Thursday, August 5, 2010

No nível do limbo - Inception


Gosto de tanta coisa, e claro que ir ao cinema está no topo da lista, junto
com outras coisas interessantes pra mim, também no topo da lista.
Estou duas semanas de férias (sem crianças)...posso me esbaldar. Como assim?
Nas alturas do campeonato, fica quase difícil na minha idade e experiência, a imbecilidade do "melhor filme", melhor "música"...melhor "momento na vida", blablablá. Mas é um dos melhores filmes que vi, com certeza, e aconselho a quem gosta de mistério, thriller, ação, e claro SciFi contemporâneo. Vá!

Na listinha imaginária de coisas, eu adoro ser surpreendida. Mas como considero certas surpresas desagradáveis, eu vou deixar pra lá surpresas...porque não é de surpresa ruim que eu gosto, eu gosto de surpresas...e das boas e ser surpreendida por surpresas boas, ora bolas. Dá pra escolher? Não...mas eu me arrisco porisso que vez ou outra, acontece algo bem bacana, que eu curto muito, nesse caso, foi assistir esse filme como o menos pior da lista de programação da minha cidade Leiden.

Relatando, fui ao cinema no domingo passado assistir Inception, por pura falta de opção e adorei o filme. Me ficou na cabeça, e adoro quando o filme fica na minha cabeça, sinto que meu dinheiro e tempo foi bem empregado, mesmo ao assistir Leonardo diCaprio que não sou muito fã, por tanta fama de ator desse porte, ah! sei lá é o ranço da mídia que me enche o saco ou ser ex da Gisele Bundchen. Acho que até gosto do DiCaprio porisso, se pensar bem, nunca gosto muito desses atores de Holywood perfeitinhos, mas alguns sempre me surpreendem e Leonardo começou muito bem quando garoto, e agora na idade adulta, é brilhantemente honesto, será que dá pra tirar de lado uma possível contradição minha?

Toda aquela ação do filme não estava nos meus planos, SciFi, o gênero foi o que mais me chamou à atenção e a sinopse envolvendo uma trama do subconsciente (sonhos) quando li e escolhi, mas o filme foi tão bem feito, com todos os elementos desde o enredo, produção, efeitos e nem muitos digitais, e muita ação que sai de lá pensando...virá o 2 num futuro próximo. E terei que assistir esse com meu filho que adora ação, e é um atento observador de seus sonhos, ele realmente ficará de boca aberta, quando assistir. É assim que gosto de educar meus filhos, e esse é o passatempo que gosto de oferecê-los, assistir muitos e muitos filmes com eles, filmes da minha infância, e juventude e atuais também, fazê-los pensar por si próprios. Ai, que mãe exigente.

À parte das sequências possíveis que virão ou não, eu me diverti muito na cadeira, em uma audiência repleta de "jovens" estudantes universitários de Leiden. A sala do Trianon era enorme (cinema com 4 salas, antigo e subsidiado pela prefeitura de Leiden), e quem toma conta do negócio é um vereador "velho" de um partido quase que insignificante dentro da política desse município, e creio que ele está na política, só puxar brasa pro seu assado, pros seus cinemas, para que eles não virem salas cheias de sujeiras de pipoca e coca-cola entupidas de absurdos blockbusters como no caso do concorrente LIDO; semblante de mau-humorado esse senhor, amante do cinema junto com sua família, filhos e filha, principalmente filmes de "arte" digamos assim, figurinha carimbada na cidade que habito.

A filha na bilheteria, o filho pegando o ingresso, os outros trabalhando no BAR (vendendo bebidas, chips, etc...) projeção, administração, etc... e assim ele vai tocando o bar...Co...com outros tantos voluntários, que trabalham com ele, sem tela IMax, e bem acredito que teria sido uma experiência ainda melhor em IMax, mas não em 3-D, pois a produção em si, já tinha elementos demais como diria o diretor Christofer Tollen, concordo com ele, oops quem sou eu?

Bom, na lista do que gosto de fazer nas horas de lazer, ir ao cinema, é a prioridade número um. Mas que vida bandida de interior é a minha, pois Leiden não oferece a variada programação de uma cidade como Haia, Amsterdã, Roterdã, infelizmente. Mas penso, que pela condição atual, quanto mais escolhas, menos tempo e mais estresse teria. "So many men, so little time..." tipo assim...e Haia tá aqui do lado, tirando também a preguiça de lado.

Oh! Meu Deus, tanta coisa boa deixo passar, mas já acostumei a "não" assistir tanta coisa boa na telona, sorte que hoje tenho uma TV HD, e um computador com acesso na net, então possibilidades que não me faltam. Estamos conversados. Period.

De vez em quando já está bom, viajar dentro da trama, sonhar, dentro da realidade do filme e um sobre sonhos, ação, e do imaginário decor dos sonhos, imprevisível, é festa pura. Cerebral, mental, dentro da mente engenhosa que é mesmo a mente de uma pessoa no subconsciente, acredito e do diretor. Elementos de Escher, Uri Geller, paradoxos, absenção de gravidade, armas de fogo imaginárias poderosas, incríveis diálogos, foi um coquetel genial pra qualquer consciência...e ainda por cima o macabro "Limbo", o quarto nível de sonho.

Há imagens na realidade que já vi, que às vezes consigo ver no cinema, semelhantes, e uma das cenas que mais me marcaram pela sensação de desconforto e vazio foi a cena de quando, Cobb e Ariadne entram no mundo deles (Cobb e a esposa morta Mal), na cena na praia com os prédios cinzas despencando. Que cena maravilhosa, que mundo frio o Limbo, que mundo vazio, só não pareceu o inferno que estamos acostumados a ver por ai como projeção, porque era frio, casto de qualquer possibilidade de calor, mas era pior que o inferno, livrai-me do limbo, amém. Entrar nesse sonho pra salvar Fischer que havia sido morto por Mal no sonho anterior, foi pra mim um dos pontos altos do filme.

Claro, é filme...e eles sempre dão um jeitinho. Afinal tava tudo ajeitadinho pra todo mundo acordar, até a gente e pra alguns lerdos só quando as luzes se acendem, a palavra FIM, e os créditos não são suficientes.

Quando o filme acabou, um carinho gordinho e cabeludo do meu lado pode mostrar o descontentamento do fechamento cheio de ? ? ? na cabeça dele dizendo um tipo "PORRA" em holandês, o marmanjão queria mais, eu tive a interpretação imediata como um happy end pras grandes platéias e futuras platéias. Tantas possibilidades ficaram no ar, com aquele final, que nem convém aqui citar, principalmente porque é assim que o interpreto, a interação que podemos ter dentro de nossas mentes, conforme o nosso nível de consciência, imaginação e experiência na arte de ver filmes. Sem comparações com outras possíveis explicações da mente de pessoas com uma interpretação niveladas e ou limitadas de suas próprias projeções, afinal é cinema de verdade. Mas não resisti à comparação com a série LOST por milésimos de segundos...next.

Em sonhos, sempre tudo é absurdamente possível. meios e fins...em filmes, início, meio e possíveis sequências.

Palmas pra Inception, daria **** merecidas, só não daria mais uma porque não sou muito fã nem do DiCaprio e nem de filme de ação. Ou será que estou mudando de opinião?








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