Wednesday, July 29, 2015

O que aprendi até agora

Ana Albero

Vez ou outra me percebo fazendo uma coisa bem inadequada: eu vejo gente morta, ops, eu me comparo com os outros (vivos).

Me policio e doutrino até, 'não devemos nos comparar" blablabla, mas bate às vezes aquele caos mental, e nem sei porque cargas d'água, e lá me vejo me comparando (para o bem e para o mal, ou melhor para melhor ou pior) com pessoas, com outros corpos completamente diferentes do meu, outros estilos de vidas, diferentes da minha, outras vidas  hipotéticas,(imaginárias), outros 'backgrounds',  uma lista finita pra não exagerar, que de nada corresponde com a MINHA e vou colocar em letras garrafais, MINHA VIDA, minha pessoa, meu jeito de ser a realidade que vivo e com quem eu sou.

Quando isso acontece, é um passo para o abismo chamado, masoquismo, e no fundo ao mesmo tempo sádica, ou cientista pois eu sou meu próprio monstro Bebete Frankenstein inventado.
Vivo experimentando no laboratório da minha mente essas inadequações.

O que aprendi até agora?
Que isso só me traz frustração, e da frustração vem a insegurança e na insegurança o sofrimento e no sofrimento a dor, lágrimas, choros e velas, e o outro lado da moeda, é assim mesmo, às vezes vem essa auto-sabotagem mascarada de quem é melhor ou pior, como se fosse ganhar uma medalha ou um puxão de orelha me traz de volta pra a realidade, eu sou eu, e me basto.

É o tipo de pensamento que parece que você tomou uma droga e ter que fazer algo pra sair desse transe, quando isso ocorre.
Há anos que não acredito em muitas coisas que sempre (me fizeram) acreditar, ou eu acreditei porque deveria, ou era conviniente.
Quando eu rezava antes de dormir quando pequena: eu sempre papagaiava, era um mantra desorganizado, pedir proteção ao anjo da guarda, ou por si, não me bastava, era frágil, inocente,
sujeita aos perigos da natureza humana, da maldade.

Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador...a ladainha continuava.
Ai ai ai ai, aí vem a mistura e a mente acaba acreditando que o anjo vai te proteger, o que não vai.
Os pais protegem os filhos e olhe lá!
E quando os pais se vão, ninguém mais vai te proteger.
A vida é assim, a gente aprende a viver e a se proteger de todo o mal, por bem ou por mal.
Para nos protegermos, precisamos acreditar em quem somos, e pra acreditar em quem somos e ter confiança que tá tudo bem, precisamos ousar ser quem somos.
Fácil, né?
Não, não é.

O raio sempre nos parte, antes, durante ou depois da chuva.

Não que eu não goste de mim, não confie em mim, que tenha baixa auto estima, nada dessas balelas, mas às vezes a gente acaba se viciando, é muito fácil ficar viciado, ou bem diria acomodado, cansado, hipnotizado por hábitos corriqueiros, e deixar a gente, a nossa vida REAL, pra segundo plano.

Às vezes me escondo de mim.

Sorte que há coisas que sempre me salvam, uma delas é a música, a outra é a vontade de ir ao banheiro, e a outra é quando eu começo a rir do meu jeito de ser, e até de minha estupidez, e não me levar tão a sério, tudo isso me salva me protege realmente, não preciso de anjos.
E fora que adoro escrever, e ultimamente é o que me salva do meu próprio Frankenstein, quando tudo está mal, não tenho outra saída.

Me olho a distância e percebo: Bebete como você é engraçada pra você mesma, falando a realidade do que realmente acontece com a sua vida, é como se fosse uma arma defensora, e tudo acaba bem, meu próprio escudo protetor, sou eu, ser eu.
E quando estou dramática, melancólica, triste ou me sentido solitária, escrevo, e volta a me equilibrar.

Recentemente tomei conhecimento de uma empresa, que na verdade é uma pessoa física antes de tudo que entende de marketing pessoal, e acabei seguindo essa pessoa (as idéias dela, e o que ela escreve), pra dizer que não sigo ninguém, eu sigo poucos por livre e espontânea vontade. Eu curto gente genial, e sem pretensão, como essa.
Ela é ela, incrível o currículo, e eu sou eu.

Aliás sigo os meus amigos, porque gosto deles, da vida deles, gosto de estar próxima deles, com a diferença de opinião também deles, mas no fundo fazemos parte de uma família virtual, digamos assim, também contam como proteção, amor.


Me comparar com gente 'diferente' de mim (acontece por descuido, viu?) ao ver uma foto da mulher girafa e ver que meu pescoço está ficando mais curto, eu percebo que às vezes faço 3 ou mais vezes a mesma coisa, e acho isso irritante, e daqui pra frente vou CORTAR da minha vida bater na mesma tecla, na mesma tecla...só as teclas do piano com as diferentes notas musicais, que é uma pulga na camisola, mas estou indo...e não quero chegar à lugar algum, quero seguir, tocando e aprendendo, praticando, indo...piano, vida, escrever, cantar no chuveiro, tudo.


Outro exemplo já na vida Facebook(i)ana: quando eu entro online. Eu vou no 'news feed' e sem querer, aparece um amigo que postou um artigo/repostou/compartilhou...e eu leio mais de uma vez o tal artigo, ou o título, afinal é um amigo e não posso deixar o amigo na mão (dentro da minha cabeça).
E ai, vejo outro amigo, que postou a mesma coisa, e 2 dias depois a lesma lerda outro conhecido.
E me pergunto: que porra é essa?
Bebete não era pra escrever palavrão na linguagem escrita? Me contradigo.




Que histeria coletiva é essa amigo? Por favor parem com essa insanidade! Me parem se eu estiver fazendo a mesma coisa, na mesmice da repetição. Cansei dessa vida, essa vida não é a minha é um vírus, um chip que colocaram na tela do meu computador, do meu celular, um aplicativo subliminar, ler as mesmas coisas, compartilhar as mesmas coisas.
Fomos clonados, e nem sabemos? Vamos construir outra coisa?
Vamos construir um mundo melhor?

Eu vou na cozinha pegar um copo d'água.

Prometi pois, a não mais ler os news feed over and over again,  ocultar o tal artigo, e percebi o que tenho feito, é ocultar, ocultar e mais ocultar, de tanto bichinho de estimação fofo que vejo quando estou online, ou de gente (como eu) que vive postando e postando e postando auto ajuda, que não AJUDA em praticamente muita coisa, falo na PRÁTICA, continuem fazendo o que fazem. Fecharei meus olhos para a histeria coletiva.



O que está acontecendo? Seriam os deuses internautas? Estaria eu perdendo interesse nos meus amigos? O FB virou mainstream demais? O começo do fim?

Pois bem há anos repito a mesma ladainha, vou tentar ser clara, quero MUDAR, daqui pra frente não mais ver 2 vezes a mesma postagem do 'tal' amigo, e do outro amigo, e nem eu repostar, repostar e repostar.
Basta! OK? Combinado?
Quero sair, quero visitar outros 'sites', quero conhecer gente nova, blogs, novos, idéias novas, idéias boas, quero cores, respostas...quero filosofia, quero usar mais minhas mãos, quero mais água.

Anos após anos, estamos nós, na internet, é chegada a hora da maturidade digital, vivemos...confidenciando nossos segredos, nossas vidas, nossas viagens, expondo nossa família, filhos, nossa imagem, nossas opiniões sobre política, economia, religião, sexual, moda, cultura, comida, etcetera e dividindo o que lemos, o que acreditamos, o que achamos que devemos, mas eu ando um pouco de saco cheio de tudo isso, da mesmice, sem querer esnobar a vida e interesses de ninguém.
Somos mercadores de ilusões, vendemos peixes imaginários.
Estamos carentes de nem sei o que.
Talvez de arte de verdade, poesia, criatividade, caridade, vida rasgada mesmo, gente doida no bom sentido se expressando, idéias fantásticas, ou gente boa, anônima, simples mas que tem muito mais conteúdo do que essas pessoas idiotas que compram uma bolsa de 55 mil reais e depois o couro da bolsa solta tinta e com toda a razão pedem o dinheiro de volta e colocam o 'drama' de luxo que eu nem precisaria ter lido, mas li e tive até curti.

Meu Deus? O que é isso, até que ponto chegamos?
Aliás, até que ponto 'eu che GAY'...?

Eu quero idéias novas, eu quero fazer a diferença, eu quero acrescentar.
Eu quero unir, eu quero ver gente de verdade, brilhar, ajudar, descobrir estórias, estou cansada de tanto narcisismo coletivo, eu quero ver as pessoas realmente FELIZES com elas mesmas.


Não quero comparações, (nem para o bem e nem para o mal), nem por descuido,  nem clones, eu quero junto colaborar com as pessoas,  no que juntos podemos fazer, para melhorarmos o mundo de verdade, lançar a semente e não sair por ai querendo dar lição ou tentar em vão mudar o outro impondo nossas crenças de COMO O MUNDO SERIA MELHOR SE...ou colocar toda a agenda pessoal no Facebook: incheck eu fui ao banheiro, incheck eu não matei Joana D'arc, incheck, estou sozinha no escuro e preciso levantar pra acender a luz, vou na cozinha pegar um copo d'água.


Quero mais camaradagem, empatia, mais gentileza e ouvir mais (tenho me policiado pra isso) pois sei que sou uma pessoa crítica, mas usar a minha crítica, sem ferir, nem pisar em ninguém, porque simplesmente não vale a pena me mostrar uma pessoa estúpida, mal educada, com pretensão como se minha vida estivesse e fosse um mar de rosas, o que não é, como nenhuma vida o é.



Resumindo, o que aprendi até agora, é que sempre estou aprendendo a ser quem realmente sou, doa a quem doer!
Ai.










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