Thursday, August 31, 2017

Tchau querida!



Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as guerras havemos de atravessá-las, rompê-las ao meio, cortando-as como uma quilha corta as ondas.
Maiakóvski

E assim a presidenta da República Federativa do Brasil, se despede do cargo. Dois mandatos com eleições diretas, pelo povo. Um infelizmente, incompleto, interrompido por fascistas por um golpe político parlamentar e midiático.
E assim, me despedi do Brasil, em 31 de agosto de 1996. Tchau queridos amigos e família no Brasil, vou além mar, ver novos horizontes, dar o passo no escuro.
É estranho, logo hoje...que completo 20 anos na Holanda, essas despedidas, esse golpe de estado midiático, político e parlamentar se consolida no Brasil, pelos fascistas e 'políticos' que governam ad infinitum pra suas 'famílias', amigos da família, seus interesses, pro umbigo, pros bancos, pro capital, pro Tio Sam, pras amantes. O povo, que povo? E lá eles sabem do povo, querem saber do povo? Se hoje em dia nem voto é mais necessário? Que se exploda o povo!
A impressão que tive, que nesses 14 anos com o governo do PT, o Brasil ficou quase 'pau a pau' com a Holanda onde moro no que se refere benefícios sociais (um Brasil que nunca vi), um Brasil de esquerda, claro grandes diferenças básicas, sentia um crescendo, um progresso social, muitas melhorias e benefícios porque também os recebo, benefícios são direitos, e desenvolvimento de verdade, benefícios não é VAGABUNDAGEM, benefícios trazem o BEM comum, numa sociedade injusta, onde ricos já nascem ricos e ficam mais ricos, e pobres, tem que obedecer as regras desses ricos que chegaram há muitos anos.
Foi daqui da Europa que vi a economia do meu país no apogeu no governo Lula, vi Lula sendo tratado com muito respeito e admiração no exterior, verdadeiro estadista e em várias manchetes, algumas até guardei, comprei o jornal de papel.
Vi as sandálias Havaianas nos pés de 'todas as pessoas' no verão, aquelas bandeirinhas iniciais pra marcar território, vi acordos entre os dois países, comprei sapatos, café brasileiro, vivi eventos culturais Brasil/Holanda, vi boas notícias nas manchetes internacionais, vi e li muitas matérias sobre o Brasil, aquele BOOM Brazil, onde todo mundo quer ir, pro sol, pra realmente viver e não sobreviver, o sonho do calor dos trópicos, a floresta amazônica o pulmão do mundo, a diversidade ecológica, o litoral imenso abrindo o país para o mundo. Onde a vida é melhor? Vi também, pessoas serem beneficiadas, pelo bolsa família, pró-uni, minha casa e minha vida, vi o Brasil sair da linha da fome na ONU, vi os olhos para o Brasil na Copa de 2014 e Olimpíadas (mesmo com toda a propaganda negativa), mesmo o povo hater, descrente, o evento vai ser cancelado, será um elefante branco, vi gente feliz indo para o meu país pela primeira vez, tudo daqui. Dei aula de português. Vi que as pessoas estavam andando bastante de avião por lá, que os negros, os estudantes, as mulheres e a comunidade LGBT, foram pras ruas, iam pras ruas, cada vez mais as ruas, lutar por direitos, por 20 centavos, lutar por mudanças, como nunca depois da dormência da ditadura militar. Brasileiro é bonzinho, cordato e contente com samba/carnaval/bundas.
Vi coisas que não entendi, o tal BATER PANELAS, e vaiar a presidenta, numa copa das confederações. O que era aquilo? Me assustei, e a partir dali, comecei a parar de ver e me informar, quem realmente era essa pessoa Dilma Rousseff? E vi um Brasil dividido...entre esquerda direita, um país do FUTEBOL POLÍTICA: um FLA X FLU entre quem é a favor de levar todos os brasileiros pra frente numa Nação mais humana, ou quem acha que isso é ‘besteira’ coisa de comunista que quer comer criancinha.
Com a internet, só sentia a distância no fuso horário (5 horas no verão, ou 3 horas no inverno, daqui). Vi, de longe...as pessoas mais abastadas, começarem a reclamar do PT, como se nem um partido político fosse, como se fosse Satanás, a peste, manipuladas pela mídia (?) ou só azedas pela lenda por ter que dividir os cômodos das casas por quem comem as tais criancinhas? Vi a demonização de um partido, por ser de esquerda, por ter um barbudo iletrado, do povo, um metalúrgico. A elite não gosta de ‘pobre’, a elite brasileira é retardada mesmo, e depois por ter uma mulher (sem marido, dentuça?, gorda? usa roupa 'desapropriada') quer ser chamada de presidentA?
Ora pois, muitos ‘pobres’ também gostam de riqueza, as que eles não tem, mas tem muitos pobres que sabem que o que ricos querem é isso, que você faça uma guerra contra si, sem mesmo prestar conta com isso. Vocês já viram as roupas da primeira ministra alemã? Imagina se os alemães terão tempo pra isso? Ora pois o que 'analfabetos funcionais', reclamam com suas contas bancárias cheias, e seus cartões de crédito com o pagamento em dia? E suas 3 ou 4 viagens por ano pra Europa, Miami, Cochinchina? Vi evangélicos crescerem como cogumelos perto da bosta depois da chuva, e pior na política. Que país é esse? O que está realmente acontecendo? Muitos diziam, tudo culpa do PT. E claro, alguma ‘culpa’ também tem um partido que se manteve no poder, e poderia ter feito mais, muito mais pelo povo, mas em política sempre tem muita puxação de tapete, tapinha nas costas, é um terreno estranho, principalmente quando os políticos são essas pessoas sem visão humana de um mundo futuro melhor, que negam a realidade, e criam a sua própria piorando a do povo.
A saída da Dilma, no dia de hoje 31 de agosto, por políticos pés de chinelos, donos de helicópteros com cocaína, latifundiários escravocratas, representados por essa elite conservadora, arcaica, misógina, só me mostra que a Holanda a partir de hoje vai ficar novamente muito DISTANTE do Brasil. A democracia do Brasil, está na UTI. O solo brasileiro, não é mais ‘nosso’, é do capital por causa dos puxadores de tapete da democracia.
Lá vou eu ter que explicar a desigualdade social novamente do Brasil. Lá vou eu ter que explicar novamente que a presidenta honesta, foi condenada por políticos corruptos. Lá vou eu ter que traduzir que um vice-presidente, traiu a presidente, arquitetou um plano, junto com um deputado e fez uma limpa das pessoas que comem criancinhas, e assim as criancinhas de verdade, novamente terão fome, e os velhos continuarão banguelas, e se essas criancinhas ficam no farol pedindo dinheiro, roubando e não na escola, fica tudo muito difícil de explicar.
O futuro é sinistro, porque o presente é sinistro.
Eu estou garantida no meu bem estar, tenho teto, comida, e saúde mas se isso me desse felicidade, seria mais uma egoísta como aqueles 61 senadores e deputados. Estou triste porque os cortes virão no futuro, e para quem mais precisa. E como dizer que é uma ponte para o futuro? Uma ponte para o abismo, mas alguns soltaram rojões, teve até fogos de artifício, acabei de ver no FB, gente que deu ‘check in’ em grupos de festa do impeachment.
O fascismo ilustrado é mais sinistro ainda.
Tchau querida, vai andar de bicicleta, vai continuar a ler Maiakovski dar palestras em universidades, cuidar dos netos, e se lance como governadora em breve do Rio Grande do Sul, onde mora sua filha e eu fico com Fernando Pessoa, Mário Quintana, Marco Borsato também aqui com a minha inseparável bike, e viver a vida com os meus filhos, minhas flores, minha solidão, meus invernos e o cantar dos pássaros, eles passarão, mas nós passarinho.
Afscheid nemen, bestaat niet! * = despedidas não existem.
PS - texto de um notes do Facebook (31/08/2016)

Sunday, February 5, 2017

Um gato pra chamar de meu

Postagem do outono de 2015.

Ando pelas ruas com a maior energia, se ando sozinha, é uma festa, no sentido que faço o que quero e ninguém me enche o saco, se ando com a minha filha, procuro lugares não muito tumultuados onde ela não saia do eixo dela. Se ando com meu filho e namorado, precisaria escrever sobre isso numa outra ocasião, eles me podam e às vezes parecem que eles me odeiam, não propriamente odiar, mas são contra o meu jeito de ser. Assim, na ida para algum lugar, ou sem destino, se vou pra rua, sou completamente dona de mim, porém no fim do dia...estou cansada, como uma anciã de 100 anos.  Hoje por exemplo fui pra Haia (Den Haag), voltei pra Leiden e tomei um trem e fui no meu filho que matou aula, dois dias sem ir na escola (mama mia), o que fiz para merecer isso? E lá chegando ele tinha acabado de acordar, meio-dia. Mandei ele tomar banho, e ir pra escola, que a coordenadora (diretora) queria falar com ele, no que ele demorou uma hora e meia pra tal. E quando eu sai para um lado de trem, e ele de bicicleta, ele não foi pra escola. Foi fazer a identidade dele, já que só tem o passaporte.

Estou cansada. Duas semanas atrás deu tudo errado quando fui buscar a minha filha. Ela começou a me bater na rua, e tive que ligar pro pai dela para buscá-la. Ela desconta em mim, todas as frustrações. Depois se arrepende. Não é à toa que ela mora num 'begeleidingwoning', numa moradia com acompanhamento, assistentes, toda monitora e auxiliada nas atividades diárias. Me canso. Eu faço tudo pra agradar as pessoas, mas o que está acontecendo que estou esquecendo de mim? Não, não esqueço de mim, e não sou a única. Ter filhos, marido, namorado, pesa muito em responsabilidades, e às vezes estou somente cansada, e são nesses momentos que sinto. Eu mereço me dar atenção.

Fico cansada e estou cansada e começo a me queixar pra mim e lá vem o diálogo interno, o que será que está acontecendo. Eu deveria chutar o balde, e mandar todos pra pastarem. Penso no meu namorado, que acha ridículo minha maneira de fazer as coisas, colocar a mesa bonitinha, guardanapos combinando, copos todos do mesmo tamanho, garfos/facas na posição correta. Umas uvas para enfeitar, e ele reclama, que é uma besteira eu fazer isso. Claro, eu deveria mandar ele pastar também.
E esses dias de golpe, impeachtment, falcatruas, brigas com amigos, que nem sei se são amigos. Não quero agradar ninguém, cansei, estou cansada.
Por mim sumiria, iria para um lugar bem longe de todos, sem internet...e voltaria com outro nome, escolheria uma meia dúzia de amigos no Facebook, e começaria do zero, de tanta frustração, naquelas, foi comprar cigarros e nem fuma.

Quando o cansaço vem culpo a idade, ou seria a acidez do corpo, as frutas que não como (ou como de menos), legumes de menos, o vinho, a yoga diária que virou olhar pra fora e viajar na maionese, olhe pra dentro Bebete! Mas o que fazer? Sempre tive muita vitalidade, energia, mas o gás agora tem que ser melhor trabalhado, nada a fazer, é a idade mesmo? Ou sim, continuar nessa labuta e achar uma harmonia, entre o cansaço físico e o mental, e a minha vitalidade e energia, dando limites para os outros não forçarem a barra.
... os longos 55 anos andando, caminhando, pintando cabelo, mirando um monitor, o celular, sentada na cadeira, poltrona, sofá, miro um espelho passando batom, os carros passam, as bicicletas passam, as pessoas passam, o tempo passa e não sou vista, e nem quero ser vista, como antigamente, acostumei assim e até me escondo, quando resolvo fazer uma aparição, ou chamo atenção me sinto uma estranha no ninho (saio do esquema do comum com algum detalhe), eles me olham, mas não me vêem realmente...coloco um chapéu, coloco um gorro, quero ser discreta e sigo na camuflagem, preciso ser discreta, passar batido e as folhas vão caíndo, amarelas, vermelhas, como se ainda fossem belas, tudo na minha cabeça diante de meus pés, elas caem e secam, feias, desidratadas, esqueléticas, mortas. Outono, essa estação maravilhosa, todas essas cores, esses convites...à preparação do longo inverno, também maravilhoso, a hibernação, o vinho, o chocolate com creme, tudo uma festa, com livros, papéis, luminárias, o piano capengando mas indo. ♫...até Netflix eu tenho para me manter longe de mim.
Ponho o pé fora da porta, toda montada (vestida da cabeça aos pés) pessoas doidas, bêbadas, estrangeiras, urinam nas alamedas, se drogam à luz do dia, me xingam...eu sou daquelas que ando nas alamedas, se procuro é por coisas belas, uma vitrine de loja, ou de casa, os gatos que andam por ai atrás das vitrines, um chão, um piso, uma folha que ainda não morreu, lojas de antiguidades, artes, monumentos históricos, meu olhar fotografa o banal, o normal, o comum, incomum e me deparo com loucos, bêbados, sem teto, gente que circula por ai, sem refúgios, sem lar. Gente infeliz, que não pensa direito, sobrevivem sei lá como. Sorte que para casa 1 infeliz tem 9 felizes* circulando pelo planeta, e como eu gostam de viver a própria vida e não ser estorvo para ninguém. E toda a felicidade que falo, é ficar na sua, não odiar o outro por ser outro, um desconhecido.
Entro num dos cafés prediletos, barista, sou exigente...tenho a liberdade de escolha. Odeio comércio só com objetivo comercial, financeiro, ideal comercial, sem alma. Gosto dos pequenos cafés, onde os donos são aqueles que trabalham, pequenos comerciantes atrás do que curtem, do que gostam de fazer, do que sabem. Artistas e não somente vendedores, artesões do bem estar. Um café latte s.v.p.! Um biscoito, uma água pra acompanhar, uma torta de maçã ou de caramelo com gengibre, sempre um livro e um cadeiro capa dura na bolsa, fora o celular, e a necessidade viciante de compartilhar um estado de animo. Esses segredos de pessoas como eu, o ser feliz andando a esmo, nas alamedas, se vestir pra mim, tomar café, chá, livros, piano e sempre em busca de inspiração em brechós, lojinhas...
A vida segue errante, chega um momento que nada lá fora é tão interessante quanto as minhas caminhadas pelas ruelas, becos. Tudo já passou, como se tivesse vivido na grande prosa da vida, vários livros, vários contos, vários poemas e não me resta mais nada, a não ser sobreviver e viver a meu modo, acabaram-se os ensaios, e esse é o pensamento cansado, porque no dia seguinte...o humor muda, o pique muda, fico sonhando em encontrar alguém como eu, pra conversar, parecido, mas diferente...e olho tudo que tenho, tudo que colecionei, todos os cartões, papéis, móveis, cores, livros, olho pra mim com esse cabelo longo, penso novamente, pintarei ou não pintarei...corto ou não corto? Se eu pudesse teria alguém fazendo por mim, cuidando dos meus cabelos, mas como não tenho, eu mesmo tenho que me esforça. A 'boa' aparência no reflexo no espelho, os cuidados com o meu templo, meu corpo...dizem muito sobre como me sinto por dentro. Tudo que faço é pra mim...sou uma caçadora de inspiração, tudo me inspira como se tivesse ainda a curiosidade daquela menina de 13 anos, com a vida repleta de aventuras pela frente.
Ser muitas não é uma tarefa fácil. Fácil acho é ser alguém que é uma só, um só. Eles nascem e já sabem o que são, o que querem fazer, o que os move...e nem a palavra fácil se adequa.
Eu sou o contrário, por medo de fracassar em meio à tantas escolhas eu não me jogo completamente, não me dou ao direito de arrependimentos, não me arrependo, palavra riscada no meu vocabulário particular. Eu pondero, penso, me organizo, demoro muito para tomar uma decisão perante tantos caminhos, tantos interesses, apesar de minha destreza de resolver pepinos como mãe, como uma mulher emancipada, independente, descobri que sou ótima, nesses anos todos e lá se vão...13 anos no divórcio, enterrei de vez um pseudo príncipe que vai me salvar de todos os dragões, do mal. Vejo pessoas cometendo os mesmos erros que cometi. Todos eles foram ótimas lições, apesar de todo o sofrimento, toda a lenga lenga, do amor, do desamor, do medo da solidão. Se eu soubesse antes que eu me bastava, não estaria agora a escrever essas linhas.
Volta e meia aparece um gato aqui dentro de casa, um gato bichano mesmo, que não é o meu, e penso...que desapego, não preciso de nada e ninguém pra chamar de meu, porque tudo é meu e ao mesmo tempo nada.
E um gato pra chamar de meu, mesmo que seja esses gatos da vizinhança, seria mais um apego ou trabalhar o desapego, porque ninguém é dono de ninguém.


Wednesday, October 28, 2015

She was a Phantom of delight



Miss Fisher 


She was a phantom of delight
When first she gleamed upon my sight;
A lovely Apparition, sent
To be a moment's ornament;
Her eyes as stars of Twilight fair;
Like Twilight's, too, her dusky hair;
But all things else about her drawn
From May-time and the cheerful Dawn;
A dancing Shape, an Image gay,
To haunt, to startle, and way-lay.
I saw her upon nearer view,
A Spirit, yet a Woman too!
Her household motions light and free,
And steps of virgin-liberty;
A countenance in which did meet
Sweet records, promises as sweet;
A Creature not too bright or good
For human nature's daily food;
For transient sorrows, simple wiles,
Praise, blame, love, kisses, tears, and smiles.
And now I see with eye serene
The very pulse of the machine;
A Being breathing thoughtful breath,
A Traveller between life and death;
The reason firm, the temperate will,
Endurance, foresight, strength, and skill;
A perfect Woman, nobly planned,
To warn, to comfort, and command;
And yet a Spirit still, and bright
With something of angelic light.

William Wordsworth (1770 - 1850)

O disfarce da ignorância

As últimas palavras que Goethe proferiu antes de morrer foram: luz, luz e mais luz.

Estamos nos meses de férias aqui na Holanda, Tudo tranquilo. Dá pra se perceber em todos os lugares, nas ruas, nos locais públicos, supermercados, lojas, e até nos parques, o jeito desacelerado de viver.
Talvez Amsterdã a capital esteja cheia, mais turistas circulando como é de costume no verão e até no inverno, mas o holandês e ou moradores da Holanda, viajam muito nessa época, principalmente quem tem filhos em idade escolar ou trabalha com o ensino, a grande maioria da população ativa, se refugiar nos trópicos, ou em regiões onde o verão se faça mais quente.

Lá vão eles, deixando lugar para os que ficam ou os que vêm.
A atmosfera é aprazível, que nem um feriado em São Paulo (se você conhece bem essa cidade no Brasil onde morei), a grande maioria vai pro litoral se refrescar no verão, para os sítios, fazendas nos feriados, as estradas cheias, mas a cidade fica uma delícia, praticamente deserta, sem filas pra nada, o trânsito na parte central da cidade menos caótico, mesmo sendo por pouco tempo.

Sendo assim bem normal, tranquilo, os dias se seguem, eu no aguardo pra minha viagem em agosto apenas, sigo  o curso natural a minha rotina, yoga em casa, um pouco de piano (em casa) já que a professora também foi viajar com a família, sem francês a professora perdeu a mãe recentemente e está de luto, algumas séries na TV que curto e estão reprisando, minha filha em breve vai mudar de lugar. Feliz por ter essa tranquilidade, de estar numa estação onde os dias são longos, o sol se põe super tarde, e mesmo não tendo aquele calor tropical, é uma excelente oportunidade pra deixar o corpo respirar livremente, com menos roupas.

Porém, de repente, algo muito ruim acontece e te dá um bom tapa na cara, te acordando. Te deixa em pânico (e o pânico não é sair gritando ou paralisada), é uma injeção de adrenalina na qual se fica, ou eu fiquei sedada, sem saber como agir, a adrenalina te acorda. Nessas certas (raras) situações na vida, pelo menos na minha, perdemos totalmente o controle, principalmente diante da insanidade do outro, do desconhecido, do que vem de fora, como um lobo mau que vai direto comer a vovozinha, o chapeuzinho, sem papo furado no caminho na floresta, no bosque.
Acontece à luz do dia, assim sem mais nem menos.

Quando já pensamos que vimos toda a maldade da vida, violência, agressões, guerras (longe de nós, na TV), crianças chorando, ensanguentadas e nos comovemos, famílias separadas, hospitais,  pessoas tiradas de seus lares, de seus países...gente de todo o jeito que não tem aonde ir, pior que a morte, é estar preso, engaiolado, em prisões sem grades, encurralados sem ter onde ir, ficar acuado sem poder se mover, como numa paralisia, porque pois mais que você se defenda, só piora...e isso aconteceu comigo, a guerra foi presente, um ser humano ou dois, desejar o meu mal, e eu sem saída.


E eu tenho que rezar (não a prece religiosa, mas a prece de proteção), e pedir para as forças que regem as leis do universo me protejam. Que esse mundo violento em que vivemos não afete e nunca chegue perto de meus filhos, que eu seja o pára-raios, pois de qualquer forma me sinto uma pessoa forte e protegida pelas minhas mais variadas experiências de vida, aquela boa estrela, o tato que sempre tive pra sair de situações constrangedoras, do mal...mesmo estando paralisada momentaneamente.

Quando as coisas fogem ao meu controle, só penso que essa luz ilumine meus filhos, em todos os dias de suas vidas, que conheçam o fracasso, decepções, dores...mas jamais sejam vítimas de violência, de agressividade, de pessoas más, da ignorância destas pessoas, da maldade nua e crua que habitam o underworld de cada um, e uns mais que outros.

É quando penso, o que uma pobre mãe pode fazer pra ajudar a sua prole?
Saber se defender, e os defender desse tipo de maldade?
Preciso confiar no futuro.
Essas forças ocultas vem do submundo, e estão travestidas como gente comum, os outros.

Eles circulam por ai e como num vídeo game, precisam ser eliminados, mas não sabemos quando e onde eles irão aparecer para neutralizar suas forças, ou acabar com a força bruta e colocar o espelho para que o reflexo dele, se reflita em si, e os elimine.

Contra essa própria força bruta que falo. Essa que não temos e nem podemos fazer alianças,
e infelizmente não podemos erradicar, pois elas sobrevivem no calabouço de sua ignorância.

Essa força é só neutralizada com o amor.

Sempre precisei do mar nas férias, azul, verde ou cor de burro quando foge até. Todavia agora preciso ficar longe do mar de ignorância, de pessoas mal educadas, hostis, preciso de luz, emanar luz.
Preciso de umas férias de PAZ para um lugar com o mínimo possível de gente, principalmente
gente que desconta a infelicidade, frustrações fruto de sua ignorância nos outros, luz luz e mais luz
para mim, e para todos!




Wednesday, July 29, 2015

O que aprendi até agora

Ana Albero

Vez ou outra me percebo fazendo uma coisa bem inadequada: eu vejo gente morta, ops, eu me comparo com os outros (vivos).

Me policio e doutrino até, 'não devemos nos comparar" blablabla, mas bate às vezes aquele caos mental, e nem sei porque cargas d'água, e lá me vejo me comparando (para o bem e para o mal, ou melhor para melhor ou pior) com pessoas, com outros corpos completamente diferentes do meu, outros estilos de vidas, diferentes da minha, outras vidas  hipotéticas,(imaginárias), outros 'backgrounds',  uma lista finita pra não exagerar, que de nada corresponde com a MINHA e vou colocar em letras garrafais, MINHA VIDA, minha pessoa, meu jeito de ser a realidade que vivo e com quem eu sou.

Quando isso acontece, é um passo para o abismo chamado, masoquismo, e no fundo ao mesmo tempo sádica, ou cientista pois eu sou meu próprio monstro Bebete Frankenstein inventado.
Vivo experimentando no laboratório da minha mente essas inadequações.

O que aprendi até agora?
Que isso só me traz frustração, e da frustração vem a insegurança e na insegurança o sofrimento e no sofrimento a dor, lágrimas, choros e velas, e o outro lado da moeda, é assim mesmo, às vezes vem essa auto-sabotagem mascarada de quem é melhor ou pior, como se fosse ganhar uma medalha ou um puxão de orelha me traz de volta pra a realidade, eu sou eu, e me basto.

É o tipo de pensamento que parece que você tomou uma droga e ter que fazer algo pra sair desse transe, quando isso ocorre.
Há anos que não acredito em muitas coisas que sempre (me fizeram) acreditar, ou eu acreditei porque deveria, ou era conviniente.
Quando eu rezava antes de dormir quando pequena: eu sempre papagaiava, era um mantra desorganizado, pedir proteção ao anjo da guarda, ou por si, não me bastava, era frágil, inocente,
sujeita aos perigos da natureza humana, da maldade.

Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador...a ladainha continuava.
Ai ai ai ai, aí vem a mistura e a mente acaba acreditando que o anjo vai te proteger, o que não vai.
Os pais protegem os filhos e olhe lá!
E quando os pais se vão, ninguém mais vai te proteger.
A vida é assim, a gente aprende a viver e a se proteger de todo o mal, por bem ou por mal.
Para nos protegermos, precisamos acreditar em quem somos, e pra acreditar em quem somos e ter confiança que tá tudo bem, precisamos ousar ser quem somos.
Fácil, né?
Não, não é.

O raio sempre nos parte, antes, durante ou depois da chuva.

Não que eu não goste de mim, não confie em mim, que tenha baixa auto estima, nada dessas balelas, mas às vezes a gente acaba se viciando, é muito fácil ficar viciado, ou bem diria acomodado, cansado, hipnotizado por hábitos corriqueiros, e deixar a gente, a nossa vida REAL, pra segundo plano.

Às vezes me escondo de mim.

Sorte que há coisas que sempre me salvam, uma delas é a música, a outra é a vontade de ir ao banheiro, e a outra é quando eu começo a rir do meu jeito de ser, e até de minha estupidez, e não me levar tão a sério, tudo isso me salva me protege realmente, não preciso de anjos.
E fora que adoro escrever, e ultimamente é o que me salva do meu próprio Frankenstein, quando tudo está mal, não tenho outra saída.

Me olho a distância e percebo: Bebete como você é engraçada pra você mesma, falando a realidade do que realmente acontece com a sua vida, é como se fosse uma arma defensora, e tudo acaba bem, meu próprio escudo protetor, sou eu, ser eu.
E quando estou dramática, melancólica, triste ou me sentido solitária, escrevo, e volta a me equilibrar.

Recentemente tomei conhecimento de uma empresa, que na verdade é uma pessoa física antes de tudo que entende de marketing pessoal, e acabei seguindo essa pessoa (as idéias dela, e o que ela escreve), pra dizer que não sigo ninguém, eu sigo poucos por livre e espontânea vontade. Eu curto gente genial, e sem pretensão, como essa.
Ela é ela, incrível o currículo, e eu sou eu.

Aliás sigo os meus amigos, porque gosto deles, da vida deles, gosto de estar próxima deles, com a diferença de opinião também deles, mas no fundo fazemos parte de uma família virtual, digamos assim, também contam como proteção, amor.


Me comparar com gente 'diferente' de mim (acontece por descuido, viu?) ao ver uma foto da mulher girafa e ver que meu pescoço está ficando mais curto, eu percebo que às vezes faço 3 ou mais vezes a mesma coisa, e acho isso irritante, e daqui pra frente vou CORTAR da minha vida bater na mesma tecla, na mesma tecla...só as teclas do piano com as diferentes notas musicais, que é uma pulga na camisola, mas estou indo...e não quero chegar à lugar algum, quero seguir, tocando e aprendendo, praticando, indo...piano, vida, escrever, cantar no chuveiro, tudo.


Outro exemplo já na vida Facebook(i)ana: quando eu entro online. Eu vou no 'news feed' e sem querer, aparece um amigo que postou um artigo/repostou/compartilhou...e eu leio mais de uma vez o tal artigo, ou o título, afinal é um amigo e não posso deixar o amigo na mão (dentro da minha cabeça).
E ai, vejo outro amigo, que postou a mesma coisa, e 2 dias depois a lesma lerda outro conhecido.
E me pergunto: que porra é essa?
Bebete não era pra escrever palavrão na linguagem escrita? Me contradigo.




Que histeria coletiva é essa amigo? Por favor parem com essa insanidade! Me parem se eu estiver fazendo a mesma coisa, na mesmice da repetição. Cansei dessa vida, essa vida não é a minha é um vírus, um chip que colocaram na tela do meu computador, do meu celular, um aplicativo subliminar, ler as mesmas coisas, compartilhar as mesmas coisas.
Fomos clonados, e nem sabemos? Vamos construir outra coisa?
Vamos construir um mundo melhor?

Eu vou na cozinha pegar um copo d'água.

Prometi pois, a não mais ler os news feed over and over again,  ocultar o tal artigo, e percebi o que tenho feito, é ocultar, ocultar e mais ocultar, de tanto bichinho de estimação fofo que vejo quando estou online, ou de gente (como eu) que vive postando e postando e postando auto ajuda, que não AJUDA em praticamente muita coisa, falo na PRÁTICA, continuem fazendo o que fazem. Fecharei meus olhos para a histeria coletiva.



O que está acontecendo? Seriam os deuses internautas? Estaria eu perdendo interesse nos meus amigos? O FB virou mainstream demais? O começo do fim?

Pois bem há anos repito a mesma ladainha, vou tentar ser clara, quero MUDAR, daqui pra frente não mais ver 2 vezes a mesma postagem do 'tal' amigo, e do outro amigo, e nem eu repostar, repostar e repostar.
Basta! OK? Combinado?
Quero sair, quero visitar outros 'sites', quero conhecer gente nova, blogs, novos, idéias novas, idéias boas, quero cores, respostas...quero filosofia, quero usar mais minhas mãos, quero mais água.

Anos após anos, estamos nós, na internet, é chegada a hora da maturidade digital, vivemos...confidenciando nossos segredos, nossas vidas, nossas viagens, expondo nossa família, filhos, nossa imagem, nossas opiniões sobre política, economia, religião, sexual, moda, cultura, comida, etcetera e dividindo o que lemos, o que acreditamos, o que achamos que devemos, mas eu ando um pouco de saco cheio de tudo isso, da mesmice, sem querer esnobar a vida e interesses de ninguém.
Somos mercadores de ilusões, vendemos peixes imaginários.
Estamos carentes de nem sei o que.
Talvez de arte de verdade, poesia, criatividade, caridade, vida rasgada mesmo, gente doida no bom sentido se expressando, idéias fantásticas, ou gente boa, anônima, simples mas que tem muito mais conteúdo do que essas pessoas idiotas que compram uma bolsa de 55 mil reais e depois o couro da bolsa solta tinta e com toda a razão pedem o dinheiro de volta e colocam o 'drama' de luxo que eu nem precisaria ter lido, mas li e tive até curti.

Meu Deus? O que é isso, até que ponto chegamos?
Aliás, até que ponto 'eu che GAY'...?

Eu quero idéias novas, eu quero fazer a diferença, eu quero acrescentar.
Eu quero unir, eu quero ver gente de verdade, brilhar, ajudar, descobrir estórias, estou cansada de tanto narcisismo coletivo, eu quero ver as pessoas realmente FELIZES com elas mesmas.


Não quero comparações, (nem para o bem e nem para o mal), nem por descuido,  nem clones, eu quero junto colaborar com as pessoas,  no que juntos podemos fazer, para melhorarmos o mundo de verdade, lançar a semente e não sair por ai querendo dar lição ou tentar em vão mudar o outro impondo nossas crenças de COMO O MUNDO SERIA MELHOR SE...ou colocar toda a agenda pessoal no Facebook: incheck eu fui ao banheiro, incheck eu não matei Joana D'arc, incheck, estou sozinha no escuro e preciso levantar pra acender a luz, vou na cozinha pegar um copo d'água.


Quero mais camaradagem, empatia, mais gentileza e ouvir mais (tenho me policiado pra isso) pois sei que sou uma pessoa crítica, mas usar a minha crítica, sem ferir, nem pisar em ninguém, porque simplesmente não vale a pena me mostrar uma pessoa estúpida, mal educada, com pretensão como se minha vida estivesse e fosse um mar de rosas, o que não é, como nenhuma vida o é.



Resumindo, o que aprendi até agora, é que sempre estou aprendendo a ser quem realmente sou, doa a quem doer!
Ai.










Saturday, April 25, 2015

California dreaming - A praça do jardim de inverno



Cinco meses no Instelling (Instituto) local onde moram as pessoas especiais, deficientes intelectuais e também alguns físicos, de várias idades, autistas, etc, separados por prédios e muito jardim, verde, grama, árvores, prédios bonitos.
Cada um tem seu quarto privado e seu banheiro, áreas comunitárias (sala/cozinha/mais banheiros/jardins = no máximo 6 pessoas por casa, e sempre da mesma faixa etária).

A ruazinha dela se chamava Rua (vila) das Cerejas, mas mudou para Praça do Jardim de Inverno.
Há jardins por tudo na Holanda, na primavera, vemos flores desde o início de março, onde começam os brotos, e dependendo do inverno se não foi muito rigoroso até no final de fevereiro...a partir de, e assim vai até setembro, tem gente que tem flores no jardim até no outono, no inverno...bom, o inverno é um capítulo a parte nas estações do ano, e flores estão por toda a parte, mesmo as pessoas morando em apartamentos, sempre foi assim, e acho que sempre será.
No terreno de 's Heeren Loo

E assim as flores aparecem, cada uma na sua fase, na sua estação própria...e lá mora ela, com esse nome mais triste ainda, porque a palavra inverno pra mim é triste, lembra de frio, solidão, saudades do calor do sol, dias curtos, não necessariamente é uma estação triste, mas a palavra apela para introspecção e se aquecer, ficar em casa, curtir outras coisas.
Agora é tempo de flores, de alegria, de calor, de dias longos, de pessoas sorridentes, de vida ao ar livre, de andar de barco pelos canais, de apreciar as formigas, as borboletas estão chegando.

Mas não quero falar das flores, nem do inverno, nem de tristeza, nem propriamente das estações do ano, quero falar da minha flor, chamada Dominique, 16 anos que está morando lá, nesse instituto na rua agora chamada Praça do Jardim de Inverno.

Hoje fui buscá-la, fim de semana sim e não ela vem pra cá, e às vezes ela fica meio nervosa, em voltar para 'casa', da mãe, a minha, a nossa pelo que acontecido nos últimos anos.
No pai dela vai bem, ele anda de bicicleta com ela, longas distâncias, vão pra Haia de bicicleta até, ela curte e no final ganha um bom sorvete.
Faço questão de dizer pra ela, que quando um dia ela não quiser mais ficar lá ela poderá voltar, na hora que quiser.

Tenho aprendido muito com a distância da minha filha, aprendido sobre mim, sobre como sobreviver sem meus filhos, sobre como entendê-la melhor, porque agora felizmente aqueles cuidados, o trabalho pesado, fica por conta deles por lá, os 'begeleiders' assistentes e cuidadores e assim tenho até tempo para pensar em mim, pois mãe como eu dificilmente tem tempo pra si, completamente, agora tenho até demais.
Wintertuinplein aka Kersenhof
No início foi muito difícil, apesar de saber que era para o bem dela, meu, de toda a família, e esse é o momento, sem dramas, mais do que o drama de estar longe dela, que nunca foi a minha intenção, foi difícil, e ainda é, mas menos, bem menos.

Enfim, são tantos detalhes, e  ninguém cuida dela melhor do que eu, sou a mãe dela e pronto,  ela está sendo bem cuidada...só não nos detalhes: como por exemplo, todas as noites ela usa um aparelho nos dentes com um céu da boca falso e um gancho...o 'trem", fica numa caixinha durante o dia, mas ambos devem ser higienizados diariamente. Infelizmente isso não estava acontecendo, vou tomar providências (escrever um email para a coach dela), claro isso apesar de ser o mínimo, é um desses detalhes importantes, afinal colocar um aparelho cheio de bactérias para melhorar a sua arcada dentária, é incongruente.

E hoje 5 meses, ela me confessou: 

- Mãe estou tendo pesadelos. - "você não dorme bem lá? Indaguei.

- Não mão, acordada, agora...não consigo me concentrar, estou triste, e ontem me senti sozinha na escola.

Disse pra ela, lembra da Anne Frank e o diário? Escreva! Tudo que se passa na cabeça. E dei um caderno de capa dura pautado pra ela escrever. Ela raramente me conta, confessa, divide comigo algum sentimento, pensamento e emoção, raramente pede ajuda por algo, ou pergunta como faz.

Fui ligeiramente ao supermercado e quando voltei vi que ela tinha escrito muito mal, apenas 4 linhas, a maioria das palavras ilegíveis, grudadas umas às outras, muito esquisito.

Leiden, 25 de abril de 2015, em holandês, (etc etc), acho que ela nem escreve mais na escola, com aquelas crianças que nem sabem ler e escrever, é tudo tão complicado. Uma escola muito difícil, que ela não acompanhava, essa tudo mastigado, mas eles nem tem aula de leitura praticamente.

Falei pra ela. Querida, amanhã, faremos yoga, antes do café da manhã...pro "pesadelo" sumir, e o seu lado alegre vai vencer o lado triste, respirar fundo, ficar tranquila, vai te ajudar nessas horas. E ao mesmo tempo que estou a dizer isso, ela já está no mundo dela, olhando pro teto.

Deve ser muito difícil ser autista, deve ser muito difícil não ter amigos, não ter a capacidade de resolver os próprios problemas, deve ser muito difícil depender dos outros pra tudo, olhar ao redor e ver pessoas da sua idade ou até menores, com celulares, com fones de ouvido, andando na rua sozinhas, de bicicleta, mandando 'app'...o que é whatsapp? Indo pra escola, de turma, rindo, normalmente os adolescentes andam em turma.

Dominique não sabe o que é isso, não sabe o que é 'qualidade', não sabe o que é download, upload. 
Comprei lápis de cor, canetas hidrocores/hidrográficas...e disse pra ela, esses lápis não são de boa qualidade. No que caio por mim.

- Você sabe o que significa 'qualidade'? 


Não. Procurei explicar de uma forma simples, mas percebi que estava complicando. Ah! No momento isso não é importante, saber o que significa a palavra 'qualidade'. 
O importante é ela não ter pesadelos acordada, e que 'eles' lá façam o trabalho deles, como fazem...bem, mas tem os tais detalhes, que acima de tudo, são detalhes, não dá pra controlar tudo, não dá pra controlar demais, controlar...é um passo à frustração.

Esses detalhes, darei eu um jeito por aqui, na burocracia dos emails para os mentores, para a coach dela, Jacoliene. Nunca será como na casa da mãe, esse escudo de força, de proteção.
Caderno pra colorir para adultos e pra quem quiser e os lápis de cor = qualidade :-( 


Afinal hoje ela me ajudou a fazer appelflap (um doce de maçã no forno), deu tudo certo, o outro pesadelo em mega potência, o do ano de 2014 já passou, aquele sim, foi muito pior, agora é tempo de sonhar com um verão, viver plenamente essa primavera, deixar o jardim de inverno pra lá...

California dreaming. :-) 


Tchau querida!

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as gue...