. Sonhava que um dia teria uma roseira...

pintando de verde, já estava na minha cabeça
Apesar de comentar sobre essa casa, o terreno todo foi que nunca saiu da minha memória completamente, queria evidenciar ai, meu gosto e amor às plantas e a vida ao ar livre, de chinelo de dedo no calor, depois de voltar da escola, tempo suficiente pra fazer a lição de casa, e só brincar, brincar e brincar.

Na vida adulta, nunca fui muito de jardinagem, principalmente porque nunca tive tempo e interesse e porque morei anos em apartamentos, apesar de ter uma plantinha aqui e acolá, plantas de interiores, flores em vasos, cactus, etc. Uma vez fui na Holambra (perto de Campinas) já com meu marido holandês e voltamos com o carro cheio de plantas vasos de cimento, parecia a Amazônia, e assim comecei a virar holandesa de verdade, ainda no Brasil.
esses bulbos de tulipas comprei em outubro do ano passado, era pra ter plantado até janeiro, plantei em março, fazer o que?
o que não páro de comprar é terra fertil pra potes e canteiro, tudo na base da bicicleta
se eu pudesse compraria potes maiores, mas é impossível carregar na bicicleta


Na Holanda minha vida mudou, sempre morei em casa, aliás no primeiro ano num prédio de 300 anos todo reformado com 2 apartamentos, mas não prédio moderno e tinha um terraço na parte de trás que dava para outros terraços e telhados antigos da minha cidade.

Se pudesse teria uma casa enorme com um jardim maior ainda. Mas é muito difícil morar no centro da cidade e ter um jardim grande, devo me confessar afortunada e grata.

Eu tenho pátio nessa casa nova, e estava completamente 'careca', tenho menos sol que na casa anterior, ele não cobre o pátio todo, mas na primavera começa a ficar ensolarado parcialmente às 10 da manhã e lá pelas quatro tenho ainda um restinho de sol, sendo que o sol aparece mais na parte da frente, no térreo, no primeiro andar, e no segundo...mas também não dura muito tempo por causa do prédio antigo e razoavelmente alto na frente do meu, ou seja, eu tenho que ser feliz no horário que o sol brilha no quintal e quando não brilha, também não acho ruim, pois às vezes na Holanda tem uns dias quentes demais, e aqui o calor é abafado, difícil de explicar pra quem não conhece valor desses insuportáveis como na região amazônica.
também no supermercado eu compro umas plantinhas que não duram muito, mas alegram os meus dias...
tinta pra madeira de exterior, comprei a cor Quenia, cheguei em casa achei muito 'cheguei' ai misturei  com preto e deu o tom correto do vermelho que queria, e dá-lhe fita crepe
A primeira coisa que me deixou incomodada era a cerca, que estava pintada de marrom...pintei de verde e as colunas de vermelho, dando um ar um pouco exótico, mas é muito melhor olhar pro verde do que pro marrom, dá já a impressão de natureza. O verde descansa os olhos.

Semanas atrás plantei as duas primeiras roseiras, na parte de trás, e tenho vários potes com tulipas, plantei também tulipas no chão, e tenho vários hibiscus plantados na casa velha em potes que trouxe. Sábado passado fizemos um canteiro na parte da sombra e plantei 5 tipos diferentes de plantas e flores, e comprei mais 5 lavandas, duas serão plantadas entre as roseiras. E 3 foram plantadas no canteirinho pequeno da parte   fronteira da casa, junto com 5 roseiras e dois arbustos...
Minha idéia é ter uma pergola então plantei as duas roseiras com uma certa distância para que no futuro possa colocar a pergola e as roseiras poderão crescer acompanhando a pergola, se bem que as rosas que comprei não são altas, dizem a etiqueta. A variedade de rosas e nomes é absurda.

essa cadeira ainda quero lixar e pintar, talvez de branco...ai alguns apetrechos de jardinagem
esse canteiro da frente tava um desastre, os cachorros faziam cocô aqui, e tive que remover  o cimento em pó de vários centímetros de profundidade, achei cobras e lagartos e muitos tijolos, pronto pro plantio.
O que mais me deixa feliz, é trabalhar com a terra, levantando chão, de joelhos, tenho luvas e vários apetrechos de jardinagem, adoro tirar ervas daninhas, e meu namorado comprou um pulverizador porque as ervas daninhas tomam conta no meio das lajotas. Você arranca, dá uma chuvinha e lá elas crescem novamente, na verdade eu não tenho tanto problemas com elas, mas se deixar fica mesmo um 'matagal' e estraga o efeito estético de tranquilidade, como se algo tivesse incomodando o ambiente, infelizmente vivemos em cidades, onde o cimento assassinam as pobres das ervas daninhas, na verdade as cidades e seus cimentos é que são daninhos.

Apesar do quintal ser pequeno, vejo um potencial bem grande nele...ainda quero plantar umas clematis (trepadeiras com flores grandes lindas) e tenho mais duas roseiras que não resisti e comprei, procurei ficar dentro das cores: vermelha e branco, se bem que comprei uma roseira rosa pálido, porque simplesmente adoro.
adoro regadores vintages, gaiolas de passarinhos, casinhas de passarinhos, e anão de jardim...tenho que comprar um novo, porque abandonei o anão na casa velha
com sol tudo fica mais bonito, e 'caliente'
um lugar 'no' sol
essa é a pergola que eu quero ter no futuro, mais uma cadeira de balanço, e  uma mesa de pic nic
esse é o canteiro novo, eu removi as pedras e plantei o Jurgen fez o arremate, ficou bom.
ainda vou comprar mais terra e plantar mais algumas plantas já cultivadas
nada como olhar pra diferentes tons de VERDE que te quero verde
O que mais me deixa triste, ou diria, frustrada é que não posso plantar árvore, porque ocuparia muito espaço e daria sombra, e sombra eu não quero, então tenho que me contentar em olhar as árvores dos vizinhos e da rua, mas isso não chega a ser um problema, porque não preciso ter uma árvore pra chamar de minha, já tive, fica pro meu sonho, e ter uma árvore em espaço pequeno, também não funciona.

mais duas roseiras...que serão plantadas nesse final de semana
Plantas, flores, exigem um cuidado bem grande, não dá pra usar a varinha de condão, é na verdade um hobby, tem que gostar de fazer.
Sou amadora ainda...mas a cada ano aprendo ainda mais como plantar, onde, quando e os cuidados que devo ter em todas as estações.
Ficando de fora as plantar de interior...mas o que eu acho mais importante, é ficar mexendo com isso, esqueço completamente de tudo ao redor, só páro para uma pausa pra beber um bom chá e colocar as pernas pro ar, uma terapia e tanto, já que sou uma pessoa super mental, e isso me acalma muito.

O resultado demora anos, eu sei que esse meu quintal é até uma piada pra quem realmente tem um JARDIM, mas pouco importa o tamanho agora, o importante é que nas próximas primaveras e verões, eu tenha verde e cores pra olhar e tempo pra sonhar, ler, fazer nada, somente colher os frutos de um pequeno trabalho.
E nas próximas estações frias de outono e inverno estarei ocupada no resto da casa, fazendo uma mudança aqui e ali, escrevendo, na internet, cuidando dos meus queridos filhos que também como eu, tiveram uma infância em casa, não tão grande como a da minha infância, mas o país inteiro é um grande JARDIM na primavera, e esse pertence à todos.







Monday, April 11, 2011

Dicas pra simplicar a vida, quem não quer?


Quer simplicar a sua vida?
Aliás, quem não quer?
Eu quero, e é sempre bom lembrar de alguns itens dessa lista, pra não cairmos em armadilhas e principalmente vivermos a nossa vida, como realmente sonhamos e queremos na realidade.




Tchau querida!

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as gue...