Monday, June 25, 2007

Com humor para os amigos como eu


"Normas para aceitação do lítio em sua vida:"


1) Esvazie o armário de remédios antes que cheguem convidados para jantar ou namorados novos que venham passar a noite.
2) Lembre-se de devolver o lítio para o armário no dia seguinte.
3) Não se envergonhe com sua falta de coordenação ou sua incapacidade de se sair bem nos esportes,que no passado praticava sem dificuldade.
4) Aprenda a rir do fato de derramar café,de ter a assinatura vascilante de alguém com 80 anos e de não conseguir pôr um par de abotoaduras em menos de 10 minutos...(no meu caso as lentes de contato, seria mais prático e rápido ter um olho só)
5) Sorria quando as pessoas brincarem a respeito de achar que precisariam estar tomando lítio, aquele velho ditado de "médico e de louco", elas acham que essa doença é besteira, vamos rir?
6) Concorde com um ar de inteligência e convicção quando seu médico lhe explicar inúmeras vezes as vantagens do lítio na eliminação do caos na sua vida.
7) Seja paciente enquanto espera por essa eliminação muito paciente. Releia o livro de jó e continue a ser paciente. Considere a semelhança entre as expressões "ser paciente" e "ser um paciente".
8) Procure não se deixar irritar pelo fato de você não conseguir ler sem esforço. Encare isso com serenidade,mesmo que conseguisse ler,provavelmente não se lembraria da maior parte, a palavra concentração agora faz sentido não?
9) Adapte-se a uma certa falta de entusiasmo e vitalidade que você tinha antes. Procure não pensar em todas as noites vibrantes que você já passou talvez fosse melhor não ter passado aquelas noites mesmo.
10) Sempre tenha em mente como você está melhor todos os outros sem dúvida salientam esse ponto com suficiente frequência,por irritante que seja é provável que seja verdade.
11) Seja grato. Nem mesmo chegue a considerar a hipótese de parar de tomar o lítio.
12) Quando você parar,ficar maníaco e/ou entrar em depressão,espere ouvir 2 temas básicos da sua família,dos seus amigos e terapeutas. -Mas você estava se saindo tão bem simplesmente não entendo.- Eu disse que isso ia acontecer.
13) Reabasteça seu armário de medicamentos.

Sunday, June 24, 2007

Bi-curious


Novamente assisti o filme Kissing Jessica Stein de 2001.
Me lembrei do meu lado bi-curious, e de meus amigos aliás algumas amigas, uma judia e as gays (lésbicas).
E lembrei também de uma estória platônica que tive com uma amiga, sendo que as possibilidades do lado dela eram bem maiores, mas ela não saia do closet e não mostrava a cobra, até um belo dia me confessar a verdade, não só que estava apaixonada por mim, mas que me amava em todos aqueles anos...de amizade entre nós, e que me queria de qualquer jeito.
Bom, fazer tudo pra mim ela já fazia, era excelente companhia, éramos vistas sempre juntas pela noite, e durante o dia, ela praticamente estava sempre à minha disposição, onde quer que eu quisesse ir...lá estava ela pronta.
Bom, eu já sabia dessa tendência dela mas nunca a levava a sério, não porque tinha vergonha de ser lésbica, pra mim seria até uma honra e mais divertido, e com essa boca grande minha, ia ter muito mais fama, se falasse pra imprensa sou GAY e daí? Acho que todos iam adorar na época - uma Bebete gay ou bi, uma boa propaganda pro meu trabalho na noite, pros negócios, pra dar entrevistas, e no Brasil há tão poucas pessoas formadoras de opinião que assumem sua opção sexual sem serem caricatas, aliás não sei se homossexualidade é uma opção, aliás sou péssima em teorizar sobre esse assunto.

Mas, ok...não aceitei nenhum namoro oficial, nem tive nada com ela fora amizade, apesar de ter um excelente sensação, aquela de que alguém te ama muito, alguém inteligente, bonito(a), de boa família, culto(a) e de um caráter extraordinário, e de saber que havia um fascinação da parte dela pela minha pessoa, apesar de também recear uma grande decepção só de pensar em possível envolvimento e havia uns rumores que era cool ser lésbica na época, termo chamado lesbian chic, mulheres bonitas, jovens, inteligenres, não aquele estereótipo de camioneiras e cabelos a lá Simone, ultrapassado, era uma coisa, salto alto, Chanel, Gucci, bolsa, make up da Mac, Dior, e traços finos, dançar em clubs, chamar atenção sutilmente, discrição. Mas eu optei pela amizade, e somos amigas até hoje e ela vive feliz com a namorada, moram juntas e eu acabei ganhando outra amiga.

A neurótica Jessica no filme, de família judaica me deu nos nervos mais uma vez, sim porque fizeram dela uma personagem bem estressada, era uma Bridget Jones diferente, mas louca por um partner, correta ao extremo, mas mais curiosa e acaba tendo um date com uma mulher.E é assim mesmo que ocorre na realidade, a novidade no início, o diferente, quase que ela desiste mas acabou se apaixonando por uma pessoa do mesmo sexo, é foi muito excitante, mas se a relação adquire um caráter mais sério, as coisas começam a se complicar, perante o círculo social, família e o ambiente de trabalho, e o negócio é ocultar, mas chega um momento que não há mais como esconder, mas há momentos bem engraçados no filme, vários, no shabbat na casa da mãe dela, que o temporal é tão forte que elas não podem voltar pra New York, e a mãe as coloca no mesmo quarto de juventude, as duas "meninas" a salvo, e ai que a coisa pegou fogo de vez debaixo dos lençóis e depois elas resolveram juntar as escovas de dente.
Que romântico.

Eu não me vejo como gay, apesar de nunca dizer que desta água eu não beberei.
Continuo curiosa, apesar de não apreciar tanto a anatomia de um corpo feminino como aprecio a do masculino, gosto de contrastes, mas acho interessante e penso na minha vã curiosidade que numa relação entre mulheres, pode haver mais compreensão, mas claro é preciso de que ambos lados queiram, compactuem, estejam apaixonados e interessados e que de preferência haja interesse sexual balanceado e maturidade pra coisa ir pra frente, aliás isso vale pra todo o tipo de relação, gay ou straight.

Gosto desses assuntos, gostei mais uma vez do filme e aconselho, se você gosta de New York, simpatiza pelos gays, e a comunidade judaica, assista.

Thursday, June 21, 2007

Jump(en)


Há dias que meu filho chega da escola com essa palavra "jumpen" assim em holandês, que significa JUMP em inglês como muitos sabem, porque em holandês Jump é springen, mas nesse caso ai é jumpen, eles aqui fazem verbo de tudo, e jumpen é verbo no infinitivo por exemplo. We gaan jumpen * nós vamos dançar a dança do pulo.
E ele ficava dançando em casa assim sem mais nem menos, depois vira a saber que ele queria era treinar, praticar pra fazer bonito na escola.
Jumpen também é uma coreografia de rua deles lá, aliás não sei quem inventou, pula duas vezes, cruza as pernas pra frente pra trás, solta a perna direita duas vezes pra frente, a esquerda uma vez pra frente, imediatamente pra trás, continua com a direita que cruza com a pena esquerda e depois continua na sequência inicial, sem pular duas vezes e quanto mais entusiasmo melhor.

Entenderam? Não? Parece simples, e é...mas sincronizar tudo é que são elas, todos juntos ai que é o grande segredo e fica muito, mas muito legal, parece uma rave e quanto mais ensurdecedora a música melhor.

Ontem foi a festa de encerramento do tema "Teatro de Rua"...cada grupo da escola do meu filho, apresentava um ou mais números, da classe dele foi uma música e coreografia de índios "norte americanos", já que eles estava trabalhando nesse tema já faz um tempo.
No início da festa todos os professores e professoras abriram o espetáculo com uma música bem DUM DUM DUM eletrônica, bem alta, com o JUMPEN, eu já fiquei animadíssima, porque como platéia dancei e berrei junto - coisa que aqui as pessoas não fazem muito, tanto que hoje the day after eu dei um bom dia pro diretor e os parabéns porque é muito engraçado ver professor/a dançar e fazer bagunça. E ele o meester Ivo disse que eu também estava animada, nossa...no meio de mais de 300 pais ele notou minha animação, mas o número de Jumpen não era comigo, em passinhos sou descoordenada, meu negócio é agito.

A tarde foi ótima, porque o sol não parou de brilhar - hoje já está chovendo.
E as guloseimas que as mães fazem como de praxe estavam uma maravilhasa, eu não fiz nada nem colaborei, aliás nem tirei foto, nem filmei. Me arrependo de não ter filmado, porque o legal da coisa era o movimento, mas comi o tempo inteiro.
Tinha grupos que dançaram rap, outros tocaram rock em bandas o grupo 8, das crianças maiores, e também salsa, dança havaiana...e os pequeninhos de 4 também dançaram, são sempre engraçados, porque eles não entendem direito o que é uma apresentação, mas muitos conseguem fazer direitinho.
Mas todos os grupos tinham uma roupa e/ou acessórios específicos, que fazem o espetáculo mais bonito.

Entrementes, as crianças participaram de brincadeiras, comprei um pulseira pra Dominique e outra pro Dimitri, e eles podiam participar das brincadeiras gratuitamente, enfrentando filas claro, pescarias, marcar pontos com as bolas de gude, aceitar o alvo, umas com água..etc.
A fila do sorvete tava também quilométrica pelo calor. Sorte que aqui furar fila, não é uma boa idéia.
Legal que esse dinheiro sempre vai pra caridade, ou pra melhorias da própria escola e município, ninguém embolsa nada.

Tinha também uma roda da fortuna, e volta e meia alguém ganhava um prêmio...tudo anunciado pelo diretor no microfone, fazendo o suspense necessário. Eu não ganhei nada porque não comprei lote nenhum, e algumas coisas de prêmio eu já tinha, como uma barraca pra sol, aquelas pela metade, que eu acho o maior trabalho....estou dando, hehehe. Eu queria mais o grande prêmio, que era uma viagem pra 4 para Duinrell, um parque com águas que as crianças devem gostar.

No final da festa, foi ótimo quando todos os professores e alunos dançaram o Jumpen juntos, e a maior barulheira, não parecia uma escola.
E esse tipo de evento em uma escola eu nunca vi. Adorei...e ficava imaginando as festas tímidas dos meus colégios de antigamente, nossas os tempos mudaram mesmo.
Tudo agora é muito cool, e mais cool ainda que passamos no Mac Donald's depois, e no caminho pra casa Dimitri meu filho disse:

- Chegando em casa põe o CD da Madonna com o número "Jump"?????

Amanhã irei pra Suiça e Áustria, meu ticket já está na mão, o tema da escola da Dominique é uma viagem à Europa, mas apesar do ticket não preciso pegar avião nenhum, fazer check in, tudo na imaginação e quero ver o que eles vão aprontar lá em Katwijk (cidade onde fica a escola dela)porque eu ainda estou com o Jumpen na cabeça, aliás nos pés.JUMP
Are you ready?

Monday, June 18, 2007

Yoshitomo Nara


Por acaso acabei visitando nesse final de semana a belíssima exposição do artista pop japonês Yoshitomo Nara, que desculpem a minha ignorância nem sabia que existia, mas estou começando a acreditar que uma coisa puxa outra desde que semana passada fiquei "amiga" de vários bonecos bacanas e bandas de bossa nova japonesas no My Space, e a semana fechou assim no mesmo estilo.
O trabalho dele é a minha cara, adoro ver bonecas de olhos grandes e cabelo chanel, maria chiquinha e corpo pequeno e também brinquedos pra gente grande, dou mil pulinhos que nem criança, e me dá mais ânimo pra viver, porque normalmente acho tudo tão batido e chato e percebo que através desse tipo de arte, a gente contesta mais o mundo do imposto e de adultos, ai que mundo chato e cheio de pose. Aas cores que ele usa são em tons pastéis em algumas telas, e outras escuras e opacas, o opaco fica muito chique, e a textura das telas, parece que ele em algumas coloca uma base de gaze aos pedacinhos, e o tema, não é só fofura, mas também é diferente de Trevor Brown que assusta crianças, ele intriga mas não assusta as criancinhas, mas sua arte é pra adultos, que nem eu antigamente era clubber kid, poucas pessoas entendem, ou pelo menos os adultos que uma pessoa pode gostar de algo anti convencional, talvez porque quando estudei desenho publicitário, eu era um desastre em desenho, mas era ótima em criar personagens como "a Chorona", uma personagem de estórias em quadrinhos criada por mim, vestido tubinho, cabelo chanel com franja preto e pernas gordinhas em triângulo, e um olho podia ser desproporcional no rosto, e essa mesma improbabilidade distante da realidade só em arte moderna mesmo...ah, no fundo eu gosto de tudo que me toca, mas não toco nada só pedra n'água, mas gosto de ver algo perto do meu universo.
Já ele tem as bonequinhas fofas, mas também mostra um pouco da agressividade da infância, da hostilidade de um mundo infantil quase isento de contos da carochinha, porque hoje em dia a violência está em todos os lugares(mas lá no Japão a coisa é preta pras crianças e juventude)ai os japoneses inventam os pockemons(eu mesmo sei que aqueles aparentemente inofensivos bonecos, são um poço de ódio e poder). Bom a violência predomina, nos brinquedos, games, tv, aliás numa forma mais exagerada do que antigamente, porque é sempre a mesma estória o bem contra o mal, mas nesse interim...muito sangue jorra, muitas batalhas, jogo de poder, muito monstrinho fraco, muitos fortes...HP (high power) LP(low power) dos mais de 300 cartões que o meu filho tem, que é um hype hoje em dia, se você prestar bem atenção, esses cartões e seus referentes monstros são pura estratégia de guerra na luta pelo poder, os samurais do século XXI.
Enfim, eu achei uma graça e o cara é muito bom.
Ao lado do museu de fotografia onde vi o último dia da exposição de fotos da atriz francesa Isabelle Huppert está o GEM, e lá está a exposição, instalação de Nara, que parece nome de mulher, mas nome japonês é assim mesmo, parece nome de homem é de mulher e vice versa, isso pra quem não sabe, lembro minhas minhas Miuky, Kiomi, Terumi...
Já as fotos da sardenta e talentosa atriz foram retratadas por vários fotógrafos de renome como Henri-Cartier Bresson, Irving Penn, Annie Leibovitz e o holandês, xi........qual é o nome dele mesmo? Depois volto aqui, nome complicado...vale dizer que muitos já morreram, e isso faz que a "Diversas faces de Isabelle" o nome da exposição, tenha um valor mais especial no mundo da fotografia.
Eu gostei mas chega uma hora, que essa vaidade ocidental toda me enche o saco, portret de uma pessoa do ocidente e famosa,adoro os filmes dela, Ma Mere por exemplo me deixou de queixo caído quando vi a primeira vez, mas infelizmente e na minha opinião o Nara a ofuscou, e eu gosto mesmo de uma sujeirinha com cara de novidade como é/foi a exposição dele. Nas casinhas e túneis e pontes de madeiras que fazem parte da exposição/instalação, você viaja literalmente. Há momentos que você se sente um gigante, porque tem de se abaixar pra passar nos corredores de uma sala pra outra, e as janelinhas são uma graça, onde você pode ver os quadros ou instalações de vários ângulos, os bonecos, o maravilhoso tapete de bonecos e bichinhos de pelúcia(japoneses)recobertos com um chão de acrílico incolor resistente. Fiquei realmente impressionada e feliz por tomar conhecimento desse artista modernérrimo da minha geração, gente como a gente, aliás como eu queria ser quando crescer, sai de lá, querendo voltar a fazer a Chorona, buááááááá.

Se você gostar desse tipo de arte não deixe de fazer uma visita por lá, na praça de Museus em Den Haag.
Gem

Friday, June 15, 2007

Por causa do ANÃO DE JARDIM


Danuza Leão dizia que nós mulheres nunca deveríamos sair de casa mal arrumadas, nem que fosse pra ir à padaria.
O que ela esqueceu de dizer é que a gente nunca deveria sair de casa sem as "lentes de contato".
Hoje levei meu filho na escola e como de costume passei no supermercado pra fazer as compras do final de semana. Como tinha de sobra, fiquei fuçando as coisas por lá, e esse supermercado também tem uma perfumaria anexa, uma tabacaria - que também vende revista, uma loja de bebidas mais completa, porque aqui bebidas com alto teor alcóolico não podem ser vendidas no supermercado como whisky, vodka, etc.
Coisas de Holanda.


Depois de fazer as devidas compras, fui na perfumaria - sempre tem algo diferente e um desses algos eram "anões de jardim", haviam vários modelões e como não posso carregar todos na bicicleta e nem quero meu jardim cheio de kitsch "kabouters" optei por um bem bonitinho, com um machado na mão. E depois passei pela parte de camisinhas, gels, vibradores saudáveis, e vi uma camisinha vibrador, camisinha vibrador??? Mas a unidade custava quase 4 euros, sendo que a marca melhor durex custava quase 8 euros, achei o preço salgado, mas fiquei curiosa. Tem uma amiga que acha que essas perfumarias tem jeito de sex shop, eu acho super legal comprar lá gel lubrificador, nunca comprei vibrador, porque acho caro...e sonho com um Tarzan(coisas de mulher como eu).

Comprei dois pacotes de cigarro na tabacaria, e dei uma olhadela nas manchetes de hoje, e como ontem choveu demais por aqui, um bairro de Leiden chamado KOOI (gaiola) ficou debaixo d'água. Sorte que não moro lá...mas ao mesmo tempo acho super chato pros moradores desse bairro, que é o mais pobre de Leiden e fica na parte norte, porque sempre a "parte pobre" sofre mais?
Ontem mesmo deixei a janela do meu quarto aberta, e a chuva molhou toda a cortina, umas roupas na cadeira, e meu colchão e edredon...quem mandou deixar a janela aberta pra arejar, arejou demais, molhou bastante...olhei outras revista a "Happinez" onde Paulo Coelho possui uma coluna mensal, e a horrível Cosmopolitan...como essa revista piorou, era uma coisa Women rights friendly, agora virou do tipo: como ser sexy 24 horas por dia, ou seja, até nós sonhos, avestruz...que porre.

Mas voltando ao supermercado, quando estava entregando o carrinho e pegando meus 20 centavos de volta (aqui os carrinhos são pagos, você devolve e pega a moedinha), e estava de óculos (meu óculos novo pra longe e perto)que me deixam com uma cara de nerd e olhão, eis que vejo uma aparição.
Alguém que se aproximava em minha direção, ou na direção de passar pela roleta para adentrar o supermercado. O Sr. garoto aliás, "Ralph Lauren", bom ele que intitulou assim. Vou explicar, em dezembro do ano passado tive uma "coisa rápida" sem querer querendo com esse menino, que tem como hobby o box tailândes. Lá estava ele, com a mesma cara de lutador de box e roupas, um Stalone de cabelo curto, mais chique, mesmo de jogging ele parece elegante, uma coisa Ralph Lauren mesmo, gente com corpinho em dia e cara bonita, não precisa lá muito de aditivos....e eu de "óculos", sem maquiagem e com as olheiras da manhã e da idade, detalhe ele tem 22/24 anos ou coisa assim...sorte que estava de botas altas, e ele não é lá muito alto, e que não sou aquelas holandesas que usam as capas de chuva de marido e ficam com cara de bolacha motorista de jamanta.

Putz pensei e tirei o óculos para cumprimentá-lo, mas ai foi pior porque não enxergava quase nada, mas pude ver o jeito distante de ser dele me perguntando com o rosto meio esquivado?

- Como vai tudo bem?

Tudo bem e você?

Eu vou bem, e as crianças vão bem?

(Quando ele perguntou das crianças, deu vontade de perguntar...e seu cachorro fedido vai bem? Ele tem um pastor alemão)...

As crianças vão bem...pois sim, que pergunta era essa? E eu queria era sumir...diacho, tem dias que eu me preparo pra isso, mas tem dias que as coisas simplesmente acontecem por acaso, sem planos, nada.
Danuza dizia que nem por decreto devemos sair mal arrumadas, porque vá que encontremos um Ex, e o que pra ela é pior, a atual do Ex.
Quanto a Exes e atual de exes, eu não acho lá um grande problema, porque tenho poucos exes que moram na Holanda, mas o que eu acho chato, é encontrar moleques que tive alguma coisa "sem expressão", porque as "crianças" no geral se ligam muito nas aparências, uma ilusão, insegurança. E apesar de estar dobrando o cabo da boa esperança, quer queiramos ou não, às vezes tomamos atitudes impetuosas, impulsivas, e somente depois percebemos as consequências, e essa pessoa em particular...foi só um cometinha rápido que passou pela minha vida, uma one night stand, essa é a palavra, mas igual mora numa cidade quase colada da minha, e se eu viver aqui o resto dos meus dias, essas coisas vão acontecer ocasionalmente, dã...(a teoria do dã de Porto Alegre). E um belo dia estarei de "rolator" (o que os velhinhos que não conseguem caminhar usam - tipo um carrinho pra se equilibrarem e ajudá-los a caminhar)...e lá vou eu encontrá-lo com 4 filhos.
Além da Danuza eu deveria ouvir um amigo o Mattia, "I never f*** loco's"...

Sobrevivi, e ele entrou supermercado adentro, e espero não revê-lo tão cedo. Porque ele certamente irá fazer o mesmo tipo de pergunta, como educação, ai juro que pergunto se ele vai comprar um shampoo pra cachorro, e acabo com a ilusão toda.

Voltei pra casa com a cesta da bicicleta cheia, e mais uma sacola com o anão de jardim, pensando que às vezes o passado volta a tona num estalar de dedos, só pra te lembrar que não custa nada, ou uns minutos a mais colocar um rímel, um batonzinho, mas que pode custar muitos minutos pra colocar a lente, mas que valerá a pena pra enxergar melhor a "saida dos funcionários".

Wednesday, June 13, 2007

Myosotis




Eu e Denise na frente do idílico restaurante
(as duas gaúchas, paulistas, belga e holandesa)

Monday, June 11, 2007

PLEZANT com Z


Ainda sinto o gostinho da cerveja vermelha na boca, cereja, framboesa, groselha...eu faço sempre confusão com as frutinhas vermelhas, fora o morango a pitanga, mas eu acho que era cereja e bem gelada.


Lembro de ter bebido essa mesma cerveja em Antuérpia em 1986, minha primeira vez na Europa.


E agora entendo porque a Denise (minha amiga e anfitriã em Hasselt), tinha me trazido as geléias de cereja feitas por ela, anos atrás...


Na última vez por aquelas bandas de Hasselt, era época de abóboras, e maçãs...na horta e pomar dela.
A estação é outra, outra frutas e legumes.

Meu aniversário foi bebemorado mais que comemorado.

Agora eu bebo de vez em quando, principalmente em ocasiões especiais, com pessoas especiais, e quando estou bem. Mas ainda sou fraca, e no dia seguinte é drama. Sorte que não sou belga, porque no domingo dia 10 - após meu aniversário, eram eleições. Na "cidade" centro, ganhei vários flyers dos partidos, até que enchi o saco e disse: eu não voto aqui. A politicagem nacional lá corre solta, eram eleições federais, e eu mais por fora do que umbigo de vedete, eleições mais sérias, venceu a oposição, adoro essas viradas, apesar de não entender muito de política.


Pretendo não escrever aqui um relato, como se fosse um diário...porque estou simplesmente cansada, não pra escrever, mas porque certas coisas tem de ser vividas, aproveitadas, saboreadas, e pra falar a verdade, estou com pouco tempo.


"Plezant", a palavra que descobri agora na Bélgica, nem sei como se escreve corretament, mas plezant é plezant.Tudo lá era "plezant"...dormir no quarto do Áthila, cheio de posters, TV, tv, play station 2, aquela bagunça legal de um quarto de alguém que estuda artes, faz música, já fez fotografia, tem uma banda, é DJ, e mil namoradas.....como é bom ter 21 anos e morar com os pais.
Obrigada mais uma vez Áthila por ceder seu quarto pra essa véia aqui, ele foi dormir no estúdio dele.


Já o Thiago, agora aumentou o número de computers, tem dois...e também está estudando fotografia, e tem um aparelho nos dentes, com elástico/borrachinha azul, e adorei a metade da meia como guardador de telefone celular, muito criativo....
Áthila e Thiago são filhos de Denise e Stefan...crescem como erva daninha os dois, são adultos e tratados como adultos, com todo o respeito pelos pais, porisso que não fazem bobagem, curtem a vida, e o diálogo e admiração por lá é evidente. Família em harmonia, coisa rara em nossos dias.


Já natureza(cores e cheiro) do jardim quintal da minha amiga é incrível, cada vez amo mais tudo por lá...verde, frutas, cerejeira...galinhas, ovos, plantação, legumes, ervas, flores,mangueira pra molhar tudo, as ervas que ela planta, as coisas doidas que ela coloca nos canteiros, os diferentes tons de verde, volto as minhas raízas do imenso quintal na Visconde Duprat (antes do meu pai inventar de morar em apartamento), ou seja, até os meus 14 anos morei em CASA, com quintal, pomar, jardim...sou uma garota da cidade, mas adoro árvores, verde...quanto mais melhor, uma selva, adorei conhecer uma joaninha preta e branca.

E a minha amiga é um capítulo a parte, adoro o mosaico redondo de espelhos dela, a escultura gigante de dinossauro feita em papel maché, pra aterrorisar as crianças pequeninhas, e o guarda-sol que ao invés de toldo(brim/canvas/tecido) é repleto de trepadeiras, e rosinhas trepadeiras...um guarda sol natural. Vou copiar, e ela já me passou o know how. Era uma febre também de espelhos sem molduras, espalhados pelo jardim e pela casa, às vezes uns encima dos outros, bizarro. E os CD's pendurados nas árvores pra enganar os passarinhos, ou seriam morcegos, porque eu vi um a noite.


É sempre bom sair da Holanda, mesmo que seja só pra ir ali na Bélgica.


Cada vez mais acho a Holanda chata, plana demais, gente contida demais, só soltam a franga quando estão bêbados ou drogados e muitos ficam chatos. Quintas organizados demais, jardins organizados demais, ou largados demais, aliás...tudo demais ou de menos, o país fez de mim uma reclamona do calvinismo.


Custo a me acostumar, o que eu gosto é da minha cama, aliás minha cama é uma da IKEA e não tem nada demais, mas o meu colchão...quanta diferença, nesse sentido gosto de voltar pra casa.

Mas quer coisa melhor do que ficar bebendo champagne, comendo morangos, framboesas do quintal, cerejas da cerejeira acima da minha cabeça(me apaixonei pela cerejeira dessa vez), com muito papo furado, boas lembranças, revendo fotos de 500 anos atrás no quintal, mais uma Jupiler?




Ir naquele restaurante e observar a senhora discreta de bolsa Louis Vuitton, óculos chanel, e a menininha sózinha com o pai, deve ter uns 8 anos, cabelo escuro, olhos azuis, saia rodada de diversas caras de gatinho. Eu não parava de olhar pra saia da menina.


Acho que prestei mais atenção nos vários gatos da saia do que meu prato todo enfeitado com 4 aspargos, filet de carneiro, batatas pela metade com ervas...e o molhinho ralo e saboroso.

E na Bélgica não pode fumar mais em restaurante....(viva temporariamente a Holanda), e lá ia eu, fumar....lá fora. Todo mundo parou de fumar naquela casa, Ok wiet, joint não...um dia eu páro também, só não sei quando. Acho que quando for proibido.




Tive uma aula de TV digital, e fiquei ainda boiando...são tantas possibilidades, eram tantos computadores naquela casa, laptops, ipods, câmera digitais "possantes", celulares computadores, aparelhos de TV.
E o som pela casa inteira, e ainda no único banheiro da casa ao lado da lavanderia, e infelizmente esqueci meu cement da kerastase por lá, ...vou ter que adquirir outro, tava cheio. Aliás pra quem não usa esse produto da kerastase, não vai saber o que estou falando.

Dizem que quando esquecemos algo na casa dos outros, é porque queremos voltar.




Tão bom ter esse tipo de aniversário que eu inventei agora - aliás ano passado.


Você mora lá, tô indo, eu me convido...

E depois do retiro budista em Marselha em julho, fui convidada junto com as crianças pra ir a Sassey, na casa dos sogros de uma amiga, lá só tem piano, não tem TV, a casa é de pedras, típica casa francesa do interior, e tem um lago - acho que cheio de sanguessugas. Fora que dizem que há espíritos de soldados alemães circulando pela casa, fora local pra alemães na primeira grande guerra, e existem vários cemitérios selvagens pelo lugar.

Adoro aniversários, e adoro cemitérios....principalmente porque ainda estou viva.
Obrigada família Bertels-Struys por serem tão queridos e hospitaleiros.

Monday, June 4, 2007

Queres uma xícara de chá?


Sábado que vem, será o meu aniversário, 9 de junho 2007.


E todo santo ano, além de não esquecer esse óbvio acontecimento, lembro de meus aniversários na distante infância em Porto Alegre no Rio Grande do Sul.


Meus aniversários, eram sempre chatos - digamos, não dignos de uma criança.




Minha mãe, cozinhava divinamente, e fazia "tortas"(bolos) com recheios diferenciados, uma pasta de nozes divina, ovos mole, diversas camadas. Praticamente não tinha negrinho (chamamos brigadeiro de negrinho no RGS), muitos salgadinhos feitos por minha mãe, e jamais refrigerantes e outras crianças...as outras crianças eram meus irmãos, e o que era servido era CHÁ, sim chá quente bem gostoso no bule perfeito, com cubinhos de maçã, e com um impecável conjunto de louças de porcelanas para ocasiões especiais, na época tinha que ser assim, eram os anos 60, ainda com o ranço dos anos 50.

Em junho, na época era quase inverno - e frio, sim antigamente era muito frio no RGS, e realmente o aspecto de festa pela atmosfera intimista era quase nulo, inverno é sempre lúgubre, melancólico...quase deprimente.


Eu acho que me divertia, aliás sei lá...não gostava muito de ser criança, na minha família quase não tinha mulheres, e prima com a minha idade não tinha nenhuma, algumas mais jovens Rosane e Solange, mas que eu me lembre nunca participaram da festa, pois o aniversário era sempre comemorado no dia, e pelas estatísticas....a maioria nos dia de semana, e com certeza as pessoas tinha sua rotina. Enfim, em família eu era muito sózinha, sem ter amigas da minha idade, sempre aquele bando de varões, aquelas mulheres recatadas, e algumas menos...as mais interessantes. Tinha uma tia (separada) divórcio não existia, protegida pelos irmãos, e sem o aval de arrumar outro marido, vá que repita no erro. Era uma prisão, ela vivia pra agradar a família, super talentosa, costurava, fazia salgadinhos, mas não era o suficiente para o padrão de vida oferecido pelos Bordas(parte da família de minha mãe), os Bordas eram as pessoas mais facistas que conheci, criança não tinha vez, mulher não tinha vez, arrogantes ao extremo, até minha finada vovó, que se envergonhava quando eu ia pra piscina pegar sol..."ser morena é horrível, uma mocinha tem de ficar na sombra"...bom, ela nasceu no século XIX, e repudiava meu sangue indígena herdado da avó paterna Camila Indarte, que nem meu pai t eve a honra e o privilégio de conhecer. Coisas de família, meu vô Horácio (vinha de Pelotas, e me adorava...me chamava de Gaivota, e dizia que eu era linda, já a minha irmã era feia), eu fazia-o lembrar de Camila, assim de cabelos longos e lisos...gente grande.




Mas nos meus aniversários onhava com coca cola, grapete, balões, negrinhos, barulheira de crianças...mas isso tudo era só parte de minha fantasia.


E quanto ao chá, apesar de ser gostoso..., era uma bebida estranha, formal, comportada, todos ao redor da mesa.


Passei anos, me perguntando porque minha mãe não servia outra coisa.


Se bem que a coca cola, fanta uva, fanta laranja e outras bebidas começaram a aparecer mais tarde nos lares dos brasileiros, era ainda duvidoso, falavam cada coisa sobre a coca e a pepsi cola.




Adorava ir estudar na casa de uma amiga, que se chamava Sandra Jamardo, era minha melhor amiga, a melhor parte do estudo, é quando íamos na única venda da esquina comprar coca cola e biscoitos recheados, num caderninho que a mãe dela mandava ela levar. Eles tinham conta na venda. E o pai dela era economista, profissão que eu não entendia bulhufas a que se referia, achava que era gente que fazia economia, já que aquela palavra não era estranha, minha mãe falava de vez em quando.




Quando eu falava, que tinha bebido refrigerante na casa da Sandra, meu pai dizia:




- É, mas casa deles é alugada(?), e eu me perguntava se era ruim ter casa alugada, e se gente com casa alugada era pior que gente com casa própria, era o grando trunfo de meu pai, ter casa própria no bairro classe média alta de Petrópolis, filhos estudando em escolas particulares, já que ele não tivera oportunidade para tal, de origem humilde, um trabalhador que se fez, a custa de muito trabalho e de um caráter extremamente terno e correto.




Anos mais tarde, dei mão a palmatória...na nossa casa, apesar de ninguém falar sobre vida alternativa, produtos orgânicos, era tudo muito fresco, feito em casa. Nos estudos na minha casa, minha mãe sempre preparava laranjada (suco de laranja com mais água), suco de uva feito por ela, e muitos quitutes que ela sabia fazer, croquetes, empadinhas de galinha com azeitona, camarão, palmito, risoles, mas quase nada lá em casa era enlatado, ou de procedência duvidosa.


Todos os meus colegas, adoravam ir lá em casa, porque minha mãe também adorava contar estórias mirabolantes da minha infância, de que quando tinha dois anos havia matado Zezé (nosso jacaré), e pra minha vergonha...que quando eu era bebê, me encontrara uma vez com uma barata na boca (o que eu achava a coisa mais repudiante do mundo), e que quando era bem pequena subi numa escada muito alta, e só não chamaram os bombeiros, porque ficaram com medo que eu me assustasse....enfim, coisas de mamãe, que adorava um papo furado com meus colegas.




Meus pais com 8 filhos, e mais os dois...significavam que praticamente era um aniversário por mês, ou seja, que ninguém roubasse latas de leite condensado da dispensa, e fico pensando a dedicação todo o santo mês pra uma FESTA, ou momento especial....




Nos anos 70 tudo mudou, o refrigerante começou a aparecer, o vinho, a cerveja, até whisky com meu pai tomava de vez em quando.


A festa mais inusitada que tive, foi aos 18 anos, cheguei em casa como se nada tivesse acontecido, e lá estavam praticamente todos os meus amigos/colegas do segundo grau e da vizinhança. Era uma festa surpresa, organizada pela minha mãe...acho que deviam ser ao redor de 40 pessoas, só da minha família uns 10...ou mais, nem me lembro, mas ainda tenho a lembrança, de querer registrar tudo aquilo, tinha um irmão fotógrafo, e minha mãe havia combinado com ele....mas ele chegou tarde, quando a maioria tinha ido embora, e restavam apenas as amigas da zona(vizinhança) Arlete Bernardes, Rosângela e Tina Marques Moura, Patrícia de Mello e Silva....tarde demais, tratante do meu irmão Paulo, um dos meus irmãos mais velhos, enfim tenho algumas fotos até hoje, e uma amiga que está nas fotos a Tina, se foi alguns anos atrás de câncer na mama.


Vida breve né?


Depois veio muitas festas, festa em São Paulo, festas pros outros...aliás festas viraram meu trabalho, e ai...tudo mudou, nunca mais chá, nunca mais festa surpresa, nunca mais salgadinhos e bolos feito em casa..muita coca cola e bebidas alcóolicas, mas nunca mais os meus aniversários foram o mesmo.


E neste ano, não haverá festa nenhuma, como no ano passado fui pela primeira vez em Barcelona, este ano irei pra Hasselt, na Bélgica, na casa de Denise Bertels, minha amiga gaúcha belga, estudamos juntos na PUC/RS, aliás eu não suportei aquela faculdade, e ela era a única que fiz amizade, mais tarde ela foi morar em São Paulo, e depois foi pra Bélgica, eu que vendi a passagem aérea dela, na agência Wij Komen, meu primeiro emprego em São Paulo, ironicamente uma agência holandesa.


Adoro a Denise, seus pais moram em Porto Alegre, são belgas, mas acredito que gaúchos, depois de tantos anos no Brasil.
Ela é inclusive um capítulo a parte na minha vida. E na casa dela com certeza não vou beber chá, tanto ela como o Stefan(maridão há vinte anos) adoram cerveja, e de quebra vou levar uma Champagne, nunca se sabe, mais engraçado que quando liguei pra ela, pra perguntar se podia ir comemorar meu aniversário lá, ela já atendeu o telefone: quando você vem?
Isso é que é presente de aniversário, de quebra agradeço meu querido amigo Antonio também - ele sabe do que estou falando, pelo convite...mas Bruxelas fica pra próxima.


E de qualquer forma, é sempre bom celebrar o aniversário, celebrar a vida com amigos, poucos, tanto faz, o importante é estar vivo, e cá pra nós, hoje em dia eu adoro uma xícara de chá e poucos elementos ao redor.


Parabéns pra mim!
Nessa data querida
muitas felicidades
muitos anos de vida


Cheers!

Differently happy



















Allegory of Happiness 1564
Oil on copper, 40 x 30 cm
Galleria degli Uffizi, Florence




Não, não descobri o "meu caminho", porque que nem o poeta dizia.

"Caminhante, não existe caminho, o caminho se faz ao caminhar", e essa caminhada é todo o dia, dia após dia, até o último sopro (de vida).


Mas eu mudei, estou muito feliz (hoje) de um modo diferente daquela felicidade, que você quer contar pra todos, contagiar o mundo e todos ao redor, ou pelo menos eu era assim antes...



Estou feliz por saber que mudei, e também curiosa por descobrir a cada dia, o que essa mudança traz de positivo na minha vida e dos meus, já vi melhoras concretas porisso sei que funciona, estou mais alerta, discreta(eu??? sim), observadora (sempre fui - mas de um outro jeito), e ouço mais, o que é quase incrível, mas é verdade.



Eu mudei porque sei que posso controlar meus impulsos, eu mudei porque percebo que assim eu fico mais perto de meus objetivos pessoais, tanto maiores como menores, estabelecendo metas, avaliando meu comportamento, mas não me criticando, o passado é o passado, não há como negar o passado, principalmente as burradas que se faz, teve bons acontecimentos também, mas é muito interessante.




Eu mudei porque sigo um tratamento consciente, odeio tomar pílulas achando que elas vão resolver os meus problemas, e colocar pra baixo do tapete, coisas que negativas que nem percebia em minha personalidade.



Sempre fui exigente comigo mesmo, gosto do pacote todo, sou perfeccionista, estudante, e agora sou minha própria cobaia, sem querer.



Mas já que reconheço que algo está errado, não mascaro...pra mim é AGORA, e não no futuro...tudo depende de mim, meu desenvolvimento pessoal, e ações a serem tomadas.
Eu mudei, porque aceito mais as coisas como são, e assim reclamo menos, e reclamando menos me desgasto menos, posso pensar e agir melhor, e deixo a preguiça delado, é difícil extirpá-la, mas venço-a, sigo o meu coração, que é bem diferente de seguir um impulso.
Ligar o piloto automático, é as vezes tão fácil...basta estar cansado, porisso...dormir, pára tudo, sim eu estou em primeiro lugar.



Tenho motivos suficientes pra reclamar de minha sorte e de minha cruz, mas quanto mais reclamamos, parece que o problema só aumenta, e mais chato fica pra nós, e pros outros, reclamar fica ali ali com o desabafo, mas é diferente mesmo.



Hoje mesmo estava num órgão público, tinha marcado hora pra resolver um problema de imposto federal (belasting dienst), e lá estava um homem de cadeira de rodas, sem uma perna.
Isso parece tão comum quando vem de um estranho, o problema é dele...quase ninguém olha pra não ser indiscreto, é assim...a perna não vai voltar.
E a funcionária que marcou comigo, simplesmente me esqueceu, me deixou esperando...e não apareceu. Voltei pra casa, e pensei...seja o que for, ela me liga se desculpando, me confundiu com outra, pediu mil desculpas várias vezes. Eu disse, tudo bem...eu quero que o problema se resolva, e ponto final. Fiquei pensando...eu fui com meu filho, fiquei 45 minutos esperando...pra "nada"...e não dei barraco???


Differently happy...



Não não é só o amor, não não é o sol...o dinheiro recebido de férias, um presente de um amigo, um cartão de aniversário de um irmão (fofinho, já mandou cartão, porque irá pra Itália).
As flores na primavera no jardim, isso tudo ajudam, fazem parte, mas não é a causa.
Não é uma desculpa de fora qualquer, claro que ganhar na loteria ia pegar bem, mas nem jogar eu jogo, então não vai acontecer....só se eu jogar.



Estou assim, e o mérito é todo meu...porque não veio de mão beijada.




A outra festa acabou, ainda sou uma sonhadora, às vezes fujo da realidade, visto-a realidade de colorido, mascaro-a, mas já percebi que dela não dá pra fugir, e quanto mais se foge, mais a tacada de volta fica mais forte. O negócio é pegar leve mesmo, e o gostinho é outro.

Beber pra esquecer também está fora de questão.
Tá legal bebe, tá mal...só vai ficar pior.
Claro, cada um cada um.
O negócio é sorver...tão diferente, apreciar, polir o paladar...tanto uma bebida,
como a vida, pequenos goles, pequenos carnavais.


Logo logo vou começar uma psico-terapia bem diferente, uma terapia que vai enterrar de vez a outra Bebete, agora eu estou de luto (da antiga), esse luto tem um Q de crise de identidade, insegurança, e muita esperança e novidades futuras. É o processo de mudança, tudo pode acontecer diferente do que era, cada dia continuará sendo um novo dia, como é para todos.
Vocês acham que estou brincando? Não, o assunto é sério...só que complicado, afinal a perna perdida agora é a minha.



Parece tudo tão óbvio, e talvez tão estúpido, ou talvez eu esteja até falando grego, pros leitores do blog.
Mas esse tipo de terapia é própria do meu mal, digamos assim, porque você realmente muda quando as coisas se estabilizam. Eu nem sabia que ia tão longe...eu não sabia que podia ser outra, sendo eu...e eu que tanto gostava da lenda do Dr Jekyl Mr. Hyde...

É mais um motivo, pra estar assim differently happy...

Tchau querida!

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as gue...