Monday, June 13, 2011

Que fim levou o Robin?

Ontem achei essa pérola no Facebook, um amigo postou e eu acabei reblogando. Aproveitando a visita da Elis (Gritaria) que está em Amsterdã, indo pra Madri amanhã.
É sempre bom ver a Paloma novamente (meu salsicha), sinto imensas saudades dela, e o vídeo a eternizou, mesmo que sei que ela pagou o maior sapo no estúdio da produtora, e no momento de 'fama' e glória, estava completamente abalada, cansada, ossos do ofício, lembro bem que fiz questão que ela participasse desse clipe, que foi o que passou na MTV, e a produção foi bem carinha, mas apostaram na gente na época e teve filmagens também no Nation Disco Club.
Voilá!

Sunday, June 12, 2011

Mammuth


Ontem fui ao cineclube assistir Mammuth, e adorei, adoro não esperar muito coisa, e sair pensando depois do filme. Filme simples, meio embassado nas imagens, com poucos elementos. Um road movie numa moto modelo Mammuth, com o mamutesco Obelix, Gérard Depardieu, que está deliciosamente asqueroso, de abdomem inflado como um balão e cabelos sebosos compridos,  nariz eterno de Cyrano de Bergerac, visual bruto e perfeito.

O filme não é nada previsível, e tem cenas hilárias, que não vou contar pra não estragar a festa de quem vai assistir. Perfeito pra minha semana de aniversário. No cinema várias pessoas de cabeleiras brancas, pela temática de aposentadoria, que não cabe nos moldes da Holanda bem sei, pois o sistema de aposentadoria aqui é diferente da França (pelo que percebi e do Brasil), onde a classe trabalhadora precisa comprovar os anos trabalhados por papéis das empresas trabalhadas, no Brasil ainda acredito que temos a carteira de trabalho como comprovação das empresas que trabalhamos, no caso de sermos um simples arbeider (operário, funcionário de empresas privadas). Lembro bem que uma tia minha conversando com minha mãe sobre: tenho que achar alguns empregadores, para completar meus anos. Já que havia trabalhado alguns bons anos, sem papéis para comprovação.


Aqui é por idade. Uma pessoa com 65 anos, pode se aposentar ou é considerada aposentada, mesmo sem nunca ter trabalhado ou ter trabalhado alguns anos somente AOW é a Lei geral de benefícios para idosos (terceira idade), mas vamos deixar as comparações de países e leis a parte.

A vida toda do sujeito parecia ter sido um erro, quando na despedida no último dia do trabalho, ele ganha uma festinha num espaço minúsculo do frigorífico 'financiada' pelos colegas uns drinks baratos, e um quebra cabeças de 2000 peças, já que ia ter tempo de sobra pra não fazer nada dali por diante.

Ele possui uma moto enorme, de modelo Mammuth na garagem, (até pensei que o nome seria pelo tamanho do personagem no filme ou algo assim), mas não, ele teve uma juventude, um amor perdido, e uma família bem fora dos moldes normais, e não se encaixava no clichê de aposentado, excursões de ônibus pra idosos, e esses passatempos todos das pessoas que quando chegam a uma certa idade, a vida parece se esvair em atividades inócuos vista de fora, passaporte pra hospitais, doenças e asilos escuros e solitários.
Afinal quem se importa com essas pessoas, que ficam transparentes nas ruas e vão saíndo do mapa todos os dias?

O personagem Serge, carrega ao longo da sua 'insignificante' vida de trabalho árduo e correto, a dor da perda brusca de sua amada, que o persegue como um fantasma, e nada melhor que um trabalho pesado, e agressivo no frigorífico, para escapulir da reflexão e realidade, e o encontro 'amoroso' no caso com uma funcionária de um grande Supermarché nesse interem, que o tirou da idéia de desaparecer do mapa, companheira que funcionava como controladora maternal de sua rotina, mulher simples mas pra todas as horas.

A busca pelos papéis pra completar sua aposentadoria em empresas insólitas como cemitério, discoteca inferninho tipo de beira de estrada, moinho, empregado de plantação de uvas de uma vinícola onde atualmente só trabalham muçulmanos ou ilegais, num parque de diversões a la Play Center (numa versão pobre), dentre outros trambiques, a ingenuidade de ter sido passado pra trás, vão construíndo ao personagem a maturidade necessária para uma vida plena, livre, despreendida, um retorno à essência da vida  através da 'busca' obrigatória (por causa do dinheiro pra pagar os 3 empréstimos e conseguir a aposentadoria). A solidão, o erro e o encontro de si mesmo, o desapego de seu amor do passado o fazem uma pessoa completa, que vive o presente, deixando pra trás a automatização de um 'funcionário' passivo, e sem falar sobre o detalhe do método desenvolvido de detectar metais na praia, hobby esquecido, o retorno à família e jovem sobrinha artista que faz obras com bonecas dilaceradas, estilizadas à la Keila Alaver no AZE 70 no início dos anos 90 o auxiliam na descoberta da razão de seu viver.

O filme é poético, não é piegas nem triste de forma alguma, despretensioso, realista, engraçado, daqueles que nos fazem pensar na própria vida na velhice, um dia chegaremos lá? e se chegarmos, depois dos 65, 70 anos..., estaremos de cabelos brancos, ou sem cabelos, estaremos com ou sem saúde, ou pelo menos com todos os cinco, quatro, três sentidos, estaremos com a carcaça cansada, ou ainda teremos carregado o passado distante nas memórias revisitadas, teremos em nossa mochila um detector de metal mental, que vai nos dar a bússola e a razão de nossa existência, quando iremos morrer? como estaremos vivendo?
Seremos desses velhinhos resignados? O que nos chamará a atenção na vida, estaremos jogados às traças, como um saco de batatas pela sociedade produtiva? Estaremos online com computadores mais modernos ainda, conectados com nossos netos? Teremos netos?
Estaremos participando das artes, da vida dos jovens, o que teremos a dizer? Quem vai querer nos ler? nos ouvir?

Mas claro, a resposta não está no futuro, está na nossa vida no presente, no que fizemos e fazemos com ela até aqui, no cuidado e atenção à nossos desejos mais profundos da beleza de qualquer forma de arte sempre, da arte de viver plenamente, cada dia como se fosse o último, ou o primeiro, vivendo nossas paixões, não esquecendo do mundo lá fora e da vida pulsante aqui dentro.



Wednesday, June 1, 2011

Como evitar o incômodo da confusão mental

Quando durmo pouco é assim, confusão mental, raras vezes me sinto bem e posso enfrentar o dia sem maiores problemas, sem temores, agora é como se tivesse uma pedra no sapato depois do cansaço de uma longa caminhada, como se tivéssemos vários olhos, mas nenhum pudesse enxergar direito, bem Saramago mesmo.

Desde que me conheço por gente, quando me sinto assim me aprofundo no assunto da mente, e excluo toda a superficialidade tirando água de pedra, ou seja, transformando o lado ruim das coisas em algo bom. Lado bom, como se fosse fácil? Onde estaria a bússola?  Como aprumar a alma inquieta? Só abrindo o sapato, tirando a pedra com a mão, simples assim? sim, se tivermos 'a chave'.

Primeiro, com a vantagem de ter a minha idade e experiência se desenvolve algumas técnicas práticas (as chaves), sei que tudo é uma questão de "interpretação, não há fatos" parafraseando Nietsche, e tudo é temporário, os estados de alma e como reagimos à algo, é que nos dará o resultado positivo e mais leve, nos tirando da tirania de uma mente inquieta que quer triturar nossa, a minha no caso, paz de espírito, quem já teve 'loucuras' médicas como eu, sabe os sintomas de tempestades, porque já passou por várias.

O incômodo do estado de confusão, assim como tudo, é passageiro, se eu ouvir música clássica que gosto, rodear meus olhos e ouvidos com belezas plenas, descobrir leitura que me transporte de minha realidade vigente, para uma melhor, estarei evitando a escalação, um estador pior de loucura da mente, e quando digo, loucura, não faço alusão à loucurinha normal, temperinho de nossos dias, e sim a loucura que quer dominar como um monstro ruim, um Frankenstein inteligente habitando nosso próprio cérebro,

Comigo quase sempre foi assim, um problema vem sempre atrás do outro, procurando soluções a serem tomadas, dia após dia, eles praticamente nunca acabam, só mudam, então pra que nos preocuparmos com ele? Que o monstro ruim que nós mesmo criamos, se transforme em um parceiro e aliado bom, sua feiúra é apenas aparência, e com ele e graças à ele temos muito a aprender a abrir uma porta.


Segundo, por tudo que li e aprendi, há momentos que devemos aceitar as coisas como elas são e viver o presente, e não nos preocuparmos de modo algum com uma suposta realidade futura, a confusão se esvai como nuvem ligeira, oferecendo a luz do sol, claridade e auto-salvação, e uma pequena mudança, sempre surte o efeito desejado.

Terceiro, dormir...descansar o corpo e o espírito, um grande segredo, pra se desfazer e derreter mais rapidamente o incômodo dessas nuvens daninhas, para funcionar melhor, e poder criar e usar as horas de uma maneira prazeirosa, livre, e como dizem muitos: no final tudo acaba bem, apesar de saber que esse final, é sempre um recomeço, mas dai é outra estória, às vezes não temos outra alternativa, e colocar um tapa olho, fechar as cortinas do quarto, desligar o telefone e zzzz.

Sinto quando estou nesses momentos que as pessoas no geral, procuram aventuras de todos os tipos, distrações, elas seguem felizes em suas vidas, e isso incomoda e me distrai, e confesso que as aventuras lá fora, já não me chamam à atenção como antigamente, quero descobrir mais disciplina e criatividade, usar mais minhas mãos. Hoje em dia se reflito, há tantas coisas que não gosto mais de fazer, e procuro não ser levada pela multidão, e muito menos ser influenciada pelas coisas que não me chamam atenção, a realidade delas, não me diz nada. Não gosto de ter ego inflado (não sou dada à elogios e bajulações muito menos) não gosto de toda gente ao redor, não gosto de conversas inóquoas, gente que ainda necessita aprovação dos outros para mostrar o que não são, ou pessoas que se sentem inferiores e querem deixar os outros no chinelo, como se isso funcionasse. Possuo um filtro contra esses aleijados muito aguçado, não os suporto perto de mim, me afasto porque nem pena mais quero ter, eles ainda andam confusos perambulando, procurando louros, e esquecem a essência da simplicidade através das palavras tolas que proferem, e se agrupam como mendigos sem teto, necessitando ficar com os outros, pra espantar o frio e a solidão. Confesso que ainda devo lidar com certas críticas, mas percebi que pessoas que realmente se importam, nos criticam de uma forma serena, pra nos fazermos melhor, como uma mão que ajuda e não te empurram mais pro lodo, ou seja, pessoas e pessoas e todo tipo de pessoas.


Taí, me sentir só...também não sinto, o que pode até acarretar (se eu me preocupasse com o futuro), uma certa tendência ao isolamento, mas me acalmo porque sei que existe muita gente por ai, como eu, que visa a mesma qualidade de vida, está na mesma maré, e que aceita a vida como ela é, e tenta tirar sempre o melhor, e não precisa se adulterar e ter todo o tipo de gente ao redor. Talvez seja uma pessoa desconfiada, aprendi que tenho que confiar em mim, e nos conhecidos, familiares, mas se muitas vezes nós mesmos nos sabotamos, o jeito é perdoar, dar ouvidos à intuição, confiar em si, porisso o equilíbrio e o estado de paz mental é tão necessário, é luz.

Quarto, estar confuso, por dormir pouco sempre acarreta em mim, uma certa inspiração à escrita, por mais simples que ela seja, me satisfaço e gosto disso, também me alimento com isso, sentir as coisas de vez em quando de um outro ângulo mais curioso que quebra a rotina dos 'pensamentos e ações agendada', que normalmente temos. Acordar, dar bom dia!, tomar banho, começar o dia, comer, falar ao telefone, sair pra fazer compras ou trabalhar ou quaisquer outra tarefa nessa arena cheia de leões pra matar.
Escrever, estar aqui nesse 'simples blog', que considero o meu espaço, diante de tantos blogs de gente grande, sinto o privilégio de ser uma pessoa favorecida nesse meio, é meu cantinho, só meu e daqueles que participam.

Sim, a vida não é fácil e nunca será, e isso que vale a pena, descobrir a arte de viver nesses momentos confusos e transpassá-los. Já me sinto muito menos confusa agora, descobri através de minha amiga Beth blogs maravilhosos, dicas interessantes, achei a bússola, acertei as chaves, ganhei o dia, e de resto, é ouvir música, ir ao médico (pegar a carta de recomendação pra cirurgia no meu pé), esperar as crianças virem da escola, nutrí-las, conversar com elas, e fazer as coisas a serem feitas, e agora sorver um café com humor que manterá meu corpo em pé, a cabeça já está no lugar.