Monday, December 8, 2014

Uma escada para o céu vai dar no inferno



Na vida, eu achava que tinha que começar de baixo pra cima, (no trabalho por exemplo, nem se falava em carreira), assim como eram nos 'estudos' dentro de escolas/escolas faculdades, mestrados, doutourados as pós graduações, na altura também, me via crescendo e ficava contente com cada avanço milimétrico. De um bebê dependente, virei essa marmanja que vos fala, 1,65 cm, estatura mediana, e agora fica se alargando, mas ao mesmo tempo se expandindo como pessoa, o conhecimento geral e também o autoconhecimento.

Eu achava que era assim, até 'praticamente chegar lá no alto', eu sempre lia essas coisas de CHEGAR LÁ, ouvia as canções, acreditava nelas.
As pessoas ao meu redor falavam, um dia chego lá, me aguarde (você que está lá,  eu também estarei), e essas baboseiras que a gente sempre inventa, de ouvir os outros, e ir atrás, achando que sabe das coisas, que eles sabem das coisas (pertinentes à nós) melhor que nós, quando em muitos casos eles nem sabem deles.



Já comentei em algum lugar, que tinha um  querido amigo que vivia falando isso, aquilo não me irritava tanto mas me incomodava, pois eu achei que o lá dele era Londres, e ele realmente foi morar em Londres, e voltou para o Brasil, para morrer.
Ele sempre foi grande, mas se fazia pequeno, porque queria galgar um tal 'sucesso' futuro, que obviamente nunca chegou.

Nunca me saiu da cabeça essas palavras dele, eu sentia uma profunda tristeza quando pensava nele, depois da sua morte, uma pessoa tão sociável quanto ou até mais que eu, sempre rodeado de beleza, de amigos, de festas, de família, morava com a mãe e irmãs num grande apartamento no centro de São Paulo e morador de Londres, um Londoner.

Ai eu cheguei no tal 'lá' curti, mas não gostei...e resolvi mudar, sair, descer (?), porque o  em cima continuou, naquele topo, na mesma lenga lenga lenga, de me fazer acreditar que você pertence a um grupo de pessoas, que você usa as mesmas roupas, ouve as mesmas músicas, dá as mesmas risadas, e se faz importante, protegido por elas, elas estarão lá sempre pra te aparar se você cair,
Acontece também que todos somos sós.
E eu sou como uma ave migratória, preciso me alimentar em outras latitudes e altitudes para sobreviver, e vôo é solitário.


Nessa mudança radical, eu descobri que uma escada para o céu vai dar no inferno: que na verdade nem existe descida,, descida foi parada, planos de mudança, medo do futuro, medo da solidão, medo do sucesso, saco cheio de ter que sempre agradar àqueles que me empurraram para um lugar que eu sempre quis estar mas não era "mais" o meu, parada, eu sou uma pessoa de movimento.

Nesta busca do céu, eu achava que iria encontrar o paraíso, duas pessoas, dois amantes vivendo juntos, filhos, uma casinha, um ninho, um pequeno jardim. promessas eternas, pra viver mesmo como as pessoas 'normais' o fazem, até descobrir que na vida não tem essa de descer e subir, a vida, a carreira, os trabalhos, os relacionamentos, nada disso é numa ESCADA, e essas pessoas ditas como 'normais' que eu tentei ser sei lá porque cargas d'água, realmente não me interessam, não me dizem absolutamente NADA, nem existem.

Tentei porque também tentei acreditar que faria parte de um mundo de faz de conta, esses livros que a gente lê, de contos da carochinha na infância e não entende muito bem, vê uma fada boazinha, o bem contra o mal, as trevas e a luz, a princesa boa, e a bruxa má o happy end. E quem quer se dar mal, sendo bruxa má? Ninguém.

Sorte que na minha infância eu li muitas fábulas também, muitas mesmo, que exemplificam melhor, todas de Esopo eu conheço e outras estórias que apareciam na minha mão, cheias de MORAL da estória, que nem sempre eu entendia, pois muitas pareciam injustas, mas não me colocavam medo e nem me impunham a ser uma princesa loira que merecia um príncipe num cavalo branco. Descobri porém desde cedo, que existe dois mundos distintos, a realidade e o faz de conta, a dualidade, e praticamente um não existe sem o outro, e para 'ser feliz' precisamos transitar entre os dois como se passássemos por muros transparentes, casas sem paredes, como se tivéssemos asas e muitos pós de pirlimpimpins para nos tirar de situações desagradáveis, precisamos passar pelo inferno.
Só que não me contaram que ninguém passa ileso pelo inferno. Se sai de lá, como se fosse um Hércules, qual o próximo trabalho?

Dizem por ai que toda criança é um artista, e também acredito nisso, apenas acredito também, que muitas escolas ensinam 'coisas erradas' para essas crianças, há pais ocupados, medrosos, recalcados, frustrados com suas próprias vidas, e passam isso achando que terão um dia uma recompensa de sei lá de quê. Por pouco fui assim, apesar de não ter frustrações como pessoa nesse sentindo, realizei coisas, fiz sempre o que achei que deveria ter feito, e sou grata por isso, por seguir o meu coração, e a minha mente inquieta, e como mãe já ter tido os filhos que tenho é a recompensa. O pote de ouro é meu e ninguém me tira.
Eu sou ainda uma menina, pequena e melancólica, apesar de ser uma adulta sorridente. Descobri na minha vida adulta que a vida em si é preciosa e estava à minha frente quando criança e jovem, e agora eu estou na vida e ela em mim. No way out? Ainda não, espero...ainda quero ver meus filhos bem, eu bem, para continuar passando por todos os abalos sísmicos desta minha plena vida.

Viver é pra brilhar, gente é pra brilhar (como diz a canção), é pra dançar, é pra sair pelada na chuva, pra gritar, é pra respeitar o outro, aceitar, estender a mão, criar, viver intensamente, mas isso não quer dizer que o mundo é assim, problemas são pra serem resolvidos, desafios temos todos os dias. Há forças que só seguem a realidade, e outras que as negam. Não, as duas forças são necessárias para o bem viver. Essa é a fórmula.
Realmente para chegar no céu é preciso passar pelo tal inferno, e não há problemas com isso, pois se a base é forte, sempre encontraremos forças que se sobrepujarão à todo mal, pois é tudo mesclado, uma ilusão.

Pois dica de 'moi' para o mundo que me lê, seja sempre GRANDE, sonhe grande, sonhe alto, voe, viaje, pense GRANDE, não seja tão realista, racional, dê com a cabeça na parede, seja impulsivo de vez em quando, eu fui radical porque minha intuição disse pra eu ser assim, eu fui e quando às vezes tento pensar que agi errado me dou por conta que não, estou exatamente lá, onde devia estar, onde queria estar, apenas não sabia que o lá era aqui, e que o aqui seria ASSIM como é.

Uma das coisas que ajuda muito é ser organizado, planeje seu futuro (na sua cabeça), faça planos, viva o momento, eu por exemplo desde que sai da COVA, nunca mais voltei, tirei o que não me servia mais, dei coisas, me desfiz, comecei de novo, sempre começo de novo, todo dia é um novo dia.

Eu penso grande, até assusto os outros que estão lá no ponto morto, eu tento ficar em ponto morto, mas minha cabeça não quer, não faz parte de minha personalidade. Não me preocupo se o que eu penso é um LUGAR distante, ou algo que queira atingir, inatingível para muitos.
Eu confio, o maior compromisso que tenho nessa vida, é ser fiel à mim, é não mentir pra mim, é não travar uma batalha constante que me atormentará, pois como muitos sabem, a mente, mente.
A minha mente é uma coisa de louco (a nossa), o que eu acho ótimo, contanto que não seja insana, como já aconteceu, quando tudo lá dentro, fica pequeno, sombrio, frio. No inferno é frio, e o gelo queima.

Eu medito pra parte mentirosa e sabotadora, da minha mente me deixar em paz. Nesses últimos tempos tenho estado com  com dores no corpo, eu somatizo, (devido as circunstâncias familiares, quase 17 anos com filhos em casa todos os dias, e agora sem nenhum, como lidar, como me auto ajudar?), como 'processar' essa tristeza, e transformar o veneno em remédio? Como dizem no budismo. Eu pego devagar, respiro fundo, às vezes nem dá, já que (temporariamente não posso sentar no chão), eu sento numa cadeira, e fico lá dentro 5 e 10 minutos, nem queiram imaginar o que se passa nela, e de repente parece que eu VENÇO a minha mente, parece que eu deixo de existir.

Se você se sentir atormentado, triste, sem saída, tente fazer o mesmo, encontre o seu jeito! Se afaste da situação que lhe incomoda, se afaste da mente preocupada, dos afazeres diários, crie, pense que o mundo é muito mais colorido, muito mais feliz, muito mais completo, e o universo é perfeito, ele não está em nenhum lugar, nós somos o universo.
Há muito tempo que estou onde queria chegar. (Bebete Indarte - 28/5/2013)

É uma libertação. É também uma batalha incrível como se o troféu da vitória fosse estar flutuando no espaço, sem gravidade, totalmente sozinho, sem ser solitário, e no calor vendo aquelas luzes ao longe e se sentir completo e também por ai transitar em diferentes mundos, voando, pulando, flutuando, num mundo sem portas, sem janelas, sem passaportes, sem chão, sem limites, sem bagagens, sem escadas sem céus nem infernos.


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