Monday, March 19, 2012

6 dias sem cigarro - parei

Consegui, há 6 dias que não fumo.
Uma vitória diária. No primeiro dia, lembro bem, o dia inteiro os pensamentos eram, acender um cigarro, e não acendar mais nenhum cigarro...pois bem, o tempo está passando, e eu não acendi nenhum.

Lembro que uma amiga fumante disse: você não vai ficar chata que nem ex-fumante, né?

Bom, né? O que dizer?
De qualquer maneira ainda está cedo, pra saber qual será meu comportamento, mas pelo que me conheço, eu terei que mudar o meu discurso, fumante é fumante, ex-fumante é ex-fumante, e não fumante (que nunca fumou) nunca fumou e não conhece, os dois lados, sei lá, só quero ser eu normalmente, ser eu sem cigarros, eu NOVO.

No outono da vida, no auge dos meus 51 anos, a boa idéia numa bela idade, parei de fumar.
Comecei a fumar com um conceito, aliás essa minha tendência conceitual me acompanha ao longo da minha vida, quase tudo pra mim tem um conceito, um capítulo, um tomo, como se estivesse escrevendo um livro imaginário.

A cara tava seca demais, a garganta tava seca demais, me sentindo velha demais, contra fumantes (hipócrita)  fiz uma promesa, e agora era a hora de cumpri-la. Promesa, anos atrás achei que ia parar aos 50. Os 50 chegaram e nada, mas 51 está bom. Comecei com 26 (1986), parei mais ou menos 3 anos (entre a gravidez da Dominique, depois Dimitri, dei 10 meses de peito pro Dimi), voltei quando me divorciei, então vamos fazer essa conta, não fumei durante 3 anos, então foram 22 anos de vida de fumante, levando o treco na minha boca, inalando, dando baforadas. Não posso dizer que era uma fumante inveterada, mas era viciada, e ainda por cima, uma fumante completamente desajeitada, nos últimos tempos, dava umas 4 baforadas e colocava o cigarro fora, na rua estava com paranóia que as pessoas me julgassem, aliás era como se todo mundo (passantes não fumantes, ou sem cigarros nas mãos), olhassem pra mim dizendo em pensamentos: "Ela ainda fuma, coitada, hahaha".

Me sentia um lixo humano, porque...sobrava um tantão do cigarro (dinheiro jogado fora), e ao mesmo tempo fumava com mais frequência, já que fumava menos. Entenderam?
Chega de veneno de rato! Basta!

E como nada me interessa mais nesse momento, eu vou colocar aqui tudo relacionado com essa fase que estou passando, de ex fumante, que posso avisar, está sendo bem difícil, não que agora só pense em acender o cigarro, porque agora quem quer vencer sou eu, porque o vício da nicotina é osso duro de roer, só quem já fumou e parou sabe, ou quem nem tentar tenta, por medo de falhar.

Pra começar, eu já devia ter começado a escrever, mas não deu, eu até queria fazer um outro blog, mas pra que abrir outro, fazer outra conta? Essa é minha vida, esse é meu bloguinho.

Hoje foi um dia que eu senti muita falta do cigarro, mas de jeito nenhum quero fumar novamente, estou me sentindo muito bem, e diferente, parece que comecei uma nova vida, me mudei de país, de cidade, de emprego.

O mais interessante em parar de fumar, é  como a gente se livra de um hábito horroroso, anos e anos de vício e dependência de cigarro, a gente não se reconhece mais sem cigarros e temos que nos reconhecer e conhecer novamente, nos reeducarmos, é tudo novidade, e temos que prestar atenção a todo instante, porque era sempre um café, um cigarro, uma refeição um cigarro, uma conversa bacana, um cigarro, telefone, cigarro, uma caminhada (um cigarro), ...sorte que hoje em dia ninguém mais fuma dentro de ambientes, e os fumantes estão sendo cercados por todos os lados, coitados, mas é ainda cedo pra contar vitórias, a vitória é o diária como já disse. A recaída pode ser fácil...e eu quero persistir e ser forte.


Outra, dá uma fome do 'cão', e ficar gorda, seria um castigo, não uma recompensa, tenho que tomar cuidado, sorte que eu tenho uma experiência horrorosa com comer demais (literalmente me entupir de comida), um dia que fumei uma maconha (lá pelos idos dos anos 70, tinha uns 16 anos), pois foi quando fumei maconha (e muito pouco), nunca gostei, sempre achei maconha uma chatice, nunca tive o "perfil" de maconheira, porque era contra o cigarro, e contra maconha, mas jacaré sempre morre pela boca.

E cheguei em casa, comi a geladeira inteira (tudo que tinha de restos, e olha que na nossa casa tinha comida demais na geladeira, sempre tinha sobremesas, lasanhas, pães, bolos, geléias feitas pela minha mãe, sempre chegava alguém morrendo de fome da rua e minha mãe cozinhava pra um pelotão), coloquei catchup em tudo pra acompanhar os salgados (me entupi) que vergonha contar isso agora, me senti tão mal, tão mal, mas tão mal, sentei no sofá no living (era moderno dizer living nos anos 70) completamente cheia, enjoada, stoned, parecia que ia explodir que nem a Dona Redonda da Saramandaia (veja o vídeo acima), e o homem no restaurante do filme Monty Phyton..., minha mãe querendo ajudar, quis me trazer um copo d'água com um remédio pro estômago, ela não imaginava que eu tinha me drogado, e eu não podia falar que era larica, e parecia que eu tinha um saco sem fundos...que meu estômago não existia, e nem falar direito conseguia, tive que ficar parada por horas no sofá, até a comida descer, foi uma tortura, uma experiência, inesquecível e desagradável, burra, merecia mesmo, adolescente idiota faz burrada mesmo.

Óbvio, que nem lembrei dos conselhos do vô Horácio, uruguayo, magro, elegante, inteligente, charmoso, caminhava muito, dizia que nunca comia dois pratos de comida, nunca repetia, que ali estava sua sabedoria, comer somente o necessário, o cérebro é lerdo dizia, viveu 93 longos anos. A dona Redonda não explodiu.
E agora eu vou dormir, amanhã...serão 7 dias, e estou curiosa pra ver o que vai acontecer, amanhã quero beber água quando der aquela vontade de comer qualquer coisa, mas não quero explodir, e ficar infeliz, quero curtir esses primeiros dias do resto de minha vida de ex-fumante.


1 comment:

DIRCEU CATECK said...

É uma verdadeira luta. Muita força, cada dia é fundamental. Em breve, farei a mesma coisa!