Monday, August 18, 2008

Normose


Na internet, quase nada se cria...muito se copia e essa é a minha transformação da lei do francês Lavoisier(na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma) pra colocar aqui um textinho que minha amiga Nina ex O. me mandou.
Gostei muito e espero que leiam e curtam também!

NORMOSE:

"Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, considerado o fundador da ioga no Brasil, ouvi uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal .

Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.
O sujeito 'normal' é magro, alegre, belo ,sociável, e bem-sucedido. Quem não se 'normaliza' acaba adoecendo.

A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias ,depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.A pergunta a ser feita é: quem espera o que de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem.

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha 'presença' através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos.

Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.

Você precisa de quantos pares de sapato?

Comparecer em quantas festas por mês?

Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu 'normal' e jogaram fora a fórmula,não patentearam, não passaram adiante.

O normal de cada um tem que ser original.

Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu não sou filiada, seguidora, fiel, ou discípula de nenhuma religião ou crença, mas simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera, por isso, divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes."

Martha Medeiros ( 05.08.07)-Jornal Zero Hora-P.Alegre-RS

"Podemos converter alguém pelo que somos, nunca pelo que dizemos." Huberto Rohden (1893 - 1981), filósofo e educador catarinense


Não falei que era legal???

Tuesday, August 12, 2008


Você conhece alguém que não tem nenhuma doença? Ou problema de saúde? Alguém 100% saudável, sem vícios, sem dores nenhuma no corpo, na cabeça, sem problemas psiquiátricos ou psicológicos, problema de coração, pressão, motor, alergias, etc.

Pois bem, eu não conheço.
Todo mundo que eu realmente conheço sofre , de algo...aliás sofre, é uma palavra tão baixo astral.
Porque doença muitas vezes não significa sofrimento, não que você vai sair cantando por ai: eu sou doente e não estou nem ai. Mas é o tipo do termo inventado, e associado...com doença, dor, sofrimento.
Mas pessoas que realmente passam por sérios problemas de saúde, e são conscientes disso, merecem o meu respeito e mais do que tudo admiração.
E principalmente aquelas que não fazem drama porisso, porque sabem que não vai adiantar nada, só piorar.

E talvez seja esse o grande segredo. Saber lidar com o que se tem. E claro que às vezes a barra pesa demais. Tenho uma amiga que tem o mal de Parkison, que é uma doença irreversível, e cada vez mais os músculos do corpo vão se encolhendo. Ela se mexe cada vez mais, e ficar na presença dela nos primeiros instantes, dói...fundo na alma da gente, é uma situação de desconforto, até a gente acostumar, depois de uma hora, a gente acostuma, mas quando sai da casa dela, dá um alívio e um certo pesar e frustação, que não se pode fazer nada.
Essa mesma pessoa anos atrás, quis entregar os pontos que nem dizia meu pai.
Um dia qualquer, encheu a boca de remédios para dormir, e queria sumir...
Foi parar no hospital, fizeram-na uma lavagem estomacal, e ficou alguns dias para observação.
Depois de recomposta, mandou cartões pra todos amigos e familiares, pedindo desculpa pela incomodação e preocupação e pelo momento de fraqueza. E todos os cartões foram feitos a mão, com pinturas próprias.
Nem precisava, porque quem realmente se importa com ela, entende.

O livro "A doença como caminho" elucida as doenças como inexistentes - no método tradicional, claro. E o remédio é a compreensão para atingir a consciência o auto-conhecimento, o enfoque principal são os diferentes sintomas das doenças(que são como um alerta da alma para uma carência essencial). Tanto faz se você é uma pessoa doente ou uma saudável, o mais importante é como você age perante a sua doença, e como lida com ela, o que aprende com ela e como cresce espiritualmente através dela.
Se essa mensagem é entendida, qualquer pessoa com qualquer doença que seja, está pronta pra ter uma vida normal, digamos, nova a cada dia. Me incluo nessa lista, porque sei muito bem porque a depressão apareceu na minha vida. Nunca havia levado a sério depressão e síndrome do pânico, até pagar na carne.

Eu fechei todas com esse livro, principalmente com os métodos de questionamentos profundos, e com a visão do Ego como grande vilão.
Aliás estou lendo um outro livro também que enfatiza o ego, como causa das grandes desgraças da vida humana, e até me perguntei se não seria utopia, mas é porque eu ainda não entendi como se fica aware, aliás na teoria entendi, sei que a prática vem com a observação de nós mesmos, e também dos outros e tudo ao nosso redor, aliás é uma questão novamente de estar alerta, opa...isso é a teoria que entendi.
Bom, é um novo enfoque, quem se interessar a dica está dada.

Thursday, August 7, 2008

M U G A R I R O











Férias, férias férias...não significa solamente viajar, para um país distante, mas sim aquele sentimento descompromissado de horário, rotina diária, a roda viva da vida.
Férias é estar assim livre das obrigações diárias.
Assim como eu estou agora. Sózinha sem meus filhos por quase três semanas. Eles no meu pensamento e no meu coração, sempre é claro...e já ouço o chamado de longe, mama mama mama.
Férias foi pintar o quarto dos meus filhos, a metade de azul celeste, e a metade cor de rosa...eles vão gostar, eu prometi, e eles vão na verdade adorar, de chegar em casa, e ver que a mamãe pensou neles e cumpriu o prometido, foi dar festinha em casa, ir a praia com amigas e cantar, beber vinho tirar fotos...torrar no sol, sol(?) na Holanda.

Férias foi ir à uma ilha na Grécia no filme Mamma Mia. Nem sou e nunca fui uma grande fã do grupo Abba...mas as letras e música tomaram uma dimensão mais humana e artística no musical, recomendo, principalmente para mulheres na meia idade como eu, que daqui há dois aninhos completarei meio século de vida, alive and kicking. e falem o que quiser, gosto de Meryl Streep, e a ilha onde o filme foi feito, é reallllllllmente um luxo, digo, um paraíso, se você não depender de cadeira de rodas claro, e falando a verdade não gosto muito de musicais, mas gosto assim mezzo-mezzo, quando se canta e fala, e tem filmes que tem de ser musicais, porque senão ficam muito dramáticos, pesados, chatos.
Dominique é um nome - modéstia a parte muito lindo que dei a minha filha. Acho que se tivesse 10 filhos, os 10 teriam nomes lindos, não que seja fácil dar nome a filho, foi muito difícil escolher.
Dominic Benhura foi uma surpresa pra mim na exposição "My world Mugariro" de esculturas de pedra, no idílico e magnífico Hortus Botanicus da minha cidade, que foi fundado em 1560, imaginem que vieram 50 esculturas, umas gigantescas da África, até aqui na Holanda.
Anos atrás pela primeira vez, pude ver na estufa a nossa Vitória Régia, que nunca havia visto no habitat natural, Jardim Botânico a gente diz né?
Particularmente não gosto muito de esculturas junto com natureza, elas roubam um pouco da essência da natureza, mas no caso de Dominic que veio do Zimbabwe, achei que acrescentou um ar alegre entre as plantas, jardins e árvores e também pude perceber a maneira que ele retrata o laço entre mãe e filho, visto que viveu no orfanato, mas hoje em dia é pai de cinco crianças, e é da minha geração nasceu nos anos 60, digo 1968...hehehe.
A figura materna, as crianças brincando, é sentida em suas esculturas, e eu sou assim, quando gosto de algo, gosto no primeiro momento, não pelo detalhe, ou originalidade, mas a emoção que sinto e isso senti em Dominic. E ter vindo da África também faz com que seu trabalho seja mais interessante ainda. Ser artista famoso, da África, e claro negro, e poder viver de sua arte, sou um pouco esquerdista com isso, acho um saco, aquela coisa...Nova Iorquina de ser artista plástico, como se só em Nova Iorque tivesse artistas, bábábá...ou aqui na Europa, todo mundo com diploma na mão, mas arte mesmo??? Where? Virou negócio...auto-promoção, não gosto disso NAUM.
Se eu tivesse dinheiro, nem saberia qual escolher, pois são praticamente todas lindas, confiram no site.
Dálias, dálias, dálias...na minha casa na Visconde Duprat, eram as flores que predominavam, bem como as hortênsias azuis, margaridas, e o enorme cactus verde amarelo na fachada da casa. No hortus encontrei também uma exposição de dálias e cactus do México, e alguns da Nova Zelândia...nem sei se um dia vou poder visitar esses países. So many men so little time...mas sorte que existem esses jardins, patrimônio de todos.

E como é bom estudar (no meu caso hatha yoga) na grama verde imaculada e fofa, sou assim quero saber todos os termos em sânscrito, ou quase todos, sem cacos de vidro (como uma semana atrás cortei o joelho na prainha, como se o Fred Kruger tivesse usado suas navalhas). A beira do Witte Singel - um dos canais mais lindos de Leiden, que pra quem não conhece, vivo dentro dos Singels (canais) como se vivesse numa ilha...é, vivo numa ilha, rodeada de água por todos os lados, e várias pontes, cada uma tem um nome, e demorei pra descobrir isso.
É preciso saber nadar por aqui na Holanda. E meu joelho ainda está inflamado, talvez porisso que não suporte plásticas, demoro pra cicatrizar, e quem me garante que o efeito fique melhor do que é agora?

Amigo em Ibiza pela primeira vez, me escreve via torpedo (vixi que termo feio), dizendo que Ibiza é festa, 24 horas por dia e meu cartão postal está a caminho, será o segundo de Ibiza, é bom receber mensagens de longe, principalmente naquela grama verde.

Hoje mais um dia, repleto de água lá fora, chove tanto...na verdade não tenho nenhum plano, fora minha aula de yoga quase diária, arrumar a casa, os papéis, ler os trocentos emails diários, e como chega lixo, que não estou interessada.
Colocar em ordem o que está em desordem, curtir meus últimos momentos, comigo mesmo.

Acabei o livro de Lya Luft - Perdas e Ganhos...mas fico feliz que pelo menos terminei um livro, normalmente não consigo me concentrar pra ler, o dia rodeada de pipocas (filhos e amiguinhos)...e como criança tem energia, frescor, são cientistas da vida, plantinhas racionais, crescem crescem crescem tão rápido...e quanto a nós, temos que nos cuidar pra não ficarmos vazios, nos divertirmos com nossos próprios sonhos, objetivos e experienciando nossas perdas e ganhos como bem diz a própria Lya e querendo sempre mais, até o último sopro como diz a Mevrouw que eu trabalhei como voluntária, ela perdeu o marido, não tinha filhos, e a mãe ficou demente com mal de Alzheimer, duro, viu?

Minha mãe sempre dizia: que saudades que eu tenho quando vocês eram bebês...hoje vejo nas fotos, e também quero fazer com que os momentos de antes, quando eles eram menores, ficassem um pouco congelados, mas não dá. Apesar do trabalhão que os bebês dão, é como se fosse bichos de estimação, mas quando crescem viram pessoas, e ai temos que aprender a ser professores, educadores, mentores, etc etc...ou simplesmente pano de fundo, na vida deles, portanto, viver o agora, e ter os papéis de mãe, de mulher, de indivíduo devem ser separados, para não se ter surpresas desagradáveis no futuro.

Eles crescem, e a única coisa a fazer, é criar a confiança suficiente, para que eles sempre contem com você, e queiram de vez ou outra voltar pro ninho.

Não fui à Grécia, nem Ibiza...mas me sinto feliz e energizada o suficiente pra curtir os Kung Fu Pandas, Tartarugas Ninja...Puccah...Happy Meals, batatas fritas, escorregador de piscina, DS Lite, DS...Mario Bros, Totally Spies, Winx Club, e essas coisas inventadas para nossos pequenos guerreiros.

Vivenciei o mundo de "Mugariro" nas férias, que pode ser em qualquer lugar.

Monday, August 4, 2008

Gay pride parade - Amsterdã 2008

as tias Bebete e René *...


Sábado passado, dia 2 de agosto foi um marco no mundo gay na Holanda em 2008.
Mais de meio milhão de pessoas visitaram o Gay pride nos canais de Amsterdã, e 80 barcos navegaram nos canais, barcos de todos os gêneros, cores, mensagens, e até políticos do partido dos Trabalhados o PvdA (partij van de arbeiders)...o partido que eu costumo votar.
Esse ano o enfoque era realmente elucidar da parte dos políticos a fama de tolerancia de Amsterda como capital gay da Europa e da política da Holanda, haja visto que ultimamente nas grandes festas em Amsterda, os decendentes ou estrangeiros principalmente do mundo islamico repudiam os gays e partem para a ignorancia usando de violencia e agressividade, refletindo a falta de informacao e ignorancia e o confronto com anos de liberdade conquistada na Holanda por parte dos gays.

Um povo azedo, assim como muitos das Antilhas Holandesas)ex colonia', homofóbicos, ai é quase ímpossível nao odiar pessoas assim de cabeca de porongo, já que vim tambem de um pais de cultura machista e cheio de piadinhas de mau gosto e que muitos estao no armário e nem pretendem sair, morrendo de medo.
Já há uma iniciativa da Holanda no auxílio a Polonia, que por sua vez também é um pais extremamente homofóbico, o que mostra que os limites vao bem além das fronteiras, com base no dialogo aberto. Tenho um vizinho gay que ja foi várias vezes a Polonia tentar ajudar a mudar esse panorama.

Falando de coisas boas e festas, esse ano o espetáculo foi agraciado com um tempo maravilhoso, e se não era de sol, imperava no ar uma atmosfera de festa, tolerância, orgulho e fraternidade. E quem nao gosta de ver gente animada. Vi uma velhinha toda de azul, até os brincos...caminhando toda encurvada no aglomerado do café Roque de maos dadas, talvez com o filho, e o semblante sorridenta dela me fez constatar que a vida pode ser bem melhor, basta querermos.

Não vi nenhum basfonds, vi famílias, homossexuais, lésbicas, drag queens, e fora aqueles que a gente não sabe o que são. Aliás quem era contra ou estava por fora, nem compareceu.

Ganhei adesivos, camisinhas extra-strong com óleo lubrificante, dancei, tirei fotos, mas infelizmente não vi nenhum conhecido, os poucos estavam nos barcos, e os turistas que eu esperava ver, estavam soltos pela multidão e põe multidão nisso,é o mes de férias, mas em momento me senti sozinha, me senti rodeada de amor e alegria.

A Regulierdwarstraat estava abarrotada de gente, a rua mais gay da cidade, e as intermediações também, isso depois da parada...me joguei lá, mas no meio de tanta bicharada gigante, quase fui levada pela multidão, o DJ tava ótimo, sei lá quem era, e a decoração da rua com corações rosas torneados por roxo, divina...e as máquinas de bolhas de sabão e chuva de plástico colorido dava o tom alegórico e festivo da coisa.

Eu tive sorte na parada, pensando bem, e consegui um bom lugar numa ponte, e fiquei sentada assistindo barco por barco, quase como se estivesse no sofá de casa, mais em 4-D, quarta dimensão, acompanha por um amigo que me salvaria se eu caísse nos canais, se bem que eu sei nadar muito bem, mas o problema que todas as pontes (debaixo delas) estavam ocupadas com barcos, veleiros, de tudo quando é tipo e tamanho, um grande trânsito na água.

Guardei um coração cor de rosa, na chuva de corações...que um dos barcos mandou ver.
Qualquer lugar era um lugar, contanto que se tivesse um bom ângulo de visão...o que fica mais difícil se voce chega tarde ou de estatura baixa.


Para quem quiser saber mais informações, esse site abaixo diz mais sobre a parada...e sobre toda a temática gay da Holanda. Porque eu estou realmente acabada e me recuperando da festa.

clique aqui e saiba mais, veja mais, se joga e compareça no ano que vem...

Bem como ganhei vários flyers como esseque é muito prático pra turistas, com novidades, hotéis, festas, fotos, e agenda.
Uma coisa fofa de ver foi a loja gay que se pode comprar muitas coisas legais e dar de presente, nem precisa ser gay.

Bom, a tia aqui já fez suas recomendacoes...até breve, and safe sex!

* tia = um dia você vai ser (Que fim levou Robin?)

Tchau querida!

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as gue...