Saturday, February 26, 2011

Anne Frank


Pela quinta vez fui na Casa de Anne Frank, parece exagero, mas não é...dessa vez minha visita foi pra lá de  especial, porque este é o novo interesse de minha filha Dominique, e estou pela primeira vez contente com o extra interesse pelo diário de Anne e tudo o mais ao redor que ela está tendo, pois também li quando adolescente o diário em português, reli anos mais tarde, e faço questão de levar amigos, judeus ou não à histórica casa museu.  Mal sabia eu que anos depois estaria vivendo no mesmo país onde ela viveu e agora que aqui vivo, me sinto mais do que nunca fazendo parte da triste história de Anne Frank, mas orgulhosa de seu legado à humanidade, gerações, após gerações.

Na verdade, esse interesse de Dominique vai além do interesse que tive quando jovenzinha, beira à obsessão...se persistir por um ano ou mais (começou meados do ano passado), será oficialmente atribuído como obsessão, mas desta vez considero uma obsessão positiva.

Os autistas possuem obsessões, e Anne Frank e tudo em torno da vida dela, é o que povoa a ficção e realidade dos dias de Dominique, tudo no momento é sobre Anne Frank, o visual de Anne, o sorriso, o cabelo, todas suas fotos e de sua linda irmã Margot, o diário em si, campos de concentração, pensamentos de adolescentes que tinha, conhece todas as datas históricas, nomes das pessoas da casa e como passavam o tempo, quando ela nasceu, onde nasceu, quando morreu, que livros e revistas que lia, tudo que está no diário, a Dominique sabe, e não se cansa de repetir: Anne is mooi, hè? Margot is ook mooi, hè? (A Anne é bonita, né? A Margot, também é bonita, né?)

Vê filmes no Youtube, os revê, tem DVD's...tem o diário em si, um outro livro ilustrativo, um poster  com portraits em pretoXbranco de quando ela tinha 11 anos, e mais outras coisas que não me recordo.


Recentemente ganhou um diário 'de verdade' feito a mão da professora e começou a escrever no mesmo...ela já teve alguns (até com chave), mas nunca sabia o que fazer com eles, e não estava ainda preparada na disciplina de escrever num diário. No momento estou encorajando-a à esse caminho, escrever tudo o que se passa na cabeça dela, e também as experiências de seu dia na escola, na manége, e com o pouco convívio social que tem, o irmão, os coleguinhas na van da escola, na escola, os poucos que se comunicam com ela, os professores, o pai, os avós, eu, a 'moça' das terças-feiras (Ellen)..., os amigos do irmão, porque Dominique tem pouquíssimas amigas.

Sinceramente essa é a mais proveitosa e mais educativa obsessão até agora, antigamente eram os Teletubbies (Lala = vestida de amarelo) quando bebê, passou pra Calimero (pintinho da tv italiano preto com casca de ovo de chapéu), depois as princesas da Disney, depois as barulhentas Totally Spies (série de televisão), depois as fadas italianas com super poderes de Winx Club, tv também, depois het Huis Anubis (série da Tv Holandesa, livros e filmes), Amnika (cavalo branco em uma manége, outra série de Tv)...e agora Anne Frank...finalmente um livro, e ainda por cima escrito por uma menina que eu sempre admirei, e marcou muito minha juventude, além do detalhe que Anne era geminiana (12 de junho) e queria ser jornalista e escritora, assim como eu aos 12 anos, queria ser jornalista e escritora de contos.

Férias na Holanda, crocusvakantie (férias dos brotos), uma semana inteirinha sem escola, e meu filho foi pra Heerlen, fronteira da Holanda com Alemanha com o pai e sua família num hotel com jacuzzi, piscina, sauna, e voltou a tempo de nos acompanhar ao passeio em Amsterdã e finalmente pode Dominique estar no mesmo lugar onde ela viveu escondida por mais de dois anos, era uma promessa que fiz, vou te levar no museu.


Dia cinza,, lá fomos nós  3 de trem, e como as crianças quase não pegam  trem, foi um passeio bem divertido, felizmente não choveu, mas o dia estava  deveras cinzento (típico holandês) de muita neblina, com os vidros sujos das janelas do trem, foi impossível apreciar a paisagem lá fora, e mesmo se estivessem limpos...tanto faz porque estar dentro de um trem, possui sua magia, principalmente  quando não é rotina..., e o trem vem de Roterdã, passa por Haia, pára em Leiden, depois no Aeroporto de Schiphol e tem a estação final em Amsterdã. A viagem dura cerca de 35 minutos e quando se está acompanhado, é sempre bem rápido, normalmente as pessoas lêem no trem, e é tudo muito silencioso, cortando o silêncio apenas com o maquinista anunciando o nome da parada em holandês e em inglês, ao mesmo tempo que o visor digital anuncia o destino, nesse caso "Amsterdam CS" Centraal Station (estação central).


O "Museu Anne Frank" é o museu mais visitado de Amsterdã  e estava lotado, a fila é sempre longa, mas hoje em dia se tem a possibilidade de comprar o ticket online, mas como não tenho impressora, de nada adiantou, mas pra falar a verdade, eu gosto de ficar na fila, e ver aqueles estrangeiros todos, observar seus rostos, diante da experiência e expectativa de ir visitar o Museu pela primeira vez, e como a fila anda, não há necessidade de pressa..,Vimos calmamente todos os vídeos e visitamos todas as salas,  sem correria e afobação, contudo essa foi a vez que vi o museu mais lotado, dando um certo ar de claustrofobia bem desagradável e realista à visita.

Cada vez eu descubro novidades e detalhes, desta vez podemos no final participar virtualmente remetendo um email ou fazer um vídeo pra colocar uma folha na Castanheira de Anne, capítulo a parte...a árvore é virtual, e era a árvore que Anne via pela janela quando ia no sótão, onde as janelas não eram fechadas por negras cortinas, durante o dia no cativeiro. Essa mesma árvore, criou polêmica tempos atrás, porque diziam que estava doente, e a prefeitura queria podá-la, moradores não queriam...e entre incansáveis discussões, foruns, leis contras e à favor, corta não corta...tá doente, o que fazer? Decidiram felizmente que a castanheira deveria permanecer, só que uma forte tempestade (storm) fez com que a mesma NUM BELO DIA por causa da ventania, tombasse e assim..depois de 160 anos de vida, veja o vídeo:

Aqui fragmento em português e inglês do diário sobre esse momento dela com a castanheira, não tenho como conter as lágrimas quando leio.

“Quase todas as manhãs eu subo ao sótão para soprar o ar pesado dos meus pulmões e, do meu local favorito, eu olho o céu azul e a castanheira, em cujos galhos pequenas gotas de chuva brilham, parecendo prata, e olho também as gaivotas e outros pássaros que deslizam ao vento. Enquanto isso existir, eu penso, e eu estiver viva para apreciar este brilho do sol, este céu sem nuvens, enquanto isso existir, eu não posso ser infeliz.”  (Nearly every morning I go to the attic to blow the stuffy air out of my lungs, from my favorite spot on the floor I look up at the blue sky and the bare chestnut tree, on whose branches little raindrops shine, appearing like silver, and at the seagulls and other birds as they glide on the wind. As long as this exists, I thought, and I may live to see it, this sunshine, the cloudless skies, while this lasts I cannot be unhappy.) – Diário de Anne Frank (Anne Frank Diary).




Atualmente a 'Casa de Anne Frank' abriga não somente o fato histórico como esconderijo dessas famílias na época do holocausto, mas também como fundação virou símbolo contra a discriminação, a opressão, e preconceitos de todas as formas.


Aqui neste link qualquer um pode participar simbolicamente à favor da vida, da liberdade de expressão, da compreensão e convívio em paz entre seus semelhantes, deixando uma folha na castanheira interativa de Anne.


O que mais acrescentar? Nada, apenas que eu sempre fico comovida...pela morte prematura da Anne. Mas ao mesmo tempo, sua morte jamais foi e terá sido em vão, sua vida pode ter sido curta, mas é e sempre será imortal , através de sua grande obra, seu diário, desse grande tesouro  deixado à todos nós e às futuras gerações.
















2 comments:

Beth Blue said...

Ótimo post, a Dominique está uma mocinha hein? Que graça!

Eu conheço bem essas obsessões, aqui em casa é igual né? Atualmente é kungfu (ótimo) e Playstation 2 (menos bom, leia meu último post).

Adorei ver que você voltou a escrever no blog, vou voltar sempre! Até porque, não tenho Facebook e não quero te perder totalmente de vista...embora eu mesma suma, rsrsrsr.

beijos e continue escrevendo (que faz um bem danado)

Bebete Indarte said...

Obrigada pelo encorajamento querida Beth.