Sunday, April 27, 2008

Atonement


Já que eu não posso ir ao cinema, o cinema veio à mim.

Peguei os DVD's de Atonement, Eastern Promises e Bee Movie nesse final de semana.
Mas vou colocar umas palavrinhas sobre o Atonement.

- Papel de parede da casa, coisa mais linda, aqueles papéis de paredes ingleses de motivos florais, que antes eram pintados a mão, minha amiga Ade tem uns na casa dela, sublime, não combina com a minha casa, mas que é viajante é, e o decor era perfeito, deitei na grama com as meninas, meditando assim ...sem precisar ser hippie, pô aquela Asana se chama corpo morto.

- Figurino fantástico,perfeito, até o uniforme das enfermeiras, aquela capa bicolor, aquele vestido de noite daquele verde lindo, e muito cigarrão...bem estilo início do século passado, o maiô dela, só que ter que nadar naquela fonte e naqueles lagos cheios de limo, plantas foi uó.
Fora que no início era um papo, gostei da sua calça...comprei quando fui assistir Hamlet, tá meu bem?
E o sapato que se tira um molde de madeira que dura a vida inteira...é pra quem pode.
Morde o chocolate, morde!-, diz o pedófilo magnata.
Rico ri a toa.

Amo, amas amat essa é a vantagem da língua portuguesa, o latim e quero arranjar pedaços do James McVoy desde o seriado Shameless, quando ele ainda não era tão requisitado no mundão, mas já tinha em UK muita experiência, fiquei sabendo tudo tudo desse ma-ra-vi-lho-so garoto, e claro tenho um fraco por britânicos.
Fiquei meses apaixonada por ele em Shameless (seriado que passou na TV dois anos atrás), sério até visitei o forum do fan clube nesse site dele, mera mortal.
Eu sabia que ele prometia, só espero que ele não vire um suflê amanhecido em Holywood...mas acho que não, o cara tem talento, cara, corpo e pode escolher e não vai escolher porcaria.
Passa aqui em casa que eu também vou lavar os seus pés, lindo.

Já a Keira tá linda naquele vestido verde, e também claro com aquele corpo e cara aristocrática e garota sabe tudo até é a contratada da Chanel pro Coco Mademoiselle, que eu ganhei das minhas amigas Beth e Estefânia, o Eau de Parfum, finas.

O drama é comovente e deu pra ver duas vezes...não chorei porque teve um final feliz, sendo infeliz e porque sei que o James tá vivo.

Quem não viu, precisa ver!
Amor impossível são os melhores, meu e do James.
Sniff.

Monday, April 21, 2008

Domingo de imagens


Finalmente pude fazer nesse final de semana passado o programa que mais gosto.
No sábado dormir até tarde e não ser acordada por nenhum barulho de telefone e nem sino de igreja, e no domingo fazer um passeio em Amsterdã, sem compromisso social, nada de aniversários, festas aqui ou ali, afsprakjes(encontros marcados anteriormente), liberdade total...agenda deixada em casa.

Eu e P. fomos ao Stedelijk Museum(Museu municipal de Amsterdã), ver a exposição dos 60 anos da Magnum, antes que fosse tarde demais, pra quem se interessa por fotografia com conteúdo, social, político, jornalístico e de excelente qualidade vejaaqui.

P. é um excelente fotógrafo, uma das razões que fiquei fascinada por sua pessoa e seus lindos olhos azuis(que ele jura que são verdes), mas ultimamente está mais engajado com o site informativo pelo reconhecimento do Genocídio dos Armênios pelos Turcos (Império Otomano) em 1915 na época da Primeira Grande Guerra, é uma pena pois o gancho de nosso relacionamento foi porque eu gostei muito do website que ele tinha, percebia um estilo à la nosso Sebastião Salgado, que também pertenceu a Magnum, mas depois galgou vôos maiores e individuais e o P. uma pessoa com idéia humanista plenamente ilustrada pelos portraits em black&white feitos por ele.

Gostei muito de ir a exposição e ver a diversidade e a nobre filosofia coletiva da Magnum, não sou muito ligada em conhecimentos técnicos de fotografia apesar de ter feito um curso de fotografia do SEnac que estava no currículo do segundo grau (Desenhista de Publicidade), e também na Faculdade dos Meios de Comunicação Social/PUC que prestei o curso de Turismo no século passado em Porto Alegre, aliás eu gostava mais de todas cadeiras que não propriamente se referiam a turismo, e fotografia sempre foi uma delas, mas como fotógrafa morreria de fome, gosto de movimentos e palavras.


De quebra comprei um poster da exposição anterior do Andy Warhol, como revanche de tê-la perdido...Mas eis que num momento de conflito de opinião, P. me deixou no museu porque ele começou a dizer A e eu comecei a dizer Z.

Quando percebi que estavam comigo os dois tickets do trem ida e volta (Leiden - Amsterdã - Leiden) sai do museu pensando com os meus zíperes, e nisso um menino (da faixa dos 20 anos, no máximo) me pede fogo, me desconcentrando.
E começou a perguntas, se eu era francesa, da onde eu era...fico toda feliz quando vem alguém dessa idade e mostra interesse, quem não ficaria, significa que a minha teoria do invisível* ainda não chegou. Segundo, ele é marroquinho, nasceu aqui mas não se sente holandês, apesar de ser todo "cool" ocidentalizado, e um pouco diferente dos marroquinos que conheço. Falou que adora o Marrocos e vai todo ano pra lá, nas férias de verão (julho/agosto), e que tinha um amigo que morava em Natal no Brasil, e fala que os brasileiros são muito simpáticos como povo.
Bom, quem não gosta de ouvir palavras assim de um fofo com t-shirt cor de rosa bebê.
Fomos caminhando juntos e conversando e contei pra ele sobre o museu e a diferença de opinião com o meu namorado, e que não era a primeira vez mas que estava com os tickets do trem.
Ele disse:

- Liga pra ele.

Eu respondi:

- Não porque ele com certeza não vai atender o telefone.

Nisso avisto meu querido novio(parafraseando uma amiga drag em Madri, a ex-Nika Paris) sentado encima de um muro lendo um jornal, e me despeço do menino, só que a velha aqui ainda é do tempo de dar a mão, e ele deu o punho cerrado naquele cumprimento hip hop/rap...hahahaha, é nessas horas que eu percebo que estou quase dobrando o cabo da Boa Esperança.

E como o dia estava mais para sorvete do que café eu e P demos um passeio a pé pelo centro, coincidentemente na praça Dam P. avista uma amiga minha, o marido e a filha Maya, batemos um papinho e seguimos em frente.
Lu minha amiga, é a mentora do projeto Coisas do Brasil junto com o marido holandês Niels, as mesmas festas SORRIA, que eu às vezes trabalho ou vou.
É impressionante que quando tem sol na Holanda, as pessoas querem aproveitar o máximo possível na rua.

Passei pela frente da livraria Gay&Lesbian Vrolijk e não pude deixar de entrar, pegar um mapa gay da cidade e bater um papinho com o simpático vendedor de nome Erik e jogar uns confetes na loja, que está cada vez melhor, livros, DVD's, CD's, cartões, assinaturas de autores, debates, super.
Descobri essa loja há anos atrás, na segunda vez que visitei Amsterdã e desde então é um dos meus pontos favoritos.
De quebra Erik também me deu uns marcadores de livros lindos.

Demos mais algumas voltas pelos canais, apreciando a paisagem urbana, e paramos no Ovidius perto do Magna Plaza pra tomar um café au lait (café olé) hehehe.

Na volta de trem para casa, escolhemos um lugar vazio... eis que antes de partir sentam ao nosso lado, 4 torcedores do time AJAX com latas de cerveja na mão, sim com aquelas caras assustadoras de hooligan, ui e bafo de pinga.
O marmanjo que sentou ao meu lado, me ofereceu um gole da sua Bavaria - como se eu bebesse cerveja e quente...e ainda de estranhos, argh!
Aproveitando para dar uma lida num Herald Tribune - tem sempre jornais e revistas de grátis jogada pelas pessoas nos trens, que vem de outros países ou vão, vide que Leiden (minha cidade) é caminho do Aeroporto de Schiphol, há sempre trem...até nas madrugadas, vantagem de morar em Leiden, e mais vantagem ainda de morar no centro de Leiden...consegui ler um pequeno artigo que questionava se você adicionaria seu chefe na lista de amigos do Facebook e MySpace.

Eis que no papo dos carecas de camiseta vermelha (leia-se torcedores do Ajax), eles começam a falar mal do goleiro do PSV(outro time aqui na Holanda), onde já jogaram Romário, Ronaldinho e agora o excelente goleiro Gomes, típica observação de torcedor derrotado se auto-consolando.

Esse tal de Gomes é muito bom, eu acho que é aqueles novos talentos que são vendidos pro exterior, depois de encher o cofrinho, e ter experiência com outros tipos de estilos de futebol, voltam pra casa e são selecionados para a próxima seleção.
P. que estava a minha frente, e pressentindo a minha reação...quando eles falaram palavrás grosseiras, rudes por puro despeito e de baixo calão, olhou para mim pensando:
"Como será que ela vai reagir"...

Eu não lembro mais como começou o papo, mas certamente de uma maneira muito irônica e bem humorada de minha parte, desisti profissionalmente de futebol aos 17 anos mais ou menos, meu fanatismo iria me causar um ataque cardíaco, quem é de cidade média como eu onde somente dois times de primeiro escalão existem, deve saber sobre o que estou falando.

Trocamos afinidades, pois justamente pela derrota do meu time o Grêmio contra o Ajax em Tóquio em 1995 pelos penaltis, fez com que eles citassem minha cidade Porto Alegre, e até a nossa bandeira tricolor (preto, branco e azul).
Grêmio colocou Porto Alegre no mapa, antes do Forum social mundial.
E assim é o sport, coloca indivíduos e bandeiras na spotlight, e alguns jamais serão esquecidos, digo, as cidades, os times, alguns atletas, e as paixões por determinado esportes que fazem o sangue ferver nas veias, esses momentos de pura emoção, ninguém esquece.

Logo vai começar as Olimpíadas na China, logo vai começar a copa européia de futebol (adoro), que é super interessante. Não sou aquela fanática mais, mas em vi xingando o adversário do meu filho no último torneio de judô e judô não é futebol. Apesar de que muitos falam, o esporte e a música a meu ver, unem mais as multidões e as pessoas do que separam, já a religião e a política é diferente, mas claro basta ter um senso esportivo (saber perder), e se ganhar...não a superioridade temporária com sabedoria.

No final nos despedimos dos trogloditas...viraram meu amigos de infância por alguns momentos, simpáticos, gentis...elogiaram o meu holandês e no fundo eram rapagões bem educados, falamos do calvinismo holandês, do Wilders e seu filme que eu ainda não vi, e outros assuntinhos políticos que era mais campo para P.

Um domingão sem Faustão.


* Teoria que evidencia que quanto mais velhos em idade ficamos, mais invisível nos tornamos aos olhos dos outros mais jovens, principalmente de estranhos.

Friday, April 18, 2008

Eu amo vintage


Eles também.

Ontem mesmo comprei um boneco Bendos, detector de metal, pra colecionadores, achei como quem não quer nada numa "Kringloopwinkel" (lojas de artigos usados de tudo quanto é gênero). Você pode montar uma casa, até, ou esvaziar a sua.

Cheguei em casa dei pro meu filho.
Ele olhou e disse:

- Pra que eu quero isso?

(Será que não puxou a mãe)- pensei.

- Ah! É um robô legal, filho....no fundo sabia que o brinquedo era pra mim.

Adoro vintage, e gosto um pouco de kitsh e retrô.
Que saco, tenho que me cuidar, curar desse vício, vivo comprando cada coisa, daria pra montar um bom bazar, um dia minha casa explode.

Será?
Cada vez que vejo um poster, desenho, móvel, objeto de design do meu gosto, roupa, padronagem tecido antigo, geladeira, rádio, óculos...carro, Seleções reader's digest, brinquedos, revistas, livros, tem mais???, fico doidinha da silva.

A medicina não resolve, e acho que nem quero...me empanturro de pílulas, que prometiam curar essa tendência consumista, e nada.
Bric a brac, mercado das pulgas, feiras de antiguidades, mercados de rua...brechós.
E até objetos achados na rua.
Aqui em Leiden tem a Weggeefwinkel uma iniciativa e projeto da Eurodusnie, não confundir com Eurodisney, uma loja que é tudo de graça, onde você leva o que não quer mais, impressoras velhas, computers, roupas, livros, aparelhos de ginástica, ski, raquete de tênis, e tudo o mais, mas sempre se acaba achando algo que não precisa e vai além disso, eles são ativistas e levam o projeto a sério, tem também um café, sala de cinema, e o lema é: Het geld maakt het leven kapot ( o dinheiro estraga a vida), são de esquerda e possuem uma fundação.

Minhas antenas estão sempre ligadas nesse fuça fuça.

H2O puramente Lacroix


Tenho sede.
Sempre tenho sede, e bebo pouquíssima água.
Sou uma daquelas pessoas que sabem que água é crucial, fundamental, essencial pro bom funcionamento do corpo, faz bem pra saúde a pele, dexintoxica o organismo (detox) etcetera etcetera etc.
Aliás detox parece nome de droga, né?
Coloco sempre uns bilhetes na cozinha, "beber água" Bebete, beber água!!!!

Mas quando vejo, esqueço de ler o bilhete.
Tem dias inteiros que bebo de tudo, menos água.
Me lembro de um deserto, nunca estive, mas talvez noutra vida...um cantil seco, sem nenhuma gota, um oásis, e tudo que devo fazer aqui na "terra" é abrir a torneira, pegar o copo, e mesmo assim, fico oscilando e deixo pra depois.

Eureka!

Agora vou comprar água, como se compra coca, pepsi...cerveja, vinho...
Comecei pela água "Bar le Duc"(que nome ridículo diz meu filho).

- É nome da fonte fofo, em francês, (Bélgica ou França) wherever, tem gotas de limão, o limão lima, não o limão verde. Assim fica mais fácil de entrar guela abaixo, não fica com gosto de sonrisal ou água da "pena".

Depois de dois meses, enjoei, tento outra marca...no supermercado do dia-à-dia, não tem lá muita variedade.


E penso, quem sabe a Evian, porque a Spa do Reine também é manjada e aqui na Holanda é até sinônimo de água normal.

- O que você vai beber?

- Uma spa blauw (azul) - que é a sem gás, e a vermelha (rood=com gás), mesmo que eles te tragam uma Sourcy (outra marca), é sempre SPA.

Mas o precinho é salgado, mais salgado ainda a haute couture Christian Lacroix. Pra falar a verdade a pret-a-porter também, tem preço de vinho de 5 euros, que é razoavelmente acessível.
Pagar 5 euros numa garrafa d'água(a pret), só se for pra guardar a garrafa por toda a eternidade, até ela ficar vintage, e ser vendida no eBay.

A água da torneira aqui é boa. Brasileiro não confia, mas é boa.
O cabelo fica duro, a água é dura segundo uma química amiga. Bem tratada, super tratada, hiper tratada, tão tratada que seu corpo fica todo branco, parece talco sem talco depois do banho, e dá-lhe creme hidrante no corpo inteiro, até no inverno.

Na dúvida, bebi só água mineral na gravidez I e II, e só dava pros bebês água mineral, foram anos de água, água, água. Esse meu autruísmo ainda me mata, depois que passou a fase de bebês e amamentação, e a obrigação de mãe, esqueci de mim.

É, quando se está grávida se SECA, por dentro e por fora, o feto precisa boiar, nadar, e quando se amamenta, se seca mais ainda, e quandos os bebês começam a beber outra coisa fora o leite, tem de ser água mineral, natural.

- Confie!
Não precisa de filtro "Europa", estamos na Europa. Eles levam a saúde pública a sério, aliás na Holanda eles levam tudo a sério, sério demais.
Sorrisos e caras alegres só no verão, quando tem sol, ou em países estrangeiro.
Até eu sorrio menos, estou ficando como eles. Meda.

Qual água que você escolhe?

Haute couture, pret-a-porter?
Do filtro de cerâmica, da torneira, da fonte, bebe só coca cola? daqueles filtros que estão à venda por ai? E a dengue...cuidado no Brasil!
Chá de ervas, também é bom...e que preguiça ser disciplinada.
Bebo quando me dá na telha, no fundo eu queria ser cachaceira, mas sou fraca.


E as águas do País de Gales, aquela de garrafa azul, de restaurantes 3 estrelas Michelin, ou duas, ou uma...qual o nome mesmo? Sim, Ty Nant

Bebi por causa da garrafa, não, não pedi no cardápio.
Trabalhei há muitos anos atrás no Beukenhof como buffetmedewerker, praticamente meu único emprego na Holanda, hoje em dia é um hotel...e não me peça pra traduzir o buffetmedewerker.
Beuken é o nome de uma árvore.

Bonito o nome né?

Bebi vinho de 600 florins (uns goles mas bebi).
Paquerei uns garçons com cara de top model, vixe...o que ele fazia lá, pensava, podia estar na ponte Milão - Paris - New York, New York...mostrando aquela estrutura toda.

Comi do bom e do melhor.
Conheci uma menina judia de 20 anos, que estudava, e seus pais eram clientes do restaurante, e ela era garçonete de vez em quando, pra aprender sabe?

- Como?

Aqui jovens pegam no pesado, e não ganham carro aos 18 anos como no Brasil.

O jardim do Beuk' (assim o chamo), é lindo...aliás um sonho, maravilhoso.
O menu então...mas o estresse na cozinha, pelo amor de Deus...hoje eu entendo vendo o programa do chef Gordon "Hell's kitchen". Cabeças rolam se algo dá errado, quanto mais caro o restaurante, mais exigências no serviços.
Aguentei 10 meses (trabalhava 2 dias na semana em média, gastei tudo que ganhei em vela), todas derretidas...
Experiência e tanto e até acabar com um burn-out meu, comecei a quebrar copos e não conseguia parar, era tão fácil quebrar aqueles copos todos.

Menneer Checci me mandou pra casa. Ele era o manager, morava na Holanda há mais de 30 anos.

- Vai pra casa. (e não volte nunca mais).

Estamos de acordo, essa também era minha intenção.
Estórias e história pra contar é o que não faltam na minha relâmpago fase no Beuk'.

Quando num belo dia, me deram um Hi...(um dos muitos no início, quando só se referiam a mim em inglês).

- Hi Hittler, eu respondi, levantando a mão como os nazistas faziam para o fuher.



My God, what have I done?

padd&%^$#@!!~++mzxs#$%%^&& = pelo amor di dio

Europeu leva as guerras MUITO A SÉRIO, e quase fui parar na forca somente com olhares...
(te laat = tarde demais), descobri que JAMAIS poderia repetir o ato palhaço e impensado.
Da guerra lembrava dos "pracinhas" que morreram, em navios bombardeados pelos aliados (os americanos) e não os nazistas, do açúcar mascavo, da criação da margarina, quer o que? Cresci na ditadura.

É verdade?

Tarde demais pra perguntar pra Dona Wilma e Sr Otto, nossos vizinhos alemães.
Tarde demais pra perguntar pro pai da Alexandra Iwer - amiga de Porto Alegre - (falecido)...gente boa, a opinião de alemães sobre a guerra, o porquê da fuga pro Brasil, seriam nazistas?

- Silêncio profundo.

- Hi Hittler, nunca mais...aprendi. Drogas são toleradas, água se bebe da torneira, mas se você der uma palmada no seu filho ou puxar a orelha, é maus tratos e abuso de menores.

Bebi muitas águas no Beuk' Ty Nant (de graça).
Funcionário aqui é tratado com respeito / de igual pra igual(você sente que eles precisam de você, senão você fica "ziek"(doente) e deixa eles na mão, ai eles têm de pegar no pesado, hahahaha.
Guardei as garrafas azuis, lindas.
Combinam bem com antúrios e estrelissias, individualmente num vaso, meu lado minimalista (1%).
Mas já não as tenho mais, não combinam com o decoratual, foram todas para o glasbak(cointainer de vidros).

Mas pra falar a verdade, INVEJO as pessoas que bebem dois litros água por dia, não importa a procedência, importante é matar a sede, né?

Sunday, April 13, 2008

Cansaço - preâmbulo



Cada vez que viajo, viajo imenso. O cansaço que trago comigo de uma viagem de comboio até Cascais, é como se fosse o de ter, nesse pouco tempo, percorrido as paisagens de campo e cidade de quatro ou cinco países.


Cada casa por que passo, cada chalé, cada casita isolada caiada de branco e silêncio -- em cada uma delas num momento me concebo vivendo, primeiro feliz, depois tediento, cansado depois; e sinto que tendo-a abandonado, trago comigo uma saudade enorme do tempo em que lá vivi. De modo que todas as minhas viagens são uma colheita dolorosa e feliz de grandes alegrias, de tédios enormes, de inúmeras falsas saudades.


Depois, ao passar diante de casas, de «villas», de chalés, vou vivendo em mim todas as vidas das criaturas que ali estão. Vivo todas aquelas vidas domésticas ao mesmo tempo. Sou o pai, a mãe, os filhos, os primos, a criada e o primo da criada, ao mesmo tempo e tudo junto, pela arte especial que tenho de sentir ao mesmo tempo -- e ao mesmo tempo por fora, vendo-as, e por dentro sentindo-mas -- as vidas de várias criaturas.




Livro do Desassossego, edição de António Quadros, in Obras de Fernando Pessoa, vol. II, Lello e Irmão, pp. 872-3.
(uma coisa portuguesa)

Thursday, April 3, 2008

Autismo





A maior preocupação, ou melhor dizendo...o maior sofrimento de pais de autistas, é quando eles se perguntam?
- E se um dia eu não estiver mais "aqui"? Como será?
Quem vai cuidar do meu filho, quem vai ter paciência com ele, sua problemática, quem terá o mesmo interesse que eu em se dedicar a compreender, nutrir, ensinar, educar, assistir, auxiliar, se comunicar com ele?
Se eu mesmo de vez em quando não tenho paciência, quem terá?
Quem vai estar tão informado quanto eu sobre o Autismo?

É claro que preocupar-se faz parte da maternidade e da paternidade, todos os pais que amam seus filhos, se preocupam com sua saúde, sua educação, seu futuro.
A diferença que quando criamos uma criança "saudável" (normal), o educamos para serem no futuro, independentes e seguirem adiante suas vidas, para que se tornem não mais filhos, mas indivíduos completos, que resolvam seus próprios problemas, superem suas próprias dificuldades, e que aprendam com o "erro", e assim aprendem a viver da melhor forma possível, para se tornarem pessoas dignas, com suas próprias idéias, ideais, escolhas, pessoas completas, responsáveis...assim como nós (pais) o somos, adultos e crianças em busca da maturidade, da felicidade, do entendimento, conhecimento como o "mundo" funciona, revendo com discernimento os pontos fracos de nosso sistema social dos problemas da humanidade em geral, sabendo mais do que se safar, ter uma vida plena.

E mais do que tudo, compreendermos que somos humanos, e ninguém, mas ninguém é perfeito, então o negócio é relaxar.

Pais de autistas como eu, preferem viver dia após dia, porque o que citei acima, não é aplicável para um indivíduo que recebe o diagnóstico dentro do Espectro autista, nas diferentes graduações (níveis, formas).
No que se refere a palavra AUTISMO, a sociedade lembra do filme "Rainman", ou de algo que ouviu falar aqui ou ali, e prefere dizer:
- Ah! São crianças bem dotadas, geniais.

- Não, não são...eles podem ter um talento pra algo tido genial, mas ao mesmo tempo, não sabem tirar uma casca do ovo, muitos não sabem se virar sozinhos no geral, sem a presença de um tutor, assistência, acompanhante, pais, uma pessoa adulta.

Minha filha autista faz parte desse universo, e educá-la, ensiná-la, ser amada e compreendida por mim, sem comparações é uma missão que tenho aqui na terra, diferente de muitas outras, mas no que se refere a ser mãe/pai de um autista, se assemelham.

O autismo não tem rosto, o autismo não tem "aparência", no autismo as aparênciam também enganam, de fora...são tidos como NORMAIS o que representam de uma forma muito aceitável como um quebra-cabeça.
O autismo e uma criança autista, é um quebra cabeça (interminável ou difícil de ser solucionado), é difícil e complicado EXPLICAR E ESCLARECER sobre o autismo, um constante quebra cabeça, e quando se consegue juntar algumas peças, já ficamos felizes, ou sendo mais claro, é quase praticamente impossível entender um autista sem conviver com ele.

As vezes ilustro a problemática da minha filha, como vários buracos negros, mas isso pra mim, porque um leigo não vai entender esse "buraco negro", esse olhar que ela tem, como se fosse um olhar frio, vidrado, distante (no próprio mundo)...mas que pode ser diferente também, muitas vezes em sua companhia me senti só,  simplesmente só, não que ela não me tenha feito companhia,  ela está lá/aqui de corpo presente, mas é como se não estivesse.
É preciso estar com muita sede para dizer:
- Mãe, estou com sede. Ou agora que está grande, ir até a cozinha e pegar um copo d'água.

Às vezes ela parece normal (já que possui uma forma de autismo não tão grave), mas será sempre um autista. Até já acostumei com essa palavra, e ela pra mim, tem outra medida.
Aprendeu a lidar com emoções NA ESCOLA, com pictogramas.
aprendeu muita coisa na escola, e eu estou fazendo um treinamento de mãe em casa, porque ela está "mudando de fase" biológica.

Há autistas de QI alto, há outros de QI baixo, ou médio...há autistas que não falam, se retorcem o tempo inteiro, ou outros que possuem muitos tiques, minha filha é desse tipo...movimentos involuntários das mãos, dedos, pés, pernas, estalar os dedos, cada fase é um diferente.
Mas há coisas que autistas possuem em comum. Características relacionadas internacionalmente para o diagnóstico, junto com testes cognitivos, de abstração, nível de comunicação, sociabilidade e vários outros.

- Não mamaram no peito - a minha filha não mamou.
- Como bebês não tinham muita necessidade de colo, carinhos, afagos.
- Eram bebês fáceis, choravam poucos;
- No aprendizado da fala, usavam a ecolalia (ou se referiam a si próprio na terceira pessoa)= repetição de palavras ou frases (outros nem usam a linguagem ou tem dificuldade no aprendizado da fala).
- Brincam tranquilamente SOZINHOS, sem se sentir sozinho (sem se importarem com a presença do outro).
- Estrutura na rotina diária, se faz necessário (toda criança precisa, mas um autista necessita mais horas de sono que uma criança comum), e rotina bem como um ambiente de paz/harmônico, sem atritos, e estímulos negativos externos.
- Não se relacionam em geral com outras crianças (dificuldade no relacionamento social), não brincam, não fazem amizades, não sentem falta de amigos, apesar de muitos terem contatos, mas normalmente um autista tem poucos amigos.
- Há mais autistas do sexo masculino do que feminino, engraçado...minha filha foi obrigada e está sendo a viver num universo masculino de que a princípio não gostava muito, sempre teve poucas ou nenhuma coleguinha de classe, mas depois de conviver com algumas meninas, percebeu que muitas meninas não são tão amáveis, como os meninos.
- Possuem obsessões com determinado objeto, brinquedo, revistas, manequim de vitrine, tipo de jogo, livro, estória, filme, etc.
- Não gostam se interessam por animais de estimação, podem até gostar, mas o interesse é vago.
- Dificuldade ou retardamento: fala/aprendizado por exemplo: andar de bicicleta, brincar no play ground, normalmente uma criança autista não toma iniciativa, não se arrisca porque não sabe, não tem necessidade, tem problema motor e sente pela intuição SEUS LIMITES, sendo assim podem desenvolver uma baixa auto estima, isso dependerá muito do meio em que vive.
- Metáforas, piadas, sentido figurado, meias palavras...também não existe no MUNDO AUTISTA, para eles tudo tem de ser muito mastigado, claro, e de preferência frases curtas e diretas porque compreendem apenas o sentido literal das palavras, não manipulam, não são sarcásticos nem irônicos.

Quanto mais cedo o diagnóstico do autismo melhor, para que os pais possam definir toda a diferente TRAGETÓRIA de vida a ser seguida:

- escolas (especiais de preferência, onde o autista se sinta seguro).
- férias (muitos não gostam de mudanças na rotina).
 - ambiente familiar (envolvendo o relacionamento do resto da família, irmãos, irmãs, pais, avós, familiares em geral...vizinhos e vizinhança até).


Ontem conversando com uma amiga ao telefone, enfatizei o que sempre dizia um professor de direito: "cada caso é um caso", e no autismo é assim. Ontem mesmo assiti o programa na CNN no dia "Internacional da Consciência sobre o Autismo". Toda criança é diferente, e todo o autista é diferente.

O Autista não sabe se defender sozinho, nem quando é pequeno, nem quando é adolescente, nem quando adulto...mas como adulto ele pode aprender a SE FECHAR, boca fechada não entra mosca,ou criar mecanismos de sobrevivência, ele é treinado a se defender, encontrar meios, métodos para funcionar num mundo de normais. (Falo isso porque convivo com uma autista/ criança, e já convivi com uma pessoa adulta que provavelmente tem síndrome de Asperger e que não nunca foi diagnosticada).
A meu ver o Autista clássico (como é o caso de minha filha) precisará sempre de alguém por perto que monitore suas atividades, que o auxilie nas dificuldades, porque como não tem a curiosidade normal de uma criança, como os porquês da vida, brincar com fogo, se aventurar, dificilmente sofre acidentes, mas quando descobre ALGO tardiamente, pode sofrer acidentes mais complicados e até mais fatais que uma criança normal.

Fora que nossa sociedade é muito crítica, nós julgamos o tempo todo, o autista é alvo fácil para julgamentos, desprotegido, a mercê da boa ou má vontade dos outros, frágil.
Vulnerável.

Junto ao autismo, podem ocorrer outros probleminhas ...como epilepsia, sérios problemas motores, e muitos são medicados.
Minha filha tem problemas nos olhos, usa óculos desde os 4 anos, quando a professora descobriu que ela derrubava o copo a mesa, tem problemas de profundidade na visão, é estrábica sem óculos. Ela provavelmente usará aparelhos nos dentes (a boca é pequena p/ a arcada dentária), estão sendo feitos periodicamentes vários exames até os 12 quando provavelmente se saberá o tamanho da arcada e o tipo de aparelho a ser usado.

Era é prognata (um queixo protuberante), que graças a Deus está melhorando a medida que ela cresce. Fez fonoaudiologia por uns anos para aprender a se expressar e também fazer perguntas, e também fisioterapia para a coordenação e toda a parte motora. Hoje ela tem diploma de natação B (importante diploma na Holanda) e anda de bicicleta relativamente bem, mas patins no gelo, skates (não), patinetes com muita dificuldade.

Dominique é daqueles anjos, que vivem no mundo da bondade e da fantasia. Ela acha que Hitler era um homem ruim, somente ruim...e Jesus...um homem bom, somente bom. Acredita em (quase) tudo que vê na TV ou que dizem pra ela, é super influenciável...sendo que ai que mora o perigo, porque ela tem a índole boa e pra ela é difícil separar a ficção da realidade.
A vida pra ela é uma Alphea (a escola das Winx)= seriado que há 4 anos anos ela é obssecada, fascinada.
Neste ano em maio, ela completará 10 anos de vida. 10 anos...e já está virando uma mocinha com 9, seios e pelos pubianos, mas tem dificuldade na higiene, não usa mais fraldas que usou até 8 anos (para dormir), mas tem incontinência urinária...e sempre tem que ser dirigida ao toilette em horários determinados. Escovar os dentes sózinha também é um desastre, sempre tenho que estar por perto, e tem de ser em escova elétrica.

Aprendeu a ler, e tem difuldades com cálculo e ver as horas, no relógio estão apenas 12 horas...como o dia tem 24 horas(?), abstração é uma incógnita pra ela.
Talvez pensando bem, não terá muitos problemas existenciais ou filosóficos quando crescer. Serão suas escolhas mais simples?
Já possui um certo vocabulário em inglês, que assiste na TV ou na internet. Procurar no google é com ela mesmo,. Youtube, google, Nickelodeon... teclar o nome do que procura.

Ontem foi o dia internacional da consciência do Autismo. E 2 de abril faz parte da minha agenda (de vida), nós pais, parentes de autistas, educadores nos sentimos como numa grande família, esse é o alívio e a recompensa de nossos esforços,  conhecimento, a nossa desculpa, que nosso desafio é mais complicado, mas entender e nos comunicarmos com nossos filhos, zelar pelo bem-estar deles e fazer parte desse mundo autista é muito importante, dar todo apoio necessário para que sejam indivíduos respeitados enquanto vivermos e após nossa partida, agradecer toda a ajuda da sociedade que está envolvida na causa do autismo, as pesquisas científicas, a literatura, experiências de autistas especialmente adultos (o futuro de toda a criança), todo o apoio que temos com todas as informações. Pois quanto maior a consciência para essa causa, maior serão os frutos colhidos nas gerações futuras. 

Tchau querida!

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as gue...