Monday, October 20, 2008

Reclamações de outono?





Passei um ótimo final de semana em Bruxelas na companhia de meu amigo A. Encontrei também o M. E nos divertimos muito, indo jantar num restaurante tailandês K- Touch.
Fomos visitar a praça grande que está coberta de luz na frente da maravilhosa prefeitura, caminhadas, o francês, capuccinos, compra de chocolates a preço de ouro, parques...e como o cenário o outono, suas cores, suas folhas multi-coloridas. Muitas macaquices minhas nas fotos e de M. A é mais comportado...um docinho. O apartamento de A. que é novo, todo reformado...cheio de luzes de clara bóias, um lugar de bom gosto natural, minimalista e de paz, perfeito.
A viagem de ida foi muito boa, pude ler trechos de livro e também a nova Happinez que comprei uma revista bimestral que não deixo de ler.
E claro me chamou atenção o tema dessa edição Geluk(felicidade) e mais uma vez o extremo bom gosto da capa nas cores bordeaux e cobre brilhante.

E ai veio os diferentes artigos e opiniões sobre a felicidade, como é, quando se tem, quanto tempo, de onde vem, como se acha, como se consegue, etc etc.
Quem quiser mais detalhes que leia a revista, ou algo similiar sobre o assunto.
Mas particularmente não me pergunto muito sobre isso, no geral consigo sentir quando as coisas andam bem comigo, e quando estou em balanço na minha vida. Meu equilíbrio é um sinal de felicidade, e ultimamente ano bem equilibrada, eu mesmo, animada, mas disciplinada com minha yoga, minha vida de mãe e amiga.

Por isso, não reclamo da sorteas coisas são como são.
Nem sempre foi assim. Pouco tempo atrás passei por uma fase bem frustante em minha vida, achei que minha felicidade estava em Amsterdã, claro depois de uma depressão, uma morte na família e minha relação entre tapas e beijos só podia dar isso, sair do prumo. Achei casa em Amsterdã, bem melhor e maior que a minha, mas não gostei do bairro...e também das mudanças e energia que me custaria pra morar lá. Mudança de escolas, de locomoção da Dominique de escola, de assistente de PGB (persoonsbebonden budget) um budget que ganho anual para pagar uma pessoa especializada em crianças autista. Tipo uma babá de autista.
E fora que meu ex marido anunciou, que não buscaria as crianças lá todos os finais de semana, e isso também iria me sobrecarregar.

Que adianta estar morando num lugar com mais possibilidades, se teria menos tempo para investir no meu tempo livre, no tempo pra mim mesma, iria ficar lá mesmo naquele bairro feio, que horror.
Não...estou bem em Leiden, com meu micro jardim ensolarado, sentiria falta das minhas plantas, nas mudanças de estações, conheço-as todas, amo-as, minha simples casa na frente da praça, perto da farmácia, 3 supermercados, 5 minutos da estação central, 20 minutos das portas da Holanda (o aeroporto Schiphol), 35 minutos de Amsterdã...a cara feia de alguns vizinhos, a indiferença de outros, a simpatia de alguns.
Fora que nesses 12 anos aqui, amo cada vez mais os canais, as ruelas, as árvores, os pontos conhecidos com cisnes, patos, gaivotas, pombos, os pequenos eventos, os grandes eventos, faço parte e sou ativa na comunidade, passo de vez em quando na rua de bicicleta e vejo o prefeito, será que um dia ele teria uma palavrinha pra mim?

Aprecio e tenho rituais fixos, de jogar pães pros pássaros, andar pelos Hofjes (vilinhas de casas microscópicas). E conheço cada detalhe desse centro histórico dessa cidade medieval que é Leiden, cada reforma no Mc Donalds, nas pontes, locais novos badalados, cafés, etc...conheço isso aqui de cabo a rabo, hehehe.

Não reclamo mais, porque reclamar é a pá que cava a nossa cova para uma vida infeliz.
E só se é feliz, aceitando as situações, simplesmente aceitando.
Desabafo de vez em quando com algo que não estou contente, mas isso é para me livrar de doenças que se manifestam dentro da gente haja visto o descontentamento sobre algo, mas reclamar, quero evitar. Ninguém, mas ninguém é culpado das mazelas que acontece na minha vida, cada vez eu sou mais eu mesma.

Carências fazem com que nos transformemos em pessoas cegas, não criativas diante da solução e diminuem a nossa perspectiva, as ilusões aparecem e nos agarramos a elas, achando que vão resolver o problema, mas não vão.
Confesso que sou carente de alguma forma, sou carente do colo da minha mãe, que nunca mais terei. De revivenciar a compreensão do meu primeiro namorado, de ser doce e terna pra alguém como mulher, sem competições.

Tenho me deparado ultimamente com vários desafetos, erros, decepções e frustações ao meu redor como dentro de mim. Mas também com soluções. Sair de um forma elegante, sentar de uma forma elegante como diz minha professora de yoga, subir de uma forma elegante, perdoar de uma forma elegante, belas palavras, palavras ternas, doces, sinceridade, a gente esquece quase que existe, a gente deixa pra depois...um dia.

Sim sou uma otimista nata, não uma justiceira da verdade, talvez porque quando cheguei a esse mundo senti o amor ao meu redor, aliás dentro da barriga da minha mãe.

- É uma guria. (e que felicidade depois de 4 marmanjos).

Essa aceitação da parte de meus pais, veio junto com meu DNA. e as vibrações e energia positivas.
Não decepcionei minha mãe, ela só queria ter uma menina. E eu nasci...puro rumo das coisas como são.

Count your Blessings diz o ditado...e se você tiver insônia a noite, conte mesmo ao invés de carneirinhos, ovelhinhas...
Tente achar a pulseirinha do pastor Will Bowen aquela que cada vez que você reclama, fofoca, se sente azeda (o) você troca de pulso. Até dizem chegar um momento, que você vai diminuindo essas ervas daninhas da sua vida, vai se purificando desse mau desnecessário que só atravanca seu desenvolvimento pessoal, espiritual.

Eu vou atrás dessa pulseira...vai combinar bem com um cachecol meu, porque no caminho da felicidade eu já estou...e esse aqui, nesse mesmo mundo, nesse meu corpo.

6 comments:

Beth Blue said...

Eu também ando na fase Count your blessings - apesar da hérnia, ou justamente por causa dela! Quando fico triste, procuro lembrar de coisas (ou melhor ainda, pessoas) que tenho na minha vida e não do que falta. Porque cá entre nós, sempre falta alguma coisa. Tenho um filho saudável, bons amigos, boas relações com o ex-marido (coisa rara à minha volta) e um namorado que vale ouro...então pra que reclamar!!!

Ah...e eu também amo a revista Happinez, compro e leio regularmente (assim como a MIND magazine que também recomendo pra você).

beijos

Beth Blue said...

Esqueci de dizer que adorei suas fotos de outono :-)

Antonio Da Vida said...

que post bem legal de ler, passou mesmo uma tranquilidade... calmo como as folhas de outono.
Espero que tenhas gostado do chocolate! :-)
beijo!

Bebete Indarte said...

Adoro a revista MIND também, é melhor que a Psicologie que eu parei de comprar pelo ranço...antigo.
E o chocolate foi maravilhoso, que coisa chique, até a caixa, o design gráfico, vixi...
Quero ser muito rica ainda na vida...hahahaha, só pra dar presente bom pros amigos também.

Anonymous said...

aqui nao te chanel!!!! rs

Glauce said...

Depois de ler o que vc escreveu, eu juro pra mim que vou parar de reclamar de certas coisas. Seu post me deu um puxão de orelha. Às vezes eu exagero.

Belíssimas fotos.
(E vc continua com esse cabelo de dar inveja)