Sunday, April 29, 2018

A conexão com a angústia



Tenho sentido uma urgência de fugir, ir ainda não sei pra onde, e não somente ir, mas fugir mesmo.
Como antigamente, ir pra longe de tudo e de todos...só levar meus filhos e ficar desconectada com os dias que tenho vivido, com a realidade atual, sei lá, novos caminhos, não propriamente um lugar no mapa.

Amigos dizem: "tu não vais conseguir, eu te conheço" (por muito tempo), okay...essa é uma premissa que pago pra ver. O que eles não sabem, que apenas umas semanas, sem precisar fazer ABSOLUTAMENTE nada, no meio do verde, do sossego, já seria tudo, para colocar os pensamentos mais do que em ordem, dar mais perspectiva à minha vida intelectual. O meu objetivo é usar mais ainda do meu intelecto para construir um mundo melhor, onde as pessoas realmente se aproximassem mais, ao invés dessa competição toda que vejo por ai e divisões.

Diante de tanta polaridade e bipolaridade na minha vida, vou explicar:
Moro em um país distante geograficamente, na Europa, onde me sinto muito bem e me adaptei e me expresso, me sinto ativa na sociedade, trabalho numa fundação para mulheres e crianças (seus filhos), colaboro com ideias, execução, agenda e dou aulas de hatha yoga. Onde habitei no Brasil (Porto Alegre/Pelotas = minha formação educacional e familiar) depois São Paulo, início da vida adulta (dos 25 aos 36 anos), e depois aqui.  Passo boa parte do meu tempo online no Facebook/Instagram e desde o advento das redes sociais (orkut, depois facebook) entre um e outro país, e também no mundo. Piso em Terras Baixas, e vivo com boa parte do meu tempo no ambiente na língua portuguesa, e também percebo que não estou em nenhum lugar físico, como se meu próprio eu fosse um país sem bandeiras, uma terra desconhecida.

Todos sabem o quanto viciados estamos em redes sociais, em smartphone em compartilhar tudo que achamos que devemos, e muitas coisas até por impulso. Vivemos em associações, em grupos virtuais, usamos aplicativos de tudo, compactuamos com as mesmas ideologias políticas, fazemos política, respiramos política, cultura, e expomos nossas vidas que não são mais privadas, pertencem ao Google, ao Facebook, as grandes empresas tecnológicas digitais, que movem uma elite econômica de governos, com a nossa DATA, tudo o que clicamos, procuramos está lá sendo negociado e todo o nosso perfil: onde vamos, o que gostamos, como pensamos, o que não gostamos ou desaprovamos. é uma ilusão pensar que temos uma vida 'privada' quando postamos nossos filhos, nossa casa, o restaurante ou a ópera, show, concerto, evento que participamos, quando vamos de A para B e pra onde vamos, na academia, tomar um capuccino, fazer uma visita para uma tia distante.

Lá encontro 'meus amigos' praticamente todos os dias, penso e digo eu sobre o Facebook, lá me sinto conectada, lida, LIKADA (o que faz a distância do meu passado menor, no presente), ainda é conveniente e sou feliz por isso. Todos os dias, leio o que escrevem, às vezes não dou conta, e sigo o algoritmo (nos meus news fee), porque o dia tem 24 horas e eu tenho mais de 2000 amigos na minha lista de conhecidos, amigos, desconhecido, familiares...mas estou lá. E eles estão lá com seus assuntos também.

É uma torre de Babel em muitos casos e sinto cada dia, que não estou comunicando muita coisa por lá, porque as pessoas interagem pouco, ou só interagem no que lhes interessam e porque como eu, também estão vivendo pra mostrar como vivem, para terem uma sensação de que nada é em vão, se não for fotografado, dito, mostrado, não queremos estar só. No momento em 'comemoro", dez anos de Facebook, um jubileu, se tem uma coisa que me interessa, são novos ares, novidades, pensamento mais profundo a verdadeira conexão entre as pessoas, que não são tapinhas nas costas, dizer que estamos lindos, e vivos, e amados, nem pregações, que mundo lindo, e como estamos próximos, mas pensar num mundo melhor juntos, e infelizmente tenho encontrado cada vez menos pessoas com pensamentos próprios e mudanças de um mundo melhor.

Recentemente 'perdi' um amigo virtual muito inteligente, querido, atencioso, uma pessoa de uma sagacidade única, e até acredito que tínhamos muitos pontos divergentes.  Uma pessoa única, que adorava viajar pelo mundo afora, e podia se dar à esse luxo, de conhecer lugares diferentes do lugar comum das viagens que as pessoas fazem hoje em dia, e veio a falecer na África o que trouxe pra mim e muitos outros uma tristeza um vácuo. A vida que se interrompe e nos deixa assim sem explicações, pois continuamos.

Foi comido por pedradores do destino, e lá se foi a inteligência e a perspicácia Facebookiana, e as viagens, e roupas lindas que usava, os perfumes exclusivos, e todas aquelas estórias pra contar  à todos nós, que só ele tinha numa retórica própria. Luto, tristeza. Fim.

Estamos realmente conectados nessas redes sociais? Ou estamos por lá berrando nossas frustrações, chorando nossas mágoas e desafetos, empurrando os dias com a barriga em nossos achismos de 'como viver' e eu vou te convencer que a minha maneira é melhor que a sua, e que o que quero te mostrar aqui, é para você dar um jeito nessa sua vida chata, que não interessa a ninguém e nem mesmo à você, porque estamos apertando o tempo inteiro no 'repeat, repeat, repeat". Eu por exemplo, remo contra essa maré. Todo o dia eu acho uma música diferente, mas também me repito e me dano, que droga, sim os vícios são drogas, quando o efeito passa, precisamos dela novamente pra ficarmos 'high".

Assistindo uma entrevista com o grande Charles Bukowski, ele confessou que a vida depois de uma certa idade é só repeteco, os lugares que vamos se repetem, a roupa que usamos, as pessoas, as festas, as experiências, o caminho que trilhamos, o que comemos, como nos movemos, até o que pensamos, nos repetimos todos os não santos dias com datas temáticas, com maneiras de viver que mostram apenas o quão 'playing SAFE" estamos tentamos nos afastar da morte, mas estamos cada dia e todo dia perto delas, e não ousamos mais nada, como quando éramos jovens e transgredíamos regras, pulávamos muros, roubávamos frutas do vizinho, ou colhíamos uma flor do jardim alheio, pisávamos na grama, transávamos sem camisinha, tomávamos um porre, misturávamos comida com bebida, e passávamos mal, e aprendíamos com o porre, que nunca mais iríamos nos permitir nos sentirmos assim, e lá chegava o outro carnaval, ou festa, ou motivo qualquer, e novamente acontecia o vômito no banheiro nas madrugadas, e todos os erros.

Estamos realmente vivendo? Percebo que a morte de meu amigo, ainda jovem aos 48 anos, não foi em vão. Ele não viveu o suficiente para nos contar todas as impressões em diversos países na África que trilhou, onde ver a ação da caça e predador ensina muito mais que um ano inteiro de postagens no Facebook que falam sobre a maldade que existe na humanidade.

Estamos muito distantes de nós, da natureza das coisas, de nossa existência. e o que procuramos é conexão com os outros. E como nos conectar com os outros, se não conseguimos por poucos minutos estar conosco?

Se repetir, repetir repetir repetir, dar e querer de volta. E fazer beicinho, faz de nós um adulto imbecil, rancoroso, e podemos nos esconder atrás de sorrisos, frases de auto-ajuda (pro outro) que não nos ajudam em nada no momento que queremos mudar os outros. Quem está vivendo realmente? Se não usarmos nosso cérebro pra ver e procurar, pesquisar as respostas para termos uma vida mais plena de coisas simples, sem beiços, sem narcisismos, ostentação de inteligência, mais centrada em nós, em prol dos outros, e principalmente daqueles que infelizmente intelectualmente necessitam de nossa ajuda para ver o que já somos conscientes? Reclamar do outro é sempre mais fácil, mas isso não muda o outro, apenas uma conversa franca, e uma conexão verdadeira que vai de coração pra coração mas que se usa o cérebro.

Poucas pessoas ensinam por serem, a maioria mostra os 'estilos de vidas', como vivem, mostram o quão solitárias são e rodeadas de gente igualmente solitárias, mas juntas, se acham as tais, e não percebem que estamos todos no mesmo bote, barco, navio. Sem saber há uma competição. Eu estou me sentindo melhor e você está se sentindo mal, porque eu sou superior que você, e você é inferior na minha concepção e maneira de viver. Você esconde seus fracassos, e por isso mostra o quão feliz que é, como se houvesse apenas dois caminhos, preto no branco, e não multitudes.

Todo o não santo dia, eu resolvo mudar um pouco, aprender o que me proponho a aprender, desaprender o que já não serve mais,  numa eterna 'bucket list' mental como continuar a aprender notas musicais para o piano, um idioma como o frânces que comecei e tive que parar, a sentar aqui e escrever algo que sirva pra alguém mas mais precisamente pra mim, pois escrever é uma necessidade, e busco palavras, busco idiomas, expressões, sensações, e elocubrações, e sofrimento entendido, e pensamentos, e paz para conseguir concluir um raciocínio lógico, para expressar o quão insatisfeita estou com o curso das coisas que nos levam correnteza abaixo e nem podemos fazer nada a não ser nos afogarmos e sucumbirmos à tudo que está aí, à todos os sonhos de jubileus que um dia acontecerão, todos os aniversários que comemoraremos, e todos os riscos que não mais correremos porque a vida se transformou num infinito diário de repetição, e tédio, e perguntas sem respostas, problemas sem soluções, pois somos meros mortais que se deixam levar pelo já imposto, e não temos tempo, energia, vontade, e estamos desconectados de nós mesmos, porque se estivéssemos em paz conosco, poderíamos entender que assim é, e sim devemos lutar para nos mantermos vivos, e arte e pão, compaixão, empatia, comunicação, não são meras palavras soltas ao vento.

Respostas, final feliz? Só encontro na natureza, na arte, o resto fica sem fim até a hora que deitamos nossa cabeça no travesseiro, e adormecidos nos despimos de quem somos e dos papéis que temos.
O consolo é que todo o dia, temos uma nova chance de viver.

Saturday, January 27, 2018

O poder do amor



Vou fazer uma coisa diferente enquanto escrever aqui vou começar ouvindo ao mesmo tempo uma música linda de uma de minhas bandas favoritas, Everything but the girl e refletir.

Faz tempo que eu não escrevo aqui. E hoje quando vim do supermercado, antes fui na academia...tive um insight, várias ideias sobre fins e começos, inspiração, amor, hormônios, relacionamentos passados, euforia, motivação e queria escrever, mas estava com sacola de compras, coisas de ginástica e acabei indo no canal Herengracht perto de casa e fiz um LIVE no Facebook antes que as ideias do que eu queria transmitir se perdessem por ai como acontece quando a impossibilidade da escrita se apresenta.

 Tenho feito alguns lives em redes sociais...tanto no Facebook como no Instagram, podem me chamar de exibida, mas nem é esse motivo, nesse mundo de solidão, de busca, de encontros e desencontros, de alegrias e tristezas, eu queria dizer que achei o amor...e perdi um amor, mas nada disso é amor...pois o amor é pra sempre, sempre, o amor tem poder, ele está lá dentro na gente, só temos que libertá-lo, e deixar fluir, acreditar, nada a temer quando a outra pessoa se vai, o tempo de validade expirou. 

Foi a química dos hormônios da ginásticas, as endorfinas com a dopamina nesses últimos dias, no vórtice,  e vou explicar, quero sempre explicar o que sinto, essa necessidade de entendimento e clareza, até por mim, e pra mim, nada científico porque meu entendimento é bem superficial e abrangente, sou apenas mais um ser que acha que é diferente e quer dominar essa mente que mente, e seguir mais o coração, a intuição, o subconsciente o que as sutilezas dizem nas entrelinhas. 

Desde que me falaram que era bipolar fico brigando na gangorra, tentando me equilibrar e ter uma vida mais saudável mentalmente, descobri o ioga, digo a yoga, e a cura é diária...o convencimento é diário de que não sou uma pessoa louca, e sim uma pessoa que mais do que merece ter tudo de mais maravilhoso nessa vida, às vezes fico triste, aquela tendência melancólica, e tem dias que nossa energia está baixa, hora de parar e repô-la, hora de meditar, hora de beber muita água, e dormir uma noite e pensar, as palavras são de prata, o silêncio de ouro e tudo vai ficar bem, porque já está bem.

Estou apaixonada porque sou uma pessoa apaixonada e por tudo, e quase todos os dias, eu vou atrás do meu dia, eu atraio, o carpediem na minha vida carpe omnium, que é sorver TUDO, o que há de bom, e a ser aprendido, todo o dia, um novo dia eu vou atrás do ASICS, mente sã em corpo são, todo o dia, eu me exponho, porque gosto disso, mas percebi que nessa minha exposição, o meu recado será dado, e interpretado conforme o momento e o estado de ânimo das pessoas, nada a fazer, apenas continuar e ser fiel à mim na minha jornada.

Hoje pela manhã, resolvi no Facebook mandar inbox para alguns amigos aleatoriamente umas citações em inglês de Carl Jung de um site bem interessante, tudo isso antes da ginástica e desse insight, fim de semana sem festas, sem programas sem filhos, queria ir no Festival Internacional de cinema de Roterdã, uma amiga está trabalhando nos filmes brasileiros são 21 filmes ao total, mas por incrível que pareça, não consegui uma companhia, todos cansados ou envolvidos em outros eventos, e algo me disse: FIQUE EM CASA, relaxando, descansando, detox, recupere, ordene os pensamentos, coma frutas, coisas leves. Tomei café, queria comer uma banana mas só tinha bergamotas, não combinam com café e fui pra academia com o estômago cheio de café, duas xícaras e água, não vazio mas isso faz com que a química do corpo mude.

Meu momento é muito bom, e não tenho como não mencionar o Vórtice (acima já citado), o livro que ganhei em português do meu irmão que mora em Lisboa e inclusive tem um clube seleto de amigos que estudam o livro, como se fosse um guia. Estou no vórtice, e tudo está bem, porque estou alinhada, no vórtice, meus chacras, os meridianos (centros de energias do corpo), tenho sido aluna assídua das aulas de do in yoga, uma nova forma de yoga que pratico, e estou muito grata por todas as descobertas, o piano está indo...meio a passos de tartaruga, mas sempre, a escrita está irregular, minhas aulas (as que dou de yoga constante), academia (em abril farão dois anos que estou praticando fitness), ou seja, emagreci, me sinto saudável, física e mentalmente, pronta todos os dias para enfrentar os problemas que aparecem e resolvê-los da melhor maneira possível, afinal sou mãe, amiga, esses papéis todos que temos na vida, e que nos identificam dizem muito de nosso carácter e de nossa personalidade.

Tive hoje, aquele sentimento das relações que se findam, quando outras começam, e estava com uma sacola prateada e as minhas botinhas (uma amiga diz as botinhas Barbarella, prateadas). Tive a sensação daquele vazio que sentimos quando um relacionamento acaba de verdade, pra sempre. Independente do relacionamento, bom, ruim, médio. Fica aquele vazio, daquela pessoa que passou pela nossa vida, daquela pessoa, que ficamos, dormimos juntos, comemos juntos, viajamos, brigamos, amamos...fazem parte do nosso dia a dia, e depois se vão, para nunca mais voltar ou não daquela maneira. 

E dependendo da situação, das circunstâncias elas voltam como amigas, mentoras, conhecidas, exes.

Pois é, a incerteza do FIM. A esperança em dias melhores, relacionamentos melhores, rever os erros, e dizer pra si, da próxima será melhor, na próxima vez eu não vou me perder...da próxima vez eu vou cuidar de mim melhor, e saberei discernir solidão, distração, diversão de amor verdadeiro.

E isso que aconteceu em meus relacionamentos depois do primeiro relacionamento que foi há muitos anos atrás, na juventude, aquele relacionamento amoroso, aquele amor de descobertas de si, do outro, o primeiro amor, eles foram amores dos mais variados, amores sempre inventados, escolhidos, líquidos, fluídos.

Agora eu estou numa fase que quero saber bem onde estou pisando, o caminho onde estou trilhando, mas não fazer *somente planos e sim, saber o que é bom pra mim no momento presente, sinto minha vida cada vez mais curta no sentido que dramas são altamentos desnecessários, e direcionar meus pensamentos, minha mente, com positividade, e nada de arrependimentos como sempre ocorreu na minha vida eu quero ter, tirar o supérfluo o que quer me sabotar e destruir, quer seja um amigo invejoso, um inimigo oculto com energia negativa, pessoas tóxicas e desorientadas emocionalmente instáveis, não quero dar voz à ninguém que acha que eu estou no caminho errado. 

Quero apenas seguir vivendo e aproveitar o desenrolar de algo que poderá vir a ser uma bela estória de amor, um romance como tem sido esses meus últimos dezenove dias, algo bem forte e intenso, e não mais um amor líquido qualquer. Tenho muito para dar, e quem me ama sabe que sempre dei todo o meu amor e minha paixão, em tudo que faço, e em todos que passam pelo meu caminho. 

Sem medo de amar, e de brilhar vou continuar e não deixar nada e ninguém impedir essa minha caminhada, e esse momento de real felicidade, que é o amor maduro, o amor companheirismo o amor erótico, o amor e estar bem na presença do outro, o amor que faz esquecer tudo nos braços do amado.

Pois esse é o meu samkalpa todos os dias, ao acordar e ao dormir, minha intenção e meu modo de vida, minha oração pela abundância do amor que sempre tem aparecido em minha vida em todas as suas formas. 






I want your love EBTG


Fullgás

Meu mundo é você é quem faz,
Tudo em você é quem lança, lança mais e mais...

blablabla

Pois tendo você meu brinquedo
Nada machuca nem cansa

Então venha me dizer o que será
Da minha sem você
Noites de frio
Dia não há

E um mundo estranho pra me segurar
Então onde quer que você vá
é lá...amor esperto

Tãoooooooooooo bom te amar.

E tudo de lindo que eu faço
É vem com você, vem feliz

Você me abre em seus braços
E a gente faz um país.

Como é bom ter um amor pra tudo
pra pensar pra beijar pra sonhar
pra dormir junto pra viver
pra achar e jamais largar

E viver e viver e viver

Thursday, August 31, 2017

Tchau querida!



Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas.
Maiakóvski

E assim a presidenta da República Federativa do Brasil, se despede do cargo. Dois mandatos com eleições diretas, pelo povo. Um infelizmente, incompleto, interrompido por fascistas por um golpe político parlamentar e midiático.
E assim, me despedi do Brasil, em 31 de agosto de 1996. Tchau queridos amigos e família no Brasil, vou além mar, ver novos horizontes, dar o passo no escuro.
É estranho, logo hoje...que completo 20 anos na Holanda, essas despedidas, esse golpe de estado midiático, político e parlamentar se consolida no Brasil, pelos fascistas e 'políticos' que governam ad infinitum pra suas 'famílias', amigos da família, seus interesses, pro umbigo, pros bancos, pro capital, pro Tio Sam, pras amantes. O povo, que povo? E lá eles sabem do povo, querem saber do povo? Se hoje em dia nem voto é mais necessário? Que se exploda o povo!
A impressão que tive, que nesses 14 anos com o governo do PT, o Brasil ficou quase 'pau a pau' com a Holanda onde moro no que se refere benefícios sociais (um Brasil que nunca vi), um Brasil de esquerda, claro grandes diferenças básicas, sentia um crescendo, um progresso social, muitas melhorias e benefícios porque também os recebo, benefícios são direitos, e desenvolvimento de verdade, benefícios não é VAGABUNDAGEM, benefícios trazem o BEM comum, numa sociedade injusta, onde ricos já nascem ricos e ficam mais ricos, e pobres, tem que obedecer as regras desses ricos que chegaram há muitos anos.
Foi daqui da Europa que vi a economia do meu país no apogeu no governo Lula, vi Lula sendo tratado com muito respeito e admiração no exterior, verdadeiro estadista e em várias manchetes, algumas até guardei, comprei o jornal de papel.
Vi as sandálias Havaianas nos pés de 'todas as pessoas' no verão, aquelas bandeirinhas iniciais pra marcar território, vi acordos entre os dois países, comprei sapatos, café brasileiro, vivi eventos culturais Brasil/Holanda, vi boas notícias nas manchetes internacionais, vi e li muitas matérias sobre o Brasil, aquele BOOM Brazil, onde todo mundo quer ir, pro sol, pra realmente viver e não sobreviver, o sonho do calor dos trópicos, a floresta amazônica o pulmão do mundo, a diversidade ecológica, o litoral imenso abrindo o país para o mundo. Onde a vida é melhor? Vi também, pessoas serem beneficiadas, pelo bolsa família, pró-uni, minha casa e minha vida, vi o Brasil sair da linha da fome na ONU, vi os olhos para o Brasil na Copa de 2014 e Olimpíadas (mesmo com toda a propaganda negativa), mesmo o povo hater, descrente, o evento vai ser cancelado, será um elefante branco, vi gente feliz indo para o meu país pela primeira vez, tudo daqui. Dei aula de português. Vi que as pessoas estavam andando bastante de avião por lá, que os negros, os estudantes, as mulheres e a comunidade LGBT, foram pras ruas, iam pras ruas, cada vez mais as ruas, lutar por direitos, por 20 centavos, lutar por mudanças, como nunca depois da dormência da ditadura militar. Brasileiro é bonzinho, cordato e contente com samba/carnaval/bundas.
Vi coisas que não entendi, o tal BATER PANELAS, e vaiar a presidenta, numa copa das confederações. O que era aquilo? Me assustei, e a partir dali, comecei a parar de ver e me informar, quem realmente era essa pessoa Dilma Rousseff? E vi um Brasil dividido...entre esquerda direita, um país do FUTEBOL POLÍTICA: um FLA X FLU entre quem é a favor de levar todos os brasileiros pra frente numa Nação mais humana, ou quem acha que isso é ‘besteira’ coisa de comunista que quer comer criancinha.
Com a internet, só sentia a distância no fuso horário (5 horas no verão, ou 3 horas no inverno, daqui). Vi, de longe...as pessoas mais abastadas, começarem a reclamar do PT, como se nem um partido político fosse, como se fosse Satanás, a peste, manipuladas pela mídia (?) ou só azedas pela lenda por ter que dividir os cômodos das casas por quem comem as tais criancinhas? Vi a demonização de um partido, por ser de esquerda, por ter um barbudo iletrado, do povo, um metalúrgico. A elite não gosta de ‘pobre’, a elite brasileira é retardada mesmo, e depois por ter uma mulher (sem marido, dentuça?, gorda? usa roupa 'desapropriada') quer ser chamada de presidentA?
Ora pois, muitos ‘pobres’ também gostam de riqueza, as que eles não tem, mas tem muitos pobres que sabem que o que ricos querem é isso, que você faça uma guerra contra si, sem mesmo prestar conta com isso. Vocês já viram as roupas da primeira ministra alemã? Imagina se os alemães terão tempo pra isso? Ora pois o que 'analfabetos funcionais', reclamam com suas contas bancárias cheias, e seus cartões de crédito com o pagamento em dia? E suas 3 ou 4 viagens por ano pra Europa, Miami, Cochinchina? Vi evangélicos crescerem como cogumelos perto da bosta depois da chuva, e pior na política. Que país é esse? O que está realmente acontecendo? Muitos diziam, tudo culpa do PT. E claro, alguma ‘culpa’ também tem um partido que se manteve no poder, e poderia ter feito mais, muito mais pelo povo, mas em política sempre tem muita puxação de tapete, tapinha nas costas, é um terreno estranho, principalmente quando os políticos são essas pessoas sem visão humana de um mundo futuro melhor, que negam a realidade, e criam a sua própria piorando a do povo.
A saída da Dilma, no dia de hoje 31 de agosto, por políticos pés de chinelos, donos de helicópteros com cocaína, latifundiários escravocratas, representados por essa elite conservadora, arcaica, misógina, só me mostra que a Holanda a partir de hoje vai ficar novamente muito DISTANTE do Brasil. A democracia do Brasil, está na UTI. O solo brasileiro, não é mais ‘nosso’, é do capital por causa dos puxadores de tapete da democracia.
Lá vou eu ter que explicar a desigualdade social novamente do Brasil. Lá vou eu ter que explicar novamente que a presidenta honesta, foi condenada por políticos corruptos. Lá vou eu ter que traduzir que um vice-presidente, traiu a presidente, arquitetou um plano, junto com um deputado e fez uma limpa das pessoas que comem criancinhas, e assim as criancinhas de verdade, novamente terão fome, e os velhos continuarão banguelas, e se essas criancinhas ficam no farol pedindo dinheiro, roubando e não na escola, fica tudo muito difícil de explicar.
O futuro é sinistro, porque o presente é sinistro.
Eu estou garantida no meu bem estar, tenho teto, comida, e saúde mas se isso me desse felicidade, seria mais uma egoísta como aqueles 61 senadores e deputados. Estou triste porque os cortes virão no futuro, e para quem mais precisa. E como dizer que é uma ponte para o futuro? Uma ponte para o abismo, mas alguns soltaram rojões, teve até fogos de artifício, acabei de ver no FB, gente que deu ‘check in’ em grupos de festa do impeachment.
O fascismo ilustrado é mais sinistro ainda.
Tchau querida, vai andar de bicicleta, vai continuar a ler Maiakovski dar palestras em universidades, cuidar dos netos, e se lance como governadora em breve do Rio Grande do Sul, onde mora sua filha e eu fico com Fernando Pessoa, Mário Quintana, Marco Borsato também aqui com a minha inseparável bike, e viver a vida com os meus filhos, minhas flores, minha solidão, meus invernos e o cantar dos pássaros, eles passarão, mas nós passarinho.
Afscheid nemen, bestaat niet! * = despedidas não existem.
PS - texto de um notes do Facebook (31/08/2016)

Sunday, February 5, 2017

Um gato pra chamar de meu

Postagem do outono de 2015.

Ando pelas ruas com a maior energia, se ando sozinha, é uma festa, no sentido que faço o que quero e ninguém me enche o saco, se ando com a minha filha, procuro lugares não muito tumultuados onde ela não saia do eixo dela. Se ando com meu filho e namorado, precisaria escrever sobre isso numa outra ocasião, eles me podam e às vezes parecem que eles me odeiam, não propriamente odiar, mas são contra o meu jeito de ser. Assim, na ida para algum lugar, ou sem destino, se vou pra rua, sou completamente dona de mim, porém no fim do dia...estou cansada, como uma anciã de 100 anos.  Hoje por exemplo fui pra Haia (Den Haag), voltei pra Leiden e tomei um trem e fui no meu filho que matou aula, dois dias sem ir na escola (mama mia), o que fiz para merecer isso? E lá chegando ele tinha acabado de acordar, meio-dia. Mandei ele tomar banho, e ir pra escola, que a coordenadora (diretora) queria falar com ele, no que ele demorou uma hora e meia pra tal. E quando eu sai para um lado de trem, e ele de bicicleta, ele não foi pra escola. Foi fazer a identidade dele, já que só tem o passaporte.

Estou cansada. Duas semanas atrás deu tudo errado quando fui buscar a minha filha. Ela começou a me bater na rua, e tive que ligar pro pai dela para buscá-la. Ela desconta em mim, todas as frustrações. Depois se arrepende. Não é à toa que ela mora num 'begeleidingwoning', numa moradia com acompanhamento, assistentes, toda monitora e auxiliada nas atividades diárias. Me canso. Eu faço tudo pra agradar as pessoas, mas o que está acontecendo que estou esquecendo de mim? Não, não esqueço de mim, e não sou a única. Ter filhos, marido, namorado, pesa muito em responsabilidades, e às vezes estou somente cansada, e são nesses momentos que sinto. Eu mereço me dar atenção.

Fico cansada e estou cansada e começo a me queixar pra mim e lá vem o diálogo interno, o que será que está acontecendo. Eu deveria chutar o balde, e mandar todos pra pastarem. Penso no meu namorado, que acha ridículo minha maneira de fazer as coisas, colocar a mesa bonitinha, guardanapos combinando, copos todos do mesmo tamanho, garfos/facas na posição correta. Umas uvas para enfeitar, e ele reclama, que é uma besteira eu fazer isso. Claro, eu deveria mandar ele pastar também.
E esses dias de golpe, impeachtment, falcatruas, brigas com amigos, que nem sei se são amigos. Não quero agradar ninguém, cansei, estou cansada.
Por mim sumiria, iria para um lugar bem longe de todos, sem internet...e voltaria com outro nome, escolheria uma meia dúzia de amigos no Facebook, e começaria do zero, de tanta frustração, naquelas, foi comprar cigarros e nem fuma.

Quando o cansaço vem culpo a idade, ou seria a acidez do corpo, as frutas que não como (ou como de menos), legumes de menos, o vinho, a yoga diária que virou olhar pra fora e viajar na maionese, olhe pra dentro Bebete! Mas o que fazer? Sempre tive muita vitalidade, energia, mas o gás agora tem que ser melhor trabalhado, nada a fazer, é a idade mesmo? Ou sim, continuar nessa labuta e achar uma harmonia, entre o cansaço físico e o mental, e a minha vitalidade e energia, dando limites para os outros não forçarem a barra.
... os longos 55 anos andando, caminhando, pintando cabelo, mirando um monitor, o celular, sentada na cadeira, poltrona, sofá, miro um espelho passando batom, os carros passam, as bicicletas passam, as pessoas passam, o tempo passa e não sou vista, e nem quero ser vista, como antigamente, acostumei assim e até me escondo, quando resolvo fazer uma aparição, ou chamo atenção me sinto uma estranha no ninho (saio do esquema do comum com algum detalhe), eles me olham, mas não me vêem realmente...coloco um chapéu, coloco um gorro, quero ser discreta e sigo na camuflagem, preciso ser discreta, passar batido e as folhas vão caíndo, amarelas, vermelhas, como se ainda fossem belas, tudo na minha cabeça diante de meus pés, elas caem e secam, feias, desidratadas, esqueléticas, mortas. Outono, essa estação maravilhosa, todas essas cores, esses convites...à preparação do longo inverno, também maravilhoso, a hibernação, o vinho, o chocolate com creme, tudo uma festa, com livros, papéis, luminárias, o piano capengando mas indo. ♫...até Netflix eu tenho para me manter longe de mim.
Ponho o pé fora da porta, toda montada (vestida da cabeça aos pés) pessoas doidas, bêbadas, estrangeiras, urinam nas alamedas, se drogam à luz do dia, me xingam...eu sou daquelas que ando nas alamedas, se procuro é por coisas belas, uma vitrine de loja, ou de casa, os gatos que andam por ai atrás das vitrines, um chão, um piso, uma folha que ainda não morreu, lojas de antiguidades, artes, monumentos históricos, meu olhar fotografa o banal, o normal, o comum, incomum e me deparo com loucos, bêbados, sem teto, gente que circula por ai, sem refúgios, sem lar. Gente infeliz, que não pensa direito, sobrevivem sei lá como. Sorte que para casa 1 infeliz tem 9 felizes* circulando pelo planeta, e como eu gostam de viver a própria vida e não ser estorvo para ninguém. E toda a felicidade que falo, é ficar na sua, não odiar o outro por ser outro, um desconhecido.
Entro num dos cafés prediletos, barista, sou exigente...tenho a liberdade de escolha. Odeio comércio só com objetivo comercial, financeiro, ideal comercial, sem alma. Gosto dos pequenos cafés, onde os donos são aqueles que trabalham, pequenos comerciantes atrás do que curtem, do que gostam de fazer, do que sabem. Artistas e não somente vendedores, artesões do bem estar. Um café latte s.v.p.! Um biscoito, uma água pra acompanhar, uma torta de maçã ou de caramelo com gengibre, sempre um livro e um cadeiro capa dura na bolsa, fora o celular, e a necessidade viciante de compartilhar um estado de animo. Esses segredos de pessoas como eu, o ser feliz andando a esmo, nas alamedas, se vestir pra mim, tomar café, chá, livros, piano e sempre em busca de inspiração em brechós, lojinhas...
A vida segue errante, chega um momento que nada lá fora é tão interessante quanto as minhas caminhadas pelas ruelas, becos. Tudo já passou, como se tivesse vivido na grande prosa da vida, vários livros, vários contos, vários poemas e não me resta mais nada, a não ser sobreviver e viver a meu modo, acabaram-se os ensaios, e esse é o pensamento cansado, porque no dia seguinte...o humor muda, o pique muda, fico sonhando em encontrar alguém como eu, pra conversar, parecido, mas diferente...e olho tudo que tenho, tudo que colecionei, todos os cartões, papéis, móveis, cores, livros, olho pra mim com esse cabelo longo, penso novamente, pintarei ou não pintarei...corto ou não corto? Se eu pudesse teria alguém fazendo por mim, cuidando dos meus cabelos, mas como não tenho, eu mesmo tenho que me esforça. A 'boa' aparência no reflexo no espelho, os cuidados com o meu templo, meu corpo...dizem muito sobre como me sinto por dentro. Tudo que faço é pra mim...sou uma caçadora de inspiração, tudo me inspira como se tivesse ainda a curiosidade daquela menina de 13 anos, com a vida repleta de aventuras pela frente.
Ser muitas não é uma tarefa fácil. Fácil acho é ser alguém que é uma só, um só. Eles nascem e já sabem o que são, o que querem fazer, o que os move...e nem a palavra fácil se adequa.
Eu sou o contrário, por medo de fracassar em meio à tantas escolhas eu não me jogo completamente, não me dou ao direito de arrependimentos, não me arrependo, palavra riscada no meu vocabulário particular. Eu pondero, penso, me organizo, demoro muito para tomar uma decisão perante tantos caminhos, tantos interesses, apesar de minha destreza de resolver pepinos como mãe, como uma mulher emancipada, independente, descobri que sou ótima, nesses anos todos e lá se vão...13 anos no divórcio, enterrei de vez um pseudo príncipe que vai me salvar de todos os dragões, do mal. Vejo pessoas cometendo os mesmos erros que cometi. Todos eles foram ótimas lições, apesar de todo o sofrimento, toda a lenga lenga, do amor, do desamor, do medo da solidão. Se eu soubesse antes que eu me bastava, não estaria agora a escrever essas linhas.
Volta e meia aparece um gato aqui dentro de casa, um gato bichano mesmo, que não é o meu, e penso...que desapego, não preciso de nada e ninguém pra chamar de meu, porque tudo é meu e ao mesmo tempo nada.
E um gato pra chamar de meu, mesmo que seja esses gatos da vizinhança, seria mais um apego ou trabalhar o desapego, porque ninguém é dono de ninguém.


A conexão com a angústia

Tenho sentido uma urgência de fugir, ir ainda não sei pra onde, e não somente ir, mas fugir mesmo. Como antigamente, ir pra longe de t...