Wednesday, December 31, 2008

Cartas de Barcelona


Os índios Aymara, que habitam há séculos as margens do lago Titicaca, nos
Andes, defendem a necessidade de sete diferentes tipos de paz.

A primeira é para dentro de si.
Consigo próprio, na saúde do corpo, na lucidez da mente, no prazer do seu
trabalho, na correspondência de seus amores.

A segunda é para cima.
Com os espíritos de seus antepassados, com a vontade de Deus.

A terceira paz é para frente, com seu passado.
Nossa cultura ocidental põe o passado para trás. Já os Aymara põem o
passado
à frente, porque ele é o conhecido, o visto, o vivido.

A quarta é para trás, com seu futuro, o que não podemos ver.

A quinta é para o lado esquerdo, com seus próximos.

A sexta paz é para o lado direito, com seus vizinhos.

A última paz é para baixo, com a terra em que você pisa, de onde virá seu
sustento.

Paz em 2009!

Amor em 2009!

Beijos Vilma (de Barcelona)



Querida Vilma,

Estou indo para Amsterdã hoje - na casa de uma amiga...
e iremos numa festa de amigos num local onde era uma loja brasileira de artesanatos indígenas, A PATROPI...coincidentemente ou não, essa minha amiga dona da loja, possui uma porcentagem de sangue indígena, e eu também...tribos diferentes, sabedorias semelhantes, assim como esses índios ai dos Andes.
A vida de índio às vezes condiz mais com a minha realidade guerreira, mutante, livre.

A dona fechou a loja e está indo p/ uma temporada na India...fazer yoga...por quatro meses, deixará o filho de 12 anos com o pai...

Faz um bom tempo que faço yoga, depois que recebi o diagnóstico da Bipolaridade...mas faço numa escola em Leiden
e em casa, os resultados são fantásticos, e é um tempo pra mim mesma...e pro meu equilíbrio emocional, pra minha paz interior...pra cuidar da minha vida de índio.

Estou em paz agora...sei lá qual delas, mas como dizia Drummond...

- Tem uma pedra no meio do caminho...sempre....

Minha filha Dominique ficou com cachumba (mesmo vacinada) mas ficará com o pai...volto amanhã...com dor no coração
irei nessa festa...tão estranho isso. Logo nesse ano que vou pra outra cidade, sempre passo por aqui...assistindo os fogos na praça em frente a minha casa.


Te desejo uma virada de ano, de muita PAZ, alegria, e que no ano de 2009...em todos os dias, vc encontre a saúde o suficiente para seguir em frente...o resto todo vem.

Então pra mim essas são as pazes:

- paz consigo, paz física, paz espiritual, paz na mente
- paz com os outros, e com a família, pessoas ao seu redor...e diferentes relacionamentos com elas...
- paz e esperança sempre num PRESENTE melhor
- paz em saber que temos tudo o que queremos e assim...somos agradecidos pelo universo...e nossa luz é eterna.


Um explêndido 2009 pra você e para os seus!


Bebete (que um dia pertenceu como um grão de areia na terra Basca, que um dia foi índia, que um dia foi o que é agora, luz e bicho humano)...


PAZ - Gernika coloquei isso de uma rapariga mais vermelha do que eu...

Saturday, December 13, 2008

Bandeira branca ao AMOR PRÓPRIO


Há cinco anos atrás eu conheci uma pessoa que entrou na minha vida de sopetão e permanece até hoje, SIM 13 de dezembro de 2009, eu fui jantar com essa pessoa pela primeira vez na minha vida, e como já falei nesse blog, ele foi muito honesto no primeiro encontro, mas pela maneira de falar eu senti que era um garoto "problema"..
Sim, hoje fariam 5 anos de relacionamento. Mas oficialmente acabou dia 9 de setembro do corrente.
Conheci com essa pessoa que foi mais um tipo de montanha russa. Minhas relações amorosas, normalmente são um desastre, oops foram, mas nem todas, tive muito bons momentos, com pessoas que passaram pela minha vida.

A minha primeira relação longa quando era jovem, foi uma exceção.
Tive muitos namorados, muitos mesmo, uns duraram uma noite, um dia, um mês, três, seis meses, 5 anos, 6 anos, 6 anos e meio, 7 anos...mas agora parece que toda aquela cortina de quantidades e anos em minha vida divididos com alguém, se fecharam...é sempre um novo, diferente, expectativas, corpos, almas, vozes, mentes.

Agora tudo é novo pra mim, eu deixo a corrente me levar.
Quebrei sem querer todos os padrões nesses últimos anos, aliás desde que comecei a ter um relacionamento atrás do outro.

Antigamente, sem questionar estava a procura de homens, namorados, querendo que alguém me achasse legal, e que eu achasse legal também, era muito normal sair pra dançar e catar uma vítima, e pelo visual e jeito, a gente via se ia rolar algo ou não..
A máscara caiu....os anos passaram.
Hoje felizmente, com 48 anos de idade...me sinto completa, querida, e não como Cristina, "eu não sei o quero, mas sei o que não quero"do último filme de Woody Alle (Vicky Cristina Barcelona)...eu sei o que quero e sei o que não quero.
E não quero ninguém. Não quero ninguém atrapalhando meus projetos, minha vida, meus sonhos, meu sono, minha beleza como ser humano completo, minha família.

Não quero mais me apaixonar como já aconteceu, não quero um corpo pra me esquentar, não quero marido, não quero mais filhos, já tenho.
Quero um amigo, só isso - um amigo.
E o que acontecer depois, e se acontecer é lucro.
E se aparecer fast love também está ótimo.
E vou saber reconhecer, quando for só sexo, e quando for alguém especial e pronto.

As pessoas entram na vida da gente de mansinho, aliás...a gente dá a chance e busca a oportunidade pra colocar pessoas em nossas vidas, que projetamos todas nossas carências, frustações, dores do passado mal resolvidas e muitas vezes pelo temor de se ficar sozinho (até a morte os separe), ou no inverno frio.

De preferência quero pessoas pertos de mim que digam:

- Você é muito legal.

Mas seria uma grande besteira dizer:

- Sem você eu não vivo, vou morrer...ninguém morre assim, a não ser que tenha uma depressão profunda e se mate ou que um carro passe por cima, bala perdida também se perde vidas.

A outra grande besteira, a imaturidade romantizada...de um futuro pra todo o sempre até que a última chama se apague, e tem gente que acredita.
Eu mesmo acreditei...
E a chama se apaga de qualquer forma, não só porque se deixa de amar, ou porque nos desapaixonamos, ou porque temos incompatibilidades de "gênios", mas porque simplesmente acontece, quando não é pra ser não será e pronto.

Quando relações turbulentas acabam simplesmente, morremos, nos afastamos de nosso propósito individual, exigindo do outro algo, que ele nunca nos dará, que é a nossa própria felicidade e auto-conhecimento. Ficamos na guerra entre egos, e ninguém quer ceder, porque mesmo que um ceda, o outro não, a distância entre mentes é muito grande.
Ficar sózinho é muito relativo.
Não ter companhia pra fazer o que se gosta é outro papo.
Sonhar ter alguém do lado, como idealizamos...eu não acredito mais.
Não que esteja sendo despeitada e querendo falar daqueles que estão namorando ou casados e estão felizes juntos, se respeitam, crescem juntos e são companhias amigáveis recíprocas...se amam e se gostam e se admiram. Estou falando de mim, e do padrão de relacionamentos que tive em toda minha vida.
E fique bem claro que eu não me arrependendo de todos os relacionamentos que tive, não...porque senão estaria escrevendo aqui sobre superficialidades, celebridades(leia-se vida dos outros), e outras bobagens mais.

O amor chegou muito cedo na minha vida, o verdadeiro amor.
Aquele que todos sonham e ouvem falar.
Aquele de encontrar o amigo o amante o protetor o professor, e mesmo na separação de corpos...a admiração mútua se prossegue e a felicidade do outro em questão é muito mais importante do que FICAR JUNTOS.
A importância que se dá ao outro, e o dharma é para sempre, aliás agora que eu entendo o significado da palavra DHARMA, que aprendi nesse ano, e pela minha sede de compreensão e entendimento prático da espiritualidade que me encontro desde que me conheço por gente.
Mas como me mãe fofa sempre dizia, "há o momento certo pra tudo, cada coisa tem sua hora".

Como isso me aconteceu muito cedo(amor), e por imaturidade...achei que isso era o normal, o natural...fui aos poucos crescendo, e evoluindo e percebendo que não é tão "assim" como eu achava.
Nunca encontrei nenhuma, mas nenhuma pessoa com a mesma intensidade de amor, no mesmo nível de comunicação, afeição, deslumbramento, entendimento intelectual e espiritual, NUNCA.

E busquei, busquei inconscientemente...a mesma pessoa em diferentes rostos e corpos, mas nunca fui amada e amei com a mesma intensidade, nunca.
Por que seria, me perguntava?
Existe aquela besteira "one love"?
O universo se fechou, se abrindo pra experiências diversas, onde aprendi e como posso garantir.
Aprendi, esqueci, errei, cai, levantei, levante, cai de novo...e assim vou até os 100 anos acho, lá no asilo, cega e surda, mas creio que as burradas vão diminuir daqui pra frente.
Consecutivos dramas se desenrolaram na minha vida.
Consecutivas formas de encontrar no outro o vácuo que estava me faltando com o tal de outro.

Recentemente encontrei um moço, muito mas muito carinhoso, uma pessoa fantástica. Motivo pelo qual não estou emotiva hoje. Não sinto que amo meu ex mais, como o amava, aceitando tudo dele. Eu o amei, mas a falta de sensibilidade pra ele entender a minha pessoa, deixou muito a desejar...então ainda estou tentando entender que tipo de amor era aquele, e se é realmente amor, ou equívoco.

Agora é a hora de deixá-lo falando sozinho, porque ele ainda quer guerra.
Hoje mesmo recebi um email gigante dele, sobre todas as ASNEIRAS, CULPAS, e péssimas atitudes que tive nesses quase cinco anos, segundo o próprio.
Como se ele fosse um santo, e com a conduta impecável.
Como se adiantasse fazer agora uma análise do que já passou, como se mudasse o já feito, como se eu não fosse uma boa pessoa, igual a tantas outras que tentam acertar num relacionamento, se envolvem mas cometem falhas porque todo mundo comete.
A situação e as palavras das correspondências dele eram quase que patéticas, porque ele diz que vai me dar até $, pros últimos dois anos que não contribuiu...como se eu o tivesse cobrando, gosto de presentes, mas também gosto muito de dar, e não quero em troca, principalmente coisas materiais. Talvez seja a forma que ele encontrou de se redimir do que me fez.
Mas creio que não passa na cabeça do sujeito a palavra:

- Desculpa se te magoei, se não te entendi, me perdoa por o mal que te causei.

A inteligência emocional dessa pessoa é quase zero, em termos de AMOR, uma das palavras mais difíceis de serem interpretadas, faladas...porque todo mundo sabe, o amor simplesmente EXISTE, ou não.
E a maneira de ele expressar o AMOR dele é com palavras ríspidas, você é uma DOENTE, precisa fazer terapia. (Minha psiquiatra só não me deu alta porque eu nunca fui internada, e estou há mais de 1 ano ESTÁVEL)...

Eu tento não pensar com o ego, e devolver a altura, porque até bem sei que ele não teve amor materna, um lar conturbado, cheio de atritos, ou seja, me baixar ao nível de egoísmo e incompreensão dele, não, tenho dó...porque apesar de tudo, foi comevente o final, ele dizendo que eu sou a número 1 no coração dele, como se eu fosse me comover que esse blablabla.
O que significa isso?
Deve ter "trepado" com outra e confundiu as coisas, agora que ele não me TEM mais à sua disposição.

Eu cansei.
Eu cansei de tentar entender.
Eu até poderia dizer que eu cansei de AMAR, de entender...e de tentar entender, uma pessoa tão contraditória, que me desequilibrou drasticamente, me humilhou, diminuiu, e me fez ficar com raiva de mim mesma, de quase me odiar...o que não fiz, mas fiquei doente, sim...ADOECI.
Adoeci, e lembro muito bem, quando meu médico me receitou uns calmantes, e eu fiquei BOAZINHA, ele voltou...porque eu estava BOAZINHA, uma planta, um vegetal, sem opinião
ficava sentada na poltrona, e não ousava dizer muito, pra não contrariá-lo, para ele ficar, só porque o "amava"...e não queria perdê-lo.
Viciei nele, viciei no sexo...viciei no corpo...como se fosse heroína...e em cada briga, em cada afastamento, distãncia...ficava doente, entrava em pânico, fazia loucuras...sem a minha droga.
Até que no ano passado, 31 de dezembro de 2008...quando foi a última vez que ele me deu o fora, caiu a ficha. Eu levantei. Eu levantei e fui festear...e me arrumei, e coloquei o meu sorriso e minha vontade de viver, com a promessa que 2008 seria assim. Lágrimas secas, e fui me fechando, fui me fechando, me encolhendo, me adorando, me descobrindo, me conhecendo e me amando. Até aparecer alguém muito doce, mas muito mesmo, ao natural...que disse que eu também era um doce.
Que eu era legal, muito legal.
E eu de repente, acreditei nisso porque vi nessa pessoa, uma outra...mas muito legal.
Me deixei levar.
Somos amigos.
Gostei e percebi que quero ficar comigo, só ou acompanhada, quero fazer tudo o que quero e não quero mais cair no conto do vigário, nem do bispo nem do papa.
O que vier, não me interessa.
O que me importa agora é como estou, onde cheguei, aqui...junto de mim.

E não quero mais me perder nesse bloco do Amor, porque definitivamente achei novamente a máscara real do amor próprio.

Wednesday, December 3, 2008

Blindness


Tá difícil de sair de casa pra ir ao cinema nesse final de ano.
Só tava passando coisa que não estou muito interessada de ver nos cinemas da minha cidade, e com esse frio, não tenho o mínimo ânimo de ir pra Haia, ou Amsterdã...sózinha.
Sim, porque vou ao cinema só sem nenhum problema, mas se é pra ir ao cinema por ir, fico em casa assistindo um DVD ou mesmo na net, que estou me divertindo bastante.
No Brasil nem dava pra ir só, sempre tinha companhia, sempre tinha coisa boa passando, mas isso também já passou...porque eu tô escrevendo isso?
Bom, essa é as desvantagens de morar no frio, e em cidade pequena...mas não posso nem colocar a culpa na cidade, porque até tem bastante atividades culturais, meu tempo livre que é escasso, sexta ou sábado a noite...então em média, são 6 dias no mês que tenho livre pra ir ao cinema a noite.

Sábado passado descobri um filme bom pra ver, Blindness. Mas estava me sentindo um pouco envergonhada pois não li o livro em que o filme foi baseado, o livro que quase todos que se interessam por literatura da língua portuguesa deveriam ler, o Ensaio sobre a Cegueira, que quase todo mundo sabe foi o primeiro romance na língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de literatura.Eu fiquei toda arrepiada com a notícia na época, e queria correndo ler, mas acabei deixando pra depois, e o depois não chegou.

Como assistir o filme antes de ler o livro?
Facinho fui mesmo assim, porque queria mostrar pro meu novo amigo, que o diretor era um brasileiro, e que era baseado no livro em português, pra holandês iniciante é uma aula de cultura estrangeira, e ele agora está tendo contato direto com a minha cultura, a minha língua por enquanto não, porque só conheceu duas amigas portuguesas que falam inglês. Mas está interessado em sair comigo, em ficar comigo nos finais de semana. Nos dias de semanas ficamos namorando por SMS, apesar de morarmos na mesma cidade, e já é bem-vindo no meu mundo, de cinema, na minha música, meus amigos, minhas festas, no meu coração porque é uma pessoa ímpar...(filhos vou deixar pra mais tarde).

Tenho as crianças, ele tem o trabalho, enfim.

É estranho se ir ao cinema quando se está assim como eu tranquilamente apaixonada...sim é assim que me vejo.
Se vai de mãos dadas, fica-se junto, grudado...de vez em quando um olhar no escuro, só não rolou beijo que o filme não tem nada que combina com beijo, só no intervalo no meio do filme, muito comum aqui onde moro, pára tudo, se toma café, cerveja, vinho, chocomel, fuma-se um cigarro lá fora...e fumar junto é tão romântico.

Um certo desconforto inicial, me lembrou Dogville...aquela tela esbranquiçada, aquele povo sem enxergar nada, como eles se sentiram?
Qual o tipo de laboratório que fizeram?
Que cidades eram aquelas?
No livro era Lisboa, mas reconheci algumas partes de São Paulo, seria Itália também?
Não sou tão viajada assim pra reconhecer o background daquele caos todo.

M A G N í F I C O, incrível...e depois de vários dias, ainda estou com tudo aquilo dentro da minha corrente sanguínea.
Fernando Meirelles cometeu umas gafes, li depois ...mas o todo, ficou divino.
E a vontade louca de sair lendo o livro, o original em Português luso, que vou ganhar do meu irmão quando ele vier pro Natal.
Obra de arte total, aquilo que você raramente vê nos dias de hoje no cinema, que criatividade, que pathwork de temas, político, social, humano.
Que raiva que me deu, que sensação estranha, gosto disso, porque chega uma parte da história que tudo fica redondinho.
E não poderia ser de outro jeito, que mente.
Não sou lá boa crítica...mas é diferente, de quase tudo que já vi, mas ainda me lembra Dogville, no lado da maldade que emanada de certas pessoas, em situações conflitantes, de poder, de sobrevivência - salve-se quem puder, only the strongs will survive, mas não na força física, na clareza de poder ver, depois li que o Saramago mora numa ilha por 14 anos, mora ilhado...com a mulher, numa ilha vulcânica lá nas Canárias...

Como essa metafóra da cegueira, ilustrou bem o que se passa ao nosso redor, dentro de nós.
Lembrei-me dos meus tempos de infância, quando faltava luz, nos reuníamos ao redor de uma vela, ou lampião...e ficávamos contando causos...no nosso alpendre lá no alto da Visconde Duprat, olhávamos as luzes ao longe, contávamos estrelas, estávamos unidos, e inconscientemente dáva-mos vazão ao nosso lado caloroso,contávamos anedotas, minha mãe sempre na retaguarda, ouvindo neutra, na minha grande família do sul do Brasil, unidos, éramos felizes quando faltava luz...mas logo ela vinha, e alguém dizia.

Chegou a luz, e aquele elo criado no escuro entre a gente, se evaporava com a claridade...ficava até um constrangimento no ar, não era a mesma coisa, tinha que ser melhor com a luz, era melhor aquela eletricidade toda, mas nos distanciávamos.
Cada um ia pro seu canto, achando que assim era melhor, na nossa cegueira.
E diz o ditado popular: o maior cego é aquele que não quer ver...
Mas eu acho até que nem é uma questão de querer, ele é cego porque só quer enxergar com os olhos, mas só os olhos é muito pouco.
Meu óculos novo ficará pronto em duas semanas. Meu novo amado, ajudou a escolher com muita paciência a armação em várias lojas, aliás eu escolhi...e depois levei-o pra confirmar, se tinha o aval dele ou não. E ele não pode negar a sobriedade e sofisticação de Paloma Picasso e rendeu-se.

Quanto ao filme, meus amigos.

Vejam com vossos próprios olhos!

Wednesday, November 26, 2008

Amor, pão e circo


Hoje sai da aula de yoga semanal cantarolando(pratico também em casa, viram?)mas é muito melhor sair de casa, e ir até um determinado lugar...em casa sigo todas as recomendações da professora, mas na escola também tem o contato com os outros...fica num prédio antigo, belíssimo, onde há vários cursos ministrados, pintura, escultura, tai chi, computer, fotografia digital, cinema, e também concertos, festival,curso de idiomas, num canal no rio Reno, tudo é tão romântico, lírico quando a gente quer e pode.
Há mais de 100 anos...sim, 100 anos existe a Volkshuis (casa do povo).

Pertinho da escola, caminho para todos os lados, mas tem uma ruela que gosto muito...tem uma loja de CD's e DVD's muito intimista a Plato, onde fiz amizade com um vendedor que também produz música e está no meu MySpace, coincidentemente ele viajou pro Brasil e arrisca umas palavras em português.
Como devido aos acontecimentos do final de semana passado, o final de semana mais frio até o momento, até nevou, e mais um segredo que eu não conto (ainda).
Eu me via cantarolando a música "Ando meio desligado..."

O que você acha desse CD novo Tropicália?

- E ele me respondeu, muito legal...


Por fora tava bem bonitinho, a diagramação o design gráfico tava um xuxuzinho...e ele até perguntou se eu queria ouvir, mas já conhecia a maioria das músicas.
Tropicália, nunca foi o meu forte...mas quando era pequena tocava lá em casa. E uma vez respondendo os questionários de menina da escola, tinha a pergunta:

- Qual a música que você gosta mais, e alguém falou:

Tá todo mundo colocando a Rita Lee...como se escreve? Perguntei...

Que nem a calça LEE, com dois elles...cool.

Como não tinha muito tempo, estava morrendo de fome, comprei o CD Tropicália sem ouvir...e um dos Mutantes(que eram os hits), no final tava tudo repetido, odeio comprar coisa correndo...tinha até uma vitrina com músicas estrangeiras, mas não esse rótulo chato de World Music...faça-me o favor, World Music...enquanto a música Americana é Americana, jazz, rock, folk,...que puta discriminação sempre achei esse imperalismo americano. Mas uma vitrine com as coisas legais de países variados...

A música é do mundo e para as pessoas, não é mesmo, e a letra que foda-se, porque a música o instrumental é a linguagem universal.
Será que quem está lendo isso, e está notando que eu estou falando palavrão no blog.
Foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se porra.

Sim estou aprendendo a me soltar, com um amiga, que diz palavrão, e fica tudo tão chic...como ela, e comigo horrível, mas não vou desistir...estou de saco cheio e quero aprender a falar palavrão, nunca é tarde.
Aceito dicas de como falar palavrão e ficar TRES CHIC, três vezes chique.

Comprei, sai correndo tentar pegar o "breakfast" do Mc Donalds...sem direito de beber o suco, etou proibida pela minha dietista beber suco como água, e sim chá ou água mesmo, e lá encontrei o Americano que eu simpatizo no Mc...e aproveitei pra ele matar as saudades e pedi em inglês.

Por três dias tenho que escrever tudo que como e bebo, e tenho que mostrar na próxima consulta, mas se me comporto emagreço rapidamente, e esse que é o problema porque só gostaria de emagrecer nos lugares QUE não quero, mas a gente não pode escolher constituição física, genética...ou tem que apelar pra faca, esse já é outro papo.

Antes de tomar meu breakfast percebi que tinha uma mensagem de uma pessoa muito linda que conheci nesses últimos dias, uma pessoa que está tomando conta dos meus pensamentos, do meu inbox do celular, uma pessoa que está chegando devagarinho na minha vida, uma pessoa que estou admirando, e que me faz ficar muito feliz, mas também me deixa triste e trás à tona todas aquelas emoções e inseguranças em relação ao que acontecerá no futuro.


Será que será uma relação?
Será que seremos namorados?
Será que será?
Será que o sabiá sabia asso(biá)r
Será que não estou indo rápido demais?
Será que vou conseguir segurar mais essa onda?
Será que ele vai me dar o fora, no primeiro surto?
Será que mereço ser feliz?
Será que mereço?
Será que desta vez eu acerto na mosca?
Será que não tenho que parar de pensar?
Calar a minha boca...e fazer como o que fiz naquela foto.

"Don't talk just KISS"...big bitch, stupid cow

Claro que eu leio, leio e leio...leio tudo
sobre todos os assuntos, converso com os amigos interessados.
Recebo dicas, conselhos, notas, incentivos...
Todos querem ajudar...não trepa logo.
Trepa logo, só trepa não se envolve, trepa logo e sai fora,
não trepa porque homem não gosta do QUE É MUITO FÁCIL, não fala pra
não entrar areia.


Mas me pergunto,
é pra casar?
é pra namorar?
é pra ter filhos?
é pra ir ao cinema?
é só pra fuder?
é pra conversar?

é pra tudo?
tem uma função?


O que eu coloquei na minha cabeça depois de uma decepção com o Viking foi de que a próxima pessoa que eu me ENVOLVER, nem digo apaixonar, porque se apaixonar é muito difícil, ou me apaixono pela pessoa errada...que depois fica me pisando...me amassando e jogando pedras. E nos últimos tempos acabei me acostumando de levar pedras...pedradas, pedreiras e rochedos.

Então coloquei que quero uma pessoa, que eu naturalmente eu goste, mas que SEJA MEU AMIGO primeiro, digo, não precisa ser amigo de infância, mas que tenha coisas em comum, e se não tiver que seja aberto para tal...curiosidade pra tal.

Certas coisas vêm assim, parecendo "por acaso" na vida da gente.
Quero me ater no presente, e não pensar no futuro...
Seja o que for, mas às vezes é difícil pra quem levou muita porrada
nessas histórias ridículas de A M O R ...

Mas também sei que é proibido proibir, o lema do movimento Tropicália, um bando de molecada, querendo fazer barulho, mas sendo proibido...ou seja, não conseguindo se
expressar no ano de 1968...agora 2008, cá estou eu na Holanda, comprando o CD dessa revolução musical brasileira...

Eu ouvindo o track "Ando meio desligado" que cai direitinho ao meu momento, e meu filho gostando do BAT MACUMBA...

- Mãe, o que é Bat macumba....Bat ma...

Bat-ma
Bat-ma
Ba

Batma
Batmacum
Batmacumba

eh eh


E eu

Eu só quero que você me queira


E se as pessoas na sala de jantar estão preocupadas em nascer e morrer,
eu continuo querendo pão, circo e muito....mas muito amor.

Não leve a mal.

Wednesday, November 19, 2008

Uma semana apenas




Traga-me uma semana, uma semana de férias, uma semana só.
Uma semana...somente uma semana, então semaninha, 7 dias.
Não eu não quero ir pra lugar algum, quero ficar aqui mesmo no meu canto, e se der na louca, visitar uma cidade qualquer que nunca fui, as ruas sejam estranhas, e eu precise de um mapa ou boca pra me orientar, mas me perder por ai, adoro me perder pra me achar.
Mas quero então fazer diferente, não mostrar pra ninguém que estive lá, não tirar foto de monumento, de cemitério, de coisas "cool", não fazer shopping, ir de ônibus, descer no ponto final, comer uma batata frita com maionese podre (sim eles comem isso aqui)...e depois voltar.
Muita coisa pra mim virou normal nesses meus 48 aninhos de vida, muita coisa.
Não que as coisas sejam normais, mas o meu modo de ver as coisas, de assimilar as coisas, de aceitar as coisas, e de me aceitar.

Não não quero ir pra praia, ou ficar num hotel***** à beira da piscina, nem visitar museu, ponte dos suspiros, nada, agora não.
Não, não preciso de uma faxineira, copeira, cozinheira, arrumadeira, criada, governanta...não. Não é isso que estou falando, estou aprendendo a ouvir, e lembro de um homem que disse que não gostava de máquina de lavar louças, porque tinha que ser duas, e agora eu concordo plenamente com ele, queria duas máquinas de lavar louça, duas, não uma...duas...e claro espaço pra elas. As máquinas fazem muitas coisas pela gente, mas não fazem tudo, nem as outras pessoas, nós temos que arregaçar as mangas, ninguém, mas ninguém pode fazer o trabalho que é pra você fazer.
Se você disser, não gosto de limpar a casa, de arrumar camas, bom que gosta? Mas tem que ser feito, porque eu não suporto sujeira, poeira, bagunça, vai entupindo a minha cabeça, vai pesando, e de repente tenho 100 quilos 30 só nos pensamentos.

Preciso de tempo, horas, dias...literalmente vagos, livres, de folga.
Todo mundo precisa de folga, de ficar sózinho, do seu espaço, eu preciso disso, mas não é pra ficar na internet, netlogo, facebook, orkut, myspace, youtube, google, wikipedia, outlook,etc...é pra trabalhar.

Já a Tina disse que temos que fazer um esquema, que eu achei muito complicado, pra nos orientarmos para termos as coisas em ordem em nossa vida, hmmm, pode até ser...mas se eu conseguisse usar essa lista dela, eu usaria esse tempo pra fazer essas coisas que precisam ser feitas, não estar aqui como milhões de pessoas no mundo estão, digitando linhas, clicando aqui e ali, trabalhando, se divertindo, procurando, achando.

Se eu tivesse essa semaninha a primeira coisa que faria, era dormir até tarde, fazer o que bem entendesse a noite, ir ao cinema, jantar mais tarde, ficar na net até tirar água de pedra...e cansada dormir.
Dormir, é uma das coisas que mais gosto de fazer, dormir...lençóis limpinhos, ler um poquinho antes, escovar meus dentes e passar fio dental sem pressa nenhuma, creme no rosto, nas mãos, na região dos olhos - que envelhecem primeiro.
Não que esteja cansada, não estou...
Mas queria arrumar minha casa, que há semanas está uma bagunça. Pilhas de garrafa pra levar pro container, pilhas de roupas limpas minhas e das crianças pra dobrar e colocar nos armários, juntar todas as roupas que não servem mais, não uso mais, não gosto mais dar pro exército da salvação.
Colocar todas as imbecilidades que compro, e tenho duplo na loja de segunda mão, todos os abridores e copos e canecas e pires e pratos que não quero mais pra bem longe.
Colocar todas as revistas que nunca mais vou folhear fora, ou dar, guardar só as que realmente gosto de reler.
E todos os milhares de brinquedos que eles nunca mais vão brincar pra o planeta lixo de brinquedos.
Ir na Ikea pimpar minha casa: estou precisando de uma estante de livros, um tapete novo na sala, uma luminária alta, esvaziar um guarda roupa e mudar de lugar...
Arrumar as malas no quartinho da "empregada" lá fora corretamente pra que não peguem mofo. Tirar fotos de 4 bicicletas e colocar pra vender no markplaats.nl um site de vendas de coisas usadas na Holanda...sim, já tinha tirado na minha máquina japonesa falante, mas como a máquina é tão complicada, eu acabei deletando tudo sem querer.
Nesse tempo livre, ia ler todos os manuais de apetrechos que adquiri até hoje e não li, meu telefone novo com secretária eletrônica - quase nem existe mais essas coisas, dessa máquina tagarela também, do meu i-pod que tenho há século, mas o livro é tão grosso, e do meu celular que eu acabei usando mesmo só pra ligar, e mandar sms.
Õ meu eterno lamento diz: queria que a minha vida não tivesse nenhum fio, mas são tantos fios...tantos carregadores, até a minha filha agora tem um celular, e fora a aula pra ela, ela aprendeu felizmente a ligar e atender, duas funções que parecem idiotas, mas difíceis para uma criança que tem pouco alcance com abstração.

Tirar todas as folhas secas caídas no jardim, limpar o jardim...varrer, arrumar o schuur - quartinho das bicicletas, arranjos de natal, caixas de tinta, e toda a parafernália que se usa uma vez por ano.

Chamar o carro da prefeitura que busca lixo grande. Afinal não quero multa, o vizinho dedura, não quero.

Sorte que já me livrei de dois televisores enormes, antigos...ninguém queria de presente, ninguém...e não se pode colocar no lixo, e eu acho até o cúmulo de colocar esse tipo de coisa no "lixo"...Buda me livre, demorou duas semanas pra eles virem, eles vieram...e quando chegou aqueles dois homens eu fiz pfffff. Até que enfim.
Tentei vender, não deu, tentei dar, ninguém quis...
Um peso a menos, um espaço a mais.
Mas traga-me essa semana, sem pressa...porque sou só uma.
Não estou cansada, estou cansada de ser DJ. Na minha própria casa, e às vezes das centenas de CD's que tenho, ouço por uns tempos os mesmos.
E eu?
Quero cortar meu cabelo, é só marcar...sim parece fácil, é só marcar, mas não é, no tal dia que liguei, ela não estava, estava de férias, lei de Murphy, e tem que ser com a ela a pequena grande Sabine, que menina incrível.
Fazer manicure, pedicure cuidar de mim por fora...há tempos estou cuidando de dentro, e está tudo OK, nem posso me queixar. Mas a manutenção é necessária por dentro e por fora.
Sim continuo bonita e disciplinada com a yoga, com a mente no lugar preciso que deve estar, mas ....preciso de tempo.
Tempo pra ser criativa, tempo pra usar melhor meu tempo.
Quem sabe nessa semana marcar a cirurgia das varizes, sim...há anos que preciso, mas deixa pra lá, como ficar sem andar de bicicleta por uma semana, duas?
Mamãe não pode.
Cada vez que vou dar uma voltinha a noite com as crianças na koopavond(noite que as lojas estão abertas até as 21:OO) fico pensando, chegará o tempo que irei sozinha, assim...no dia de semana, fazer o que quero a noite. Será engraçado, acho que vou até estranhar.
Talvez fosse o caso de pagar caro pra ir ao cinema no dia de semana, uma babá que ganha de 6 a 10 euros por hora, e mais entrada do filme, é ...não posso me dar a esse luxo por enquanto.

Arrumar minha casa para o Natal que está quase chegando e o ano de 2009, vejo as teias de aranhas nos lugares que o teto é alto, e olho e penso, preciso tirar essas teias de aranhas, mas não é de aranha, é poeira mesmo, poeira dançante, que nem naquelas mansões mau assombradas...brrrrrrrrr os móveis cobertos de lençóis brancos, o candelabro encima do piano de calda, mas o janelão aberto, a chuva lá fora e claro isso é um filme daqueles bem previsíveis em preto e branco, um filme com o Christofer Lee e o Peter Cushing, amava os dois...e muita "teias", muita poeira, muito abandono.

Tenho tudo que preciso, em termos...mas os anos passam, e de repente aquele barulho, aquele carnaval todo, aquele desfile de cores, imagens, tons e sons na sua frente, te cansa...aqueles milhões de livros pra ler, filmes pra ver, blogs pra ler, amigos pra ligar, festas pra ir, emails pra responder, mudanças pra fazer...vão-se empilhando, empilhando...me fazendo lembrar um terrível trabalho numa agência de propaganda muito legal, eu tinha 22 anos e era datilógrafa, minha função era auxiliar de escritório, e eu cursava a faculdade de Turismo a noite, cada vez mais eles colocavam trabalhos pra bater na minha mesa, e quando eu acabava e a minha mesa ficava mais ordenada, lá vinha cada vez mais coisa, mais faturas, mais campanhas publicitárias, mais dinheiros, mais clientes, clientes negando as campanhas, e mais novas campanhas, e trabalho - trabalho- trabalho. Ufa...finalmente o trabalho um dia acabou, aquele, pedi as contas assim que peguei meu diploma. Um dos donos da agência me achava "interessante" e dizia, não quer ser modelo? Eu me olhava no espelho e me sentia muito feia, muito sem cara de modelo, na verdade muito insegura, nada assertiva, estava começando a vida, e não sabia nem dizer não, nem dizer sim pra certas coisas.
Esse mesmo homem, chamava-se Ricardo Rizzo, dizia:
- Bernadete, muda essa faculdade, que não vai te dar nada, e que não vale nada pra publicidade, porque eu mesmo me arriscava a dar umas opiniões pedidas, no departamento de redação, esse sim, me chamava à atenção, naquela mansão no bairro de Petrópolis em Porto Alegre. Muda essa faculdade pra Publicidade e Propaganda...dizia.
Mas eu cabeça dura embestei que queria conhecer o mundo todo, ou na verdade conhecer a Europa, jamais mudei...fiquei uns tempos desempregada, fazendo nada, fazendo bobagens, na dolce vita...vivendo de amor, com um diploma qualquer nota na mão.
Comprei minha primeira moto, uma XR 125 Yamaha, preta...já amava a cor preta.
E assim se foi...porque eu comecei a escrever isso não faço a mínima idéia. Acabou de ligar uma amiga do Brasil, que está visitando a família em Manaus, mas antes passou por Miami...e como ela foi assim correndo eu até pensei que tinha dito algo de errado, mas ela me ligou, então está tudo bem.

Nada melhor do que uma casa arrumada, leve, gavetas ordenadas, e a satisfação da missão cumprida...vai zerar bonitinho esse ano de 2008. Um ano muito bom, um ano com algumas tristezas, mas sem altos e baixos, ou poucos. Um ano da amizade, um ano de poucos encontros mas bons. Poucas festas, mas ótimas.
Um ano de algumas perdas, o pai de um coleguinha do Dimitri se foi, gente boa, e um filho de um conhecido da época do Budismo, essa perda foi pior ainda, o cara tinha depressão, mas não tomava nada, e deu cabo de si mesmo...
Só pra não falar que DEPRESSãO, não é caso sério...é sim, bipolaridade também.
É uma merda (não costumo escrever isso), mas é uma merda, depressão, bipolaridade, essas coisas que estão dentro do nosso cérebro, e não podemos fazer nada naturalmente, pegar um sol, uma praia...agora vou tomar meus remédios com mais vontade ainda, e dizendo que nem Rita Lee, botei botox sim. Já usei tanta droga, essa é mais uma delas.
E pra mim também...não gosto de botox, mas daqui há uns 10 anos, quero fazer uma correção nas pálpebras sim, e não ficar com essa cara de cansada, essa cara caída, e tudo cai, não tem jeito, mas tem coisas que dão pra levantar. E ponto.

Um feliz ano bom...e preciso estar preparada para o ano seguinte, um ano de muitas promessas, um ano tranqüilo na medida certa do ritmo das coisas que são como são, e esse ritmo do universo continua a mil, nós que inventamos os calendários, o relógios, as medidas, blabla.
E se depender de mim, será muito parecido...porque só vai mudar o algarismo de 8 pra 9, tanto melhor, adoro o número 9...de qualquer maneira o ano promete com Obama no mundo...um negro, um homem negro, o presidente, o tal YES, WE CAN.
Mas antes preciso dessa semana, essa semana...que não vou deixar pra ser um sonho, vou buscá-la pelo menos em suaves prestações.

Monday, November 10, 2008

Ik wil chocola (eu quero chocolate)



"The table is red."

Era o segundo semestre de 1996, quando aportei na Holanda. Dava tempo de ir com meu marido Peter ao cinema de vez em quando, no cine clube Kijkhuis em Leiden, e fomos assistir "L'utieme Jour", um filme tocante que me marcou até hoje, e eu gostaria muito de rever, mas filme antigo não se acha tão fácil, tem que comprar na internet, procurar, tenho a maior preguiça, raramente compro artigo pela internet, gosto de ir na loja, e talvez seja até bom, porque senão não sairia mais de casa, e ficaria gorda que nem no filme do W-ally.

Ik wil chocola, dizia George, o carinha no filme com síndrome de Down. Sempre me lembro do jargão: Ik wil chocola. George tinha alergia a chocolate, e quanto ficava triste ou frustrado comia chocolate e pensava na mãe morta, que era a única pessoa que se importava com ele, mas depois pagava o preço, passava muito mas muito mal.
Às vezes quando estou mal, digo pras crianças com o mesmo tom de voz do George:

IK WIL CHOCOLA...um dia eles também vão assistir esse filme, porque já o conhecem de tanto que eu falo.

E semana passada eu sofri, fiquei de mal com a vida, chorei, porque eu também tenho de certa forma um George em casa, mas outro tipo, um George que não se percebe nas feições, um George que é difícil de explicar quando os outros perguntam o que é mesmo o "autismo"? Minha filha não somente vai na escola, ela segue um tratamento, e tem altos e baixos, e ultimamente mais baixos que altos, atravancando o conhecimento e aprendizado escolar, o mundo dela é o mundo de um seriado da TV Holandesa Het huis Anubis, sua nova obsessão...que poderá durar até 3/4 anos.

Lembro-me bem como se fosse hoje, eu perguntei ao Peter:

- E se tivermos um George?

ele respondeu:

- Vamos amá-lo de qualquer jeito, não será nenhum estorvo.

Aquilo me deu conforto, porque eu não tinha a mínima idéia do que era ter um filho com distúrbio do autismo, e nem pensava em ter dois filhos, como tenho hoje, foi tudo muito rápido, olhando agora pra trás.

Mas é fácil falar, aqui na Holanda quando a gestante tem uma idade de risco, e faz o teste pra detectar se o feto possui coluna bífida ou outra anomalia, ela pode optar pelo aborto. Porque só mesmo os pais para saber que não é fácil ter um filho assim, um filho assim tem que ser protegido constantemente, um filho assim precisa de atenção, dedicação, muito amor, mas muito mesmo.
Com um filho assim praticamente não se tem vida própria, pro resto dos seus dias, não há férias, não é trabalho das 9 às 5...tem dias que é um fardo, e não se pode deixar pra lá.
É como se eles andassem sob a água, leves, sem pecados, sem maldade...mas ao mesmo tempo você como mãe o levasse o tempo todo sob os ombros, como Atlas, chega num momento, suas costas doem, você se olha no espelho e não se reconhece, você envelheceu, mas não na idade, por dentro. E tem de achar milhões de maneiras para anestesiar sua dor, que ninguém mais sente, só quem passa pelos mesmo problemas, dificuldades, acredito que seja assim pessoas que estão com problemas de câncer, outras doenças em estágio avançado, doenças psiquiátricas, você precisa de um grupo, de um conforto, de um interesse, de colocar sua estória pra fora, pra não sobrecarregar amigos, família.

É tudo tão fácil, e tão difícil...com essas pessoas.
São preto no branco, sem meios termos.
Os Georges são pessoas muito especiais, ao mesmo tempo que podem ser um peso, eles têm tiradas absurdas, engraçadas, que fazem-nos perceber como a vida não é só triste, dramática, alegre, cômica, mas um fluxo oscilante de momentos, um tobogã, um aviãozinho que voa alto e depois cai lá embaixo, nessa gangorra inesperada das emoções e sentimentos que um ser humano possa ter.
Os Georges da vida...aqui onde moro é invadido de Georges...eu os vejo, estão em todos os lugares.
Talvez porisso que a Holanda (ou outro país parecido) não seja hipócrita, eles estão por todos os lugares, as caras já são conhecidas, e não existem mais chacotas...não são permitidas, já foi assim tempos atrás porque mongol, é ainda um adjetivo usado para xingamento, mas as pessoas de bem se policiam, para não proferir tal cúmulo, é passé...(me corrijam aqueles que escrevem francês), fora de moda toda, retrógrado, antiguado. O termo mongolóide, fora do contexto médico, está como o acender um cigarro na sala de visitas de alguém com câncer no pulmão.
Fazê-lo, é pura maldade.

A Dominique ficou contente ontem, dei o primeiro celular de verdade de presente, desses pre-pagos, bem bonitinho da Nokia, e coloquei na agenda de endereços o meu telefone, o do pai...virão ainda o dos avós, escola, e outros poucos. Mas primeiro ela vai ter que aprender a usá-lo, não entende nada de nada, quando falei que era pré pago, ela achou que tinha dinheiro dentro do telefone.
E sempre essas coisas de ser canhota, dificultam um pouquinho também.
Mas aos poucos ela vai, as únicas duas colegas meninas também tem, a Amber e a Emily.
Ela odeia a Emily, que roubou a única amiga dela a Amber.
Ficou desconsolada...mas agora melhorou.

Essa semana as coisas estão entrando nos eixos, a vida continua mesmo, eu mesmo já estou dançando na sala, que me diz que estou em paz comigo.
E assim no oitavo dia, George subiu ao céu, sem antes não deixar de dar uma lição de vida ao amigo Ari um bem sucedido homem de negócios, mas com a vida privada na privada, divorciado, sem contato com as crianças, irritado, solitário, estressado, calculista.

E no fundo é o que importa na vida das pessoas, a família - aqueles à que queremos bem, e os laços de amizade que se fazem espontaneamente, e crescem através dos anos.
É quando começamos a sorrir, quando temos amigos por perto, que estão sempre dispostos a dar uma palavra de conforto nas situações críticas, ou nos fazerem sorrir, mesmo sorriso colorido. Ou a esses Georges, repetitivos...mas muito engraçados, porque se não fossem eles, o mundo seria muito chato, previsível, e fácil uma loucurinha de vez em quando não faz mal à ninguém.
Sabemos que a vida não são só férias, carnaval, sorrir o tempo todo, ou só ser sério, aliás é preciso saber pra sobreviver, que a vida graças a toda a dinâmica, tem altos e baixos, tem fases, e depois mais fases, sempre muda.
Então George, não coma mais chocolate, eu me importo com você, eu vou cuidar de você nem que seja até o oitavo dia.

Thursday, November 6, 2008

I'm burning


Meu computador, esse laptop de mierda da Dell tá lento, dá vontade de jogá-lo no canal, I'm burning.
As pessoas estão cada vez mais solitárias, carentes e loucas, fiz uma amizade no site Facebook, mas o francês era tão maluco, tão maluco, que estava apaixonado por mim sem me conhecer, o que só mostrava a solidão dele, já que não tem nenhum amigo na Holanda, só na internet, e no trabalho colegas, me chamou de rude, e teenager, só que o teenager é ele, a pior coisa é pedir desculpas por não ter feito nada, mas louco não dá pra contrariar mesmo, caiu a ficha, I'm burning.

Fora que me livrei de um fora de um Viking, super fofo, ficamos conversando, ele telefonando...tô indo pra Holanda te ver, etc e tal, quem sabe se rolar, até um trabalho ai perto onde você mora, e a fofa aqui acreditou, até tomar doril, e depois de duas semanas na secura de notícias dizer: "Olha esquece que eu passei na sua vida, minha vida é muito complicada". Ciao...e depois eu sou a melo-dramática latina americana, eu hein Rosa, fiquei dias tentando lembrar da piada do papagaio nova-iorquino que imigrou pra Guaratinguetá. My heart was burning.

Meus amigos estão enlouquecendo, ou sempre foram loucos como eu, e surtam, queria poder ajudá-los, mas mal consigo nem me ajudar, quem sabe outro Galinheiro, (olho na agenda) em janeiro. I'm burning.

A Billie Holiday morreu de overdose, mas cá entre nós a voz dela é eterna, porisso que arte é a melhor coisa do mundo, ai que consolo. I'm burning.

Eu aprendo muitas coisas, sou a eterna estudante, mas esqueço tudo, é o Alzheimer prematuro, é o cérebro lesado, álcool, drogas, genética, e olha que nunca fui lá muito fanática, os neurônios explosivos, explodem a toda hora, não vai sobrar nem testamento. I'm burning.

Eu sou viciada em networks, em nicotina, e em cabernet savignon,em atenção de gente que nunca me viu mais gorda. I'm burning.

E por falar em gorda, semana que vem finalmente vou na dietista, e que ela ache uma solução de me tirar esses 10 quilos de banha que apareceram depois dessas bolas que não dão barato nenhum. I'm burning forward to it.

Eu não aguento assistir TV, a programação é uma porcaria, e eu não tenho mínimo saco, meus filhos brigam sempre nos mesmos momentos(à mesa) (na hora de ir dormir), e eu vou fazer um outro curso de educação familiar pra quem tem membro na família autista pra lidar com isso tudo - coisas de Holanda, graças a Deus, I'm burning.

Também não dá porque Dimitri experimentou licor (amaretto) e gostou, e se o pai dele souber, ele me mata, porque tem mãe alcóolatra e trauma de infância de chegar no colégio e ela mamando numa garrafa de vodka, e o meu primeiro porre, tinha 5 anos...e dá-lhe chopp pelos marmanjos gaúchos dos meus tios, pra cantar música do Moacyr Franco, pode uma coisa dessas, sobrevivi,sou de fases mesmo. I'm burning.

Eu sou a rainha da comunicação, mas estou me questionando se perdi o reinado há muito tempo, porque tenho que explicar tudo tim tim por tim tim, pra gente mimada e egocentrica que não sabe o que é a vida real, afff, tem gente que só gosta de ouvir o que quer. I'm burning.

Eu queria dançar disco inferno no Massivo naqueles tempos de exploda-se, pensar é pra quem não tem nada que fazer, vamos dançar,se colocar, burn it burn it, é melhor que ter um burn-out, que dizem agora que é doença, como a depressão, bipolaridade, no meu tempo era estafa...ai como sou antiga e me orgulho disso. I'm really burning...e o inferno são esses dias.

Não vai sobrar nenhum pedacinho, pedra sobre pedra, só cinzas, me dá um cala calor, calafrio não, é a menopausa chegando, quase fico pelada aos 5 graus, vou tirando tudo, as pessoas me estranham, mas eu não, melhor do que TPM, quando viro serial pensamento killer. I'm burning.

Queria que as coisas fossem tão diferentes, mas se tudo fosse certinho, seria um tédio, às vezes sou bem centrada, equilibrada, mas tem dias que caio do cavalo, chuto o balde a lata a garrafa, e queria chutar a cara de muita gente, que nem disse o Morrisey, mas dou um sorriso assim..., mesmo que amarelo, aprendi com o Antonio. I'm burning.

Estou sendo medicada dois há séculos, digo anos, todos os dias vários entram pro clube, de perto ninguém é normal, então que fiquem longe de mim, de louco já basta eu, podiam me dar um placebinho pra não engordar. I'm burning.

Penso em voltar pra igreja, dessa vez de verdade...encontrar Jesus etcera e tal, dentro do meu coração, ficar iluminada mas não de fogo, de álcool etílico, assim rezar pelo bem da humanidade todos os dias antes de dormir, já que agora um presidente negro ganhou nos EUA, mas ele é presidente, mas não é Deus, vai ter que segurar o rojão dos anteriores, a mesma lerda de sempre, só um pouco mais morena. I'm burning, e lá eu entendo e gosto de política?

Pra conseguir o que eu quero, ou que as coisas sejam como eu gostaria que fossem eu leio muitos livros de desenvolvimento espiritual pessoal e dizem que o ego é o responsável por essa loucura toda, mas a gente não pode matar o ego porque senão morremos juntos, queria que aparecesse outro idiota com uma fórmula mais simples então, faça-me o favor: A + B = AB e ponto final...still burning.

Faz dois meses que não tenho sexo, e pra quem pensa que sexo não é lá importante, que se exploda, pra mim é...porque senão fico assim surtada, mas como dizem que sou uma menina de família, bookei uma festa 40+ em Amsterdã, com outros amigas encalhadas, dizem que será boa no Melkweg...mas a lá vou eu usar minha capa de vampira outra vez. I'll burn your soul.

Meu filho de 9 anos, me beija toda hora...de olhos fechados, diz que fico linda sem óculos, e dá-lhe complexo de Édipo, faz massagem como gente grande, tá virando o homenzinho da casa, e faz tempo que homem virou marica, não faz nada pra mulher, cresça filho, cresça. I'm burning.

Minha filha autista me leva a loucura coitada, porque grita que nem uma louca quando entra em pânico, me lembro até de uma série da globo "O grito", que uma criança estranha gritava e o prédio inteiro ouvia, fizeram uma reunião de condôminos e queriam expulsá-los do prédio, gerando polêmica, era o meu futuro, e eu não sabia...I'm burning.

Essa mesma filha, é muito boazinha, mas às vezes é como se fosse uma planta que nem dizia o pai dela quando estávamos casados - um dos mil motivos do divórcio, e simplesmente vive no próprio mundo, como se o "nosso mundo" fosse uma paragem esporádica, pra comer, beber, ir ao banheiro, e eu tenho que segurar no tranco porque os outros não têm nada que ver com as minhas mazelas, I'm burning.

Queria ser auto-suficiente como a Diana, respeitada como a Ade, popular como a Karin, bem sucedida como todos os homens que trabalham e têm um salário justo, pagam suas contas, investem e não se preocupam com TPM, só das próprias mulheres e namoradas, I'm burning, mas agora anda uma crise financeira por ai, e muita gente tá falindo, é verdade? Eu vivo em crise mesmo, pra mim não faz a mínima diferença.

Meu vizinho bêbado, esqueceu a chave dentro do apartamento, ouvi vozes achando que era outro ladrão que queria me roubar a terceira bicicleta do ano, era a minha vizinha emprestando a escada pra ele entrar no apartamento do primeiro, ou ele morria ou entrava e entrou pela janela, não virou catchup no chão, trepou na escada trêmula, coisa de gente de 30 anos... I'm burning...esses holandeses.

Os dias começam a ficar escuro, meu filho quer jogar xadrez todos os dias comigo, depois que eu comprei um jogo de xadrez de pedra sabão finíssimo na loja que vai fechar a PATROPI, e eu lá tenho saco de jogar xadrez todos os dias, me dá um Dominó, ou Menudo, não se reprima...I'm burning.

Quando começa a chegar perto de dezembro, me dá uma coisa...uma coisa, e mais uma outra coisa, e espero neste ano, como no ano passado, que eu não fique com depressão como fiquei em 2005 e depois em 2006 (um pouco mais leve), acho que vai dar tudo certo, me livre a tempo do encosto. I'm burning...

Dizem que o melhor amor, é o amor-próprio eu adoro ouvir essa balela de gente, que teve encosto a vida inteira como eu, depois repete isso na frente do espelho espelho meu, não preciso de ninguém, sou uma ilha e todos os coqueiros are burning.

Hoje fiz compras, depois de conferir 26 cabeças de crianças dos 8/9 anos se tinham os famigerados piolhos(sim sou voluntária), até não foi tão ruim como dizem, o inferno é bem pior I'm burning, porque a outra mãe marroquinha minha parceira, não sabe escrever em holandês, só em árabe...e fiz toda a administração rapidinho, de quem tinha piolho, ou não, só 3. I'm burning, and burn a bug.

Quando sai do supermercado e comprei mais do que devia pra variar, e as coisas não cabiam na bolsa da bicicleta, igual eu coloquei e na ciclovia as compras rolaram pelo chão, e apareceu um árabe do além que me ajudou com tudo, e até que ele não era de se jogar fora(do jeito que ando), e lá fui eu feliz e contente porque não tinha comprado garrafas nem ovos, então nada se quebrou...e agradeci pro moço, merci beaucoup porque eles também são chiques e falam francês. I'm burning.


I'm burning
I'm burning
I'm burning

Tudo ao som de Billie Holiday, love or leave or let me be lonely...or burning.


(Obrigada bicha que deixa Juazeiro...you are burning, né?)

Especial pra você, agora eu entendo Daniel Peixoto (amigo do Zozonic que mandou uma bicha louca no You tube), we rock, aliás we burn.

Monday, October 20, 2008

Reclamações de outono?





Passei um ótimo final de semana em Bruxelas na companhia de meu amigo A. Encontrei também o M. E nos divertimos muito, indo jantar num restaurante tailandês K- Touch.
Fomos visitar a praça grande que está coberta de luz na frente da maravilhosa prefeitura, caminhadas, o francês, capuccinos, compra de chocolates a preço de ouro, parques...e como o cenário o outono, suas cores, suas folhas multi-coloridas. Muitas macaquices minhas nas fotos e de M. A é mais comportado...um docinho. O apartamento de A. que é novo, todo reformado...cheio de luzes de clara bóias, um lugar de bom gosto natural, minimalista e de paz, perfeito.
A viagem de ida foi muito boa, pude ler trechos de livro e também a nova Happinez que comprei uma revista bimestral que não deixo de ler.
E claro me chamou atenção o tema dessa edição Geluk(felicidade) e mais uma vez o extremo bom gosto da capa nas cores bordeaux e cobre brilhante.

E ai veio os diferentes artigos e opiniões sobre a felicidade, como é, quando se tem, quanto tempo, de onde vem, como se acha, como se consegue, etc etc.
Quem quiser mais detalhes que leia a revista, ou algo similiar sobre o assunto.
Mas particularmente não me pergunto muito sobre isso, no geral consigo sentir quando as coisas andam bem comigo, e quando estou em balanço na minha vida. Meu equilíbrio é um sinal de felicidade, e ultimamente ano bem equilibrada, eu mesmo, animada, mas disciplinada com minha yoga, minha vida de mãe e amiga.

Por isso, não reclamo da sorteas coisas são como são.
Nem sempre foi assim. Pouco tempo atrás passei por uma fase bem frustante em minha vida, achei que minha felicidade estava em Amsterdã, claro depois de uma depressão, uma morte na família e minha relação entre tapas e beijos só podia dar isso, sair do prumo. Achei casa em Amsterdã, bem melhor e maior que a minha, mas não gostei do bairro...e também das mudanças e energia que me custaria pra morar lá. Mudança de escolas, de locomoção da Dominique de escola, de assistente de PGB (persoonsbebonden budget) um budget que ganho anual para pagar uma pessoa especializada em crianças autista. Tipo uma babá de autista.
E fora que meu ex marido anunciou, que não buscaria as crianças lá todos os finais de semana, e isso também iria me sobrecarregar.

Que adianta estar morando num lugar com mais possibilidades, se teria menos tempo para investir no meu tempo livre, no tempo pra mim mesma, iria ficar lá mesmo naquele bairro feio, que horror.
Não...estou bem em Leiden, com meu micro jardim ensolarado, sentiria falta das minhas plantas, nas mudanças de estações, conheço-as todas, amo-as, minha simples casa na frente da praça, perto da farmácia, 3 supermercados, 5 minutos da estação central, 20 minutos das portas da Holanda (o aeroporto Schiphol), 35 minutos de Amsterdã...a cara feia de alguns vizinhos, a indiferença de outros, a simpatia de alguns.
Fora que nesses 12 anos aqui, amo cada vez mais os canais, as ruelas, as árvores, os pontos conhecidos com cisnes, patos, gaivotas, pombos, os pequenos eventos, os grandes eventos, faço parte e sou ativa na comunidade, passo de vez em quando na rua de bicicleta e vejo o prefeito, será que um dia ele teria uma palavrinha pra mim?

Aprecio e tenho rituais fixos, de jogar pães pros pássaros, andar pelos Hofjes (vilinhas de casas microscópicas). E conheço cada detalhe desse centro histórico dessa cidade medieval que é Leiden, cada reforma no Mc Donalds, nas pontes, locais novos badalados, cafés, etc...conheço isso aqui de cabo a rabo, hehehe.

Não reclamo mais, porque reclamar é a pá que cava a nossa cova para uma vida infeliz.
E só se é feliz, aceitando as situações, simplesmente aceitando.
Desabafo de vez em quando com algo que não estou contente, mas isso é para me livrar de doenças que se manifestam dentro da gente haja visto o descontentamento sobre algo, mas reclamar, quero evitar. Ninguém, mas ninguém é culpado das mazelas que acontece na minha vida, cada vez eu sou mais eu mesma.

Carências fazem com que nos transformemos em pessoas cegas, não criativas diante da solução e diminuem a nossa perspectiva, as ilusões aparecem e nos agarramos a elas, achando que vão resolver o problema, mas não vão.
Confesso que sou carente de alguma forma, sou carente do colo da minha mãe, que nunca mais terei. De revivenciar a compreensão do meu primeiro namorado, de ser doce e terna pra alguém como mulher, sem competições.

Tenho me deparado ultimamente com vários desafetos, erros, decepções e frustações ao meu redor como dentro de mim. Mas também com soluções. Sair de um forma elegante, sentar de uma forma elegante como diz minha professora de yoga, subir de uma forma elegante, perdoar de uma forma elegante, belas palavras, palavras ternas, doces, sinceridade, a gente esquece quase que existe, a gente deixa pra depois...um dia.

Sim sou uma otimista nata, não uma justiceira da verdade, talvez porque quando cheguei a esse mundo senti o amor ao meu redor, aliás dentro da barriga da minha mãe.

- É uma guria. (e que felicidade depois de 4 marmanjos).

Essa aceitação da parte de meus pais, veio junto com meu DNA. e as vibrações e energia positivas.
Não decepcionei minha mãe, ela só queria ter uma menina. E eu nasci...puro rumo das coisas como são.

Count your Blessings diz o ditado...e se você tiver insônia a noite, conte mesmo ao invés de carneirinhos, ovelhinhas...
Tente achar a pulseirinha do pastor Will Bowen aquela que cada vez que você reclama, fofoca, se sente azeda (o) você troca de pulso. Até dizem chegar um momento, que você vai diminuindo essas ervas daninhas da sua vida, vai se purificando desse mau desnecessário que só atravanca seu desenvolvimento pessoal, espiritual.

Eu vou atrás dessa pulseira...vai combinar bem com um cachecol meu, porque no caminho da felicidade eu já estou...e esse aqui, nesse mesmo mundo, nesse meu corpo.

Wednesday, October 1, 2008

Feiúra


Hoje eu não quero falar só da beleza, nem de estética de beleza, muito pelo contrário quero falar mais da Feiúra.
A gente pode até dizer que a cantora Amy Winehouse é feia pra xuxu, quando tá com muito problema com drogas, magra demais, esquisita demais. Não posso dizer que ela é linda, ela vai além do bem ou do mal, dos opostos da fachada, a voz dela é muito bonita, e se você não conhece o visual dela o que você acha?
Belo, né?
Fora que tem personalidade, doidinha e gosto de pessoa assim.

Tudo aquilo que a gente não cuida fica feio, corpo, casa, carro, bicicleta, telefone, móveis, guarda-roupas, filhos, marido, namorado...o feio de estragado, caíndo aos pedaços.
Vai estragando estragando, empoeirando, ficando russo (aquele preto desbotado) - que eu até acho bonito, mas preto é mais bonito preto.

A minha bicicleta nova, a segunda que comprei não escolhi pela beleza, escolhi porque estava em bom estado e pela praticidade, tinha garantia de dois meses, 6 marchas, e o preço de 135 euros, razoável...mas eu não gostei da cor, era azul marinho, e os para-lamas marrom...pra combinar azul marinho com marrom só mesmo uma amiga minha a Mayra (filha ou neta de japoneses), ela conseguia usar roupas dessas cores...ao mesmo tempo, e estar elegante, sendo que o tom de pele dela era o que neutralizava as cores. Mas a minha bicicleta durou exatamente, menos de duas semanas.
Nessa madrugada foi roubada, aliás eu nem sei se foi a noite, quando eu estava aqui envolvida num papo romântico com o "meu" Viking na webcam (dele).

Estava tão enamorada porque ele tomou a decisão de vir pra Holanda me visitar, e me conhecer pessoalmente, pra ver o que rolaria entre a gente. Fiquei tão feliz, que disse pra ele que ligaria pro meu irmão...mas quando acabamos o chat, era muito tarde, e o meu irmão não atendeu, até achei que tava sonhando, tomara que não seja um pesadelo quando ele chegue.

Sabe aqueles momentos que você não consegue se conter, e quer dividir com alguém confiável, alguém que não vai "colocar a areia da inveja" e que também possa atender o telefone tarde da noite.
Pois bem: Liguei pra uma amiga A. que é uma pessoa sensata, racional mas ponderada entre esse racionalismo e a emoção,ligo raramente nos últimos dos tempos, mas é o tipo da pessoa de bem com a vida, que tem mais o que fazer pra ser feliz, e não encuca com essas coisas, e me deu uma boa acolhida. Missão cumprida.

Hoje, acordei e avistei o vazio no jardim/quintal - no local da bicicleta. OK, a outra foi roubada numa ruela das lojas, e estava com a chave...eu dei de presente pro ladrão, e ele saiu feliz da vida como se a bicicleta fosse dele.
Mas essa, estava dentro do meu quintal, que pertence a minha casa.

Minha casa não é minha...nem é meu este lugar...lembram da música do Milton Nascimento. E foi que a bicicleta não é mais minha, e no fundo a gente não tem nada, nada é nosso, ou se é, é temporariamente...
Achei que teve um pouco a ver com carma - a bici se foi assim, de mão beijada...não fechei o portão de trás a chave (raramente o faço), mas dessa vez ela pensou:

Você me achou feia, azul-marinho e marrom, e nunca iria me amar, e sim me usar...
Então eu vou pras mãos daquele que não tá nem ai, e vai me dar valor pelo que sou, uma bicicleta, e ainda vai ganhar uns bons tostões pra comprar heroína.
Sim, porque esse é o perfil de quem usa heroína.
Eles ficam no centro da cidade, rondando, andando pra lá e pra cá.
A dose que ganham não é o suficiente, de repente precisam de mais uns centavinhos, pra fazer uma festinha com outros junkies, com um pouco mais de quantidade, a viagem mais longa, uma vodka pra baixar a coisa, sei lá.
Eles tem que pagar um preço simbólico pra dormir, e ontem estava chovendo...e quem sabe ele precisava de dinheiro pra ele e pra namorada, pra dormir em algum lugar, que não estivesse molhado, vide que agora iniciou uma das estações mais molhadas e ventosas do ano, o outono.

Enfim, ela se foi.
Eu fiquei...aprendendo a lição, arrume aquele quartinho lá dos fundos, tire tudo que não é necessário pra fora, doe, venda, faça o que fizer e coloque a terceira bicicleta comprada hoje, da marca batavus, sem marchas, mais barata, mas mais charmosa dentro do quartinho das bicicletas. Perca alguns minutos, no tira e põe, mas continue cuidando dos seus pertences, cuide por causa dos ladrões, mas especialmente pra você, porque eles dão colorido a sua vida.

Eles não são feios...aquela se foi, se foi, porque a considerei feia, e era...mas também muito útil.
Tive que andar a pé.

Em tempo...esse blog tá bem feinho nos últimos tempos, tenho que dar um jeito nisso.

Friday, September 26, 2008

A solução espiritual (para livrar-me do cigarro)


Há aqueles que acreditam em reencarnação, naquela de que nas outras vidas, a gente era um ser animal, uma minhoca (que nem no filme "7 years in Tibet"), ou um elefante, um peixe, uma planta.
Antes eu pensava que fui um pássaro, desses que imigram pros trópicos no inverno, e voam bem alto. Agora eu acho que fui um Jacaré com a típica bocarra, ou um peixe...porque ambos morrem pela boca.

Porque jacarés e peixes morrem pela boca?

Claro, literalmente não tem sentido, o sentido está na simbólica boca e o que sai de dentro dela.
E eu falo, e falo, e já disse não, bati pé, cigarros, maconha é pra fracos, depressão é pra losers, e assim vai, mendigos de rua outros losers, alcóolatras desocupados, claro não tão imperativo assim, mas sempre achei que as dificuldades e sofrimentos das pessoas eram provenientes de uma fraqueza, e que se eles realmente quisessem não deveriam se entregar.
Mas mudei minha opinião há mais de 3 décadas atrás, quando vi pessoas doentes, se entregarem pra vícios destrutivos e que o reverso parecia um longo caminho cheio de pedras e armadilhas.

Mas a questão é, que pessoas como eu se viciam porque sentem falta de algo que dê sentido aquele vazio, muitas apenas experimentam como foi meu caso com a maconha e outro vício dos nossos dias, que praticamente larguei o orkut(o qual fui viciada por quatro anos), dou umas visitinhas de vez em quando, e acabei me viciando ou ficando fã do Facebook e seus presentes estúpidos, e seus presentes engraçados, e também as outras possibilidades positivíssimas, de realmente conhecer pessoas de outras culturas, iguais ou diferentes de mim. Além de ser viciada na net e em networks...mas confesso, que não deixo de fazer nada pra ficar aqui, e isso é vício.

Lá no FB estão amigos de São Paulo, amigos que moram em Miami, Nova Iorque, Barcelona, Londres, Bruxelas, etc etc...amigos mesmo, desses que são que nem sofá de casa, a gente se joga, a gente faz o que quer, põe o pé, deixa as pernas abertas ou fechadas, come pipoca quando vê filme, pizza quando se está sózinho...enfim, sentir-se a vontade é uma das coisas mais DETOX que existem nos nossos dias, com ou sem make up, vestida de jogging e como uma mendiga...cabelos brancos crescendo, ninguém vê, ninguém te critica, porque as pessoas vêem aquela (falsa) imagem lá, aquela foto 3 x 4, aquele momento congelado, um nome bacaninha, um país Europeu, um gosto eclético (que traz mistério) e ficam seu amigo, na boa assim como você "You are not alone". Sem saber o que você carrega por trás, a sua mochila pesada, os seus desafetos, as suas frustações, seus medos, etc.
Às vezes é tão desesperador pessoas que colocam assim: Me ADD no MSN...atiram pra todos os lados, querem mais é abrir a boca, soltar o verbo, teclar, mandar wink, beijinhos, boa noite, você é meu amigo de infância...a esse pouco eu nunca cheguei, porque MSN/Skype...não é o meu forte. Só gosto de vez em quando nos finais de semana, quando não saio, e não tem filme bom na TV, sinto como se fossem almas mendigas, por calor, atenção, amizade.

A amizade no FB por hora pode ser até irritante, você é cool, sexy, flirta comigo, me mande mágoas, personagens do Almodóvar, desejando "Borboletas", "Have a nice day", presentes Prada, filminhos, música, etc etc etcera. Uns aplicativos são mesmo inteligentes, mas outros são pura falta de imaginação, de criatividade.

Só que a felicidade dura pouco, e neste caso a felicidade é a comodidade, de fazer pseudos amigos, de mostrar o seu lado cool ou uncool...vice-versa, porque existe muitas teclas hoje em dia que resolvem instantaneamente nossos problemas tais quais:
Delete, ignore ou offline...no mundo virtual temos essas possibilidades rápidas, de cortar o mal pela raíz, já no outro, no real...vocês sabem que não é bem assim.

A felicidade mudou quando o Facebook mudou para o New.Facebook...e eu como muitos que já estávamos acomodados e felizes no outro, tivemos que começar tudo de novo, e aceitar...a mudança.
Tudo bem, fazer o que...nada dura pra sempre.
O bom filho a casa torna. E assim vamos indo, contestando mas de que nada adianta.
O fato que me viciei no Facebook (e a Jacaré falou que não iria lá, já tinha orkut, MySpace, Youtube, blog)...e a fórmula da droga mudou - virou um NOVO facebook...chato, que dá menos prazer que o outro, mas em tudo a gente acostuma, e agora se coloca também o blog lá, é mais abrangente, e há vida inteligente e como a gente por lá, com certeza.

Estou lendo um livro fantástico do Deepak Chopra "Vrij van verslaving - Overcoming addiction - Livre de vícios(?), e nele, procuro ententer, o significado dos meus vícios, era viciada no meu ex-namorado...(o nosso contato íntimo era o mesmo efeito de uma droga) com os ups and downs dela... também sou viciada em tabaco, e de uma certa forma não vivo sem internet e network sites nesses últimos anos, onde diariamente você faz parte da vida de estranhos e amigos. E às vezes esses estranhos viram amigos...como já me aconteceu raras e boas vezes.
Mas não chego a considerar como vícios fortes digamos assim, mais o sinal dos tempos, pois adoro viver a vida lá fora.

A maneira como Deepak Chopra aborda o tema, tem mais uma vez como base a medicina Ayurvérdica...o que me interessa mais ainda também nesses últimos tempos. Claro não quero aqui ser leviana abordando essa ciência milenar, quem se interessar que leia o livro ou procure na net assuntos relacionados, se for o caso, porque mesmo estou engatinhando no assunto. Mas como paciente percebi que funciona nas pessoas, e se funcionou nelas supostamente funcionará em mim.

Somos tão apegados com nossos vícios, que às vezes repetimos automamente as respostas de perguntas vindas de fora como: não vai funcionar, é difícil, preciso disso pra viver, gosto e pronto, pelo menos isso, ninguém é perfeito são assimiladas e enraigadas em nosso ser, e nem quero ou pensamos em imaginarmos sem esse vício. Não é cool, vou engordar, ficarei chato e sem graça, e os benefícios parecem um oásis no deserto, escassos...longínquos. E assim se vai protelando outras maneiras de não só ter prazer na vida, mas alegria de viver que vem de dentro de nós, sem precisar de muitos artifícios, como o contato com a natureza por exemplo.

Meu vício no cigarro, além de ser um vício social menos tolerado, é pra mim prejudicial, não combina com minha prática diária de yoga, poderia me sentir menos cansada, meus dentes estariam menos amarelados, meu pulmão voltaria (longo prazo) a ficar limpinho, meus dedos sem cheiro e sem cor, meu beijo com mais frescor,dizem que as olheiras melhoram, nem digo em beijo na boca, mas no rosto dos meus filhos, e também meu paladar mudaria radicalmente sentindo o sabor dos diferentes alimentos. Mas não é só isso, me sinto fraca, por não cair do céu um método fácil.
Ah! Como sou presa fácil pra teorias, mas estou esperando o tal sinal. E se eu consegui 26 anos da minha vida, viver muito bem sem tabaco, porque não os próximos 26 ou mais?
A quem estou falando isso, claro que nem deve ser pra vocês...porque quem nunca fumou não sabe, só ex fumante que sabe.

Hmm...ainda não estou convencida. Tenho uma certa teoria que é você acaba um vício, e inicia outro.
Ou talvez fosse o caso de fazer uma "promessa" como fez minha irmã, em um assunto de família muito sério. Resolvido, ela parou. Parece simples, mas claro que não foi.

Sorte que nunca quis experimentar heroína.

Aguardo o sinal, pois a boa notícia segundo o livro é que pela medicina Ayurveda meu tipo de gosha é Vata-pitta, em outras palavras tipo de pessoas que mudam com mais facilidades, curiosas, portanto, mais provavéis de se livrar de vícios e mudar de vida...quem sabe antes dos meus filhos entrarem na puberdade e na idade entre 12 e 13 anos, quando a maioria das crianças experimentam o cigarro pela primeira vez, e depois de 4 cigarros consecutivos...já estão viciados e nem sabem, talvez esse seja o sinal espiritual pra mim.

Sunday, September 7, 2008

Formigas @ putanesca



`Quem abre uma escola, fecha uma prisão.`
Vitor Hugo



Báh...vocês gostam de formigas, saúvas, aquelas que ficam atrás do açúcar, carregam as folhas maiores que elas?
Normalmente as pessoas n§ao tem medo de formigas, mais de aranhas ou lagartixas, eu...baratas, aquelas grandonas marrom, que quando pisamos sai aquela gosma, e não morrem.
E os formigueiros então?.
Formiga pra mim sempre foi foram um assunto interessante, fazia parte da minha infãncia. Porque até os sete anos, eu só podia brincar no nosso imenso quintal...e como não tinha irmãs, e os meus irmãos menores brincavam sempre juntos, eu ficava sem companhia. Então minha companhia eram as formigas. Viviam brincando com as formigas, conhecia todos os seus territórios, observava-as, cortava com faquinha...e depois me sentia um lixo, má, daninha...de matar aqueles bichinhos quase indefesos.
Destruia formigueiros, e me sentia mal também. Era amor e ódio.

Quando pude ir brincar lá fora, na calçada depois obviamente de fazer a licão de casa...e ainda não podia atravessar a rua (aos poucos fui me afastando) pra desgosto da minha mãe. Guria não brinca na rua, isso é coisa de moleque.E eu tomava gosto ao brincar na rua, com guris e ir inclusive brincar num "campinho" perto de casa. E no final da tarde ouvia o soar do meu nome, bem de longe:

- Berna-detiiiiiiiiiiiiiiiii....passa pra dentrooooooooooo, será que ela gritava mesmo? Ou será que o campinho era mais perto do que eu pensava?

Às vezes não ouvia mesmo, dava uma de surda, completamente entretida na natureza, na biologia, estudando que nem meu filho as lesmas, que são bem mais interessantes visualmente que as formigas, e também comestíveis. E lá vinham meu irmão Mário (um ano mais velho que eu) dizendo. Se você não entrar agora, a mãe vai te dar uma surra.

Surra? Vixe, saia correndo pra casa, morrendo de medo da tal surra que nunca chegava. Pra mim ele inventava aquilo. Porque eu me divertia no meu pequeno universo de criança. E minhas bonecas, eram pros maricas que gostavam mais dela do que eu, coisa chata boneca, aquela coisa parada, aqueles olhos azuis ridículos, que só o que faziam eram ficar abertos, ou fechados.
Nunca achei interessante brincar com natureza morta. Eu gosto de vida, de ser.

Assisti o filme Estomâgo na sexta. Fui sózinha (5 minutos da minha casa de bicicleta na chuva).

Um ingresso pro filme estômago faz favor!

- Oh! Estômago???

É assim que se pronuncia? Eu queria mesmo saber.


(Me falou a menina da porta do cine clube - cinema que é a extensão da sua casa, afinal...de tão caseiro), serve cafezinho, chocomel, cerveja, chá na pausa°intervalo) coisa de holandès que já falei nesse blog.

Atrás de mim, duas senhoras falaram:

- Dois ingressos para o "Estômago" (agora sabemos como se fala).

Ai ai ai, esses holandês que adoram falar idiomas estrangeiros, se sentem...sissi, sissi mas não a Imperatriz, si sentem, endendido.

E assisti, dei muitas risadas.
Adoro filme de prisão, filme de comida, filme brasileiro, filme.
E porque holandês não ri como eu?
Seriam as piadas, nada universais?
Pasta a putanesca.....puta nesca?
Seriam as legendas francas, inapropriadas...literais demais?
Seria porque tinha muito neguinho na cela da cadeia?
Seria porque as prostitutas aqui ficam nas vitrines, e lá na rua.
Seria porque eles gostam mais de peito, e os brasileiros mais de bunda?
Seria porque eles acham politicamente incorreto, rir da desgraca alheia...já que a realidade do filme / Brasil...é completamente diferente dessa aqui?

Filha da puta= klotezak
Buceta = kut
Porra caralho = esqueci...

No Brasil é a bunda, aqui os peitos...talvez seja isso mesmo, porque muitos aqui nem tem bunda, bunda é pra sentar, defecar...a nova geracao até gosta.
Holandês não é bicho macho, uma mulher é a pessoa, sendo mulher.
Quer sexo? Não tem? Faca voce mesmo, compra, vai na internet...no bar.
A malícia e a sacanagem é coisa de brasileiro...seria um fetichismo pra dar mais tesão, também vale para outros países, católicos hipócritas.

E voltando as formigas??? Como tira gosto, farofa de formiga tem proteína.
Gorgonzola.
Coxinha de frango.
Carpaccio.
Alecrim.
Raimundo Canivete.

Sempre vale a pena ver a criatividade brasileiro, a verborragia desmesurada Rodrigueana, se diz assim.
Raimundo Nonato é um pouco o Zé Contente de Horácio Indarte, com o humor do Marcos Jorge.

As unhas pretas fazendo a massa das coxinhas, as unhas limpas tecem os quitutes no Restaurante italiano familiar.

Brasileiro no exterior teme. Teme filme brasileiro. Mas com "Estômago", não tem o que temer, e quem gosta de cinema não teme nada, porque vê o filme, e filme não precisa ser embaixador de nada. Cinema é cinema.
Mesmo com a cadeira quebrada ao meu redor, o que gostei mais ainda. Ninguém senta ao meu lado, e assim fico com o braço da poltrona só pra mim.

Hoje domingo, tá chovendo canivete...
E aproveito as horas sola pra escrever essas breves linhas, essas formigas, mas vou continuar ler "o Estrangeiro" (Albert Camus), descobri um site português bacana, um clube de leitura, onde você pode ler livros pela net, não é a mesma coisa que livro de papel. Principalmente pra mim, que não posso levar lap top pra cama e tenho que ficar confinada aqui na sala, a brincar com as minhas formigas, que são as letras e palavras.

Uma estrangeira desse mundo aprisionadas na minha prosa, que cada vez mais não me enquadro, desse mundo deles.
Quisera antes ter descoberto o absurdismo de Camus.
Mas eu estava ocupada com as formigas.
Cada coisa tem sua hora, dizia minha mãe.E com oito anos, você poderá brincar lá fora.

Tuesday, September 2, 2008

Arrumar a bagunça...não vale dar jeitinho


A mãe da Amelie Poulin gostava de arrumar a bolsa dela.
O pai gostava de lustrar os sapatos (acho, né) e arrumar a caixa de ferramentas.
Eu gosto de arrumar a "cesta" de costura. Sempre guardo botões, aqueles extras que vem nas roupas, tenho linhas e agulhas de todos os tamanhos e cores. Alfinetes, fita métrica, dedal...e vai me perguntar se eu costuro?
De vez ou nunca um botão que está solto, já soltou...mas aprendi com a minha mãe de ter sempre uma cesta dessas por perto.
E hoje em dias as roupas andam tão plastificadas, os acessórios são umas porcarias...
Mas eu tenho umas bagunças permanentes, e quando penso que me livro...lá ela volta novamente, do mesmo jeito que estava, como me livrar dos emails recebidos que entopem a minha caixa postal, dos papéis e contas, propagandas. Roupas? Descobri que cada vez que eu compro algo, dôo algo...mesmo estando em bom ou até excelente estado. Meu guarda-roupa é mínimo, e tenho um gaveteiro de seis gavetas, não entrando ali, vai-se. Hoje quase comprei um faqueiro novo, e pensei...pra quê?
Mas acabei comprando um DVD de yoga pra crianças e três livros. Tinha prometido me segurar, fora livros pras crianças (estavam em oferta), e ontem uma jaqueta de couro imitação que parece couro pro meu filho...cool, era a última do tamanho dele.
Onde vou parar assim?

E sempre estou jogando fora, coisas, roupas, e dando. Semana passada ganhei uma TV.
E os DVD's ficam em preto e branco (tenho dois DVD's players), e tentei...tentei e percebi que era nessa tv, mais moderno que morava o problema...mas e daí, acho que ganhei porque estava com o defeito, que sacanagem.
A antiga vai voltar a reinar rapidinho, pelo menos funciona...quase 100%, ou eu me irrito e vou comprar uma LCD de uma vez por todas, mas e o meu auto-controle onde está.

Mas vim aqui colar***** um texto que recebi de uma amiga do Brasil, ela quase nunca manda essas coisas, mas essas coisas podem ser boas.
Não gosto daquelas coisas radicais, Feng shui, mas certas dicas são aceitas, quando é para sermos mais práticos, e esvaziarmos a mochila, a mala, o sótão, a garagem e a cabeça.
Espaço é fundamental, ar...

E ai vai o texto, espero que gostem e vou tomar a bonequinha emprestada da Beth, porque afinal identifica muito bem esse texto.

Feng Shui Interior
A bagunça é inimiga da prosperidade. Ninguém está livre da desorganização. A bagunça forma-se sem que se perceba e nem sempre é visível. A sala parece em ordem, a cozinha também, mas basta abrir os armários para ver que estão cheios de inutilidades.

De acordo com o Feng Shui Interior - uma corrente do Feng Shui que mistura aspectos psicológicos dos moradores com conceitos da tradicional técnica chinesa de harmonização de ambientes - bagunça provoca cansaço e imobilidade, faz as pessoas viverem no passado, engorda, confunde, deprime, tira o foco de coisas importantes, atrasa a vida e atrapalha relacionamentos.

Para evitar tudo isso fique atento às OITO REGRAS PARA DOMAR A BAGUNÇA:

1. Jogue fora o jornal de anteontem.

2. Somente coloque uma coisa nova em casa quando se livrar de uma velha.

3. Tenha latas de lixo espalhadas nos ambientes, use-as e limpe-as diariamente.

4. Guarde coisas semelhantes juntas; arrume roupas no armário de acordo com a cor e fique só com as que utiliza mesmo.

5. Toda sexta-feira é dia de jogar papel fora.

6. Todo dia 30, por exemplo, faça limpeza geral e use caixas de papelão marcadas: lixo, consertos, reciclagem, em dúvida, presentes, doação. Após enchê-las, jogue tudo fora.

7. Organize devagar, comece por gavetas e armários e depois escolha um cômodo, faça tudo no seu ritmo e observe as mudanças acontecendo na sua vida.

8. Veja uma lista de atitudes pessoais capazes de esgotar as nossas energias. Conheça cada dessas ações para evitar a 'crise energética pessoal'.

1. Maus hábitos, falta de cuidado com o corpo - Descanso, boa alimentação,hábitos saudáveis, exercícios físicos e o lazer são sempre colocados em segundo plano. A rotina corrida e a competitividade fazem com que haja negligência em relação a aspectos básicos para a manutenção da saúde energética.

2. Pensamentos obsessivos - Pensar gasta energia, e todos nós sabemos disso. Ficar remoendo um problema cansa mais do que um dia inteiro de trabalho físico. Quem não tem domínio sobre seus pensamentos - mal comum ao homem ocidental, torna-se escravo da mente e acaba gastando a energia que poderia ser convertida em atitudes concretas, além de alimentar ainda mais os conflitos. Não basta estar atento ao volume de pensamentos, é preciso prestar atenção à qualidade deles. Pensamentos positivos, éticos e elevados podem recarregar as energias, enquanto o pessimismo consome energia e atrai mais negatividade para nossas vidas.

3. Sentimentos tóxicos - Choques emocionais e raiva intensa também esgotam as energias, assim como ressentimentos e mágoas nutridos durante anos seguidos. Não é à toa que muitas pessoas ficam estagnadas
e não são prósperas. Isso acontece quando a energia que alimenta o prazer, o sucesso e a felicidade é gasta na manutenção de sentimentos negativos. Medo e culpa também gastam energia, e a ansiedade descompassa a vida. Por outro lado, os sentimentos positivos, 'como a amizade, o amor, a confiança, o desprendimento, a solidariedade, a auto-estima, a alegria e o bom-humor recarregam as energia e dão força para empreender nossos projetos e superar os obstáculos.

4. Fugir do presente - As energias são colocadas onde a atenção é focada. O homem tem a tendência de achar que no passado as coisas eram mais fáceis: 'bons tempos aqueles!', costumam dizer. Tanto os saudosistas, que se apegam às lembranças do passado, quanto àqueles que não conseguem esquecer os traumas, colocam suas energias no
passado. Por outro lado, os sonhadores ou as pessoas que vivem esperando pelo futuro, depositando nele sua felicidade e realização, deixam pouca ou nenhuma energia no presente... E é apenas no presente
que podemos construir nossas vidas.

5. Falta de perdão - Perdoar significa soltar ressentimentos, mágoas e culpas. Libertar o que aconteceu e olhar para frente. Quanto mais perdoamos, menos bagagem interior carregamos, gastando menos energia ao alimentar as feridas do passado. Mais do que uma regra religiosa, o perdão é uma atitude inteligente daquele que busca viver bem e quer seus caminhos livres, abertos para a felicidade. Quem não sabe perdoar os outros e a si mesmo, fica 'energeticamente obeso', carregando fardos passados.

6. Mentira pessoal -Todos mentem ao longo da vida, mas para sustentar as mentiras muita energia é gasta. Somos educados para desempenhar papéis e não para sermos nós mesmos: a mocinha boazinha, o machão, a
vítima, a mãe extremosa, o corajoso, o pai enérgico, o mártir e o intelectual. Quando somos nós mesmos, a vida flui e tudo acontece com pouquíssimo esforço.
(Eu até não vejo como mentira, mas são os papéis que temos nessa vida, como se fossem uma proteção e um escudo pra seguir em frente na batalha, porque chega uma hora que a casa cai, a gente escorrega, então agradar ou desagradar os outros e a nós mesmos vai acabar rolando.)

7. Viver a vida do outro - Ninguém vive só e, por meio dos relacionamentos interpessoais, evoluímos e nos realizamos, mas é preciso ter noção de limites e saber amadurecer também nossa individualidade. Esse equilíbrio nos resguarda energeticamente e nos recarrega. Quem cuida da vida do outro,sofrendo seus problemas e interferindo mais do que é recomendável, acaba não tendo energia para construir sua própria vida. O único prêmio, nesse caso, é a frustração.

8. Bagunça e projetos inacabados - A bagunça afeta muito as pessoas,causando confusão mental e emocional. Um truque legal quando a vida anda confusa é arrumar a casa, os armários, gavetas, a bolsa e os documentos, além de fazer uma faxina no que está sujo. À medida que ordenamos e limpamos os objetos, também colocamos em ordem nossa mente e coração. Pode não resolver o problema, mas dá alívio. Não terminar as tarefas é outro 'escape' de energia. Todas as vezes que você vê, por exemplo, aquele trabalho que não concluiu, 'ele' lhe diz inconscientemente: 'você não me terminou! Você não me terminou!' Isso gasta uma energia remenda. Ou você a termina ou livre-se dela e assuma que não vai concluir o trabalho. O importante é tomar uma atitude. O desenvolvimento do autoconhecimento, da disciplina e da terminação fará com que você não invista em projetos que não serão concluídos e que apenas consumirão seu tempo e energia.

9. Afastamento da natureza - A natureza, nossa maior fonte de alimento energético, também nos limpa das energias estáticas e desarmoniosas. O homem moderno, que habita e trabalha em locais muitas vezes doentios e
desequilibrados, vê-se privado dessa fonte maravilhosa de energia. A competitividade, o individualismo e o estresse das grandes cidades agravam esse quadro e favorecem o vampirismo energético, onde todos sugam e são sugados em suas energias vitais.

Divulgue essas dicas para o maior número de pessoas possível e mentalize que, quando todos colocarem essas regras em prática, o mundo será mais justo e mais belo.

Vamos tentar melhorar nossa energia pessoal.

Atitudes erradas jogam energia pessoal no lixo. *

Posicionar os móveis de maneira correta, usar espelhos para proteger a entrada da casa, colocar sinos de vento para elevar a energia ou ter fontes d'água para acalmar o ambiente, são medidas que se tornarão ineficientes se quem vive neste espaço não cuidar da própria energia. Portanto, os efeitos positivos da aplicação do Feng Shui nos ambientes
estão diretamente relacionados à contenção da perda de energia das pessoas que moram ou trabalham no local.

O ambiente faz a pessoa, e vice-versa.

A perda de energia pessoal pode ser manifestada de várias formas, tais como:
- a falha de memória (o famoso 'branco');
- o cansaço físico, o sono deixa se ser reparador;
- o ocorrência de doenças degenerativas e psicossomáticas;
- a prosperidade e a satisfação diminuem;
- os talentos não se manifestam mais por falta de energia;
- o magnetismo pessoal desaparece;
- medo constante de que o outro o prejudique, aumentando a competição, o individualismo e a agressividade, falta proteção contra as energias negativas e aumenta o risco de sofrer com o 'vampiro energético'. *



Namastê
Desse Feng Shui eu gosto...(esse comentário faz parte do texto).


colar = colo mesmo porque ando muito viciada no Facebook (quem te viu) mas arrumei um amigo bacana por lá, as aulas voltaram, estou com uma pré adolescente em casa, e não estou podendo também a agenda está super cheia, quero tempo pra mim, buáááá.
E tenho feito todos os dia uma hora de yoga, e parece que o povo me liga justamente nesse momento ou na hora da meditação que comecei também.

Monday, August 18, 2008

Normose


Na internet, quase nada se cria...muito se copia e essa é a minha transformação da lei do francês Lavoisier(na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma) pra colocar aqui um textinho que minha amiga Nina ex O. me mandou.
Gostei muito e espero que leiam e curtam também!

NORMOSE:

"Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal .

Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.
O sujeito 'normal' é magro, alegre, belo ,sociável, e bem-sucedido. Quem não se 'normaliza' acaba adoecendo.

A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias ,depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem.

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha 'presença' através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos.

Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.

Você precisa de quantos pares de sapato?

Comparecer em quantas festas por mês?

Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu 'normal' e jogaram fora a fórmula,não patentearam, não passaram adiante.

O normal de cada um tem que ser original.

Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera, por isso, divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes."

Martha Medeiros ( 05.08.07)-Jornal Zero Hora-P.Alegre-RS

"Podemos converter alguém pelo que somos, nunca pelo que dizemos." Huberto Rohden (1893 - 1981), filósofo e educador catarinense


Não falei que era legal???