Tuesday, December 27, 2011

Presente: 27 de dezembro 2011




Só o Presente é Verdadeiro e Real"Um ponto importante da sabedoria de vida consiste na proporção correcta com a qual dedicamos a nossa atenção em parte ao presente, em parte ao futuro, para que um não estrague o outro. Muitos vivem em demasia no presente: são os levianos; outros vivem em demasia no futuro: são os medrosos e os preocupados. É raro alguém manter com exactidão a justa medida. Aqueles que, por intermédio de esforços e esperanças, vivem apenas no futuro e olham sempre para a frente, indo impacientes ao encontro das coisas que hão-de vir, como se estas fossem portadoras da felicidade verdadeira, deixando entrementes de observar e desfrutar o presente, são, apesar dos seus ares petualentes, comparáveis àqueles asnos da Itália, cujos passos são apressados por um feixe de feno que, preso por um bastão, pende diante da sua cabeça. Desse modo, os asnos vêem sempre o feixe de feno bem próximo, diante de si, e esperam sempre alcançá-lo.
Tais indivíduos enganam-se a si mesmos em relação a toda a sua existência, na medida em que vivem ad interim[interinamente], até morrer. Portanto, em vez de estarmos sempre e exclusivamente ocupados com planos e cuidados para o futuro, ou de nos entregarmos à nostalgia do passado, nunca nos deveríamos esquecer de que só o presente é real e certo; o futuro, ao contrário, apresenta-se quase sempre diverso daquilo que pensávamos. 
O passado também era diferente, de modo que, no todo, ambos têm menor importância do que parecem. Pois a distãncia, que diminui os objectos para o olho, engandece-os para o pensamento. Só o presente é verdadeiro e real; ele é o tempo realmente preenchido e é nele que repousa exclusivamente a nossa existência. Dessa forma, deveríamos sempre dedicar-lhe uma acolhida jovial e fruir com consciência cada hora suportável e livre de contrariedades ou dores, ou seja, não a turvar com feições carrancudas acerca de esperanças malogradas no passado ou com ansiedades pelo futuro. Pois é inteiramente insensato repelir uma boa hora presente, ou estragá-la de propósito, por conta de desgostos do passado ou ansiedades em relação ao porvir. "

Arthur Schopenhauer, in 'Aforismos para a Sabedoria de Vida'
 

Wednesday, December 21, 2011

Arrependimento e perdão

Muitas pessoas falam sobre: eu me arrependo disso e daquilo. O que seria se arrepender de experiências, escolhas passadas que não se pode mudar?
Tem gente que se arrepende de ter seguido um certo estudo, outros de terem tido um relacionamento que acabou e deixou feridas ainda não cicatrizadas, outros de se mudarem de cidade, de estado, de emprego, de casa, mas as pessoas esquecem que naquele exato momento e situação, era algo que se queria.
Se arrepender, esquecer (desapegar), se perdoar, é aprender a lição até certo ponto. Pra mim é escolha não se arrepender, e porque no último mês ter lido sobre dois amigos que mencionaram o assunto em blogs, eu quero dar a minha opinião e visão sobre essa palavra e suas irmãzinhas, remorso, frustração, sensação de infelicidade, e a não valorização de experiências da vida, falta de apreciação à nossa vida (atual), insatisfação.

Agora deixa eu contar como lido com essa palavrinha, arrependimento sempre soou uma palavra estranha pra mim, se arrepender é o juízo presente de uma atitude tomada no passado, a constatação do erro (irremediável ?), a dor da consequência, a sensação que na nossa vida em algum momento no remoto passado pudesse fazer com que o nosso presente fosse mais feliz ou diferente, dando assim outro rumo (ao nosso presente = negação do atual), ou seja, talvez fôssemos uma pessoa completamente diferente (o que também não existe). Nutrir arrependimentos é achar que erramos e que o erro é ruim, é deslocar o (suposto) erro (que num determinado ponto era acerto, ação, atitude tomada = passado). Isso pra mim soa estranho porque por mais que hoje em dia se saiba que não agimos corretamente todos os dias do passado, o erro = aprendizado, era essa a nossa intenção naquele momento a agir daquela exata maneira, a tentativa de acerto, ação.  A vida é uma ininterrupção de acertos, erros, lições, prejuízos, danos, mais erros, mais acertos...acredito que até a velhice, mas é muito mais do que isso, é busca à felicidade plena e autêntica, que significa basicamente estarmos confortáveis com nossas ações, atitudes, ou seja, nos apreciarmos de todas as formas, apreciarmos ser quem somos e nossa vida.

Uma das coisas na vida que procuro estar atenta e consciente é de fazer o uso ou não de palavras, que muitos sabemos possuem uma força poderosa, tanto para o bem como para o mal. Claro que às vezes me pego falando umas bobagens, mas a minha educação foi de não usar determinadas palavras tidas por minha sábia mãe como palavras negativas.
Desde pequenos aprendemos muitas palavras, mas ignoramos o valor real do significado dessas palavras na prática, na nossa vida prática, às vezes as palavras são bem óbvias, e simples e ficam enraizadas na nossa mente, porque afinal já (achamos) que sabemos o que ela define. Muitas vezes papagaiamos definições sem nos darmos conta, do verdadeiro significado, eis minha reflexão.

Muitas vezes na minha vida segui minha intuição, outras vezes nem tanto, errei muito e acredito que continuo errando, a vida é uma escola contínua, não precisamos obter notas, mas devemos sempre ter em mente que arrependimentos não ajudam em nada à evitar cometer erros futuros, é torturar o presente, é bloquear a essência e dinâmica da vida, ao invés de evitar cometer esses erros (que certamente virão), devemos aprender a lição do perdão, da auto-apreciação (mesmo com esse erro tal erro do passado).

A mente precisa estar alerta, é preciso entender a lição,  usar de sinceridade, com quem? Consigo mesmo ora bolas.

Precisamos parar de achar que o passado poderia ter sido diferente "se"..., não é, isso gera insatisfação, e uma vida miserável, à quem queremos agradar afinal?

Voltar atrás ninguém pode, se arrepender na minha opinião é desperdício de energia, se eu pudesse voltar atrás...faria isso/aquilo diferente, muito bom, mas isso também não existe, só em conversa entre amigos. A vida precisa ser vivida no presente, tudo que aconteceu conosco no passado, faz parte do passado e melhora nosso presente, e até se nos arrependermos de algo, paciência já virou passado, não poderá ser mudado, e creio que sempre acontece algo em nossa vida  do qual não gostamos, que gostaríamos que fosse diferente, não existe nenhum ser no mundo que tenha tido uma vida perfeita, sem erros, sem dor, e até sem 'arrependimentos', mas como lidamos com isso é que faz a diferença.

Se num momento X da vida, tomamos uma decisão (atitude) Y...e hoje nos arrependemos (erro), devemos saber que esse "erro" foi de certo modo um acerto, pois só através do erro, de experiências das mais variadas, da conscientização, conseguimos nos perdoar, seguir em frente e acertar cada vez mais (crescer e amadurecer), através de uma filosofia de vida baseada na sabedoria, nas profundezas da alma e do auto-conhecimento, pois aprender a se perdoar também é uma lição e das mais valiosas. Já associei, a palavra arrependimento com experiências não vividas, não escolhas supostamente erradas, mas mesmo assim não vejo isso como verdadeiro, isso é algo que li, que me disseram, e que estou nessa fase em minha vida tentando desaprender, pois como se pode se arrepender de coisas que não se faz? Se não fizemos "nada", que supostamente é alguma coisa, que "deveríamos" ter feito no passado, não seríamos quem somos hoje. Lógico, se a criatura está insatisfeita com a sua própria vida, é outro assunto.

A vida é um grande tricô, uma rede, está toda entrelaçada com nossas escolhas, nossos relacionamentos familiares (nosso histórico), nossas tentativas de acerto, nossos relacionamentos no ambiente em que vivemos (amigos, conhecidos, comunidade, cultura, etc) nossos medos, nossos sonhos, nossas ações no passado, lições aprendidas, e principalmente com nosso pensamento e interpretação perante as coisas, a própria vida, as mudanças internas, o passar das horas a compreensão e aceitação das coisas serem como são.

É uma questão de escolha (pessoal) não usar a palavra arrependimento deliberadamente, a não ser quando se faz um mal à alguém, volto o pensamento atrás e digo: causei o mal à Fulano, e não quero fazer novamente, me vinguei do Sicrano, hoje eu não faria igual, pisei no calo, me alterei, usei "drogas", bebi demais, hoje modero. Aí entra a lei de causa e efeito, causamos e o efeito vem, é uma lei universal como várias outras, carma. E todo carma começa com um pensamento transformado em ação, a não ser que a pessoa acredita em vidas passadas, em carmas imutáveis e outros limites da mente e prefere colocar a "responsabilidade" na vida passada, na família em que nasceu, no pai, na mãe, na sociedade, no governo, na economia, no mercado, nas ações da bolsa, no laudo médico, nas circunstâncias em geral... e por ai afora.

Quer a pessoa na vida, possuir arrependimentos o melhor remédio é erradicar no fundo do coração essa palavra do vocabulário o mais breve possível, que como já citei, é uma palavra torturante...e proferí-la por si, significa que ainda não desapegamos dela, continuamos no nosso presente com a mesma à tiracolo, ela está lá invisível, mas pesa, e carregar algo pesado é desgastante e cansativo.


Desapegue, desapegue da culpa, portanto, desapegue do arrependimento. Viva uma vida daqui pra frente, escolha viver desse modo, é uma escolha, ou pelo menos eu fiz essa escolha, aprenda com o passado, agradeça ao passado, a máquina do tempo não foi inventada, é muito romântico a idéia do Super Homem voltar no tempo e salvar a namorada, dar aquela voltinha mudando a rotação da terra. Ele pode, é ficção.
E quanto a nós, devemos seguir em frente na nossa realidade, olhar de vez em quando pro céu estrelado, esquecer da terra, apreciar esse céu, apreciar as incontáveis estrelas.
Feliz 2012 à todos nós!







Thursday, December 8, 2011

Y o g a



Voltei a praticar yoga diariamente, aliás retomei às asanas (mais conhecidas no Ocidente como posturas/posições), pois mesmo não as praticando por longos meses, sempre soube que a prática e conhecimento sobre os assunto me daria a chave ao meu bem estar diário, físico, mental, espiritual,  algo que veio pra ficar na minha vida (em forma de cura), enquanto eu estiver pisando nesse mundo, e respirando esse ar. A continuidade que a disciplina requer, não é tarefa fácil, é preciso lutar bastante pra manter o foco, pois no meu caso, yoga é também um ritual, o meu ritual pra me manter perto de minha consciência. Pranayama eu nunca deixei de praticar, mas sem minha sequência de asanas, que considero um ritual redondinho, minha prática andava neglicenciada e incompleta, já estava mais do que na hora, de criar um momento pra mim, e felizmente consegui.

Obviamente já sinto os benefícios da prática que retomei, e um deles é...me desligar de tudo que me atrapalha, que impede meu desenvolvimento pessoal, emocional, aquelas 'desculpas' que se arranja pra continuar colocando a culpa de nossos fracassos e frustrações nos outros, de não ir atrás de nossos objetivos, sonhos,  as presepadas que a mente encontra pra colocar no destino (acomodação), nas circunstâncias (meio), a responsabilidade de nossa felicidade autêntica, do nosso bem estar, do que nos faz feliz,a preocupação demasiada, problemas aumentados e por ai vai. Esses benefícios, percepção de que nossa vida deve ser desenhada por nós mesmos e independe de pedras, tijolos, concreto, jogados diariamente em nossas cabeças que nos trava, vêm do treino, estudo, aprendizado, e como já frisei bem, lições não aprendidas são repetidas ao longo da vida, problemas vêm e vão, e a chave é solucioná-los e ter mais qualidade de vida, sorrir mais, ser mais leve, não levar a vida a sério demais, mas mesmo assim ir a fundo.

Parece simples demais, ou talvez eu coloque a coisa simples demais, mas ter disciplina já que o ritual é diário, não é lá tarefa simples, arrumar tempo, ter espaço, a idéia de parar (a correria do dia-a-dia) e mexer o corpo, tem na preguiça pra qualquer atividade física mascarada nas formas mais sutis, a preguiça é a vilã, vencer a preguiça é um grande feito, a recompensa é um corpo mais flexível, o óleo na engrenagem e todos os benefícios que citei acima, e uma força fantástica.

Uma mente alerta e saudável, um coração aberto, um corpo flexível, qualquer pessoa quer ter, porque é possível e é a chave pra vitalidade e uma pessoa feliz que prefere se acercar pelo belo, pelas artes, pela verdade, percebe mais as ilusões e armadilhas que aparecem no caminho, e separa mais as coisas (nesse caso a sujeira não pode ser colocada pra debaixo do tapete), não existe tapete, temos que varrer as imundícies, temos que cuidar de nossa casa, de nosso corpo, todos os dias, cada dia é um novo dia, um papel em branco a ser desenhado) e ninguém pode fazer isso pela gente, ninguém pode respirar pela gente. Sabendo o que já não funciona mais em nossas vidas, o que é cópia, não corremos mais riscos de repetição de experiências ruins do passado, nossa mente se fixa mais no presente, e não precisamos temer o futuro (que ainda não existe).

No meu caso pessoal, eu sou e sempre fui uma pessoa de natureza questionadora, uma estudante, apesar de ter me permitido errar e me perdoar por isso, eu sempre tento aprender a lição pois quero aprender coisas novas (não ficar martelando na mesma pedra), viver intensamente, me alegrar com as coisas que faço, me orgulhar de minha pessoa, de minhas façanhas, me apreciar e me conhecer mais a fundo, não somente apreciar a forma, pelas palavras, mas pelo conteúdo e pela energia e maneira leve de viver a vida. Yoga ajuda a derreter a energia negativa que muita vezes fazem um ninho no nosso ser e se instala como um parasita voraz e vai virando uma cidade habitada por monstros.

As asanas (posturas) na yoga, preparam o nosso corpo, nos purificando para atingir esse (tal) nível (espiritual, o nível meditativo, o nível abstrato e metafísico, o nível da alma) mais alto/elevado, que até seria melhor dizer: mais profundo, nos proporcionando uma energia vital, ativando essa energia vital, somos menos propensos a cair em armadilhas das distrações, ou seja a disciplina que parece ser uma palavrinha horrorosa e obrigatória, trabalha a nosso favor, como uma dependência positiva: praticar pra se sentir bem, não praticar (se por acaso acontecer algo), mas continuar no dia seguinte, sem se culpar, seguir em frente e não perder o ritmo, os ladrões nunca adormecem.

Temos um corpo e não podemos negar, temos que conviver com esse corpo até o fim dos tempos, em toda nossa vida, é ele que temos, nenhum outro, cuidar bem do corpo é essencial, mens sana in corpore sano, termo batido e conhecido por todos, mas não somos só músculos, pele, somos também órgaos, glândulas, células, água, sangue, lado direito e esquerdo do cérebro, energia, e muito mais, há um universo dentro de nós. Evitar doenças, somatização, ouvir sutilmente os sinais que o nosso corpo nos manda (dores aqui ou ali)...na verdade, todos os dias envelhecemos gradativamente, é um fato e muitas vezes não percebemos esses sinais, mas há uma diferença bem grande em negligenciar os cuidados pra retardar o envelhecimento que sacrifica e aprisiona o corpo rígido, sobrecarrega e enverga a coluna vertebral, nos sugando dessa energia (renovada) vital.

Eis os componentes de meu ritual diário, mas não aconselho à ninguém praticar yoga em casa como faço, mas friso que é possível, aprender em um curso com um professor/instrutor experiente, e depois de alguns anos, ou até meses, começar por si, com ajuda de experiência (na escola/curso), e de livros, ou sites na internet como fiz, gradativamente, uma coisa puxa a outra.

- Normalmente faço yoga com o estômago vazio, jamais vazio demais, ou com sede.
- Gosto de fazer yoga pela manhã, porque me energiza o dia inteiro.
- Tenho vários tapetinhos de borracha = mat (uso 2, pra evitar o contato com o chão gelado).
- Uso uma legging (cotton/lycra) e um top (cotton/lycra), nada apertado...que se ajusta no corpo, assim posso ver bem a saliência da minha barriga, do estômago quando faço asanas de respiração, de pés descalços é melhor, mas os tapetinhos de borracha não podem escorregar no chão, pra evitar acidentes.
- Temperatura agradável (aquecimento central ligado no outono/inverno).
- Incenso...de aroma agradável (cada pessoa possui gostos diferentes, tem gente que não suporta incenso, eu procuro comprar os mais naturais possíveis, não aqueles cheio de tintas).
- Música, tenho vários CD's de música pra Yoga, Tai Chi, Zen...e 2 deles são meus favoritos, música nunca muito alta, de fundo, flui melhor.
- Não preciso de espelhos, que tira a concentração do núcleo, e cuida apenas da forma (não é o caso), pois yoga não visa perfeição (não é acrobacia nem ballet), há pessoas que são mais maleáveis qua as outras, todos os corpos são diferentes, e nunca se comparar à pessoas com mais de 20 anos de prática, é um passo pra frustração, cada pessoa começa a praticar yoga com um propósito tais como: relaxamento, auto-cura, dores no corpo,  como anti-depressivo, ponte para meditação, cura para algum mal qualquer, encontrar seu próprio eixo, ter mais contato com sua essência, ter mais qualidade de vida, etcetera.

O início da sessão: faço um aquecimento (praticamente o mesmo que aprendi no curso de Hatha Yoga), e sigo minha intuição, se tenho alguma dor nas costas ou joelhos não forço em fazer asanas que exigem um pouco mais dos joelhos e costas...o aquecimento é muito importante pra iniciar a sessão de yoga.

Depois do aquecimento faço asanas em pé (procuro variar todo dia, e não sigo sequência rígida), sigo também a intuição, a criatividade vem da experiência, faço asanas de equilíbrio, depois sento...faço torsões, e várias asanas deitadas, sentadas, inversões, medito alguns minutos (nunca conto e nem sei quanto), e continuo fazendo as asanas depois da meditação, até o final. Confesso que tenho pulado uma parte bem importante antes do final que é os 10 minutos de relaxamento (deitada na posição corpse, luz apagada, e olhos fechados e com um cobertor leve, pois a temperatura do corpo (trabalhado) declina, e o fechamento (como se fosse a despedida da sessão/ritual).

Esse é o meu ritual, acabando com a saudação Namaste.

Próxima vez que escrever sobre yoga, postarei os livros (fontes) que adquiri e fazem parte da minha pequena biblioteca de yoga, os quais considero muito importantes até hoje me inspirando a seguir sozinha essa jornada aprofundando mais meus conhecimentos nessa prática.