Saturday, November 22, 2014

O luto eterno



Não sei se as pessoas fizeram a egípcia pra mim na rua hoje ou não me reconheceram, na verdade um 'casal' conhecido são essas pessoas, a mulher me olhou mas evitou o contato no olhar, talvez seja porque vestia PRETO da cabeça aos pés, e o chapelão meio que tapava o meu rosto parcialmente.
Talvez sim, talvez não. Eu parecia chamar atenção no meio daquela multidão do mercado de rua.
Encontrando o Luciano (conhecido) mais tarde na frente da biblioteca pública o confidenciei.
Ele como um bom louco disse que eu estava muito elegante e talvez as pessoas tenham exatamente o medo de se aproximar.
Só que eu sei que a minha elegância, nem seria por estar magra, muito pelo contrário, os 15 quilos a mais...já estão fazendo parte do meu corpo praticamente, a minha elegância era urubótica mesmo, assusta e associa à algo negativo digamos assim.

Resolvi sair de saia longa de lã (que eu comprei de segunda mão acho que por € 5 ano passado, numa 'kringloopwinkel/charity shop/brechó sem ser bonitinho). Uso muito essa saia de malha com uma pequena fenda na lateral, com sapato preto 'brogues', botas de canela e tênis... e depois aqueles casacos fluflus, nem sei o nome que nem era pra comprar, mas ano passado estava em Harlem entrei numa loja que eu adoro, e a vendedora de 16 anos estava usando um, e vendia na loja, não consegui ficar longe, é tão bom de usar quando está frio, mas não tão frio, porque dependendo do frio, depende do casaco, e de passagem tenho vários pretos, vários mesmo, de todos os tipos, modelagens, materiais, mas sempre tem os favoritos.

Esse ano vc encontra quase em qualquer esquina, digo, esses casacos peludinhos...e o meu chapeau preto (um deles), pois a coleção está aumentando, sem querer, também. Descobri aqui na Holanda que sou uma pessoa de caráter colecionador. 
Ao longo da minha vida coleciono COISAS, me desfaço, e começo a colecionar novamente...se estou com 54, acho que isso não vai acabar assim.

O visual URUBU é pra manter mesmo o povo longe (às vezes), não que seja intencional, assim só se aproxima quem realmente tiver interesse (quem vê através das aparências), é um código particular, uma maneira de comunicação, não verbal, afinal a 'moda'/roupa é uma excelente forma de expressar nossos humores, o que achamos, ou não, quem queremos na nossa vida, ou não, quem chega perto, quem fica onde está.
Claro que adoro certas padronagens e uso cores, algumas delas.

Sou 'urubu'  desde os anos 80. Um belo dia eu lembro bem, cortei o meu cabelo super curto, pintei de preto...e usava uma calça de malha (nem lembro muito bem de onde saiu, e nem usava maquiagem, não se usava calça de malha no início dos anos 80)...desde aquele momento, o preto virou uma COR QUE ME DEIXAVA MUITO FELIZ, muito mesmo, uma sensação de poder, de força.  Usar preto, não é só usar preto, querer ficar magra, ou parecer enigmática, de mal com a vida, ou sei lá o que as pessoas que não entendem esse 'statement'. É uma questão indie digamos assim, independente de qualquer coisa, de rótulos que a sociedade quer te impor. 
E cada vez mais me sinto uma pessoa 'indie', porque posso ser tudo que sempre fui, ou sou...eu.
Antigamente eu sentia uma certo desconforto em não pertencer 100% a um determinado 'grupo'. Eu gostava de determinada 'coisa', mas também gostava de outras coisas, e isso na JUVENTUDE é uma grande paranóia, pois é a fase que precisamos (pela nossa insegurança) ainda nos situar no mundo, estamos nos 'transformando' em nós mesmos, nos descobrindo.



O PRETO, usar preto, carrega em si, vários mundos, tem vários tons de preto literalmente, conforme a textura do tecido (fabric), o tipo...tem aquele preto 'russo' que a minha mãe falava, que por sinal...eu poderia usar o preto como LUTO pois hoje o mundo completa 18 anos sem a minha querida mãe, e eu acho que nunca vi a minha mãe usar preto, o preto brilhando, verniz...o preto fosco, o preto puxando pro grafite, ébano, azulado...e por ai vai...e os diferentes significados e intenções de usar preto.
O preto da viuvez e do luto, com seus simbolismos nas diferentes culturas, se aplica hoje, aniversário da morte da minha mãe, o preto da burka.

Não estou de luto pela minha mãe, acho que nunca estive, ou sempre estive.
Lembro foi a oportunidade de ver a minha mãe filha no enterro da mãe dela. Quando lá cheguei, estava minha mãe aos prantos, completamente vulnerável. "Dedeti (como era o meu apelido em 'casa') a minha mãe se foi, a minha mãezinha".) Ver a minha mãe naquele estado, me cortou mais o coração do que a morte de minha avó em si.

Pois, o interessante é que eu MORRIA de medo, que minha mãe morresse um dia, eu tinha mais medo da idéia da morte do que a morte em si. E talvez esse seja meu luto, antes do luto, sem luto. E quando ela morreu, eu estava longe e perdi o enterro (no Brasil eles enterram o morto muito rápido).
Perder a mãe, ninguém perde a mãe, também já escrevi isso.
Chorei muito, chorei o dia inteiro, enquanto o vôo para o Brasil não vinha...mas parece que lá onde 'a energia' da minha mãe está, se é que é um lugar, uma outra esfera, dimensão, pluralidade do multiverso, ela não deixa eu chorar, ela me faz sempre forte.
Talvez por eu ser mãe também, agora...e essa é a força das mães, elas sempre protegem os filhos onde quer que estejam, mesmo quando não mais
estão.
E por essas e por muitas, que uso gosto de usar preto...uma cor que conforta e colore a minha alma, 
sempre há um bom motivo para ser eu mesma. 

Saturday, March 22, 2014

From here to Eternity - HER

Ontem à noite fui assistir HER (Ela no Brasil) Uma estória de amor (Portugal). Pra variar fui sozinha, vou de bicicleta, levo meu smartphone  meus fones de ouvido e o desligo nos últimos 3 minutos, sempre tenho a companhia virtual de meus amigos no whatsapp, no Facebook, consulto o Pinterest, meu filho (whatsapp), meus exes (pai, Jurgen = amizade colorida), minha música, tudo meu...num aparelhinho acessível, assim não preciso daquele confronto de olhares na minha direção em minha paranóia: 'ela está sozinha" não tem ninguém, síndrome de Bridget Jones. Sim tenho alguns segundos de pensamentos paranóicos em público, mesmo nos altos das minhas 53 voltas em torno do sol, até ligar o botão F. Sim, eu sou uma pessoa altamente sociável, extrovertida, mas quando estou sozinha, estou sozinha e ponto final.
Sorte a minha que hoje em dia conto com excelentes companhias nos mais inusitados lugares, graças à tecnologia, e nada mal ouvir música, sou a minha melhor DJ e música pra mim é de importância máxima, afinal a vida de 'single lady" não é bolinho, é um bom de um cupcake enfeitadinho.



Já acostumei até, mas aquele zum zum zum antes que a luz se apague pode ser um desconforto torturante dependendo do meu humor, principalmente em salas pequenas, em grandes você se mimetiza com a multidão é um mero mais um, mas em pequena você fica fisicamente muito perto do 'outro".

Há 17 anos frequento as salas de cinema e cine clubes de Leiden, e sento assim...no lugar que eu quero, e lá estou eu meio que 'autista', e ao redor os outros: com seus amigos, seus companheiros, raramente vejo pessoas sozinhas, e tem a tal PAUSA, no meio do filme as luzes se acendem e lá vão as pessoas consumir: vinho/cerveja/café/chá...et cetera, ou simplesmente ir ao WC, ninguém pega o lugar de ninguém. Ontem foi engraçado quando uma mulher foi sentar à minha frente, me olhou com aquela cara de reprovação (dela), porque por mim tudo bem...eu, com fones de ouvidos amarelos, meio 'gótica' recentemente descobri que muitas pessoas me vêem como 'gótica' pelo meu amor à cor preta, mas vou direto ao ponto, antes que seja esse mais um texto de blog, inacabado. Tá certo que me interesso pela filosofia wabi-sabi da impermanência e imperfeição, mas não quero soar nonsense.
Adoro ir ao cinema (e assim muita gente da minha geração), percebo também que as salas de cinema estão mais vazias, e não espero companhia de ninguém senão todos os filmes sairiam de cartaz antes de os ver,. Acostumei e até gosto é tudo muito cômodo de bicicleta, pois sou a minha própria companhia na maior parte do tempo, coisas de vida na Holanda, e principalmente pra mim que fico 80% do meu tempo: EM CASA. Sair é o meu grito de independência, liberdade...apesar de amar muito a minha casa.


Tenho visto bons filmes nos últimos tempos, mas nenhum que me dê realmente vontade de escrever (pelo menos nesse blog). Tenho escrito 'notes' no Facebook, que também gosto muito, afinal estou 'sempre' lá, e aqui tenho vários rascunhos, nunca acho bom o suficiente, ou quando começo a escrever, confesso que perco o foco, e vou fazer outra coisa, deixando os textos inacabados. Um dia ainda faço um blog com os textos INACABADOS, ou publique um livro.

HER me transportou ao mundo do subconsciente da ânsia por um relacionamento ideal entre as pessoas, e quero exatamente escrever sobre isso, não só sobre o filme em si,  minha visão e opinião em relação sobre o momento, humanidade...tecnologia, ficção científica, a nossa essência, o meu momento, o nosso momento 2014, século XXI, computadores inteligentes, humanos, e nossos desejos mais profundos...a combinação e influência disso, afinal ainda sou uma garota séc. XX. Conheço o antes - e o depois.


Já estamos quase lá, no filme HER, ou já estamos de certa forma lá: como se fôssemos autistas, não precisamos exatamente do outro, ou a pergunta seria? Para que precisamos do outro? O outro sempre nos decepciona, precisamos do outro pra crescer, mas crescer dói, erramos, eles nos odeiam, nos reprimem, são possessivos, querem nos controlar, nos querem bonitos, jovens, magros, cordatos, inteligentes, limpos, Primeiros nos apaixonamos o layout, mas logo a paixão se esvai, o outro tem sempre problemas, defeitos, o outro morre um dia e nos deixa: sozinhos, o outro vira um esboço, um rascuno mal feito, o outro diz uma besteira imperdoável, o outro fica chato, desinteressante, aparece um outro Amor, Amizade. O outro muda de cidade, arranja um grande amor, nos deixa: sozinhos. O outro está muito feliz envolvido nos seus próprios projetos, nas suas viagens, na sua vida, não tem mais tempo para nós, nós não temos mais tempo pra eles, nossas vidas são corridas, mas quando se vê: já se passaram 53 anos. Mas o que são 53 anos comparados com a eternidade? A imensidão e a expansão do Universo? 

Estamos vivendo em um momento de relações idealizadas em nossas cabeças, queremos que o outro caibam em nossas vidas, em nossas expectativas, nos compreenda, queremos o outro com o corpo forte, saudável, sempre disposto a nos dar prazer, amizade, companheirismo, nos inspire, nos ajude, nos alegre, nos diverta, preencha aquele vazio, nos ampare na queda. Queremos que o outro não nos atrapalhe quando estamos usando a internet, lendo um livro, assistindo um filme, apreciando uma xícara de café, comendo a sobremesa favorita, escolhendo uma roupa para festa, queremos que o outro leia ou decifre nossos mais profundos desejos e pensamentos, nos aceite em nossas inseguranças, nos apoie diante de nossas frustrações. 
O queremos PRESENTE, mas não o tempo todo, queremos o outro apaixonados, assim como nos apaixonados, e só temos olhos pra eles, mas quando o queremos.
Queremos nos apaixonar, e levar essa paixão para o resto dos nossos dias, mas queremos mais do que tudo é ser feliz, é hora de acordar dessa ilusão.


Precisamos o tempo inteiro do outro; interessado em nossas descobertas, o outro girando em torno de nossa órbita evolucionária, de nosso progresso, de nossa rotina diária, queremos ligar e desligar o botão quando nos convir: do outro, porque o nosso só o fazemos ao dormirmos. Que exaustão, estamos cansados, eu estou cansada, e você já se perguntou? Já parou para pensar? Eu sim, o faço praticamente todo o dia.

Seria uma maravilha ter 'um outro" HER or HIM or even IT, uma inteligência qualquer à disposição de nossas horas, de nossa rotina, pronta só pra nós, para nos manter afastados da solidão, não pra brigar com a gente (como gente de verdade faz o tempo todo), que entende nossos problemas existenciais, 'alguém' que nos dê essa sensação de intimidade, companheirismo (meu HTC One mini?), entendimento intelectual (meus amigos whatsapp/Facebook/Vida?), calor humano (?), necessidade sexual mais evoluída (Dating sites, quando alguém gosta de você, relacionamentos que vêm e que vão), alguém que realmente se importasse com a gente (mãe/pai/familiares), nosso bem-estar (nossa própria paz), nossa evolução (sabedoria), alguém ou algo que nos desse um empurrãozinho, para realizarmos nossos sonhos (a voz interior que nos mandar ir à luta para realizar esses sonhos), fosse nosso 'agente', nosso representante, soubesse de nosso talentos, soubesse vendê-los. No caso do filme o livro de cartas do moço, publicado, que vitória, mas se não fosse: Her, lá estaria ele...naquele escritório, levando uma vida de ficção, não sendo o protagonista da própria vida. 


Ando numa fase Allan Watts. AL caiu na minha mão, 'olhos e ouvidos como por encanto. Fui aceita num grupo fechado de ZEN tempos atrás, o qual aprecio e respeito muito, todos os integrantes do grupo, não que os conheça, não que não respeite todas as pessoas que apareçam no meu caminho. Tenho assistido vários vídeos de palestras dele, meditação é...
Faço yoga há anos, medito...e meditar é...

Pertencer à esse grupo equilibra meu lado zen, wabisabi, de yogini...pois isso é meditar, e meditação é... (sinal do gongo), segundo Allan Watts, e assim nesse grupo têm seus membros, pessoas que estão em sintonia com meu momento zen, sabemos que não somos importantes, ZEN. E a importância de perceber o Zen.  
Estou nesse 'caminho' digamos há muito tempo, nem lembro quando, meu foco é ser sábia muito antes do zen, algo que aprendo todos os dias, desaprender crenças antigas que não me servem mais, ter paz, procurar a paz, a natureza, seguir a minha essência, tenho vários gurus, não os uso como gurus, pois eles mesmos sabem ou sabiam, que há diversas maneiras e momentos de atingir a LUZ. 
Sabedoria palavra máxima mas sem limites, conhecimento máximo e infinito, parar, não fazer, aceitar, ter paciência, respirar fundo, respirar, calar, ouvir, perdoar, mudar, transmutar, nascer a cada dia, agradecer por tudo, por mais um dia, ...apreciar a vida, como algo grandioso,  uma vida é nos 'dada', muitas vidas e organismos lá fora, mas muita vida dentro, da nossa inteligência, da nossa energia. Uma celebração enquanto durar, equilíbrio, zen, a dádiva de respirar. 

Quando contamos com aquela companhia, aquela inteligência, aquela apreciação, aquele ouvido sincero, aquela voz compreensiva, positiva, empática, evolutiva e sábia de nós mesmos, a consciência disso tudo, encontramos HER, HIM, ITS o outro,  e o outro somos nós e nada melhor que a nossa própria companhia.

Wednesday, November 27, 2013

Piensa em mi

E lá vai chegando o final do mês de novembro.
O que isso quer dizer?
Muita coisa, para mim.
Os dias curtos e escuros, sempre é assim, e sempre será, aqui onde vivo.
Sempre terei um certo temor disso.
Sobreviverei?
Só janeiro dirá.
Não que esteja já vivendo no futuro.
Mas gatoe= escaldado tem medo de água fria, sim.
E para aquecer a alma nesses dias frios, nesses dias solitários, e escuros, nada como
uma boa música.

Sunday, November 17, 2013

Poema 007 II


Não confie em mim
Não tenho dono, quem manda em mim é ele
Deixa que eu confie em ti
Deixa que eu me desespere
Me desaponte
Me dane
Que meu coração seja quebrado, esmagado, triturado, desmantelado
É assim e será assim até o fim dos meus dias
Ele sempre se refaz
Quando cansar de todas as batalhas, quando perder essa guerra,
cá e já estarei morta.

Eu vivo assim mesmo
Eu vivo a mendigar
perambulo por ai,
Escolho uma esquina
Sou mendiga do amor
Agora do teu
Mendigar, pedir, me empolgar, eu vivo sempre com esse vazio
Eu vivo ao extremo
No vazio, tento enchê-lo com todas as cores, sabores, sons
Nada funciona por muito tempo

Desde que me conheço por gente
É assim, amo e sofro, rio e choro,
Espero, encontro, me dano
Tive o prazer e desprazer de perceber isso
Não foi escolha

De perceber que sou como uma prostituta vulgar
Uma vadia, uma ignorante...uma entrada sem saída,
querendo o óbvio ligeiro, o retorno, passageiro,
A sabedoria está rouca
Vez na vez, dia após dia, segundo após segundo eu prego
Sim, o amor próprio é o maior amor
Mas eu não quero o amor maior
Eu quero amar,
não peço para me decepcionar, me jogar com todo o peso
do meus anos nele
E seria mesmo querer?
Querer é opção
E não o é.

O amor funciona como verbo
O amor é estranho mesmo,
Desconfortável em movimento
É dar de cabeça contra parede
É soltar a mão de si próprio para o abismo
É estar perdido
Os temores vêm no escuro, tarde demais
Quem sabe exista uma luz ao longe?

Tu queres me dizer agora que sabes amar mais que eu?
Queres  me dar uma lição?
Tu queres o amor lento, calmaria,
Pois te digo é tudo em vão, estou cega, surda e muda.
Te cala então!

Eu me dôo, assim, e aparentemente nada é de graça, por isso que sou como puta
Tudo é por ti, uma troca
Quero a resposta deste egoísmo, que é se dar
Como o egoísmo pode dar?
Não se escolhe em sã consciência nada
Puro despreendimento
Serei sempre uma virgem de quatorze anos de quinze de dezesseis
No entanto permanecerei aquela menina de dezessete cansada de vozes alheias
Seguindo sua própria bússola
O meu norte está aqui dentro

O meu coração é o mesmo
Ele é quem me guia, meu dono
O coração não se cansa
O coração, ele, velho ou jovem
É o mesmo a bater bater bater
E agora, por ti.

Monday, November 11, 2013

Poema 007

Minha alma quer a tua
Meu corpo anseia o teu
Minha sede quer ser saciada na tua fonte
Não sou mais só, porém ainda sou eu
Meus pensamentos também são teus
Há fuga, o esconderijo do medo e, é
Tarde demais para isso
O amor que tenho se funde ao teu
Dançamos juntos nas alturas,
Não teremos chão sob nossos pés
Nem teto sobre nossas cabeças
Seremos um no outro refúgio de todos os amantes
O despertar feliz de cada dia
O calor de todos os sóis
Seremos o futuro o passado e o presente
Seremos nós
Há tanto que dividir
Tu sabes bem
Todas as lições aprendidas, compartilhadas
O sonho não será sonhado, vivido
Os braços
Bocas
Sexos fundidos
Derretidos como vela quente
Quem será quem?
Nossa chama iluminará o mundo
Encantará os amantes solitários
Aquecerá o frio dos seres abandonados
Não restará nenhuma dúvida
Apenas duas almas contentes
a contemplar o horizonte.

11/11/2013

Monday, September 2, 2013

A volta dos que não foram


Apesar de estar muitos meses sem escrever por aqui, aliás não estou sem escrever, tenho mais de 100 rascunhos, que não os publico, eu nutro um carinho todo especial por esse cantinho.
Estou 'com muitos pedidos na cabeça" (um dia explico o que vem a ser isso) e nos últimos meses, ando ocupada com várias coisas, tem também as aulas de piano, que estão me encantando muito, fora a lição de casa e várias mudanças na minha vida que ocorreram nesse ano de 2013.

Hoje mesmo que pensei em atualizar um pouco o blog, cortei meu dedo indicador.
É a vida, não é mesmo, ou a tal lei de Murphy.
Volto já. Só não sei exatamente quando, vou ali retocar o batom.

Beijo grande.



Friday, May 3, 2013

Mãe à beira de um ataque de nervos

Mais um filme de Almodóvar em cartaz.
Pois então, cá estou eu novamente, para mais uma conversa nesse bloguinho, nesse espaço, o texto é grande, e se você está com preguiça, siga ao próximo blog, talvez tenha algo bem mastigadinho esperando por você.
O desafio é erá que vou conseguir acabar esse texto, digo publicar no blog? Seja o que o ex-deus quiser, o deus que pode ser com letra minúscula.
Idéias é que não me faltam, criatividade, variedade de assuntos, e os infindáveis rascunhos...e as pessoas no Facebook pedindo livro sobre a noite, sobre minhas experiências em relacionamentos afetivos, sobre meu olhar nos anos 90.
Uns dizem: Faz um blog! Mas eu já tenho um blog. Meu blog, pode ser o que for, mas é meu. Está lá. Blog de Bebete, nem é desses blogs que tem 'reclame'.
Aqui eu não vendo nada. Aqui eu sou.
Se eles soubessem atrás dos bastidores, como é realmente a minha vida agora, como o palco mudou. Talvez eles se contentem depois de minha morte, com psicogravuras, é assim que fala? De uma noite ilustrada, cheia de cores, nuances, 5000 tons de todas as cores do arco-íris, que se transforma em cinzas, pois serei cremada, e só sobrarão cinzas, que tenho que pensar onde serão jogadas, em que rio. No Guaíba? No Reno? Nilo? E quem jogará, jogarão mesmo...volto pra puxar os pés, de quem não o fizer.

Se eu conseguir acabar esse texto furtacor aqui estarei muito feliz, imagina um livro? Esse povo bebe, se soubessem o trabalho que deve dar. A dedicação, a concentração, uma mente geminiana igual a minha que uma hora quer fazer curso de francês, acaba fazendo latim, quer fazer um curso de professora de yoga como não pode, faz yoga todos os dias (que dá quase no mesmo), que está a aprender piano depois de velha, que decide não pintar mais o cabelo, depois enjoa e pinta...que vive mudando...

Minha vida não é bolinho, aliás a vida das pessoas que precisam esconder algo das multidões, algo que não se pode escrever em redes sociais por exemplo, é um martírio, porque a gente sabe, que seríamos mal interpretados, povão não gosta de levar tapa na cara, povão gosta de fotonovela. Malandro não para, malandro dá um tempo. (Cidade de Deus, lembram?).
Nem em blog se pode escrever tudo, é preciso muitas metáforas, é preciso criatividade e uma boa dose de phoda-se, mais uma boa dose de humor de bom e mau humor. De paciência, de perseverança...um dia a recompensa virá, e enquanto a recompensa não vem, vivemos pois da melhor maneira possível, nos embriagando com palavras, vinho, música, cores, sex lies and videotapes. Lembram daquele filme? Nos embriagamos e sonhamos que estamos sendo compreendidos pela humanidade, e que a humanidade é boa.
Muitos H.E.L.P.S.  não têm feedback.


Que sera, sera.
É escrever realmente com sangue, não é pra qualquer um, só para os corajosos, e eu sou uma fracote.

Escrever, contar estórias é de uma forma reviver, voltar, volverrrrrrrrrrr. Será que as pessoas entendem isso?
E Almodóvar está com um novo filme, preciso ver...não me conta!
Minha vida sem música seria NADA, e sem Almodóvar mais ainda, seria muito chata, estaria faltando algo.
Ele é de longe o diretor que mais exprime o meu jeito de ser, de viver, de pensar numa película, mesmo sendo a minha vida nada longe da glamurama, apesar de viver melhor do que muita gente que conheço.
Nada é só trágico, só dramático, só melo-dramático, só sério...só cômico, só bonito, só feio, nada é só preto & branco. Há sempre as tais nuances. A temporariedade das cousas, portanto, a urgência diz: todos os problemas têm solução.

Eles acham que eu tenho cacife, os amigos acham que eu tenho muitas estórias pra contar,e  tenho mesmo.
Estórias cabeludas e carecas, estórias divertidas, diversões, situações, pessoas, muita coisa na memória, quem viveu naquela época sabe, as loucuras, e conheceu meus palcos...teve gente que conheceu até os baphos mais sórdidos. Teve de tudo...anos anos 90. E se for pensar, eu nasci num dia 9.
O que é a vida de um artista? Um artista está à mercê de sua arte de sua vida de saltimbanco..., ele não programa, ele vive do jeito que sobrevive, cheio de ilusões, mentiras, dissimulações, diversos personagens, é odiado, amado, praguejado, idolatrado, ele é ele aplaudido, faz as pessoas sorrirem e chorarem. O artista de verdade se joga na vida, se joga na estrada. Eu não estou falando desses artistas de meia tigela de hoje em dia, dessa indústria que cria 'artistas' bonequinhos, robozinhos. Eu sem querer me sentia uma saltimbanca, eu era um parque de diversões, e ainda sou de vez em quando e quando quero, é preciso público. Às vezes o playcenter fecha, ou ninguém quer pagar pra ver.

Bacana, o povo querer me ler, os amigos me encorajam. Muito bacana isso, fico até comovida. Não sou muito lá dessa estória de ego, massagear o ego (acho uma besteira), egotrip, pra dizer a verdade, eu não suporto esse tal de ego, só o ego sum qui sum, e that's it.
Já nem preciso escrever mais, pra que? Pra ter louros, dinheiro? Seria só um capricho a mais, escrever, editar...ver aquele papel que nem precisa mais ser papel hoje em dia, pode ser assim, solto num espaço virtual...em PDF, não confundir com o Hermann o CDF, o colega do Dimitri que só tira 8,9, 10....ah! Ele tirou 6.7 em música coisa assim. Mas ele tira 8, 9, 10...em latim em grego, em matemática, francês.
Teria o Hermann um futuro brilhante? Como será  vida de Hermann daqui há 20 anos?
O Hermann não tem smartphone, aliás o Hermann não tem nem celular, ele não vê utilidade em celular, smartphone, está muito ocupado com os estudos, também não vê serventia na matéria "música".
O Hermann tem pouquíssimos amigos.
Dimitri, Hermann e Vladimir na foto, quem adivinhar quem é quem ganha um docinho

Sabe qual a profissão do pai do Hermann?
Fica amigo do Hermann, estudem juntos! Seja esperto filho!
Pensando bem esse Hermann é um chato de galocha.
Eu gosto desse Hermann apesar de tudo, manda ele vir aqui falar comigo, mas eu gosto mais de Vladimir, que toca Beethoven divinamente aqui em casa, e que toca desde os 4, a irmã toca Chopin. A mãe é búlgara que nem o pai da Dilma, mas mora há mais de 20 anos na Holanda, e o pai tem um cargo muito bom na Microsoft. Coisas de mãe, que adora fazer perguntas.
Meus filhos, meu tesouro...quem mandou ser mãe?


Ecrever, eu bem sei que esse é um sonho meu, ainda não realizado, e também plantar uma árvore, aliás duas, que nem a Denise amiga fez, e depois de 18 anos, as árvores estavam enormes, e no meio delas uma rede pra balançar, cor "cru". Mas eu queria ser "tipo" Bukowski, não que eu queira ser ele, mas queria escrever rasgado assim, nada muito cor de rosa, ou talvez um Bukowski de saia, mas não tenho cacife pra isso, e tirando a palavra cacife que usei várias vezes, sou uma wannabe Bukowski (daria um bom título), não tão feia quanto ele.

Sim porque ele tinha a aparência asquerosa, entortando aquela garrafa,  ele não estava nem ai pra aparência, claro, apesar de ser uma pessoa atraente, largou de mão, e eu nunca chegaria aos pés de Bukowski. Teria que ter uma metamorfose, virar uma barata asquerosa. Pessoas inteligentes são atraentes, mas não só são atraentes pela inteligência, isso também é falso, pra mim tem O PACOTE, tem que estar completo. E mais do que uma inteligência, a pessoa tem que ter LOOKS, sim, um semblante enigmático, um mistério, carisma, pois estamos em 2013, eu teria que ir pra cama com elas, assim pra dormir juntos mesmo, nem precisa de contatos imediatos.

Eu sou apaixonada pelo Fernando Pessoa, mas se vivesse naquela época, eu acho que não iria pra cama com ele, assim pra dormir ao lado dele, ele parecia ser magro, também bebum, e imagina como roncava, normalmente gente que bebe, ronca, tem bafo de onça.  Que nem aquele olho vesgo de Sartre, eu não engulo...só a Simone mesmo que era cega, e o achava lindo, a cabeça dele era linda, ela delirava em miolos, eu também mas de outra maneira, o jeito dele devia ser lindo pra ela, por causa da inteligência, da possível sagacidade dele, da eloqüência, ah! sei lá o Sartre.
Outra me diz que eu deveria escrever em inglês, pois ai muita gente ia me ler, a acessibilidade seria maior, ia atingir mais pessoas. Mas será que as pessoas sabem que escrever, não é simplesmente digitar palavras, frases? Fora que sou péssima em escrever em inglês sobre mim, e com todos essas traduções de hoje em dia, nem precisa...não preciso de multidões, tenho até medo de multidões, sou uma escritora fracassada porque não escrevo, mas sou fiel ao que escrevo. Entenda se puder!
Eu escrevi dia desses um poema muito legal, datilografei a máquina, achei no meio de um livro. Foi uma surpresa, eu até gostei, não gostei do final, faltou algo...e acho que esse negócio da falta, tá virando o meu estilo, escrever sem final...final fraco...acabar uma coisa, porque a gente tem de escrever e tem que ter um início, meio, fim...por que? Deveria lançar uma moda de escrever sem fim...ou de ter final bestas, talvez seja isso. Que nem a Tabacaria já leram, já ouviram? Estou me apaixonando por narrativas...descobri um cara ai no Canadá.

Esses dias eu ouvi uma pérola.

- "Eu não entendo nada de livros." (disse).


(Ter que fazer um desenho que o que interessa num livro é o conteúdo, pegou pesado).
Ai percebo que as pessoas têm direito de ser quem são, que é muito fácil julgar, e o quanto sou preconceituosa, pelo menos estou ficando mais consciente, a cada dia que passa, de tudo ao meu redor, e claro, tudo é muito bom, ser sábia sempre foi o meu ultimate dream. E saber que ser sábio, é um assunto beeeem complicado. Porque a sabedoria plena é só pra quem tá no corpo, só por estar, como veículo, usa o corpo que nem gente usa roupa, pra não andar pelado por ai.
Eu sou fútil, volúvel, não superficial Minha sabedoria é temporária, vale menos numa escala de valores sei lá de que. Vale claro, mas dizem que o inferno está cheio de (boas) intenções? E pro inferno eu irei? Não, digo e repito: não acredito nessas realidades inferno, céu, purgatório.
As multidões são insanas, te pisoteiam, os fãs te amam e te matam, te mandam para o inferno.
Não quero fãs, não quero ficar com rabo preso.
Pra que querer o aval de multidões, me diz pra que?
Eu quero ser eu, e essa pretensão de ser imortal, pra mim é pura ilusão. Mesmo os imortais são mortais, então tanto faz. Os que ficam são pensam que existe a imortalidade porque ainda não morreram.
Tudo que é vivo morre, mais cedo ou mais tarde. E quanto mais a idade avança, mais mortes. Eu mesmo, lá no Facebook tenho várias Dead faces...e o que acho super estranho, é quando chega o aniversário da pessoa. a gente fica assim com a boca aberta, cheia de dentes...desejar o que à um amigo morto?
Principalmente pra mim que nem acredito em vida depois da morte? Se eu me arrepender no leito de morte, será tarde demais de qualquer jeito.
O que eu quero é viver bem, e o viver bem não é beber Prosecco todos os dias com as amigas, e falar sobre bofes, sobre homens que vão te salvar, sobre futilidades, não é ser superficial o tempo inteiro, é não ter lá muitas frustrações, sobreviver, rodar à baiana. Sexo com um corpo confiável eu já tenho, um teto bacana, também tenho. Inundou a Holanda tô indo à nado pro Brasil. E essa coisa de busca, mesmo antes do Google, Yahoo...eu sempre tive esse anseios de busca, sempre busquei. De busca de tudo, de curiosidade de tudo, de experimentar, de experienciar, de ver, claro que eu não queria quebrar a cara, claro que eu nem pensava em retrocesso. Eu sempre quis avançar. Avançar, ir pra frente >>>>>FF....viver o máximo todas as possiblidades do presente PLAY. Todas as bibliotecas, todos os livros, todos as portas, sempre gostei de abrir portas, dar aquele primeiro passo. Corri muitos riscos.
Porisso que pra mim é difícil escrever sobre o passado. O passado ficou lá no passado, eu daria uma entonação atual, diferente, e isso é chato, isso seria o mesmo que prostituição, adulteração, alterar o passado, o deixando mais lírico, mais enfeitadinho, como docinho de aniversário, cupcakes...coisa chata.
Afinal eu não sou historiadora. Não são somentes fatos, realidade. Há as nuances de todas as cores do arco-íris, mesmo no passado. E fora a preguiça, e fora as distrações. Complicado esse negócio de escrever.
Parabéns pra quem consegue. Os poucos que conseguem escrever algo que preste.

Quem sabe um dia, eu escreva o que eu realmente tenho potencial (que ridículo isso, ter potencial) oque realmente sei falar, assunto que domino, se é lá que domine alguma coisa, pra começar gostaria de escrever o que gosto, escrever rasgado, não escrever bonitinho, que nem esse sol lá fora, que nem olhar para a cerca pintada de branco lá fora, que mudou muito, que trouxe mais claridade ao meu petit jardin (quintal mesmo), fundo do quintal, mas pra mim é jardim...apesar de que tudo que é meu tem um ar de imperfeição. Tudo...
Com essas casas grudadas aqui na Holanda, essas casas grudadas, essas casas geminadas, trigeminadas, essas casas silenciosas, essas ruas silenciosas. Esse silêncio que é essa Holanda.
Esse silêncio que eu gosto de interromper com gritos de vez em quando. Esse silêncio que tem hora marcada pra tudo, aliás aqui vivem em função do sol, do relógio. O que mais eu odeio, apesar de ser pontual, sempre fui, e acho que sempre serei, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

- Vocês estão vivos realmente? É uma questão cultural esse silêncio contido todo? Me pergunto constantemente, estou até me acostumando, de tão camaleoa que sou.

Não que eu queira que as pessoas falem alto, cantem pneu, buzinem te matando de susto na faixa de segurança, enquanto você está absorto em seus pensamentos, o sonhar acordado.
Mas às vezes é tanto silêncio...pouco riso. Pra rir precisa de motivo, e uma coisa que eu sempre fiz foi RIR, sorrir. Comecei a mostrar os dentes depois dos 12 anos, e não parei mais, pois até os 12 eu não sabia sorrir, eu sorria aliás, mas não mostrava os dentes, era nervosa, tímida, insegura. O Smile era sem dentes :-)

Saudades do sino da Igreja São José, onde morei 14 anos, na Ververstraat. Fazendo barulho.
Aquele mesmo sino que já escrevi aqui nesse blog, o sino que me deixava MALUCA DA SILVA no domingo pela manhã, e baladava por mais de 15 minutos, me torturando. Eu que adoro dormir até mais tarde. Uma vez da noite, pra sempre da noite.
Venham para missa, rezar, pedir sei lá o que.
Venham dar umas moedinhas, o dízimo. As igrejas estão vazias, e os prédios estão ruíndo, e a manutenção é cara, restauração mais ainda.
E 'ela' (eu) viaja de trem e vê uma mesquita absurda no meio caminho...mas que coisa? Que coisa feia, estranha, no meio de uma cidade, aquela arquitetura de mesquita, que não combina com Europa.
Seria a minha cabeça pequena? Seria discriminação? Eu acho feio, e digo, é feia, é feia, e é feia...me deu um susto. Tira essa mesquita daí, mas o mundo também é dos muçulmanos, ok ok ok...deixa a mesquita lá, aquela coisa enfeiando a paisagem, eu gosto tanto de andar de trem, olhar pela janela. Na próxima vez, eu vou fazer de conta que aquela mesquita não significa nada. Coisa de novo rico.
Ah! Religião coisa chata, coisa de gente bitolada. Não quero falar sobre isso.

Era pra falar da nudez européia, da nudez que o Leandro percebeu, da morte da Gorda (periquita, companheira de Jack)...da turbulenta adolescência (puberdade) dos DDs (Dominique e Dimitri). Da depressão de Dominique, e da cabeça conturbada do Dimitri, seriam  os filhos dos astronautas também bipolares?
Preciso ir ao médico, da família, no curandeiro, no mago, consultar o oráculo, as runas, os búzios...axé babá.

Enquanto isso, preciso adotar um animal no Brasil, preciso adotar novamente o meu irmão que fica na praça Roosevelt, atuando, o Zé Contente em ação. É tanta gente doente ao meu redor, e não estou falando mal de doenças, pois todas as doenças fazem parte da vida. Eu também sou doente. Às vezes o monstro se manifesta, ele tá lá adormecido, é que eu sou uma pessoa alerta, aprendi a ser assim a yoga me ajuda também, tenho vários remédios a mão, yoga, música, vinho, meus vícios, e agora o meu piano, aos poucos estou conseguindo dar forma, aprender as ler notas musicais é uma libertação.

Já perceberam, que viver é estar doente? Há todos os tipos de doenças, vários tipos.
Viver é estar doente, e estar doente não é estar morto, estar doente [portanto], é estar vivinho da Silva.
E como devemos fazer? Devemos arrumar o remédio, que nos cai bem.

É assim que funciona, ir atrás do remédio  simplesmente uma mãe à beira de um ataque de nervos. Bel 112 a.u.b.!*
*Telefona para o número de alarme 112, alarmnummer 112, ambulância, polícia ou bombeiro mevrouw?
Só têm esses três?

Meu- pai -mandou- escolher- esse- daqui.

Ambulância.

Qual o problema mevrouw!
Vem aqui na minha casa que eu não estou passando bem porque as coisas estão fora de controle, tenho um Frankenstein à solta, quebrando tudo, uma  autista vulnerável em pânico, uma mãe desesperada arrancando os cabelos.
Mas isso é caso de polícia mevrouw.

Mas não tem ladrão por aqui, ninguém matou ninguém (ainda), ninguém roubou.
Ele precisa de uma injeção que o acalme!
Vendem xanax sem receita na farmácia? Eu vou lá comprar, e está tudo limpo, e não está mais aqui quem falou?
Não sei o que é xanax mevrouw. Mas aqui é Holanda e não o Brasil, ou EUA onde medicamento é que nem balas.
Preciso amainar o monstro, o dragão tá espirrando fogo.
Então seria melhor os bombeiros mevrouw, mas não temos diploma pra isso e não entendemos desse tipo de fogo de dragão.
Põe na água fria, no tanque, é mais barato, é isso?

Na Holanda não existe empregada, nem área de serviço, por conseguinte não tem tanque.
Dá pra colocar a cabeça da criatura no freezer?
O.K. estamos indo com a comitiva toda, menos os bombeiros, não sabemos lidar com dragões, nada a fazer.

(E não é a primeira vez, men in uniform). Ãs vezes aparecem uns bonitinhos, esses loiros de olhos azuis, criados a Toddynho, me tirando o foco do problema, entrando de sapatos no meu piso imaculado.

Contando que eu não enfarte, está tudo limpo, simbora, podescrê amizade! Podescrê!H.E.L.P.

Ouço esse CD do Villa Lobos, tenho vidas paralelas, queria escrever sobre todas elas, nem é vida dupla mais, tenho várias em mim, queria escrever sobre  minhas aulas de piano, o jeito de ser da minha professora, da lição de casa, dos pianos...dos diferentes sons de piano, do sol, da primavera, das minhas tulipas (algumas plantei errado), roseiras que crescem demais, jardim, dos livros que comprei, do meu trabalho na biblioteca, do meu corte de cabelo errado (eu mato no pensamento aquela cabeleireira)...do meu futuro telefone celular (smartphone)...porque telefone não é só telefone, esses telefones de hoje em dia, vocês já pararam pra pensar nos smartphones? Já pararam pra ver, o que eles realmente significam nas nossas vidas?

Da saga do meu forno de design Smeg, que me custou os olhos da cara, e já estragou mais de 4 vezes, me dá meu dinheiro de volta, que essa PORRA é uma porcaria, tem defeito de fábrica, e eu não sou otária.
Calma Bebete, calma! Não fala palavras de baixo calão no seu blog, é proibido.
Você vai ganhar um novo, porque vai fazer a caveira do fabricante, da loja, na internet...se eles não te derem um novo sem defeitos.

Das paixonites e desapaixonites da minha cabeça, de todas essas gramas verdes artificiais, desses mayas que aparecem no meu caminho, quero escrever sobre isso. De todos esses fantasmas, dessas vozes, dessa inspiração que vem do nada, da bagunça das minhas roupas, de minhas roupas pretas. De como as pessoas tentam me mudar, o quando as deixo nervosas, ou o quanto sou amada pelos meus amigos.
Do parar de fumar e ficar gorda, e estufada, e mascar chicleta que descobri que faz mal, com a mastigação é enviado gases aos estômago, e a barriga CRESCE, ponha essa droga de chiclete no LIXO, djá!


Do novo papa que aqui na Holanda tem o nome do meu filho, o segundo nome: Franciscus o defensor dos fracuuus e oprimidus. Habemus bicho papam, nem deu pra comentar aqui no blog.Poxa quanto assunto, o tempo passa muito rápido. Já estou com quase 53 anos, minha filha com quase 15 anos...não dá pra desacelerar ai não gente? Eu ainda tenho 52, minha filha, 14 e meu filho 13. Porque essa mania tendenciosa de acelerar a idade. Diminuir também não dá, dar marcha ré.

Se pelo menos entrasse na minha cabeça que nenhum HOMEM vai me salvar, nenhum. Meu pai está MORTO, e nem ele me salvou numa certa vez aos 14 anos. Contente-se em viajar nos lindos olhos verdes do namorado, que está presente, que está sempre tentando me fazer feliz.
Que pintou a cerca do meu jardim de branco (era verde), os tamancos e as casinhas de passarinho de vermelho, tudo a pedido, pois tudo que eu peço ele faz, cantando, assoviando e comendo farofa. Não, o gringo não gosta muito de farofa.
Da despedida de meu querido amigo Antonio que vai amanhã de mala cuida, de muda pra Austrália. Da categoria nunca te vi sempre te amei, e isso funciona mesmo é com amizade.


Mas vou ficar por aqui...o problema de escrever que fica difícil de achar um fim.
Na numerologia, preciso ainda colocar a letra B ao lado do número da minha porta, melhora tudo aqui nessa casa, só esqueci se é do lado direito ou esquerdo do número, a letra B, tem que ser DOURADA...beside me, e viva a numerologia, que tenho que retomar além dos números.

Das visitas que terei do Brasil, que tive, dos presentes que ganhei...das pessoas do passado, que sempre me visitam, das pessoas que ainda quero conhecer e sei lá porque cargas d'águas gostam de mim.

Depois dos 50, depois do 50 a gente seca, o tempo passa voando, e a gente tem que aprender a voar junto, pra não ficar lá atrás.
A gente seca se bebe muito álcool, a gente seca se fuma, a gente seca se não bebe álcool, a gente seca se não fuma, a pele seca, os órgãos secam. E espera ai um minutinho que eu vou beber água...vou pegar uma jarra inteira, que vai me acompanhar nesse Villa Lobos que estou ouvindo.
Pronto, a jarra já está aqui. Estou sentada à mesa, na sala mesmo, numa cadeira de couro preta estofada, que é mais macia do que essas vermelhas de design italiano, mas convenhamos, é de PRÁSTICO CREUZA, é prásticoooo...Melissa também é de plástico, e plástico é plastico, e até o que parece plástico e não é, pra mim é de plástico.
Preciso cuidar e muito da postura, da minha pobre e amada coluna.
Uma coluna ereta remoça 10 anos. E quem não quer ser mais moço/mais moça?

Pausa para um gole d'água. D'água, sempre achei interessante d'água. Apóstrofo, não confundir com apostófre, apóstolos, com outros apos.
Depois dos 50, as cousas despencam. Entendo que artistas se desesperam, começam a fazer plásticas 'adoidados'...começam a se manipular, principalmente artistas que trabalham com a imagem, começam a virar Thunderbirds, porque é a única saída, ou a saída mais rápida...e que entra em outro cômodo, o cômodo pra ser olhar no espelho, e realmente gostar, daquilo que se vê...mesmo ficando ridícula toda remendada.

Entendo o desespero dessa gente. Eu aqui não tenho tanto desespero nesse sentido, sou até posso dizer, bem relax nesse ponto, porque sou pobre, e pobreza (financeira) no caso te limita...não preciso estar anoréxica, nem começar a deixar umas moedinhas aside pra manipulações, me dê viagens às Ilhas Gregas e seja mais o que for, dê-me cremes, seruns...isso sim, dê-me dinheiro pra pagar esses cremes, seruns, a conta d'água, da luz, do gás. Noite debaixo dos lençois com meu namorado.
Me dê café, me dê encontros...bons filmes, me dê boa leitura...flores no meu jardim.
Dê-me dinheiro pra férias sempre, dê-me sossego, paz interior, paz na cabeça, paz, paz, e mais paz.
Envelhecer é querer cada vez mais paz. Nem saúde se precisa tanto. Já está na hora de abrir um vinho?
O que vamos comemorar hoje? Mais um dia que me mantenho viva, mais um dia. Amen. (só porque estudei um pouco de latim).

Meus pés ficam secos, minhas mãos, a garganta, e dá uma vontade de colocar algo na boca.
Vai uma cenourinha que vale como um biscoitinho, porque eu também quero dar pro gasto, aliás...estar gatinha na minha cabeça, estar leve e saltitante, sonho meu,  ter paz, ouvir as músicas no meu HTC, pedalando, na liberdade que é pedalar uma bicicleta, ir e vir, mas claro é tudo plano, tudo fácil aqui na Holanda, o que é difícil sempre são as forças da natureza, o vento, a chuva, a neve. O que é difícl é chegar até os 50 anos, e passar dos 50 anos.
Ah! Se todos os meus amigos tivessem 50 anos.

E assim é na vida, as doenças, as fases, até o ataque de nervos passam, a Gorda morreu de ataque cardíaco disse o J. Morreu de olhos abertos, e foi enterrada perto de uma árvore na Alemanha.Ai não tem jeito...ataque que não mata, sem problemas, mas ataque que mata, é triste.

R.I.P.  Gorda, que até chegou a emagrecer por aqui, e talvez Jack sinta falta da Gorda, sim eles namoravam, e até brigavam, tentarei compensar, agora ele voltou a ficar mais solto, todos os dias fica umas horas solto, fora da gaiola, sai voando por ai, fica olhando pela janela e depois volta por si, para a casinha. Hable con ella e eu falo com ele, para ele não se sentir só.
E descobri que o pai do Hermann é pintor, não, ele não é artista plástico, ele é pintor de casas mesmo, pintor de paredes, deixa as paredes bonitas, tudo novinho. Ele mexe com tintas, com pincéis, lixadeiras, com todas as cores do arco-íris e suas tonalidades, conforme o gosto do freguês.






Sunday, March 10, 2013

A dança da balança


Já vou avisar àquele que me lê (nessa postagem) que o assunto que abordarei é tipicamente feminino, não que homem não possa ler, liberdade, fraternidade, igualdade, não é mesmo, mas diz respeito à nós mulheres se você é homem e quiser saber mais sobre a mulher talvez seja essa sua chance, e suas mudanças biológicas,, também é bem-vindo, mas quem avisa amigo é! Homem não menstrua, não fica grávido, não tem mudança hormonal, não ovula, TPM, depressão pós parto, não tem, portanto, nunca saberá o que é menopausa, menarca, climatério e otras cositas más.

Então fui ao médico da família (tipo um clínico geral fixo, com seu histórico médico), depois de muito adiar. Afinal desde agosto não menstruo mais, o que é isso?  Meses e nada? Parei de fumar, e como já comentei,  engordei, nem correr posso, dói as articulações, explica melhor isso ai Seu 'DO(u)TOR'.
E eis quando marco a consulta (depois de 4 meses protelando), menstruo. Vai entender...fui ao médico assim mesmo.

Retornando à esses 4 meses antes da consulta,  o que povoava minha cabeça, beirava o pânico: estaria grávida? E agora? Ligeiramente grávida, não existe. Mas é estranho, pânico é uma palavra que está saíndo do meu vocabulário, drama-queen também, seria a maturidade?  Ou são as armas que encontro pra viver, procuro estar rodeada de poesia, de amigos, filhos, boa leitura, auto-conhecimento, uns gritos, uns choros de vez em quando, policiar meu pensamento e minhas palavras.
Um bebê na barriga, seria ridículo na minha idade, 52 anos, oh!não eu quebrando as regras novamente, só que desta vez no sentido literal? Sou tão regrada, 28/28 lá vem. Cheguei a cogitar (se fosse verdade), eu por mim teria filhos até onde desse, esse lado masoquista meu, lado(s), 3D maternal porque esse instindo  parece que vem por todos os lados, sou mãe de todo mundo, desde que me conheco por gente. Experimenta atravessar a rua ao meu lado...experimenta ser criança sózinha brincando na escada rolante ao alcance de meus olhos, sem mãe e pai por perto. Aliás se for pensar bem, esse foi um dos motivos que optei por ser mãe, estava cansada de ser mãe dos outros, queria ter os meus próprios filhos, ver pra crer, ver pra viver.

Esperei passar e comprei um teste de farmácia: pá, pumba, deu negativo. Desconfiei, porque o teste não foi dos mais caros (os preços variavam muito, quanto mais segurança no resultado final, mais caro), também nao foi o mais barato, mas essas micro chances de dar errado? Meda, no feminino mesmo, combina mais comigo. Fui pagar 8 euros por um teste? Ou foram € 12. Detalhes a parte, que idiotice, por quê não comprei logo o de € 20?
Meda de ficar grávida? Nada, gravidez é legal...até seria uma mãe de aluguel sem problemas, mas mais um filho pra criar/educar/cuidar/bancar, nesse momento de minha vida____________NO WAY! No more...
Acorda Alice, acorda Bebete, Acorda Carolina! Acorda A, B, C.

Fui engordando por não menstruar, inchei, e como já havia falado há pouco tempo atrás, a gordura parece que está gostando de mim, o parar de fumar também colaborou, ainda nao estou desesperada pois conforme o livro da Janete (que mencionarei posteriormente), estou ainda na fase da gordinha/sexy, dá pra dar um truque, mas nenhum jeans me serve, e até as roupas pretas que tanto amo, as camisas não fecham os botões,  nada anda me caíndo bem, tudo isso me deixa de mau-humor, senão fosse as leggings estaria perdida, e ter que sair pra fazer shopping de roupas de tamanho maior, nem pensar, excelente motivação para consumir menos, porque não me dou nem me darei por vencida, não, não, não, ainda atingirei um peso ideal para o momento, armarei um plano diabólico. Reviro meu guarda-roupa de cabo a rabo pouca coisa me cai bem, ou me serve, olho na imagem arredondada no espelho e digo: Nada mal " fofinha", e dou uma piscadinha (te conheço?). Não, não me reconheço, é uma fase nova, não só pelo que acontece no reflexo do espelho, é uma fase de mulher pré-menopausa, uma fase interessante, um NOVO EU, o eu mais do que nunca observador, tenho tantas em mim, e já não bastava o estigma de geminiana. Preciso urgente me movimentar, o lado chato é fazer certas asanas de yoga me atrapalha, apesar de que ser curvy ter o seu glamour. Namastê! Mas o buraco é mais em baixo ainda, é o buraco da menopausa, que toda mulher mais cedo ou mais tarde terá de enfrentar.



Fiz exame de sangue, um controle hormonal...e estava tudo normal, foi apenas um susto, não estou grávida, nem na menopausa (uma ano inteiro sem menstruar, ai sim a mulher chegará no climatério), estou sim na pré-menopausa. É a vida, é a idade, é o momento, e aceito sem problemas, mas o que não aceito, é ficar ofegante ao subir vários lances de escada (era pra evitar as escadas rolantes, não?), principalmente depois de ter parado de fumar, me falaram que a saúde melhora, li muito, a saúde melhora sem cigarros, pois bem, melhora, mas como o corpo muda, temos que aprender mais sobre a nova fase, os hábitos alimentares também têm de mudar, comecei a beber mais água, é uma secura de tudo, por dentro e por fora, cabelo, pele, pés.

Claro que sei que posso emagrecer (quando realmente parar de ficar sentada aqui nesse computador reclamando, ou só andar de bicicleta (no raio de 5 km e com as 3 marchas, ou só fazer hatha  yoga...) isso não funciona, preciso realmente SUAR, dar uma mexida nessa energia parada, e queimar essas calorias, correr seria magnífico se não fosse o joelho e esse tempo holandês é fácil falar, quando a primavera der as caras, só vai dar eu...e além de tudo, meu namorado não reclama, me adora, me agarra e me chama de " lekker ding", e eu caio no conto do vigário, ' me engana' que eu vou pensar se gosto. Acho que não, porque acabo me acomodando, e me desmotivando. Ah! Homens, mas mesmo assim ganhei de presente uma cinta Turbo Max dele, usei uma vez. O negócio fica vibrando na sua barriga, esquenta,, e você plugada, MEDA, MEDA, MEDA...e muita preguiça.

Nesse meio tempo, ganhei uma lata (de plástico) de mumu (doce de leite do Rio Grande do Sul), de um amigo gaúcho que mora na Holanda e vai seguido ao Brasil, mumu é a marca, mas todo mundo sabe que a vaca diz, mu mu...e ficou. A lata já acabou, mas o açúcar deve ter se instalado nesses centimetros a mais nesse quadril, no abdomen...grudou em mim feito tatuagem, agora eu sou a vaquinha da ambiguidade, entre a consciência de colocar no meu corpo alimentos saudáveis e me desintoxicar, e consumir maravilhas em forma de a;úcares e guloseimas.

Ãs vezes penso que faço regime/dieta pra engordar, não pode ser possível, mas é. Seria uma maneira de me punir ou me testar? Faço compras praticamente todo o dia no supermercado perto da minha casa, e no corredor de chocolates passo quase todos os dias. Ou eu gosto de comer e ponto final? E se for pensar, nem como tanto assim, recuso a comer frituras, óleo só azeite de oliva, mas a manteiga...ah! a manteiga. Não coloco açúcar no café, aliás o koffiemelk é meu açúcar. E uma vez por semana me delicio com o capuccino com caramelo da Hema ou do Coffee Star. Vai ver eu nem estou ai pra ditadura da magreza, e às vezes eu nem estou ai pra nada, no inverno hiberno, na primavera cuido do jardim e aprecio as flores e verde, no verão aproveito o sol e a luminosidade, no outono passeio no cemitério, curto as cores., e no inverno hiberno novamente, sempre com trilhas sonoras fascinantes como minha a de Nicolas-jaar-bbc-essential-mix-download e Vivaldi, e meu novo velho piano (falarei dele em outra oportunidade).

O meu corpo mudou, isso sim...tudo ficou mais lento por aqui, os hormônios, e esse efeito "Bob Esponja" (cintura pro espaço) aliás eu só tenho cintura porque tenho quadril, o que continua sendo mais desagradável,  a falta de fôlego. Estou fisicamente virando uma senhora, nada a fazer, e quero curtir esse momento, pois assim me reconheço, mas mudanças estão por vir, mudanças na alimentação, mudança de metabolismo.
O humor mudou também (mas esse muda o tempo todo), com o descontrole hormonal, a gangorra voltou, a irritabilidade, a aceleração, o botão phoda-se ligado (não gosto de dizer palavrão no blog), mas às vezes precisa.
E o remédio para isso, é me armar com as armas que conheço bem, a meditação diária. O parar, o silenciar, o ouvir a voz interior, não remar contra a maré, trazer pra baixo todos os livros de meditação, guias, e acrescentar a meditação na dieta diária. E assim tenho a sensação de estar no caminho certo.



Mas voltando a minha gravidez imaginária, fiz dois testes, o segundo teste,  ' mandei'  meu namorado comprar o teste, ah! vai lá, se eu estiver realmente grávida, esse bebê nao foi concebido pelo espirito santo...negativo novamente. YES.
Certeza, "não estou grávida", apesar de achar que meus seios iriam explodir de enormes, não tem mais pele pra esticar, e se fosse verão, me auto-intitularia "Bebete melões", como a menina que frequentava o Massivo: "Mônica Melão" Mônica Melões afinal ela tinha/tem dois seios, ela era loira oxigenada, e usava uns decotes deixando mais da metade dos seios à mostra, cheio de estrias e com aquele bronzeado artificial, as roupas sempre pretas, apertadas, de vinyl, meia arrastão, e ela curtia muito "deixar os homens doidinhos" com aquela aparência kinky vulgar, tudo nela combinava com a loirice, a mini-saia apertada, a falta de papo (noite é pra dancar, namorar, aparecer, se sobressair, diziam que tinha feito uma tal faculdade de psicologia, essa era a persona dela na noite, fama de perigueti (quem seria a próxima vítima?), sorriso com dentes brancos ou pareciam ser  brancos porque tinha o contraste da pele, a celulite camuflada nas pernas com as meias kendalls, figura perfeita pra noite, a falta de assunto a fazia ser um mistério, o mistério estigmatizado da burrice e do clichê de loira burra, mas o que importava? Nem loira ela era, e afinal das contas, apesar do rosto cheio de marcas acne de um passado escolar talvez tenebroso (sim porque aquelas marcas no rosto não apareceram da noite pro dia), ela parecia feliz e parecia que se curtia, todos contavam com a presença dela na noitte, ela era a rainha dos bofes, sem medidas perfeitas, no explendor da juventude, naqueles anos 90. Que nem na sacolinha da loja Vila...

Continuando, não era pra falar da Mônica Melões, não era pra falar de frutas, mas sim das frutas que nào como e teria que acrescentar na dieta, da minha possivel gravidez, da menopausa, que deveria vir antes da gordura, da possivel gravidez afinal é assunto mais sério, é assunto de saúde, física e mental, da mudanca de vida, fase importante na vida (deixa eu pensar, todas as fases na vida são importantes), nunca mais ficarei grávida,  nunca mais poder conceber outro ser, nunca mais comprar absorventes pra si, ops, eu tenho uma filha adolescente. Melhor pra mim, que preciso me concentrar no que já tenho, dois adolescentes em casa.
Nesse meio tempo recebi o tão famoso livro remetido do Brasil.
O livro da Janete, amiga da Bebete, que um dia também bebeu grapette...foi lançado com muito sucesso. Janete é expert, Janete é mulher Bombril, 1000, Janete não quer saber de mi mi mi em 2013, não anda de Chevette. Janete um dia me entrevistou pra Veja - São Paulo nos anos 90.
Janete é mãe assim como eu, jornalista, mãe de enteados, escritora, empreendedora, yogini de ashtanga e com esse livro recentemente lançado, pensou em mim e me remeteu, é um excelente relato de experiências e guia,  ela conta como de corpo de modelo ela virou obesa, obesidade mórbida e como revertou esse quadro, um relato íntimo com a balança (diz), mas isso eu vou contar na próxima postagem, afinal, existem muitas Janetes, Bebetes, Colettes, que dançam na balança a todo momento, balançam seus melões, balançam suas panças, balançam mas não caem, e tudo seria muito engracado, se o assunto não fosse obesidade mórbida, mesmo que a morte nos leve para a magreza eterna. Amen.

Friday, October 26, 2012

À Lis-boa e bela!

"As cidades falam comigo. Ouço-as ao pé do ouvido... não como ouço as pedras, transfiguradas pelo tempo. Ouço-as com o cuidado que ouço um ancião.
As cidades respiram e têm cheiro. Não a tijolos ou calcário; exalam essências secretas que não ousaria definir...t
êm elas um mundo subterrâneo ignorado. Não um submundo catapultado de argila e níquel, oxidado pela frieza das horas. Mas lágrimas...



As cidades estão vivas e respiram; ofegam e não param de pronunciar clamores... falam sobre mim, os outros, quem partiu e quem chegou. Choram e sorriem; tem paixões e seus humores. E reconhecem cada um de seus habitantes.
São protegidas pelos céus, pelos ventos e árvores, suas raízes e copas. E observam o vôo dos pássaros e protegem quem lhes dorme às ruas...uma cidade é sempre no feminino! Ela é muito mais do que luzes e prédios imóveis, nomes de ruas ou monumentos de bustos e estátuas de generais montados em seus corcéis de bronze.



Uma cidade é uma embarcação ancorada num ponto cardeal do oceano chamado Terra, é feita de lendas e enganos, genética e verdades, glória e esquecimento, solidão e vontade.
A cidade em que habito é assim."








autoria: Sérgio Borda Indarte

Sunday, October 14, 2012

7 meses sem cigarros 7 quilos a mais, como faz?


Estou há 7 meses sem fumar (palmas pra mim que eu mereço), ok e nesse meio tempo ganhei uns 5 quilos, os 7 ali do título foi número de mentiroso, pra enfeitar, ou tanto faz, já que sempre fui iô iô, engordo e emagreço, eu nem olho direito quando a balança sobe demais, e dificilmente permaneço por mais de 5 anos com o mesmo peso.

Parar de fumar e engordar,  está para o sal e a pimenta (aqueles potinhos na mesa de restaurante), e como a cabeça funciona com essa vitória parcial (parar de fumar), e descontentamento momentâneo, de não se estar satisfeito em ganhar peso (quem estaria? só os magros, né?), acontece por causa da mudança no metabolismo, e acontece em muitos casos, eu sei eu sei. Mas dos males o menor, parar de fumar é muito mais importante que uns quilinhos a mais, eles não vão me intimidar e muito menos tirar meu sono, esse é o meu mantra, mas não custa nada fazer um esforcinho pra tentar voltar ao normal. Querer se enganar é muito pior.
O namorado não reclama, na verdade homi gosta de carne, homem gosta de agarrar e não é cachorro, não curte ossos, mas nem é uma questão de homem gostar, eu me prefiro sem esses bacons supérfluos, haja motivação!

Quase que ia me esquecendo dessa data hoje, os dias 14. Esqueci que eu parei (de contar), só lembro de vez em quando: "não sou mais fumante" e vou ver no calendário. 'Olha, já passou mais um mês.'
Está sendo mais fácil do que eu imaginava (seria meu lado camaleônico, adaptável, e não que seja lá tão fácil como digitar a palavra "fácil"), não sinto falta do cigarro em si como nos primeiros meses, e isso até me assusta.
Esses dias sonhei que ainda fumava, e em meu sonho sentia uma certa vergonha pela falta de persistência "eu tinha parado"(era a realidade entrando dentro do sonho), mas foi só acordar e perceber, que tinha sido um sonho mesmo (que alívio), o que quer dizer que há uma parte de mim que ainda fuma, mesmo não fumando mais, estranho isso se for pensar, as aparências sempre enganam, os sonhos dizem tanto da gente, como as coisas funcionam dentro de nós.
Então no sonho estava fumando, mas era ex-fumante que fumava. Vai explicar?
No sonho não veio à tona os quilos a mais na balança (e no meu corpo). Sei que sou exagerada, não tenho um corpo perfeito, aprendi a gostar de mim, a dar os meus truques, a cabeça sempre é o mais importante do que a imagem no espelho.



Sem o cigarro me sinto melhor, claro (não há como negar), mais saudável e a sensação de vitória ao vício não tem preço, blablablá.
O único problema foi adquirir peso/massa/banha (argh!!!), as roupas do inverno passado não servem mais, todavia eu sabia que isso iria acontecer, estava avisada, e mesmo assim eu arrisquei, o que de um lado da balança me orgulho (nunca mais fumei), do outro me incomoda pois como diz um amigo"magreza e dinheiro não faz mal à ninguém", pois a gente não engorda no lugar que se quer, não vejo nenhuma alegria em ter que comprar roupas num tamanho maior, e tem a vaidade, tudo é vaidade, digamos, que eu concorde em termos, falando apenas de aparências, ninguém gosta de aparentar triste, feio, descontente com o próprio visual, pesado, e a gordura (localizada) pode funcionar como fator negativo na auto-estima, é complicado ter um corpo, a parte de dentro e a parte de fora em harmonia, são tantos fatores a considerar, e principalmente a qualidade de vida, repensar métodos, alimentação, tudo em prol do bem estar, mas como negar que a gente se sente bem quando come uma barra de chocolate, aquele aroma de bolo no forno? Elaborar uma refeição mais caprichada, sem ter que pensar quantas calorias, aquilo vai te engordar?

Gostaria de devolver esse presente de grego através de caminhadas, bicicleta, corrida, yoga, subir escadas (descobrir novamente essa maneira de me movimentar) a gente esquece e sobe escadas rolantes, elevadores, e não perder a oportunidade de dançar, sim essa é a chave do meu próximo sucesso, me movimentar, fazer, sair, subir, descer, coisas que sempre gostei, não só porque quero mandar "a oferenda de volta ao mar"(os quilos a mais), mas porque quero tentar, dançar, dançar, dançar... Mas como dançar? Aonde dançar, com quem dançar e sair? Os tempos mudaram,voltar a ser jovem como antigamente dançar todos os dias, im-pos-sí-vel, eu mudei, mudei de país, mudei de vida, mudei de estilo de vida, tudo muda até as estações mudam.


E como toquei nas estações do ano, o inverno está por vir tempo de hibernar e de engordar, pois hibernar e engordar é outra duplinha dinâmica no frio, assim como o pimenteiro e o sal.
Como faz(er)?
Cartas pra redação!






Sunday, August 12, 2012

Ninguém gosta



Ninguém gosta

Ninguém gosta
de ser abandonado
de não ser ouvido
de ser e se descobrir traído
de ser esquecido
de não ser lembrado
de ser coagido
de ser obrigado
de ser enganado
de ser interrompido
ninguém gosta

Ninguém gosta de ser maltratado
de ser acuado
de ser pressionado
de ser ignorado
de ser criticado
de ser amaldiçoado
de ser praguejado
de ser ofendido
se sentir usado
ninguém gosta

Ninguém gosta de amar
e não ser amado
de escrever e não ser lido
de gritar e não ser ouvido
de sofrer e ser preterido
de adoecer e não ser curado
de esperar e não ser atendido
de partir de si mesmo e permanecer perdido
ninguém gosta

Ninguém gosta de enganar a alma
de acovardar-se diante do medo
desistir e ter fraquezas constantes
de promessas ilusórias
de ignorância e falta de memória
ninguém gosta

Ninguém gosta de que o tempo
o torne cego, surdo e mudo
isolado das belezas simples
pesado pelos dias passados
se descobrir velho e cansado
de acordar num belo dia e perceber
que ninguém se importa
e nem a própria vida é importante.




Sunday, May 13, 2012

Pare Agora!

I know

Quem me acompanha no Cara livro sabe: sim, eu parei de fumar, e amanhã completarão 2 meses, sem nicotina, dia 14 de maio de 2012.

Dois meses sem o cigarro depois do café, depois da comida, no papo ao telefone, na balada, na caminhada, na saída das lojas, no encontro com amigos (fumantes), depois daquelas horas..., dos momentos de filosofia, bla bla e mais blablabla. Telma eu não sou gay (...) meu bem, eu PAREI, e diga ai, que essa patrulha anti-fumo é pessoal, eu me patrulho, eu mudei. 

Ai que duro, ai que difícil...ai que mentira, eu que escolhi, optei, parei.
Consegui e pronto, não fumo mais, masco muito chicletes sem açúcar, sou horrível mascando chicletes, fico feia, mas dane-se, preciso deles, de vez em quando, nem gosto muito de chicletes, o chiclete inventei pra fechar a boca, pois no primeiro mês engordei 2 kg, estou controlando a balança, e é normal engordar 4 kg (tem gente que engorda mais), o metabolismo muda, é normal, ter um pneu ao redor da cintura, ai que medo, mas pra tudo há um controle, e às vezes as coisas são piores que parecem.

Você se sente melhor, né? 

- Não, não me sinto melhor, me sinto péssima, às vezes. E essa pergunta (de não fumante, óbvio), já me dá vontade de dar um soco, sim eu me sinto melhor, mas estou bem mais agressiva. (faz parte do processo de purificação, querer matar alguém que se atravessa com perguntas de "boa intenção"), estou ainda em fase de abstinência, será que essa pessoa sabe o que é isso? Abstinência, vício, vencer o vício, mudar.

Sim tenho mais resistência, sim me sinto mais saudável, sim eu estou orgulhosa de mim mesma, sim, é uma grande vitória, e seria uma vitória final, mas não, todo dia é uma batalha, todo dia sem fumar, uma vitória. Corri uma "tipo maratona", de quase 7 km na minha cidade, sim, eu consegui correr o percurso todo sem parar, e sem botar os "bofes pra fora", sem sentir aquela dor lateral, me senti em pleno processo de detox, saudável, a tal, pra realmente gostar mais de mim, e me vencer, ficar com dentes mais brancos, pulmões limpos, e tudo o mais. 
Antigamente os médicos receitavam cigarros, acredita?


Até quando vou segurar? Sei lá, espero que pra sempre.

Não quero louros de ninguém, e não sou hipócrita em dizer que FOI FÁCIL, não foi, e não está sendo fácil, mas também não foi difícil, o difícil é todo dia, não é uma situação FIXA, parei, acabou, está acabado, palmas, pega lá seu troféu de ex-fumante, vá pra casa, não fume mais, e pare de encher o saco! Ah! se essa maneira resolvesse vícios de anos, a maneira do vapt vupt, tem uma ciência ai, tem uma inteligência ai, parar depois de mais de 22 anos, como eu parei "cold turkey".

Mas não me sinto melhor (visivelmente), as mudanças são internas (dentro do corpo mesmo), eu era ótima antes, só que fumava, eu era uma fumante civilizada (viu só? posso me defender), só causava mal à mim mesma, nunca fumava dentro de casa (sem fumantes passivos por perto), fazia chuva, sol, vento, neve, e como é frio lá fora na Holanda, como faz tempo ruim, cinza, vento, frio frio frio...mas eu fumava lá fora, tinha meu casaco de fumar lá fora, meus sapatos de fumar lá fora, o cinzeiro lá fora, pensava na vida quando fumava lá fora, e agora eu não vou mais pra fora (quando o tempo está ruim). 

Normalmente na visita em casa de uma pessoa não fumante (a maioria das pessoas não fuma e nem tem mais cinzeiros em casa), eu adiava o fumo, pedir pra sair lá fora, na chuva, na fazenda, deixar o papo quente, pra acender a chama do meu vício, ai que belezinha, eu adiava, não fumava, claro o papo devia estar muito bom, porque muitas vezes pensei, não fumante é muito chato, ao circular pelas rodas de fumantes ensandecidos, ansiosos anônimos, drogados e prostituídos, gente de fino trato como eu.

Claro, na casa de fumantes (os poucos que restam), eu me sentia fazendo parte do grupo, da tribo, da clã, mas como odiava lugares (bares/clubs) com alas FECHADAS de fumantes (já que aqui na Holanda a maioria dos lugares não tem um exaustor de circulação de ar como temos no Brasil), janelas abertas? o que é isso... aqui é janela fechada, um nojo, fumante como eu odiava esses lugares, esses infernos cheios de brasas e fumaças, cof cof cof.

Sim, eu colocava as bitucas no chão a revelia, depois colocava perto de outras bitucas pra me sentir menos culpada, mas estava aprendendo a colocar no lixo, a apagar e jogar nas lixeiras públicas, ou levar pra casa (no caso de não encontrar um lixo na rua), era obrigada pelo meu filho, que dizia que as bitucas causavam muito mal ao meio-ambiente e que o filtro demorava 5 anos pra se decompor e que jogar lixo no chão era inaceitável (irracionalmente nunca considerei bituca de cigarro lixo, sentiu a ignorância da patroa aqui?). No início eu só guardava as bitucas quando ele estava comigo, depois comecei a me sentir culpada de largar sujeira no chão já que praticamente dava poucas baforadas, e quando parei de fumar...comecei a perceber o quanto as pessoas jogam bitucas no chão. Jogar aonde? 
Nas lixeiras pra causar incêndios? Em cinzeiros públicos inexistentes? Onde jogar as bitucas? Nenhum maço de cigarro está escrito: FUMAR É PREJUDICIAL A SAÚDE, e LEMBRE-SE de apagar o CIGARRO e NÃO JOGAR AS BITUCAS NO CHÃO, guarde no bolso, bolsa, leve pra casa, coloque no lixo de sua casa, o governo se responsabilizará por suas bitucas, junto com o lixo lixo nas coletas de lixo, e mandará pra os grandes lixões na África junto com outros cacarecos e sujeiras perebentas, e estamos conversados.



E dizem que o prefeito de Nova Iorque queria proibir das pessoas fumarem no Central Park tempos atrás?
Tá, mas como funciona o imposto? Os governos precisam dos impostos sobre os cigarros industrializados, o povo precisa de xxx pra ir pros hospitais, usar os hospitais (oh! como assim?), e morrer em paz (depois de meses de tratamento), mas os sistemas de saúde (como o da Holanda) precisa pagar a conta desses hospitais, os governos estão em débitos com os hospitais, mas o governo precisa do dinheiro da tributação do tabaco, precisa sanar os débitos com os hospitais, ai ai ai, como fica mesmo, melhor escrever aqui, se fumar o bicho pega, se proibir de fumar o bicho come e corre solto por ai, e eu não sei resolver esse problema, me deixa em paz.

Respiração, como respiro bem agora sinto que o ar puro, inspiro, expiro...seguro, vou lá de vez em quando, pare agora! E o agora foi dia 12 de março de 2012, como se fosse ontem.