Sunday, February 20, 2011


Anos atrás tive uma visita de uma jornalista da revista Marie Claire clique aqui do Brasil em São Paulo. Ela veio ao meu apartamento pra fazer uma entrevista comigo, o ensaio de fotos fora feito  numa outra ocasião no belíssimo local da Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, o vestido de gala era da Escola de Divinos, e na parte dos seios tinha duas luvas longas preenchidas como se tivessem agarrando e segurando os meus seios, hilário...sempre era difícil escolher a roupa pra sair em revistas, porque normalmente eles queriam a Bebete performática, e se a gente já se confunde com o 'com que roupa eu vou'...imagina pra fotos, que te eternizam (nos arquivos), digamos assim.

A mulher chegou na minha casa e eu já soubera por antemão que ela tinha um fraco por bebidas alcóolicas, e que era pra me cuidar (como assim?...), resolvi fazer uma 'brincadeirinha'.. Como todas as entrevistas que dei, com exceção à meus amigos jornalistas, sempre me armava psicologicamente pois sentia que 'racinha' (sempre com uma certa alta auto-confiança) parecia querer me tombar, não entendiam de 'clubber, cena club, e porque chamávamos tanta atenção). Mas como sempre fui eu mesma, criava muitas vezes um laço com a pessoa, pois sabia que não tinha nada a perder, era paciente, além de não esconder, passava uma imagem do MUNDO DA NOITE, e assim a entrevista fluia mais, e muitas vezes passava quem era a Bebete como pessoa, e não só como personagem da noite, e assim o respeito e admiração mútua se firmara, com a exceção de uma única entrevista de uma 'certa revista' que eu não vou citar, que me causou muita dor de cabeça.

Pergunta vem, pergunta vai...ela acabou observando meu pé, e como uma vidente disse: no futuro você terá problemas nos pés, tem que começar a cuidar agora, parar de usar sapatos apertados e altos. Eu disse: é impossível eu não usar ...Tacones Lejanos (Almodóvar - 1991), imagina, parar assim, e usar sandália de Fulô.
Após incialmente ela dizer um "não" à bebida (nem precisei insistir muito),  sorveu até a última gota das minhas duas únicas garrafas de whisky (do bom, né?) e passou a tarde inteira e parte da  noite comigo, completamente bêbada, servi o restante que tinha de cognac, licores, e sei lá mais o que, e meu bar ficou zerado, não era lá muito de beber, já tinha os bares no meu clube, então aquele bar era mais pra inglês ver (não irlandês como a repórter).


Enfim, quando a última gota se foi.. (cogitei até sair pra comprar vinho).e já estava bem escuro, consegui finalmente que a criatura se dirigisse à porta de saída, depois de muitos olhares (quando ela vai tomar simancol??) do meu partner na época o Walter Hormann. Meses depois a revista saiu nas bancas, e gostei do resultado, tanto da foto quanto da entrevista 'família' pra revista.

Passaram-se os anos, e percebi que a broaca tinha razão. Ano passado tive uma cirurgia na planta do pé, algo havia se instalado no meu pé, me causando dores, só podia sair de casar com duas faixas de "band aid" por cima da outra pra amortecer o impacto contra o chão.
Problema resolvido, anestesia local, hospital, médico e enfermeiros simpáticos, fiquei uns dias de molho (em plena fase de mudança e reforma de casa nova) me sentindo a própria Frida Khalo, tomada por dores e com a impotência de depender dos outros, o que mais repudio.

Como algo assim, superficialmente pequeno pode causar tanta dor, mas a Reflexologia podálica explica. Minha professora de hatha yoga é formada em reflexologia (podular) pra complementar a especialização como instrutora de yoga.
O pé é um caso sério, e cada probleminha que temos nele, afeta nossos chacras (regiões do corpo, como órgãos, ossos, músculos, e sei lá mais o que...anatomia não é o meu forte.

Sapatos lindos de salto, high heels, sky high heels, acho muito lindo de olhar hoje em dia, e usar em casa, pra fazer fotos, etc e tal, ir ali de bicicleta e voltar em poucos instantes...mas como não tenho nem carro, nem motorista, numa ocasião especial era obrigada, mas sempre levava na bolsa uma versão mais baixa e confortável, e altamente estilosa, pois qual a mulher que não é doida por sapatos? Mesmo que seja pra olhar pra coleção de vez em quando, e suspirar. Parece que sapato nunca é demais, essa obsessão é ilimitada, mas pra mim tem seus dias contados, em nome dos meus santos pés.

Agora chegou o momento certo, de não comprar mais saltos, estou novamente com outro problema na sola do pé, ao lado do 'alien' anterior...e já recebi uma receita de meu médico para uma visita a um podólogo. Vamos ver o que esse professional vai me falar e como ele resolverá esse problema, com mais uma faquinha, é óbvio.

A tal jornalista, por ser uma pessoa mais velha e, portanto, mais experiente não era profeta coisa nenhuma, ela só tinha noções de reflexologia, nada mais, e tirando as conclusões de que eu como 'dama da noite' sempre usava saltos, dos mais absurdos tipos, cores, formas, havia sacrificado a juventude do meu pé, que sustenta toda a estrutura do meu corpo, e talvez esse, por tantas danças aqui e acolá, movimentos bruscos, se tornara extremamente vulnerável, porque sempre tive a energia de uma garota de 20 anos, mas nosso corpo sofre com os anos, nada a fazer, senão respeitá-lo e ter todo cuidado essencial para a saúde do mesmo, quem sabe assim um dia não percorro o Caminho de Santiago de Compostela (que está na minha bucket list) como peregrina e não de maca.




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