Friday, September 26, 2008

A solução espiritual (para livrar-me do cigarro)


Há aqueles que acreditam em reencarnação, naquela de que nas outras vidas, a gente era um ser animal, uma minhoca (que nem no filme "7 years in Tibet"), ou um elefante, um peixe, uma planta.
Antes eu pensava que fui um pássaro, desses que imigram pros trópicos no inverno, e voam bem alto. Agora eu acho que fui um Jacaré com a típica bocarra, ou um peixe...porque ambos morrem pela boca.

Porque jacarés e peixes morrem pela boca?

Claro, literalmente não tem sentido, o sentido está na simbólica boca e o que sai de dentro dela.
E eu falo, e falo, e já disse não, bati pé, cigarros, maconha é pra fracos, depressão é pra losers, e assim vai, mendigos de rua outros losers, alcóolatras desocupados, claro não tão imperativo assim, mas sempre achei que as dificuldades e sofrimentos das pessoas eram provenientes de uma fraqueza, e que se eles realmente quisessem não deveriam se entregar.
Mas mudei minha opinião há mais de 3 décadas atrás, quando vi pessoas doentes, se entregarem pra vícios destrutivos e que o reverso parecia um longo caminho cheio de pedras e armadilhas.

Mas a questão é, que pessoas como eu se viciam porque sentem falta de algo que dê sentido aquele vazio, muitas apenas experimentam como foi meu caso com a maconha e outro vício dos nossos dias, que praticamente larguei o orkut(o qual fui viciada por quatro anos), dou umas visitinhas de vez em quando, e acabei me viciando ou ficando fã do Facebook e seus presentes estúpidos, e seus presentes engraçados, e também as outras possibilidades positivíssimas, de realmente conhecer pessoas de outras culturas, iguais ou diferentes de mim. Além de ser viciada na net e em networks...mas confesso, que não deixo de fazer nada pra ficar aqui, e isso é vício.

Lá no FB estão amigos de São Paulo, amigos que moram em Miami, Nova Iorque, Barcelona, Londres, Bruxelas, etc etc...amigos mesmo, desses que são que nem sofá de casa, a gente se joga, a gente faz o que quer, põe o pé, deixa as pernas abertas ou fechadas, come pipoca quando vê filme, pizza quando se está sózinho...enfim, sentir-se a vontade é uma das coisas mais DETOX que existem nos nossos dias, com ou sem make up, vestida de jogging e como uma mendiga...cabelos brancos crescendo, ninguém vê, ninguém te critica, porque as pessoas vêem aquela (falsa) imagem lá, aquela foto 3 x 4, aquele momento congelado, um nome bacaninha, um país Europeu, um gosto eclético (que traz mistério) e ficam seu amigo, na boa assim como você "You are not alone". Sem saber o que você carrega por trás, a sua mochila pesada, os seus desafetos, as suas frustações, seus medos, etc.
Às vezes é tão desesperador pessoas que colocam assim: Me ADD no MSN...atiram pra todos os lados, querem mais é abrir a boca, soltar o verbo, teclar, mandar wink, beijinhos, boa noite, você é meu amigo de infância...a esse pouco eu nunca cheguei, porque MSN/Skype...não é o meu forte. Só gosto de vez em quando nos finais de semana, quando não saio, e não tem filme bom na TV, sinto como se fossem almas mendigas, por calor, atenção, amizade.

A amizade no FB por hora pode ser até irritante, você é cool, sexy, flirta comigo, me mande mágoas, personagens do Almodóvar, desejando "Borboletas", "Have a nice day", presentes Prada, filminhos, música, etc etc etcera. Uns aplicativos são mesmo inteligentes, mas outros são pura falta de imaginação, de criatividade.

Só que a felicidade dura pouco, e neste caso a felicidade é a comodidade, de fazer pseudos amigos, de mostrar o seu lado cool ou uncool...vice-versa, porque existe muitas teclas hoje em dia que resolvem instantaneamente nossos problemas tais quais:
Delete, ignore ou offline...no mundo virtual temos essas possibilidades rápidas, de cortar o mal pela raíz, já no outro, no real...vocês sabem que não é bem assim.

A felicidade mudou quando o Facebook mudou para o New.Facebook...e eu como muitos que já estávamos acomodados e felizes no outro, tivemos que começar tudo de novo, e aceitar...a mudança.
Tudo bem, fazer o que...nada dura pra sempre.
O bom filho a casa torna. E assim vamos indo, contestando mas de que nada adianta.
O fato que me viciei no Facebook (e a Jacaré falou que não iria lá, já tinha orkut, MySpace, Youtube, blog)...e a fórmula da droga mudou - virou um NOVO facebook...chato, que dá menos prazer que o outro, mas em tudo a gente acostuma, e agora se coloca também o blog lá, é mais abrangente, e há vida inteligente e como a gente por lá, com certeza.

Estou lendo um livro fantástico do Deepak Chopra "Vrij van verslaving - Overcoming addiction - Livre de vícios(?), e nele, procuro ententer, o significado dos meus vícios, era viciada no meu ex-namorado...(o nosso contato íntimo era o mesmo efeito de uma droga) com os ups and downs dela... também sou viciada em tabaco, e de uma certa forma não vivo sem internet e network sites nesses últimos anos, onde diariamente você faz parte da vida de estranhos e amigos. E às vezes esses estranhos viram amigos...como já me aconteceu raras e boas vezes.
Mas não chego a considerar como vícios fortes digamos assim, mais o sinal dos tempos, pois adoro viver a vida lá fora.

A maneira como Deepak Chopra aborda o tema, tem mais uma vez como base a medicina Ayurvérdica...o que me interessa mais ainda também nesses últimos tempos. Claro não quero aqui ser leviana abordando essa ciência milenar, quem se interessar que leia o livro ou procure na net assuntos relacionados, se for o caso, porque mesmo estou engatinhando no assunto. Mas como paciente percebi que funciona nas pessoas, e se funcionou nelas supostamente funcionará em mim.

Somos tão apegados com nossos vícios, que às vezes repetimos automamente as respostas de perguntas vindas de fora como: não vai funcionar, é difícil, preciso disso pra viver, gosto e pronto, pelo menos isso, ninguém é perfeito são assimiladas e enraigadas em nosso ser, e nem quero ou pensamos em imaginarmos sem esse vício. Não é cool, vou engordar, ficarei chato e sem graça, e os benefícios parecem um oásis no deserto, escassos...longínquos. E assim se vai protelando outras maneiras de não só ter prazer na vida, mas alegria de viver que vem de dentro de nós, sem precisar de muitos artifícios, como o contato com a natureza por exemplo.

Meu vício no cigarro, além de ser um vício social menos tolerado, é pra mim prejudicial, não combina com minha prática diária de yoga, poderia me sentir menos cansada, meus dentes estariam menos amarelados, meu pulmão voltaria (longo prazo) a ficar limpinho, meus dedos sem cheiro e sem cor, meu beijo com mais frescor,dizem que as olheiras melhoram, nem digo em beijo na boca, mas no rosto dos meus filhos, e também meu paladar mudaria radicalmente sentindo o sabor dos diferentes alimentos. Mas não é só isso, me sinto fraca, por não cair do céu um método fácil.
Ah! Como sou presa fácil pra teorias, mas estou esperando o tal sinal. E se eu consegui 26 anos da minha vida, viver muito bem sem tabaco, porque não os próximos 26 ou mais?
A quem estou falando isso, claro que nem deve ser pra vocês...porque quem nunca fumou não sabe, só ex fumante que sabe.

Hmm...ainda não estou convencida. Tenho uma certa teoria que é você acaba um vício, e inicia outro.
Ou talvez fosse o caso de fazer uma "promessa" como fez minha irmã, em um assunto de família muito sério. Resolvido, ela parou. Parece simples, mas claro que não foi.

Sorte que nunca quis experimentar heroína.

Aguardo o sinal, pois a boa notícia segundo o livro é que pela medicina Ayurveda meu tipo de gosha é Vata-pitta, em outras palavras tipo de pessoas que mudam com mais facilidades, curiosas, portanto, mais provavéis de se livrar de vícios e mudar de vida...quem sabe antes dos meus filhos entrarem na puberdade e na idade entre 12 e 13 anos, quando a maioria das crianças experimentam o cigarro pela primeira vez, e depois de 4 cigarros consecutivos...já estão viciados e nem sabem, talvez esse seja o sinal espiritual pra mim.

3 comments:

Beth Blue said...

Sem querer soar pedante e já sendo, já li muitos livros do Deepak Chopra, desde os tempos de Brasil que admiro este cara (e a busca continua). E também já conhecia a medicina ayurvédica há mais de 20 anos (sou pitta até não poder mais).

Falando ainda em Deepak, comprei um livro dele ainda este mês: The Way of the Wizard, um dos livros de mais sucesso. Ainda não li mas está esperando na fila.

Last but not least: amei seu novo modelo de blog, a foto ficou fantástica! :-)

Beth Blue said...

Quanto ao Facebook, eu não tenho coragem de entrar neste negócio não! Depois de anos viciada em orkut, meu negócio agora é blogar. Mas sinto falta daquela sala de estar virtual. Só não sinto falta das fofocas e baixarias, peloamordeDeus...

beijos

Antonio Da Vida said...

Nossa, voce quando dá pra escrever, não solta mais a mão da caneta, hein? ;-)
Gostei do post... engraçado, eu estava também pensando em escrever sobre o Facebook esses dias... mas você já partiu na liderança, já contou tudo... vou ter que pensar em outra coisa, sei lá.
E olha, li o outro post, o último... quando for assim pode me ligar também ok? ;-)
beijo!