Wednesday, June 1, 2011

Como evitar o incômodo da confusão mental

Quando durmo pouco é assim, confusão mental, raras vezes me sinto bem e posso enfrentar o dia sem maiores problemas, sem temores, agora é como se tivesse uma pedra no sapato depois do cansaço de uma longa caminhada, como se tivéssemos vários olhos, mas nenhum pudesse enxergar direito, bem Saramago mesmo.

Desde que me conheço por gente, quando me sinto assim me aprofundo no assunto da mente, e excluo toda a superficialidade tirando água de pedra, ou seja, transformando o lado ruim das coisas em algo bom. Lado bom, como se fosse fácil? Onde estaria a bússola?  Como aprumar a alma inquieta? Só abrindo o sapato, tirando a pedra com a mão, simples assim? sim, se tivermos 'a chave'.

Primeiro, com a vantagem de ter a minha idade e experiência se desenvolve algumas técnicas práticas (as chaves), sei que tudo é uma questão de "interpretação, não há fatos" parafraseando Nietsche, e tudo é temporário, os estados de alma e como reagimos à algo, é que nos dará o resultado positivo e mais leve, nos tirando da tirania de uma mente inquieta que quer triturar nossa, a minha no caso, paz de espírito, quem já teve 'loucuras' médicas como eu, sabe os sintomas de tempestades, porque já passou por várias.

O incômodo do estado de confusão, assim como tudo, é passageiro, se eu ouvir música clássica que gosto, rodear meus olhos e ouvidos com belezas plenas, descobrir leitura que me transporte de minha realidade vigente, para uma melhor, estarei evitando a escalação, um estador pior de loucura da mente, e quando digo, loucura, não faço alusão à loucurinha normal, temperinho de nossos dias, e sim a loucura que quer dominar como um monstro ruim, um Frankenstein inteligente habitando nosso próprio cérebro,

Comigo quase sempre foi assim, um problema vem sempre atrás do outro, procurando soluções a serem tomadas, dia após dia, eles praticamente nunca acabam, só mudam, então pra que nos preocuparmos com ele? Que o monstro ruim que nós mesmo criamos, se transforme em um parceiro e aliado bom, sua feiúra é apenas aparência, e com ele e graças à ele temos muito a aprender a abrir uma porta.


Segundo, por tudo que li e aprendi, há momentos que devemos aceitar as coisas como elas são e viver o presente, e não nos preocuparmos de modo algum com uma suposta realidade futura, a confusão se esvai como nuvem ligeira, oferecendo a luz do sol, claridade e auto-salvação, e uma pequena mudança, sempre surte o efeito desejado.

Terceiro, dormir...descansar o corpo e o espírito, um grande segredo, pra se desfazer e derreter mais rapidamente o incômodo dessas nuvens daninhas, para funcionar melhor, e poder criar e usar as horas de uma maneira prazeirosa, livre, e como dizem muitos: no final tudo acaba bem, apesar de saber que esse final, é sempre um recomeço, mas dai é outra estória, às vezes não temos outra alternativa, e colocar um tapa olho, fechar as cortinas do quarto, desligar o telefone e zzzz.

Sinto quando estou nesses momentos que as pessoas no geral, procuram aventuras de todos os tipos, distrações, elas seguem felizes em suas vidas, e isso incomoda e me distrai, e confesso que as aventuras lá fora, já não me chamam à atenção como antigamente, quero descobrir mais disciplina e criatividade, usar mais minhas mãos. Hoje em dia se reflito, há tantas coisas que não gosto mais de fazer, e procuro não ser levada pela multidão, e muito menos ser influenciada pelas coisas que não me chamam atenção, a realidade delas, não me diz nada. Não gosto de ter ego inflado (não sou dada à elogios e bajulações muito menos) não gosto de toda gente ao redor, não gosto de conversas inóquoas, gente que ainda necessita aprovação dos outros para mostrar o que não são, ou pessoas que se sentem inferiores e querem deixar os outros no chinelo, como se isso funcionasse. Possuo um filtro contra esses aleijados muito aguçado, não os suporto perto de mim, me afasto porque nem pena mais quero ter, eles ainda andam confusos perambulando, procurando louros, e esquecem a essência da simplicidade através das palavras tolas que proferem, e se agrupam como mendigos sem teto, necessitando ficar com os outros, pra espantar o frio e a solidão. Confesso que ainda devo lidar com certas críticas, mas percebi que pessoas que realmente se importam, nos criticam de uma forma serena, pra nos fazermos melhor, como uma mão que ajuda e não te empurram mais pro lodo, ou seja, pessoas e pessoas e todo tipo de pessoas.


Taí, me sentir só...também não sinto, o que pode até acarretar (se eu me preocupasse com o futuro), uma certa tendência ao isolamento, mas me acalmo porque sei que existe muita gente por ai, como eu, que visa a mesma qualidade de vida, está na mesma maré, e que aceita a vida como ela é, e tenta tirar sempre o melhor, e não precisa se adulterar e ter todo o tipo de gente ao redor. Talvez seja uma pessoa desconfiada, aprendi que tenho que confiar em mim, e nos conhecidos, familiares, mas se muitas vezes nós mesmos nos sabotamos, o jeito é perdoar, dar ouvidos à intuição, confiar em si, porisso o equilíbrio e o estado de paz mental é tão necessário, é luz.

Quarto, estar confuso, por dormir pouco sempre acarreta em mim, uma certa inspiração à escrita, por mais simples que ela seja, me satisfaço e gosto disso, também me alimento com isso, sentir as coisas de vez em quando de um outro ângulo mais curioso que quebra a rotina dos 'pensamentos e ações agendada', que normalmente temos. Acordar, dar bom dia!, tomar banho, começar o dia, comer, falar ao telefone, sair pra fazer compras ou trabalhar ou quaisquer outra tarefa nessa arena cheia de leões pra matar.
Escrever, estar aqui nesse 'simples blog', que considero o meu espaço, diante de tantos blogs de gente grande, sinto o privilégio de ser uma pessoa favorecida nesse meio, é meu cantinho, só meu e daqueles que participam.

Sim, a vida não é fácil e nunca será, e isso que vale a pena, descobrir a arte de viver nesses momentos confusos e transpassá-los. Já me sinto muito menos confusa agora, descobri através de minha amiga Beth blogs maravilhosos, dicas interessantes, achei a bússola, acertei as chaves, ganhei o dia, e de resto, é ouvir música, ir ao médico (pegar a carta de recomendação pra cirurgia no meu pé), esperar as crianças virem da escola, nutrí-las, conversar com elas, e fazer as coisas a serem feitas, e agora sorver um café com humor que manterá meu corpo em pé, a cabeça já está no lugar.



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