Wednesday, November 26, 2008

Amor, pão e circo


Hoje sai da aula de yoga semanal cantarolando(pratico também em casa, viram?)mas é muito melhor sair de casa, e ir até um determinado lugar...em casa sigo todas as recomendações da professora, mas na escola também tem o contato com os outros...fica num prédio antigo, belíssimo, onde há vários cursos ministrados, pintura, escultura, tai chi, computer, fotografia digital, cinema, e também concertos, festival,curso de idiomas, num canal no rio Reno, tudo é tão romântico, lírico quando a gente quer e pode.
Há mais de 100 anos...sim, 100 anos existe a Volkshuis (casa do povo).

Pertinho da escola, caminho para todos os lados, mas tem uma ruela que gosto muito...tem uma loja de CD's e DVD's muito intimista a Plato, onde fiz amizade com um vendedor que também produz música e está no meu MySpace, coincidentemente ele viajou pro Brasil e arrisca umas palavras em português.
Como devido aos acontecimentos do final de semana passado, o final de semana mais frio até o momento, até nevou, e mais um segredo que eu não conto (ainda).
Eu me via cantarolando a música "Ando meio desligado..."

O que você acha desse CD novo Tropicália?

- E ele me respondeu, muito legal...


Por fora tava bem bonitinho, a diagramação o design gráfico tava um xuxuzinho...e ele até perguntou se eu queria ouvir, mas já conhecia a maioria das músicas.
Tropicália, nunca foi o meu forte...mas quando era pequena tocava lá em casa. E uma vez respondendo os questionários de menina da escola, tinha a pergunta:

- Qual a música que você gosta mais, e alguém falou:

Tá todo mundo colocando a Rita Lee...como se escreve? Perguntei...

Que nem a calça LEE, com dois elles...cool.

Como não tinha muito tempo, estava morrendo de fome, comprei o CD Tropicália sem ouvir...e um dos Mutantes(que eram os hits), no final tava tudo repetido, odeio comprar coisa correndo...tinha até uma vitrina com músicas estrangeiras, mas não esse rótulo chato de World Music...faça-me o favor, World Music...enquanto a música Americana é Americana, jazz, rock, folk,...que puta discriminação sempre achei esse imperalismo americano. Mas uma vitrine com as coisas legais de países variados...

A música é do mundo e para as pessoas, não é mesmo, e a letra que foda-se, porque a música o instrumental é a linguagem universal.
Será que quem está lendo isso, e está notando que eu estou falando palavrão no blog.
Foda-se, foda-se, foda-se, foda-se, foda-se porra.

Sim estou aprendendo a me soltar, com um amiga, que diz palavrão, e fica tudo tão chic...como ela, e comigo horrível, mas não vou desistir...estou de saco cheio e quero aprender a falar palavrão, nunca é tarde.
Aceito dicas de como falar palavrão e ficar TRES CHIC, três vezes chique.

Comprei, sai correndo tentar pegar o "breakfast" do Mc Donalds...sem direito de beber o suco, etou proibida pela minha dietista beber suco como água, e sim chá ou água mesmo, e lá encontrei o Americano que eu simpatizo no Mc...e aproveitei pra ele matar as saudades e pedi em inglês.

Por três dias tenho que escrever tudo que como e bebo, e tenho que mostrar na próxima consulta, mas se me comporto emagreço rapidamente, e esse que é o problema porque só gostaria de emagrecer nos lugares QUE não quero, mas a gente não pode escolher constituição física, genética...ou tem que apelar pra faca, esse já é outro papo.

Antes de tomar meu breakfast percebi que tinha uma mensagem de uma pessoa muito linda que conheci nesses últimos dias, uma pessoa que está tomando conta dos meus pensamentos, do meu inbox do celular, uma pessoa que está chegando devagarinho na minha vida, uma pessoa que estou admirando, e que me faz ficar muito feliz, mas também me deixa triste e trás à tona todas aquelas emoções e inseguranças em relação ao que acontecerá no futuro.


Será que será uma relação?
Será que seremos namorados?
Será que será?
Será que o sabiá sabia asso(biá)r
Será que não estou indo rápido demais?
Será que vou conseguir segurar mais essa onda?
Será que ele vai me dar o fora, no primeiro surto?
Será que mereço ser feliz?
Será que mereço?
Será que desta vez eu acerto na mosca?
Será que não tenho que parar de pensar?
Calar a minha boca...e fazer como o que fiz naquela foto.

"Don't talk just KISS"...big bitch, stupid cow

Claro que eu leio, leio e leio...leio tudo
sobre todos os assuntos, converso com os amigos interessados.
Recebo dicas, conselhos, notas, incentivos...
Todos querem ajudar...não trepa logo.
Trepa logo, só trepa não se envolve, trepa logo e sai fora,
não trepa porque homem não gosta do QUE É MUITO FÁCIL, não fala pra
não entrar areia.


Mas me pergunto,
é pra casar?
é pra namorar?
é pra ter filhos?
é pra ir ao cinema?
é só pra fuder?
é pra conversar?

é pra tudo?
tem uma função?


O que eu coloquei na minha cabeça depois de uma decepção com o Viking foi de que a próxima pessoa que eu me ENVOLVER, nem digo apaixonar, porque se apaixonar é muito difícil, ou me apaixono pela pessoa errada...que depois fica me pisando...me amassando e jogando pedras. E nos últimos tempos acabei me acostumando de levar pedras...pedradas, pedreiras e rochedos.

Então coloquei que quero uma pessoa, que eu naturalmente eu goste, mas que SEJA MEU AMIGO primeiro, digo, não precisa ser amigo de infância, mas que tenha coisas em comum, e se não tiver que seja aberto para tal...curiosidade pra tal.

Certas coisas vêm assim, parecendo "por acaso" na vida da gente.
Quero me ater no presente, e não pensar no futuro...
Seja o que for, mas às vezes é difícil pra quem levou muita porrada
nessas histórias ridículas de A M O R ...

Mas também sei que é proibido proibir, o lema do movimento Tropicália, um bando de molecada, querendo fazer barulho, mas sendo proibido...ou seja, não conseguindo se
expressar no ano de 1968...agora 2008, cá estou eu na Holanda, comprando o CD dessa revolução musical brasileira...

Eu ouvindo o track "Ando meio desligado" que cai direitinho ao meu momento, e meu filho gostando do BAT MACUMBA...

- Mãe, o que é Bat macumba....Bat ma...

Bat-ma
Bat-ma
Ba

Batma
Batmacum
Batmacumba

eh eh


E eu

Eu só quero que você me queira


E se as pessoas na sala de jantar estão preocupadas em nascer e morrer,
eu continuo querendo pão, circo e muito....mas muito amor.

Não leve a mal.

Wednesday, November 19, 2008

Uma semana apenas




Traga-me uma semana, uma semana de férias, uma semana só.
Uma semana...somente uma semana, então semaninha, 7 dias.
Não eu não quero ir pra lugar algum, quero ficar aqui mesmo no meu canto, e se der na louca, visitar uma cidade qualquer que nunca fui, as ruas sejam estranhas, e eu precise de um mapa ou boca pra me orientar, mas me perder por ai, adoro me perder pra me achar.
Mas quero então fazer diferente, não mostrar pra ninguém que estive lá, não tirar foto de monumento, de cemitério, de coisas "cool", não fazer shopping, ir de ônibus, descer no ponto final, comer uma batata frita com maionese podre (sim eles comem isso aqui)...e depois voltar.
Muita coisa pra mim virou normal nesses meus 48 aninhos de vida, muita coisa.
Não que as coisas sejam normais, mas o meu modo de ver as coisas, de assimilar as coisas, de aceitar as coisas, e de me aceitar.

Não não quero ir pra praia, ou ficar num hotel***** à beira da piscina, nem visitar museu, ponte dos suspiros, nada, agora não.
Não, não preciso de uma faxineira, copeira, cozinheira, arrumadeira, criada, governanta...não. Não é isso que estou falando, estou aprendendo a ouvir, e lembro de um homem que disse que não gostava de máquina de lavar louças, porque tinha que ser duas, e agora eu concordo plenamente com ele, queria duas máquinas de lavar louça, duas, não uma...duas...e claro espaço pra elas. As máquinas fazem muitas coisas pela gente, mas não fazem tudo, nem as outras pessoas, nós temos que arregaçar as mangas, ninguém, mas ninguém pode fazer o trabalho que é pra você fazer.
Se você disser, não gosto de limpar a casa, de arrumar camas, bom que gosta? Mas tem que ser feito, porque eu não suporto sujeira, poeira, bagunça, vai entupindo a minha cabeça, vai pesando, e de repente tenho 100 quilos 30 só nos pensamentos.

Preciso de tempo, horas, dias...literalmente vagos, livres, de folga.
Todo mundo precisa de folga, de ficar sózinho, do seu espaço, eu preciso disso, mas não é pra ficar na internet, netlogo, facebook, orkut, myspace, youtube, google, wikipedia, outlook,etc...é pra trabalhar.

Já a Tina disse que temos que fazer um esquema, que eu achei muito complicado, pra nos orientarmos para termos as coisas em ordem em nossa vida, hmmm, pode até ser...mas se eu conseguisse usar essa lista dela, eu usaria esse tempo pra fazer essas coisas que precisam ser feitas, não estar aqui como milhões de pessoas no mundo estão, digitando linhas, clicando aqui e ali, trabalhando, se divertindo, procurando, achando.

Se eu tivesse essa semaninha a primeira coisa que faria, era dormir até tarde, fazer o que bem entendesse a noite, ir ao cinema, jantar mais tarde, ficar na net até tirar água de pedra...e cansada dormir.
Dormir, é uma das coisas que mais gosto de fazer, dormir...lençóis limpinhos, ler um poquinho antes, escovar meus dentes e passar fio dental sem pressa nenhuma, creme no rosto, nas mãos, na região dos olhos - que envelhecem primeiro.
Não que esteja cansada, não estou...
Mas queria arrumar minha casa, que há semanas está uma bagunça. Pilhas de garrafa pra levar pro container, pilhas de roupas limpas minhas e das crianças pra dobrar e colocar nos armários, juntar todas as roupas que não servem mais, não uso mais, não gosto mais dar pro exército da salvação.
Colocar todas as imbecilidades que compro, e tenho duplo na loja de segunda mão, todos os abridores e copos e canecas e pires e pratos que não quero mais pra bem longe.
Colocar todas as revistas que nunca mais vou folhear fora, ou dar, guardar só as que realmente gosto de reler.
E todos os milhares de brinquedos que eles nunca mais vão brincar pra o planeta lixo de brinquedos.
Ir na Ikea pimpar minha casa: estou precisando de uma estante de livros, um tapete novo na sala, uma luminária alta, esvaziar um guarda roupa e mudar de lugar...
Arrumar as malas no quartinho da "empregada" lá fora corretamente pra que não peguem mofo. Tirar fotos de 4 bicicletas e colocar pra vender no markplaats.nl um site de vendas de coisas usadas na Holanda...sim, já tinha tirado na minha máquina japonesa falante, mas como a máquina é tão complicada, eu acabei deletando tudo sem querer.
Nesse tempo livre, ia ler todos os manuais de apetrechos que adquiri até hoje e não li, meu telefone novo com secretária eletrônica - quase nem existe mais essas coisas, dessa máquina tagarela também, do meu i-pod que tenho há século, mas o livro é tão grosso, e do meu celular que eu acabei usando mesmo só pra ligar, e mandar sms.
Õ meu eterno lamento diz: queria que a minha vida não tivesse nenhum fio, mas são tantos fios...tantos carregadores, até a minha filha agora tem um celular, e fora a aula pra ela, ela aprendeu felizmente a ligar e atender, duas funções que parecem idiotas, mas difíceis para uma criança que tem pouco alcance com abstração.

Tirar todas as folhas secas caídas no jardim, limpar o jardim...varrer, arrumar o schuur - quartinho das bicicletas, arranjos de natal, caixas de tinta, e toda a parafernália que se usa uma vez por ano.

Chamar o carro da prefeitura que busca lixo grande. Afinal não quero multa, o vizinho dedura, não quero.

Sorte que já me livrei de dois televisores enormes, antigos...ninguém queria de presente, ninguém...e não se pode colocar no lixo, e eu acho até o cúmulo de colocar esse tipo de coisa no "lixo"...Buda me livre, demorou duas semanas pra eles virem, eles vieram...e quando chegou aqueles dois homens eu fiz pfffff. Até que enfim.
Tentei vender, não deu, tentei dar, ninguém quis...
Um peso a menos, um espaço a mais.
Mas traga-me essa semana, sem pressa...porque sou só uma.
Não estou cansada, estou cansada de ser DJ. Na minha própria casa, e às vezes das centenas de CD's que tenho, ouço por uns tempos os mesmos.
E eu?
Quero cortar meu cabelo, é só marcar...sim parece fácil, é só marcar, mas não é, no tal dia que liguei, ela não estava, estava de férias, lei de Murphy, e tem que ser com a ela a pequena grande Sabine, que menina incrível.
Fazer manicure, pedicure cuidar de mim por fora...há tempos estou cuidando de dentro, e está tudo OK, nem posso me queixar. Mas a manutenção é necessária por dentro e por fora.
Sim continuo bonita e disciplinada com a yoga, com a mente no lugar preciso que deve estar, mas ....preciso de tempo.
Tempo pra ser criativa, tempo pra usar melhor meu tempo.
Quem sabe nessa semana marcar a cirurgia das varizes, sim...há anos que preciso, mas deixa pra lá, como ficar sem andar de bicicleta por uma semana, duas?
Mamãe não pode.
Cada vez que vou dar uma voltinha a noite com as crianças na koopavond(noite que as lojas estão abertas até as 21:OO) fico pensando, chegará o tempo que irei sozinha, assim...no dia de semana, fazer o que quero a noite. Será engraçado, acho que vou até estranhar.
Talvez fosse o caso de pagar caro pra ir ao cinema no dia de semana, uma babá que ganha de 6 a 10 euros por hora, e mais entrada do filme, é ...não posso me dar a esse luxo por enquanto.

Arrumar minha casa para o Natal que está quase chegando e o ano de 2009, vejo as teias de aranhas nos lugares que o teto é alto, e olho e penso, preciso tirar essas teias de aranhas, mas não é de aranha, é poeira mesmo, poeira dançante, que nem naquelas mansões mau assombradas...brrrrrrrrr os móveis cobertos de lençóis brancos, o candelabro encima do piano de calda, mas o janelão aberto, a chuva lá fora e claro isso é um filme daqueles bem previsíveis em preto e branco, um filme com o Christofer Lee e o Peter Cushing, amava os dois...e muita "teias", muita poeira, muito abandono.

Tenho tudo que preciso, em termos...mas os anos passam, e de repente aquele barulho, aquele carnaval todo, aquele desfile de cores, imagens, tons e sons na sua frente, te cansa...aqueles milhões de livros pra ler, filmes pra ver, blogs pra ler, amigos pra ligar, festas pra ir, emails pra responder, mudanças pra fazer...vão-se empilhando, empilhando...me fazendo lembrar um terrível trabalho numa agência de propaganda muito legal, eu tinha 22 anos e era datilógrafa, minha função era auxiliar de escritório, e eu cursava a faculdade de Turismo a noite, cada vez mais eles colocavam trabalhos pra bater na minha mesa, e quando eu acabava e a minha mesa ficava mais ordenada, lá vinha cada vez mais coisa, mais faturas, mais campanhas publicitárias, mais dinheiros, mais clientes, clientes negando as campanhas, e mais novas campanhas, e trabalho - trabalho- trabalho. Ufa...finalmente o trabalho um dia acabou, aquele, pedi as contas assim que peguei meu diploma. Um dos donos da agência me achava "interessante" e dizia, não quer ser modelo? Eu me olhava no espelho e me sentia muito feia, muito sem cara de modelo, na verdade muito insegura, nada assertiva, estava começando a vida, e não sabia nem dizer não, nem dizer sim pra certas coisas.
Esse mesmo homem, chamava-se Ricardo Rizzo, dizia:
- Bernadete, muda essa faculdade, que não vai te dar nada, e que não vale nada pra publicidade, porque eu mesmo me arriscava a dar umas opiniões pedidas, no departamento de redação, esse sim, me chamava à atenção, naquela mansão no bairro de Petrópolis em Porto Alegre. Muda essa faculdade pra Publicidade e Propaganda...dizia.
Mas eu cabeça dura embestei que queria conhecer o mundo todo, ou na verdade conhecer a Europa, jamais mudei...fiquei uns tempos desempregada, fazendo nada, fazendo bobagens, na dolce vita...vivendo de amor, com um diploma qualquer nota na mão.
Comprei minha primeira moto, uma XR 125 Yamaha, preta...já amava a cor preta.
E assim se foi...porque eu comecei a escrever isso não faço a mínima idéia. Acabou de ligar uma amiga do Brasil, que está visitando a família em Manaus, mas antes passou por Miami...e como ela foi assim correndo eu até pensei que tinha dito algo de errado, mas ela me ligou, então está tudo bem.

Nada melhor do que uma casa arrumada, leve, gavetas ordenadas, e a satisfação da missão cumprida...vai zerar bonitinho esse ano de 2008. Um ano muito bom, um ano com algumas tristezas, mas sem altos e baixos, ou poucos. Um ano da amizade, um ano de poucos encontros mas bons. Poucas festas, mas ótimas.
Um ano de algumas perdas, o pai de um coleguinha do Dimitri se foi, gente boa, e um filho de um conhecido da época do Budismo, essa perda foi pior ainda, o cara tinha depressão, mas não tomava nada, e deu cabo de si mesmo...
Só pra não falar que DEPRESSãO, não é caso sério...é sim, bipolaridade também.
É uma merda (não costumo escrever isso), mas é uma merda, depressão, bipolaridade, essas coisas que estão dentro do nosso cérebro, e não podemos fazer nada naturalmente, pegar um sol, uma praia...agora vou tomar meus remédios com mais vontade ainda, e dizendo que nem Rita Lee, botei botox sim. Já usei tanta droga, essa é mais uma delas.
E pra mim também...não gosto de botox, mas daqui há uns 10 anos, quero fazer uma correção nas pálpebras sim, e não ficar com essa cara de cansada, essa cara caída, e tudo cai, não tem jeito, mas tem coisas que dão pra levantar. E ponto.

Um feliz ano bom...e preciso estar preparada para o ano seguinte, um ano de muitas promessas, um ano tranqüilo na medida certa do ritmo das coisas que são como são, e esse ritmo do universo continua a mil, nós que inventamos os calendários, o relógios, as medidas, blabla.
E se depender de mim, será muito parecido...porque só vai mudar o algarismo de 8 pra 9, tanto melhor, adoro o número 9...de qualquer maneira o ano promete com Obama no mundo...um negro, um homem negro, o presidente, o tal YES, WE CAN.
Mas antes preciso dessa semana, essa semana...que não vou deixar pra ser um sonho, vou buscá-la pelo menos em suaves prestações.

Monday, November 10, 2008

Ik wil chocola (eu quero chocolate)



"The table is red."

Era o segundo semestre de 1996, quando aportei na Holanda. Dava tempo de ir com meu marido Peter ao cinema de vez em quando, no cine clube Kijkhuis em Leiden, e fomos assistir "L'utieme Jour", um filme tocante que me marcou até hoje, e eu gostaria muito de rever, mas filme antigo não se acha tão fácil, tem que comprar na internet, procurar, tenho a maior preguiça, raramente compro artigo pela internet, gosto de ir na loja, e talvez seja até bom, porque senão não sairia mais de casa, e ficaria gorda que nem no filme do W-ally.

Ik wil chocola, dizia George, o carinha no filme com síndrome de Down. Sempre me lembro do jargão: Ik wil chocola. George tinha alergia a chocolate, e quanto ficava triste ou frustrado comia chocolate e pensava na mãe morta, que era a única pessoa que se importava com ele, mas depois pagava o preço, passava muito mas muito mal.
Às vezes quando estou mal, digo pras crianças com o mesmo tom de voz do George:

IK WIL CHOCOLA...um dia eles também vão assistir esse filme, porque já o conhecem de tanto que eu falo.

E semana passada eu sofri, fiquei de mal com a vida, chorei, porque eu também tenho de certa forma um George em casa, mas outro tipo, um George que não se percebe nas feições, um George que é difícil de explicar quando os outros perguntam o que é mesmo o "autismo"? Minha filha não somente vai na escola, ela segue um tratamento, e tem altos e baixos, e ultimamente mais baixos que altos, atravancando o conhecimento e aprendizado escolar, o mundo dela é o mundo de um seriado da TV Holandesa Het huis Anubis, sua nova obsessão...que poderá durar até 3/4 anos.

Lembro-me bem como se fosse hoje, eu perguntei ao Peter:

- E se tivermos um George?

ele respondeu:

- Vamos amá-lo de qualquer jeito, não será nenhum estorvo.

Aquilo me deu conforto, porque eu não tinha a mínima idéia do que era ter um filho com distúrbio do autismo, e nem pensava em ter dois filhos, como tenho hoje, foi tudo muito rápido, olhando agora pra trás.

Mas é fácil falar, aqui na Holanda quando a gestante tem uma idade de risco, e faz o teste pra detectar se o feto possui coluna bífida ou outra anomalia, ela pode optar pelo aborto. Porque só mesmo os pais para saber que não é fácil ter um filho assim, um filho assim tem que ser protegido constantemente, um filho assim precisa de atenção, dedicação, muito amor, mas muito mesmo.
Com um filho assim praticamente não se tem vida própria, pro resto dos seus dias, não há férias, não é trabalho das 9 às 5...tem dias que é um fardo, e não se pode deixar pra lá.
É como se eles andassem sob a água, leves, sem pecados, sem maldade...mas ao mesmo tempo você como mãe o levasse o tempo todo sob os ombros, como Atlas, chega num momento, suas costas doem, você se olha no espelho e não se reconhece, você envelheceu, mas não na idade, por dentro. E tem de achar milhões de maneiras para anestesiar sua dor, que ninguém mais sente, só quem passa pelos mesmo problemas, dificuldades, acredito que seja assim pessoas que estão com problemas de câncer, outras doenças em estágio avançado, doenças psiquiátricas, você precisa de um grupo, de um conforto, de um interesse, de colocar sua estória pra fora, pra não sobrecarregar amigos, família.

É tudo tão fácil, e tão difícil...com essas pessoas.
São preto no branco, sem meios termos.
Os Georges são pessoas muito especiais, ao mesmo tempo que podem ser um peso, eles têm tiradas absurdas, engraçadas, que fazem-nos perceber como a vida não é só triste, dramática, alegre, cômica, mas um fluxo oscilante de momentos, um tobogã, um aviãozinho que voa alto e depois cai lá embaixo, nessa gangorra inesperada das emoções e sentimentos que um ser humano possa ter.
Os Georges da vida...aqui onde moro é invadido de Georges...eu os vejo, estão em todos os lugares.
Talvez porisso que a Holanda (ou outro país parecido) não seja hipócrita, eles estão por todos os lugares, as caras já são conhecidas, e não existem mais chacotas...não são permitidas, já foi assim tempos atrás porque mongol, é ainda um adjetivo usado para xingamento, mas as pessoas de bem se policiam, para não proferir tal cúmulo, é passé...(me corrijam aqueles que escrevem francês), fora de moda toda, retrógrado, antiguado. O termo mongolóide, fora do contexto médico, está como o acender um cigarro na sala de visitas de alguém com câncer no pulmão.
Fazê-lo, é pura maldade.

A Dominique ficou contente ontem, dei o primeiro celular de verdade de presente, desses pre-pagos, bem bonitinho da Nokia, e coloquei na agenda de endereços o meu telefone, o do pai...virão ainda o dos avós, escola, e outros poucos. Mas primeiro ela vai ter que aprender a usá-lo, não entende nada de nada, quando falei que era pré pago, ela achou que tinha dinheiro dentro do telefone.
E sempre essas coisas de ser canhota, dificultam um pouquinho também.
Mas aos poucos ela vai, as únicas duas colegas meninas também tem, a Amber e a Emily.
Ela odeia a Emily, que roubou a única amiga dela a Amber.
Ficou desconsolada...mas agora melhorou.

Essa semana as coisas estão entrando nos eixos, a vida continua mesmo, eu mesmo já estou dançando na sala, que me diz que estou em paz comigo.
E assim no oitavo dia, George subiu ao céu, sem antes não deixar de dar uma lição de vida ao amigo Ari um bem sucedido homem de negócios, mas com a vida privada na privada, divorciado, sem contato com as crianças, irritado, solitário, estressado, calculista.

E no fundo é o que importa na vida das pessoas, a família - aqueles à que queremos bem, e os laços de amizade que se fazem espontaneamente, e crescem através dos anos.
É quando começamos a sorrir, quando temos amigos por perto, que estão sempre dispostos a dar uma palavra de conforto nas situações críticas, ou nos fazerem sorrir, mesmo sorriso colorido. Ou a esses Georges, repetitivos...mas muito engraçados, porque se não fossem eles, o mundo seria muito chato, previsível, e fácil uma loucurinha de vez em quando não faz mal à ninguém.
Sabemos que a vida não são só férias, carnaval, sorrir o tempo todo, ou só ser sério, aliás é preciso saber pra sobreviver, que a vida graças a toda a dinâmica, tem altos e baixos, tem fases, e depois mais fases, sempre muda.
Então George, não coma mais chocolate, eu me importo com você, eu vou cuidar de você nem que seja até o oitavo dia.

Thursday, November 6, 2008

I'm burning


Meu computador, esse laptop de mierda da Dell tá lento, dá vontade de jogá-lo no canal, I'm burning.
As pessoas estão cada vez mais solitárias, carentes e loucas, fiz uma amizade no site Facebook, mas o francês era tão maluco, tão maluco, que estava apaixonado por mim sem me conhecer, o que só mostrava a solidão dele, já que não tem nenhum amigo na Holanda, só na internet, e no trabalho colegas, me chamou de rude, e teenager, só que o teenager é ele, a pior coisa é pedir desculpas por não ter feito nada, mas louco não dá pra contrariar mesmo, caiu a ficha, I'm burning.

Fora que me livrei de um fora de um Viking, super fofo, ficamos conversando, ele telefonando...tô indo pra Holanda te ver, etc e tal, quem sabe se rolar, até um trabalho ai perto onde você mora, e a fofa aqui acreditou, até tomar doril, e depois de duas semanas na secura de notícias dizer: "Olha esquece que eu passei na sua vida, minha vida é muito complicada". Ciao...e depois eu sou a melo-dramática latina americana, eu hein Rosa, fiquei dias tentando lembrar da piada do papagaio nova-iorquino que imigrou pra Guaratinguetá. My heart was burning.

Meus amigos estão enlouquecendo, ou sempre foram loucos como eu, e surtam, queria poder ajudá-los, mas mal consigo nem me ajudar, quem sabe outro Galinheiro, (olho na agenda) em janeiro. I'm burning.

A Billie Holiday morreu de overdose, mas cá entre nós a voz dela é eterna, porisso que arte é a melhor coisa do mundo, ai que consolo. I'm burning.

Eu aprendo muitas coisas, sou a eterna estudante, mas esqueço tudo, é o Alzheimer prematuro, é o cérebro lesado, álcool, drogas, genética, e olha que nunca fui lá muito fanática, os neurônios explosivos, explodem a toda hora, não vai sobrar nem testamento. I'm burning.

Eu sou viciada em networks, em nicotina, e em cabernet savignon,em atenção de gente que nunca me viu mais gorda. I'm burning.

E por falar em gorda, semana que vem finalmente vou na dietista, e que ela ache uma solução de me tirar esses 10 quilos de banha que apareceram depois dessas bolas que não dão barato nenhum. I'm burning forward to it.

Eu não aguento assistir TV, a programação é uma porcaria, e eu não tenho mínimo saco, meus filhos brigam sempre nos mesmos momentos(à mesa) (na hora de ir dormir), e eu vou fazer um outro curso de educação familiar pra quem tem membro na família autista pra lidar com isso tudo - coisas de Holanda, graças a Deus, I'm burning.

Também não dá porque Dimitri experimentou licor (amaretto) e gostou, e se o pai dele souber, ele me mata, porque tem mãe alcóolatra e trauma de infância de chegar no colégio e ela mamando numa garrafa de vodka, e o meu primeiro porre, tinha 5 anos...e dá-lhe chopp pelos marmanjos gaúchos dos meus tios, pra cantar música do Moacyr Franco, pode uma coisa dessas, sobrevivi,sou de fases mesmo. I'm burning.

Eu sou a rainha da comunicação, mas estou me questionando se perdi o reinado há muito tempo, porque tenho que explicar tudo tim tim por tim tim, pra gente mimada e egocentrica que não sabe o que é a vida real, afff, tem gente que só gosta de ouvir o que quer. I'm burning.

Eu queria dançar disco inferno no Massivo naqueles tempos de exploda-se, pensar é pra quem não tem nada que fazer, vamos dançar,se colocar, burn it burn it, é melhor que ter um burn-out, que dizem agora que é doença, como a depressão, bipolaridade, no meu tempo era estafa...ai como sou antiga e me orgulho disso. I'm really burning...e o inferno são esses dias.

Não vai sobrar nenhum pedacinho, pedra sobre pedra, só cinzas, me dá um cala calor, calafrio não, é a menopausa chegando, quase fico pelada aos 5 graus, vou tirando tudo, as pessoas me estranham, mas eu não, melhor do que TPM, quando viro serial pensamento killer. I'm burning.

Queria que as coisas fossem tão diferentes, mas se tudo fosse certinho, seria um tédio, às vezes sou bem centrada, equilibrada, mas tem dias que caio do cavalo, chuto o balde a lata a garrafa, e queria chutar a cara de muita gente, que nem disse o Morrisey, mas dou um sorriso assim..., mesmo que amarelo, aprendi com o Antonio. I'm burning.

Estou sendo medicada dois há séculos, digo anos, todos os dias vários entram pro clube, de perto ninguém é normal, então que fiquem longe de mim, de louco já basta eu, podiam me dar um placebinho pra não engordar. I'm burning.

Penso em voltar pra igreja, dessa vez de verdade...encontrar Jesus etcera e tal, dentro do meu coração, ficar iluminada mas não de fogo, de álcool etílico, assim rezar pelo bem da humanidade todos os dias antes de dormir, já que agora um presidente negro ganhou nos EUA, mas ele é presidente, mas não é Deus, vai ter que segurar o rojão dos anteriores, a mesma lerda de sempre, só um pouco mais morena. I'm burning, e lá eu entendo e gosto de política?

Pra conseguir o que eu quero, ou que as coisas sejam como eu gostaria que fossem eu leio muitos livros de desenvolvimento espiritual pessoal e dizem que o ego é o responsável por essa loucura toda, mas a gente não pode matar o ego porque senão morremos juntos, queria que aparecesse outro idiota com uma fórmula mais simples então, faça-me o favor: A + B = AB e ponto final...still burning.

Faz dois meses que não tenho sexo, e pra quem pensa que sexo não é lá importante, que se exploda, pra mim é...porque senão fico assim surtada, mas como dizem que sou uma menina de família, bookei uma festa 40+ em Amsterdã, com outros amigas encalhadas, dizem que será boa no Melkweg...mas a lá vou eu usar minha capa de vampira outra vez. I'll burn your soul.

Meu filho de 9 anos, me beija toda hora...de olhos fechados, diz que fico linda sem óculos, e dá-lhe complexo de Édipo, faz massagem como gente grande, tá virando o homenzinho da casa, e faz tempo que homem virou marica, não faz nada pra mulher, cresça filho, cresça. I'm burning.

Minha filha autista me leva a loucura coitada, porque grita que nem uma louca quando entra em pânico, me lembro até de uma série da globo "O grito", que uma criança estranha gritava e o prédio inteiro ouvia, fizeram uma reunião de condôminos e queriam expulsá-los do prédio, gerando polêmica, era o meu futuro, e eu não sabia...I'm burning.

Essa mesma filha, é muito boazinha, mas às vezes é como se fosse uma planta que nem dizia o pai dela quando estávamos casados - um dos mil motivos do divórcio, e simplesmente vive no próprio mundo, como se o "nosso mundo" fosse uma paragem esporádica, pra comer, beber, ir ao banheiro, e eu tenho que segurar no tranco porque os outros não têm nada que ver com as minhas mazelas, I'm burning.

Queria ser auto-suficiente como a Diana, respeitada como a Ade, popular como a Karin, bem sucedida como todos os homens que trabalham e têm um salário justo, pagam suas contas, investem e não se preocupam com TPM, só das próprias mulheres e namoradas, I'm burning, mas agora anda uma crise financeira por ai, e muita gente tá falindo, é verdade? Eu vivo em crise mesmo, pra mim não faz a mínima diferença.

Meu vizinho bêbado, esqueceu a chave dentro do apartamento, ouvi vozes achando que era outro ladrão que queria me roubar a terceira bicicleta do ano, era a minha vizinha emprestando a escada pra ele entrar no apartamento do primeiro, ou ele morria ou entrava e entrou pela janela, não virou catchup no chão, trepou na escada trêmula, coisa de gente de 30 anos... I'm burning...esses holandeses.

Os dias começam a ficar escuro, meu filho quer jogar xadrez todos os dias comigo, depois que eu comprei um jogo de xadrez de pedra sabão finíssimo na loja que vai fechar a PATROPI, e eu lá tenho saco de jogar xadrez todos os dias, me dá um Dominó, ou Menudo, não se reprima...I'm burning.

Quando começa a chegar perto de dezembro, me dá uma coisa...uma coisa, e mais uma outra coisa, e espero neste ano, como no ano passado, que eu não fique com depressão como fiquei em 2005 e depois em 2006 (um pouco mais leve), acho que vai dar tudo certo, me livre a tempo do encosto. I'm burning...

Dizem que o melhor amor, é o amor-próprio eu adoro ouvir essa balela de gente, que teve encosto a vida inteira como eu, depois repete isso na frente do espelho espelho meu, não preciso de ninguém, sou uma ilha e todos os coqueiros are burning.

Hoje fiz compras, depois de conferir 26 cabeças de crianças dos 8/9 anos se tinham os famigerados piolhos(sim sou voluntária), até não foi tão ruim como dizem, o inferno é bem pior I'm burning, porque a outra mãe marroquinha minha parceira, não sabe escrever em holandês, só em árabe...e fiz toda a administração rapidinho, de quem tinha piolho, ou não, só 3. I'm burning, and burn a bug.

Quando sai do supermercado e comprei mais do que devia pra variar, e as coisas não cabiam na bolsa da bicicleta, igual eu coloquei e na ciclovia as compras rolaram pelo chão, e apareceu um árabe do além que me ajudou com tudo, e até que ele não era de se jogar fora(do jeito que ando), e lá fui eu feliz e contente porque não tinha comprado garrafas nem ovos, então nada se quebrou...e agradeci pro moço, merci beaucoup porque eles também são chiques e falam francês. I'm burning.


I'm burning
I'm burning
I'm burning

Tudo ao som de Billie Holiday, love or leave or let me be lonely...or burning.


(Obrigada bicha que deixa Juazeiro...you are burning, né?)

Especial pra você, agora eu entendo Daniel Peixoto (amigo do Zozonic que mandou uma bicha louca no You tube), we rock, aliás we burn.