Friday, May 3, 2013

Mãe à beira de um ataque de nervos

Mais um filme de Almodóvar em cartaz.
Pois então, cá estou eu novamente, para mais uma conversa nesse bloguinho, nesse espaço, o texto é grande, e se você está com preguiça, siga ao próximo blog, talvez tenha algo bem mastigadinho esperando por você.
O desafio é erá que vou conseguir acabar esse texto, digo publicar no blog? Seja o que o ex-deus quiser, o deus que pode ser com letra minúscula.
Idéias é que não me faltam, criatividade, variedade de assuntos, e os infindáveis rascunhos...e as pessoas no Facebook pedindo livro sobre a noite, sobre minhas experiências em relacionamentos afetivos, sobre meu olhar nos anos 90.
Uns dizem: Faz um blog! Mas eu já tenho um blog. Meu blog, pode ser o que for, mas é meu. Está lá. Blog de Bebete, nem é desses blogs que tem 'reclame'.
Aqui eu não vendo nada. Aqui eu sou.
Se eles soubessem atrás dos bastidores, como é realmente a minha vida agora, como o palco mudou. Talvez eles se contentem depois de minha morte, com psicogravuras, é assim que fala? De uma noite ilustrada, cheia de cores, nuances, 5000 tons de todas as cores do arco-íris, que se transforma em cinzas, pois serei cremada, e só sobrarão cinzas, que tenho que pensar onde serão jogadas, em que rio. No Guaíba? No Reno? Nilo? E quem jogará, jogarão mesmo...volto pra puxar os pés, de quem não o fizer.

Se eu conseguir acabar esse texto furtacor aqui estarei muito feliz, imagina um livro? Esse povo bebe, se soubessem o trabalho que deve dar. A dedicação, a concentração, uma mente geminiana igual a minha que uma hora quer fazer curso de francês, acaba fazendo latim, quer fazer um curso de professora de yoga como não pode, faz yoga todos os dias (que dá quase no mesmo), que está a aprender piano depois de velha, que decide não pintar mais o cabelo, depois enjoa e pinta...que vive mudando...

Minha vida não é bolinho, aliás a vida das pessoas que precisam esconder algo das multidões, algo que não se pode escrever em redes sociais por exemplo, é um martírio, porque a gente sabe, que seríamos mal interpretados, povão não gosta de levar tapa na cara, povão gosta de fotonovela. Malandro não para, malandro dá um tempo. (Cidade de Deus, lembram?).
Nem em blog se pode escrever tudo, é preciso muitas metáforas, é preciso criatividade e uma boa dose de phoda-se, mais uma boa dose de humor de bom e mau humor. De paciência, de perseverança...um dia a recompensa virá, e enquanto a recompensa não vem, vivemos pois da melhor maneira possível, nos embriagando com palavras, vinho, música, cores, sex lies and videotapes. Lembram daquele filme? Nos embriagamos e sonhamos que estamos sendo compreendidos pela humanidade, e que a humanidade é boa.
Muitos H.E.L.P.S.  não têm feedback.


Que sera, sera.
É escrever realmente com sangue, não é pra qualquer um, só para os corajosos, e eu sou uma fracote.

Escrever, contar estórias é de uma forma reviver, voltar, volverrrrrrrrrrr. Será que as pessoas entendem isso?
E Almodóvar está com um novo filme, preciso ver...não me conta!
Minha vida sem música seria NADA, e sem Almodóvar mais ainda, seria muito chata, estaria faltando algo.
Ele é de longe o diretor que mais exprime o meu jeito de ser, de viver, de pensar numa película, mesmo sendo a minha vida nada longe da glamurama, apesar de viver melhor do que muita gente que conheço.
Nada é só trágico, só dramático, só melo-dramático, só sério...só cômico, só bonito, só feio, nada é só preto & branco. Há sempre as tais nuances. A temporariedade das cousas, portanto, a urgência diz: todos os problemas têm solução.

Eles acham que eu tenho cacife, os amigos acham que eu tenho muitas estórias pra contar,e  tenho mesmo.
Estórias cabeludas e carecas, estórias divertidas, diversões, situações, pessoas, muita coisa na memória, quem viveu naquela época sabe, as loucuras, e conheceu meus palcos...teve gente que conheceu até os baphos mais sórdidos. Teve de tudo...anos anos 90. E se for pensar, eu nasci num dia 9.
O que é a vida de um artista? Um artista está à mercê de sua arte de sua vida de saltimbanco..., ele não programa, ele vive do jeito que sobrevive, cheio de ilusões, mentiras, dissimulações, diversos personagens, é odiado, amado, praguejado, idolatrado, ele é ele aplaudido, faz as pessoas sorrirem e chorarem. O artista de verdade se joga na vida, se joga na estrada. Eu não estou falando desses artistas de meia tigela de hoje em dia, dessa indústria que cria 'artistas' bonequinhos, robozinhos. Eu sem querer me sentia uma saltimbanca, eu era um parque de diversões, e ainda sou de vez em quando e quando quero, é preciso público. Às vezes o playcenter fecha, ou ninguém quer pagar pra ver.

Bacana, o povo querer me ler, os amigos me encorajam. Muito bacana isso, fico até comovida. Não sou muito lá dessa estória de ego, massagear o ego (acho uma besteira), egotrip, pra dizer a verdade, eu não suporto esse tal de ego, só o ego sum qui sum, e that's it.
Já nem preciso escrever mais, pra que? Pra ter louros, dinheiro? Seria só um capricho a mais, escrever, editar...ver aquele papel que nem precisa mais ser papel hoje em dia, pode ser assim, solto num espaço virtual...em PDF, não confundir com o Hermann o CDF, o colega do Dimitri que só tira 8,9, 10....ah! Ele tirou 6.7 em música coisa assim. Mas ele tira 8, 9, 10...em latim em grego, em matemática, francês.
Teria o Hermann um futuro brilhante? Como será  vida de Hermann daqui há 20 anos?
O Hermann não tem smartphone, aliás o Hermann não tem nem celular, ele não vê utilidade em celular, smartphone, está muito ocupado com os estudos, também não vê serventia na matéria "música".
O Hermann tem pouquíssimos amigos.
Dimitri, Hermann e Vladimir na foto, quem adivinhar quem é quem ganha um docinho

Sabe qual a profissão do pai do Hermann?
Fica amigo do Hermann, estudem juntos! Seja esperto filho!
Pensando bem esse Hermann é um chato de galocha.
Eu gosto desse Hermann apesar de tudo, manda ele vir aqui falar comigo, mas eu gosto mais de Vladimir, que toca Beethoven divinamente aqui em casa, e que toca desde os 4, a irmã toca Chopin. A mãe é búlgara que nem o pai da Dilma, mas mora há mais de 20 anos na Holanda, e o pai tem um cargo muito bom na Microsoft. Coisas de mãe, que adora fazer perguntas.
Meus filhos, meu tesouro...quem mandou ser mãe?


Ecrever, eu bem sei que esse é um sonho meu, ainda não realizado, e também plantar uma árvore, aliás duas, que nem a Denise amiga fez, e depois de 18 anos, as árvores estavam enormes, e no meio delas uma rede pra balançar, cor "cru". Mas eu queria ser "tipo" Bukowski, não que eu queira ser ele, mas queria escrever rasgado assim, nada muito cor de rosa, ou talvez um Bukowski de saia, mas não tenho cacife pra isso, e tirando a palavra cacife que usei várias vezes, sou uma wannabe Bukowski (daria um bom título), não tão feia quanto ele.

Sim porque ele tinha a aparência asquerosa, entortando aquela garrafa,  ele não estava nem ai pra aparência, claro, apesar de ser uma pessoa atraente, largou de mão, e eu nunca chegaria aos pés de Bukowski. Teria que ter uma metamorfose, virar uma barata asquerosa. Pessoas inteligentes são atraentes, mas não só são atraentes pela inteligência, isso também é falso, pra mim tem O PACOTE, tem que estar completo. E mais do que uma inteligência, a pessoa tem que ter LOOKS, sim, um semblante enigmático, um mistério, carisma, pois estamos em 2013, eu teria que ir pra cama com elas, assim pra dormir juntos mesmo, nem precisa de contatos imediatos.

Eu sou apaixonada pelo Fernando Pessoa, mas se vivesse naquela época, eu acho que não iria pra cama com ele, assim pra dormir ao lado dele, ele parecia ser magro, também bebum, e imagina como roncava, normalmente gente que bebe, ronca, tem bafo de onça.  Que nem aquele olho vesgo de Sartre, eu não engulo...só a Simone mesmo que era cega, e o achava lindo, a cabeça dele era linda, ela delirava em miolos, eu também mas de outra maneira, o jeito dele devia ser lindo pra ela, por causa da inteligência, da possível sagacidade dele, da eloqüência, ah! sei lá o Sartre.
Outra me diz que eu deveria escrever em inglês, pois ai muita gente ia me ler, a acessibilidade seria maior, ia atingir mais pessoas. Mas será que as pessoas sabem que escrever, não é simplesmente digitar palavras, frases? Fora que sou péssima em escrever em inglês sobre mim, e com todos essas traduções de hoje em dia, nem precisa...não preciso de multidões, tenho até medo de multidões, sou uma escritora fracassada porque não escrevo, mas sou fiel ao que escrevo. Entenda se puder!
Eu escrevi dia desses um poema muito legal, datilografei a máquina, achei no meio de um livro. Foi uma surpresa, eu até gostei, não gostei do final, faltou algo...e acho que esse negócio da falta, tá virando o meu estilo, escrever sem final...final fraco...acabar uma coisa, porque a gente tem de escrever e tem que ter um início, meio, fim...por que? Deveria lançar uma moda de escrever sem fim...ou de ter final bestas, talvez seja isso. Que nem a Tabacaria já leram, já ouviram? Estou me apaixonando por narrativas...descobri um cara ai no Canadá.

Esses dias eu ouvi uma pérola.

- "Eu não entendo nada de livros." (disse).


(Ter que fazer um desenho que o que interessa num livro é o conteúdo, pegou pesado).
Ai percebo que as pessoas têm direito de ser quem são, que é muito fácil julgar, e o quanto sou preconceituosa, pelo menos estou ficando mais consciente, a cada dia que passa, de tudo ao meu redor, e claro, tudo é muito bom, ser sábia sempre foi o meu ultimate dream. E saber que ser sábio, é um assunto beeeem complicado. Porque a sabedoria plena é só pra quem tá no corpo, só por estar, como veículo, usa o corpo que nem gente usa roupa, pra não andar pelado por ai.
Eu sou fútil, volúvel, não superficial Minha sabedoria é temporária, vale menos numa escala de valores sei lá de que. Vale claro, mas dizem que o inferno está cheio de (boas) intenções? E pro inferno eu irei? Não, digo e repito: não acredito nessas realidades inferno, céu, purgatório.
As multidões são insanas, te pisoteiam, os fãs te amam e te matam, te mandam para o inferno.
Não quero fãs, não quero ficar com rabo preso.
Pra que querer o aval de multidões, me diz pra que?
Eu quero ser eu, e essa pretensão de ser imortal, pra mim é pura ilusão. Mesmo os imortais são mortais, então tanto faz. Os que ficam são pensam que existe a imortalidade porque ainda não morreram.
Tudo que é vivo morre, mais cedo ou mais tarde. E quanto mais a idade avança, mais mortes. Eu mesmo, lá no Facebook tenho várias Dead faces...e o que acho super estranho, é quando chega o aniversário da pessoa. a gente fica assim com a boca aberta, cheia de dentes...desejar o que à um amigo morto?
Principalmente pra mim que nem acredito em vida depois da morte? Se eu me arrepender no leito de morte, será tarde demais de qualquer jeito.
O que eu quero é viver bem, e o viver bem não é beber Prosecco todos os dias com as amigas, e falar sobre bofes, sobre homens que vão te salvar, sobre futilidades, não é ser superficial o tempo inteiro, é não ter lá muitas frustrações, sobreviver, rodar à baiana. Sexo com um corpo confiável eu já tenho, um teto bacana, também tenho. Inundou a Holanda tô indo à nado pro Brasil. E essa coisa de busca, mesmo antes do Google, Yahoo...eu sempre tive esse anseios de busca, sempre busquei. De busca de tudo, de curiosidade de tudo, de experimentar, de experienciar, de ver, claro que eu não queria quebrar a cara, claro que eu nem pensava em retrocesso. Eu sempre quis avançar. Avançar, ir pra frente >>>>>FF....viver o máximo todas as possiblidades do presente PLAY. Todas as bibliotecas, todos os livros, todos as portas, sempre gostei de abrir portas, dar aquele primeiro passo. Corri muitos riscos.
Porisso que pra mim é difícil escrever sobre o passado. O passado ficou lá no passado, eu daria uma entonação atual, diferente, e isso é chato, isso seria o mesmo que prostituição, adulteração, alterar o passado, o deixando mais lírico, mais enfeitadinho, como docinho de aniversário, cupcakes...coisa chata.
Afinal eu não sou historiadora. Não são somentes fatos, realidade. Há as nuances de todas as cores do arco-íris, mesmo no passado. E fora a preguiça, e fora as distrações. Complicado esse negócio de escrever.
Parabéns pra quem consegue. Os poucos que conseguem escrever algo que preste.

Quem sabe um dia, eu escreva o que eu realmente tenho potencial (que ridículo isso, ter potencial) oque realmente sei falar, assunto que domino, se é lá que domine alguma coisa, pra começar gostaria de escrever o que gosto, escrever rasgado, não escrever bonitinho, que nem esse sol lá fora, que nem olhar para a cerca pintada de branco lá fora, que mudou muito, que trouxe mais claridade ao meu petit jardin (quintal mesmo), fundo do quintal, mas pra mim é jardim...apesar de que tudo que é meu tem um ar de imperfeição. Tudo...
Com essas casas grudadas aqui na Holanda, essas casas grudadas, essas casas geminadas, trigeminadas, essas casas silenciosas, essas ruas silenciosas. Esse silêncio que é essa Holanda.
Esse silêncio que eu gosto de interromper com gritos de vez em quando. Esse silêncio que tem hora marcada pra tudo, aliás aqui vivem em função do sol, do relógio. O que mais eu odeio, apesar de ser pontual, sempre fui, e acho que sempre serei, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

- Vocês estão vivos realmente? É uma questão cultural esse silêncio contido todo? Me pergunto constantemente, estou até me acostumando, de tão camaleoa que sou.

Não que eu queira que as pessoas falem alto, cantem pneu, buzinem te matando de susto na faixa de segurança, enquanto você está absorto em seus pensamentos, o sonhar acordado.
Mas às vezes é tanto silêncio...pouco riso. Pra rir precisa de motivo, e uma coisa que eu sempre fiz foi RIR, sorrir. Comecei a mostrar os dentes depois dos 12 anos, e não parei mais, pois até os 12 eu não sabia sorrir, eu sorria aliás, mas não mostrava os dentes, era nervosa, tímida, insegura. O Smile era sem dentes :-)

Saudades do sino da Igreja São José, onde morei 14 anos, na Ververstraat. Fazendo barulho.
Aquele mesmo sino que já escrevi aqui nesse blog, o sino que me deixava MALUCA DA SILVA no domingo pela manhã, e baladava por mais de 15 minutos, me torturando. Eu que adoro dormir até mais tarde. Uma vez da noite, pra sempre da noite.
Venham para missa, rezar, pedir sei lá o que.
Venham dar umas moedinhas, o dízimo. As igrejas estão vazias, e os prédios estão ruíndo, e a manutenção é cara, restauração mais ainda.
E 'ela' (eu) viaja de trem e vê uma mesquita absurda no meio caminho...mas que coisa? Que coisa feia, estranha, no meio de uma cidade, aquela arquitetura de mesquita, que não combina com Europa.
Seria a minha cabeça pequena? Seria discriminação? Eu acho feio, e digo, é feia, é feia, e é feia...me deu um susto. Tira essa mesquita daí, mas o mundo também é dos muçulmanos, ok ok ok...deixa a mesquita lá, aquela coisa enfeiando a paisagem, eu gosto tanto de andar de trem, olhar pela janela. Na próxima vez, eu vou fazer de conta que aquela mesquita não significa nada. Coisa de novo rico.
Ah! Religião coisa chata, coisa de gente bitolada. Não quero falar sobre isso.

Era pra falar da nudez européia, da nudez que o Leandro percebeu, da morte da Gorda (periquita, companheira de Jack)...da turbulenta adolescência (puberdade) dos DDs (Dominique e Dimitri). Da depressão de Dominique, e da cabeça conturbada do Dimitri, seriam  os filhos dos astronautas também bipolares?
Preciso ir ao médico, da família, no curandeiro, no mago, consultar o oráculo, as runas, os búzios...axé babá.

Enquanto isso, preciso adotar um animal no Brasil, preciso adotar novamente o meu irmão que fica na praça Roosevelt, atuando, o Zé Contente em ação. É tanta gente doente ao meu redor, e não estou falando mal de doenças, pois todas as doenças fazem parte da vida. Eu também sou doente. Às vezes o monstro se manifesta, ele tá lá adormecido, é que eu sou uma pessoa alerta, aprendi a ser assim a yoga me ajuda também, tenho vários remédios a mão, yoga, música, vinho, meus vícios, e agora o meu piano, aos poucos estou conseguindo dar forma, aprender as ler notas musicais é uma libertação.

Já perceberam, que viver é estar doente? Há todos os tipos de doenças, vários tipos.
Viver é estar doente, e estar doente não é estar morto, estar doente [portanto], é estar vivinho da Silva.
E como devemos fazer? Devemos arrumar o remédio, que nos cai bem.

É assim que funciona, ir atrás do remédio  simplesmente uma mãe à beira de um ataque de nervos. Bel 112 a.u.b.!*
*Telefona para o número de alarme 112, alarmnummer 112, ambulância, polícia ou bombeiro mevrouw?
Só têm esses três?

Meu- pai -mandou- escolher- esse- daqui.

Ambulância.

Qual o problema mevrouw!
Vem aqui na minha casa que eu não estou passando bem porque as coisas estão fora de controle, tenho um Frankenstein à solta, quebrando tudo, uma  autista vulnerável em pânico, uma mãe desesperada arrancando os cabelos.
Mas isso é caso de polícia mevrouw.

Mas não tem ladrão por aqui, ninguém matou ninguém (ainda), ninguém roubou.
Ele precisa de uma injeção que o acalme!
Vendem xanax sem receita na farmácia? Eu vou lá comprar, e está tudo limpo, e não está mais aqui quem falou?
Não sei o que é xanax mevrouw. Mas aqui é Holanda e não o Brasil, ou EUA onde medicamento é que nem balas.
Preciso amainar o monstro, o dragão tá espirrando fogo.
Então seria melhor os bombeiros mevrouw, mas não temos diploma pra isso e não entendemos desse tipo de fogo de dragão.
Põe na água fria, no tanque, é mais barato, é isso?

Na Holanda não existe empregada, nem área de serviço, por conseguinte não tem tanque.
Dá pra colocar a cabeça da criatura no freezer?
O.K. estamos indo com a comitiva toda, menos os bombeiros, não sabemos lidar com dragões, nada a fazer.

(E não é a primeira vez, men in uniform). Ãs vezes aparecem uns bonitinhos, esses loiros de olhos azuis, criados a Toddynho, me tirando o foco do problema, entrando de sapatos no meu piso imaculado.

Contando que eu não enfarte, está tudo limpo, simbora, podescrê amizade! Podescrê!H.E.L.P.

Ouço esse CD do Villa Lobos, tenho vidas paralelas, queria escrever sobre todas elas, nem é vida dupla mais, tenho várias em mim, queria escrever sobre  minhas aulas de piano, o jeito de ser da minha professora, da lição de casa, dos pianos...dos diferentes sons de piano, do sol, da primavera, das minhas tulipas (algumas plantei errado), roseiras que crescem demais, jardim, dos livros que comprei, do meu trabalho na biblioteca, do meu corte de cabelo errado (eu mato no pensamento aquela cabeleireira)...do meu futuro telefone celular (smartphone)...porque telefone não é só telefone, esses telefones de hoje em dia, vocês já pararam pra pensar nos smartphones? Já pararam pra ver, o que eles realmente significam nas nossas vidas?

Da saga do meu forno de design Smeg, que me custou os olhos da cara, e já estragou mais de 4 vezes, me dá meu dinheiro de volta, que essa PORRA é uma porcaria, tem defeito de fábrica, e eu não sou otária.
Calma Bebete, calma! Não fala palavras de baixo calão no seu blog, é proibido.
Você vai ganhar um novo, porque vai fazer a caveira do fabricante, da loja, na internet...se eles não te derem um novo sem defeitos.

Das paixonites e desapaixonites da minha cabeça, de todas essas gramas verdes artificiais, desses mayas que aparecem no meu caminho, quero escrever sobre isso. De todos esses fantasmas, dessas vozes, dessa inspiração que vem do nada, da bagunça das minhas roupas, de minhas roupas pretas. De como as pessoas tentam me mudar, o quando as deixo nervosas, ou o quanto sou amada pelos meus amigos.
Do parar de fumar e ficar gorda, e estufada, e mascar chicleta que descobri que faz mal, com a mastigação é enviado gases aos estômago, e a barriga CRESCE, ponha essa droga de chiclete no LIXO, djá!


Do novo papa que aqui na Holanda tem o nome do meu filho, o segundo nome: Franciscus o defensor dos fracuuus e oprimidus. Habemus bicho papam, nem deu pra comentar aqui no blog.Poxa quanto assunto, o tempo passa muito rápido. Já estou com quase 53 anos, minha filha com quase 15 anos...não dá pra desacelerar ai não gente? Eu ainda tenho 52, minha filha, 14 e meu filho 13. Porque essa mania tendenciosa de acelerar a idade. Diminuir também não dá, dar marcha ré.

Se pelo menos entrasse na minha cabeça que nenhum HOMEM vai me salvar, nenhum. Meu pai está MORTO, e nem ele me salvou numa certa vez aos 14 anos. Contente-se em viajar nos lindos olhos verdes do namorado, que está presente, que está sempre tentando me fazer feliz.
Que pintou a cerca do meu jardim de branco (era verde), os tamancos e as casinhas de passarinho de vermelho, tudo a pedido, pois tudo que eu peço ele faz, cantando, assoviando e comendo farofa. Não, o gringo não gosta muito de farofa.
Da despedida de meu querido amigo Antonio que vai amanhã de mala cuida, de muda pra Austrália. Da categoria nunca te vi sempre te amei, e isso funciona mesmo é com amizade.


Mas vou ficar por aqui...o problema de escrever que fica difícil de achar um fim.
Na numerologia, preciso ainda colocar a letra B ao lado do número da minha porta, melhora tudo aqui nessa casa, só esqueci se é do lado direito ou esquerdo do número, a letra B, tem que ser DOURADA...beside me, e viva a numerologia, que tenho que retomar além dos números.

Das visitas que terei do Brasil, que tive, dos presentes que ganhei...das pessoas do passado, que sempre me visitam, das pessoas que ainda quero conhecer e sei lá porque cargas d'águas gostam de mim.

Depois dos 50, depois do 50 a gente seca, o tempo passa voando, e a gente tem que aprender a voar junto, pra não ficar lá atrás.
A gente seca se bebe muito álcool, a gente seca se fuma, a gente seca se não bebe álcool, a gente seca se não fuma, a pele seca, os órgãos secam. E espera ai um minutinho que eu vou beber água...vou pegar uma jarra inteira, que vai me acompanhar nesse Villa Lobos que estou ouvindo.
Pronto, a jarra já está aqui. Estou sentada à mesa, na sala mesmo, numa cadeira de couro preta estofada, que é mais macia do que essas vermelhas de design italiano, mas convenhamos, é de PRÁSTICO CREUZA, é prásticoooo...Melissa também é de plástico, e plástico é plastico, e até o que parece plástico e não é, pra mim é de plástico.
Preciso cuidar e muito da postura, da minha pobre e amada coluna.
Uma coluna ereta remoça 10 anos. E quem não quer ser mais moço/mais moça?

Pausa para um gole d'água. D'água, sempre achei interessante d'água. Apóstrofo, não confundir com apostófre, apóstolos, com outros apos.
Depois dos 50, as cousas despencam. Entendo que artistas se desesperam, começam a fazer plásticas 'adoidados'...começam a se manipular, principalmente artistas que trabalham com a imagem, começam a virar Thunderbirds, porque é a única saída, ou a saída mais rápida...e que entra em outro cômodo, o cômodo pra ser olhar no espelho, e realmente gostar, daquilo que se vê...mesmo ficando ridícula toda remendada.

Entendo o desespero dessa gente. Eu aqui não tenho tanto desespero nesse sentido, sou até posso dizer, bem relax nesse ponto, porque sou pobre, e pobreza (financeira) no caso te limita...não preciso estar anoréxica, nem começar a deixar umas moedinhas aside pra manipulações, me dê viagens às Ilhas Gregas e seja mais o que for, dê-me cremes, seruns...isso sim, dê-me dinheiro pra pagar esses cremes, seruns, a conta d'água, da luz, do gás. Noite debaixo dos lençois com meu namorado.
Me dê café, me dê encontros...bons filmes, me dê boa leitura...flores no meu jardim.
Dê-me dinheiro pra férias sempre, dê-me sossego, paz interior, paz na cabeça, paz, paz, e mais paz.
Envelhecer é querer cada vez mais paz. Nem saúde se precisa tanto. Já está na hora de abrir um vinho?
O que vamos comemorar hoje? Mais um dia que me mantenho viva, mais um dia. Amen. (só porque estudei um pouco de latim).

Meus pés ficam secos, minhas mãos, a garganta, e dá uma vontade de colocar algo na boca.
Vai uma cenourinha que vale como um biscoitinho, porque eu também quero dar pro gasto, aliás...estar gatinha na minha cabeça, estar leve e saltitante, sonho meu,  ter paz, ouvir as músicas no meu HTC, pedalando, na liberdade que é pedalar uma bicicleta, ir e vir, mas claro é tudo plano, tudo fácil aqui na Holanda, o que é difícil sempre são as forças da natureza, o vento, a chuva, a neve. O que é difícl é chegar até os 50 anos, e passar dos 50 anos.
Ah! Se todos os meus amigos tivessem 50 anos.

E assim é na vida, as doenças, as fases, até o ataque de nervos passam, a Gorda morreu de ataque cardíaco disse o J. Morreu de olhos abertos, e foi enterrada perto de uma árvore na Alemanha.Ai não tem jeito...ataque que não mata, sem problemas, mas ataque que mata, é triste.

R.I.P.  Gorda, que até chegou a emagrecer por aqui, e talvez Jack sinta falta da Gorda, sim eles namoravam, e até brigavam, tentarei compensar, agora ele voltou a ficar mais solto, todos os dias fica umas horas solto, fora da gaiola, sai voando por ai, fica olhando pela janela e depois volta por si, para a casinha. Hable con ella e eu falo com ele, para ele não se sentir só.
E descobri que o pai do Hermann é pintor, não, ele não é artista plástico, ele é pintor de casas mesmo, pintor de paredes, deixa as paredes bonitas, tudo novinho. Ele mexe com tintas, com pincéis, lixadeiras, com todas as cores do arco-íris e suas tonalidades, conforme o gosto do freguês.






Sunday, March 10, 2013

A dança da balança


Já vou avisar àquele que me lê (nessa postagem) que o assunto que abordarei é tipicamente feminino, não que homem não possa ler, liberdade, fraternidade, igualdade, não é mesmo, mas diz respeito à nós mulheres se você é homem e quiser saber mais sobre a mulher talvez seja essa sua chance, e suas mudanças biológicas,, também é bem-vindo, mas quem avisa amigo é! Homem não menstrua, não fica grávido, não tem mudança hormonal, não ovula, TPM, depressão pós parto, não tem, portanto, nunca saberá o que é menopausa, menarca, climatério e otras cositas más.

Então fui ao médico da família (tipo um clínico geral fixo, com seu histórico médico), depois de muito adiar. Afinal desde agosto não menstruo mais, o que é isso?  Meses e nada? Parei de fumar, e como já comentei,  engordei, nem correr posso, dói as articulações, explica melhor isso ai Seu 'DO(u)TOR'.
E eis quando marco a consulta (depois de 4 meses protelando), menstruo. Vai entender...fui ao médico assim mesmo.

Retornando à esses 4 meses antes da consulta,  o que povoava minha cabeça, beirava o pânico: estaria grávida? E agora? Ligeiramente grávida, não existe. Mas é estranho, pânico é uma palavra que está saíndo do meu vocabulário, drama-queen também, seria a maturidade?  Ou são as armas que encontro pra viver, procuro estar rodeada de poesia, de amigos, filhos, boa leitura, auto-conhecimento, uns gritos, uns choros de vez em quando, policiar meu pensamento e minhas palavras.
Um bebê na barriga, seria ridículo na minha idade, 52 anos, oh!não eu quebrando as regras novamente, só que desta vez no sentido literal? Sou tão regrada, 28/28 lá vem. Cheguei a cogitar (se fosse verdade), eu por mim teria filhos até onde desse, esse lado masoquista meu, lado(s), 3D maternal porque esse instindo  parece que vem por todos os lados, sou mãe de todo mundo, desde que me conheco por gente. Experimenta atravessar a rua ao meu lado...experimenta ser criança sózinha brincando na escada rolante ao alcance de meus olhos, sem mãe e pai por perto. Aliás se for pensar bem, esse foi um dos motivos que optei por ser mãe, estava cansada de ser mãe dos outros, queria ter os meus próprios filhos, ver pra crer, ver pra viver.

Esperei passar e comprei um teste de farmácia: pá, pumba, deu negativo. Desconfiei, porque o teste não foi dos mais caros (os preços variavam muito, quanto mais segurança no resultado final, mais caro), também nao foi o mais barato, mas essas micro chances de dar errado? Meda, no feminino mesmo, combina mais comigo. Fui pagar 8 euros por um teste? Ou foram € 12. Detalhes a parte, que idiotice, por quê não comprei logo o de € 20?
Meda de ficar grávida? Nada, gravidez é legal...até seria uma mãe de aluguel sem problemas, mas mais um filho pra criar/educar/cuidar/bancar, nesse momento de minha vida____________NO WAY! No more...
Acorda Alice, acorda Bebete, Acorda Carolina! Acorda A, B, C.

Fui engordando por não menstruar, inchei, e como já havia falado há pouco tempo atrás, a gordura parece que está gostando de mim, o parar de fumar também colaborou, ainda nao estou desesperada pois conforme o livro da Janete (que mencionarei posteriormente), estou ainda na fase da gordinha/sexy, dá pra dar um truque, mas nenhum jeans me serve, e até as roupas pretas que tanto amo, as camisas não fecham os botões,  nada anda me caíndo bem, tudo isso me deixa de mau-humor, senão fosse as leggings estaria perdida, e ter que sair pra fazer shopping de roupas de tamanho maior, nem pensar, excelente motivação para consumir menos, porque não me dou nem me darei por vencida, não, não, não, ainda atingirei um peso ideal para o momento, armarei um plano diabólico. Reviro meu guarda-roupa de cabo a rabo pouca coisa me cai bem, ou me serve, olho na imagem arredondada no espelho e digo: Nada mal " fofinha", e dou uma piscadinha (te conheço?). Não, não me reconheço, é uma fase nova, não só pelo que acontece no reflexo do espelho, é uma fase de mulher pré-menopausa, uma fase interessante, um NOVO EU, o eu mais do que nunca observador, tenho tantas em mim, e já não bastava o estigma de geminiana. Preciso urgente me movimentar, o lado chato é fazer certas asanas de yoga me atrapalha, apesar de que ser curvy ter o seu glamour. Namastê! Mas o buraco é mais em baixo ainda, é o buraco da menopausa, que toda mulher mais cedo ou mais tarde terá de enfrentar.



Fiz exame de sangue, um controle hormonal...e estava tudo normal, foi apenas um susto, não estou grávida, nem na menopausa (uma ano inteiro sem menstruar, ai sim a mulher chegará no climatério), estou sim na pré-menopausa. É a vida, é a idade, é o momento, e aceito sem problemas, mas o que não aceito, é ficar ofegante ao subir vários lances de escada (era pra evitar as escadas rolantes, não?), principalmente depois de ter parado de fumar, me falaram que a saúde melhora, li muito, a saúde melhora sem cigarros, pois bem, melhora, mas como o corpo muda, temos que aprender mais sobre a nova fase, os hábitos alimentares também têm de mudar, comecei a beber mais água, é uma secura de tudo, por dentro e por fora, cabelo, pele, pés.

Claro que sei que posso emagrecer (quando realmente parar de ficar sentada aqui nesse computador reclamando, ou só andar de bicicleta (no raio de 5 km e com as 3 marchas, ou só fazer hatha  yoga...) isso não funciona, preciso realmente SUAR, dar uma mexida nessa energia parada, e queimar essas calorias, correr seria magnífico se não fosse o joelho e esse tempo holandês é fácil falar, quando a primavera der as caras, só vai dar eu...e além de tudo, meu namorado não reclama, me adora, me agarra e me chama de " lekker ding", e eu caio no conto do vigário, ' me engana' que eu vou pensar se gosto. Acho que não, porque acabo me acomodando, e me desmotivando. Ah! Homens, mas mesmo assim ganhei de presente uma cinta Turbo Max dele, usei uma vez. O negócio fica vibrando na sua barriga, esquenta,, e você plugada, MEDA, MEDA, MEDA...e muita preguiça.

Nesse meio tempo, ganhei uma lata (de plástico) de mumu (doce de leite do Rio Grande do Sul), de um amigo gaúcho que mora na Holanda e vai seguido ao Brasil, mumu é a marca, mas todo mundo sabe que a vaca diz, mu mu...e ficou. A lata já acabou, mas o açúcar deve ter se instalado nesses centimetros a mais nesse quadril, no abdomen...grudou em mim feito tatuagem, agora eu sou a vaquinha da ambiguidade, entre a consciência de colocar no meu corpo alimentos saudáveis e me desintoxicar, e consumir maravilhas em forma de a;úcares e guloseimas.

Ãs vezes penso que faço regime/dieta pra engordar, não pode ser possível, mas é. Seria uma maneira de me punir ou me testar? Faço compras praticamente todo o dia no supermercado perto da minha casa, e no corredor de chocolates passo quase todos os dias. Ou eu gosto de comer e ponto final? E se for pensar, nem como tanto assim, recuso a comer frituras, óleo só azeite de oliva, mas a manteiga...ah! a manteiga. Não coloco açúcar no café, aliás o koffiemelk é meu açúcar. E uma vez por semana me delicio com o capuccino com caramelo da Hema ou do Coffee Star. Vai ver eu nem estou ai pra ditadura da magreza, e às vezes eu nem estou ai pra nada, no inverno hiberno, na primavera cuido do jardim e aprecio as flores e verde, no verão aproveito o sol e a luminosidade, no outono passeio no cemitério, curto as cores., e no inverno hiberno novamente, sempre com trilhas sonoras fascinantes como minha a de Nicolas-jaar-bbc-essential-mix-download e Vivaldi, e meu novo velho piano (falarei dele em outra oportunidade).

O meu corpo mudou, isso sim...tudo ficou mais lento por aqui, os hormônios, e esse efeito "Bob Esponja" (cintura pro espaço) aliás eu só tenho cintura porque tenho quadril, o que continua sendo mais desagradável,  a falta de fôlego. Estou fisicamente virando uma senhora, nada a fazer, e quero curtir esse momento, pois assim me reconheço, mas mudanças estão por vir, mudanças na alimentação, mudança de metabolismo.
O humor mudou também (mas esse muda o tempo todo), com o descontrole hormonal, a gangorra voltou, a irritabilidade, a aceleração, o botão phoda-se ligado (não gosto de dizer palavrão no blog), mas às vezes precisa.
E o remédio para isso, é me armar com as armas que conheço bem, a meditação diária. O parar, o silenciar, o ouvir a voz interior, não remar contra a maré, trazer pra baixo todos os livros de meditação, guias, e acrescentar a meditação na dieta diária. E assim tenho a sensação de estar no caminho certo.



Mas voltando a minha gravidez imaginária, fiz dois testes, o segundo teste,  ' mandei'  meu namorado comprar o teste, ah! vai lá, se eu estiver realmente grávida, esse bebê nao foi concebido pelo espirito santo...negativo novamente. YES.
Certeza, "não estou grávida", apesar de achar que meus seios iriam explodir de enormes, não tem mais pele pra esticar, e se fosse verão, me auto-intitularia "Bebete melões", como a menina que frequentava o Massivo: "Mônica Melão" Mônica Melões afinal ela tinha/tem dois seios, ela era loira oxigenada, e usava uns decotes deixando mais da metade dos seios à mostra, cheio de estrias e com aquele bronzeado artificial, as roupas sempre pretas, apertadas, de vinyl, meia arrastão, e ela curtia muito "deixar os homens doidinhos" com aquela aparência kinky vulgar, tudo nela combinava com a loirice, a mini-saia apertada, a falta de papo (noite é pra dancar, namorar, aparecer, se sobressair, diziam que tinha feito uma tal faculdade de psicologia, essa era a persona dela na noite, fama de perigueti (quem seria a próxima vítima?), sorriso com dentes brancos ou pareciam ser  brancos porque tinha o contraste da pele, a celulite camuflada nas pernas com as meias kendalls, figura perfeita pra noite, a falta de assunto a fazia ser um mistério, o mistério estigmatizado da burrice e do clichê de loira burra, mas o que importava? Nem loira ela era, e afinal das contas, apesar do rosto cheio de marcas acne de um passado escolar talvez tenebroso (sim porque aquelas marcas no rosto não apareceram da noite pro dia), ela parecia feliz e parecia que se curtia, todos contavam com a presença dela na noitte, ela era a rainha dos bofes, sem medidas perfeitas, no explendor da juventude, naqueles anos 90. Que nem na sacolinha da loja Vila...

Continuando, não era pra falar da Mônica Melões, não era pra falar de frutas, mas sim das frutas que nào como e teria que acrescentar na dieta, da minha possivel gravidez, da menopausa, que deveria vir antes da gordura, da possivel gravidez afinal é assunto mais sério, é assunto de saúde, física e mental, da mudanca de vida, fase importante na vida (deixa eu pensar, todas as fases na vida são importantes), nunca mais ficarei grávida,  nunca mais poder conceber outro ser, nunca mais comprar absorventes pra si, ops, eu tenho uma filha adolescente. Melhor pra mim, que preciso me concentrar no que já tenho, dois adolescentes em casa.
Nesse meio tempo recebi o tão famoso livro remetido do Brasil.
O livro da Janete, amiga da Bebete, que um dia também bebeu grapette...foi lançado com muito sucesso. Janete é expert, Janete é mulher Bombril, 1000, Janete não quer saber de mi mi mi em 2013, não anda de Chevette. Janete um dia me entrevistou pra Veja - São Paulo nos anos 90.
Janete é mãe assim como eu, jornalista, mãe de enteados, escritora, empreendedora, yogini de ashtanga e com esse livro recentemente lançado, pensou em mim e me remeteu, é um excelente relato de experiências e guia,  ela conta como de corpo de modelo ela virou obesa, obesidade mórbida e como revertou esse quadro, um relato íntimo com a balança (diz), mas isso eu vou contar na próxima postagem, afinal, existem muitas Janetes, Bebetes, Colettes, que dançam na balança a todo momento, balançam seus melões, balançam suas panças, balançam mas não caem, e tudo seria muito engracado, se o assunto não fosse obesidade mórbida, mesmo que a morte nos leve para a magreza eterna. Amen.

Friday, October 26, 2012

À Lis-boa e bela!

"As cidades falam comigo. Ouço-as ao pé do ouvido... não como ouço as pedras, transfiguradas pelo tempo. Ouço-as com o cuidado que ouço um ancião.
As cidades respiram e têm cheiro. Não a tijolos ou calcário; exalam essências secretas que não ousaria definir...t
êm elas um mundo subterrâneo ignorado. Não um submundo catapultado de argila e níquel, oxidado pela frieza das horas. Mas lágrimas...



As cidades estão vivas e respiram; ofegam e não param de pronunciar clamores... falam sobre mim, os outros, quem partiu e quem chegou. Choram e sorriem; tem paixões e seus humores. E reconhecem cada um de seus habitantes.
São protegidas pelos céus, pelos ventos e árvores, suas raízes e copas. E observam o vôo dos pássaros e protegem quem lhes dorme às ruas...uma cidade é sempre no feminino! Ela é muito mais do que luzes e prédios imóveis, nomes de ruas ou monumentos de bustos e estátuas de generais montados em seus corcéis de bronze.



Uma cidade é uma embarcação ancorada num ponto cardeal do oceano chamado Terra, é feita de lendas e enganos, genética e verdades, glória e esquecimento, solidão e vontade.
A cidade em que habito é assim."








autoria: Sérgio Borda Indarte

Sunday, October 14, 2012

7 meses sem cigarros 7 quilos a mais, como faz?


Estou há 7 meses sem fumar (palmas pra mim que eu mereço), ok e nesse meio tempo ganhei uns 5 quilos, os 7 ali do título foi número de mentiroso, pra enfeitar, ou tanto faz, já que sempre fui iô iô, engordo e emagreço, eu nem olho direito quando a balança sobe demais, e dificilmente permaneço por mais de 5 anos com o mesmo peso.

Parar de fumar e engordar,  está para o sal e a pimenta (aqueles potinhos na mesa de restaurante), e como a cabeça funciona com essa vitória parcial (parar de fumar), e descontentamento momentâneo, de não se estar satisfeito em ganhar peso (quem estaria? só os magros, né?), acontece por causa da mudança no metabolismo, e acontece em muitos casos, eu sei eu sei. Mas dos males o menor, parar de fumar é muito mais importante que uns quilinhos a mais, eles não vão me intimidar e muito menos tirar meu sono, esse é o meu mantra, mas não custa nada fazer um esforcinho pra tentar voltar ao normal. Querer se enganar é muito pior.
O namorado não reclama, na verdade homi gosta de carne, homem gosta de agarrar e não é cachorro, não curte ossos, mas nem é uma questão de homem gostar, eu me prefiro sem esses bacons supérfluos, haja motivação!

Quase que ia me esquecendo dessa data hoje, os dias 14. Esqueci que eu parei (de contar), só lembro de vez em quando: "não sou mais fumante" e vou ver no calendário. 'Olha, já passou mais um mês.'
Está sendo mais fácil do que eu imaginava (seria meu lado camaleônico, adaptável, e não que seja lá tão fácil como digitar a palavra "fácil"), não sinto falta do cigarro em si como nos primeiros meses, e isso até me assusta.
Esses dias sonhei que ainda fumava, e em meu sonho sentia uma certa vergonha pela falta de persistência "eu tinha parado"(era a realidade entrando dentro do sonho), mas foi só acordar e perceber, que tinha sido um sonho mesmo (que alívio), o que quer dizer que há uma parte de mim que ainda fuma, mesmo não fumando mais, estranho isso se for pensar, as aparências sempre enganam, os sonhos dizem tanto da gente, como as coisas funcionam dentro de nós.
Então no sonho estava fumando, mas era ex-fumante que fumava. Vai explicar?
No sonho não veio à tona os quilos a mais na balança (e no meu corpo). Sei que sou exagerada, não tenho um corpo perfeito, aprendi a gostar de mim, a dar os meus truques, a cabeça sempre é o mais importante do que a imagem no espelho.



Sem o cigarro me sinto melhor, claro (não há como negar), mais saudável e a sensação de vitória ao vício não tem preço, blablablá.
O único problema foi adquirir peso/massa/banha (argh!!!), as roupas do inverno passado não servem mais, todavia eu sabia que isso iria acontecer, estava avisada, e mesmo assim eu arrisquei, o que de um lado da balança me orgulho (nunca mais fumei), do outro me incomoda pois como diz um amigo"magreza e dinheiro não faz mal à ninguém", pois a gente não engorda no lugar que se quer, não vejo nenhuma alegria em ter que comprar roupas num tamanho maior, e tem a vaidade, tudo é vaidade, digamos, que eu concorde em termos, falando apenas de aparências, ninguém gosta de aparentar triste, feio, descontente com o próprio visual, pesado, e a gordura (localizada) pode funcionar como fator negativo na auto-estima, é complicado ter um corpo, a parte de dentro e a parte de fora em harmonia, são tantos fatores a considerar, e principalmente a qualidade de vida, repensar métodos, alimentação, tudo em prol do bem estar, mas como negar que a gente se sente bem quando come uma barra de chocolate, aquele aroma de bolo no forno? Elaborar uma refeição mais caprichada, sem ter que pensar quantas calorias, aquilo vai te engordar?

Gostaria de devolver esse presente de grego através de caminhadas, bicicleta, corrida, yoga, subir escadas (descobrir novamente essa maneira de me movimentar) a gente esquece e sobe escadas rolantes, elevadores, e não perder a oportunidade de dançar, sim essa é a chave do meu próximo sucesso, me movimentar, fazer, sair, subir, descer, coisas que sempre gostei, não só porque quero mandar "a oferenda de volta ao mar"(os quilos a mais), mas porque quero tentar, dançar, dançar, dançar... Mas como dançar? Aonde dançar, com quem dançar e sair? Os tempos mudaram,voltar a ser jovem como antigamente dançar todos os dias, im-pos-sí-vel, eu mudei, mudei de país, mudei de vida, mudei de estilo de vida, tudo muda até as estações mudam.


E como toquei nas estações do ano, o inverno está por vir tempo de hibernar e de engordar, pois hibernar e engordar é outra duplinha dinâmica no frio, assim como o pimenteiro e o sal.
Como faz(er)?
Cartas pra redação!






Sunday, August 12, 2012

Ninguém gosta



Ninguém gosta

Ninguém gosta
de ser abandonado
de não ser ouvido
de ser e se descobrir traído
de ser esquecido
de não ser lembrado
de ser coagido
de ser obrigado
de ser enganado
de ser interrompido
ninguém gosta

Ninguém gosta de ser maltratado
de ser acuado
de ser pressionado
de ser ignorado
de ser criticado
de ser amaldiçoado
de ser praguejado
de ser ofendido
se sentir usado
ninguém gosta

Ninguém gosta de amar
e não ser amado
de escrever e não ser lido
de gritar e não ser ouvido
de sofrer e ser preterido
de adoecer e não ser curado
de esperar e não ser atendido
de partir de si mesmo e permanecer perdido
ninguém gosta

Ninguém gosta de enganar a alma
de acovardar-se diante do medo
desistir e ter fraquezas constantes
de promessas ilusórias
de ignorância e falta de memória
ninguém gosta

Ninguém gosta de que o tempo
o torne cego, surdo e mudo
isolado das belezas simples
pesado pelos dias passados
se descobrir velho e cansado
de acordar num belo dia e perceber
que ninguém se importa
e nem a própria vida é importante.




Sunday, May 13, 2012

Pare Agora!

I know

Quem me acompanha no Cara livro sabe: sim, eu parei de fumar, e amanhã completarão 2 meses, sem nicotina, dia 14 de maio de 2012.

Dois meses sem o cigarro depois do café, depois da comida, no papo ao telefone, na balada, na caminhada, na saída das lojas, no encontro com amigos (fumantes), depois daquelas horas..., dos momentos de filosofia, bla bla e mais blablabla. Telma eu não sou gay (...) meu bem, eu PAREI, e diga ai, que essa patrulha anti-fumo é pessoal, eu me patrulho, eu mudei. 

Ai que duro, ai que difícil...ai que mentira, eu que escolhi, optei, parei.
Consegui e pronto, não fumo mais, masco muito chicletes sem açúcar, sou horrível mascando chicletes, fico feia, mas dane-se, preciso deles, de vez em quando, nem gosto muito de chicletes, o chiclete inventei pra fechar a boca, pois no primeiro mês engordei 2 kg, estou controlando a balança, e é normal engordar 4 kg (tem gente que engorda mais), o metabolismo muda, é normal, ter um pneu ao redor da cintura, ai que medo, mas pra tudo há um controle, e às vezes as coisas são piores que parecem.

Você se sente melhor, né? 

- Não, não me sinto melhor, me sinto péssima, às vezes. E essa pergunta (de não fumante, óbvio), já me dá vontade de dar um soco, sim eu me sinto melhor, mas estou bem mais agressiva. (faz parte do processo de purificação, querer matar alguém que se atravessa com perguntas de "boa intenção"), estou ainda em fase de abstinência, será que essa pessoa sabe o que é isso? Abstinência, vício, vencer o vício, mudar.

Sim tenho mais resistência, sim me sinto mais saudável, sim eu estou orgulhosa de mim mesma, sim, é uma grande vitória, e seria uma vitória final, mas não, todo dia é uma batalha, todo dia sem fumar, uma vitória. Corri uma "tipo maratona", de quase 7 km na minha cidade, sim, eu consegui correr o percurso todo sem parar, e sem botar os "bofes pra fora", sem sentir aquela dor lateral, me senti em pleno processo de detox, saudável, a tal, pra realmente gostar mais de mim, e me vencer, ficar com dentes mais brancos, pulmões limpos, e tudo o mais. 
Antigamente os médicos receitavam cigarros, acredita?


Até quando vou segurar? Sei lá, espero que pra sempre.

Não quero louros de ninguém, e não sou hipócrita em dizer que FOI FÁCIL, não foi, e não está sendo fácil, mas também não foi difícil, o difícil é todo dia, não é uma situação FIXA, parei, acabou, está acabado, palmas, pega lá seu troféu de ex-fumante, vá pra casa, não fume mais, e pare de encher o saco! Ah! se essa maneira resolvesse vícios de anos, a maneira do vapt vupt, tem uma ciência ai, tem uma inteligência ai, parar depois de mais de 22 anos, como eu parei "cold turkey".

Mas não me sinto melhor (visivelmente), as mudanças são internas (dentro do corpo mesmo), eu era ótima antes, só que fumava, eu era uma fumante civilizada (viu só? posso me defender), só causava mal à mim mesma, nunca fumava dentro de casa (sem fumantes passivos por perto), fazia chuva, sol, vento, neve, e como é frio lá fora na Holanda, como faz tempo ruim, cinza, vento, frio frio frio...mas eu fumava lá fora, tinha meu casaco de fumar lá fora, meus sapatos de fumar lá fora, o cinzeiro lá fora, pensava na vida quando fumava lá fora, e agora eu não vou mais pra fora (quando o tempo está ruim). 

Normalmente na visita em casa de uma pessoa não fumante (a maioria das pessoas não fuma e nem tem mais cinzeiros em casa), eu adiava o fumo, pedir pra sair lá fora, na chuva, na fazenda, deixar o papo quente, pra acender a chama do meu vício, ai que belezinha, eu adiava, não fumava, claro o papo devia estar muito bom, porque muitas vezes pensei, não fumante é muito chato, ao circular pelas rodas de fumantes ensandecidos, ansiosos anônimos, drogados e prostituídos, gente de fino trato como eu.

Claro, na casa de fumantes (os poucos que restam), eu me sentia fazendo parte do grupo, da tribo, da clã, mas como odiava lugares (bares/clubs) com alas FECHADAS de fumantes (já que aqui na Holanda a maioria dos lugares não tem um exaustor de circulação de ar como temos no Brasil), janelas abertas? o que é isso... aqui é janela fechada, um nojo, fumante como eu odiava esses lugares, esses infernos cheios de brasas e fumaças, cof cof cof.

Sim, eu colocava as bitucas no chão a revelia, depois colocava perto de outras bitucas pra me sentir menos culpada, mas estava aprendendo a colocar no lixo, a apagar e jogar nas lixeiras públicas, ou levar pra casa (no caso de não encontrar um lixo na rua), era obrigada pelo meu filho, que dizia que as bitucas causavam muito mal ao meio-ambiente e que o filtro demorava 5 anos pra se decompor e que jogar lixo no chão era inaceitável (irracionalmente nunca considerei bituca de cigarro lixo, sentiu a ignorância da patroa aqui?). No início eu só guardava as bitucas quando ele estava comigo, depois comecei a me sentir culpada de largar sujeira no chão já que praticamente dava poucas baforadas, e quando parei de fumar...comecei a perceber o quanto as pessoas jogam bitucas no chão. Jogar aonde? 
Nas lixeiras pra causar incêndios? Em cinzeiros públicos inexistentes? Onde jogar as bitucas? Nenhum maço de cigarro está escrito: FUMAR É PREJUDICIAL A SAÚDE, e LEMBRE-SE de apagar o CIGARRO e NÃO JOGAR AS BITUCAS NO CHÃO, guarde no bolso, bolsa, leve pra casa, coloque no lixo de sua casa, o governo se responsabilizará por suas bitucas, junto com o lixo lixo nas coletas de lixo, e mandará pra os grandes lixões na África junto com outros cacarecos e sujeiras perebentas, e estamos conversados.



E dizem que o prefeito de Nova Iorque queria proibir das pessoas fumarem no Central Park tempos atrás?
Tá, mas como funciona o imposto? Os governos precisam dos impostos sobre os cigarros industrializados, o povo precisa de xxx pra ir pros hospitais, usar os hospitais (oh! como assim?), e morrer em paz (depois de meses de tratamento), mas os sistemas de saúde (como o da Holanda) precisa pagar a conta desses hospitais, os governos estão em débitos com os hospitais, mas o governo precisa do dinheiro da tributação do tabaco, precisa sanar os débitos com os hospitais, ai ai ai, como fica mesmo, melhor escrever aqui, se fumar o bicho pega, se proibir de fumar o bicho come e corre solto por ai, e eu não sei resolver esse problema, me deixa em paz.

Respiração, como respiro bem agora sinto que o ar puro, inspiro, expiro...seguro, vou lá de vez em quando, pare agora! E o agora foi dia 12 de março de 2012, como se fosse ontem. 




Wednesday, April 25, 2012



Eu raramente choro, aliás...não choro mais, parece que os dramas da minha vida evaporaram, lágrimas de crocodilos então? Nem sei mais o que é isso, me emociono, mas as emoções mudaram, onde foram as lágrimas?

Será que ainda sou humana? Será que ainda me emociono de verdade? Tudo o que não quero é ser piegas, ser dramática, não quero mais isso, perda de tempo, apesar de saber que o tempo não se perde, se aprende, se vive, hoje em dia eu percebo as coisas como elas são, sei que tudo pode mudar do dia pra noite, numa fração de segundos, mas não me desespero como costumava me desesperar, não me (d)escabelo, não me arranho, não grito mais, não quebro espelho, não rasgo papéis, e fotos (nunca rasguei), e nem maldigo a Deus, eu sei que ele não existe, eu seguro a onda, eu amadureci, eu mudei, eu mudo.

Mas hoje chorei, e bastante, chorei por causa de morte * causa justa, chorei porque estou viva, e percebo que cada vez que a morte ronda, ela deixa pessoas tristes, confusas, ela deixa a gente com a boca aberta, com aquele vazio, vácuo, dá aquela rasteira...eu choro por nós os vivos, chorei pela fragilidade de nossas vidas, chorei porque vamos morrer um dia, e que todo mundo ao nosso redor vai morrer também, sem avisar (praticamente)...chorei porque não posso fazer nada, chorei porque o marido da avó das crianças morreu, deixando a mulher sozinha. Chorei porque ele teve um ataque no coração, um golpe fulminante, assim...nesse dia lindo de sol e céu azul, raridade na Holanda. Nesse começo de primavera fantástico, que deixa nós meros mortais do hemisfério norte felizes e cheios de energia. Chorei porque ele sempre foi legal comigo, desde que cheguei na Holanda, sempre pronto pra me ajudar. Chorei porque o conhecia há 15 anos.

O coração dele parou, e ele se foi...e nós ficamos, sempre alguém fica, uns vão, outros ficam, ninguém volta pra contar.
E me preocupo, sinto por eles os que ficam, eles sentem, e dos que vêem o corpo morto, de frente...os que dão a notícia, os que não estão preparados a lidar, com essas coisas da vida, a morte, porque na verdade, na vida real, quem está preparado? As pessoas próximas, as pessoas que sentirão falta no dia a dia, claro todos podemos viver sozinhos, somos sozinhos, porém é triste.

A vida continua após a morte, é preciso cuidar do funeral, do caixão, dos rituais de morto, é preciso se despedir do morto, é preciso protocolo, convidar as pessoas, participar a morte, mandar cartões, fazer cartões (é assim que é aqui na Holanda), se paga um seguro funeral (enterro/cremação), terá café, chá, bolo ou só biscoitos? Meus pêsames, se manda cartão de condolências, é educado, faz parte, o que não faz parte, é achar palavras, sorte que os cartões já possuem essas palavras que a gente não acha, assunto delicado, quem gosta? Morte, ninguém, compreensível.

É uma partida, uma despedida,para dar algumas resposta à nós que ficamos, em vida, nesse planeta, nessa esfera, nessa dimensão, nesse Universo.

Pra onde irão os mortos? Onde irá  opa Jan Willem?

Ultimamente tenho pensado muito na morte, nos mortos...e cada dia me convenço, que não resta nada, que a matéria se esvai, que o tal espírito/alma/energia...se dissolve no Universo, Multiverso, que nem antes da vida, antes da vida, não existia vida, se houver reencarnação, será outro corpo/carne/ossos, nunca esse.
Que não há vida após a morte para aqueles que morreram, apenas há vida após a morte, pra nós que estamos vivos, é muito duro, é muito triste, nunca mais veremos os parentes mortos, os amigos, nunca mais nos encontraremos, mas essa idéia...é a idéia de vivo, pra isso existe LUTO.

Não é preciso chorar (demais), nem se desesperar...acabamos calados, mudos diante da morte, sem explicação nenhuma, os que se foram, só ficam na nossa memória. Nós ficamos, até chegar o nosso dia, e assim ficaremos na memória, por um tempo determinado daqueles que ficam, pra depois deixarmos de existir pra sempre, ou pra existir somente em literatura/história...como os bons e maus que passaram por esse mundo civilizado, os famosos de verdade.
De resto, nada tem importância...é triste admitir, mas nada mais importa.

E quanto ao choro, fui consolada e consolei, tentei, consegui, cada um tem seu próprio luto, é individual.
Que fiquemos em paz, mortos e vivos, enquanto houver vida, e depois da morte.




Monday, March 19, 2012

6 dias sem cigarro - parei

Consegui, há 6 dias que não fumo.
Uma vitória diária. No primeiro dia, lembro bem, o dia inteiro os pensamentos eram, acender um cigarro, e não acendar mais nenhum cigarro...pois bem, o tempo está passando, e eu não acendi nenhum.

Lembro que uma amiga fumante disse: você não vai ficar chata que nem ex-fumante, né?

Bom, né? O que dizer?
De qualquer maneira ainda está cedo, pra saber qual será meu comportamento, mas pelo que me conheço, eu terei que mudar o meu discurso, fumante é fumante, ex-fumante é ex-fumante, e não fumante (que nunca fumou) nunca fumou e não conhece, os dois lados, sei lá, só quero ser eu normalmente, ser eu sem cigarros, eu NOVO.

No outono da vida, no auge dos meus 51 anos, a boa idéia numa bela idade, parei de fumar.
Comecei a fumar com um conceito, aliás essa minha tendência conceitual me acompanha ao longo da minha vida, quase tudo pra mim tem um conceito, um capítulo, um tomo, como se estivesse escrevendo um livro imaginário.

A cara tava seca demais, a garganta tava seca demais, me sentindo velha demais, contra fumantes (hipócrita)  fiz uma promesa, e agora era a hora de cumpri-la. Promesa, anos atrás achei que ia parar aos 50. Os 50 chegaram e nada, mas 51 está bom. Comecei com 26 (1986), parei mais ou menos 3 anos (entre a gravidez da Dominique, depois Dimitri, dei 10 meses de peito pro Dimi), voltei quando me divorciei, então vamos fazer essa conta, não fumei durante 3 anos, então foram 22 anos de vida de fumante, levando o treco na minha boca, inalando, dando baforadas. Não posso dizer que era uma fumante inveterada, mas era viciada, e ainda por cima, uma fumante completamente desajeitada, nos últimos tempos, dava umas 4 baforadas e colocava o cigarro fora, na rua estava com paranóia que as pessoas me julgassem, aliás era como se todo mundo (passantes não fumantes, ou sem cigarros nas mãos), olhassem pra mim dizendo em pensamentos: "Ela ainda fuma, coitada, hahaha".

Me sentia um lixo humano, porque...sobrava um tantão do cigarro (dinheiro jogado fora), e ao mesmo tempo fumava com mais frequência, já que fumava menos. Entenderam?
Chega de veneno de rato! Basta!

E como nada me interessa mais nesse momento, eu vou colocar aqui tudo relacionado com essa fase que estou passando, de ex fumante, que posso avisar, está sendo bem difícil, não que agora só pense em acender o cigarro, porque agora quem quer vencer sou eu, porque o vício da nicotina é osso duro de roer, só quem já fumou e parou sabe, ou quem nem tentar tenta, por medo de falhar.

Pra começar, eu já devia ter começado a escrever, mas não deu, eu até queria fazer um outro blog, mas pra que abrir outro, fazer outra conta? Essa é minha vida, esse é meu bloguinho.

Hoje foi um dia que eu senti muita falta do cigarro, mas de jeito nenhum quero fumar novamente, estou me sentindo muito bem, e diferente, parece que comecei uma nova vida, me mudei de país, de cidade, de emprego.

O mais interessante em parar de fumar, é  como a gente se livra de um hábito horroroso, anos e anos de vício e dependência de cigarro, a gente não se reconhece mais sem cigarros e temos que nos reconhecer e conhecer novamente, nos reeducarmos, é tudo novidade, e temos que prestar atenção a todo instante, porque era sempre um café, um cigarro, uma refeição um cigarro, uma conversa bacana, um cigarro, telefone, cigarro, uma caminhada (um cigarro), ...sorte que hoje em dia ninguém mais fuma dentro de ambientes, e os fumantes estão sendo cercados por todos os lados, coitados, mas é ainda cedo pra contar vitórias, a vitória é o diária como já disse. A recaída pode ser fácil...e eu quero persistir e ser forte.


Outra, dá uma fome do 'cão', e ficar gorda, seria um castigo, não uma recompensa, tenho que tomar cuidado, sorte que eu tenho uma experiência horrorosa com comer demais (literalmente me entupir de comida), um dia que fumei uma maconha (lá pelos idos dos anos 70, tinha uns 16 anos), pois foi quando fumei maconha (e muito pouco), nunca gostei, sempre achei maconha uma chatice, nunca tive o "perfil" de maconheira, porque era contra o cigarro, e contra maconha, mas jacaré sempre morre pela boca.

E cheguei em casa, comi a geladeira inteira (tudo que tinha de restos, e olha que na nossa casa tinha comida demais na geladeira, sempre tinha sobremesas, lasanhas, pães, bolos, geléias feitas pela minha mãe, sempre chegava alguém morrendo de fome da rua e minha mãe cozinhava pra um pelotão), coloquei catchup em tudo pra acompanhar os salgados (me entupi) que vergonha contar isso agora, me senti tão mal, tão mal, mas tão mal, sentei no sofá no living (era moderno dizer living nos anos 70) completamente cheia, enjoada, stoned, parecia que ia explodir que nem a Dona Redonda da Saramandaia (veja o vídeo acima), e o homem no restaurante do filme Monty Phyton..., minha mãe querendo ajudar, quis me trazer um copo d'água com um remédio pro estômago, ela não imaginava que eu tinha me drogado, e eu não podia falar que era larica, e parecia que eu tinha um saco sem fundos...que meu estômago não existia, e nem falar direito conseguia, tive que ficar parada por horas no sofá, até a comida descer, foi uma tortura, uma experiência, inesquecível e desagradável, burra, merecia mesmo, adolescente idiota faz burrada mesmo.

Óbvio, que nem lembrei dos conselhos do vô Horácio, uruguayo, magro, elegante, inteligente, charmoso, caminhava muito, dizia que nunca comia dois pratos de comida, nunca repetia, que ali estava sua sabedoria, comer somente o necessário, o cérebro é lerdo dizia, viveu 93 longos anos. A dona Redonda não explodiu.
E agora eu vou dormir, amanhã...serão 7 dias, e estou curiosa pra ver o que vai acontecer, amanhã quero beber água quando der aquela vontade de comer qualquer coisa, mas não quero explodir, e ficar infeliz, quero curtir esses primeiros dias do resto de minha vida de ex-fumante.


Saturday, March 10, 2012

Paralisia do sono e crenças pessoais

Já se passaram alguns dias desde a minha primeira(?) experiência de Paralisia_do_sono. A paralisia do sono é um distúrbio do sono muito comum, mas nunca tinha acontecido comigo, nas minhas aventuras oníricas, já tive sonhos premonitórios,  já vi meu corpo levitar, ir até o teto enquando o corpo estava deitado na cama, e eu me olhando lá de cima dormindo. Já tive pesadelos horríveis (assim como todo mundo), já tive muitos sonhos eróticos (como todo mundo), já tive sonhos lúcidos (no futuro próximo quero me aventurar nesse ramo), ...sonho e adoro, normalmente lembro de meus sonhos, mas é só acordar e perceber: um sonho é apenas um sonho, nunca tem sequência.

Dizem que a metade da população do planeta têm ou terá, pelo menos 1, 2 vezes na vida um episódio de paralisia do sono, quem viver verá, se você que está lendo isso nunca teve, sinta-se avisado, é pior que pesadelo, muito pior, é um pesadelo acordado, e a diferença que percebi (antes de saber sobre o assunto), é que os pesadelos sempre têm um final feliz (a gente acorda antes de se esborrachar no chão por exemplo ou antes que o monstro horrendo faça a gente em picadinhos), na paralisia do sono não, pânico e pavor permanecem presentes ao acordar,  a única alternativa é se informar, saber que é um dos distúrbios do sono, que tudo está na nossa cabeça.

Antes de continuar, gostaria de dizer que se você não tem nenhum interesse por onirismo: interrompa essa leitura, siga ao próximo blog, antes que você leve uma surra. Quem avisa amigo é!

Vou dar meu relato pessoal (abaixo) e quero dizer de antemão como ele se associa com minhas crenças pessoais inconscientes, normalmente os sonhos na paralisia do sono estão associados com a cultura dos povos (oriente ou ocidente, povos primitivos, suas religiões e crenças) que podem aparecer em forma de alucinações = fiz uma pequena pesquisa (afinal teria que dormir na mesma cama), não sosseguei enquanto não achei uma resposta aceitável (para poder dormir novamente) e escrevendo agora nesse blog, estou dando mais ênfase à esse assunto e espero que isso não seja processado no meu não-consciente, afinal não quero ter outro tipo de sonho como esse tão cedo), apesar de saber que dificilmente terei a mesma experiência, e dessa vez estarei preparada com algumas dicas básicas que aprendi. Li bastante sobre o tema e vi que as diferentes crenças são evidenciadas nos relatos de distúrbio do sono da maioria das pessoas. Li relatos de pessoas em blogs e sites científicos e não científicos, (de vários cantos do planeta), li muita bobagem relacionada ao tema é claro, por ignorância, fiz a triagem do joio e do trigo, li em português, inglês e holandês (os relatos se assemelham independente dos idiomas), ainda não li livros relacionados ao assunto, dois deles me interessam: O livro tibetano dos mortos e o livro de /Sleep-Paralysis-Night-mares-Connection-Anthropology de Shelley R. Adler encomendarei assim que possível, tenho um fraco por minha vida paralela, por meditação e estados de consciência, e muita coisa que diz respeito a essas viagens inter galácticas de nossa mente, tudo que me ajuda a interpretar minha vida, meus anseios, a superar meus medos mais profundos, tudo que me acorda e me interessa, curiosidade é o que nunca me faltou.

O que sempre me fascinava no mundo onírico, é que não temos controle de praticamente nada, não podemos planejar passo a passo, não podemos limitar as coisas e eventos como o fazemos quando estamos acordados, mas eles nos ajudam muito a lidar com a camada mais tênue entre a consciente e a percepção, a intuição dando direções à uma vida mais verdadeira, na incansável busca do (auto)-conhecimento e recentemente descobri que sim, podemos sim fazer um treinamento para termos e identificarmos um sonho lúcido, e a até a paralisia do sono abre essas portas, mas isso deixarei para outra postagem.



Para relatar o meu sonho, preciso com antecedência me ater a um fato muito importante do meu passado (o meio em que nasci, o cenário; Brasil Católico, mãe católica, colégio de freiras, frequentei coral de Igreja, etc), participei  das crenças de meu povo ativamente (feriados santos), vamos rir um pouquinho minha gente (risos). Não questiono mais isso, são fatos. Paralelo à isso sempre surgiram dúvidas desde pequena aos dogmas do Cristianismo (Espírito Santo, Virgem Maria, Ressureição de Cristo, os mais comuns), mesmo sendo OBRIGADA a acreditar nessa doutrina, nesses dogmas, eu sempre questionei calada, (ninguém obriga ninguém a acreditar em nada realmente), acreditamos no que queremos acreditar. E mais tarde depois no budismo que pratiquei (já aqui na Holanda) sendo que a filosofia budista sempre me atraiu, abro parêntese para dizer que não considero um mal (não podemos mudar o passado), apenas entender os fatos e relacioná-los ou questioná-los à luz da razão. Ser ou não religioso é um rótulo que carregamos, cabe a cada um saber de si, ao longo de nossas vidas, quer aceitemos isso ou não, a etiqueta externa (religioso, ateu, agnóstico, seja o que for), e há um certo rótulo interno (digamos que exista uma determinada lavagem cerebral feita no passado), que mesmo ao refutarmos essas experiências passadas , ficam elas lá latentes. As imposições vêm do externo, de fora para dentro, e assim nossas crenças vão se manifestando sem nos darmos conta racionalmente, sendo implantadas na nossa consciência, o mesmo que implante de cabelo (a pessoa é careca mas tem um cabelo postiço), mas no fundo ela sabe que aquele cabeça é ilusão, ele pode sonhar que esteja ainda careca,  a prótese de silicone seria o mesmo exemplo. Na tenra idade (infância), esses são conceitos vindos de fora, também valores (de fora), como bem e mal, o bem e mal é relativo. Já o que se manifesta na camada interna (inconsciente/subconsciente) mesmo que isso não seja consciente pela maioria, não temos controle, o que se processa é simplesmente processado, misturado, triturado, nonsense, até comum num universo onírico. Não estou e nem pretendo provar nada científico ou dizer que foi uma experiência espiritual, apenas quero exemplicar minha experiência pessoal, tentando ser mais clara e racional possível. Não quero questionar religiões, nem fé aqui (hoje).


Rezar pra mim sempre considerei uma forma de proteção, e de pedir coisas, assim era quando pequena, para dormir com os anjos tinha que rezar. E os pedidos: Eu prometo ser boazinha se conseguir passar nos exames, conseguir o que quero, e essas coisas, bem como me livrar dos males (de todos os tipos) do diabo, dos monstros ou pessoas ruins, foi me ensinado que era pra rezar aos mortos, senão eles não entrariam no céu (ameaça) isso na infância, fui crescendo e as orações eram para ajudar os doentes, proteção, etc,...quando pequena achava que rezar era muito chato, porque eu começava e caia no sono, quer dizer, às vezes não tinha tempo o suficiente de fazer o sinal da cruz (do final) pra fechar a oração, e esperava não passar nem pelo purgatório, porque afinal quem quer ficar num lugar ermo de pessoas chorando e rangendo os dentes até se redimir de seus pecados? (todo o cristão depois dos 7 anos é um pecador). Eu sempre tive mais asco da idéia do purgatório, porque sabia que era muito boazinha pro inferno, afinal não tinha cometido nenhum pecado mortal, só venial, ou seja, ia ter que passar pelo PURGATÓRIO. E outra, por anos a fio, em Porto Alegre, cada vez que passava na frente de uma igreja, fazia o sinal da cruz, às vezes eu tinha vergonha de fazê-lo, mas como boa católica (era obrigada), e se alguém me pegasse e me culpasse: passou na frente da igreja e não fez? Seria pecado, e teria que me confessar, e a irmã ia dar nota baixa por comportamento, vai saber o castigo. E quando o fazia (na presença de alguém não tão católico assim, faziam troça da minha cara (não era cool). Até que um dia (nem lembro quando), desisti e larguei de mão aquele martírio, daqui por diante, não faria mais o maldito/bendito sinal da cruz ao passar na frente de igreja, assumi a responsabilidade.

Crucifixos e adornos eu sempre gostei (aliás adoro cemitérios, cenários lúgubres e cinzentos), eles significavam que os vampiros, demônios, ou qualquer forças malévolas que fossem se apoderar de mim, sumissem pra bem longe (sempre fui fã de filmes de terror). Pensando de outra forma, o escudo de proteção invisível da nave Júpiter 2 (Perdidos no Espaço, minha série favorita), o anel pra chamar Shazan surtia o mesmo efeito, a réstia de alhos, as balas de prata (onde achar, e lá criança carrega armas de fogo?), o taco de madeira fincado no coração (essa proteção contra vampiros achava muito lerda), armas protetoras contra o mal, sem esqueçar a LUZ (do sol).

Os anos se passaram e eu vim morar na Holanda, já como católica não praticante, e aqui na Holanda no geral as pessoas não são religiosas,  já foram protestantes (a percentagem existente é mínima), os estrangeiros constroem seus templos, suas mesquitas, suas igrejas, e a religião protestante (e pequena parcela católica está em extinção) há claro comunidades religiosas, sectos, e uma finita e considerável população New Age.

Lá pelo ano de 2002 se não estou enganada, tive uma introdução ao budismo numa reunião levada por um amigo ( shakubuku) , e gostei muito porque estava tentando aumentar meu círculo social, e lá encontrei pessoas bem legais, italianos, holandeses, japoneses, e gostei da atmosfera pois fazíamos reuniões nas casas das pessoas (fiz várias na minha casa), fazíamos chanting juntos, e conheci pessoas que sou amiga até hoje. Acontece que a São Tomé aqui, continuou sendo São Tomé. Me identifiquei por uns tempos com a filosofia budista, de outro lado, não pude negar minha consciência martelando, no budismo a igreja era disfarçada, e até o pior, o problema é sempre o mesmo, os tais fiéis (querendo resolver os seus problemas) e assuntos desnecessários ao redor, fé inabalável devemos ter em nós mesmos, e no livre arbítrio do que é bom pra nós e ponto final.

Ai Meu Deus, ai meu Buda (qual deles?) que dilema, e de repente estava até podando meu vocabulário, uma confusão mental, e resolvi ser sincera comigo mesmo, e abandonei a etiqueta das duas. Não sou NADA, não quero ser nada DISSO, me deixem em paz. E me tenho paz até hoje.

Relato:

Deitada sozinha no lado esquerdo da cama (de casal = meu lado), no meu próprio quarto de barriga pra cima, tapada com os meus edredons normais (cobertor extra), apenas com a cabeça de fora. Sinto um perigo eminente (estou de olhos abertos), o perigo toma proporções maiores, terror, pavor, medo, ameaças, e eis que sinto e vejo a figura de uma mulher magra ao lado direito de cabelos brancos semi longos desgrenhados, perto da guarda da cama (acho que é minha mãe morta, mas minha mãe não era magra, e seu cabelo apesar de branco sempre estava arrumado, fiquei na dúvida), peço ajuda mentalmente pois ela como mãe e morta vai me ajudar, o perigo está no ar e é apavorante, mas ELA NÃO ME OUVE, porque estou muda (o pedido de S.O.S. foi só na minha cabeça), da minha boca não sai nada, absolutamente nada, só no meu pensamento, e ela vai embora, nem sei se era a minha mãe ou não *, afinal minha mãe me remetia a um semblante de bondade. Me sinto abandonada, ameaçada, apavorada, ela foi embora, não percebeu que estava em perigo, ou não quis me ajudar só ficou ali, me olhando, tento fazer o SINAL DA CRUZ (não tenho outra saída, no meu sonho sabia que aquilo era ridículo (lucidez), uma apelação, mas era isso ou a morte), mas eis que não posso me mexer (o meu segundo pedido de ajuda e proteção falha)...fecho os olhos novamente (questões de segundos de sonhos), abro novamente ESTOU ACORDADA (no meu quarto, na mesma posição) um pouco mais cinza claro (as paredes são pintadas de branco), mas estou dormindo e ao lado esquerdo (o lado que ainda estou deitada de barriga pra cima imóvel) está uma criatura masculina magra não dá pra ver direito suas feições (depois descobri que era um humanóide), acinzentada, careca de cabelos ralos, alguns fios, ele está sentado ao lado da cama (só posso ver o tronco, os membros superiores a cabeça e sentir a má intenção, e seu braço esquerdo está próximo de meu peito (por alguns segundos pensei que poderia ser um tipo de sonho erótico, tenho frio), mas seu braço parece que entra no meu tórax pra tirar minha vida, pegar meu coração, que pavor, fecho os olhos, isso é a morte penso (a única saída fechar os olhos), abro (pois não sei o que é pior deixá-los abertos ou fechados) e ele não está mais ali. Me sinto nesse momento, completamente em pânico (imóvel), acordada, como se no meu quarto estivesse 'cheio de assombrações' agora invisíveis, (essas duas pessoas mortas que apareceram no meu sonho) o que elas querem de mim? E eu muda e imóvel, paralisada, atônita e sentindo uma imensa dor (não física), medo, pavor, terror, morte, estaria morta? Penso ligeiramente nas crianças dormindo nos quartos ao lado, SOCORRO DIMITRI, SOCORRO DOMINIQUE, estou muda, eles não me ouvem, nunca tive medo de nada, moro numa casa de 3 pisos sózinha com as crianças, o que está acontecendo comigo? Acordo (dessa vez de verdade)  apavorada (o quarto é o mesmo), eles se foram, mas estou com medo de pegar no sono novamente (medo de me virar, medo de me levantar, pânico),  completamente angustiada. (fim).




A paralisia do sono é simplesmente um distúrbio do sono, nada mais que isso, agora eu sei, sabendo disso, desse tipo de sonho, estou acordada pra muitas coisas, que mesmo que eu não queira, ainda estão adormecidas em mim.Acordei com uma certa vergonha de ter feito o sinal da cruz (como assim não sou mais católica e não acredito em sinal da cruz) pensando ligeiramente (afinal estava em perigo), somente quando pesquisei na internet e dois amigos do Facebook me contaram o que era, fui pesquisar e aos poucos aprendi e entendi o que aquele tal Sinal da Cruz significava no contexto (achei exatamente a explicação racional desejada) foi-se a vergonha. Nossa mente é uma caixa de surpresas, que venham os pesadelos, os monstros mais bestiais da ignorância, as almas mais penadas e sobrenaturais, bem-vindo sejam os pesadelos mais obscuros, entre vivos e mortos arrastando correntes, agora sei que eles são fichinha, e têm sempre um FINAL FELIZ; paralisia do sono, não, o final feliz você tem que procurar por si próprio ao acordar, se informando sobre o assunto, senão, você ficará com medo de dormir no mesmo quarto, na mesma cama, de pegar no sono, tanto faz sozinho ou acompanhado, pois mesmo que você tenha alguém ao lado, ele jamais vai poder protegê-lo de si mesmo. E que venham agora os sonhos lúcidos, Amen.

* a mulher magra do sonho só pode ser Old Hag, vivendo e aprendendo.

** queria agradecer a esse blog português, obrigada.