Wednesday, February 25, 2015

A dieta da vaca holandesa

"Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos." Clarice Lispector. 

Foi dada a largada para a temporada das vacas, os alquimistas estão chegando, e com eles as vacas e as magras: muuuu. Mas como as vacas são holandesas elas dizem: boe = buuuu.
Preciso estar pronta: e digo repito Shakespeare: 'Estar pronto é tudo.".
E sabe de uma coisa? Que venha, adoro desafios, e desafios existem pra nos empurrar pra frente, para nos tirar da mesmice e sairmos da desconfortável zona de conforto, afinal chega de se esconder, dissimular, e se perder e se achar...(risos)  meu momento chegou, e literalmente a vaca aqui está gorda demais, hora da dieta, a aposentadoria chegará, mas vem cá? Ainda não quero sair de cena. 

Recentemente minha filha foi morar num "Instelling", numa Instituição para pessoas deficientes de diferentes idades, necessidades, condições. Quem me acompanha, sabe que ela é autista e tem uma deficiência intelectual. O que vem a ser essa combinação?Digamos que ela sempre (por toda a vida dela), precisará de monitoramento, presença de um adulto responsável. Dominique não faz praticamente nada sozinha, a não ser dormir, comer, caminhar, essas coisas básicas. Ela sabe ler e escrever e fala, mas não faz perguntas, e tem um outro sistema operacional que nem uma amiga minha costuma falar sobre no site Autimates.
Ela é linda, e morro de saudades dela. Mas ela está bem, e volta e meia a gente se vê, finais de semana, eu faço visitas...e assim caminha a humanidade, e meus dias se passam, meu filho também aparece de vez em quando, está aqui nas férias nessa semana, tudo mudou na minha vida como mãe.
A princípio ela ficará até 9 meses por lá, mas depois irá para um lugar definitivo, escolhido pela comissão de saúde que estuda o caso dela e por mim, estou torcendo para que seja na minha cidade, mas tem uma lista de espera bem grande por aqui, e talvez seja por lá (cidades na região), deixa a humanidade caminhar, preciso ir também.
Ano decisivo na minha vida então, ano de 2015, ano de me colocar em primeiro lugar, prioridade número UM, EU, euzinha...e apertar os cintos, daqui pra frente preciso procurar uma ocupação prazeirosa, um trabalho de preferência fora de casa, ainda estou a pensar qual direção tomar, mas me manter em movimento já é um bom começo, ficar parado é poste que nem diz José Simão, e os cachorros fazem xixi no poste, sede e fome de endorfinas como sobrevivência. Depois de anos em casa com muito amor e dedicação aos meus filhotes, ainda estou planejando e me organizando para a mudança derradeira, mas a mudança maior já aconteceu, não estou mais todos os dias com meus filhos, estou com espaço, tempo, vontade, e necessidade para não sucumbir. 
 Resolvi apertar os cintos porque sim, minha vida financeira precisa se manter saudável, parei de fumar (há quase 3 anos), nessas economizei quase € 4.000 e fora a saúde que agradece, pulmão clareando, et cetera et cetera, comprei um piano no lugar, flores, velas, luminárias e quinquilharias que nem sei. 
Bom, já tenho uma bicicleta, aliás 2 (uma sem marchas tipo bicicleta do vovô como dizem aqui, e outra com marchas, que ganhei de presente). Tenho passe de trem que pago uma taxa anual de € 60, e tenho 40% de desconto de trem (quem viaja comigo de trem, também tem desconto, posso levar até 3 pessoas), porque os trens são caros na Holanda (TKT sem desconto: Roterdã/A'DAM/Roterdã custa € 30, frown emoticon ...opa é mais barato ir pra Paris. Enfim, vou continuar...a andar...

Roupas? Meu guarda-roupa está lotado, e nunca tenho o que vestir, mas vários 'little black dresses", sapatos, botas, etc, ou seja, à quem quero enganar?
Acabou, daqui pra frente vigorará a criatividade nos acessórios, penteados, etc..pois meu cartão de crédito vai entrar em hibernação, compras só à vista, até sanar todo o saldo do cartão. Novos ventos soprando nesse final de mês de fevereiro, as águas de março chamando a primavera, e assim, abril, e maio...e mais vida lá fora.

Já não gasto mais em revistas caras: livros? Estou com uma pilha pra ler para os próximos 2/3 anos. E tem a biblioteca pra ver todas as revistas do mês corrente, de 'graça'...normalmente bebo um capuccino por lá um caffe latte, mas daqui pra frente, vou levar meu próprio 'chimarrão', e de quebra, conhecer umas pessoas, pois qual o louco que sai na rua tomando chimarrão? O meu irmão, o Horácio Indarte
...se ele não está com o chimas, ele está lá na praça Roosevelt em São Paulo com a Mona Lisa dele. 

A partir de agora também, quem quiser ter o ar da minha graça, vai ter que conversar comigo em 'off', e marcar um programa amigo low budget. Até segunda ordem, vou ter que me recolher que nem Greta Garbo. Viagem ao Brasil? Só se for de 'negócios', investimentos. Why not? 
Energia elétrica/gás: já mudei para uma companhia mais econômica, e a lei é, aquecimento só nos lugares onde transitam pessoas, nesse imenso casarão de 5 cômodos. Restaurantes? O 'go Dutch" vai ficar pra depois, mas convites são bem-vindos! Brincadeira, comida em casa, é sempre mais gostosa, restaurante é bom, mas em ocasiões especiais, senão vira festival de lugar comum, sempre pra mim o mais importante é e sempre será a companhia, a gezelligheid, o realce, o palco.


Compras? Nada de colocar pães fora (mon dieu, e a quantidade que foi fora?), essa coisa de fazer torrada...não funciona), é muita torrada, pra pouca gente, ou de beber vinho como se não houvesse o amanhã, mais frutas...compradas na _________feira, às quartas-feiras e sábados, não precisa ser na xepa, não me xoxa, brincadeira tenho preguiça de feiras, vou quando acho que devo, e o supermercado fica a 3 minutos a pé da minha casa, com o cartão 'bonus', recebo muito descontos de promoções semanais, quem mora na Holanda sabe do que estou falando. 

Aulas particulares de português, yoga e meditação como coach, trabalhos de tradução (português/holandês), fico com seu gato/cachorro temporariamente (claro depende do cachorro, eu hein? e gato se for preto terá a minha preferência, uso muito roupas pretas), levo seu filho/trago da escola, escolinha, empurro o moleque no balanço,  o acompanho na natação, na esgrima, na aula de música se não coincidir com os dias da minha aula de piano claro, idéias, idéias e idéias em tempos de coléra, ops de crise. Crise? Acho que desde que nasci o mundo está em crise. E nem é uma questão de ser mão de vaca, é tendência mesmo, não existe uma maneira pra vencer, se não houver suor, brilho e devido valor as coisas que não se compram e sim são conquistadas.

Mas o que eu realmente queria e quero é fazer turismo receptivo sob medida na Holanda e Europa, viajar sempre foi e será uma paixão (sou diplomada), te acompanho, dou dicas que você nem imagina! Meu toque pessoal será pessoal e sob medida, nada de clichês, é só falar comigo (é fácil de me achar online = inbox), tá vindo à Holanda? Beleza, as flores estão chegando juntamente com os alquimistas, a primavera vem ai. Uma coisa sempre puxa a outra, mas é preciso tentar, arriscar a ter algo para no futuro ser meu próprio negócio, essa coisa de trabalhar para os outros, nunca foi meu forte, sou muito dona de mim, apenas tenho que ser realista, abrir um negócio até se abre, mas fora conhecimentos, aqui o Leão, dá uma mordida boa de 40% do seu lucro, ele será seu sócio, é preciso não se assustar do rugido. 
Nesse aperto de cintos, nessa vaca magra, o grande negócio é saber que tudo na vida é temporário e GG já sabia.

[...]
Essa aparência de um mero vagabundo
É mera coincidência
Deve-se ao fato de eu ter vindo 
ao seu mundo com a incumbência
De andar a terra, saber por que o amor 
Saber por que a guerra
Olhar a cara da pessoa comum e da pessoa rara
Um dia rico, um dia pobre, um dia no poder
Um dia chanceler, um dia sem comer
Coincidiu de hoje ser meu dia de mendigo
Meu amigo, se eu quisesse, eu entraria sem 
você me ver, sem você me ver, sem você me ver

O que vai permanecer? Minha curiosidade, minha essência,  minhas aulas de piano, minha cara de pau, meus 'escritos', minhas viagens anuais pro SOL, Grécia (chamou chamou?) Kalimera!



E mais,  minhas visitas, meu cineville, citytrips (London calling] minhas caminhadas, pedaladas, picnics, meu doce sorriso colgate palmolive smile emoticon, jantares kaZamigas, trabalho voluntário (permuta) e lindos zzzzonhos em meus brancos lençóis 100% algodão e nada de pesadelos até as vacas voltarem do brejo e decidirem engordar. Beijo me app!

Tuesday, February 10, 2015

Prelude Op. 28 n. 4 in E minor - Chopin



Ando tão fora 'do mundo' dos outros, e mais ainda quando abro a minha boca socialmente, em grupos, onde nem todas as pessoas dividem a mesma linha de pensamento ou interesses.
Sem perceber criei um mundo meu particular, que é às vezes tão lindo, e difícil de dividir, pois não interessa à ninguém, ele é só meu, não tem tradução.

Em grupo preciso brincar de faz de conta, de esconde esconde, o que eu realmente não acho fácil, mas sendo diplomática, assim o faço, para o bem de todos, pois em grupo também descubro uma outra faceta minha, inexplorada, e exerço mais do que nunca a virtude chamada paciência.

Tenho a impressão que vez ou outra minhas idéias soam como as de uma vida de eremita, ele(a) que saiu há pouco de uma caverna nos confins de uma floresta abandonada, ficou lá a meditar e a viver de uma forma austera, a comer frutos maduros que caiam das árvores, e caçar para sua subsistência, se proteger das intempéries, sem muito alarde,  sem participar de nenhum evento cotidiano, mundado, ficou lá à mercê sem cuidados com higiene, cheio de sujeiras e fedores rodeando sua matéria, mas com a mente e alma a levitar enebriadas de aromas de rosas, folhas secas e molhadas após a chuva, galhos, jasmins, lavandas, cheiro de terra odores esses flanando em seus pensamentos em contato da rica, prazeirosa e auto-suficiente mãe natureza, leve como uma pluma, em uma outra esfera, uma realidade antagonal à maioria de nós pobres humanos entupidos de perfumes embalados pelo suor de um trabalho quase que escravo, reclamamos quando a água não sai de nossas torneiras, ou de um problema de ordem supérflua em nossa vã alienação.
Estamos nós aqui, a pensar em nossos cabelos brancos ou ralos, em nossas rugas que aparecem dia após dia, cheios de deveres e afazeres, obrigações, conceitos e preconceitos pois vivemos cercados em grupos (casa/trabalho/vida social), como escudos de proteção de um mundo repleto de arapucas, perigos, buracos, areias movediças, maremotos, terremotos, invasões bárbaras, vírus.

Somos felizes em nossa ignorância, rimos de nós mesmos, e assim os dias se sucedem, um após o outro, bestas até acordarmos  realmente e VIVER, conforme queremos.



Mas o nosso ermitão, ficou lá naquele lugar, não para esquecer o sentido da vida, mas realmente viver de uma forma anti-convencional, livre, refúgio sem limites e também para não se contaminar com o pensamento alheio, não se deixar influenciar, e não prestar contas com ninguém.

Sim, porque as convenções, a sociedade no sistema capitalista, faz com que façamos COISAS o tempo todo, precisamos trabalhar para o ganhar o pão nosso de cada dia, ou arrumar alguém pra ganhar pela gente. Precisamos não pensar demais nesse pão, não encucar demais, precisamos beber pra esquecer, lembrar pra esquecer novamente, comer para esquecer.

Pagamos sempre um preço para ouvir Chopin, nocturnes/etudes/waltz/preludes...

Eu não consigo ficar sem ouvir Chopin por muito tempo, ou Bethoveen, ou Bach, ou qualquer música que queira ouvir que me transporte para essa floresta, para esse mundo que criei pra mim onde sou a verdadeira rainha e lembrando de minhas aulas de latim SERVAE DOMINAS AMANT. As elocubrações foram tantas nesses anos todos, os sacrifícios se transformaram como vinagre ao vinho, que atingi o âmago do âmago, uma vida bela de arte, conhecimento, que a solidão se tornou solitude.


Minhas infindáveis descobertas, as cores que me cercam, o pensamento do amor ideal, o que o que o futuro me trará de bom, de melhor?
O que é melhor que isso? Que esse estado? Que a idéia de aprender cada vez mais, de conhecimento, quantas vidas serão necessárias?

O que é mais belo que ouvir essas notas musicais umas ao lado das outras, nos encantando com esse presente maravilhoso em forma de prelúdios e tudo que virá depois?

Por que muitos não percebem onde está a verdadeira riqueza, que é a imaginação, a criação, a criatividade, a fantasia de um mundo criado do jeito
mais sublime que há, o mundo da beleza do conhecimento, sabedoria? A riqueza interior?

Toda a minha riqueza até agora, veio da fortuna de ter meus talentos, de ser a pessoa que sou, que me formei e transformei e me transformarei até
virar pó, todos os meus amores, quem amei e continuei amando, todos que eu pertenci e que pertenceram a esse templo maravilhoso, meu corpo, e minha energia.
Jamais consigo pensar numa vida de RIQUEZAS, sem pensar no quão rica eu já sou, por ser eu.


Isso assusta, porque poucos entendem. 
A maioria das pessoas creio eu, pensam que há algo de fora, que de repente uma magia vai acontecer, e elas de repente, serão belas, ricas, bem torneadas, magras, morarão em palácios repletos de serviçais, usarão as roupas mais lindas e mais caras, serão amadas por todos ao redor de uma forma avassaladora, dominarão o mundo, admiradas, por suas formas, a juventude eterna que acham que possuem. E andarão em tapetes com todas as cores dos arco-íris. Elas se esquecerão as sujeiras que fazem...viverão nessas gaiolas douradas para mostrarem o quão fúteis, parasitas, fracas, inseguras, medrosas são pelo resto dos anos de suas vidas vazias, fracassadas, inúteis, precisam ser salvas com a luz.

Cada dia que acordo, levanto daquela cama, e algo me empurra a completar a minha OBRA DE ARTE, nada de pintura, escultura, nem ópera, nem composição musical nem mesmo uma valsa, não sou jardineira de nada, meu talento artístico SOU eu e minha forma de expressão, meus pensamentos, o que sou pra mim.
O que escrevo, como me visto, como falo, o jeito de sorrir, de chorar, a maneira de ser e viver, a chícara de café que esvazia, o bule de chá, o lenço de papel, as idas ao banheiro, os livros espalhos pela casa, o olhar pela janeira pra ver como está o tempo lá fora, programar uma pequena viagem na minha imaginação, usar minhas agendas de papel, folhear revistas, me rodear de pequenas belezas e seus detalhes.


Essa é a recompensa pela minha ARTE, ser agraciada por um nome tão lindo de família como é indARTE, é mais do que habitar qualquer conto de fadas tropicais, e além de tudo ter um Borda, que é bordar, pintar a (Ind)arte e Bordar no Borda...incrível essa divagação, viajar, é pra lá que eu vou, fui, cheguei...parto novamente.

Essa viagem é tão dentro, que quando vou pra fora, colocar em palavras preciso ser clara, ter a obrigação de resumir, tudo o que não sou e nem quero ser um resumo, esses limites impostos de métricas e tempos, uma volta ao passado que já passou e nada mais é do que memórias.  NÃO ULTRAPASSE, dizem os cautelosos, de seus limites. Vá só até lá, até determinado ponto, porque se você for acolá, vai dar nisso ou naquilo, e tendo aquilo, vai dar tudo certo depois da aposentadoria, e você terá então um enfarte e MORRE(rá), de corpo físico porque já estava morto vivo.
E se não der certo, como sempre tem algo que não dá, você viveu intensamente, aprendeu. Pois a lição foi a prendida, se não for pra ser eu mesma, traga-me a morte, precisamos conversar!

Monday, December 8, 2014

Uma escada para o céu vai dar no inferno



Na vida, eu achava que tinha que começar de baixo pra cima, (no trabalho por exemplo, nem se falava em carreira), assim como eram nos 'estudos' dentro de escolas/escolas faculdades, mestrados, doutourados as pós graduações, na altura também, me via crescendo e ficava contente com cada avanço milimétrico. De um bebê dependente, virei essa marmanja que vos fala, 1,65 cm, estatura mediana, e agora fica se alargando, mas ao mesmo tempo se expandindo como pessoa, o conhecimento geral e também o autoconhecimento.

Eu achava que era assim, até 'praticamente chegar lá no alto', eu sempre lia essas coisas de CHEGAR LÁ, ouvia as canções, acreditava nelas.
As pessoas ao meu redor falavam, um dia chego lá, me aguarde (você que está lá,  eu também estarei), e essas baboseiras que a gente sempre inventa, de ouvir os outros, e ir atrás, achando que sabe das coisas, que eles sabem das coisas (pertinentes à nós) melhor que nós, quando em muitos casos eles nem sabem deles.



Já comentei em algum lugar, que tinha um  querido amigo que vivia falando isso, aquilo não me irritava tanto mas me incomodava, pois eu achei que o lá dele era Londres, e ele realmente foi morar em Londres, e voltou para o Brasil, para morrer.
Ele sempre foi grande, mas se fazia pequeno, porque queria galgar um tal 'sucesso' futuro, que obviamente nunca chegou.

Nunca me saiu da cabeça essas palavras dele, eu sentia uma profunda tristeza quando pensava nele, depois da sua morte, uma pessoa tão sociável quanto ou até mais que eu, sempre rodeado de beleza, de amigos, de festas, de família, morava com a mãe e irmãs num grande apartamento no centro de São Paulo e morador de Londres, um Londoner.

Ai eu cheguei no tal 'lá' curti, mas não gostei...e resolvi mudar, sair, descer (?), porque o  em cima continuou, naquele topo, na mesma lenga lenga lenga, de me fazer acreditar que você pertence a um grupo de pessoas, que você usa as mesmas roupas, ouve as mesmas músicas, dá as mesmas risadas, e se faz importante, protegido por elas, elas estarão lá sempre pra te aparar se você cair,
Acontece também que todos somos sós.
E eu sou como uma ave migratória, preciso me alimentar em outras latitudes e altitudes para sobreviver, e vôo é solitário.


Nessa mudança radical, eu descobri que uma escada para o céu vai dar no inferno: que na verdade nem existe descida,, descida foi parada, planos de mudança, medo do futuro, medo da solidão, medo do sucesso, saco cheio de ter que sempre agradar àqueles que me empurraram para um lugar que eu sempre quis estar mas não era "mais" o meu, parada, eu sou uma pessoa de movimento.

Nesta busca do céu, eu achava que iria encontrar o paraíso, duas pessoas, dois amantes vivendo juntos, filhos, uma casinha, um ninho, um pequeno jardim. promessas eternas, pra viver mesmo como as pessoas 'normais' o fazem, até descobrir que na vida não tem essa de descer e subir, a vida, a carreira, os trabalhos, os relacionamentos, nada disso é numa ESCADA, e essas pessoas ditas como 'normais' que eu tentei ser sei lá porque cargas d'água, realmente não me interessam, não me dizem absolutamente NADA, nem existem.

Tentei porque também tentei acreditar que faria parte de um mundo de faz de conta, esses livros que a gente lê, de contos da carochinha na infância e não entende muito bem, vê uma fada boazinha, o bem contra o mal, as trevas e a luz, a princesa boa, e a bruxa má o happy end. E quem quer se dar mal, sendo bruxa má? Ninguém.

Sorte que na minha infância eu li muitas fábulas também, muitas mesmo, que exemplificam melhor, todas de Esopo eu conheço e outras estórias que apareciam na minha mão, cheias de MORAL da estória, que nem sempre eu entendia, pois muitas pareciam injustas, mas não me colocavam medo e nem me impunham a ser uma princesa loira que merecia um príncipe num cavalo branco. Descobri porém desde cedo, que existe dois mundos distintos, a realidade e o faz de conta, a dualidade, e praticamente um não existe sem o outro, e para 'ser feliz' precisamos transitar entre os dois como se passássemos por muros transparentes, casas sem paredes, como se tivéssemos asas e muitos pós de pirlimpimpins para nos tirar de situações desagradáveis, precisamos passar pelo inferno.
Só que não me contaram que ninguém passa ileso pelo inferno. Se sai de lá, como se fosse um Hércules, qual o próximo trabalho?

Dizem por ai que toda criança é um artista, e também acredito nisso, apenas acredito também, que muitas escolas ensinam 'coisas erradas' para essas crianças, há pais ocupados, medrosos, recalcados, frustrados com suas próprias vidas, e passam isso achando que terão um dia uma recompensa de sei lá de quê. Por pouco fui assim, apesar de não ter frustrações como pessoa nesse sentindo, realizei coisas, fiz sempre o que achei que deveria ter feito, e sou grata por isso, por seguir o meu coração, e a minha mente inquieta, e como mãe já ter tido os filhos que tenho é a recompensa. O pote de ouro é meu e ninguém me tira.
Eu sou ainda uma menina, pequena e melancólica, apesar de ser uma adulta sorridente. Descobri na minha vida adulta que a vida em si é preciosa e estava à minha frente quando criança e jovem, e agora eu estou na vida e ela em mim. No way out? Ainda não, espero...ainda quero ver meus filhos bem, eu bem, para continuar passando por todos os abalos sísmicos desta minha plena vida.

Viver é pra brilhar, gente é pra brilhar (como diz a canção), é pra dançar, é pra sair pelada na chuva, pra gritar, é pra respeitar o outro, aceitar, estender a mão, criar, viver intensamente, mas isso não quer dizer que o mundo é assim, problemas são pra serem resolvidos, desafios temos todos os dias. Há forças que só seguem a realidade, e outras que as negam. Não, as duas forças são necessárias para o bem viver. Essa é a fórmula.
Realmente para chegar no céu é preciso passar pelo tal inferno, e não há problemas com isso, pois se a base é forte, sempre encontraremos forças que se sobrepujarão à todo mal, pois é tudo mesclado, uma ilusão.

Pois dica de 'moi' para o mundo que me lê, seja sempre GRANDE, sonhe grande, sonhe alto, voe, viaje, pense GRANDE, não seja tão realista, racional, dê com a cabeça na parede, seja impulsivo de vez em quando, eu fui radical porque minha intuição disse pra eu ser assim, eu fui e quando às vezes tento pensar que agi errado me dou por conta que não, estou exatamente lá, onde devia estar, onde queria estar, apenas não sabia que o lá era aqui, e que o aqui seria ASSIM como é.

Uma das coisas que ajuda muito é ser organizado, planeje seu futuro (na sua cabeça), faça planos, viva o momento, eu por exemplo desde que sai da COVA, nunca mais voltei, tirei o que não me servia mais, dei coisas, me desfiz, comecei de novo, sempre começo de novo, todo dia é um novo dia.

Eu penso grande, até assusto os outros que estão lá no ponto morto, eu tento ficar em ponto morto, mas minha cabeça não quer, não faz parte de minha personalidade. Não me preocupo se o que eu penso é um LUGAR distante, ou algo que queira atingir, inatingível para muitos.
Eu confio, o maior compromisso que tenho nessa vida, é ser fiel à mim, é não mentir pra mim, é não travar uma batalha constante que me atormentará, pois como muitos sabem, a mente, mente.
A minha mente é uma coisa de louco (a nossa), o que eu acho ótimo, contanto que não seja insana, como já aconteceu, quando tudo lá dentro, fica pequeno, sombrio, frio. No inferno é frio, e o gelo queima.

Eu medito pra parte mentirosa e sabotadora, da minha mente me deixar em paz. Nesses últimos tempos tenho estado com  com dores no corpo, eu somatizo, (devido as circunstâncias familiares, quase 17 anos com filhos em casa todos os dias, e agora sem nenhum, como lidar, como me auto ajudar?), como 'processar' essa tristeza, e transformar o veneno em remédio? Como dizem no budismo. Eu pego devagar, respiro fundo, às vezes nem dá, já que (temporariamente não posso sentar no chão), eu sento numa cadeira, e fico lá dentro 5 e 10 minutos, nem queiram imaginar o que se passa nela, e de repente parece que eu VENÇO a minha mente, parece que eu deixo de existir.

Se você se sentir atormentado, triste, sem saída, tente fazer o mesmo, encontre o seu jeito! Se afaste da situação que lhe incomoda, se afaste da mente preocupada, dos afazeres diários, crie, pense que o mundo é muito mais colorido, muito mais feliz, muito mais completo, e o universo é perfeito, ele não está em nenhum lugar, nós somos o universo.
Há muito tempo que estou onde queria chegar. (Bebete Indarte - 28/5/2013)

É uma libertação. É também uma batalha incrível como se o troféu da vitória fosse estar flutuando no espaço, sem gravidade, totalmente sozinho, sem ser solitário, e no calor vendo aquelas luzes ao longe e se sentir completo e também por ai transitar em diferentes mundos, voando, pulando, flutuando, num mundo sem portas, sem janelas, sem passaportes, sem chão, sem limites, sem bagagens, sem escadas sem céus nem infernos.


Wednesday, November 26, 2014

Mamãe não sabe tudo



- Quanto tempo eu vou ficar lá? Ela me perguntou.

- A princípio 3 meses, respondi...mas na sexta (feira) eu vou te buscar, e se você não gostar é só me ligar que eu vou te buscar imediatamente, eu ligo pro seu pai, pegamos o carro, e vamos.
(Já tinha feito com antecedência uma agenda de endereços de A-Z dessas de capa dura mesmo, bonitinha...para anotar meu telefone celular, o fixo de casa, do irmão, do celular do pai, da casa do pai, avô...etc. Ela não tem celular, não sabe usar smartphone.) Talvez aprenda lá, um mais simples.

Depois se tudo der certo, você ficará por mais 3 meses ou prorrogados por mais 6 meses (nem usei a palavra prorrogação nem avaliação), e você ficará lá, mas em outro prédio, ou talvez teremos que procurar outro lugar pra você (se não tiver vaga), ou talvez você voltará para casa, ou vai morar lá de vez, e se não der pra morar lá será em outro lugar semelhante (não usei o termo semelhante), ou talvez uma semana em casa, outra em outro lugar. Não se preocupe, vai dar tudo certo! E blablabla...
falei demais, expliquei demais, compliquei demais.

E engulo em seco o choro porque era já a segunda, ou seria a terceira vez que ela me fazia a mesma pergunta e a insensata aqui deveria ter respondido de uma maneira mais simples, com mais clareza para realmente informar por A + B, que ela ficará a partir dessa data (24/11/2014) morando lá (temporariamente), por 3 meses, portanto, até 24 de fevereiro. E em 24 de fevereiro será marcado com todos os assistentes, médico, auxiliares, pedagogos, para uma avaliação desses três meses.
Uma das especialistas tinha feito um calendário NOVEMBRO/DEZEMBRO - para informá-la das diversas atividades nestes dois meses. Infelizmente ela não olha (esquece) não sente necessidade, não há propósito, não há interesse, cada vez mais confinada na própria mente em ebulição, cada vez mais confusa com tudo e com todos ao redor.

A resposta que eu gostaria de ter dado, seria: EU NÃO SEI, o que vai acontecer com o seu futuro, mamãe não sabe tudo.
Se dependesse de mim, você não iria, se dependesse de mim, você nem seria autista, nem estaria passando por essa fase horrível da adolescência, você não sofreria como você sofre, você teria muitas amigas, estaria saíndo agora, indo pra balada, e eu estaria me preocupando no horário que você voltasse pra casa, no telefone desligado se você se atrasasse. Ou talvez você tivesse um namorado, e algo mais íntimo estaria começando entre vocês, e a mãe te levaria no médico para pedir uma pílula, essa mesmo que você toma agora, mas porque é para regular o seu ciclo menstrual que é muito longo e muito intenso, e você entenderia o porquê de tomar uma pílula anticoncepcional. E você teria na escola, aulas sobre sexualidade para jovens, workshops, palestras.
Ou talvez você fosse como eu, nessa idade...nada de namorados, feminista, gostaria de futebol, ia querer ser, agir que nem os meninos, usaria seu cérebro mais do que maquiagens ou unicórnios cor de rosa. (Esse que você ganhou de seu único amigo, Jeroen)...ou seria uma menina dessas bem chatas, más.
Unicórnio que ganhou do Jeroen (único amigo)

Mas você não é uma menina 'normal', nem anormal...você apenas é um doce de criatura, que eles chamam de autista, e além de tudo, tem uma 'capacidade intelectual limitada', que te faz você não ver a maldade nas pessoas, você não manipula, você é quem é, e antigamente mesmo com tudo isso, você sorria e muito. Agora você chora do nada...e eu pergunto o que foi? E você diz, NADA. porque não sabe expressar o que você está sentindo, essa prisão que é o seu corpo.

E isso me corta o coração. Mas como eu sou que nem você, eu sou feliz, pois você mesmo assim, sendo quem você é, você me dá muitas alegrias, sempre deu, desde o dia em que você nasceu, o meu primeiro bebê, depois veio o 'Broertje" (Maninho), mas você sempre será meu primeiro bebê.

No mancebo (kapstok) do hall de entrada (onde se colocam os casacos, chapéus, cachecóis), o primeiro gancho é sempre pra ela, que religiosamente chega da escola, tira o casaco, o cachecol e os sapatos, entra na sala e coloca a mochila da escola na mesma cadeira, perto da cozinha (pois lá estão o tupperware do lunchbox, da fruta...alguma coisa feita na escola, uma carta, um trabalho manual), a chave dela de ursinho da KLM (quando a tia Joyce ainda trabalhava na KLM, a madrinha dela no Brasil, grande amiga que esteve presente no parto aqui na Holanda), naquele dia lindo de sol, 19 de maio de 1998. Demorou, mas ela aprendeu a abrir a porta de casa, o problema era teria que virar a chave para a esquerda, ou para a direita. Por ela, eu nunca dava duas voltas, pra facilitar, porque duas voltas complicava demais. Ela já entrava em pânico no início com uma.

Tudo era tão lindo anos atrás, eu era a grávida mais feliz desse mundo, a futura mãe cheia de sonhos, esperanças afinal pelo teste já sabia que realizaria o sonho de ter uma menina, uma amiga futura talvez...como tentava ser de minha mãe. O principal era que fosse saudável...e lá nasceu você, com todos os dedinhos, 2 olhos, um nariz, duas pernas...etc, magrinha mas perfeita.

Depois de colocar o casaco e a mochila, religiosamente também vai ao lavabo, treinada desde os 8 anos quando deixou as fraldas à noite..., em determinados momentos, incontinência urinária chama-se, o cérebro manda o sinal tarde? A parte do cérebro que funciona de outra maneira...mas o treino deu certo, apesar da pergunta ser diária, ano após ano. E às vezes nem preciso mais perguntar, ela vai por si, naqueles momentos ao toilete, pela manhã, na escola (uma ou duas vezes), ao chegar em casa, mais uma vez (antes/depois do jantar), e antes de dormir. Lavou as mãos? Aquelas perguntas de mãe.

Daqui por diante, aquele gancho será preenchido por mais um dos meus tantos casacos, os mínimos detalhes de educação de uma criança especial, que não é mais uma criancinha, mas continua a agir como uma criança, e até diferente de uma criança. O silêncio que vai imperar nessa casa, não o silêncio pela falta de música, mas aqueles ruídos de sempre, alguém chegando...que ultimamente eram cada vez menos, sobrara apenas os ruídos dos passos na escada, os 'tiques' no quarto, os pulos (lá em cima tem carpete)...o barulho debaixo do chuveiro...as raríssimas aparições no andar de baixo.
Essa casa enorme...vazia, comigo, mudança, ninguém mais pra cuidar, pra dizer...o jantar está servido, lava as mãos, bom apetite em português e holandês!
Antigamente meditávamos. Mas Dimitri se foi para o pai, de vez em quando aparece...e a casa se enche de sol, apesar dele não largar o iPhone...a presença dele enche o ambiente de calor. Ano passado o convívio estava insuportável, o menino estava indo muito mal na escola, o estresse com a irmã, ela não suportava a presença dele. E ele se enfiava mais ainda nos jogos do computador. A escolha de Sofia. Escolhi ela, ela sempre foi minha prioridade número um, e ele coitado, no segundo lugar.


Não perguntarei mais: como foi na escola hoje? Tentando pescar alguma frase. No que ela muitas vezes (nos últimos tempos respondia: leuk (legal). E tudo era 'leuk', mesmo que não era 'leuk'. A pressa para retornar à seu refúgio, o quarto, 2 garfadas na comida, prato na pia da cozinha...e ciao!
Não curtia mais nada,  eram fugas, agressões, gritos, isolamento.
Imagina o ano inteiro trancada no quarto depois da escola, se não fosse Tamara (assistente) vir 2 vezes por semana, por 2 horas, ela nem veria a cor de uma folha de árvore. Mas amigos (as) ninguém, ano após ano...solitária na rotina, estática, aliás no retrocesso.

Gostaria de não chorar, de ser forte e pensar, preciso confiar que tudo será para o bem dela, que tudo vai 'continuar bem' como era antigamente e até melhor. Quando ela mesmo com todos os impecilhos intelectuais/hormonais, era uma criança muito alegre, daquelas que vê o copo sempre cheio.

- Wat een mooie dag. (Que dia lindo).
E eu olhava pra fora e via aquele cinza holandês. Eu era feliz e não sabia...normalmente eu sempre sei se sou, ou não.

Me abasteço de lenços de papel do supermercado Albert heijn, (zakdoekjes) 4 camadas de mentol...
Embora sabendo de todas as vantagens, a manteiga derretida aqui não consegue fechar a torneira.
Se choro pelo drama alheio, como não chorar pelo meu próprio? Como não me emocionar, mesmo sabendo que a razão diz, isso é fase, vai passar, será melhor. Confie.

Ah! Como seria mais fácil se eu ainda fumasse, ou se fosse chegada num álcool, ou usasse uma droga qualquer que me levasse para o Nepal, Katmandu, nas montanhas do Himalaia, numa casinha com alguns nativos, sem comunicação verbal, assim...numa peregrinação solitária, procuraria alento, hospedagem, e a família me acolheria, me daria um canto quentinho pra dormir, me serviriam um chá, e talvez até tivesse uma comida por lá, uma sopa, um pão, para esquentar a alma e o corpo do cansaço. Poderia ir também para um lugar nos Alpes Suíços, naqueles campos floridos, com aquelas flores do campo minúsculas, aquela grama verde, aquelas roupas de propaganda de chocolate Milka...numa tarde ensolarada de verão.
Mas não, o dia "D" chegou...hoje, o dia que eu achava antigamente que seria lá depois dos anos 2020, quando eu nos altos dos meus 70 anos, mais velha e cansada, sentiria essa necessidade...

Cena em 2014 - Robin diria...

"Foi Deus quem quis ...______________________assim...

E Batman Impaciente daria uma boa de uma bofetada no menino prodígio e responderia.

E lá você é mãe pra sentir o que ela sente?


Tutto a posto. Não quero mais ser vítima. Minha história é sempre diferente.
Desde que sai de casa naquele 1979. Antes toda a família reunida, os 8 filhos, a mesma mãe e o mesmo pai. Aquele tédio gostoso do sossego na adolescência, aquela harmonia...desde que deixei aquilo, minha vida nunca mais foi como as vidas que vejo por ai, pareço que não mereço a paz por muito tempo, parece que a escola sempre vai continuar pra mim, todas as lições de casa, uma atrás da outra, Eu tinha medo de provas na escola, mesmo estando preparada, o nervosismo me carcumia, e agora todo dia é uma prova de fogo. Ah! Essa é a vida, bem sei.
Éramos três, unidos...hoje somos 3, cada num ambiente distinto. Nada a fazer, tudo melhorou desde que Dimitri foi morar no pai, digo, o nosso relacionamento, mãe e filho.


O silêncio que essa casa vai exalar, a comida só para uma pessoa depois de anos...o ritual de acordar todo o santo dia 06:45, snooze à 7, levantar, chamá-la às 7 horas.

- Está na hora!

Queres a luz acesa ou apagada?

- Acesa ou apagada. Ela respondia...às vezes acesa, às vezes apagada.

E assim era a nossa vida, poucas perguntas e respostas, mesmas perguntas e respostas, nunca era uma novidade, era tudo tão HOJE, do momento, os rituais,

Ai ela descia, a mesa do café da manhã já posta, muesli/cornflakes, pão...leite/suco, ultimamente com lactose free (sem caseína a proteína do leite). E no lunchbox: 3 fatias de pão de centeio (diferentes recheios, num saquinho pra pães), 1 fruta, 1 biscoito muesli, ou Liga, 2 pacotes de suco (cada dia um diferente para não enjoar).
O que toda mãe holandesa ou que mora na Holanda faz...fazia desde os 4 anos, praticamente a mesma coisa, mudava a fruta, o biscoito, o suquinho de pacote.
Lembre que uma vez só, coloquei um pote de geléia do nada (dentro da mochila), acho que foi a única vez que errei.


- Dormiu bem?

Ja - pronuncia-se iá. (sim).

E no final, ela escova os dentes na pia da cozinha (um jeito holandês de ser), tem 2 pias...e sentava no banquinho para esperar a van (táxi), mas antes pegava o casaco, o cachecol, calçava as botas...e dizia:

O táxi chegou. De taxi is er (mama).

Acompanhava-a até a porta, dava um beijo e dizia: Doe je best op school! (tipo faça o seu melhor hoje na escola).

E 'corria' para a janela da cozinha, e acenava, para ela, para o educado motorista.

Até mais tarde e tenha um bom dia na escola!

Até mais tarde Dominique, no fim de semana a mãe vai te buscar! Não, nesse será seu pai.
Ah! Despedidas, ser mãe é se despedir o tempo todo das fases dos filhos, e eu ainda mais pois ela já passou por tantas escolas diferentes.

Um dia talvez será tudo como era antes, ou melhor...será tudo melhor.
Lembro da música holandesa, 'Despedidas não existem'. É uma música cafoninha, acho que de um casal que tem uma filha, o pai se foi...

E é por ai, despedidas não existem, um coração de mãe não deixa. Mamãe pode não saber tudo,
mas uma coisa eu sei. Eu te amo muito doce Dominique.

Tot ziens!










Saturday, November 22, 2014

O luto eterno



Não sei se as pessoas fizeram a egípcia pra mim na rua hoje ou não me reconheceram, na verdade um 'casal' conhecido são essas pessoas, a mulher me olhou mas evitou o contato no olhar, talvez seja porque vestia PRETO da cabeça aos pés, e o chapelão meio que tapava o meu rosto parcialmente.
Talvez sim, talvez não. Eu parecia chamar atenção no meio daquela multidão do mercado de rua.
Encontrando o Luciano (conhecido) mais tarde na frente da biblioteca pública o confidenciei.
Ele como um bom louco disse que eu estava muito elegante e talvez as pessoas tenham exatamente o medo de se aproximar.
Só que eu sei que a minha elegância, nem seria por estar magra, muito pelo contrário, os 15 quilos a mais...já estão fazendo parte do meu corpo praticamente, a minha elegância era urubótica mesmo, assusta e associa à algo negativo digamos assim.

Resolvi sair de saia longa de lã (que eu comprei de segunda mão acho que por € 5 ano passado, numa 'kringloopwinkel/charity shop/brechó sem ser bonitinho). Uso muito essa saia de malha com uma pequena fenda na lateral, com sapato preto 'brogues', botas de canela e tênis... e depois aqueles casacos fluflus, nem sei o nome que nem era pra comprar, mas ano passado estava em Harlem entrei numa loja que eu adoro, e a vendedora de 16 anos estava usando um, e vendia na loja, não consegui ficar longe, é tão bom de usar quando está frio, mas não tão frio, porque dependendo do frio, depende do casaco, e de passagem tenho vários pretos, vários mesmo, de todos os tipos, modelagens, materiais, mas sempre tem os favoritos.

Esse ano vc encontra quase em qualquer esquina, digo, esses casacos peludinhos...e o meu chapeau preto (um deles), pois a coleção está aumentando, sem querer, também. Descobri aqui na Holanda que sou uma pessoa de caráter colecionador. 
Ao longo da minha vida coleciono COISAS, me desfaço, e começo a colecionar novamente...se estou com 54, acho que isso não vai acabar assim.

O visual URUBU é pra manter mesmo o povo longe (às vezes), não que seja intencional, assim só se aproxima quem realmente tiver interesse (quem vê através das aparências), é um código particular, uma maneira de comunicação, não verbal, afinal a 'moda'/roupa é uma excelente forma de expressar nossos humores, o que achamos, ou não, quem queremos na nossa vida, ou não, quem chega perto, quem fica onde está.
Claro que adoro certas padronagens e uso cores, algumas delas.

Sou 'urubu'  desde os anos 80. Um belo dia eu lembro bem, cortei o meu cabelo super curto, pintei de preto...e usava uma calça de malha (nem lembro muito bem de onde saiu, e nem usava maquiagem, não se usava calça de malha no início dos anos 80)...desde aquele momento, o preto virou uma COR QUE ME DEIXAVA MUITO FELIZ, muito mesmo, uma sensação de poder, de força.  Usar preto, não é só usar preto, querer ficar magra, ou parecer enigmática, de mal com a vida, ou sei lá o que as pessoas que não entendem esse 'statement'. É uma questão indie digamos assim, independente de qualquer coisa, de rótulos que a sociedade quer te impor. 
E cada vez mais me sinto uma pessoa 'indie', porque posso ser tudo que sempre fui, ou sou...eu.
Antigamente eu sentia uma certo desconforto em não pertencer 100% a um determinado 'grupo'. Eu gostava de determinada 'coisa', mas também gostava de outras coisas, e isso na JUVENTUDE é uma grande paranóia, pois é a fase que precisamos (pela nossa insegurança) ainda nos situar no mundo, estamos nos 'transformando' em nós mesmos, nos descobrindo.



O PRETO, usar preto, carrega em si, vários mundos, tem vários tons de preto literalmente, conforme a textura do tecido (fabric), o tipo...tem aquele preto 'russo' que a minha mãe falava, que por sinal...eu poderia usar o preto como LUTO pois hoje o mundo completa 18 anos sem a minha querida mãe, e eu acho que nunca vi a minha mãe usar preto, o preto brilhando, verniz...o preto fosco, o preto puxando pro grafite, ébano, azulado...e por ai vai...e os diferentes significados e intenções de usar preto.
O preto da viuvez e do luto, com seus simbolismos nas diferentes culturas, se aplica hoje, aniversário da morte da minha mãe, o preto da burka.

Não estou de luto pela minha mãe, acho que nunca estive, ou sempre estive.
Lembro foi a oportunidade de ver a minha mãe filha no enterro da mãe dela. Quando lá cheguei, estava minha mãe aos prantos, completamente vulnerável. "Dedeti (como era o meu apelido em 'casa') a minha mãe se foi, a minha mãezinha".) Ver a minha mãe naquele estado, me cortou mais o coração do que a morte de minha avó em si.

Pois, o interessante é que eu MORRIA de medo, que minha mãe morresse um dia, eu tinha mais medo da idéia da morte do que a morte em si. E talvez esse seja meu luto, antes do luto, sem luto. E quando ela morreu, eu estava longe e perdi o enterro (no Brasil eles enterram o morto muito rápido).
Perder a mãe, ninguém perde a mãe, também já escrevi isso.
Chorei muito, chorei o dia inteiro, enquanto o vôo para o Brasil não vinha...mas parece que lá onde 'a energia' da minha mãe está, se é que é um lugar, uma outra esfera, dimensão, pluralidade do multiverso, ela não deixa eu chorar, ela me faz sempre forte.
Talvez por eu ser mãe também, agora...e essa é a força das mães, elas sempre protegem os filhos onde quer que estejam, mesmo quando não mais
estão.
E por essas e por muitas, que uso gosto de usar preto...uma cor que conforta e colore a minha alma, 
sempre há um bom motivo para ser eu mesma. 

Saturday, March 22, 2014

From here to Eternity - HER

Ontem à noite fui assistir HER (Ela no Brasil) Uma estória de amor (Portugal). Pra variar fui sozinha, vou de bicicleta, levo meu smartphone  meus fones de ouvido e o desligo nos últimos 3 minutos, sempre tenho a companhia virtual de meus amigos no whatsapp, no Facebook, consulto o Pinterest, meu filho (whatsapp), meus exes (pai, Jurgen = amizade colorida), minha música, tudo meu...num aparelhinho acessível, assim não preciso daquele confronto de olhares na minha direção em minha paranóia: 'ela está sozinha" não tem ninguém, síndrome de Bridget Jones. Sim tenho alguns segundos de pensamentos paranóicos em público, mesmo nos altos das minhas 53 voltas em torno do sol, até ligar o botão F. Sim, eu sou uma pessoa altamente sociável, extrovertida, mas quando estou sozinha, estou sozinha e ponto final.
Sorte a minha que hoje em dia conto com excelentes companhias nos mais inusitados lugares, graças à tecnologia, e nada mal ouvir música, sou a minha melhor DJ e música pra mim é de importância máxima, afinal a vida de 'single lady" não é bolinho, é um bom de um cupcake enfeitadinho.



Já acostumei até, mas aquele zum zum zum antes que a luz se apague pode ser um desconforto torturante dependendo do meu humor, principalmente em salas pequenas, em grandes você se mimetiza com a multidão é um mero mais um, mas em pequena você fica fisicamente muito perto do 'outro".

Há 17 anos frequento as salas de cinema e cine clubes de Leiden, e sento assim...no lugar que eu quero, e lá estou eu meio que 'autista', e ao redor os outros: com seus amigos, seus companheiros, raramente vejo pessoas sozinhas, e tem a tal PAUSA, no meio do filme as luzes se acendem e lá vão as pessoas consumir: vinho/cerveja/café/chá...et cetera, ou simplesmente ir ao WC, ninguém pega o lugar de ninguém. Ontem foi engraçado quando uma mulher foi sentar à minha frente, me olhou com aquela cara de reprovação (dela), porque por mim tudo bem...eu, com fones de ouvidos amarelos, meio 'gótica' recentemente descobri que muitas pessoas me vêem como 'gótica' pelo meu amor à cor preta, mas vou direto ao ponto, antes que seja esse mais um texto de blog, inacabado. Tá certo que me interesso pela filosofia wabi-sabi da impermanência e imperfeição, mas não quero soar nonsense.
Adoro ir ao cinema (e assim muita gente da minha geração), percebo também que as salas de cinema estão mais vazias, e não espero companhia de ninguém senão todos os filmes sairiam de cartaz antes de os ver,. Acostumei e até gosto é tudo muito cômodo de bicicleta, pois sou a minha própria companhia na maior parte do tempo, coisas de vida na Holanda, e principalmente pra mim que fico 80% do meu tempo: EM CASA. Sair é o meu grito de independência, liberdade...apesar de amar muito a minha casa.


Tenho visto bons filmes nos últimos tempos, mas nenhum que me dê realmente vontade de escrever (pelo menos nesse blog). Tenho escrito 'notes' no Facebook, que também gosto muito, afinal estou 'sempre' lá, e aqui tenho vários rascunhos, nunca acho bom o suficiente, ou quando começo a escrever, confesso que perco o foco, e vou fazer outra coisa, deixando os textos inacabados. Um dia ainda faço um blog com os textos INACABADOS, ou publique um livro.

HER me transportou ao mundo do subconsciente da ânsia por um relacionamento ideal entre as pessoas, e quero exatamente escrever sobre isso, não só sobre o filme em si,  minha visão e opinião em relação sobre o momento, humanidade...tecnologia, ficção científica, a nossa essência, o meu momento, o nosso momento 2014, século XXI, computadores inteligentes, humanos, e nossos desejos mais profundos...a combinação e influência disso, afinal ainda sou uma garota séc. XX. Conheço o antes - e o depois.


Já estamos quase lá, no filme HER, ou já estamos de certa forma lá: como se fôssemos autistas, não precisamos exatamente do outro, ou a pergunta seria? Para que precisamos do outro? O outro sempre nos decepciona, precisamos do outro pra crescer, mas crescer dói, erramos, eles nos odeiam, nos reprimem, são possessivos, querem nos controlar, nos querem bonitos, jovens, magros, cordatos, inteligentes, limpos, Primeiros nos apaixonamos o layout, mas logo a paixão se esvai, o outro tem sempre problemas, defeitos, o outro morre um dia e nos deixa: sozinhos, o outro vira um esboço, um rascuno mal feito, o outro diz uma besteira imperdoável, o outro fica chato, desinteressante, aparece um outro Amor, Amizade. O outro muda de cidade, arranja um grande amor, nos deixa: sozinhos. O outro está muito feliz envolvido nos seus próprios projetos, nas suas viagens, na sua vida, não tem mais tempo para nós, nós não temos mais tempo pra eles, nossas vidas são corridas, mas quando se vê: já se passaram 53 anos. Mas o que são 53 anos comparados com a eternidade? A imensidão e a expansão do Universo? 

Estamos vivendo em um momento de relações idealizadas em nossas cabeças, queremos que o outro caibam em nossas vidas, em nossas expectativas, nos compreenda, queremos o outro com o corpo forte, saudável, sempre disposto a nos dar prazer, amizade, companheirismo, nos inspire, nos ajude, nos alegre, nos diverta, preencha aquele vazio, nos ampare na queda. Queremos que o outro não nos atrapalhe quando estamos usando a internet, lendo um livro, assistindo um filme, apreciando uma xícara de café, comendo a sobremesa favorita, escolhendo uma roupa para festa, queremos que o outro leia ou decifre nossos mais profundos desejos e pensamentos, nos aceite em nossas inseguranças, nos apoie diante de nossas frustrações. 
O queremos PRESENTE, mas não o tempo todo, queremos o outro apaixonados, assim como nos apaixonados, e só temos olhos pra eles, mas quando o queremos.
Queremos nos apaixonar, e levar essa paixão para o resto dos nossos dias, mas queremos mais do que tudo é ser feliz, é hora de acordar dessa ilusão.


Precisamos o tempo inteiro do outro; interessado em nossas descobertas, o outro girando em torno de nossa órbita evolucionária, de nosso progresso, de nossa rotina diária, queremos ligar e desligar o botão quando nos convir: do outro, porque o nosso só o fazemos ao dormirmos. Que exaustão, estamos cansados, eu estou cansada, e você já se perguntou? Já parou para pensar? Eu sim, o faço praticamente todo o dia.

Seria uma maravilha ter 'um outro" HER or HIM or even IT, uma inteligência qualquer à disposição de nossas horas, de nossa rotina, pronta só pra nós, para nos manter afastados da solidão, não pra brigar com a gente (como gente de verdade faz o tempo todo), que entende nossos problemas existenciais, 'alguém' que nos dê essa sensação de intimidade, companheirismo (meu HTC One mini?), entendimento intelectual (meus amigos whatsapp/Facebook/Vida?), calor humano (?), necessidade sexual mais evoluída (Dating sites, quando alguém gosta de você, relacionamentos que vêm e que vão), alguém que realmente se importasse com a gente (mãe/pai/familiares), nosso bem-estar (nossa própria paz), nossa evolução (sabedoria), alguém ou algo que nos desse um empurrãozinho, para realizarmos nossos sonhos (a voz interior que nos mandar ir à luta para realizar esses sonhos), fosse nosso 'agente', nosso representante, soubesse de nosso talentos, soubesse vendê-los. No caso do filme o livro de cartas do moço, publicado, que vitória, mas se não fosse: Her, lá estaria ele...naquele escritório, levando uma vida de ficção, não sendo o protagonista da própria vida. 


Ando numa fase Allan Watts. AL caiu na minha mão, 'olhos e ouvidos como por encanto. Fui aceita num grupo fechado de ZEN tempos atrás, o qual aprecio e respeito muito, todos os integrantes do grupo, não que os conheça, não que não respeite todas as pessoas que apareçam no meu caminho. Tenho assistido vários vídeos de palestras dele, meditação é...
Faço yoga há anos, medito...e meditar é...

Pertencer à esse grupo equilibra meu lado zen, wabisabi, de yogini...pois isso é meditar, e meditação é... (sinal do gongo), segundo Allan Watts, e assim nesse grupo têm seus membros, pessoas que estão em sintonia com meu momento zen, sabemos que não somos importantes, ZEN. E a importância de perceber o Zen.  
Estou nesse 'caminho' digamos há muito tempo, nem lembro quando, meu foco é ser sábia muito antes do zen, algo que aprendo todos os dias, desaprender crenças antigas que não me servem mais, ter paz, procurar a paz, a natureza, seguir a minha essência, tenho vários gurus, não os uso como gurus, pois eles mesmos sabem ou sabiam, que há diversas maneiras e momentos de atingir a LUZ. 
Sabedoria palavra máxima mas sem limites, conhecimento máximo e infinito, parar, não fazer, aceitar, ter paciência, respirar fundo, respirar, calar, ouvir, perdoar, mudar, transmutar, nascer a cada dia, agradecer por tudo, por mais um dia, ...apreciar a vida, como algo grandioso,  uma vida é nos 'dada', muitas vidas e organismos lá fora, mas muita vida dentro, da nossa inteligência, da nossa energia. Uma celebração enquanto durar, equilíbrio, zen, a dádiva de respirar. 

Quando contamos com aquela companhia, aquela inteligência, aquela apreciação, aquele ouvido sincero, aquela voz compreensiva, positiva, empática, evolutiva e sábia de nós mesmos, a consciência disso tudo, encontramos HER, HIM, ITS o outro,  e o outro somos nós e nada melhor que a nossa própria companhia.

Wednesday, November 27, 2013

Piensa em mi

E lá vai chegando o final do mês de novembro.
O que isso quer dizer?
Muita coisa, para mim.
Os dias curtos e escuros, sempre é assim, e sempre será, aqui onde vivo.
Sempre terei um certo temor disso.
Sobreviverei?
Só janeiro dirá.
Não que esteja já vivendo no futuro.
Mas gatoe= escaldado tem medo de água fria, sim.
E para aquecer a alma nesses dias frios, nesses dias solitários, e escuros, nada como
uma boa música.

Sunday, November 17, 2013

Poema 007 II


Não confie em mim
Não tenho dono, quem manda em mim é ele
Deixa que eu confie em ti
Deixa que eu me desespere
Me desaponte
Me dane
Que meu coração seja quebrado, esmagado, triturado, desmantelado
É assim e será assim até o fim dos meus dias
Ele sempre se refaz
Quando cansar de todas as batalhas, quando perder essa guerra,
cá e já estarei morta.

Eu vivo assim mesmo
Eu vivo a mendigar
perambulo por ai,
Escolho uma esquina
Sou mendiga do amor
Agora do teu
Mendigar, pedir, me empolgar, eu vivo sempre com esse vazio
Eu vivo ao extremo
No vazio, tento enchê-lo com todas as cores, sabores, sons
Nada funciona por muito tempo

Desde que me conheço por gente
É assim, amo e sofro, rio e choro,
Espero, encontro, me dano
Tive o prazer e desprazer de perceber isso
Não foi escolha

De perceber que sou como uma prostituta vulgar
Uma vadia, uma ignorante...uma entrada sem saída,
querendo o óbvio ligeiro, o retorno, passageiro,
A sabedoria está rouca
Vez na vez, dia após dia, segundo após segundo eu prego
Sim, o amor próprio é o maior amor
Mas eu não quero o amor maior
Eu quero amar,
não peço para me decepcionar, me jogar com todo o peso
do meus anos nele
E seria mesmo querer?
Querer é opção
E não o é.

O amor funciona como verbo
O amor é estranho mesmo,
Desconfortável em movimento
É dar de cabeça contra parede
É soltar a mão de si próprio para o abismo
É estar perdido
Os temores vêm no escuro, tarde demais
Quem sabe exista uma luz ao longe?

Tu queres me dizer agora que sabes amar mais que eu?
Queres  me dar uma lição?
Tu queres o amor lento, calmaria,
Pois te digo é tudo em vão, estou cega, surda e muda.
Te cala então!

Eu me dôo, assim, e aparentemente nada é de graça, por isso que sou como puta
Tudo é por ti, uma troca
Quero a resposta deste egoísmo, que é se dar
Como o egoísmo pode dar?
Não se escolhe em sã consciência nada
Puro despreendimento
Serei sempre uma virgem de quatorze anos de quinze de dezesseis
No entanto permanecerei aquela menina de dezessete cansada de vozes alheias
Seguindo sua própria bússola
O meu norte está aqui dentro

O meu coração é o mesmo
Ele é quem me guia, meu dono
O coração não se cansa
O coração, ele, velho ou jovem
É o mesmo a bater bater bater
E agora, por ti.

Monday, November 11, 2013

Poema 007

Minha alma quer a tua
Meu corpo anseia o teu
Minha sede quer ser saciada na tua fonte
Não sou mais só, porém ainda sou eu
Meus pensamentos também são teus
Há fuga, o esconderijo do medo e, é
Tarde demais para isso
O amor que tenho se funde ao teu
Dançamos juntos nas alturas,
Não teremos chão sob nossos pés
Nem teto sobre nossas cabeças
Seremos um no outro refúgio de todos os amantes
O despertar feliz de cada dia
O calor de todos os sóis
Seremos o futuro o passado e o presente
Seremos nós
Há tanto que dividir
Tu sabes bem
Todas as lições aprendidas, compartilhadas
O sonho não será sonhado, vivido
Os braços
Bocas
Sexos fundidos
Derretidos como vela quente
Quem será quem?
Nossa chama iluminará o mundo
Encantará os amantes solitários
Aquecerá o frio dos seres abandonados
Não restará nenhuma dúvida
Apenas duas almas contentes
a contemplar o horizonte.

11/11/2013

Monday, September 2, 2013

A volta dos que não foram


Apesar de estar muitos meses sem escrever por aqui, aliás não estou sem escrever, tenho mais de 100 rascunhos, que não os publico, eu nutro um carinho todo especial por esse cantinho.
Estou 'com muitos pedidos na cabeça" (um dia explico o que vem a ser isso) e nos últimos meses, ando ocupada com várias coisas, tem também as aulas de piano, que estão me encantando muito, fora a lição de casa e várias mudanças na minha vida que ocorreram nesse ano de 2013.

Hoje mesmo que pensei em atualizar um pouco o blog, cortei meu dedo indicador.
É a vida, não é mesmo, ou a tal lei de Murphy.
Volto já. Só não sei exatamente quando, vou ali retocar o batom.

Beijo grande.



Friday, May 3, 2013

Mãe à beira de um ataque de nervos

Mais um filme de Almodóvar em cartaz.
Pois então, cá estou eu novamente, para mais uma conversa nesse bloguinho, nesse espaço, o texto é grande, e se você está com preguiça, siga ao próximo blog, talvez tenha algo bem mastigadinho esperando por você.
O desafio é erá que vou conseguir acabar esse texto, digo publicar no blog? Seja o que o ex-deus quiser, o deus que pode ser com letra minúscula.
Idéias é que não me faltam, criatividade, variedade de assuntos, e os infindáveis rascunhos...e as pessoas no Facebook pedindo livro sobre a noite, sobre minhas experiências em relacionamentos afetivos, sobre meu olhar nos anos 90.
Uns dizem: Faz um blog! Mas eu já tenho um blog. Meu blog, pode ser o que for, mas é meu. Está lá. Blog de Bebete, nem é desses blogs que tem 'reclame'.
Aqui eu não vendo nada. Aqui eu sou.
Se eles soubessem atrás dos bastidores, como é realmente a minha vida agora, como o palco mudou. Talvez eles se contentem depois de minha morte, com psicogravuras, é assim que fala? De uma noite ilustrada, cheia de cores, nuances, 5000 tons de todas as cores do arco-íris, que se transforma em cinzas, pois serei cremada, e só sobrarão cinzas, que tenho que pensar onde serão jogadas, em que rio. No Guaíba? No Reno? Nilo? E quem jogará, jogarão mesmo...volto pra puxar os pés, de quem não o fizer.

Se eu conseguir acabar esse texto furtacor aqui estarei muito feliz, imagina um livro? Esse povo bebe, se soubessem o trabalho que deve dar. A dedicação, a concentração, uma mente geminiana igual a minha que uma hora quer fazer curso de francês, acaba fazendo latim, quer fazer um curso de professora de yoga como não pode, faz yoga todos os dias (que dá quase no mesmo), que está a aprender piano depois de velha, que decide não pintar mais o cabelo, depois enjoa e pinta...que vive mudando...

Minha vida não é bolinho, aliás a vida das pessoas que precisam esconder algo das multidões, algo que não se pode escrever em redes sociais por exemplo, é um martírio, porque a gente sabe, que seríamos mal interpretados, povão não gosta de levar tapa na cara, povão gosta de fotonovela. Malandro não para, malandro dá um tempo. (Cidade de Deus, lembram?).
Nem em blog se pode escrever tudo, é preciso muitas metáforas, é preciso criatividade e uma boa dose de phoda-se, mais uma boa dose de humor de bom e mau humor. De paciência, de perseverança...um dia a recompensa virá, e enquanto a recompensa não vem, vivemos pois da melhor maneira possível, nos embriagando com palavras, vinho, música, cores, sex lies and videotapes. Lembram daquele filme? Nos embriagamos e sonhamos que estamos sendo compreendidos pela humanidade, e que a humanidade é boa.
Muitos H.E.L.P.S.  não têm feedback.


Que sera, sera.
É escrever realmente com sangue, não é pra qualquer um, só para os corajosos, e eu sou uma fracote.

Escrever, contar estórias é de uma forma reviver, voltar, volverrrrrrrrrrr. Será que as pessoas entendem isso?
E Almodóvar está com um novo filme, preciso ver...não me conta!
Minha vida sem música seria NADA, e sem Almodóvar mais ainda, seria muito chata, estaria faltando algo.
Ele é de longe o diretor que mais exprime o meu jeito de ser, de viver, de pensar numa película, mesmo sendo a minha vida nada longe da glamurama, apesar de viver melhor do que muita gente que conheço.
Nada é só trágico, só dramático, só melo-dramático, só sério...só cômico, só bonito, só feio, nada é só preto & branco. Há sempre as tais nuances. A temporariedade das cousas, portanto, a urgência diz: todos os problemas têm solução.

Eles acham que eu tenho cacife, os amigos acham que eu tenho muitas estórias pra contar,e  tenho mesmo.
Estórias cabeludas e carecas, estórias divertidas, diversões, situações, pessoas, muita coisa na memória, quem viveu naquela época sabe, as loucuras, e conheceu meus palcos...teve gente que conheceu até os baphos mais sórdidos. Teve de tudo...anos anos 90. E se for pensar, eu nasci num dia 9.
O que é a vida de um artista? Um artista está à mercê de sua arte de sua vida de saltimbanco..., ele não programa, ele vive do jeito que sobrevive, cheio de ilusões, mentiras, dissimulações, diversos personagens, é odiado, amado, praguejado, idolatrado, ele é ele aplaudido, faz as pessoas sorrirem e chorarem. O artista de verdade se joga na vida, se joga na estrada. Eu não estou falando desses artistas de meia tigela de hoje em dia, dessa indústria que cria 'artistas' bonequinhos, robozinhos. Eu sem querer me sentia uma saltimbanca, eu era um parque de diversões, e ainda sou de vez em quando e quando quero, é preciso público. Às vezes o playcenter fecha, ou ninguém quer pagar pra ver.

Bacana, o povo querer me ler, os amigos me encorajam. Muito bacana isso, fico até comovida. Não sou muito lá dessa estória de ego, massagear o ego (acho uma besteira), egotrip, pra dizer a verdade, eu não suporto esse tal de ego, só o ego sum qui sum, e that's it.
Já nem preciso escrever mais, pra que? Pra ter louros, dinheiro? Seria só um capricho a mais, escrever, editar...ver aquele papel que nem precisa mais ser papel hoje em dia, pode ser assim, solto num espaço virtual...em PDF, não confundir com o Hermann o CDF, o colega do Dimitri que só tira 8,9, 10....ah! Ele tirou 6.7 em música coisa assim. Mas ele tira 8, 9, 10...em latim em grego, em matemática, francês.
Teria o Hermann um futuro brilhante? Como será  vida de Hermann daqui há 20 anos?
O Hermann não tem smartphone, aliás o Hermann não tem nem celular, ele não vê utilidade em celular, smartphone, está muito ocupado com os estudos, também não vê serventia na matéria "música".
O Hermann tem pouquíssimos amigos.
Dimitri, Hermann e Vladimir na foto, quem adivinhar quem é quem ganha um docinho

Sabe qual a profissão do pai do Hermann?
Fica amigo do Hermann, estudem juntos! Seja esperto filho!
Pensando bem esse Hermann é um chato de galocha.
Eu gosto desse Hermann apesar de tudo, manda ele vir aqui falar comigo, mas eu gosto mais de Vladimir, que toca Beethoven divinamente aqui em casa, e que toca desde os 4, a irmã toca Chopin. A mãe é búlgara que nem o pai da Dilma, mas mora há mais de 20 anos na Holanda, e o pai tem um cargo muito bom na Microsoft. Coisas de mãe, que adora fazer perguntas.
Meus filhos, meu tesouro...quem mandou ser mãe?


Ecrever, eu bem sei que esse é um sonho meu, ainda não realizado, e também plantar uma árvore, aliás duas, que nem a Denise amiga fez, e depois de 18 anos, as árvores estavam enormes, e no meio delas uma rede pra balançar, cor "cru". Mas eu queria ser "tipo" Bukowski, não que eu queira ser ele, mas queria escrever rasgado assim, nada muito cor de rosa, ou talvez um Bukowski de saia, mas não tenho cacife pra isso, e tirando a palavra cacife que usei várias vezes, sou uma wannabe Bukowski (daria um bom título), não tão feia quanto ele.

Sim porque ele tinha a aparência asquerosa, entortando aquela garrafa,  ele não estava nem ai pra aparência, claro, apesar de ser uma pessoa atraente, largou de mão, e eu nunca chegaria aos pés de Bukowski. Teria que ter uma metamorfose, virar uma barata asquerosa. Pessoas inteligentes são atraentes, mas não só são atraentes pela inteligência, isso também é falso, pra mim tem O PACOTE, tem que estar completo. E mais do que uma inteligência, a pessoa tem que ter LOOKS, sim, um semblante enigmático, um mistério, carisma, pois estamos em 2013, eu teria que ir pra cama com elas, assim pra dormir juntos mesmo, nem precisa de contatos imediatos.

Eu sou apaixonada pelo Fernando Pessoa, mas se vivesse naquela época, eu acho que não iria pra cama com ele, assim pra dormir ao lado dele, ele parecia ser magro, também bebum, e imagina como roncava, normalmente gente que bebe, ronca, tem bafo de onça.  Que nem aquele olho vesgo de Sartre, eu não engulo...só a Simone mesmo que era cega, e o achava lindo, a cabeça dele era linda, ela delirava em miolos, eu também mas de outra maneira, o jeito dele devia ser lindo pra ela, por causa da inteligência, da possível sagacidade dele, da eloqüência, ah! sei lá o Sartre.
Outra me diz que eu deveria escrever em inglês, pois ai muita gente ia me ler, a acessibilidade seria maior, ia atingir mais pessoas. Mas será que as pessoas sabem que escrever, não é simplesmente digitar palavras, frases? Fora que sou péssima em escrever em inglês sobre mim, e com todos essas traduções de hoje em dia, nem precisa...não preciso de multidões, tenho até medo de multidões, sou uma escritora fracassada porque não escrevo, mas sou fiel ao que escrevo. Entenda se puder!
Eu escrevi dia desses um poema muito legal, datilografei a máquina, achei no meio de um livro. Foi uma surpresa, eu até gostei, não gostei do final, faltou algo...e acho que esse negócio da falta, tá virando o meu estilo, escrever sem final...final fraco...acabar uma coisa, porque a gente tem de escrever e tem que ter um início, meio, fim...por que? Deveria lançar uma moda de escrever sem fim...ou de ter final bestas, talvez seja isso. Que nem a Tabacaria já leram, já ouviram? Estou me apaixonando por narrativas...descobri um cara ai no Canadá.

Esses dias eu ouvi uma pérola.

- "Eu não entendo nada de livros." (disse).


(Ter que fazer um desenho que o que interessa num livro é o conteúdo, pegou pesado).
Ai percebo que as pessoas têm direito de ser quem são, que é muito fácil julgar, e o quanto sou preconceituosa, pelo menos estou ficando mais consciente, a cada dia que passa, de tudo ao meu redor, e claro, tudo é muito bom, ser sábia sempre foi o meu ultimate dream. E saber que ser sábio, é um assunto beeeem complicado. Porque a sabedoria plena é só pra quem tá no corpo, só por estar, como veículo, usa o corpo que nem gente usa roupa, pra não andar pelado por ai.
Eu sou fútil, volúvel, não superficial Minha sabedoria é temporária, vale menos numa escala de valores sei lá de que. Vale claro, mas dizem que o inferno está cheio de (boas) intenções? E pro inferno eu irei? Não, digo e repito: não acredito nessas realidades inferno, céu, purgatório.
As multidões são insanas, te pisoteiam, os fãs te amam e te matam, te mandam para o inferno.
Não quero fãs, não quero ficar com rabo preso.
Pra que querer o aval de multidões, me diz pra que?
Eu quero ser eu, e essa pretensão de ser imortal, pra mim é pura ilusão. Mesmo os imortais são mortais, então tanto faz. Os que ficam são pensam que existe a imortalidade porque ainda não morreram.
Tudo que é vivo morre, mais cedo ou mais tarde. E quanto mais a idade avança, mais mortes. Eu mesmo, lá no Facebook tenho várias Dead faces...e o que acho super estranho, é quando chega o aniversário da pessoa. a gente fica assim com a boca aberta, cheia de dentes...desejar o que à um amigo morto?
Principalmente pra mim que nem acredito em vida depois da morte? Se eu me arrepender no leito de morte, será tarde demais de qualquer jeito.
O que eu quero é viver bem, e o viver bem não é beber Prosecco todos os dias com as amigas, e falar sobre bofes, sobre homens que vão te salvar, sobre futilidades, não é ser superficial o tempo inteiro, é não ter lá muitas frustrações, sobreviver, rodar à baiana. Sexo com um corpo confiável eu já tenho, um teto bacana, também tenho. Inundou a Holanda tô indo à nado pro Brasil. E essa coisa de busca, mesmo antes do Google, Yahoo...eu sempre tive esse anseios de busca, sempre busquei. De busca de tudo, de curiosidade de tudo, de experimentar, de experienciar, de ver, claro que eu não queria quebrar a cara, claro que eu nem pensava em retrocesso. Eu sempre quis avançar. Avançar, ir pra frente >>>>>FF....viver o máximo todas as possiblidades do presente PLAY. Todas as bibliotecas, todos os livros, todos as portas, sempre gostei de abrir portas, dar aquele primeiro passo. Corri muitos riscos.
Porisso que pra mim é difícil escrever sobre o passado. O passado ficou lá no passado, eu daria uma entonação atual, diferente, e isso é chato, isso seria o mesmo que prostituição, adulteração, alterar o passado, o deixando mais lírico, mais enfeitadinho, como docinho de aniversário, cupcakes...coisa chata.
Afinal eu não sou historiadora. Não são somentes fatos, realidade. Há as nuances de todas as cores do arco-íris, mesmo no passado. E fora a preguiça, e fora as distrações. Complicado esse negócio de escrever.
Parabéns pra quem consegue. Os poucos que conseguem escrever algo que preste.

Quem sabe um dia, eu escreva o que eu realmente tenho potencial (que ridículo isso, ter potencial) oque realmente sei falar, assunto que domino, se é lá que domine alguma coisa, pra começar gostaria de escrever o que gosto, escrever rasgado, não escrever bonitinho, que nem esse sol lá fora, que nem olhar para a cerca pintada de branco lá fora, que mudou muito, que trouxe mais claridade ao meu petit jardin (quintal mesmo), fundo do quintal, mas pra mim é jardim...apesar de que tudo que é meu tem um ar de imperfeição. Tudo...
Com essas casas grudadas aqui na Holanda, essas casas grudadas, essas casas geminadas, trigeminadas, essas casas silenciosas, essas ruas silenciosas. Esse silêncio que é essa Holanda.
Esse silêncio que eu gosto de interromper com gritos de vez em quando. Esse silêncio que tem hora marcada pra tudo, aliás aqui vivem em função do sol, do relógio. O que mais eu odeio, apesar de ser pontual, sempre fui, e acho que sempre serei, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

- Vocês estão vivos realmente? É uma questão cultural esse silêncio contido todo? Me pergunto constantemente, estou até me acostumando, de tão camaleoa que sou.

Não que eu queira que as pessoas falem alto, cantem pneu, buzinem te matando de susto na faixa de segurança, enquanto você está absorto em seus pensamentos, o sonhar acordado.
Mas às vezes é tanto silêncio...pouco riso. Pra rir precisa de motivo, e uma coisa que eu sempre fiz foi RIR, sorrir. Comecei a mostrar os dentes depois dos 12 anos, e não parei mais, pois até os 12 eu não sabia sorrir, eu sorria aliás, mas não mostrava os dentes, era nervosa, tímida, insegura. O Smile era sem dentes :-)

Saudades do sino da Igreja São José, onde morei 14 anos, na Ververstraat. Fazendo barulho.
Aquele mesmo sino que já escrevi aqui nesse blog, o sino que me deixava MALUCA DA SILVA no domingo pela manhã, e baladava por mais de 15 minutos, me torturando. Eu que adoro dormir até mais tarde. Uma vez da noite, pra sempre da noite.
Venham para missa, rezar, pedir sei lá o que.
Venham dar umas moedinhas, o dízimo. As igrejas estão vazias, e os prédios estão ruíndo, e a manutenção é cara, restauração mais ainda.
E 'ela' (eu) viaja de trem e vê uma mesquita absurda no meio caminho...mas que coisa? Que coisa feia, estranha, no meio de uma cidade, aquela arquitetura de mesquita, que não combina com Europa.
Seria a minha cabeça pequena? Seria discriminação? Eu acho feio, e digo, é feia, é feia, e é feia...me deu um susto. Tira essa mesquita daí, mas o mundo também é dos muçulmanos, ok ok ok...deixa a mesquita lá, aquela coisa enfeiando a paisagem, eu gosto tanto de andar de trem, olhar pela janela. Na próxima vez, eu vou fazer de conta que aquela mesquita não significa nada. Coisa de novo rico.
Ah! Religião coisa chata, coisa de gente bitolada. Não quero falar sobre isso.

Era pra falar da nudez européia, da nudez que o Leandro percebeu, da morte da Gorda (periquita, companheira de Jack)...da turbulenta adolescência (puberdade) dos DDs (Dominique e Dimitri). Da depressão de Dominique, e da cabeça conturbada do Dimitri, seriam  os filhos dos astronautas também bipolares?
Preciso ir ao médico, da família, no curandeiro, no mago, consultar o oráculo, as runas, os búzios...axé babá.

Enquanto isso, preciso adotar um animal no Brasil, preciso adotar novamente o meu irmão que fica na praça Roosevelt, atuando, o Zé Contente em ação. É tanta gente doente ao meu redor, e não estou falando mal de doenças, pois todas as doenças fazem parte da vida. Eu também sou doente. Às vezes o monstro se manifesta, ele tá lá adormecido, é que eu sou uma pessoa alerta, aprendi a ser assim a yoga me ajuda também, tenho vários remédios a mão, yoga, música, vinho, meus vícios, e agora o meu piano, aos poucos estou conseguindo dar forma, aprender as ler notas musicais é uma libertação.

Já perceberam, que viver é estar doente? Há todos os tipos de doenças, vários tipos.
Viver é estar doente, e estar doente não é estar morto, estar doente [portanto], é estar vivinho da Silva.
E como devemos fazer? Devemos arrumar o remédio, que nos cai bem.

É assim que funciona, ir atrás do remédio  simplesmente uma mãe à beira de um ataque de nervos. Bel 112 a.u.b.!*
*Telefona para o número de alarme 112, alarmnummer 112, ambulância, polícia ou bombeiro mevrouw?
Só têm esses três?

Meu- pai -mandou- escolher- esse- daqui.

Ambulância.

Qual o problema mevrouw!
Vem aqui na minha casa que eu não estou passando bem porque as coisas estão fora de controle, tenho um Frankenstein à solta, quebrando tudo, uma  autista vulnerável em pânico, uma mãe desesperada arrancando os cabelos.
Mas isso é caso de polícia mevrouw.

Mas não tem ladrão por aqui, ninguém matou ninguém (ainda), ninguém roubou.
Ele precisa de uma injeção que o acalme!
Vendem xanax sem receita na farmácia? Eu vou lá comprar, e está tudo limpo, e não está mais aqui quem falou?
Não sei o que é xanax mevrouw. Mas aqui é Holanda e não o Brasil, ou EUA onde medicamento é que nem balas.
Preciso amainar o monstro, o dragão tá espirrando fogo.
Então seria melhor os bombeiros mevrouw, mas não temos diploma pra isso e não entendemos desse tipo de fogo de dragão.
Põe na água fria, no tanque, é mais barato, é isso?

Na Holanda não existe empregada, nem área de serviço, por conseguinte não tem tanque.
Dá pra colocar a cabeça da criatura no freezer?
O.K. estamos indo com a comitiva toda, menos os bombeiros, não sabemos lidar com dragões, nada a fazer.

(E não é a primeira vez, men in uniform). Ãs vezes aparecem uns bonitinhos, esses loiros de olhos azuis, criados a Toddynho, me tirando o foco do problema, entrando de sapatos no meu piso imaculado.

Contando que eu não enfarte, está tudo limpo, simbora, podescrê amizade! Podescrê!H.E.L.P.

Ouço esse CD do Villa Lobos, tenho vidas paralelas, queria escrever sobre todas elas, nem é vida dupla mais, tenho várias em mim, queria escrever sobre  minhas aulas de piano, o jeito de ser da minha professora, da lição de casa, dos pianos...dos diferentes sons de piano, do sol, da primavera, das minhas tulipas (algumas plantei errado), roseiras que crescem demais, jardim, dos livros que comprei, do meu trabalho na biblioteca, do meu corte de cabelo errado (eu mato no pensamento aquela cabeleireira)...do meu futuro telefone celular (smartphone)...porque telefone não é só telefone, esses telefones de hoje em dia, vocês já pararam pra pensar nos smartphones? Já pararam pra ver, o que eles realmente significam nas nossas vidas?

Da saga do meu forno de design Smeg, que me custou os olhos da cara, e já estragou mais de 4 vezes, me dá meu dinheiro de volta, que essa PORRA é uma porcaria, tem defeito de fábrica, e eu não sou otária.
Calma Bebete, calma! Não fala palavras de baixo calão no seu blog, é proibido.
Você vai ganhar um novo, porque vai fazer a caveira do fabricante, da loja, na internet...se eles não te derem um novo sem defeitos.

Das paixonites e desapaixonites da minha cabeça, de todas essas gramas verdes artificiais, desses mayas que aparecem no meu caminho, quero escrever sobre isso. De todos esses fantasmas, dessas vozes, dessa inspiração que vem do nada, da bagunça das minhas roupas, de minhas roupas pretas. De como as pessoas tentam me mudar, o quando as deixo nervosas, ou o quanto sou amada pelos meus amigos.
Do parar de fumar e ficar gorda, e estufada, e mascar chicleta que descobri que faz mal, com a mastigação é enviado gases aos estômago, e a barriga CRESCE, ponha essa droga de chiclete no LIXO, djá!


Do novo papa que aqui na Holanda tem o nome do meu filho, o segundo nome: Franciscus o defensor dos fracuuus e oprimidus. Habemus bicho papam, nem deu pra comentar aqui no blog.Poxa quanto assunto, o tempo passa muito rápido. Já estou com quase 53 anos, minha filha com quase 15 anos...não dá pra desacelerar ai não gente? Eu ainda tenho 52, minha filha, 14 e meu filho 13. Porque essa mania tendenciosa de acelerar a idade. Diminuir também não dá, dar marcha ré.

Se pelo menos entrasse na minha cabeça que nenhum HOMEM vai me salvar, nenhum. Meu pai está MORTO, e nem ele me salvou numa certa vez aos 14 anos. Contente-se em viajar nos lindos olhos verdes do namorado, que está presente, que está sempre tentando me fazer feliz.
Que pintou a cerca do meu jardim de branco (era verde), os tamancos e as casinhas de passarinho de vermelho, tudo a pedido, pois tudo que eu peço ele faz, cantando, assoviando e comendo farofa. Não, o gringo não gosta muito de farofa.
Da despedida de meu querido amigo Antonio que vai amanhã de mala cuida, de muda pra Austrália. Da categoria nunca te vi sempre te amei, e isso funciona mesmo é com amizade.


Mas vou ficar por aqui...o problema de escrever que fica difícil de achar um fim.
Na numerologia, preciso ainda colocar a letra B ao lado do número da minha porta, melhora tudo aqui nessa casa, só esqueci se é do lado direito ou esquerdo do número, a letra B, tem que ser DOURADA...beside me, e viva a numerologia, que tenho que retomar além dos números.

Das visitas que terei do Brasil, que tive, dos presentes que ganhei...das pessoas do passado, que sempre me visitam, das pessoas que ainda quero conhecer e sei lá porque cargas d'águas gostam de mim.

Depois dos 50, depois do 50 a gente seca, o tempo passa voando, e a gente tem que aprender a voar junto, pra não ficar lá atrás.
A gente seca se bebe muito álcool, a gente seca se fuma, a gente seca se não bebe álcool, a gente seca se não fuma, a pele seca, os órgãos secam. E espera ai um minutinho que eu vou beber água...vou pegar uma jarra inteira, que vai me acompanhar nesse Villa Lobos que estou ouvindo.
Pronto, a jarra já está aqui. Estou sentada à mesa, na sala mesmo, numa cadeira de couro preta estofada, que é mais macia do que essas vermelhas de design italiano, mas convenhamos, é de PRÁSTICO CREUZA, é prásticoooo...Melissa também é de plástico, e plástico é plastico, e até o que parece plástico e não é, pra mim é de plástico.
Preciso cuidar e muito da postura, da minha pobre e amada coluna.
Uma coluna ereta remoça 10 anos. E quem não quer ser mais moço/mais moça?

Pausa para um gole d'água. D'água, sempre achei interessante d'água. Apóstrofo, não confundir com apostófre, apóstolos, com outros apos.
Depois dos 50, as cousas despencam. Entendo que artistas se desesperam, começam a fazer plásticas 'adoidados'...começam a se manipular, principalmente artistas que trabalham com a imagem, começam a virar Thunderbirds, porque é a única saída, ou a saída mais rápida...e que entra em outro cômodo, o cômodo pra ser olhar no espelho, e realmente gostar, daquilo que se vê...mesmo ficando ridícula toda remendada.

Entendo o desespero dessa gente. Eu aqui não tenho tanto desespero nesse sentido, sou até posso dizer, bem relax nesse ponto, porque sou pobre, e pobreza (financeira) no caso te limita...não preciso estar anoréxica, nem começar a deixar umas moedinhas aside pra manipulações, me dê viagens às Ilhas Gregas e seja mais o que for, dê-me cremes, seruns...isso sim, dê-me dinheiro pra pagar esses cremes, seruns, a conta d'água, da luz, do gás. Noite debaixo dos lençois com meu namorado.
Me dê café, me dê encontros...bons filmes, me dê boa leitura...flores no meu jardim.
Dê-me dinheiro pra férias sempre, dê-me sossego, paz interior, paz na cabeça, paz, paz, e mais paz.
Envelhecer é querer cada vez mais paz. Nem saúde se precisa tanto. Já está na hora de abrir um vinho?
O que vamos comemorar hoje? Mais um dia que me mantenho viva, mais um dia. Amen. (só porque estudei um pouco de latim).

Meus pés ficam secos, minhas mãos, a garganta, e dá uma vontade de colocar algo na boca.
Vai uma cenourinha que vale como um biscoitinho, porque eu também quero dar pro gasto, aliás...estar gatinha na minha cabeça, estar leve e saltitante, sonho meu,  ter paz, ouvir as músicas no meu HTC, pedalando, na liberdade que é pedalar uma bicicleta, ir e vir, mas claro é tudo plano, tudo fácil aqui na Holanda, o que é difícil sempre são as forças da natureza, o vento, a chuva, a neve. O que é difícl é chegar até os 50 anos, e passar dos 50 anos.
Ah! Se todos os meus amigos tivessem 50 anos.

E assim é na vida, as doenças, as fases, até o ataque de nervos passam, a Gorda morreu de ataque cardíaco disse o J. Morreu de olhos abertos, e foi enterrada perto de uma árvore na Alemanha.Ai não tem jeito...ataque que não mata, sem problemas, mas ataque que mata, é triste.

R.I.P.  Gorda, que até chegou a emagrecer por aqui, e talvez Jack sinta falta da Gorda, sim eles namoravam, e até brigavam, tentarei compensar, agora ele voltou a ficar mais solto, todos os dias fica umas horas solto, fora da gaiola, sai voando por ai, fica olhando pela janela e depois volta por si, para a casinha. Hable con ella e eu falo com ele, para ele não se sentir só.
E descobri que o pai do Hermann é pintor, não, ele não é artista plástico, ele é pintor de casas mesmo, pintor de paredes, deixa as paredes bonitas, tudo novinho. Ele mexe com tintas, com pincéis, lixadeiras, com todas as cores do arco-íris e suas tonalidades, conforme o gosto do freguês.