Monday, October 29, 2007

She's lost...


Fui à Antuérpia, sonhei com Edimburgo, comentamos sobre Ibiza.
She's lost control again (Joy Division).

O mundo e seus lugares, suas cidades, e viajar é sempre uma fuga dos dias normais,
mesmo sendo viagens ligeirinhas de fim de semana, sem ter controle, sem rotina, ir.
E nesse finde por causa das férias escolares de outono das crianças, fui com P2 pra Antuérpia, reservei um hotel Scandic, desses **** pra homens/mulheres de negócios, mas no final de semana, tem mais hóspedes, querendo esquecer dos negócios, preços mais amenos, porque afinal em hotéis de homens de negócios, a empresa normalmente paga, depois tira do imposto, e assim o dinheiro roda...e nós pobres mortais, tiramos os centavos do próprio bolso.
Particularmente não escolhi a cidade, porque me chama a atenção, mas pelas facilidades, proximidade da Holanda, preço, e mudar um pouco o panorama.
Há vinte anos atrás conheci a cidade dos diamantes e principalmente suas cervejas com diferentes teores alcóolicos. Desta vez fui tentar relaxar, e escolhi um hotel que tivesse sauna, piscina e banheira, amo banheiras, adoro banheiras, vivo infelizmente sem banheiras, e uma delas virou meu diamante, afinal não vi diamante nenhum por lá, achei o hotel no site.aqui , onde se encontra uma promoções bem bacanas, e tendo carro facilita as coisas, pois normalmente no centro da cidades os hotéis são mais caros e já lotados e esse ficava nas proximidades do anel rodoviário de Antuérpia, mas com elétrico por perto pra ir pro centro (10 minutos).

Adoro tomar banho de "sal grosso" com espumas, limpa o vudu, falar ao telefone, pensar em nada, ler, beber na banheira, fazer um SPA a minha moda, conheço muita gente que tem banheira, mas nem tomar banho nela gosta ou arranja tempo pra relaxar, eu quando tive sempre fiz das sextas feiras, meu ritual, telefone sem fio, sal grosso, espumas e com minha própria companhia...agora tira o telefone, só a banheira e a água me basta, mas com sal, sem pimenta, nem velas preciso.

Sai comprando de antecedência, todos os apetrechos e melecas que encontrava, máscara pra rosto de lama quente, esfoliante pro corpo e outro pro rosto, caviar pra banheira - muito engraçado nem sabia que existia, e mais a "manteiga pro corpo", pedra pomme, máscara pro cabelo, óleo pro corpo, mousse, confeti de flores pra banheira, exagerei e rezei pra não pegar urticária de tanto mexer na derme. Sim, sou alvo fácil pras pequenas superficialidades da vida, a mundanidade que ninguém vê, e nem interessa, mas tudo que queria era relaxar, olhar ao redor, tentar me livrar de uma dor nas costas que apareceu desde que comecei a fazer yoga, teria dado "mal jeito" na coluna em algum exercício??? Fui a sauna turca (hamman e a infernal sauna filandesa) e depois parecia que a água da piscina estava gelada, mas sauna também me faz bem, ficar lá derretendo, limpando as impurezas do cigarro, e outras que estão dentro da gente, olhar o próprio corpo que sempre fica bonito com muito vapor ao redor.

Coincidentemente, um DJ belga conhecido meu, estava no lineup do club .cafe D'anversque não é um café viu?, fiz contato via myspace, e apareci por lá com P2.
O club era dos meus, underground, mas não podrão, com 18 anos de existência (quase: 31 outubro- parabéns pessoal), localizado bem no centro da Red light district (zona da prostituição legal, cheia de vitrines de neon, e mulheres de lingerie faturando seu pão de cada dia), e homens rondando ao redor, fazendo pesquisa de preço, corpos, à cata de um sossego pra testosterona pululante.

Já na fila, felizmente não muito grande, senti a simpatia do lugar, na entrada um carinha perguntou se eu estava na "guest list", odeio pedir pra ficar na guestlist, mas falei, não: mas o DJ Smith Davis é meu conhecido. Imediatamente ele me deu um cartão vip e não precisei pagar, já P2 pagou a quantia irrisória de 10 euros, precinho camarada comparando com o gabarito do lugar e da noite, fomos carimbados com o número 2, não me pergunte o porquê e entramos.

O lugar era enorme, mas não demais, o pé direito da pista principal era altíssimo, a acústica, qualidade de som, e ventilação PERFEITA, sai de lá sem cheiro de cigarros na roupa, e não vi ninguém derretendo.
Passando pela cortina que dava pro bar, enquanto P2 comprava cigarros(que na Bélgica são 60 centavos mais caros) na máquina avistei no escuro DJ SD, nos abraçamos na maior coincidência, e fiquei super feliz de vê-lo, pois seu set seria da 1 até às 3 da manhã, e jamais incomodo DJ na cabine.
Conversarmos em inglês, e apresentei P2 pra eles, falamos sobre Ibiza onde ele há 12 anos toca, todos os verões...e ele abismadíssimo que eu nunca fora a Ibiza, e lembrei-me do old-fashion cartão postal do meu banheiro, quem conhece sabe meu toilette sabe que coleciono cartões postais:
- If you are tired of Ibiza, you are tired of life, indeed, mas eu acho que nunca estou preparada pra ir a Ibiza, tipo de lugar que você tem de ir com amigos que adoram festas, xtc, e têm o mesmos interesses que você, fora a questão financeira de prioridades, raramente viajo a lugares assim, pra mim essa entusiasmo ficou no passado, no início dos anos 90.
Elis Gritaria, dançarina do Que fim levou Robin? dançou nesse ano na Pasha em Ibiza, contratada, ganhou bem e se divertiu. Bom, ela tá no início dos 30, dança bem, tem corpo e energia pra isso, e me contou resumidamente suas aventuras na Europa, mas como é mãe como eu, também teria que voltar pra vididinha nossa de cada dia em São Paulo, e por mais que tivesse se aventurado na Europa, morreria de saudades do filhinho no Brasil.
Para Smith a noite era bem especial, pois era inauguração também do novo conceito de luminárias do lugar desenhadas por ele, e também pelo DJ T que tem sua própria label, o alemão chucrute, DJ special guest da noite.

Dancei bastante, bebi orangina e coca cola, e fiquei observando e sentindo a vibe das viradas, e a nova música eletrônica, electro minimal house, parece uma música de metais que caem pelo céu, se batendo uns com os outros, a musicalidade é bem estranha pra ouvidos virgens, às vezes é meio acid house sem ser, um pouco techno house, sinceramente eu acho que só quem ainda sai em todos os finais de semana pode realmente decifrar os encantos dos novos beats, os produtores estão cada vez mais loucos. Eu ainda aprecio uma boa classic house music ou um techno que não seja muito hard, melodioso, música anos 80, acho que é uma questão de preferência pessoal, devoção a um DJ, meus favoritos sempre foram DJ Renato Lopes e DJ Dimitri (Amsterdã), e só os "vejo" no mySpace. P2 estava morrendo de fome, e como em lugares assim não tem comida, fomos embora às 4 da manhã tentando achar um lugar aberto pra comer, depois de dar mil voltas de carro. Achamos esses lugares que vendem Kebab e pratos árabes, mas como eu nunca confio em "churrasquinho grego", comi uma batata frita com catchup, se eu janto bem não tenho muita fome na madrugada. No centro de Antuérpia tinha muitos restaurantes, mas a maioria (dos melhores, pagáveis, comíveis) lotados. Acabamos indo num ala carte, porque sou louca por entrecote/steak/caaaaaaaaaarne bovina...mas desta vez o molho de champagnon estava melhor, o menu que escolhemos já não "tinha mais", mas não importa a carne foi a tal banheira.

Antuérpia é uma cidade de moda de rua elegante, odeio os termos tribos, mas tem pra todas, lojas, lojas e mais lojas, pra todos os gostos, bolsos, temperamentos...humores. Os belgas são muito mais fashionistas que os holandeses, aliás fora Viktor&Rolf, não conheço moda na Holanda, sim design, nisso eles aqui são bons.
Grandes labels, pequenas labels, novos fashion designers, outlets, brechós, grandes maisons, vitrines convidativas, amei.......e um dia volto, no Sale, com certeza, mas a inspiração estava em todos os lugares, e até P2 perecebeu o "corte de cabelo dos meninos belgas" divididos pro lado, batidinhos no rosto, mas mais curtos atrás, não pigmalão(Jane Fonda)...foi da estação passada, amei uma saia da loja "Who's that girl", com bordados de feltro de gato e bambi, mas o precinho de 90 euros não me animou.
Comprei a revista inglesa de música .Mojoporque queria ler um artigo sobre o filme Control, dirigido pelo fotógrafo holandês Anton Corbijn, sobre a vida breve por sinal de Ian Curtis, felizmente o filme já está em cartaz em Leiden, e tem prioridade número 1 na minha lista, amo Joy Division, amava Joy Division, New Order...and she will lost CONTROL again.
Quase nunca compro revistas sobre música, principalmente rock...mas como vinha junto o CD Cigarettes and alcohol com 15 tracks celebrando prazer da bebida e do cigarro, achei bem simbólico pelo momento que estou passando, e adorei a loja só de revistas do mundo todo, mas dei uma olhadinha na FNAC também, mas a Fnac toma tempo, so many shops so little time...

O céu estava cinza, em todo final de semana, e pra dizer a verdade algo começou a mudar dentro de mim, comecei a me deprimir, talvez porque esteja passando o que toda mulher todos os meses passa, prefiri não olhar pro céu. Um final de semana passa muito rápido, porque precisamos dormir também e esse horário de inverno europeu que começou no sábado pra domingo, me deixou um pouco tonta com tudo, ter que voltar uma hora atrás, mudar todos os relógios da casa, celular, relógio de pulso. Me dei ao luxo de ir ao toillete do Hilton Hotel em Antuérpia, sem ter cartão-chave de hóspede, mas tive sorte porque é melhor ir no WC do Hilton do que do Mac Donald's, as bundas devem ser mais sujas ou menos lavadas no Mac, e de qualquer jeito, é melhor evitar um céu cinza, mas achei o negócio dos pais de Paris Hilton tão decadente, bom era quando eu ficava em hotéis ***** na época que trabalhava em turismo, na época da gravadora Warner do Q fim, não precisava pagar, e podia mandar o room service ver.

Voltei e sonhei com Edimburgo, que estava lá na casa de meu amigo Alexandre, junto com ele, e o namorado escocês Alex, e lá estavam também pessoas de "antes", amigos, bebíamos vinho, conversávamos, estávamos juntos, e mais a turma toda da Nação, do Nation na Augusta. Um sonho muito bom, eu não queria ir embora, queria ficar por lá, e lá era Edimburgo, até meu amigo Rogério Garcia apareceu, meu amigo de tempos de Satã, Nation, Massivo, Latino...e que ficou lá, e Alexandre "meu melhor amigo" que morou em Londres, é de Jaçanã...mas hoje é um filósofo, trabalhou na chapelaria do Nation do Massivo, teve aulas particulares de holandês em SP com a dona Rachel, amigo daqueles que a gente nunca quer ficar longe, mas acontece.
Saudades da House Nation...
Saudades das pistas, dos amigos, do Ian Curtis, do Rogério do Alê.
Tira Ibiza, bota Edimburgo...um dia eu vou lá.
She's lost control again, a música, não eu, bem que eu gostaria.

2 comments:

Annix said...

Nada mal, duas viagens pelo preço de uma ;) Depois vou procurar esse hotel em que vc ficou em Antuérpia, amo banheiras.
Control é lindolindolindo, arrepiei.

Beth Blue said...

É isso mesmo, viajar - nem que seja só no fim-de-semana pra sair da rotina esmagadora - é sempre bom demais! Pra mim tem sido meio assim todos os fins-de-semana, sexta à noite pego o trem rumo à Haia (minha segunda vida) e só volto à rotina de mãe na segunda, quando busco o guri na escola. Meus fins-de-semana tem sido como pequenas férias, bom demais... Restaurantes, bares, cafés, cinema, até teatro fomos semanas atrás. Sem falar no principal, o F. claro ;-)