Tuesday, February 26, 2008

Je suis pop


Uma vez veio uma amiga do meu irmão me visitar aqui na Holanda, isso foi no comecinho...num determinado momento ela me disse:
- cruzes Bebete, quando você tiver um filha(o) você vai ficar louca, você adora trecaiada.
Bom, meu pai dizia a mesma coisa, porque compro até caneta de N.S. Aparecida de aeroporto, a 25 de março então em SP já foi meu reino encantado, mas lá era alegoria, produtos Made in China and Paraguay, a criatividade da composição tinha que partir do meu lado, como a decoração de molas por exemplo, aquelas molas de brinquedo, os anéis apito do QF levou Robin?

Essa amiga quis se referir a minha maneira de consumir, ver as coisas, de gostar de brinquedos, motivos, designs infantilizados, em tudo que via, de moda retro, carro favorito? Mini-cooper, anos 60, meu primeiro carro um FUSCA 69, já tive um bar chinês super kitsch mas discreto, não sou tão camp assim, sou ou fui me transformando através dos anos, com uma pessoa com gosto muito pessoal. Meu sonho de consumo? Uma geladeira Smeg vermelha, adoro minha lata de lixo...tive brigas com meu ex, quando ele não entendia a importância de uma lata de lixo push can do jeito que eu queria. Sou pobre, mas tenho lá meu orgulho, e gosto de viver com elán e pronto. Nada é pro outro, mas pra mim.

Engraçado, porque eu tenho amigos "igualzinhos" a mim...assim, clubber kids, consumistas, loucos por moda, bonecos, objetos de design, brechós, óculos, bolsinhas, brinquedos, mobiliária, que vivem inventando moda, pra se sentir num mundo (casa/corpo) melhor.
Sou a eterna criança nos olhos dos outros, mas acontece que não sou diferente de muita gente, gente como eu. O club se foi ficou a kid.
E fora minha disco ball no meio da sala, my private Idahoooooooo do B52's que amo.
Tudo que se quer quando se é criança, é ser igual a todo mundo, noto nos meus filhos, e também era assim, mas a gente cresce e quanto mais a gente se transforma em si próprio, mas rico e interessante fica nosso universo.

Je suis pop, assim foi que um amigo meu cavaleiro Jorge, me levou pra caminhar e conhecer Barcelona, enquanto que a digníssima esposa estava na rádio trabalhando num final de semana que passei por lá.
Bom...eles se separaram, ela tem outro, mas ele tem os bonecos, os desenhos e ilustrações, o trabalho, e ganha dinheiro com formas, com criação, imagens, vídeos...também é como eu, criança como eu.

Mas quando conheci a Cha-chá...minha vida não mudou, melhorou.
Fiquei louca pela loja, pelos produtos, pelas cores, formas, sai de lá com umas ninharias e uma T-shirt "Je suis pop" do fashion designer A. Garcia na cor amarela e preta, queria ter também a vermelha e preta, a branca e preta, a verde...mas queria também a cortina de ducha da "Mama Killer"(filme Psycho)...uma saia da Agatha Ruiz de la Prada (que nunca havia ouvido falar)??? Gente como a gente, como eu, como ela. Aliás no site da loja tem o histórico de todos os artistas, bem bacaninha.
Mas não vou ficar aqui falando coisa chata, no casa da Cha-chá é daquelas lojas que a gente não esquece NUNCA por completo, é muito cute tudo por lá.
Hoje eu não fui a Barcelona, mas fui na Cha-chá...e talvez porque vá ao m.u.l.t.i.s.e.x.i. dançar no sábado com meu amigodj Zozo(nic), lembrei da cha-chá que não tem nada a ver com mambo rumba e cha cha cha, viu...mas que tem a ver com o meu lado infantil, que sempre vai ficar, os meus brinquedos.

Je suis pop...fazer o quê?
Se Barcelona ainda não está nos seus planos, de antemão uma surfadinha na teia não vai te fazer mal, as aranhas são virtuais.

Hasta la pasta!

Friday, February 22, 2008

Tropa de Elite - Elite Squad


Tudo na vida tem o momento, a hora certa.
Bom, eu não sei se essas coisas vêm por acaso (nome do meu blog), a tal da coincidência.
Mas depois de fazer um coming back (a volta dos que não foram, porque sempre estive por aqui) na festa de pós carnaval, comecei a me envolver com o projeto de uma amiga (Lu Botelho), que começou a organizar festas nos Países Baixos.
As festas tem o nome de SORRIA, e como diz P...os brasileiros, muitos, não todos gostam muito de sair nas fotos, principalmente naquelas de capa do orkut, com um sorriso estampado na face, muitos comem M mas continuam sorrindo, acho que esse fato de sorrir, até na miséria...veio do continente africano, juntos com os escravos, na M nos navios, mas aqui chegaram e tiveram que mostrar os dentes, canelas magras, altivos, e dentes bons, sinal de qualidade da mão de obra, SORRIA, não estrague o seu dia.

O projeto se chama "Coisas do Brasil", que reúne, culinária - apesar de na noite as pessoas darem preferência a um hot dog vulgar(que aqui significa batata frita com maionese argh no final da noite), DJ's brasileiros que não tocam só o que os gringos querem ouvir e ou brasileiros saudosos da terra natal querem dançar, arte brasileira indígena (divulgação da Patropi shop), artes plásticas em geral. Não, o projeto é mais completo, mostrar a nossa cultura por aqui, dando ênfase pra novos talentos, novidades,moda, fazendo um tutti fruti, uma insalata mista, de tudo de novo que tem a ver pra mostrar, divulgar, prestigiar, dividir o que é nosso, pois aqui ainda temos aquela imagem futebol/carnaval/samba/café...e para os mais iniciados...bossa nova.

Eu entrei nessa e trabalhei na última festa(vide posting abaixos), apesar de já ter trabalhado em festas anteriores como hostess, me divirto e até centjes- dinheirinho amigo ganho *LOL*, sou perfeccionista e festa pra mim é assunto sério, ou eu me envolvo 100%, ou abandono o barco. Morando na Holanda, percebo que parcerias se fazem necessárias, assim como no Brasil, pessoas que trabalhei junto ou que eram "meus empregados", a maioria eram amigos, pessoas confiáveis.
Aqui minha network é diferente, porque meus amigos moram em cidades e até países diferentes, mas a internet ajuda muito a facilitar os contatos, no fundo dá tudo igual, um ajuda o outro, e assim nos tornamos fortes.

Galgando planos mais altos, mas não muito alto - vamos por partes - tudo por acaso...por meu holandês ser fluente, tanto na fala como na escrita, e farei o press-release da próxima festa, promovento pela primeira vez na Holanda, a vinda do mestre DJ do Funk Carioca:.Sany Pitbull (que nome, hein?)au au au.
Eu nunca o vi tocar, já o DJ Marlboro o conheço, e ele inclusive é amigo do produtor do Que fim levou Robin? Dudu Marote, uma grande corrente essa musical, que agora também tem uma banda e já se apresentou nas Oropas.

Coincidentemente minha amiga cineasta Sabrina Fidalgo está no Rio - ela mora em Berlim, e tentou vender o peixe do DJ Sany porque o mesmo estará fazendo em março uma tour na Europa pela segunda vez. Sabrina me mandou um email esses dias pra eu armar algum babado, com os dados do cara, links bacanas, fez a maior propaganda, porque ela é asim multi-mídia, animada, ex de um músico, o cara do Riovolt...jornalista, atriz, modelo, cantora, é realmente do babado, uma pessoa inteligentíssima, articulada sem ranço e jovem, 28 aninhos, uma pessoa que valoriza o que é bom, seu último projeto é um documentário sobre o Funk Carioca tendo como carro chefe e pano de fundo, o DJ Pitbull.
Ela está no Rio realizando sua obra, vamos aguardar com euforia, porque ela é mestre no assunto!
E ela mesmo conta comigo, conhece o meu passado, sabe que sou feliz assim...arregaçando as mangas.

Já Lu Botelho(Sorria), esteve em fevereiro no Brasil e também no Rio, e teve a oportunidade de ver o trabalho do Sany, ficou bem empolgada.
Fechou todas...dia 29 de março de 2008, o cara vai tocar em Amsterdã, e eu estou animadíssima porque tenho o gancho do filme Tropa de Elite que acabou de sair quentinho do forno na Europa pelo prêmio de melhor filme no festival de Berlim. O diretor Padilha foi pra casa, com o urso de Ouro...

Raramente leio jornais na net sobre o Brasil, peguei o hábito de ler jornais holandeses, belgas,ingleses, revistas...e pouco sei do que acontece no Brasil, mesmo hoje em dia com o mundo globalizado, procuro evitar estresses desnecessários.
Sempre gostei mais de me ater à assuntos culturais da minha cultura e cultura geral, e de vez em quando leio a Papagaio, que agora mudou de nome para Novas Fronteiras. Sou uma pessoa afinal, sem fronteiras, porque não só morei em dois continentes diferentes, mas não gosto muito de delimitar territórios e rotúlos, eu vou nesse turbilhão, arrastada pela corrente que me inspira. Eu sou eu...nasci assim, cresci assim...Na estadia de minhas amigas brasileiras aqui em dezembro/fevereiro tomei conhecimento do que significada a palavra torpedo: SMS...

Ir ao Brasil, pode esquecer...raramente vou. Só por obrigação, ou quando estou com muitas saudades, quando tenho sonhos e acordo: preciso ir ao Brasil, principalmente porque depois de ser mãe, não posso me dar ao luxo de fazer uso do lastminutes...a preparação é feita com muita antecedência, aproximadamente 6 meses, e somente quando as crianças têm férias de verão (julho e agosto = 6 semanas). Já acostumei. E no Brasil tenho amigos e familiares queridos, mas já não tenho mais pai nem mãe, tudo muda quando se é órfão, tudo muda quando se é mãe...e divorciada. Imigrar é assunto complicado.

Mas fico com inveja em saber das notícias sobre o filme: TROPA DE ELITE...porque no Brasil se pode comprar o DVD em qualquer camelô, e aqui nem temos pirataria, vou você faz você mesmo (baixa na net), ou espera a estréia, ou vai nos festivais anuais, ou fica como eu vendo fragmentos na net, YouTube e derivados, camelô aqui? Não existe.

Funk carioca, Tropa de Elite, Cidade de Deus...sinto que o Rio de Janeiro no Brasil sempre rouba a cena, pro bem (vide cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil...(bla bla), o marketing do Rio no mundo é tremendo, gigantesco, o Rio está sempre na mídia.
Eu acho que o presidente Juscelino Kubistchek (falta letra?) deu um grande fora em transformar Brasília na capital federal, com exceção da arquitetura do Niemayer...
Ele devia deixar como estava, lá no Rio mesmo. Mas não, 48 anos depois...olha o que aconteceu com a cidade maravilhosa.

Pois dizem que mandou construir a capital, porque os burocratas do serviço público, queriam curtir a praia, e deixavam o trabalho de lado, no Rio era todo mundo preguiçoso, os funcionários públicos se jogavam nas cordas, ninguém queria trabalhar, será?
E agora???

O Rio de Janeiro se transformou nessa guerra civil "policia x (ladrão)traficamentes"...e o povo no fogo cruzado, salvem-se quem puder, muitos até acostumados com esse dia a dia e realidade, como nas guerras os campos minados, são as balas perdidas.
E quando isso vai parar?
Quem ganha com isso?
E essas armas todas?
E essa impunidade toda?
Por que o governo não cria vergonha na cara, e muda essa situação lançando não só planos FOME ZERO, mas ABAIXO A GUERRA, já?
Eu fui na passeata das DIRETAS, JÁ pra dar o direito do povo votar pra presidente, e sei que só um presidente não é Deus, não resolve o problema, mas a mentalidade tem de mudar, JÁ, pras próximas gerações.


Boris Casoy diz/dizia:

- É uma vergonha.

É muito mais do que isso, é um dos maiores problemas brasileiros, ao lado do salário de fome, corrupção dos políticos, mentalidade atrasada, diferença social, lei do Gérson, seca no Nordeste, impunidade de crimes de colarinho branco, ou crimes como o do "carinha" que botou fogo no índio no ponto de ônibus em Brasília, filho de grandão...das tais CPI'S, da Elite que acha que deve ficar como está, é só comprar carro blindado, morar em condomínios ultra seguros, visitar shoppings, tirar férias no exterior, achar que todos os mendigos, garotos de rua, são farinha do mesmo saco, preguiçosos, e a eterna desculpa: O BRASIL Não VAI MUDAR, NUNCA.


E quem matou Odette Roitmann, PC Farias?
Onde está o $ da poupança "roubado" do povo no governo Collor de Mello pelo plano econômico de Zélia.

O pai de um amigo na época, se enforcou no quintal...porque tinha vendido uma casa, e pôs o dinheiro na poupança, e eu nunca fui com a cara daquele almofadinha de cabelo com gel, o playbou "Collor"...a culpa é do Nordeste.
ACM morreu, 3 X Viva.
Talvez porisso que não leia notícias sobre o Brasil.
Eu adoro o Brasil, claro eu sou brasileira, e sou a primeira a defender o meu país por aqui, quando as pessoas falam que o Brasil é somente isso, uma bagunça, é bom ver filme brasileiro ganhando prêmio, mas só em pensar que essa é a realidade, a pura verdade, é muito triste.
Não entendo porque deixaram a cidade maravilhosa ficar desse jeito.
O coração do Brasil que é o Rio, está doente...há anos, com marca passo, ponte de safena, volta e meia tem uns enfartos do miocárdio.
E essa guerra, já se tornou NORMAL.

Tô louca pra ver o filme, estou louca pra conhecer pessoalmente Sany Pitbull, mas quero ficar longe das estatísticas da Organização dos direitos humanos, que diz que morreram mais gente no Brasil, do que na guerra do Iraque.

O jargão "É uma vergonha"...ainda pega bem nesses casos, fazer o quê?
Eu sinceramente não queria usar esse espaço pra reclamar, tampouco pra colocar a cabeça debaixo da terra como um avestruz.
Entre a cruz e a espada eu estou, depois de anos morando na segurança de um país no norte da Europa.

Temo as grandes cidades, temo pelos meus filhos, temo pelos inocentes.
Temo a polícia, temo o bandido, temo pelo pobre coitado que não tem nada a ver com o peixe, nasceu lá, mora lá, não sai de lá, nem quer sair, temo pela mídia que faz a cabeça da molecada, ai me tornei uma medrosa.

O faroeste continua por lá, bem longe de mim e o que eu quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela em que eu (não) nasci...larilalá

Thursday, February 21, 2008

Saudade do mar, saudade de navegar, saudade de Neruda





POEM TWENTY


from Twenty Poems of Love and One of Desperation


I could write the very saddest verses tonight
Writing, for example "The night is sprinkled
With stars sparkling blue, far away."
The night wind whirls in the sky and sings.

I could write the very saddest verses tonight
I loved her and at times she also loved me.

On nights like this I had her in my arms.
I kissed her so many times under the infinite sky.

She loved me, at times I also loved her.
How could I not love her big staring eyes?

I could write the very saddest verses tonight.
To think I don't have her. To feel that I have lost her.

To hear the immense night, even more immense without her.
And the verses fall on the soul like dew on the pasture.

What does it matter that my love couldn't keep her?
The night is full of stars and she's not with me.

That's all. Far off someone is singing. Far off
My love is not used to having lost her.

How my glance looks for her to get close to her.
My heart looks for her and she's not with me.

The same night that turns the same trees white.
We aren't now the same way we were then.

I no longer love her, that's certain, but how much I loved her.
My voice searched on the wind to touch her ear.

Someone else's, she's someone else's. Like before I kissed her.
Her voice, her bright body. Her infinite eyes.

I no longer love her, that's certain, but perhaps I love her.
Love lasts so short and forgetting takes so long.

But on nights like this I had her in my arms.
My heart is not used to having lost her.

Although this may be the last pain that she causes me
And these may be the last verses that I write her.

Wednesday, February 20, 2008

Olele olala



"Quem não gosta de samba, bom sujeito não é...
é ruim da cabeça, ou doente do pé"...

Mas se for tomar no sentido literal, eu sou ruim do pé...e doente da cabeça, mas não que a bipolaridade fosse uma doença, dessas que tem por ai...mas como explicar pras crianças?
Volta e meia eu digo pras crianças:
- Vocês sabem que a mamãe tem um probleminha no cérebro, na cabeça, na cachola, no côco como diz minha tia Aida.

E de vez em quando a Dominique me pergunta:

- Mama, gaat het beter met je hoofd.*
(mamãe, tá melhor com a cabeça?)

Ela deve comparar com "dor de cabeça", que tenho de vez em quando.

Mas ela sambou, digo, mesmo sendo doente ou ruim com o pé, quem diria...afinal tenho 25% de sangue indígena de uma tribo lá pelos lados do Uruguay, mas não sei o nome, e agora todo mundo já morreu, meu pai, a minha tia, meu avô...e a minha avó india CAMILA que se foi em 1920. Indio não samba, ele dança, e esse gen eu tenho, da folia, do fogo, da fome de viver.

Olelê, olalá...pega no ganze, pega no ganza??? É com Z?

Nunca fui de samba, apesar de gostar da "velha guarda", mas sempre fui de festa, e se é pra ferver e ganhar dinheiro, dar uma de palhaça, sorrisos, carão, pose...pode me chamar, que não existe melhor pessoa no mundo do que eu.
Trabalhar a noite sempre foi o meu palco, sou campeã da folia, de samba a música eletrônica, mas pelo amor de Deus, eu digo não às drogas, e isso significa que não suporto Axé e música sertaneja. AFFF, tudo tem limite, mesmo na minha festa.

A Lu do projeto Sorria de Amsterdã, sorriu e me chamou, indicada por uma amiga Helen(frequentadora do Massivo de São Paulo), que há anos mora na Holanda, em Amsterdã.

E aqui, de alguma forma e mais cedo ou mais tarde, esbarramos na "comunidade brasileira". Brasileiro foge de brasileiro, brasileiro procura brasileiro, brasileiro fofoca de brasileiro, puxa o tapete, se comporta bem e mal, se distância, se aproxima, briga, mas quando o assunto é festa, falar português, sair do armário, somos os primeiros a abrir alas, os primeiros pra prestigiar o sucesso dos próprios brasileiros, e que venham:
Olele Club
Projeto Coisas do Brasil - festas Sorria
Loja Patropi
Cabeleireiros brasileiros
Músicos
Capoeiristas
Organizadores de festival de cinema
Artistas Plásticos
Novos talentos
Nomes no meio acadêmico
Artistas, fotógrafos, diretores, negociantes
Restaurantes
Escritores
Modelos
Produto brasileiro
Mão de obra (barata???), você acha barato 15 euros por hora???
Enfim...

Confesso que tenho um nome e gosto a zelar pra mim mesma: Bebete Indarte, música eletrônica, etc.
Mas sinto que depois da virada do milênio o meio de campo embolou total, mesmo pra música eletrônica, todo mundo quer tirar uma lasquinha, e a coisa se ramidificou assustadoramente, ou seria um rio que passou em minha vida???.
A música eletrônica é boa, mas cada vez as pessoas estão abrindo mais o leque, e cada dia sinto a banalidade no ar e acima de tudo, todo mundo está correndo atrás da originalidade, do dinheiro, do conforto, das viagens, das TV's de tela plana LCD, como se tivéssemos vendido nossa alma ao diabo na lei do que vier eu traço.
E eu me julgava underground...mas de underground ficou só o nome, alternativo, acho que é tudo hoje em dia selfmade com advento da internet, vide MySpace, Youtube...minha filha de 9 anos, é fã do YouTube.

Hoje eu assisti um programa de hiphop na MTV, o judeuzinho, filho do cara que fez um hit "famoso" nos anos 70, Funktown, queria ser rapper de qualquer jeito. Mas o moleque não tinha o menor talento para, e tampouco confiança em si, fora que o visual branquela e com cara de bairro bom classe média alta Bar Mitzvá, só fazia os outros tirarem pelota do menino, em casa ou na escola, só a mãe do menino era fã dele, e qual mãe que não é?.
Até diria "coitadinho", mas por ter um rapper conhecido como coach, em 30 aulas, se transformou em rapper de verdade, e foi aplaudido até pelo Snoop Dogg Dogg ou coisa
do gênero, aquele escurinho magricela que parece um dobberman mais claro, de trancinha no cabelo, que tem fama de garanhão, comeu um monte de favelada no Brasil, só porque era o tal, porque te juro, o cara tem cara de fome.
Conseguiu...tudo. Participar do programa, aprovação dos colegas de escola, e do própria pai que era de outra generação quando talento, era não só ter técnica inata, mas quando não se precisava de suporte como videoclip, soap reallife, coaches, fazer propaganda da Nike, Coca cola, Red bull, etcetera etcetera.

Os tempos mudaram, já faz um bom tempo. E até eu trabalhei num carnaval, com música de carnaval, o coisibnha tão bonitinha do pai.
Pai de quem?
Mas pra minha surpresa, tocou aquelas marchinhas que sempre gostei:

- Quanto riso, oh...quanta alegria, mais de mil palhaços no salão"...
e outras contemporâneas a essas. Coisas do século passado.
E digo de carteirinha, foi um festão.
Até a marmelada daquela chapeuzinho vermelho ganhar a melhor fantasia, coisas de carnaval (pós) na Holanda.

E palmas também pra Escola de Samba Unidos de Amsterdã, com a bizarra participação, pra minha surpresa de muitos holandeses, tocando "tambor". Hilário, bizarro, e as muitas purpurinas jogadas por mim, os confetes e serpentinas - indispensáveis em toda a folia.
Faltou o lança perfume.
Mas tinha o caldinho de feijão, bolinho de bacalhau e outros quitures da Marília Senador, e os vários elogios ao meu outfit...a peruca roxa arrasou, abalou, tombou...causou, e até dançar de pés descalços dancei, as águas rolaram...

Folia total.
Sucesso de público.
E ser hostess no exterior é uma aventura, nunca se sabe o idioma da pessoa que passa pela porta, na porta é frio, os outros reclamam, mas eu não, nunca sinto frio quando estou trabalhando, me divertindo, me divertindo, trabalhando.
Lá fora deviam estar 2 graus negativos...e eu cantando.

Aláhla ooooooo, atravessamos o deserto do Saara, o sol estava quente e queimou a nossa cara....
Alahla oooooo, mas que calor ooooooo.
Até o ano que vem, ou quem sabe o Sorria + Two Stars inventem um outro micareta por ai...

Quem se importa a COLHER entorta


Ainda não testei, quando tiver um tempinho livre - sem crianças ao redor e namorado assistindo patins no gelo, prometo pra mim mesma que vou tentar fazer pra ver se dá resultado. Pois existe uma coisa que sou: curiosa ao extremo.

Vi todo o vídeo com paciência, aliás ouvi mais porque é um vídeo bem mais auditivo do que visual em inglês, uma estratégia pessoal de marketing pra melhorar a vida em geral, afinal a nossa vida é tão curta...não se preocupem o Uri Geller aqui é só ilustrativo...mas será que funciona???

F u n c i o na ! diz "Uri Geller"

Ausência




Poema XV

Me gusta cuando callas porque estás como ausente
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llenas del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gusta cuando callas y estás como distante,
y estás como quejándote, mariposa de arullo.
y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada
tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gusta cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

Pablo Neruda

Tchau querida!

Não estamos alegres, é certo, mas também por que razão haveríamos de ficar tristes? O mar da história é agitado. As ameaças e as gue...