Tuesday, February 10, 2015

Prelude Op. 28 n. 4 in E minor - Chopin



Ando tão fora 'do mundo' dos outros, e mais ainda quando abro a minha boca socialmente, em grupos, onde nem todas as pessoas dividem a mesma linha de pensamento ou interesses.
Sem perceber criei um mundo meu particular, que é às vezes tão lindo, e difícil de dividir, pois não interessa à ninguém, ele é só meu, não tem tradução.

Em grupo preciso brincar de faz de conta, de esconde esconde, o que eu realmente não acho fácil, mas sendo diplomática, assim o faço, para o bem de todos, pois em grupo também descubro uma outra faceta minha, inexplorada, e exerço mais do que nunca a virtude chamada paciência.

Tenho a impressão que vez ou outra minhas idéias soam como as de uma vida de eremita, ele(a) que saiu há pouco de uma caverna nos confins de uma floresta abandonada, ficou lá a meditar e a viver de uma forma austera, a comer frutos maduros que caiam das árvores, e caçar para sua subsistência, se proteger das intempéries, sem muito alarde,  sem participar de nenhum evento cotidiano, mundado, ficou lá à mercê sem cuidados com higiene, cheio de sujeiras e fedores rodeando sua matéria, mas com a mente e alma a levitar enebriadas de aromas de rosas, folhas secas e molhadas após a chuva, galhos, jasmins, lavandas, cheiro de terra odores esses flanando em seus pensamentos em contato da rica, prazeirosa e auto-suficiente mãe natureza, leve como uma pluma, em uma outra esfera, uma realidade antagonal à maioria de nós pobres humanos entupidos de perfumes embalados pelo suor de um trabalho quase que escravo, reclamamos quando a água não sai de nossas torneiras, ou de um problema de ordem supérflua em nossa vã alienação.
Estamos nós aqui, a pensar em nossos cabelos brancos ou ralos, em nossas rugas que aparecem dia após dia, cheios de deveres e afazeres, obrigações, conceitos e preconceitos pois vivemos cercados em grupos (casa/trabalho/vida social), como escudos de proteção de um mundo repleto de arapucas, perigos, buracos, areias movediças, maremotos, terremotos, invasões bárbaras, vírus.

Somos felizes em nossa ignorância, rimos de nós mesmos, e assim os dias se sucedem, um após o outro, bestas até acordarmos  realmente e VIVER, conforme queremos.



Mas o nosso ermitão, ficou lá naquele lugar, não para esquecer o sentido da vida, mas realmente viver de uma forma anti-convencional, livre, refúgio sem limites e também para não se contaminar com o pensamento alheio, não se deixar influenciar, e não prestar contas com ninguém.

Sim, porque as convenções, a sociedade no sistema capitalista, faz com que façamos COISAS o tempo todo, precisamos trabalhar para o ganhar o pão nosso de cada dia, ou arrumar alguém pra ganhar pela gente. Precisamos não pensar demais nesse pão, não encucar demais, precisamos beber pra esquecer, lembrar pra esquecer novamente, comer para esquecer.

Pagamos sempre um preço para ouvir Chopin, nocturnes/etudes/waltz/preludes...

Eu não consigo ficar sem ouvir Chopin por muito tempo, ou Bethoveen, ou Bach, ou qualquer música que queira ouvir que me transporte para essa floresta, para esse mundo que criei pra mim onde sou a verdadeira rainha e lembrando de minhas aulas de latim SERVAE DOMINAS AMANT. As elocubrações foram tantas nesses anos todos, os sacrifícios se transformaram como vinagre ao vinho, que atingi o âmago do âmago, uma vida bela de arte, conhecimento, que a solidão se tornou solitude.


Minhas infindáveis descobertas, as cores que me cercam, o pensamento do amor ideal, o que o que o futuro me trará de bom, de melhor?
O que é melhor que isso? Que esse estado? Que a idéia de aprender cada vez mais, de conhecimento, quantas vidas serão necessárias?

O que é mais belo que ouvir essas notas musicais umas ao lado das outras, nos encantando com esse presente maravilhoso em forma de prelúdios e tudo que virá depois?

Por que muitos não percebem onde está a verdadeira riqueza, que é a imaginação, a criação, a criatividade, a fantasia de um mundo criado do jeito
mais sublime que há, o mundo da beleza do conhecimento, sabedoria? A riqueza interior?

Toda a minha riqueza até agora, veio da fortuna de ter meus talentos, de ser a pessoa que sou, que me formei e transformei e me transformarei até
virar pó, todos os meus amores, quem amei e continuei amando, todos que eu pertenci e que pertenceram a esse templo maravilhoso, meu corpo, e minha energia.
Jamais consigo pensar numa vida de RIQUEZAS, sem pensar no quão rica eu já sou, por ser eu.


Isso assusta, porque poucos entendem. 
A maioria das pessoas creio eu, pensam que há algo de fora, que de repente uma magia vai acontecer, e elas de repente, serão belas, ricas, bem torneadas, magras, morarão em palácios repletos de serviçais, usarão as roupas mais lindas e mais caras, serão amadas por todos ao redor de uma forma avassaladora, dominarão o mundo, admiradas, por suas formas, a juventude eterna que acham que possuem. E andarão em tapetes com todas as cores dos arco-íris. Elas se esquecerão as sujeiras que fazem...viverão nessas gaiolas douradas para mostrarem o quão fúteis, parasitas, fracas, inseguras, medrosas são pelo resto dos anos de suas vidas vazias, fracassadas, inúteis, precisam ser salvas com a luz.

Cada dia que acordo, levanto daquela cama, e algo me empurra a completar a minha OBRA DE ARTE, nada de pintura, escultura, nem ópera, nem composição musical nem mesmo uma valsa, não sou jardineira de nada, meu talento artístico SOU eu e minha forma de expressão, meus pensamentos, o que sou pra mim.
O que escrevo, como me visto, como falo, o jeito de sorrir, de chorar, a maneira de ser e viver, a chícara de café que esvazia, o bule de chá, o lenço de papel, as idas ao banheiro, os livros espalhos pela casa, o olhar pela janeira pra ver como está o tempo lá fora, programar uma pequena viagem na minha imaginação, usar minhas agendas de papel, folhear revistas, me rodear de pequenas belezas e seus detalhes.


Essa é a recompensa pela minha ARTE, ser agraciada por um nome tão lindo de família como é indARTE, é mais do que habitar qualquer conto de fadas tropicais, e além de tudo ter um Borda, que é bordar, pintar a (Ind)arte e Bordar no Borda...incrível essa divagação, viajar, é pra lá que eu vou, fui, cheguei...parto novamente.

Essa viagem é tão dentro, que quando vou pra fora, colocar em palavras preciso ser clara, ter a obrigação de resumir, tudo o que não sou e nem quero ser um resumo, esses limites impostos de métricas e tempos, uma volta ao passado que já passou e nada mais é do que memórias.  NÃO ULTRAPASSE, dizem os cautelosos, de seus limites. Vá só até lá, até determinado ponto, porque se você for acolá, vai dar nisso ou naquilo, e tendo aquilo, vai dar tudo certo depois da aposentadoria, e você terá então um enfarte e MORRE(rá), de corpo físico porque já estava morto vivo.
E se não der certo, como sempre tem algo que não dá, você viveu intensamente, aprendeu. Pois a lição foi a prendida, se não for pra ser eu mesma, traga-me a morte, precisamos conversar!

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