Monday, December 10, 2007

Dezembros


Gostaria de ter a fórmula de minimalizar o mês de dezembro, o último mês do calendário.
O mês das "festas", pra mim é o mês do trabalho, de gastar o que tenho e o que não tenho, de usar minha criatividade pra agradar a todos, sempre amei natais por causa da minha mãe, que sempre proporcionava aquele natal perfeito, casa cheia, presentes pra todos, família grande e um imenso PERU.
Aqui na Holanda, temos em dezembro o "Sint Nikolaas", um papai noel diferente no dia 5 de dezembro, que é o dia de aniversário dele, e quando ele volta pra "Espanha" no navio a vapor, o que ofusca um pouco a nossa tradição brasileira, principalmente se temos crianças nascidas aqui.
As crianças ganham muitos presentes como se fosse natal, e eu como continuo com a tradição brasileira de natal, presentes, cartões, jantar, e comidinhas especiais nessa data, fico correndo pra lá e pra cá, tentando fazer um bom cardápio, ao som de "Happy Xmas (war is over), Ben Crosby, e outros...mas tudo isso depois do dia 5 de dezembro o dia do "lieve Sint".

A árvore está por ser montada, talvez arrume um tempinho na quarta feira, porque o tempo está voando, e os cartões foram comprados, mas ainda não foram remetidos, e o pior, eu gostaria de mandar cartões pra tanta gente, mas hoje em dia com a internet, fica difícil de ter ENDEREÇO das pessoas, e hoje em dia a coisa se triplifica, porque os coleguinhas também mandam cartão de natal, as professoras, os assistentes, e a lista vai crescendo.

This is Christmas, e tudo que eu penso é que chegue o ano de 2008 logo, que a "folhinha" mude logo, e que a rotina do ano novo se instale, bem como que os dias fiquem mais longos.
Dezembro é o mês de pouca luz na Holanda, e ficar sem sol, a gente até fica, mas ficar sem LUZ do dia, é um passo pra qualquer pessoa ficar deprimida e como já tive duas DEPRESSOES nesta época, tenho medo de água fria.

Quando as coisas vão bem, "barata pode ser um barato total"...mas quando as coisas estão mais ou menos, mesmo lendo os filósofos mais otimistas, os espiritualistas com as fórmulas mais eficazes de felicidade e principalmente harmonia e equilíbrio, fica difícil de superar e não pender o pensamento para as misérias, os fracassos, os pontos negativos do ano prestes a ter um fim até tudo ficar abaixo de zero, até tudo ficar congelado, até o pânico, arrrrrrrrrrgh.

2008, foi um bom ano...2008 foi um ano, que consegui através do meu tratamento psiquiátrico um equilíbrio, os medicamentos fazem o efeito exigido por eles, e o balanço é positivo apesar de um bacon a mais à minha massa, que eu acho chato, mas fazer o que, nem tudo é perfeição, e a idade pesa também, chegar aos 47 não é pra qualquer um.
Comecei a yoga, que está me fazendo muito bem, e estou mais ativa no desenvolvimento e crescimento dos meus filhos, que estão crescendo, e cada dia mais, virando pessoinhas participativas. Eu não sou uma só, sou três, e somos uma família.

A metade da fórmula eu já descobri, agora me falta a solução pra fazer que eu não tenha um colapso, um depressão, e acredito que a única coisa a fazer, é aproveitar o máximo o dia a dia, cada bolinha de natal na árvore e lembrar do tempo que era criança, e que meus pais faziam tudo por mim, porque eu acreditava em papai noel, e quando cresci dos 9 aos 17, estava muito ocupada ensaiando e me apresentando na igreja São Sebastião no bairro de Petrópolis em Porto Alegre, com o coro da igreja do maestro Tercílio Poffo.

Keeping busy and enjoy the life, ter uma vida, não esquecer de lembrar dos amigos que se importam com a gente, fazer tudo para que nossa casa (estejamos onde estivermos) seja um lar quente e acolhedor, de paz, de união, e muitos presentes legais, pro corpo e pro espírito. Esse é o tal do espírito natalino.

Feliz natal à todos!

Wednesday, October 31, 2007

"Happy" HalloWEIRD!


Cortinas brancas balançando esvoaçantes, janelas abertas,venezianas em varandas de madeira que se batem, ninguém tranca a porta a chave, e que venha...meu doce vampiro, filme em preto e branco, calada da noite, onde mesmo as cidades mais agitadas adormecem, mas é nos vilarejos europeus ou nórdicos que a coisa pega fogo, digo, pega frio...um frio na espinha, um frio na alma mortal.
Alguém dormindo, um sono profundo, mas por ter comido muito leitão na noite anterior e não ter mastigado o suficiente, pesadelos entram em cena.
Nosferatu, homens e mulheres vampiros,lua cheia, lobisomens, transformações, bruxas feias com suas vassouras e narizes aduncos com verrugas na ponta, mortos vivos, corpos em decomposição,pântanos, monstros da imaginação, pavor, paralisia na fuga, morcegos, vozes e correntes sendo arrastadas no calabouço, lá fora na realidade a leve brisa na escuridão se mescla entre o nevoeiro a vaga luz e as sombras, ali perto um cemitério, uma atração inexplicável, sonambulismo, um chamado de uma cova qualquer. Almas e espíritos imaturos, não conseguem enxergar a luz do túnel da nova dimensão, estão ainda aprisionados na terra, acham que estão vivos, mas sente dor, dor de não ter um corpo, dor de não estarem mais vivos, e a única forma de amainar essa dor, é atormentar as almas vivas, pregar peças, não precisamente para o mal, mas como se sentem injustiçados, querem justiça, e se apossar novamente de um corpo, usam subterfúgios para isso, bruxas, duendes, fadas, pensamentos obscuros dos humanos, pesadelos, o tormento da alma que se funde entre mortos e vivos através do sonho, através da fantasia, ou de qualquer coisa que dê forma a seus desejos, de voltar a ter um corpo.
Bom, se fosse escrever uma estória de terror, ia morrer de fome, seria melhor ser coveira, porque dizem que ninguém volta da morte, então o trabalho de coveiro é seguro, ou é muito bom "no outro lado", ou não existe outro lado, vai saber?

Sempre adorei situações de TERROR, graças a Nosferatu, o primeiro gibi que li em preto e branco, e apesar de hoje ser Halloween - uma festa historicamente celta, mas comemorada na América no Norte, comemoro o Halloween a minha maneira, muito antes sem saber que existia, talvez porque a tia Liza (minha tia)morasse na rua do cemitério, e quando íamos aos domingos visitá-los, era uma das minhas brincadeiras favoritas, visitar o cemitério, assustar os menores, ou tentar ver algo que nunca ninguém viu, um morto levantar da tumba. Hoje moro bem perto do cemitério, e adoro os portões de caveira, de crãnio, e me lembro dum conhecido PUNK o Crânio, que depois faleceu na noite de SP, como porteiro de uma boite, foi assassinado por vingança, e já namorei o punk Morto (1 mês, mas conta), e lá em SP nos início dos 80, existia uma facção "Punk da Morte", os mais temidos, da turma do Sorveteiro..que também foi assassinado.
Decansem em paz boys!

Seria eu uma antena, que tenta captar os contatos do mundo dos mortos com o dos vivos?
Seria eu uma "medium" pra isso? Por que essas coisas me interessam desde a infância.
Adoro a Emily the strange, porque sempre gosto de coisa esquisita, não sou nenhuma fã de Marilyn Manson, gosto de coisa velha, versão velha, original.
Sou quadrada, não gosto de remakes, gosto do estralar de dedos da série "Família Adams", gosto do cabelo da Lily dos "Os monstros", outra série que adorava ver na tv, comédia de coisas macabras, dormir em caixões de defuntos ao invés de camas, dormir de dia, viver a noite.
Christofer Lee, Peter Cushing, o filme Nosferatu, Return of the living deads? Os inocentes, e muitos e muitos outros filmes de terror, de mortos, espíritos que já vi.
Anne Rice, Dracula-Bram Stokler, Zé do Caixão, ratos de porão e esgoto, punks, músicas macabras, dor e depressão, melancolia da alma, escuridão, a cor PRETA - minha favorita, terror, tormento, tormento tormento da cabeça.
Olheiras, unhas grandes, a cor VERMELHA - sangue.
Temer, quase sucumbir ao medo, mas ter prazer do medo...
Sexta feira 13, Fred Kruger (joguem pedras), Nightmare on the Elmstreet...aqueles pesadelos todos,passagens secretas, punição no purgatório, purgatório, que isso?
Cabelos longos pretos (como o meu quando eram longos), e aos 12 anos passava talco na cara pra assustar meus irmãos menores, garimpava coisas pretas, véus da minha mãe de igreja, assustava-os até um limite de voltar a si, e ver que celebrava um Halloweird num dia qualquer,no estado sub tropical que tinha inverno mais rigoroso e dava, cenário perfeito parecido com os filmes que via.
Londres e o nevoeiro, Londres é uma cidade úmida, até no caça níqueis "London Dungeon"eu já fui, só falta ir na Transilvânia, mas Pelotas é a cidade mais úmida do mundo depois de ....Londres, já dizia os Pelotenses...morei por lá, mas Porto Alegre tinha inverno, e muitos cemitérios legais. A minha vó foi enterrada naquelas caixas na parede da família dos Bordas, nas galerias de mortos, vamos respeitar os mortos.

Hoje é Halloween, e mais que comemorado, é falado...comentado, as crianças vão sair vestidas na rua, pedir balas, Dominique de bruxa, Dimitri de esqueleto com cara de monstro, e eu de longe de fantasma.
Um dia quase morri engasgada numa festa de Halloween. Heitor Werneck da Escola de Divinos havia me feito uma roupa maravilhosa, na cabeça uma peruca/chapéu longa de fitas cassetes, as fitas mesmos, vestido e espartilho (apertadíssimo preto).
Fui pra gaiola no início da noite, e como a ventilação era muito forte, eu dançava na gaiola e as fitas entraram na minha boca, eu não conseguia tirá-las, no pânico uma entrou na minha garganta, sai da gaiola passando mal, em questão de segundos estava quase sufocada, naquela roupa "inocente". Seria revolta das fitas cassetes, prevendo o futuro dos MP3's, a extinção?
Sai sã e salva de lá, e passei a noite toda longe do ventilador...acho que estavam fazendo um complo, aqueles espíritos que rondavam o Massivo, invejosos da alegria esfuziante farra dos boêmios.

É Halloween, happy Halloween à todos!Melhor Halloweird...
E agora deixa eu mudar de assunto porque a COPA DO MUNDO de 2014 será no Brasil e tem uma exposição do Andy Wahol(a) num museu em Amsterdã que não posso perder, é aniversário de 14 anos da Emily the strange, festival de cinema na cidade e bla bla bla.

Monday, October 29, 2007

She's lost...


Fui à Antuérpia, sonhei com Edimburgo, comentamos sobre Ibiza.
She's lost control again (Joy Division).

O mundo e seus lugares, suas cidades, e viajar é sempre uma fuga dos dias normais,
mesmo sendo viagens ligeirinhas de fim de semana, sem ter controle, sem rotina, ir.
E nesse finde por causa das férias escolares de outono das crianças, fui com P2 pra Antuérpia, reservei um hotel Scandic, desses **** pra homens/mulheres de negócios, mas no final de semana, tem mais hóspedes, querendo esquecer dos negócios, preços mais amenos, porque afinal em hotéis de homens de negócios, a empresa normalmente paga, depois tira do imposto, e assim o dinheiro roda...e nós pobres mortais, tiramos os centavos do próprio bolso.
Particularmente não escolhi a cidade, porque me chama a atenção, mas pelas facilidades, proximidade da Holanda, preço, e mudar um pouco o panorama.
Há vinte anos atrás conheci a cidade dos diamantes e principalmente suas cervejas com diferentes teores alcóolicos. Desta vez fui tentar relaxar, e escolhi um hotel que tivesse sauna, piscina e banheira, amo banheiras, adoro banheiras, vivo infelizmente sem banheiras, e uma delas virou meu diamante, afinal não vi diamante nenhum por lá, achei o hotel no site.aqui , onde se encontra uma promoções bem bacanas, e tendo carro facilita as coisas, pois normalmente no centro da cidades os hotéis são mais caros e já lotados e esse ficava nas proximidades do anel rodoviário de Antuérpia, mas com elétrico por perto pra ir pro centro (10 minutos).

Adoro tomar banho de "sal grosso" com espumas, limpa o vudu, falar ao telefone, pensar em nada, ler, beber na banheira, fazer um SPA a minha moda, conheço muita gente que tem banheira, mas nem tomar banho nela gosta ou arranja tempo pra relaxar, eu quando tive sempre fiz das sextas feiras, meu ritual, telefone sem fio, sal grosso, espumas e com minha própria companhia...agora tira o telefone, só a banheira e a água me basta, mas com sal, sem pimenta, nem velas preciso.

Sai comprando de antecedência, todos os apetrechos e melecas que encontrava, máscara pra rosto de lama quente, esfoliante pro corpo e outro pro rosto, caviar pra banheira - muito engraçado nem sabia que existia, e mais a "manteiga pro corpo", pedra pomme, máscara pro cabelo, óleo pro corpo, mousse, confeti de flores pra banheira, exagerei e rezei pra não pegar urticária de tanto mexer na derme. Sim, sou alvo fácil pras pequenas superficialidades da vida, a mundanidade que ninguém vê, e nem interessa, mas tudo que queria era relaxar, olhar ao redor, tentar me livrar de uma dor nas costas que apareceu desde que comecei a fazer yoga, teria dado "mal jeito" na coluna em algum exercício??? Fui a sauna turca (hamman e a infernal sauna filandesa) e depois parecia que a água da piscina estava gelada, mas sauna também me faz bem, ficar lá derretendo, limpando as impurezas do cigarro, e outras que estão dentro da gente, olhar o próprio corpo que sempre fica bonito com muito vapor ao redor.

Coincidentemente, um DJ belga conhecido meu, estava no lineup do club .cafe D'anversque não é um café viu?, fiz contato via myspace, e apareci por lá com P2.
O club era dos meus, underground, mas não podrão, com 18 anos de existência (quase: 31 outubro- parabéns pessoal), localizado bem no centro da Red light district (zona da prostituição legal, cheia de vitrines de neon, e mulheres de lingerie faturando seu pão de cada dia), e homens rondando ao redor, fazendo pesquisa de preço, corpos, à cata de um sossego pra testosterona pululante.

Já na fila, felizmente não muito grande, senti a simpatia do lugar, na entrada um carinha perguntou se eu estava na "guest list", odeio pedir pra ficar na guestlist, mas falei, não: mas o DJ Smith Davis é meu conhecido. Imediatamente ele me deu um cartão vip e não precisei pagar, já P2 pagou a quantia irrisória de 10 euros, precinho camarada comparando com o gabarito do lugar e da noite, fomos carimbados com o número 2, não me pergunte o porquê e entramos.

O lugar era enorme, mas não demais, o pé direito da pista principal era altíssimo, a acústica, qualidade de som, e ventilação PERFEITA, sai de lá sem cheiro de cigarros na roupa, e não vi ninguém derretendo.
Passando pela cortina que dava pro bar, enquanto P2 comprava cigarros(que na Bélgica são 60 centavos mais caros) na máquina avistei no escuro DJ SD, nos abraçamos na maior coincidência, e fiquei super feliz de vê-lo, pois seu set seria da 1 até às 3 da manhã, e jamais incomodo DJ na cabine.
Conversarmos em inglês, e apresentei P2 pra eles, falamos sobre Ibiza onde ele há 12 anos toca, todos os verões...e ele abismadíssimo que eu nunca fora a Ibiza, e lembrei-me do old-fashion cartão postal do meu banheiro, quem conhece sabe meu toilette sabe que coleciono cartões postais:
- If you are tired of Ibiza, you are tired of life, indeed, mas eu acho que nunca estou preparada pra ir a Ibiza, tipo de lugar que você tem de ir com amigos que adoram festas, xtc, e têm o mesmos interesses que você, fora a questão financeira de prioridades, raramente viajo a lugares assim, pra mim essa entusiasmo ficou no passado, no início dos anos 90.
Elis Gritaria, dançarina do Que fim levou Robin? dançou nesse ano na Pasha em Ibiza, contratada, ganhou bem e se divertiu. Bom, ela tá no início dos 30, dança bem, tem corpo e energia pra isso, e me contou resumidamente suas aventuras na Europa, mas como é mãe como eu, também teria que voltar pra vididinha nossa de cada dia em São Paulo, e por mais que tivesse se aventurado na Europa, morreria de saudades do filhinho no Brasil.
Para Smith a noite era bem especial, pois era inauguração também do novo conceito de luminárias do lugar desenhadas por ele, e também pelo DJ T que tem sua própria label, o alemão chucrute, DJ special guest da noite.

Dancei bastante, bebi orangina e coca cola, e fiquei observando e sentindo a vibe das viradas, e a nova música eletrônica, electro minimal house, parece uma música de metais que caem pelo céu, se batendo uns com os outros, a musicalidade é bem estranha pra ouvidos virgens, às vezes é meio acid house sem ser, um pouco techno house, sinceramente eu acho que só quem ainda sai em todos os finais de semana pode realmente decifrar os encantos dos novos beats, os produtores estão cada vez mais loucos. Eu ainda aprecio uma boa classic house music ou um techno que não seja muito hard, melodioso, música anos 80, acho que é uma questão de preferência pessoal, devoção a um DJ, meus favoritos sempre foram DJ Renato Lopes e DJ Dimitri (Amsterdã), e só os "vejo" no mySpace. P2 estava morrendo de fome, e como em lugares assim não tem comida, fomos embora às 4 da manhã tentando achar um lugar aberto pra comer, depois de dar mil voltas de carro. Achamos esses lugares que vendem Kebab e pratos árabes, mas como eu nunca confio em "churrasquinho grego", comi uma batata frita com catchup, se eu janto bem não tenho muita fome na madrugada. No centro de Antuérpia tinha muitos restaurantes, mas a maioria (dos melhores, pagáveis, comíveis) lotados. Acabamos indo num ala carte, porque sou louca por entrecote/steak/caaaaaaaaaarne bovina...mas desta vez o molho de champagnon estava melhor, o menu que escolhemos já não "tinha mais", mas não importa a carne foi a tal banheira.

Antuérpia é uma cidade de moda de rua elegante, odeio os termos tribos, mas tem pra todas, lojas, lojas e mais lojas, pra todos os gostos, bolsos, temperamentos...humores. Os belgas são muito mais fashionistas que os holandeses, aliás fora Viktor&Rolf, não conheço moda na Holanda, sim design, nisso eles aqui são bons.
Grandes labels, pequenas labels, novos fashion designers, outlets, brechós, grandes maisons, vitrines convidativas, amei.......e um dia volto, no Sale, com certeza, mas a inspiração estava em todos os lugares, e até P2 perecebeu o "corte de cabelo dos meninos belgas" divididos pro lado, batidinhos no rosto, mas mais curtos atrás, não pigmalão(Jane Fonda)...foi da estação passada, amei uma saia da loja "Who's that girl", com bordados de feltro de gato e bambi, mas o precinho de 90 euros não me animou.
Comprei a revista inglesa de música .Mojoporque queria ler um artigo sobre o filme Control, dirigido pelo fotógrafo holandês Anton Corbijn, sobre a vida breve por sinal de Ian Curtis, felizmente o filme já está em cartaz em Leiden, e tem prioridade número 1 na minha lista, amo Joy Division, amava Joy Division, New Order...and she will lost CONTROL again.
Quase nunca compro revistas sobre música, principalmente rock...mas como vinha junto o CD Cigarettes and alcohol com 15 tracks celebrando prazer da bebida e do cigarro, achei bem simbólico pelo momento que estou passando, e adorei a loja só de revistas do mundo todo, mas dei uma olhadinha na FNAC também, mas a Fnac toma tempo, so many shops so little time...

O céu estava cinza, em todo final de semana, e pra dizer a verdade algo começou a mudar dentro de mim, comecei a me deprimir, talvez porque esteja passando o que toda mulher todos os meses passa, prefiri não olhar pro céu. Um final de semana passa muito rápido, porque precisamos dormir também e esse horário de inverno europeu que começou no sábado pra domingo, me deixou um pouco tonta com tudo, ter que voltar uma hora atrás, mudar todos os relógios da casa, celular, relógio de pulso. Me dei ao luxo de ir ao toillete do Hilton Hotel em Antuérpia, sem ter cartão-chave de hóspede, mas tive sorte porque é melhor ir no WC do Hilton do que do Mac Donald's, as bundas devem ser mais sujas ou menos lavadas no Mac, e de qualquer jeito, é melhor evitar um céu cinza, mas achei o negócio dos pais de Paris Hilton tão decadente, bom era quando eu ficava em hotéis ***** na época que trabalhava em turismo, na época da gravadora Warner do Q fim, não precisava pagar, e podia mandar o room service ver.

Voltei e sonhei com Edimburgo, que estava lá na casa de meu amigo Alexandre, junto com ele, e o namorado escocês Alex, e lá estavam também pessoas de "antes", amigos, bebíamos vinho, conversávamos, estávamos juntos, e mais a turma toda da Nação, do Nation na Augusta. Um sonho muito bom, eu não queria ir embora, queria ficar por lá, e lá era Edimburgo, até meu amigo Rogério Garcia apareceu, meu amigo de tempos de Satã, Nation, Massivo, Latino...e que ficou lá, e Alexandre "meu melhor amigo" que morou em Londres, é de Jaçanã...mas hoje é um filósofo, trabalhou na chapelaria do Nation do Massivo, teve aulas particulares de holandês em SP com a dona Rachel, amigo daqueles que a gente nunca quer ficar longe, mas acontece.
Saudades da House Nation...
Saudades das pistas, dos amigos, do Ian Curtis, do Rogério do Alê.
Tira Ibiza, bota Edimburgo...um dia eu vou lá.
She's lost control again, a música, não eu, bem que eu gostaria.

Thursday, October 11, 2007

Dimitri na barriga e agora


O tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus ......faliu e ninguém lembra mais disso.




E as pessoas começam a falar do tempo (climático) 80% dos casos....vai chover, tá frio, tá calor, esqueci a minha sombrinha em casa, blá blá blá...estava nas Seleções reader's digest, que devorava na juventude, aquele leitura tão americanizada.




E estou lendo um livro que não existe o Tempo, tempo, tempo tempo de Caetano Veloso, e de toda a população do planeta, esse tempo que estamos condicionados, ontem eu fui lá, amanhã vou começar a dieta, ano que vem vou parar de fumar, e assim vamos vivendo ou no passado ou no futuro, e esquecemos o presente...o AGORA, que na verdade é só o que existe, só o que existe é o agora, pro seu próprio bem, os argumentos são ótimos, mas gostaria de saber como vou fazer, porque na teoria é uma coisa(sempre mais fácil) e na prática...é que são elas.


Tempo, não existe.


Passado, não existe,


Futuro, não existe.




Tudo que existe é o AGORA, aqui....agora, e lembram do comentador do SBT de 500 anos atrás que tentava resolver casos policiais, aqui - agora.
Seria esse meu novo mantra??? A - g o - r a. Engraçado se for ver, quando estamos teclando a palavra A G O R A, é agora, mas depois que teclou ERA o agora, mai gódi...que nem diz a Helen, amiguinha.


Pois agora eu resolvi acabar o silêncio desse blog, que ficou com teias de areias, mas como o passado não existe...e o nome desse blog é por acaso, por acaso resolvi escrever por aqui.


Estamos em 2007, outubro, mês do aniversário do meu filho Dimitri, exatamente no meio do mês, quase, porque outubro tem 31 dias, dia 15 de outubro. Lá no Brasil eles falam que é o dia do professor, e eu não aguento essa estória dia disso, dia daquilo, porque fica tudo assim, as pessos só se lembram da "criança" no dia da criança, da mulher "no dia internacional da mulher", da AIDS "no dia da Aids"..., dia das mães, pais, namorados, amigos, animais, o índio vem em último lugar...ai, que falta do que fazer, já não chega cada dia ter um santo em países católicos, e na França um queijo pra cada dia do ano - pra vender mais queijo, quem aqui conhece 365 tipos de queijos franceses?


Admito que alguns são necessários, mas tem muita bobagem embolando o meio de campo.

Bom, continuando o meu filho fará 8 anos, e como sempre terá uma festinha na escola (traktatie em holandês-pronuncia-se trataci pra quem se animar a aprender holandês), você oferece algo pros colegas e professores, e a criança de lambuja vai pra casa com uma lembrança (brinquedinhos, balas, etc)...E cada ano, lá vou eu inventar um TEMA da festa de aniversário e lembrancinhas e o que as crianças (20 no total) gostam de levar pra casa, de comer, lembrar que os muçulmanos não comem porco e derivados, então esqueça os hot-cold-dogs. Normalmente o tema é criado conforme a idade e o sexo da criança e também os interesses, porque meu filho por exemplo não se interessa por futebol - o que eu até considero uma lástima por um ângulo, já que tem mãe brasileira, e o marketing já estaria criado, e a Holanda é um país bem desenvolvido nesse esporte.


Ele gosta de armas (sim), bonecos, dinossauros, robots, transformers, e todos os legos modernos, bichos, lesmas, ratos, lagartos, aranhas, tanto faz, filmes (desenho animado), Egito, o seu Nintendo DS e seus vários jogos, e muitos e muitos cartões do pockemon. Também gosta de skate, judô, natação, bicicleta - mas isso tudo faz parte da educação básica aqui na Holanda, ano que vem penso em colocá-lo no escotismo, porque adora fazer fogo, colocou um pouco de fogo na própria cama quando descobriu a caixa de fósforos.

Meu filho é muito inteligente, não falo isso porque sou mãe coruja, quem sou eu, tenho uma filha autista fofíssima, valorizo a individualidade de cada um, mas ele se sobressai na escola em matemática por exemplo, e apesar de estar no início do grupo 4, está indo muito bem em matemática e outro detalhe, gosta. Digo isso porque sempre fui razoável em matemática, a única parte que eu gostava era trigonometria, equações de primeiro e segundo grau....pelo amor de Buda, Maomé, Cristo....longe de mim, mas ele gosta de números, é curioso ao extremo, quer saber tudo, não suporta ficar sem resposta, o que me faz bem, coloco meu cérebro a funcionar mais e quando não sei explicar como gostaria recorro aos livros, enciclopédias, internet, imagens.
Os próprios amiguinhos comentam com suas mães sobre sua inteligência, e elas por hora comentam comigo, e eu digo que ele é uma criança curiosa, sociável ao extremo, sabe o que quer
Já sabe não só como os bebês nascem, e o que ocorre biológicamente no corpo da mulher, bom eu tinha comprado esse livro antes deles nascerem.

Mas não é chato, adora dar sustos, pregar peças na irmã - pra desespero dela e meu, é terrível para comida, mas adora sal, e de vez em quando fica mau humorado.

Farei uma festa pra 12 pockemons (pocket + monsters), em casa, e o tema será "cinema", o filme a ser assistido será "Spider man 3", que o Spider man tem um rival que é o Spider man vestido de preto.


Meu filho tem roupa de Spider man, game de spider man, albúm de lembrancinhas de amigos de Spider man, livro do Sm, e outros gadgets...(pulseira, carteira, cofre, etcetera etcetera), ano passado comemoramos no maior e único museu de história natural em Leiden, outro ano foi num grande play-ground fechado, no anterior um Halloween - eu vestida de bruxa, etc...

Tenho um clássico aqui em casa, toda a criança que vem brincar, come pipoca de microondas, e nesse dia, fora o bolo, velinhas, docinhos brasileiros, terá pipoca na hora do filme - e muitas pausas (intervalos), porque meninos não conseguem ficar parados por muito tempo, sorte que se fizer bom tempo, moro na frente de uma praça e eu mesma me considero o entretenimento em pessoa, esses monstrinhos fofos, sabem que sou uma "mãe" diferente...Dimitri's moeder, Dimitri's moeder - esse é o meu nome: Dimitri's muder.


Os convites já foram distribuídos, e as outras mães sempre perguntam sobre dicas de presentes, no que respondo GELD (rreld) $$$, centjes (centavos), ai ele compra o que quer = dinheiro.


Todas já estão acostumadas com isso.




E nessa vida de mãe percebo, que o tempo passa rápido sim, o tempo, existe sim quer o "Eckhart" queira ou não queira, 8 anos atrás (no passado do agora), lá estava eu com aquela barriga de últimos momentos, sem poder dormir direito, pensando, quando seria o nascimento, será que ele seria um criança saudável, e hoje em dia meu filho assiste o cult-movie Blade runner comigo, conversa praticamente de igual pra igual, diz que me ama todos os dias em português, que eu sou a melhor mãe do mundo e ainda por cima aprendeu a fazer uma massagem nas costas ótimas, ensinada por mim e está aprendendo a fazer exercícios de yoga.


E eu só posso me sentir feliz porisso, porque estou muito feliz em sentir finalmente que tenho valor, logo logo, ele não estará mais aqui, perto de mim, como eu não permaneci muito tempo com meus pais (sai de casa aos 19 anos e NUNCA mais voltei), estou mais participativa na vida dos meus filhos como nunca, percebi que esse caminho não tem volta mesmo, finalmente parei de reclamar, e estou até adorando talvez mais porque eles crescem rápido, e cada dia se transformam em pessoas, diga-se de passagem que possuem uma vida social, mais ativa que a minha.




Independente, assim ele será se a genética pender pro meu lado, desbravador do mundo, lá de fora e de dentro.


Mas enquanto isso, fico por aqui em 2007, um ano com certeza construído com muito aprendizado meu, aqui e agora.


Feliz aniversário Dimitri!

Wednesday, September 5, 2007

Balneário dos Prazeres


Acho que pra muita gente foi assim quando era criança.



De volta às aulas tinha que fazer uma redação sobre as férias. Na minha época, redação se chamava "composição". E lá ia eu, escrever sobre minhas férias, na casa da minha chata avó. Depois que cresci um pouquinho, os assuntos foram ficando melhores, porque passei algumas férias em Pelotas no Laranjal (lagoa dos patos - maior lagoa do mundo), no balneário do Barro Duro. O nome eu não gostava "Barro Duro", mas se agora vou pensar, tinha um porquê da lama, o chão era batido, e quando chovia tinha muito barro, e quando tava seco ficava duro, mas o nome mesmo era "Balneário dos Prazeres"..., mas esse nome ninguém usava.



Meu "rico" tio, ou tio rico chamado Osvaldo, mas mais conhecido como Vadico havia comprado uma casa com um quintal gigantesco, que mais parecia um sítio. E no sítio havia uma bomba e um poço d'água, plantas, parreiras, árvores, nada e tudo, eu lembro que a minha mãe pedia pra alguém dar bomba no poço, pra sair água, tinha torneira gigantesca que saia água, de vez em quando eu adorava fazer aquilo.
A casa era bem grande, de material, que pra casa de praia era bem chique, mas tudo era simples e funcional, e claro, não tinha TV, e essas coisas de cidade, aliás o que mais lembro era o matagal e o quintal, a lomba que tinha que subir pra ir pra praia, depois descer e ver a lagoa lá de cima, uma visão fascinante.





Ficávamos meses por lá, meu pai aparecia de vez em quando, sempre ocupado com o trabalho, e se comia muito, mas muito camarão. E eu mesmo várias vezes "arrastei" camarão na rede. A rede era longa, e tinha um pau de cada lado, íamos até os confins da praia, e voltávamos com a rede cheia de camarões, e também siris. Muito engraçado uma vez quando um siri mordeu o meu tio, e o meu tio mordeu o siri...criança gosta dessas coisas, e demos boas risadas, porque meu tio não tinha estômago, e era muito magro, aliás era elegante e não parecia tão velho, mas já tinha mais de 40 anos.



Foi lá aos 9 anos de idade que aprendi a nadar e mergulhar. Meu pai que me ensinou, contando como se fazia, e suas estórias quando era "guri" nos riachos perto de sua casa em Pelotas, e nas pontes sendo usadas para salto livre...ele não tinha diploma de natação como aqui na Holanda as crianças têm, diploma A,B,C....nem eu, mas aprendi a nadar direitinho, fui fazer curso de aperfeiçoamento e estilos aos 20 anos, e lembro a cena toda, quando tive a coragem de mergulhar pela primeira vez, devo ao meu pai isso.






Laranjal se situava perto do canal da cidade do Rio Grande, onde fica o maior Porto do Rio Grande do Sul, e dependendo do vento, a água em grande parte da lagoa era salgada ou mista, fazendo que os pescadores e curiosos, fosse com suas redes arrastar a batelada de camarões.



Se dizia: Hoje tá pra camarão...e o que é melhor do que obter por si próprio a "carne" de sua refeição? Eu até enjoava, pois a minha mãe tinha que variar as receitas, até a gente dizer, chega de camarão, queremos outra coisa...






Lá no Laranjal, aliás "Barro Duro", nasceu meu amor por camarão, siris....frutos do mar, e às vezes me sentia um pouco pra baixo, porque gostava muito do mar, mas lá era lagoa, e as ondas só eram grandes quando batia vento forte, talvez o El ninõ de então, o mar tinha mais requinte e mais imensidade que lagoa, lagoa é limitada, o amor a gente olha e imagina a África, na lagoa a gente ficava pelo RG do Sul mesmo.






Depois de uns anos, nossa alegria acabou, a tia Maria (esposa do meu tio), faleceu num acidente vindo do Laranjal pra Porto Alegre, trazendo no colo no carro uma panela de pressão. Meu primo que dirigia o carro, e ele tinha fama de acelerar, era louco por carros, corridas, e na época a segurança dos automóveis como cinto, e outras informações não eram conhecidas, o carro bateu numa grande árvore um eucalipto, e a panela de pressão amassou o tórax de minha tia, ainda levada com vida ao hospital, mas era tarde demais, falecera pouco tempo depois pela colisão e lesões internas.



A família culpara meu jovem primo, que ele era o responsável pela morte da mãe, outros culpavam a panela, ou o Eucalipto...enfim, ela se foi, e o mais incrível que era uma tia muito animada e anti-convencional, ganhava a vida fazendo vestidos de noivas, bordados lindos com canutilhos, tinha clientes famosos e ricos, era independente do meu tio, que também era um próspero comerciante, diziam que meu tio era mulherengo, mas na minha família os "Bordas" são mulherengos, machos, chauvinistas, dominantes, beberrões, bons empreendedores, e também carismáticos. E minha tia, era louco pelo marido, apesar de várias vezes ter ouvido rumores sobre suas escapadas, criança tem ouvidos.



Bom, meu pai não era....era fiel, e excelente marido, então nem dava ouvido sobre a vida dos outros.






Logo após a morte, meu tio Vadico vendeu a casa. Afinal, ele adorava abrir a casa a todos da família, mas devia se sentir culpado por sua ausência, e talvez por ter aprontado pra minha tia, eu não sei, mas sei que virou férias do passado o Barro ficou duro nas páginas de minha infância.



Minha mãe chorou muito, porque a tia Maria, era uma das suas melhores amigas, sua cunhada.



E antigamente era assim, os amigos da minha mãe, eram parentes.






Em 1979, meu pai decidiu voltar pras raízes, ou seja, se mudar pra sua cidade natal Pelotas, levando os três filhos menores, eu meu irmão Horácio e meu irmão Sérgio.



Os outros cinco ficaram no apartamento em Porto Alegre, mas eu tive que ir, porque não havia passado no vestibular em Porto Algre, não que fosse burra, mas adoeci numa das provas, e já fui desclassificada. Fiquei triste, mas afinal....tenho paúra a exames seletivos, simplesmente somatizo, tenho dores de cabeça, diarréia, tremores e muita ansiedade, e nessa vez tive uma desidratação aos 17 anos, época do meu primeiro vestibular...foi horrível, mas são coisas da vida.






Em Pelotas, uma cidade muito bonita, histórica, que teve seu apogeu na época das charqueadas creio que no fim do séc. XIX e início XX, onde a cidade prosperou muito, através da exportação do charque, e também importação de tecidos, produtos vindo da Europa. Muita gente enriqueceu o "se fez", a língua francesa era falada, e sorte da minha família porque os Borda (seriam Bordá) eram de origem francesa. Já meus avós são uruguayos, e o mais pitoresco, é que meus pais nasceram ambos em Pelotas, mas foram se conhecer e se casaram em Porto Alegre.






Enfim, meu pai foi pra Pelotas, e nos levou de mala e cuia...e fui agora, não só passar férias, mas morar.



Fiquei 8 meses e voltei pra Porto Alegre, o que não vou dar detalhes, mas esses oito meses foram uma eternidade. E até jurei de pé junto, cidade "pequena" jamais....meses depois voltam todos pra Porto Alegre, nem minha mãe aguentou, já acostumada com a vida na capital.



E cá estou eu há 11 anos em Leiden, uma cidade pequena, bonita, também histórica, cheia de monumentos...


Acho que estou me acostumando e aceitando a falta de mobilidade na Holanda, dia de semana sou uma mulher mãe Leiden, e no final de semana sou do mundo.




Morar não é, e nunca será a mesma coisa do que passar férias, parece que eu descobri a América, mas sei disso há muito tempo, e também quando você é mãe, a vida muda mesmo, mesmo que você more em Nova Iorque, uma mulher sempre terá que decidir, entre o sim ou não, e ás vezes depois da decisão, temos que aceitar simplesmente as coisas como elas são.



Agora estou escrevendo isso, sobre um pedaço do meu passado, e de minha descoberta, mas aceitação é muito importante, mesmo. E agora eu creio que estou aceitando mais minha vida como ela é, e aceitando-a, posso tirar mais proveito dela, saboreá-la. Tive uma conversa com minha psiquiatra, uma pessoa que admiro bastante, que tem muito tato pra lidar com espíritos inquietos como eu, e ela disse que muitas vezes perdemos energia, com coisas desnecessárias, queremos estar sempre certos, mas o mais importante é termos a consciência de nós mesmos, e ver que nós muitas vezes criamos esses inferninhos na nossa cabeça achando que eles são reais, o passado não volta atrás, somente as lembranças, aceitar nossas escolhas é um passo pra nossa felicidade. .






Claro, agora me sinto bem, parece que o tratamento está começando a ficar equilibrado, o curso de Yoga estava lotado, quando hoje me ligaram:



- Mevrouw Borda Indarte, uma pessoa desistiu, e assim eu deixo o ritmo da minha vida fluir, mas direcionando, e estando atenta aos "sinais".




E de Pelotas, Laranjal, Balneário dos Prazeres e Barro Duro ficou uma lição em 2007, aqui lá está totalmente modernizado pro turismo, o Barro nem mais Duro é...


Só pra ver que certas coisas, lugares ou pessoas pertencem a nosso passado, ou povoam nossa imaginação fazendo parte de nossa memória, cabe a nós desenterrá-las ou não.



Friday, August 31, 2007

Farol de Santa Marta


Se tem um lugar mágico na terra, aliás acredito que tenha muitos, é o farol de Santa Marta, na ilha em Santa Catarina que faz parte do município de Laguna, uma cidade que conheço muito bem, dentre outras do litoral catarinense.


Eu sempre fui uma daquelas pessoas que oscilaram entre o oriente e o ocidente, a direita e a esquerda, a mundanidade e a espiritualidade, hotel ***** o amor e uma cabana, as ondulações suaves da areia da praia nas dunas, as intempéries da montanha, e outras dubialidades na vida.

Se tive dinheiro não queria aparentar ter, se não tive tudo que eu queria era ter, o lado materialista-consumista se degladeia constantemente na minha vida, como se eu nunca tivesse paz, eu e meus dilemas de luxo.

Pelo menos não sou monótona pra mim mesma, dizem que através da dúvida chegamos a Deus criador, que eu não acredito, mas se não acredito é porque o nego, então ele existe, sei lá.

Mas foi no farol de Santa Marta que passei aventuras incríveis de contato com o nada, fora da civilizaçao, quando na praia de santa Marta passei um inverno com meu namorado que não era só um surfista, mas uma surfista da verdade, o homem mais inteligente que eu conheci em toda a face da terra, uma pessoa apaixonante que todos se apaixonavam, homens, mulheres. De matemático a enfermeiro, me dava aulas de química, história e qualquer encontro com ele, não é um mero encontro casual, sempre aprendo muito. Ano passado vivendo em Passo Fundo - uma cidade no interior do Rio Grande do Sul (4 horas de carro de Porto Alegre), ele me confessou sua paixão diante da personalidade de George Ivanovitch Gurdjieff. Sai de lá morrendo de curiosidade sobre a vida do cara, e quando cheguei em Porto Alegre, achei um livro que ele me falara "Encontros com homens notáveis", consegui lê-lo no conforto do meu trailler as margens do rio Ourthe, onde ficava o camping International, onde fiquei 8 dias com meus dois filhos e meu namorado P.


P. já conhecia as Ardennes - região que compreende uma parte da Bélgica, Alemanha, Luxemburgo e França. E quando se tira férias com crianças, temos que ir pra lugares onde as crianças se sintam a vontade, com várias atividades pra fazer e principalmente em contato com a natureza e situações diversas, diferentes da rotina do dia a dia, e meu filho principalmente é uma criança que demonstra muito interesse no mundo animal, mineral e vegetal, colecionas fósseis, pedras e aprendeu a fazer fogo, o que um dia descobri seus lençóis, cobertos de manchas pretas, e uma parte da cama também.


O lugar era ideal, a paz que eu procurava pra ler, meditar, se bem que no primeiro dia relutei um pouco com as "facilidades do lugar". Usar toillete's coletivos, lavar a louça em outro lugar levando uma baciazinha tosca, uma esponjinha, escovinha e detergente, ui...boa notícia, os banheiros eram limpíssimos, a água era quente pra lavar louça, e o vai e vem era engraçado, porque sempre me encontrava com uma lagartixa que morava perto das plantas na escada onde se situava a recepção, lunchroom, WC's e lugares p/ lavar louça, buscar água.

Ainda falarei sobre minhas férias nesse lugar numa outra ocasião, porque visitei muitos lugares interessantes, e fiz muita coisas inimagináveis...mas confesso que foi uma de minhas melhores viagens em família.


Porisso que relembrei o Farol de Santa Marta, no estado de Santa Catarina no Brasil, lá só existia na praia de Santa Marta, somente uma árvore, tomar banho era difícil, mas tinha muitas ondas, e eu como namorada de surfista, me contentava humildemente em contemplar o pôr-do-sol, comer camarão, tomar banho de canequinha, ou sei lá como era...porque fazem muitos anos atrás, o amor enchia nossas barrigas mais do que o camarão, a beleza solitária do lugar no inverno era completamente adversa ao verão e pessoas a procura de aventura confortável, sendo que poucos sabia sobre os "sambaquis"(cemitérios indígenas) datados de 4.500 anos do lugar, na época pré-colonização européia. Nunca mais voltei naquele patrimônio arqueológico, estou ocupada agora, em descobrir outros, me preparar pra minha viagem ao Egito com meu filho, mas antes disso me preparar pra rotina que começa na segunda feira.


De volta às aulas.

Friday, August 3, 2007

Trets


Voltei ontem a noite de Trets e Marselha na bela região de "Provence" na França.


Pela primeira vez fui a um seminário de verão organizado pela Soka Gakkai, a organização que faço parte do budismo de Nitiren Daishonin, o budismo do Nam myoho renge kyo.

A sede geral é em Trets.




Três semanas atrás tive uma recaída de depressão e não estava com a mínima vontade de ir ao curso, porque temia ter uma crise por lá, e ter que me confinar aos meus aposentos. Mas venci a apatia e temor e fui pra França, sem expectativas nenhuma...pensei, seja o que for, eu vou sobreviver e me preparei, apesar de ter achado um saco ter que deixar o meu líquido das lentes de contato, falaram que os mililitros eram acima do permitido, e lá fiquei eu sem lentes de contao, sorte que tenho os óculos.




Já no avião conheci uma menina francesa, e ficamos "amigas", conversamos sobre quase tudo, o pai dela é holandês, mas ela não aprendeu a língua pois cresceu na França, ela se chama Sáskia, e me ajudou com o francês dela, pegamos um ônibus no aeroporto juntas, e depois o metro. Ela desceu numa estação, e eu desci numa estação perto do hotel na belíssima região da cidade no porto antigo, em pleno mar Mediterrâneo, consegui até sentir as vibrações vindas de além mar do norte da África. Pobre Sáskia, se distraiu e esqueceu a raquete de tênis no ônibus, mas eu fortunadamente fui no achados e perdidos do aeroporto na volta, e consegui resgatá-la, como havia trocado contatos, mandei uma sms pra ela, que ficou super feliz e agradecida.


E lá eu andando pra cima e pra baixo com uma raquete de tênis...




Ao chegar no hotel, meu amigo Luiz (meu shakubuku pai) estava me esperando no quarto. Tomei banho, fizemos daimoku e gongyo da noite e fomos comer algo na região do centro/porto, a luz estava extraordinária, pôr do sol lindo, e depois saímos pra noite. Comi uma "pizza da Armênia" e tomei uma coca cola. Luiz fala fluentemente o francês e eu me atrevi a falar umas bobagens, voilá, merci beaucoup, informacion sis vous plait, e essa coisinhas. Sabendo umas palavras de francês dá pra se virar, porque cada vez mais as pessoas falam inglês na França, um inglês pobre, mas falam, principalmente os jovens.




Marselha é uma cidade de várias personalidades, multi-cultural e de imigrantes norte africanos,


e outros países.


Uma cidade muito antiga, que está sendo modernizada, e cada vez mais visita por turistas. Até brasileiros encontrei por lá (estamos em todos os lugares). E achei as pessoas muito amáveis e simpáticas. Dizem que a arrogância está mais em Paris. E gosto muito de sair da Holanda, porque além de ver montanhas, morros, percebo que as pessoas olham pra mim, fazem contato, e na Holanda...ninguém olha pra ninguém.




Fomos no club "Lust", uma disco média, e a música estava muito boa, apesar de eu não estar empolgada pra dançar, e a faixa etária ser abaixo de 25 anos. Era um club mix, gay and straights, e eu adoro observar as pessoas pelo menos, ver os flyers, e tinha um vídeo incrível dos jogadores de Rugby franceses em p&b, vídeo erótico, mas todos pareciam bofes. Luiz é bem mais viajado do que eu, e já conheci um menino chamado Richard de 18 anos, e fizemos amizades com o Stephan que por coincidência é divorciado e tem dois filhos de 7 e 9 anos, e até ofereceu bebida pra gente. Uma coca cola custava 5 euros, o que eu achei um roubo. O cigarro Marlboro também era mais caro que na Holanda, também 5 euros...Fume tue...


Voltamos pra casa de taxí (como falam os franceses), e o motorista falou que conheceu o Riô (Rio de Janeiro), e percebeu que éramos brasileiros.




Era madrugada, e Luiz partiu pela manhã pra Cotê D'Azur, Cannes, Nice porque não conseguiu vaga no curso e eu voltei pro aeroporto pra pegar o ônibus pra Trets (lugar onde fica a sede cultural da Soka Gakkai na Europa e África). Fiquei 5 horas sozinha esperando o tal ônibus num calor de 30 graus. Finalmente vi alguns budistas que também tomariam o mesmo ônibus.




Ao chegar em Trets, no meio das montanhas e de uma área verde, fomos recebidos pelos voluntários, indicando como funcionava tudo e com a programação das "intensivas" atividades do curso.




Cada quarto tem 3 camas, banheiro, lâmpadas individuais...tudo bem bonitinho, limpo, organizado, melhor até que muitos hotéis, dei sorte e minhas companheiras de quarta eram duas mulheres super simpáticas, a Mônica (matraqueava bastante), e a Maureen (que é holandesa ms morou 15 anos na Itália, e foi casada 3 vezes).


E as refeições eram abundantes, café da manhã completo, depois almoço com prato inicial, prato principal e sobremesa, vinhos tinto e rosé e água, pães.


E nas pausas café, chá, sucos...nossa comi, tanto que fiquei com um barrigão enorme, mas aproveite, não bebi álcool por causa dos remédios, deixei pra última noite, porque a bebida influencia no meu humor, fico speed, depois deprê.




Passei dias de incrível intensidade, estudo dos Goshos (escritiras budistas), rezas (chanting), e reuniões em grupo para interpretações pessoais dos estudos e leituras.


Pra comprovar a eficácia dessa prática budista, há também o relato de experiênciais pessoais.


Pessoas que venceram o câncer, filhos com problemas, problemas de alcoolismo, pessoas que acham que a felicidade está fora delas, e outras experiências como morte na família por exemplo


Algumas me tocaram profundamente, porque percebi que existe gente muito pior que eu, e que se eles conseguiram superar, eu também conseguirei, é parece fácil, mas quando você ouve uma experiência de uma mãe que quase perdeu o filho, ou de um filho drogado e que se auto-mutilava, ou de uma que perdeu o seio e teve que fazer quimioterapia, ficou careca, e outra que perdeu o marido, e depois teve câncer, e outro que perdeu a esposa alcóolatra e a filha começou a beber, ou de outro gay que queria ter um namorado porque queria, largou tudo por "amor"...mudou de país, depois descobriu que o "love" era prostituto. E por ai vai....




Estava sozinha, e às vezes me sentia sozinha, mas conheci algumas pessoais as quais me afeiçoei, adorei uma japonesas que pareciam bonequinhas, eram muito divertidas, e nos últimos dias, sentávamos juntas à mesa, servíamos umas as outras, sei lá, tenho uma coisa com os orientais, uma atração, sinto que eles dão mais, sem receber nada em troca, e nós os ocidentais, somos mais egoístas, em geral claro.


Ao todo éramos em 150 pessoas, no terceiro dia eu estava completamente "quebrada", com tanta atividade, como se fosse uma maratona espiritual em prol do desenvolvimento pessoal pela vida diária e a filosofia de Nitiren. O sozinha era por causa propria, porque também conhecia duas pessoas tipo pai e mães Maarten Beckers e sua esposa japonesa Kyomi, pessoas na faixa dos 65 anos, budista há séculos, e eles sabiam do meu caso, de vez em quando aparecem em Leiden para uma visita, ou seja, podia contar com eles se acontecesse algo.




E mesmo cansada, me senti orgulhosa de mim mesmo, por não ter me escondido - digo, ter ficado trancada no meu quarto, e ter aprendido que a vida continua, e eu não posso ficar me lamuriando, tenho o direito de achar o equilíbrio entre o passado e presente, e procurar uma qualidade de vida, não comprometer a qualidade de vida e crescimento dos meus filhos, e não perder energia com "coisas baixas"...com atalhos, vencer, vencer a bosta (desculpe o termo) da bipolaridade, turn my world up.


O lugar inspirava um clima de tranquilidade, sem ser férias, muito pelo contrário, o trabalho referente a melhora pessoal de cada um era evidente, 6 dias sem televisão, ipod, internet, rádio, minha ligação com o mundo lá fora era meu celular que tocou 4 vezes, e eu fumei que nem uma condenada, apesar de ter áreas restritas pra fumo.




Meu grupo era o número 3. Já no primeiro dia, descobri que também iria cooperar, e arregaçar as mangas. Depois de almoçar, o meu grupo era responsável pela limpeza do restaurante, limpar as mesas, varrer o chão, e colocar os pratos, talheres, copos da próxima refeição...baixou a Maria em mim, mas o trabalho em grupo é inacreditável, fica pronto em segundos, e antes de começar a reclamar, já estava tudo pronto.




E no último dia, fizemos o mutirão da limpeza geral dos dois principais grandes prédios, o dos alojamentos e o grande prédio onde fica o altar principal com o Gohonzon (mandala).


Eu fiquei responsável pela limpeza das mesas.




Na noite anterior era a noite cultural, onde todos poderiam preparar e apresentar seus dotes artísticos, já que essa seria a noite de encerramento.


Piano, dança contemporânea, dança de casal, skechts, música jazz, música de Aruba, holandesa, inglês, drums, dança em grupo, recitação de poesia. A criatividade e improvisação foi o que eu mais gostei, e algumas performances em particular. É engraçado que com poucos elementos, e sem grande produção, as pessoas podem fazer milagres pra se expressar. Eu fiquei de público, apreciando e aplaudindo.




Tive também a sorte de ter uma conversa com o direitor da Soka em UK , o absurdamente incrível Robert Samuels, que homem admirável. Cheio de humor, compaixão, sabedoria, interesse, daquelas pessoas que a gente se apaixona e quer ficar junto, aliás não foi só eu que gostei dele.




E também tive um conversa inesquecível com o Sr. Kotera - o japonês responsável pela Soka na Holanda, ele não holandês, e fala inglês com sotaque japonês, o que faz o charme ficar duplo...uma pessoa com um estado de vida elevado. Me tratou com muito respeito, ouvindo o que eu tinha a dizer. E a dica que ele deu, é a mesma que Nitiren dizia, fazer daimoku (recitar o nam myoro renge kyo) é polir nossas vidas, não importa qual o problema por que passamos, todos tem problemas, mas temos que ter a coragem de vencer nossos problemas.


Bom fora a bipolaridade, e a busca da minha nova identidade, vencer o carma de disciplina- ou melhor preguiça que bate, sansho shima.




Já Mr. Samuels disse que devemos vencer nossa arrogância, nossa ignorância, nossos temores, nos "demônios" todos os dias, rumo a vitória em prol da verdadeira felicidade e desenvolvimento pessoal, não como obrigação, mas com o coração, não somente em Trets, mas na volta pra casa, na sociedade. Nesse budismo não há gurus, tudo vem de dentro de nós, toda a transformação das forças negativas vem de dentro de nós, devemos seguir em frente, não importa o que nos aconteça, depois do inverno não vem o outono, vem a primavera.

Wednesday, July 18, 2007

Ele se foi...eles se foram


É muito estranho acordar, ver que um dia bonito vai fazer lá fora, com uma luminosidade que promete um sol brilhando mais tarde, ir até o quintal e constatar que tem um rato morto, prostrado assim...pela passagem, e imediatamente o que te vem na cabeça é asco, e não chegar muito perto por via das dúvidas, nunca se sabe.

Constato que ele morreu afogado, sim...na noite anterior chovera muito, quase tive uma inundação, esse chão de areia holandês, vai descendo cada vez mais, e as casas vão ficando tortas, e o chão vai ruindo, volta e meia é preciso fazer nova pavimentação.


Ele se foi.


Não tenho gatos, mas o rato se foi, digo, camundongo, mouse, muis...
E nem colocar no lixo posso, porque o lixeiro passa duas vezes por semana, e está tarde demais.
Vou deixá-lo ali, pra ele embrulhar meu estômago cada vez que for pro jardim fumar.

O que deveria fazer com ele, afinal?

Trazê-lo pro lixo da cozinha, e ele ficará se decompondo até a noite de amanhã dentro da minha casa(quinta feira), quando terei o aval pra colocar o saco de lixo lá fora? Sexta feira passa o caminhão do lixo cedo pela manhã...


Na calçada ele não pode ficar, virão gatos...aliás será que um gato gosta de rato morto, ou é somente caçador??? Não, na calçada eu ganho multa, e é contra meus princípios, além de que é bem perto da minha porta de entrada, e não fará lá muita diferença, dentro do saco, fora do saco.

As moscas e formigas já começaram a fazer um banquete, parecem rituais primitivos ao redor...o sol vai pra trás das nuvens timidamente, ele vem e vai, e as moscas vêm e voltam, mas ele continua ali, inerte, nojento, estático, sem vida, sem funeral. Porque se ele fosse um ratinho de estimação, com certeza faria um ritual com cruz cristã e enterraria em um terreno baldio (que não existe na Holanda), ratos brancos vão pro céu e como no Eraserhead "in heaven everything is fine", já dizia a Lady in The Radiator, mas rato sem dono, cinza ou preto, não merece funeral, vá que ele tenha tido uma vida fora da lei, vá que tenha sido pedófilo, bandido ao contrário do Robin Hood, que nem políticos no Brasil que roubam os pobres pra dar pros ricos, ou que não tenha se comportado bem na casa dos pais, e fugido...e assim, não achando o caminho de volta, bateu as botas. Ratos de cor de burro quando foge, são ratos duvidosos. Os brancos são limpinhos - tá me parecendo coisa de espírito de Hitler.


E com uma das poucas amigas que consigo falar ao telefone (e ter assunto), sem precisar mascarar minha felicidade ou infelicidade, ela supõe que o meu meio está Kafkiano, e é verdade...e não melhor do que a morte desse pobre ratinho, condenado pelo destino, sem parentes, sem funeral e ainda por cima ser chamado de nojento, por mim uma pobre bip tentando se desafogar das águas da depressão central.


- Filho, não chegue perto, ele "transmite" doenças! (era o que minha mãe dizia), rato cinza é rato ruim, a peste, agora digo mesmo pro meu filho, e repito tudo, não ande de pés descalços, pegará friagem, não coloque pentes/escovas e jamais sapatos na mesa.


E coincidência ou não, as mortes verdadeiras circundam o meu universo, portanto o nosso, o acidente da TAM vôo 3054, que saiu de minha cidade natal (Porto Alegre) para São Paulo (o perigoso aeroporto de Congonhas no meio das cidades, dos edifícios, casas, postos de gasolina...nitroglicerina pura como dizia o desenho CAIU, e lá se foram quase 200 almas, dentre elas...um deputado federal (gaúcho) e outros VIP anônimos, comoção nacional.


E muitos comentários, notícias. E acharam a misteriosa caixa preta, mas as vidas não voltam pra contar suas versões.
E o rato não volta pra contar sua estória, e ele era um desconhecido pra mim, e na lista dos quase 200....só vi nomes, felizmente nenhum parente, nenhum amigo, conhecido...todos strangers como o rato.

- Não confunda rato com camundongo, dizia a minha "mesma" mãe...(mas o shape é o mesmo, o tamanho que muda, a cor, tonalidade) digo eu.
Todos se foram, e nada foi como esse blog, por acaso.
Dead is in the air.


Monday, July 16, 2007

Pausa para o prozac


Quem diria, mas é isso mesmo.


A depressão chegou devagar e de repente, novamente.


Eu que pensava que apesar de minha falta de entusiasmo e lerdeza, estava indo bem no quisito humor estável porque estou sendo medicada há quase um ano com estabilizador de humor, seguindo a risca a litmia, fazendo tudo dentro do protocolo, quase tudo, porque o desânimo começou a aparecer gradualmente e lentamente, num belo dia não conseguia mais correr, no outro comecei a desmarcar encontro com amigos, no outro parei de praticar o budismo, no outro nem meu cabelo conseguia pintar, no outro as unhas precisam ser lixadas, estão enormes e dificultando de colocar as lentes de contato, e sem as lentes fico cega, e ficando cega, as pessoas vêm com piadinhas se você não leu um cartaz corretamente, e você acaba usando o condicionador antes do shampoo...argh!!!!!! Odeio doenças, odeio, ficar velha e cega, odeio não ter dinheiro pra pagar o laser dos olhos, e porque esse seguro de saúde não paga uma parte pelo menos, pois pra mim 4000 euros é muito dinheiro, ai e eu preciso tirar a carta, e descobri que terei que dizer que tomo remédios ininterruptamente, porque se bater o carro, o seguro não paga, e a lista de necessidades e prioridades, vão ficando apenas no pensamento.
Mas ela a depressão chegou novamente, e trouxe junto a "fobia social", insegurança, culpa, pensamentos suicidas, prisão na própria casa, irritação, choro, paralisia, pânico, apatia, fedor (sim porque quando se tem depressão) não se toma banho, não se escova os dentes, não se sente fome, não se quer nada, a não ser sumir, morrer, evaporar, que o mundo te esqueça, porque você mesmo se esqueceu, ah! eu consigo fumar...eu consigo fumar, como sou feliz por conseguir fumar, e fumo fumo fumo fumo...durmo durmo durmo, durmo e fumo, fumo e durmo (também graças ao seroquel).


Isso é vida?


No início dá pra contornar um pouco, fazer uma piadinha aqui outra ali, mas não dá...o pensamento fica fixo, o pensamento de morrer, morrer diferente, morrer porque parece a única saída, todas estão fechadas, escuras, você não tem a chave, você se sente um nada, mas até pra morrer sou incompetente, penso numa morte sem dor, penso em uma explicação plausível para deixar para meus filhos, argumentos..."estou cansada", não estava nos meus planos ser doente, não estava nos meus planos perder o gosto pela vida, logo eu, a festeira de plantão, cheia de deboche e vida, cores, vaidade, glamour, prazeres mundanos, sede por tudo, conhecimento, sabedoria, ser a dona da verdade só pra mim. Mas essa foi enterrada metaforicamente, agora é a hora da verdadeira morte, e porque não adianta essa morte. Todos nós iremos um dia não é mesmo?

Até se constatar que não se quer morrer, a gente só quer mudar de "humor", mas é difícil, porque vai-se isolando, e todos abandonam o barco, nós nos abandonamos, eu me abandonei, não consigo me comunicar comigo, fazer contato com a minha entidade, porque perdi a identidade, essa é a diferença de TER UMA DOENÇA NO CÉREBRO, no órgão que comanda tudo!

Que droga, minha psiquiatra perguntou: por que você não me procurou, por que você não me ligou, antes, e a psicoterapeuta já te procurou?


- Não, ainda não, estou numa lista de espera qualquer, dentro do sistema de saúde holandês, e que eu vou dizer, "é muito bom", mas doente é doente, tua vida fica bichada e pronto, e agora pode ser que meu nome suba na lista da terapeuta, é só falar em pensamentos suicidas que eles vão correndo te ajudar.


Você tem uma doença e essa doença é assim, mesmo tomando o santo(s) lítio(s) do dia...pode se ficar assim, pra cima, ou pra baixo, como você está, nessa gangorra...nessa ciranda de remédios, terapias, enchendo o saco e magoando pessoas ao redor, que chatice, e não é como antes, sempre fui uma pessoa melancólica, mas isso é diferente, não é ouvir uma música e ficar reflexivo, mas é não querer OUVIR MÚSICA NENHUMA, não conseguir ler, dormir, fumar, dormir fumar...
Ela queria mandar o enfermeiro aqui em casa, mas eu não quis. Aceitei que terei que tomar novamente anti-depressivo, e dessa vez um outro tipo, que auxiliará o priadel (lítio) e o seroquel...mama mia, onde fui parar, coquetel.
A farmácia fechou, não deu tempo de pegar o remédio hoje, ela passou imediatamente um fax para farmácia, mas a farmácia fecha as 17:30, cheguei 5 minutos atrasada. Mas amanhã eu vou engolir mais essa, porque tudo que eu quero agora, é não ter depressão.


As coisas estão indo bem, as crianças vão bem, o coração vai bem, tudo está em ordem, somente meu cérebro doente que não...

A única coisa que eu sinto vontade de fazer, é ver filmes. Assisti duas vezes Prozac nation nesse final de semana, filme fraquinho....mas pra mim disse muito, só consigo ver coisas pesadas, dores, ir nas comunidades sobre bipolaridade no orkut, conversar com pessoas que me entendem, porque são parecidas.


Enquanto isso, as pessoas se divertem no verão europeu, nos festivais ao ar livre, saindo de férias por ai, e eu queria tanto ser normal.


Pra mim hoje como nos últimos dias, está tudo escuro, pra não dizer uma M, não tenho a quem culpar, não tenho assunto, não atendo telefone, não quero ver ninguém. As cortinas estão fechadas, e se não fossem pelos meus filhos, acho que não estaria mais aqui, porque não tenho sonho nenhum, ambição nenhuma, não vejo graça em música, não vejo beleza nas flores do meu jardim, e pior nem negativa estou, é assim, adoro que é verão, porque posso sair na rua com óculos escuros, ir até o Albert&Heijn (supermercado), e assim fico na minha, desvio de conhecidos, até na escola meu filho não foi um dia, depois foi levado por outros, e odeio pedir ajuda, odeio ser mãe sózinha, odeio tudo nesses momentos, e as pessoas demonstram compaixão e interesse, mas eu vejo na cara delas, "olha ela a coitada"..."tudo bem com você?" eu me vingo depois saindo no maior modelão, toda maquiada - maquiagem que não aparece, cabelo pintado, linda POR FORA, realmente maravilhosa, óculos de sol novo, sapato novo (e milhões de roupas que eu compro, pra não ir a lugar nenhum)...essa é a minha vingança, toda emboletada, cheia de pose, pelo menos...graças ao prozac, priadel, seroquel bla bla bla.


Mas amanhã a farmácia vai abrir, tenho a receita da minha dealer, é só ir lá buscar, não é o prozac é um outro tipo, dose mais branda e "abrangente", de nome EfeXor...vai fazer efeito.

Tuesday, July 10, 2007


Como estou sem a mínima vontade de escrever, vou colocar uma lista que vai e vem na minha cabeça, sei lá é um papo comigo, contigo, convosco, conosco, bem ou mal, ruim ou bom:

- obrigação, tira essa palavra dai;
- visitas, uma está em Ibiza, outra mora em Berlim, outro está em Londres, outra está na Suíça...e virão todos pra Holanda, será que vou dar conta de tantas visitas?
- cruzando os dedos pra minha viagem a Ardennen com as crianças;
- cruzando os dedos pra minha viagem a Marselha com o grupo budista, pra mim tá parecendo parto "o que será que eles vão fazer comigo?" Será que lá tem o chá de Daime, o Luiz(meu shakubuku pai) me mata, se souber que eu comentei aqui, ele leva tudo a sério;
- pensando nas coisas a serem feitas depois das grandes férias das crianças, dessa vez o Dimitri (meu filho), vai prosseguir com o tratamento com a fonoaudióloga, e eu pretendo não surtar no consultário dela como na última vez, mas a burocracia do médico da família me irrita, tudo precisa do aval do médico da família, mesmo quando o médico da escola receitou/indicou, e lá fui eu no médico da família ele me deu o papel, e agora eu preciso de um papel novamente, uma carta do tal médico da família porque a outra expirou;
- queria tanto poder falar para algumas pessoas que conheço pra elas PARAREM de serem íntimas de Oliveira comigo, elas nem sabem que eu nasci em Porto Alegre por exemplo; que ficam mandando email, e querendo o meu bem, MEU BEM pra mim é canção do Ronnie Von..........Meu Bem!


- Ultimamente tem chovido muito, nem dá pra aproveitar o jardim, agora que os lírios estão desabrochando, e mais algumas rosas estão abrindo;
- Por que eu não tenho a mínima vontade de lavar os vidros dessa casa, tem vidros demais aqui, grandes, tem que pegar escada...ai ai ai e vem uma chuva horizontais, e mancham os vidros novamente;
- Já estou começando a ENJOAR de todo o vermelho que coloquei aqui, tapetes, cadeiras, capas de almofadas, vasos, luminárias, cinzeiros, porta velas, caixas da IKEA, e a bola na parede...pintada por mim, minha obra de arte sem arte, queria um xtreme makeover pro meu living room, vivo mais aqui do que em qualquer parte da casa, acho que vou escrever pra um programa de TV;
- Por que é tão difícil pra POBRE (digo, pobre aqui na Holanda como eu), se mudar de CASA, porque holandês se muda tão pouco?

resposta:

- burocraria(burocracia + porcaria), falta de moradia no randstad(região das grandes cidades: Amsterdã/Roterdã/Utrecht), mudança é caro, porque você pega uma casa com nada, e tem que pintar, colocar chão, colocar as obrigatórias CORTINAS, senão a sua casa fica que nem a Red light district (região das putas)...todo mundo olha pra dentro, pelo menos as putas tem luz negra, mostra assim sem querer querendo o corpo, fica tudo bonito na luz negra, nunca mais fiquei pelada de janela aberta.
E quando você se muda, tem que MUDAR de endereço, e pagar pra tudo, escrever milhões de cartas pros milhões de seguros, imposto federal, prefeitura, cabo ou ADSL, seguro de funerária obrigatório, seguro de incêndio na sua casa, roubo, etc, e mais outros milhões que tem de estar informados com o seu endereço, todas aquela montanha de faturas mensais, ai já estou cansada;
E fora que a mudança aqui é feita por conta própria, quantos mais amigos pra ajudar melhor, porque pagar um caminhão de mudança, e mão de obra é muito, mas muito caro mesmo, e eu que não tenho nenhum amigo de infância, nem imagino como fica.

Mas mesmo assim queria me mudar, apesar de que fiquei sabendo se for mesmo morar em Amsterdã, vou ficar sem alguns finais de semana só pra mim, como tenho tido nesses quase 6 anos de divórcio (separação)...será que valerá a pena, abrir mão disso???E depois Leiden é meu refúgio, porque Amsterdã só é bom quando você mora bem, morar mal em Amsterdã, com vizinho chato do lado, encima, embaixo, aqui pelo menos tenho uma caduca do lado, e um estudante universitário ao lado que não cuida do jardim, tá virando uma Amazônia no jardim dele, mas ele não tá nem ai, já fui assim e entendo. Mas no interior é fogo, coloquei uma "batinha/túnica" dessa da moda, e uma mãe turca na escola do meu filho já me chamou de sexy porque tinha um decote, ai ai ai, será que terei que usar a burka?


Apesar de estar fazendo 15 graus, para um verão, estou feliz que é verão...e que nem está tão quente assim.
Só que sujei minha bota de camurça cinza no festival Werfpop nesse último domingo, a bota ficou com lama...quem mandou querer fazer modelão em festival, e pra que existe festival se não dá pra fazer modelão, cada um a seu jeito, pinks and punks se encontraram por lá até flyer de que eu era responsável pela mudancá climática do planeta eu recebi - do Greenpeace??? EU? Não tenho carro, viajo esporadicamente de avião, reciclo os papéis, as garrafas toda santa semana, uso energia verde (que é a que danifica menos), eu responsável???? Faça-me o favor?

- E depois da febre do ogro 3(Shrek), comprei o DVD do Ogro 1, com um dragão apaixonado pelo burrico, é porisso que eu digo, qualquer maneira de amor vale a pena.

- E por falar de amor, uma amiga continua apaixonada, e agora eu queria jogar na cara dela, lembra que você falou que no início "é sempre assim...fazer amor no chão da cozinha nos primeiros anos, e depois (#CENSURED#)" aquela da Blitz "eu dizia que era ela/ela dizia que era eu), porque ela não acreditava mais, e eu falava que era possível, mas quem diz que ela queria ouvir? Estava vindo de um divórcio, e estava tentando entrar nos eixos, mas não acreditava no AMOR, namoro, encontros, companhia..., necessidades de contato corporal/espiritual/amoral.
Nunca concordei porque tive um relacionamento FABULOSO com alguém durante 6 anos no início da minha vida adulta, e todo o lugar era o lugar, o que me fez ser expulsa de um prédio, porque estava usando o elevador para tal, já contei isso né? E mais do que sexo, era o sentimento em si, a conexão com a pessoa, é aceitação às diferenças, admiração, fechar os olhos pros defeitos, porque todos nós temos, mudar o outro, pra quê? Eu acho que nasci Amélie sendo Bebete, falando de amor, fico até com vontade de casar na igreja e tudo, vestindo preto(?).
E mesmo agora, posso dizer que sou apaixonada por uma pessoa há muito tempo e cada vez que o vejo, sinto o mesmo frio da barriga como na primeira vez, e o resto acaba aqui;

- Me pergunto, se não tivesse seguindo a risca o tratamento se estaria mais magra, ou menos inchada, meus peitos estão enormes, me sentiria SEXY se não fosse pela barriga e estômago protuberante, why? Remédios, o que eu não faço pra ser normal, estou me sentindo...JURO grávida, sem estar grávida, sem ânimo, com uns desejos malucos, sábado foi comer moqueca de camarão, gastei só em camarão uns 20 euros, fora os outros ingredientes, e outra COCA COLA, tem dias que tem de ser coca cola, sim COCA COLA, desejo profundo, e me lembro agora que comprei um documentário InsideDeep Throat., no Brasil o filme foi proibido até, que eu me lembre, chama-se Garganta Profunda, mas no documentário, deu pra perceber que certas pessoas, não estão preparadas pras surpresas da vida, Linda LoveLace(a que tinha o clitóris na garganta) e fazia muito boquete, morreu na pobreza, tentou um come back fraquinho, mas já estava velha demais, muito triste, só mais triste é o documentário de 4 horas do Spike Lee(When the leeves Broke - A requiem in four acts -2006), sobre o furacão Katrina que acabou com New Orleans e a população, e por coincidência eu vi uma t-shit super legal no festival Werfpop sobre o (pelos pubianos femininos)Good bush/Bad Bush....e o Bad Bush todo mundo sabe quem é, não sou bofe, mas a t-shirt é engraçada, no docu o safado tirou férias, bem na época do furacão, e que a região é explorada, como colônia, é tirado do solo muito óleo, mas o dinheiro vai pra outros estados como o Texas, será que Bush colocou a culpa nos terroristas de origem árabe??? Do furacão, as entrevistas vão de hilárias a chocantes, sem ter drama demais, mas a do coronel responsável pela edificação do NOVO MURO, dizendo que ele vai ficar igual ao anterior (que foi completamente levado pela água é de rolar de rir) se não fosse triste. E foi legal um rapper ter falado na TV que o Bush n ão dava a mínima pros negros, assim na lata live.
Minha fase documentários, acho.

- E às vezes eu mesmo me trapaceio, há dias que estou com um probleminha irritante, o cadeado (aquele cadeados fixos que tem por aqui) na bicicleta que você usa com a chave, sem abri-lo você não sai do lugar, pois o "dito cujo" está emperrado, o que me toma vários minutos por dia, pra sair e entrar na bicicleta. Resolvi ir no fietsmaker (loja de bicicletas/mecânico)...achei que deveria comprar outro, e um bom está na faixa de 25 euros, resultado, o cara veio com um óleo "milagroso"...colocou no buraco lá, e a coisa começou a funcionar como nova. Juro eu AMO ESSE CARA, o conheço há anos, e ele sempre me quebra todos os galhos, e muitos de graça, coisa rara por aqui.
Acho que um dia vou surpreendê-lo com flores, ou sei lá que. E olha, ele não é feio, também não é bonito, é tipico holandês, olhos azuis, porte alto atlético - claro é mecânico, mas eu não gostaria de ter nada com ele, mas simplesmente mostrar o quanto ele é importante pra mim, nesses anos todos, nesses pequenos reparos de graça.

- Pensei mais uma vez seriamente hoje em tirar a carta, existe hoje em dia uns planos por prestação, e tirar a carta pra mim significa:

- fazer umas 30 aulas (cada aula na média de 35 euros por hora);
- cada exame custa na faixa de 250 euros (e aqui muita gente não passa pela primeira vez, eles dificultam cada vez mais), e fazendo uma conta por cima teria que ter uns 3.000 euros no mínimo em cash, e mais uma babá pra ficar com as crianças, nos horários diferenciados, noite por exemplo...

- Ouvi alguém falar que vai me emprestar esse dinheiro? E depois comprar um carro barato de 1000 euros e fazer amizade com um mecânico qualquer, juro....eu conheço um marroquinho, mas não quero date;


- Agora sério, pensei também em fazer minha cirurgia a laser nos olhos, tá difícil...nessa semana (e olhe que estamos na terça) uma mãe riu de mim porque eu não li o texto todo (letras pequeninhas), sobre a conversa entre professores/pais, eu li as letras grandes, mas na verdade eram 8 da manhã, eu levendo às 7 mas às 8 ainda estou dormindo, sem lentes, sem óculos, não li a palavra urgente. Porisso que digo, não suporto rotina, todo santo dia the same (como é quando se tem crianças), queria mesmo ter babá e empregada, mas sei que um dia eles vão crescer, e ai voltarei a ser eu....e morar não em Amsterdã, mas em Londres ou NYC se conseguir o greencard. Algum americano quer ter o passaporte europeu ai???? São Paulo vai estar bom.

- Tja (tiá) como se fala em holandês, e assim virou uma lista longa.

Tuesday, July 3, 2007

Uma lerda no mundo agitado


Tenho um novo brinquedo, um telefone celular Sony Ericsson, super moderninho com tudo que se tem direito, telefonar, mandar sms's, câmera fotográfica de vídeos, MP3, rádio, internet - esse eu tirei pq tinha que pagar mais, e também muitos games em 3D.
Quem escolheu o modelo foi o meu filho, com um argumento técnico.
A cor é vermelha no tom bordeaux, bem diferente do meu antigo Nokia cinza.
Mas eu gostei muito do painel, que é grande, e pra uma ceguinha é sempre conveniente isso.

Mas eu estou a lerdeza em pessoa, virei eu uma ogra, o verão tem sido de chuva, 15 graus...isso é verão?
E não há muito a fazer a não ser a rotina diária, ir ao dentista, escola, levar no judô, compras, lojas, arrumar a casa, pensar na vida, sonhar acordada.
Final de semana passada fomos assistir Shrek the third, e eu gostei muito, apesar de perder muitas coisa com a dublagem em holandês, prefiro ler em holandês do que ouvir, mas essas animações modernas são bem superiores mesmo.
No sábado Dimitri tirou o diploma B de natação, o A ele tinha conseguido umas semanas atrás( e eu tinha ficado doente) e a Dominique conseguiu o A na segunda feira na escola.

Tarefa cumprida, principalmente pro pai deles que era pessoa que os levava na natação. E ele deve estar feliz que não vai precisar mais acordar cedo todos os sábados, ou pelo menos não ter a obrigação que tinha.

No próximo domingo é o festival de verão de música em Leiden o werfpop e esse eu não perco, todo o ano estou lá pra ver as bandas, dar uma banda, e fica num parque super legal, com cara de festival mesmo, mas o tempo tem que colaborar senão fica muito chato.
E na próxima sexta em Londres meu amigo o DJ Renato Lopes vai tocar numa festa, com outros DJ's e a festa é organizada pela Simone Rutuolo, que morava no ABC...num deles lógico. Pena não poder ir assim, sem compromisso.

Na semana que vem tenho visitas de Berlim, a elétrica Sabrina Fidalgo tá chegando, e com certeza vamos tricotar bastante, assim espero, ela está envolvida em um projeto que é um documentário sobre os bailes funks no Rio de Janeiro.

Quantos aos meus amigos, não tenho visto, só falado ao telefone. Tenho uma amiga que está apaixonada, e curtindo a vida real, bom pra ela.
E eu de certa forma também estou vivendo mais a vida real do que a virtual, estou reassistindo filmes velhos, adquirindo CD's de músicas velhas, bandas velhas, não que seja uma fase nostálgica, mas os releases são tão fraquinhos, e compro muitos DVD's pras crianças, aliás a coleção deles é bem maior do que a minha, comprei recentemente Spiderman 2, e gostei bastante do filme, e do vilão, adoro os vilões que sempre fracassam no final.

Estou me sentindo a mocinha boazinha do filme a Mary Jane - MJ como o Peter Parker a chama, ele vivia dando desculpas e nunca ia assistir a peça encenada por ela, do Oscar Wilde, estava sempre sem tempo por ser o Spiderman e aquela velha estória de não poder revelar a verdadeira identidade. Ah! esses super heróis dramáticos.

Finalmente chegamos no mês de julho, em breve irei pra França no curso de budismo, mas amanhã é um dia crucial nesse mundo agitado, a data de falecimento do meu pai, 4 de julho, dia da independência americana, fácil de lembrar em vários sentidos.
Parece que foi ontem agora que estou lerda e o mundo gira gira gira frenético ao meu redor, ano passado eu estava mais rápida que o mundo, todos eram devagar, pensavam devagar.
E como eu percebi no ano passado, meu pai virou estrela...e está lá no alto, todas as noites, cuidando de mim, de todos os seus filhos.
Quem sabe não é ele o responsável pela minha mudança?
Porque há prazer na lentidão, como diz Kundera.
Quem sabe.

Monday, June 25, 2007

Com humor para os amigos como eu


"Normas para aceitação do lítio em sua vida:"


1) Esvazie o armário de remédios antes que cheguem convidados para jantar ou namorados novos que venham passar a noite.
2) Lembre-se de devolver o lítio para o armário no dia seguinte.
3) Não se envergonhe com sua falta de coordenação ou sua incapacidade de se sair bem nos esportes,que no passado praticava sem dificuldade.
4) Aprenda a rir do fato de derramar café,de ter a assinatura vascilante de alguém com 80 anos e de não conseguir pôr um par de abotoaduras em menos de 10 minutos...(no meu caso as lentes de contato, seria mais prático e rápido ter um olho só)
5) Sorria quando as pessoas brincarem a respeito de achar que precisariam estar tomando lítio, aquele velho ditado de "médico e de louco", elas acham que essa doença é besteira, vamos rir?
6) Concorde com um ar de inteligência e convicção quando seu médico lhe explicar inúmeras vezes as vantagens do lítio na eliminação do caos na sua vida.
7) Seja paciente enquanto espera por essa eliminação muito paciente. Releia o livro de jó e continue a ser paciente. Considere a semelhança entre as expressões "ser paciente" e "ser um paciente".
8) Procure não se deixar irritar pelo fato de você não conseguir ler sem esforço. Encare isso com serenidade,mesmo que conseguisse ler,provavelmente não se lembraria da maior parte, a palavra concentração agora faz sentido não?
9) Adapte-se a uma certa falta de entusiasmo e vitalidade que você tinha antes. Procure não pensar em todas as noites vibrantes que você já passou talvez fosse melhor não ter passado aquelas noites mesmo.
10) Sempre tenha em mente como você está melhor todos os outros sem dúvida salientam esse ponto com suficiente frequência,por irritante que seja é provável que seja verdade.
11) Seja grato. Nem mesmo chegue a considerar a hipótese de parar de tomar o lítio.
12) Quando você parar,ficar maníaco e/ou entrar em depressão,espere ouvir 2 temas básicos da sua família,dos seus amigos e terapeutas. -Mas você estava se saindo tão bem simplesmente não entendo.- Eu disse que isso ia acontecer.
13) Reabasteça seu armário de medicamentos.

Sunday, June 24, 2007

Bi-curious


Novamente assisti o filme Kissing Jessica Stein de 2001.
Me lembrei do meu lado bi-curious, e de meus amigos aliás algumas amigas, uma judia e as gays (lésbicas).
E lembrei também de uma estória platônica que tive com uma amiga, sendo que as possibilidades do lado dela eram bem maiores, mas ela não saia do closet e não mostrava a cobra, até um belo dia me confessar a verdade, não só que estava apaixonada por mim, mas que me amava em todos aqueles anos...de amizade entre nós, e que me queria de qualquer jeito.
Bom, fazer tudo pra mim ela já fazia, era excelente companhia, éramos vistas sempre juntas pela noite, e durante o dia, ela praticamente estava sempre à minha disposição, onde quer que eu quisesse ir...lá estava ela pronta.
Bom, eu já sabia dessa tendência dela mas nunca a levava a sério, não porque tinha vergonha de ser lésbica, pra mim seria até uma honra e mais divertido, e com essa boca grande minha, ia ter muito mais fama, se falasse pra imprensa sou GAY e daí? Acho que todos iam adorar na época - uma Bebete gay ou bi, uma boa propaganda pro meu trabalho na noite, pros negócios, pra dar entrevistas, e no Brasil há tão poucas pessoas formadoras de opinião que assumem sua opção sexual sem serem caricatas, aliás não sei se homossexualidade é uma opção, aliás sou péssima em teorizar sobre esse assunto.

Mas, ok...não aceitei nenhum namoro oficial, nem tive nada com ela fora amizade, apesar de ter um excelente sensação, aquela de que alguém te ama muito, alguém inteligente, bonito(a), de boa família, culto(a) e de um caráter extraordinário, e de saber que havia um fascinação da parte dela pela minha pessoa, apesar de também recear uma grande decepção só de pensar em possível envolvimento e havia uns rumores que era cool ser lésbica na época, termo chamado lesbian chic, mulheres bonitas, jovens, inteligenres, não aquele estereótipo de camioneiras e cabelos a lá Simone, ultrapassado, era uma coisa, salto alto, Chanel, Gucci, bolsa, make up da Mac, Dior, e traços finos, dançar em clubs, chamar atenção sutilmente, discrição. Mas eu optei pela amizade, e somos amigas até hoje e ela vive feliz com a namorada, moram juntas e eu acabei ganhando outra amiga.

A neurótica Jessica no filme, de família judaica me deu nos nervos mais uma vez, sim porque fizeram dela uma personagem bem estressada, era uma Bridget Jones diferente, mas louca por um partner, correta ao extremo, mas mais curiosa e acaba tendo um date com uma mulher.E é assim mesmo que ocorre na realidade, a novidade no início, o diferente, quase que ela desiste mas acabou se apaixonando por uma pessoa do mesmo sexo, é foi muito excitante, mas se a relação adquire um caráter mais sério, as coisas começam a se complicar, perante o círculo social, família e o ambiente de trabalho, e o negócio é ocultar, mas chega um momento que não há mais como esconder, mas há momentos bem engraçados no filme, vários, no shabbat na casa da mãe dela, que o temporal é tão forte que elas não podem voltar pra New York, e a mãe as coloca no mesmo quarto de juventude, as duas "meninas" a salvo, e ai que a coisa pegou fogo de vez debaixo dos lençóis e depois elas resolveram juntar as escovas de dente.
Que romântico.

Eu não me vejo como gay, apesar de nunca dizer que desta água eu não beberei.
Continuo curiosa, apesar de não apreciar tanto a anatomia de um corpo feminino como aprecio a do masculino, gosto de contrastes, mas acho interessante e penso na minha vã curiosidade que numa relação entre mulheres, pode haver mais compreensão, mas claro é preciso de que ambos lados queiram, compactuem, estejam apaixonados e interessados e que de preferência haja interesse sexual balanceado e maturidade pra coisa ir pra frente, aliás isso vale pra todo o tipo de relação, gay ou straight.

Gosto desses assuntos, gostei mais uma vez do filme e aconselho, se você gosta de New York, simpatiza pelos gays, e a comunidade judaica, assista.

Thursday, June 21, 2007

Jump(en)


Há dias que meu filho chega da escola com essa palavra "jumpen" assim em holandês, que significa JUMP em inglês como muitos sabem, porque em holandês Jump é springen, mas nesse caso ai é jumpen, eles aqui fazem verbo de tudo, e jumpen é verbo no infinitivo por exemplo. We gaan jumpen * nós vamos dançar a dança do pulo.
E ele ficava dançando em casa assim sem mais nem menos, depois vira a saber que ele queria era treinar, praticar pra fazer bonito na escola.
Jumpen também é uma coreografia de rua deles lá, aliás não sei quem inventou, pula duas vezes, cruza as pernas pra frente pra trás, solta a perna direita duas vezes pra frente, a esquerda uma vez pra frente, imediatamente pra trás, continua com a direita que cruza com a pena esquerda e depois continua na sequência inicial, sem pular duas vezes e quanto mais entusiasmo melhor.

Entenderam? Não? Parece simples, e é...mas sincronizar tudo é que são elas, todos juntos ai que é o grande segredo e fica muito, mas muito legal, parece uma rave e quanto mais ensurdecedora a música melhor.

Ontem foi a festa de encerramento do tema "Teatro de Rua"...cada grupo da escola do meu filho, apresentava um ou mais números, da classe dele foi uma música e coreografia de índios "norte americanos", já que eles estava trabalhando nesse tema já faz um tempo.
No início da festa todos os professores e professoras abriram o espetáculo com uma música bem DUM DUM DUM eletrônica, bem alta, com o JUMPEN, eu já fiquei animadíssima, porque como platéia dancei e berrei junto - coisa que aqui as pessoas não fazem muito, tanto que hoje the day after eu dei um bom dia pro diretor e os parabéns porque é muito engraçado ver professor/a dançar e fazer bagunça. E ele o meester Ivo disse que eu também estava animada, nossa...no meio de mais de 300 pais ele notou minha animação, mas o número de Jumpen não era comigo, em passinhos sou descoordenada, meu negócio é agito.

A tarde foi ótima, porque o sol não parou de brilhar - hoje já está chovendo.
E as guloseimas que as mães fazem como de praxe estavam uma maravilhasa, eu não fiz nada nem colaborei, aliás nem tirei foto, nem filmei. Me arrependo de não ter filmado, porque o legal da coisa era o movimento, mas comi o tempo inteiro.
Tinha grupos que dançaram rap, outros tocaram rock em bandas o grupo 8, das crianças maiores, e também salsa, dança havaiana...e os pequeninhos de 4 também dançaram, são sempre engraçados, porque eles não entendem direito o que é uma apresentação, mas muitos conseguem fazer direitinho.
Mas todos os grupos tinham uma roupa e/ou acessórios específicos, que fazem o espetáculo mais bonito.

Entrementes, as crianças participaram de brincadeiras, comprei um pulseira pra Dominique e outra pro Dimitri, e eles podiam participar das brincadeiras gratuitamente, enfrentando filas claro, pescarias, marcar pontos com as bolas de gude, aceitar o alvo, umas com água..etc.
A fila do sorvete tava também quilométrica pelo calor. Sorte que aqui furar fila, não é uma boa idéia.
Legal que esse dinheiro sempre vai pra caridade, ou pra melhorias da própria escola e município, ninguém embolsa nada.

Tinha também uma roda da fortuna, e volta e meia alguém ganhava um prêmio...tudo anunciado pelo diretor no microfone, fazendo o suspense necessário. Eu não ganhei nada porque não comprei lote nenhum, e algumas coisas de prêmio eu já tinha, como uma barraca pra sol, aquelas pela metade, que eu acho o maior trabalho....estou dando, hehehe. Eu queria mais o grande prêmio, que era uma viagem pra 4 para Duinrell, um parque com águas que as crianças devem gostar.

No final da festa, foi ótimo quando todos os professores e alunos dançaram o Jumpen juntos, e a maior barulheira, não parecia uma escola.
E esse tipo de evento em uma escola eu nunca vi. Adorei...e ficava imaginando as festas tímidas dos meus colégios de antigamente, nossas os tempos mudaram mesmo.
Tudo agora é muito cool, e mais cool ainda que passamos no Mac Donald's depois, e no caminho pra casa Dimitri meu filho disse:

- Chegando em casa põe o CD da Madonna com o número "Jump"?????

Amanhã irei pra Suiça e Áustria, meu ticket já está na mão, o tema da escola da Dominique é uma viagem à Europa, mas apesar do ticket não preciso pegar avião nenhum, fazer check in, tudo na imaginação e quero ver o que eles vão aprontar lá em Katwijk (cidade onde fica a escola dela)porque eu ainda estou com o Jumpen na cabeça, aliás nos pés.JUMP
Are you ready?

Monday, June 18, 2007

Yoshitomo Nara


Por acaso acabei visitando nesse final de semana a belíssima exposição do artista pop japonês Yoshitomo Nara, que desculpem a minha ignorância nem sabia que existia, mas estou começando a acreditar que uma coisa puxa outra desde que semana passada fiquei "amiga" de vários bonecos bacanas e bandas de bossa nova japonesas no My Space, e a semana fechou assim no mesmo estilo.
O trabalho dele é a minha cara, adoro ver bonecas de olhos grandes e cabelo chanel, maria chiquinha e corpo pequeno e também brinquedos pra gente grande, dou mil pulinhos que nem criança, e me dá mais ânimo pra viver, porque normalmente acho tudo tão batido e chato e percebo que através desse tipo de arte, a gente contesta mais o mundo do imposto e de adultos, ai que mundo chato e cheio de pose. Aas cores que ele usa são em tons pastéis em algumas telas, e outras escuras e opacas, o opaco fica muito chique, e a textura das telas, parece que ele em algumas coloca uma base de gaze aos pedacinhos, e o tema, não é só fofura, mas também é diferente de Trevor Brown que assusta crianças, ele intriga mas não assusta as criancinhas, mas sua arte é pra adultos, que nem eu antigamente era clubber kid, poucas pessoas entendem, ou pelo menos os adultos que uma pessoa pode gostar de algo anti convencional, talvez porque quando estudei desenho publicitário, eu era um desastre em desenho, mas era ótima em criar personagens como "a Chorona", uma personagem de estórias em quadrinhos criada por mim, vestido tubinho, cabelo chanel com franja preto e pernas gordinhas em triângulo, e um olho podia ser desproporcional no rosto, e essa mesma improbabilidade distante da realidade só em arte moderna mesmo...ah, no fundo eu gosto de tudo que me toca, mas não toco nada só pedra n'água, mas gosto de ver algo perto do meu universo.
Já ele tem as bonequinhas fofas, mas também mostra um pouco da agressividade da infância, da hostilidade de um mundo infantil quase isento de contos da carochinha, porque hoje em dia a violência está em todos os lugares(mas lá no Japão a coisa é preta pras crianças e juventude)ai os japoneses inventam os pockemons(eu mesmo sei que aqueles aparentemente inofensivos bonecos, são um poço de ódio e poder). Bom a violência predomina, nos brinquedos, games, tv, aliás numa forma mais exagerada do que antigamente, porque é sempre a mesma estória o bem contra o mal, mas nesse interim...muito sangue jorra, muitas batalhas, jogo de poder, muito monstrinho fraco, muitos fortes...HP (high power) LP(low power) dos mais de 300 cartões que o meu filho tem, que é um hype hoje em dia, se você prestar bem atenção, esses cartões e seus referentes monstros são pura estratégia de guerra na luta pelo poder, os samurais do século XXI.
Enfim, eu achei uma graça e o cara é muito bom.
Ao lado do museu de fotografia onde vi o último dia da exposição de fotos da atriz francesa Isabelle Huppert está o GEM, e lá está a exposição, instalação de Nara, que parece nome de mulher, mas nome japonês é assim mesmo, parece nome de homem é de mulher e vice versa, isso pra quem não sabe, lembro minhas minhas Miuky, Kiomi, Terumi...
Já as fotos da sardenta e talentosa atriz foram retratadas por vários fotógrafos de renome como Henri-Cartier Bresson, Irving Penn, Annie Leibovitz e o holandês, xi........qual é o nome dele mesmo? Depois volto aqui, nome complicado...vale dizer que muitos já morreram, e isso faz que a "Diversas faces de Isabelle" o nome da exposição, tenha um valor mais especial no mundo da fotografia.
Eu gostei mas chega uma hora, que essa vaidade ocidental toda me enche o saco, portret de uma pessoa do ocidente e famosa,adoro os filmes dela, Ma Mere por exemplo me deixou de queixo caído quando vi a primeira vez, mas infelizmente e na minha opinião o Nara a ofuscou, e eu gosto mesmo de uma sujeirinha com cara de novidade como é/foi a exposição dele. Nas casinhas e túneis e pontes de madeiras que fazem parte da exposição/instalação, você viaja literalmente. Há momentos que você se sente um gigante, porque tem de se abaixar pra passar nos corredores de uma sala pra outra, e as janelinhas são uma graça, onde você pode ver os quadros ou instalações de vários ângulos, os bonecos, o maravilhoso tapete de bonecos e bichinhos de pelúcia(japoneses)recobertos com um chão de acrílico incolor resistente. Fiquei realmente impressionada e feliz por tomar conhecimento desse artista modernérrimo da minha geração, gente como a gente, aliás como eu queria ser quando crescer, sai de lá, querendo voltar a fazer a Chorona, buááááááá.

Se você gostar desse tipo de arte não deixe de fazer uma visita por lá, na praça de Museus em Den Haag.
Gem

Tchau querida!

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as gue...