Wednesday, October 28, 2015

She was a Phantom of delight



Miss Fisher 


She was a phantom of delight
When first she gleamed upon my sight;
A lovely Apparition, sent
To be a moment's ornament;
Her eyes as stars of Twilight fair;
Like Twilight's, too, her dusky hair;
But all things else about her drawn
From May-time and the cheerful Dawn;
A dancing Shape, an Image gay,
To haunt, to startle, and way-lay.
I saw her upon nearer view,
A Spirit, yet a Woman too!
Her household motions light and free,
And steps of virgin-liberty;
A countenance in which did meet
Sweet records, promises as sweet;
A Creature not too bright or good
For human nature's daily food;
For transient sorrows, simple wiles,
Praise, blame, love, kisses, tears, and smiles.
And now I see with eye serene
The very pulse of the machine;
A Being breathing thoughtful breath,
A Traveller between life and death;
The reason firm, the temperate will,
Endurance, foresight, strength, and skill;
A perfect Woman, nobly planned,
To warn, to comfort, and command;
And yet a Spirit still, and bright
With something of angelic light.

William Wordsworth (1770 - 1850)

O disfarce da ignorância

As últimas palavras que Goethe proferiu antes de morrer foram: luz, luz e mais luz.

Estamos nos meses de férias aqui na Holanda, Tudo tranquilo. Dá pra se perceber em todos os lugares, nas ruas, nos locais públicos, supermercados, lojas, e até nos parques, o jeito desacelerado de viver.
Talvez Amsterdã a capital esteja cheia, mais turistas circulando como é de costume no verão e até no inverno, mas o holandês e ou moradores da Holanda, viajam muito nessa época, principalmente quem tem filhos em idade escolar ou trabalha com o ensino, a grande maioria da população ativa, se refugiar nos trópicos, ou em regiões onde o verão se faça mais quente.

Lá vão eles, deixando lugar para os que ficam ou os que vêm.
A atmosfera é aprazível, que nem um feriado em São Paulo (se você conhece bem essa cidade no Brasil onde morei), a grande maioria vai pro litoral se refrescar no verão, para os sítios, fazendas nos feriados, as estradas cheias, mas a cidade fica uma delícia, praticamente deserta, sem filas pra nada, o trânsito na parte central da cidade menos caótico, mesmo sendo por pouco tempo.

Sendo assim bem normal, tranquilo, os dias se seguem, eu no aguardo pra minha viagem em agosto apenas, sigo  o curso natural a minha rotina, yoga em casa, um pouco de piano (em casa) já que a professora também foi viajar com a família, sem francês a professora perdeu a mãe recentemente e está de luto, algumas séries na TV que curto e estão reprisando, minha filha em breve vai mudar de lugar. Feliz por ter essa tranquilidade, de estar numa estação onde os dias são longos, o sol se põe super tarde, e mesmo não tendo aquele calor tropical, é uma excelente oportunidade pra deixar o corpo respirar livremente, com menos roupas.

Porém, de repente, algo muito ruim acontece e te dá um bom tapa na cara, te acordando. Te deixa em pânico (e o pânico não é sair gritando ou paralisada), é uma injeção de adrenalina na qual se fica, ou eu fiquei sedada, sem saber como agir, a adrenalina te acorda. Nessas certas (raras) situações na vida, pelo menos na minha, perdemos totalmente o controle, principalmente diante da insanidade do outro, do desconhecido, do que vem de fora, como um lobo mau que vai direto comer a vovozinha, o chapeuzinho, sem papo furado no caminho na floresta, no bosque.
Acontece à luz do dia, assim sem mais nem menos.

Quando já pensamos que vimos toda a maldade da vida, violência, agressões, guerras (longe de nós, na TV), crianças chorando, ensanguentadas e nos comovemos, famílias separadas, hospitais,  pessoas tiradas de seus lares, de seus países...gente de todo o jeito que não tem aonde ir, pior que a morte, é estar preso, engaiolado, em prisões sem grades, encurralados sem ter onde ir, ficar acuado sem poder se mover, como numa paralisia, porque pois mais que você se defenda, só piora...e isso aconteceu comigo, a guerra foi presente, um ser humano ou dois, desejar o meu mal, e eu sem saída.


E eu tenho que rezar (não a prece religiosa, mas a prece de proteção), e pedir para as forças que regem as leis do universo me protejam. Que esse mundo violento em que vivemos não afete e nunca chegue perto de meus filhos, que eu seja o pára-raios, pois de qualquer forma me sinto uma pessoa forte e protegida pelas minhas mais variadas experiências de vida, aquela boa estrela, o tato que sempre tive pra sair de situações constrangedoras, do mal...mesmo estando paralisada momentaneamente.

Quando as coisas fogem ao meu controle, só penso que essa luz ilumine meus filhos, em todos os dias de suas vidas, que conheçam o fracasso, decepções, dores...mas jamais sejam vítimas de violência, de agressividade, de pessoas más, da ignorância destas pessoas, da maldade nua e crua que habitam o underworld de cada um, e uns mais que outros.

É quando penso, o que uma pobre mãe pode fazer pra ajudar a sua prole?
Saber se defender, e os defender desse tipo de maldade?
Preciso confiar no futuro.
Essas forças ocultas vem do submundo, e estão travestidas como gente comum, os outros.

Eles circulam por ai e como num vídeo game, precisam ser eliminados, mas não sabemos quando e onde eles irão aparecer para neutralizar suas forças, ou acabar com a força bruta e colocar o espelho para que o reflexo dele, se reflita em si, e os elimine.

Contra essa própria força bruta que falo. Essa que não temos e nem podemos fazer alianças,
e infelizmente não podemos erradicar, pois elas sobrevivem no calabouço de sua ignorância.

Essa força é só neutralizada com o amor.

Sempre precisei do mar nas férias, azul, verde ou cor de burro quando foge até. Todavia agora preciso ficar longe do mar de ignorância, de pessoas mal educadas, hostis, preciso de luz, emanar luz.
Preciso de umas férias de PAZ para um lugar com o mínimo possível de gente, principalmente
gente que desconta a infelicidade, frustrações fruto de sua ignorância nos outros, luz luz e mais luz
para mim, e para todos!




Wednesday, July 29, 2015

O que aprendi até agora

Ana Albero

Vez ou outra me percebo fazendo uma coisa bem inadequada: eu vejo gente morta, ops, eu me comparo com os outros (vivos).

Me policio e doutrino até, 'não devemos nos comparar" blablabla, mas bate às vezes aquele caos mental, e nem sei porque cargas d'água, e lá me vejo me comparando (para o bem e para o mal, ou melhor para melhor ou pior) com pessoas, com outros corpos completamente diferentes do meu, outros estilos de vidas, diferentes da minha, outras vidas  hipotéticas,(imaginárias), outros 'backgrounds',  uma lista finita pra não exagerar, que de nada corresponde com a MINHA e vou colocar em letras garrafais, MINHA VIDA, minha pessoa, meu jeito de ser a realidade que vivo e com quem eu sou.

Quando isso acontece, é um passo para o abismo chamado, masoquismo, e no fundo ao mesmo tempo sádica, ou cientista pois eu sou meu próprio monstro Bebete Frankenstein inventado.
Vivo experimentando no laboratório da minha mente essas inadequações.

O que aprendi até agora?
Que isso só me traz frustração, e da frustração vem a insegurança e na insegurança o sofrimento e no sofrimento a dor, lágrimas, choros e velas, e o outro lado da moeda, é assim mesmo, às vezes vem essa auto-sabotagem mascarada de quem é melhor ou pior, como se fosse ganhar uma medalha ou um puxão de orelha me traz de volta pra a realidade, eu sou eu, e me basto.

É o tipo de pensamento que parece que você tomou uma droga e ter que fazer algo pra sair desse transe, quando isso ocorre.
Há anos que não acredito em muitas coisas que sempre (me fizeram) acreditar, ou eu acreditei porque deveria, ou era conviniente.
Quando eu rezava antes de dormir quando pequena: eu sempre papagaiava, era um mantra desorganizado, pedir proteção ao anjo da guarda, ou por si, não me bastava, era frágil, inocente,
sujeita aos perigos da natureza humana, da maldade.

Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador...a ladainha continuava.
Ai ai ai ai, aí vem a mistura e a mente acaba acreditando que o anjo vai te proteger, o que não vai.
Os pais protegem os filhos e olhe lá!
E quando os pais se vão, ninguém mais vai te proteger.
A vida é assim, a gente aprende a viver e a se proteger de todo o mal, por bem ou por mal.
Para nos protegermos, precisamos acreditar em quem somos, e pra acreditar em quem somos e ter confiança que tá tudo bem, precisamos ousar ser quem somos.
Fácil, né?
Não, não é.

O raio sempre nos parte, antes, durante ou depois da chuva.

Não que eu não goste de mim, não confie em mim, que tenha baixa auto estima, nada dessas balelas, mas às vezes a gente acaba se viciando, é muito fácil ficar viciado, ou bem diria acomodado, cansado, hipnotizado por hábitos corriqueiros, e deixar a gente, a nossa vida REAL, pra segundo plano.

Às vezes me escondo de mim.

Sorte que há coisas que sempre me salvam, uma delas é a música, a outra é a vontade de ir ao banheiro, e a outra é quando eu começo a rir do meu jeito de ser, e até de minha estupidez, e não me levar tão a sério, tudo isso me salva me protege realmente, não preciso de anjos.
E fora que adoro escrever, e ultimamente é o que me salva do meu próprio Frankenstein, quando tudo está mal, não tenho outra saída.

Me olho a distância e percebo: Bebete como você é engraçada pra você mesma, falando a realidade do que realmente acontece com a sua vida, é como se fosse uma arma defensora, e tudo acaba bem, meu próprio escudo protetor, sou eu, ser eu.
E quando estou dramática, melancólica, triste ou me sentido solitária, escrevo, e volta a me equilibrar.

Recentemente tomei conhecimento de uma empresa, que na verdade é uma pessoa física antes de tudo que entende de marketing pessoal, e acabei seguindo essa pessoa (as idéias dela, e o que ela escreve), pra dizer que não sigo ninguém, eu sigo poucos por livre e espontânea vontade. Eu curto gente genial, e sem pretensão, como essa.
Ela é ela, incrível o currículo, e eu sou eu.

Aliás sigo os meus amigos, porque gosto deles, da vida deles, gosto de estar próxima deles, com a diferença de opinião também deles, mas no fundo fazemos parte de uma família virtual, digamos assim, também contam como proteção, amor.


Me comparar com gente 'diferente' de mim (acontece por descuido, viu?) ao ver uma foto da mulher girafa e ver que meu pescoço está ficando mais curto, eu percebo que às vezes faço 3 ou mais vezes a mesma coisa, e acho isso irritante, e daqui pra frente vou CORTAR da minha vida bater na mesma tecla, na mesma tecla...só as teclas do piano com as diferentes notas musicais, que é uma pulga na camisola, mas estou indo...e não quero chegar à lugar algum, quero seguir, tocando e aprendendo, praticando, indo...piano, vida, escrever, cantar no chuveiro, tudo.


Outro exemplo já na vida Facebook(i)ana: quando eu entro online. Eu vou no 'news feed' e sem querer, aparece um amigo que postou um artigo/repostou/compartilhou...e eu leio mais de uma vez o tal artigo, ou o título, afinal é um amigo e não posso deixar o amigo na mão (dentro da minha cabeça).
E ai, vejo outro amigo, que postou a mesma coisa, e 2 dias depois a lesma lerda outro conhecido.
E me pergunto: que porra é essa?
Bebete não era pra escrever palavrão na linguagem escrita? Me contradigo.




Que histeria coletiva é essa amigo? Por favor parem com essa insanidade! Me parem se eu estiver fazendo a mesma coisa, na mesmice da repetição. Cansei dessa vida, essa vida não é a minha é um vírus, um chip que colocaram na tela do meu computador, do meu celular, um aplicativo subliminar, ler as mesmas coisas, compartilhar as mesmas coisas.
Fomos clonados, e nem sabemos? Vamos construir outra coisa?
Vamos construir um mundo melhor?

Eu vou na cozinha pegar um copo d'água.

Prometi pois, a não mais ler os news feed over and over again,  ocultar o tal artigo, e percebi o que tenho feito, é ocultar, ocultar e mais ocultar, de tanto bichinho de estimação fofo que vejo quando estou online, ou de gente (como eu) que vive postando e postando e postando auto ajuda, que não AJUDA em praticamente muita coisa, falo na PRÁTICA, continuem fazendo o que fazem. Fecharei meus olhos para a histeria coletiva.



O que está acontecendo? Seriam os deuses internautas? Estaria eu perdendo interesse nos meus amigos? O FB virou mainstream demais? O começo do fim?

Pois bem há anos repito a mesma ladainha, vou tentar ser clara, quero MUDAR, daqui pra frente não mais ver 2 vezes a mesma postagem do 'tal' amigo, e do outro amigo, e nem eu repostar, repostar e repostar.
Basta! OK? Combinado?
Quero sair, quero visitar outros 'sites', quero conhecer gente nova, blogs, novos, idéias novas, idéias boas, quero cores, respostas...quero filosofia, quero usar mais minhas mãos, quero mais água.

Anos após anos, estamos nós, na internet, é chegada a hora da maturidade digital, vivemos...confidenciando nossos segredos, nossas vidas, nossas viagens, expondo nossa família, filhos, nossa imagem, nossas opiniões sobre política, economia, religião, sexual, moda, cultura, comida, etcetera e dividindo o que lemos, o que acreditamos, o que achamos que devemos, mas eu ando um pouco de saco cheio de tudo isso, da mesmice, sem querer esnobar a vida e interesses de ninguém.
Somos mercadores de ilusões, vendemos peixes imaginários.
Estamos carentes de nem sei o que.
Talvez de arte de verdade, poesia, criatividade, caridade, vida rasgada mesmo, gente doida no bom sentido se expressando, idéias fantásticas, ou gente boa, anônima, simples mas que tem muito mais conteúdo do que essas pessoas idiotas que compram uma bolsa de 55 mil reais e depois o couro da bolsa solta tinta e com toda a razão pedem o dinheiro de volta e colocam o 'drama' de luxo que eu nem precisaria ter lido, mas li e tive até curti.

Meu Deus? O que é isso, até que ponto chegamos?
Aliás, até que ponto 'eu che GAY'...?

Eu quero idéias novas, eu quero fazer a diferença, eu quero acrescentar.
Eu quero unir, eu quero ver gente de verdade, brilhar, ajudar, descobrir estórias, estou cansada de tanto narcisismo coletivo, eu quero ver as pessoas realmente FELIZES com elas mesmas.


Não quero comparações, (nem para o bem e nem para o mal), nem por descuido,  nem clones, eu quero junto colaborar com as pessoas,  no que juntos podemos fazer, para melhorarmos o mundo de verdade, lançar a semente e não sair por ai querendo dar lição ou tentar em vão mudar o outro impondo nossas crenças de COMO O MUNDO SERIA MELHOR SE...ou colocar toda a agenda pessoal no Facebook: incheck eu fui ao banheiro, incheck eu não matei Joana D'arc, incheck, estou sozinha no escuro e preciso levantar pra acender a luz, vou na cozinha pegar um copo d'água.


Quero mais camaradagem, empatia, mais gentileza e ouvir mais (tenho me policiado pra isso) pois sei que sou uma pessoa crítica, mas usar a minha crítica, sem ferir, nem pisar em ninguém, porque simplesmente não vale a pena me mostrar uma pessoa estúpida, mal educada, com pretensão como se minha vida estivesse e fosse um mar de rosas, o que não é, como nenhuma vida o é.



Resumindo, o que aprendi até agora, é que sempre estou aprendendo a ser quem realmente sou, doa a quem doer!
Ai.










Saturday, April 25, 2015

California dreaming - A praça do jardim de inverno



Cinco meses no Instelling (Instituto) local onde moram as pessoas especiais, deficientes intelectuais e também alguns físicos, de várias idades, autistas, etc, separados por prédios e muito jardim, verde, grama, árvores, prédios bonitos.
Cada um tem seu quarto privado e seu banheiro, áreas comunitárias (sala/cozinha/mais banheiros/jardins = no máximo 6 pessoas por casa, e sempre da mesma faixa etária).

A ruazinha dela se chamava Rua (vila) das Cerejas, mas mudou para Praça do Jardim de Inverno.
Há jardins por tudo na Holanda, na primavera, vemos flores desde o início de março, onde começam os brotos, e dependendo do inverno se não foi muito rigoroso até no final de fevereiro...a partir de, e assim vai até setembro, tem gente que tem flores no jardim até no outono, no inverno...bom, o inverno é um capítulo a parte nas estações do ano, e flores estão por toda a parte, mesmo as pessoas morando em apartamentos, sempre foi assim, e acho que sempre será.
No terreno de 's Heeren Loo

E assim as flores aparecem, cada uma na sua fase, na sua estação própria...e lá mora ela, com esse nome mais triste ainda, porque a palavra inverno pra mim é triste, lembra de frio, solidão, saudades do calor do sol, dias curtos, não necessariamente é uma estação triste, mas a palavra apela para introspecção e se aquecer, ficar em casa, curtir outras coisas.
Agora é tempo de flores, de alegria, de calor, de dias longos, de pessoas sorridentes, de vida ao ar livre, de andar de barco pelos canais, de apreciar as formigas, as borboletas estão chegando.

Mas não quero falar das flores, nem do inverno, nem de tristeza, nem propriamente das estações do ano, quero falar da minha flor, chamada Dominique, 16 anos que está morando lá, nesse instituto na rua agora chamada Praça do Jardim de Inverno.

Hoje fui buscá-la, fim de semana sim e não ela vem pra cá, e às vezes ela fica meio nervosa, em voltar para 'casa', da mãe, a minha, a nossa pelo que acontecido nos últimos anos.
No pai dela vai bem, ele anda de bicicleta com ela, longas distâncias, vão pra Haia de bicicleta até, ela curte e no final ganha um bom sorvete.
Faço questão de dizer pra ela, que quando um dia ela não quiser mais ficar lá ela poderá voltar, na hora que quiser.

Tenho aprendido muito com a distância da minha filha, aprendido sobre mim, sobre como sobreviver sem meus filhos, sobre como entendê-la melhor, porque agora felizmente aqueles cuidados, o trabalho pesado, fica por conta deles por lá, os 'begeleiders' assistentes e cuidadores e assim tenho até tempo para pensar em mim, pois mãe como eu dificilmente tem tempo pra si, completamente, agora tenho até demais.
Wintertuinplein aka Kersenhof
No início foi muito difícil, apesar de saber que era para o bem dela, meu, de toda a família, e esse é o momento, sem dramas, mais do que o drama de estar longe dela, que nunca foi a minha intenção, foi difícil, e ainda é, mas menos, bem menos.

Enfim, são tantos detalhes, e  ninguém cuida dela melhor do que eu, sou a mãe dela e pronto,  ela está sendo bem cuidada...só não nos detalhes: como por exemplo, todas as noites ela usa um aparelho nos dentes com um céu da boca falso e um gancho...o 'trem", fica numa caixinha durante o dia, mas ambos devem ser higienizados diariamente. Infelizmente isso não estava acontecendo, vou tomar providências (escrever um email para a coach dela), claro isso apesar de ser o mínimo, é um desses detalhes importantes, afinal colocar um aparelho cheio de bactérias para melhorar a sua arcada dentária, é incongruente.

E hoje 5 meses, ela me confessou: 

- Mãe estou tendo pesadelos. - "você não dorme bem lá? Indaguei.

- Não mão, acordada, agora...não consigo me concentrar, estou triste, e ontem me senti sozinha na escola.

Disse pra ela, lembra da Anne Frank e o diário? Escreva! Tudo que se passa na cabeça. E dei um caderno de capa dura pautado pra ela escrever. Ela raramente me conta, confessa, divide comigo algum sentimento, pensamento e emoção, raramente pede ajuda por algo, ou pergunta como faz.

Fui ligeiramente ao supermercado e quando voltei vi que ela tinha escrito muito mal, apenas 4 linhas, a maioria das palavras ilegíveis, grudadas umas às outras, muito esquisito.

Leiden, 25 de abril de 2015, em holandês, (etc etc), acho que ela nem escreve mais na escola, com aquelas crianças que nem sabem ler e escrever, é tudo tão complicado. Uma escola muito difícil, que ela não acompanhava, essa tudo mastigado, mas eles nem tem aula de leitura praticamente.

Falei pra ela. Querida, amanhã, faremos yoga, antes do café da manhã...pro "pesadelo" sumir, e o seu lado alegre vai vencer o lado triste, respirar fundo, ficar tranquila, vai te ajudar nessas horas. E ao mesmo tempo que estou a dizer isso, ela já está no mundo dela, olhando pro teto.

Deve ser muito difícil ser autista, deve ser muito difícil não ter amigos, não ter a capacidade de resolver os próprios problemas, deve ser muito difícil depender dos outros pra tudo, olhar ao redor e ver pessoas da sua idade ou até menores, com celulares, com fones de ouvido, andando na rua sozinhas, de bicicleta, mandando 'app'...o que é whatsapp? Indo pra escola, de turma, rindo, normalmente os adolescentes andam em turma.

Dominique não sabe o que é isso, não sabe o que é 'qualidade', não sabe o que é download, upload. 
Comprei lápis de cor, canetas hidrocores/hidrográficas...e disse pra ela, esses lápis não são de boa qualidade. No que caio por mim.

- Você sabe o que significa 'qualidade'? 


Não. Procurei explicar de uma forma simples, mas percebi que estava complicando. Ah! No momento isso não é importante, saber o que significa a palavra 'qualidade'. 
O importante é ela não ter pesadelos acordada, e que 'eles' lá façam o trabalho deles, como fazem...bem, mas tem os tais detalhes, que acima de tudo, são detalhes, não dá pra controlar tudo, não dá pra controlar demais, controlar...é um passo à frustração.

Esses detalhes, darei eu um jeito por aqui, na burocracia dos emails para os mentores, para a coach dela, Jacoliene. Nunca será como na casa da mãe, esse escudo de força, de proteção.
Caderno pra colorir para adultos e pra quem quiser e os lápis de cor = qualidade :-( 


Afinal hoje ela me ajudou a fazer appelflap (um doce de maçã no forno), deu tudo certo, o outro pesadelo em mega potência, o do ano de 2014 já passou, aquele sim, foi muito pior, agora é tempo de sonhar com um verão, viver plenamente essa primavera, deixar o jardim de inverno pra lá...

California dreaming. :-) 


Wednesday, March 11, 2015

Gente como a gente



A minha vida não é conceitual, aprendi comigo mesmo, que o melhor que tenho que fazer com ela é vivê-la e vivê-la BEM, muito bem cada segundo que é me é cabido.
Cada dia uma nova chance para me sentir bem, comigo.
Já não tenho mais ídolos de infância ou juventude, aquelas pessoas que eu admirava pelos super poderes da sedução de uma IMAGEM, tipo super heróis, distantes da realidade, da minha do dia-à-dia.

Elas lá no alto, e eu aqui na terra, frágil. Eu aprendi também nesses anos todos que nem o extraordinário, aquela festa, aquela viagem, aquele dia "D", aquela roupa mais bonita, aquela maquiagem mais caprichada, aquele restaurante mais fino, aquele dia mais ensolarado, aquela louça de porcelana, aquele cálice de cristal para ocasiões especial, é o mais importante.

O mais importante é o dia e as horas que nos é dado, as novas chances, o comum, o normal, trivial, o dia da semana, o mau-humor matinal, o despertador a tocar, aquela louça suja na pia, aquela pilha de papel pra arrumar, aquelas listas infinitas de atividades e prioridades, a casa desarrumada, a cama por fazer, roupas pra lavar, correspondência pra reler.

Aliás o que sempre deve ter prioridade é a vida, e ela não deve ser banal, como se a vida melhor a ser vivida fosse a do futuro, quando tivermos conseguido aquele emprego dos sonhos, aqueles amigos que se importam com a gente, os filhos 'sem problemas', o verão, as próximas férias e viagens, aquele amante mais bonito e sedutor que nos trará flores todos os dias e nos fará surpresas inimagináveis, aquela roupa pra completar o guarda-roupa dos sonhos, aquele sofá maravilhoso de design, a conta bancária com o saldo positivo rendendo juros, o peso ideal, o corpo ideal, a cabeça ideal, o network ideal. Tudo isso é lorota e nem precisamos de nada disso, é falso, não existe.
Não. A vida de verdade não é assim, ela é agora com todas as imperfeições, com todos os recalques, mágoas, perdas, choros, dores físicas e da alma, com o cabelo branco a ser pintado, a barba a ser feita, as unhas a serem aparadas, as compras a serem feitas, a poeira a ser tirada.
A vida é o que temos agora, a respiração e coisas ao redor, o resto é ideal, o resto não existe, é ilusão, é futuro. 

Cada vez mais aprecio vidas 'comuns' de pessoas incomuns, pessoas que descobriram cedo ou tarde, e normalmente se descobre mais tarde, no passar dos anos, que tudo está como deve ser, e não é necessário fugir disso ou daquilo, fugir da idade, fugir das batidas do relógio, não é preciso ter pressa de nada, e nem de ser provar e mostrar ao mundo o nosso valor.

Aqueles ídolos antigos ficaram lá, no petrificado passado (o ontem), lá pra trás e se revivem de vez em quando na minha memória como fantasmas sonhos maus e bons, que vêm e que vão, eles não me dizem nada, gostaria de encontrá-los sem maquiagem num banheiro qualquer depois do espetáculo.


Eles não me ajudam a me reconstruir depois de uma fase destrutiva, não elevam meus pensamentos depressivos, não me inspiram mais, não me encorajam diante das minhas tristezas e fraquezas, não batem na minha porta para perguntar se eu preciso de uma xícara de café ou chá quando estou doente, eles não são nada mais do que fantasmas,  objetos estáticos sem corpo físico, sem função alguma, eles não respiram.

Tudo o que me interessa são pessoas, exemplos de VIDAS VERDADEIRAS, revoluções pessoais, gente de VERDADE, que entende que a vida é para ser vivida, que se engana, se perde e se acha. No frigir dos ovos, humanos verdadeiros sem máscaras e super poderes, gente como você e como eu. 

Monday, March 2, 2015

Mães e filhos espertos


Apesar de meu filho de 15 anos usar muito o iPhone e estar muito online com jogos, youtube etc, fico feliz que ele teve uma infância praticamente LONGE de telefones celulares espertos, teve uma infância offline apenas com o gameboy (Nintendo DS).
 O Wii veio apenas aos 11 anos. E o playstation era do filho da ex do meu ex ou ele jogava na casa de um amigo ou nos jogos de computador, aqueles bem básicos de antigamente, de CD rom, e outros.
Minha filha também curtia o Nintendo DS (tinha um cor de rosa).

Lembro que muitos anos atrás, comprei um NOKIA prepaid para cada um deles, mas eles nunca deram bola, e lá vinha eu colocando pra carregar, e também colocando saldo, mas eles não ligavam, e também tinha telefone fixo em casa, como tem até hoje, não havia necessidade. Mas depois chegou a era dos smartphones...

A minha filha não sabe usar um celular inteligente, tem um tablet e laptop e é bem limitada  em ambos, no uso e conhecimento das diversas possibilidades de um computador e da internet.
Enfim. Sinto que por mais que me preocupe às vezes com algo como ela não acompanhar o que as meninas da idade dela fazem, ou ser uma semi-analfabeta no mundo digital,  pra ela nada de Instagram ou na net em geral, e também meu filho no seu mundo online, eu percebo que fiz a coisa certa, e até tive um pouco de sorte em estar um pouco atrás no tempo.

Eu sempre enchi a casa de livros (holandês/português e alguns em inglês), vídeos, DVDs, CDS de música de criança, brincadeiras, jogos, legos, playmobil, bicicletas, escorregador, bagunças, yogas, danças, meditações, quebra cabeças, tintas, giz de calçada, globo de espelhos com motor, enciclopédias infantis, fiz festas temas de aniversário sempre, barulho casa cheia, amigos pra brincar, (adoro brincar com criança que nem criança). Ambos tinham carteirinha da biblioteca, e muitas vezes, íamos na biblioteca, ler livros por lá, e retirar livros e ver livros, nos festivais da cidade, no Gay Pride em Amsterdã, fui 3 vezes com eles, ou seja, atividades lúdicas, sempre foram meu elemento. Nunca consegui ser o que não sou, brinquei muito na infância não propriamente com brinquedos, com plantas, com pensamentos, com criatividade, com natureza, de chinelo de dedo (meio de dedo) as tais havaianas, prego no pé, arranhões, joelhos machucados, casca de ferida...isso pra mim foi uma escola de vida, uma escola, muitas vezes não tinha ninguém pra brincar, ninguém da minha idade por perto ou do mesmo sexo. Ler era um dos meus passatempos prediletos, descobrir outros mundos, outras pessoas, outros espaços físicos, curiosidade é uma característica intrínsica de minha personalidade, só mudaria com uma doença no cérebro, ou com lobotomia.


Na adolescência dos meus filhos, tudo mudou. O mundo digital foi tomando o nosso espaço, os anos se passaram, antes morávamos numa casa com uma praça na frente, e sempre tinham várias criança brincando na frente, nem sempre os meus saiam pra brincar, mas sempre tinham amiguinhos fiéis com quem brincavam, ou da escola, ou conhecidos, e até eu mesma ia muito pra fora, quando o tempo holandês permitia. Desde 2010 que moro nessa casa tudo mudou radicalmente, a fase deles, a vizinhança, as escolas de ambos, os amigos, Dominique perdeu os poucos que tinha. o mundo mudou, a telefonia celular se consolidou, e praticamente as pessoas não vivem mais sem seus telefones espertos.
Lembro que o primeiro aniversário do meu filho nessa cada 'nova', ainda tive resquícios da fase anterior, FESTA em casa, os meninos me deixaram quase louca, inventei de fazer uma festa do pijama com filme Iron Man e os monstrinhos chegaram depois da escola até o dia seguinte. A comida era pizza daquelas dos motoqueiros (Domino pizza) e sessão de cinema com pipoca. O pizzaboy demorou  mais de 1 hora pra chegar, porque tinha chovido canivete, e os danadinhos subiram pelas paredes gritando PIZZA, PIZZA PIZZA,  me infernizaram a madrugada inteira também, não dormiram talvez porque tenha feito o jogo do copo pra chamar espíritos de gente morta, ou porque eram monstrinhos mesmo, e lembro que no dia seguinte lá achava eu que dormiriam até mais tarde, mas nada, estavam eles todos acordados para o café da manhã, e eu louca que a festa acabasse. Pensei, esses monstrinhos de 10,11 anos, NUNCA MAIS pra dormir aqui, ou somente uns 4 no máximo.

Pois bem. Dizem que mãe é tudo igual só muda de endereço, mas ser mãe é uma coisa que me comove, quando paro pra pensar econfesso que não me sinto com jeito de mãe, com cara de mãe, apesar de ser mãe.
Eu sempre quis ser uma mãe mais mãe, como essas mães por ai à moda antiga, mas nunca lá deu tempo pra pensar nisso, sempre fui eu mesma, mesmo sendo mãe, uma mãe presente e solitária, eu e eles, eles e eu.
Agora dá pra refletir, principalmente porque eles não estão comigo todos os dias, dá pra pensar, avaliar, relembrar, antes de achar uma ocupação diária que mudará o foco.
Antes era  acordar às 6:30 da manhã, levantar às 6:45 já engatar a primeira...até o fim do dia, durante anos e anos.
Hoje NADA se compara à antigamente (até dezembro de 2014), eles não dependem mais de mim pra viver. (só nos fins de semana/férias) e pra comprar roupas, sapatos, pagar algo da escola, coisas em geral, administração da 'papelada' que ainda continua e reuniões de escola, e do instituto onde Dominique mora, nas visitas e voltas pra casa, reuniões variadas da escola especial dela.

Mesmo assim, acredito que cumpri meu papel, da melhor maneira, pois a gente aprende a ser mãe, sendo, e se tem uma coisa que digo e repito, nada melhor do que ser mãe ou pai, quando se quer realmente isso. Esses dias alguém foi falar sobre medo no escuro. Eu quase ri. Não tenho medo de nada, nem de monstro, nem de ladrão, nem de escuro. Mãe teme outras coisas.

If you live to be a hundred, I want to live to be a hundred minus one day so I never have to live without you.” 
― A.A. MilneWinnie-the-Pooh


Às vezes desato a chorar, aliás tenho chorado por qualquer coisa, sem motivo, ou quando começo a falar com alguém sobre a minha filha na rua, me vem o choro, e não vejo a hora que apareça mais sol, assim vou poder usar mais óculos escuros.  Sei que é uma fase temporária, até tudo se firmar na minha situação, na dela. Sei que é o momento da cortina fechada pra fora, fechada em mim, uma luta que tenho que travar, deixando as coisas fluírem e pensamento positivo que tudo vai dar certo, confiar na minha boa estrela.
Jamais alguém vai saber o que significa, ficar com os filhos por muito tempo, e depois se ver assim, sozinha, da noite pro dia, é simplesmente triste, e todas as coisas, o conforto do lar, fica sem sentido, como numa valsa de fantasmas.
Sim tudo é pra melhor, mas continua difícil de engolir. A boca simplesmente não abre.


As pessoas dizem coisas pra me alegrar, que tudo vai dar certo, que vou ter tempo pra cuidar de mim, eu mesma digo isso o tempo inteiro pra me auto-convencer, mas ao mesmo tempo sinto que passo por uma fase de luto, ou sei lá o nome, não consigo simplesmente lidar como se nada tivesse acontecido, como se fosse um acontecimento corriqueiro, mesmo tendo todas as atividades que tenho, yoga, terapia, piano, afazeres domésticos, filhos nos fins de semana/férias, namorado, um lista de 'to do things', as contas batendo na porta, os galhos secos no quintal do longo inverno, a poeira que vai se acumulando nos móveis dos cômodos não usados.

É tudo muito recente, e penso às vezes que não fui tão boa mãe como deveria ter sido, houve noites que eu estava tão cansada que eu lia a mesma estorinha antes de dormir por semanas, por pura preguiça/cansaço de pegar um livro novo, e 'trabalhar' a nova estória, para que eles pudessem cair na cama e dormir imediatamente me dar sossego, sem perguntas, para eu poder respirar, ler, ver uma série na TV, um filme antes de dormir, arrumar a sala cheia de brinquedos espalhados, lavar a louça, namorar(de vez em quando durante a semana), pra poder encarar o dia seguinte. Que mesmo parecendo um dia igual, sempre foi um dia diferente, quem tem filho sabe, sempre acontece algo extraordinário. Sou no fundo uma mãe antiquada. Não conseguia ser como certas mães holandesas, o biscoito caiam pelo chão, alguém pisava em cima, e a criança comia o biscoito, e a mãe nem percebia, e eu achando tudo diferente.

Eu sempre fui uma mãe criança, dessas que não consegue esconder as fraquezas, dessas que falam horrores quando está brava, dessas que se arrepende e pede desculpas depois, dessas que diz que vai 'morrer', dessas que faz tudo para que os filhos não sofram, dessas que discute até com criança que quer 'bullying' com seu filho (a).
Muitas vezes até minha filha me consolou, daquele jeito dela, ao me ver chorar por uma frustração ou outra, uma briga com o namorado, cansaço rotineiro, e dizer.

- Você está triste? Não fica triste! Eu gostA muito de você, assim mesmo em português incorreto. Palavras mágicas vinda de uma voz de anjo como é a da minha filha.

 E assim ela passava a mão em mim, daquele jeito meio mecânico, pois foi assim que ela foi treinada na escola, se alguém está chorando, está triste, se está rindo está alegre, se está 'bufando' está brabo.

Eu não fazia como minha mãe, que dizia que tinha um cisco no olho. Eu choro(va) mesmo, me danava, a casa (quase) caia, mas jamais caia de verdade, porque ser bipolar e geminiana é uma situação difícil de explicar com palavras, a gente cai e já levanta, e não se fala mais no assunto. O próximo?

Agora percebo, que uma mãe sem os filhos, não é praticamente NADA, não tem serventia, mesmo que ela ainda continue a ser mãe, e sempre será mãe logicamente, a função em si acabou, a ação, o que resta são as memórias de todas as fases, e o amor que continua, o nome, é como uma rainha sem coroa, sem trono.


E assim os filhos sempre se afastam *fisicamente de suas mães. Até pensei que no caso da minha filha até seria diferente, mas no momento não é, ela está lá onde está, e está bem, e não precisa de mim.
Acredito até quando ela me liga, e diz: 'estou com saudades'. É algo que acontece porque ela tem na memória, o tempo que estivemos juntos, e sim, volta e meia sente falta, porque ela é autista, mas sente.
E claro para uma mãe, a felicidade, crescimento, desenvolvimento e independência dos filhos, é a maior felicidade que uma mãe possa vir a ter nessa vida, mas como já disse anteriormente, eu sou uma mãe criança, eu choro, eu sou e vou continuar a ser eu.


Prefiro acreditar que fiz o que deveria de ter feito, aliás eu fiz o que fiz, passei longos anos que agora nem tão longos se parecem, dia após dia junto deles, fui mãe deles com muito prazer, mesmo nos momentos difíceis quando tudo dava errado.
Eles cresceram sem smartphones, olhando nos olhos,nós 3, olhos sorridentes, olhares distantes mas eu sempre com o olho neles, eles brincando no canto deles, ou olhos cheios de lágrimas como os meus agora, ou às vezes os deles. Mas agora olhos em direção à um futuro promissor de muito amor, de mãe, incondicional enquanto viver.

Wednesday, February 25, 2015

A dieta da vaca holandesa

"Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos." Clarice Lispector. 

Foi dada a largada para a temporada das vacas, os alquimistas estão chegando, e com eles as vacas e as magras: muuuu. Mas como as vacas são holandesas elas dizem: boe = buuuu.
Preciso estar pronta: e digo repito Shakespeare: 'Estar pronto é tudo.".
E sabe de uma coisa? Que venha, adoro desafios, e desafios existem pra nos empurrar pra frente, para nos tirar da mesmice e sairmos da desconfortável zona de conforto, afinal chega de se esconder, dissimular, e se perder e se achar...(risos)  meu momento chegou, e literalmente a vaca aqui está gorda demais, hora da dieta, a aposentadoria chegará, mas vem cá? Ainda não quero sair de cena. 

Recentemente minha filha foi morar num "Instelling", numa Instituição para pessoas deficientes de diferentes idades, necessidades, condições. Quem me acompanha, sabe que ela é autista e tem uma deficiência intelectual. O que vem a ser essa combinação?Digamos que ela sempre (por toda a vida dela), precisará de monitoramento, presença de um adulto responsável. Dominique não faz praticamente nada sozinha, a não ser dormir, comer, caminhar, essas coisas básicas. Ela sabe ler e escrever e fala, mas não faz perguntas, e tem um outro sistema operacional que nem uma amiga minha costuma falar sobre no site Autimates.
Ela é linda, e morro de saudades dela. Mas ela está bem, e volta e meia a gente se vê, finais de semana, eu faço visitas...e assim caminha a humanidade, e meus dias se passam, meu filho também aparece de vez em quando, está aqui nas férias nessa semana, tudo mudou na minha vida como mãe.
A princípio ela ficará até 9 meses por lá, mas depois irá para um lugar definitivo, escolhido pela comissão de saúde que estuda o caso dela e por mim, estou torcendo para que seja na minha cidade, mas tem uma lista de espera bem grande por aqui, e talvez seja por lá (cidades na região), deixa a humanidade caminhar, preciso ir também.
Ano decisivo na minha vida então, ano de 2015, ano de me colocar em primeiro lugar, prioridade número UM, EU, euzinha...e apertar os cintos, daqui pra frente preciso procurar uma ocupação prazeirosa, um trabalho de preferência fora de casa, ainda estou a pensar qual direção tomar, mas me manter em movimento já é um bom começo, ficar parado é poste que nem diz José Simão, e os cachorros fazem xixi no poste, sede e fome de endorfinas como sobrevivência. Depois de anos em casa com muito amor e dedicação aos meus filhotes, ainda estou planejando e me organizando para a mudança derradeira, mas a mudança maior já aconteceu, não estou mais todos os dias com meus filhos, estou com espaço, tempo, vontade, e necessidade para não sucumbir. 
 Resolvi apertar os cintos porque sim, minha vida financeira precisa se manter saudável, parei de fumar (há quase 3 anos), nessas economizei quase € 4.000 e fora a saúde que agradece, pulmão clareando, et cetera et cetera, comprei um piano no lugar, flores, velas, luminárias e quinquilharias que nem sei. 
Bom, já tenho uma bicicleta, aliás 2 (uma sem marchas tipo bicicleta do vovô como dizem aqui, e outra com marchas, que ganhei de presente). Tenho passe de trem que pago uma taxa anual de € 60, e tenho 40% de desconto de trem (quem viaja comigo de trem, também tem desconto, posso levar até 3 pessoas), porque os trens são caros na Holanda (TKT sem desconto: Roterdã/A'DAM/Roterdã custa € 30, frown emoticon ...opa é mais barato ir pra Paris. Enfim, vou continuar...a andar...

Roupas? Meu guarda-roupa está lotado, e nunca tenho o que vestir, mas vários 'little black dresses", sapatos, botas, etc, ou seja, à quem quero enganar?
Acabou, daqui pra frente vigorará a criatividade nos acessórios, penteados, etc..pois meu cartão de crédito vai entrar em hibernação, compras só à vista, até sanar todo o saldo do cartão. Novos ventos soprando nesse final de mês de fevereiro, as águas de março chamando a primavera, e assim, abril, e maio...e mais vida lá fora.

Já não gasto mais em revistas caras: livros? Estou com uma pilha pra ler para os próximos 2/3 anos. E tem a biblioteca pra ver todas as revistas do mês corrente, de 'graça'...normalmente bebo um capuccino por lá um caffe latte, mas daqui pra frente, vou levar meu próprio 'chimarrão', e de quebra, conhecer umas pessoas, pois qual o louco que sai na rua tomando chimarrão? O meu irmão, o Horácio Indarte
...se ele não está com o chimas, ele está lá na praça Roosevelt em São Paulo com a Mona Lisa dele. 

A partir de agora também, quem quiser ter o ar da minha graça, vai ter que conversar comigo em 'off', e marcar um programa amigo low budget. Até segunda ordem, vou ter que me recolher que nem Greta Garbo. Viagem ao Brasil? Só se for de 'negócios', investimentos. Why not? 
Energia elétrica/gás: já mudei para uma companhia mais econômica, e a lei é, aquecimento só nos lugares onde transitam pessoas, nesse imenso casarão de 5 cômodos. Restaurantes? O 'go Dutch" vai ficar pra depois, mas convites são bem-vindos! Brincadeira, comida em casa, é sempre mais gostosa, restaurante é bom, mas em ocasiões especiais, senão vira festival de lugar comum, sempre pra mim o mais importante é e sempre será a companhia, a gezelligheid, o realce, o palco.


Compras? Nada de colocar pães fora (mon dieu, e a quantidade que foi fora?), essa coisa de fazer torrada...não funciona), é muita torrada, pra pouca gente, ou de beber vinho como se não houvesse o amanhã, mais frutas...compradas na _________feira, às quartas-feiras e sábados, não precisa ser na xepa, não me xoxa, brincadeira tenho preguiça de feiras, vou quando acho que devo, e o supermercado fica a 3 minutos a pé da minha casa, com o cartão 'bonus', recebo muito descontos de promoções semanais, quem mora na Holanda sabe do que estou falando. 

Aulas particulares de português, yoga e meditação como coach, trabalhos de tradução (português/holandês), fico com seu gato/cachorro temporariamente (claro depende do cachorro, eu hein? e gato se for preto terá a minha preferência, uso muito roupas pretas), levo seu filho/trago da escola, escolinha, empurro o moleque no balanço,  o acompanho na natação, na esgrima, na aula de música se não coincidir com os dias da minha aula de piano claro, idéias, idéias e idéias em tempos de coléra, ops de crise. Crise? Acho que desde que nasci o mundo está em crise. E nem é uma questão de ser mão de vaca, é tendência mesmo, não existe uma maneira pra vencer, se não houver suor, brilho e devido valor as coisas que não se compram e sim são conquistadas.

Mas o que eu realmente queria e quero é fazer turismo receptivo sob medida na Holanda e Europa, viajar sempre foi e será uma paixão (sou diplomada), te acompanho, dou dicas que você nem imagina! Meu toque pessoal será pessoal e sob medida, nada de clichês, é só falar comigo (é fácil de me achar online = inbox), tá vindo à Holanda? Beleza, as flores estão chegando juntamente com os alquimistas, a primavera vem ai. Uma coisa sempre puxa a outra, mas é preciso tentar, arriscar a ter algo para no futuro ser meu próprio negócio, essa coisa de trabalhar para os outros, nunca foi meu forte, sou muito dona de mim, apenas tenho que ser realista, abrir um negócio até se abre, mas fora conhecimentos, aqui o Leão, dá uma mordida boa de 40% do seu lucro, ele será seu sócio, é preciso não se assustar do rugido. 
Nesse aperto de cintos, nessa vaca magra, o grande negócio é saber que tudo na vida é temporário e GG já sabia.

[...]
Essa aparência de um mero vagabundo
É mera coincidência
Deve-se ao fato de eu ter vindo 
ao seu mundo com a incumbência
De andar a terra, saber por que o amor 
Saber por que a guerra
Olhar a cara da pessoa comum e da pessoa rara
Um dia rico, um dia pobre, um dia no poder
Um dia chanceler, um dia sem comer
Coincidiu de hoje ser meu dia de mendigo
Meu amigo, se eu quisesse, eu entraria sem 
você me ver, sem você me ver, sem você me ver

O que vai permanecer? Minha curiosidade, minha essência,  minhas aulas de piano, minha cara de pau, meus 'escritos', minhas viagens anuais pro SOL, Grécia (chamou chamou?) Kalimera!



E mais,  minhas visitas, meu cineville, citytrips (London calling] minhas caminhadas, pedaladas, picnics, meu doce sorriso colgate palmolive smile emoticon, jantares kaZamigas, trabalho voluntário (permuta) e lindos zzzzonhos em meus brancos lençóis 100% algodão e nada de pesadelos até as vacas voltarem do brejo e decidirem engordar. Beijo me app!

Tuesday, February 10, 2015

Prelude Op. 28 n. 4 in E minor - Chopin



Ando tão fora 'do mundo' dos outros, e mais ainda quando abro a minha boca socialmente, em grupos, onde nem todas as pessoas dividem a mesma linha de pensamento ou interesses.
Sem perceber criei um mundo meu particular, que é às vezes tão lindo, e difícil de dividir, pois não interessa à ninguém, ele é só meu, não tem tradução.

Em grupo preciso brincar de faz de conta, de esconde esconde, o que eu realmente não acho fácil, mas sendo diplomática, assim o faço, para o bem de todos, pois em grupo também descubro uma outra faceta minha, inexplorada, e exerço mais do que nunca a virtude chamada paciência.

Tenho a impressão que vez ou outra minhas idéias soam como as de uma vida de eremita, ele(a) que saiu há pouco de uma caverna nos confins de uma floresta abandonada, ficou lá a meditar e a viver de uma forma austera, a comer frutos maduros que caiam das árvores, e caçar para sua subsistência, se proteger das intempéries, sem muito alarde,  sem participar de nenhum evento cotidiano, mundado, ficou lá à mercê sem cuidados com higiene, cheio de sujeiras e fedores rodeando sua matéria, mas com a mente e alma a levitar enebriadas de aromas de rosas, folhas secas e molhadas após a chuva, galhos, jasmins, lavandas, cheiro de terra odores esses flanando em seus pensamentos em contato da rica, prazeirosa e auto-suficiente mãe natureza, leve como uma pluma, em uma outra esfera, uma realidade antagonal à maioria de nós pobres humanos entupidos de perfumes embalados pelo suor de um trabalho quase que escravo, reclamamos quando a água não sai de nossas torneiras, ou de um problema de ordem supérflua em nossa vã alienação.
Estamos nós aqui, a pensar em nossos cabelos brancos ou ralos, em nossas rugas que aparecem dia após dia, cheios de deveres e afazeres, obrigações, conceitos e preconceitos pois vivemos cercados em grupos (casa/trabalho/vida social), como escudos de proteção de um mundo repleto de arapucas, perigos, buracos, areias movediças, maremotos, terremotos, invasões bárbaras, vírus.

Somos felizes em nossa ignorância, rimos de nós mesmos, e assim os dias se sucedem, um após o outro, bestas até acordarmos  realmente e VIVER, conforme queremos.



Mas o nosso ermitão, ficou lá naquele lugar, não para esquecer o sentido da vida, mas realmente viver de uma forma anti-convencional, livre, refúgio sem limites e também para não se contaminar com o pensamento alheio, não se deixar influenciar, e não prestar contas com ninguém.

Sim, porque as convenções, a sociedade no sistema capitalista, faz com que façamos COISAS o tempo todo, precisamos trabalhar para o ganhar o pão nosso de cada dia, ou arrumar alguém pra ganhar pela gente. Precisamos não pensar demais nesse pão, não encucar demais, precisamos beber pra esquecer, lembrar pra esquecer novamente, comer para esquecer.

Pagamos sempre um preço para ouvir Chopin, nocturnes/etudes/waltz/preludes...

Eu não consigo ficar sem ouvir Chopin por muito tempo, ou Bethoveen, ou Bach, ou qualquer música que queira ouvir que me transporte para essa floresta, para esse mundo que criei pra mim onde sou a verdadeira rainha e lembrando de minhas aulas de latim SERVAE DOMINAS AMANT. As elocubrações foram tantas nesses anos todos, os sacrifícios se transformaram como vinagre ao vinho, que atingi o âmago do âmago, uma vida bela de arte, conhecimento, que a solidão se tornou solitude.


Minhas infindáveis descobertas, as cores que me cercam, o pensamento do amor ideal, o que o que o futuro me trará de bom, de melhor?
O que é melhor que isso? Que esse estado? Que a idéia de aprender cada vez mais, de conhecimento, quantas vidas serão necessárias?

O que é mais belo que ouvir essas notas musicais umas ao lado das outras, nos encantando com esse presente maravilhoso em forma de prelúdios e tudo que virá depois?

Por que muitos não percebem onde está a verdadeira riqueza, que é a imaginação, a criação, a criatividade, a fantasia de um mundo criado do jeito
mais sublime que há, o mundo da beleza do conhecimento, sabedoria? A riqueza interior?

Toda a minha riqueza até agora, veio da fortuna de ter meus talentos, de ser a pessoa que sou, que me formei e transformei e me transformarei até
virar pó, todos os meus amores, quem amei e continuei amando, todos que eu pertenci e que pertenceram a esse templo maravilhoso, meu corpo, e minha energia.
Jamais consigo pensar numa vida de RIQUEZAS, sem pensar no quão rica eu já sou, por ser eu.


Isso assusta, porque poucos entendem. 
A maioria das pessoas creio eu, pensam que há algo de fora, que de repente uma magia vai acontecer, e elas de repente, serão belas, ricas, bem torneadas, magras, morarão em palácios repletos de serviçais, usarão as roupas mais lindas e mais caras, serão amadas por todos ao redor de uma forma avassaladora, dominarão o mundo, admiradas, por suas formas, a juventude eterna que acham que possuem. E andarão em tapetes com todas as cores dos arco-íris. Elas se esquecerão as sujeiras que fazem...viverão nessas gaiolas douradas para mostrarem o quão fúteis, parasitas, fracas, inseguras, medrosas são pelo resto dos anos de suas vidas vazias, fracassadas, inúteis, precisam ser salvas com a luz.

Cada dia que acordo, levanto daquela cama, e algo me empurra a completar a minha OBRA DE ARTE, nada de pintura, escultura, nem ópera, nem composição musical nem mesmo uma valsa, não sou jardineira de nada, meu talento artístico SOU eu e minha forma de expressão, meus pensamentos, o que sou pra mim.
O que escrevo, como me visto, como falo, o jeito de sorrir, de chorar, a maneira de ser e viver, a chícara de café que esvazia, o bule de chá, o lenço de papel, as idas ao banheiro, os livros espalhos pela casa, o olhar pela janeira pra ver como está o tempo lá fora, programar uma pequena viagem na minha imaginação, usar minhas agendas de papel, folhear revistas, me rodear de pequenas belezas e seus detalhes.


Essa é a recompensa pela minha ARTE, ser agraciada por um nome tão lindo de família como é indARTE, é mais do que habitar qualquer conto de fadas tropicais, e além de tudo ter um Borda, que é bordar, pintar a (Ind)arte e Bordar no Borda...incrível essa divagação, viajar, é pra lá que eu vou, fui, cheguei...parto novamente.

Essa viagem é tão dentro, que quando vou pra fora, colocar em palavras preciso ser clara, ter a obrigação de resumir, tudo o que não sou e nem quero ser um resumo, esses limites impostos de métricas e tempos, uma volta ao passado que já passou e nada mais é do que memórias.  NÃO ULTRAPASSE, dizem os cautelosos, de seus limites. Vá só até lá, até determinado ponto, porque se você for acolá, vai dar nisso ou naquilo, e tendo aquilo, vai dar tudo certo depois da aposentadoria, e você terá então um enfarte e MORRE(rá), de corpo físico porque já estava morto vivo.
E se não der certo, como sempre tem algo que não dá, você viveu intensamente, aprendeu. Pois a lição foi a prendida, se não for pra ser eu mesma, traga-me a morte, precisamos conversar!