Friday, February 18, 2011

finalmente, à Parri

Voilá...
A França me encanta, e Paris é a cidade pra cosmopolitas como eu, que adoram o velho mundo...pra quem ama e já conhece, dispensa apresentações, mas cada um tem a sua Paris.
Todos nós que amamos a França e Paris, nos sentimos um pouco franceses, e mesmo aqueles que tem sonhos de cruzar os mares, e se deixar encantar por esse país tão rico e diversificado...e nunca o fizeram, um sonho...é sempre um sonho, e pode se tornar real...é só fazer um esforcinho.

A surpresa foi que eu ganhei uma viagem dos meus sonhos de meu namorado, em comemoração a um ano de namoro e ao "Valentine's day" (dia dos namorados por aqui).

J. sabia do meu desejo de ter uns dias 'românticos' à Parri (pra ele era comer sardinha no pão baguette num parque), pra mim era estar lá, simplesmente, com a pessoa certa, nem que fosse uma vez na vida... poucos homens gostam, de realizar as fantasias das mulheres, porque nessa minha vida de muitos namorados, nenhum teve a sensibilidade de realizar esse sonho, me levar pra dias 'românticos em Paris', romantismo à la 'les amants du pont Neuf' (filme com a Juliette Binoche de 1991)...digamos assim, o romantismo na cabeça da gente, caminhadas de mãos dadas, sem pressa, sem planos, aproveitar o momento presente, sem 'vida social, sem obrigações.
E lá fomos nós,...com pouco tempo, pois é incrivelmente difícil e complicado deixar as crianças mesmo por alguns dias, mas não importa...o importante era respirar o ar parisiense, sorver a cultura maravilhosa da França de Napoleão, Voltaire, Baudelaire, Nouvelle Vague, Brigit Bardot, Catherine Deneuve, Isabelle Hupert, Juliet Binoche, Audrey Tatou, Gabrielle Coco Chanel, Christian Dior, Lanvin, Hermés, Balmain, YSL, Cartier, Montblanc, Edit Piaf, Charles Aznavour, Sartre e Simone de Beauvoir, Antoine Saint Exupéry, Balzac, família Eiffel, Matisse, Degas, Renoir, Vincent van Gogh (que morou em Paris numa pensão), os museus...os cafés e terraços, os crepes, souflés, queijos, croissants au chocolat, vinhos, champagne, os jardins et les places, o rio Sena e seus batteux, fruit de mer a atmosfera que envolve a cidade do país da Igualdade Liberdade e Fraternidade, do iluminismo, das cabeças decepadas pela Maria Antonieta e seus espíritos de Alan Kardec rolando no ar, dos queijos nossos de cada dia, do idioma mais incrível do mundo de se ouvir na minha opinião, o idioma francês.

Tenho alguns amigos que vivem por lá, mas não falei pra ninguém pois o clima era como diz meu querido Pliniô, de "pombinhos". Apenas pra ele eu avisei: "se tiveres um tempinho" vamos tomar qualquer coisa e bater um papinho, mas infelizmente num misto de alegria, contentamento (por eu estar chegando) e tristeza, palavras do mesmo, ele estaria de partida pra Berlim no dia que estaríamos chegando, sniff sniff...c'est la vie.

Num dos dias, de volta ao hotel à noite, descemos pro bar pra beber alguma coisa, e fui fumar lá fora...quando retorno novamente passo na recepção: percebo um mural de recados: Madame Bordá (colis)....blábláblá.

Bom né, perguntei pro recepcionista...já sabendo que a única madame Bordá, era eu...mas nunca se sabe, já que esse nome vem do lado francês da família do meu avô paterno, vai saber, têm vários Bordas pela área e ainda no hotel Ibis Porte D'Italie que é grande.Mas era pra mim...um pacote cheio de presentes maravilhoso, recadinhos, chazinhos, sais de banho, doce de leite, livro, cartão de visita com clips personificado, pano de prato com bordas de crochê feitos pela vizinha da avó que ainda é viva, e caixinhas de 'after morning' candies de menta, hehehe...de Pliniô, mon ami que sempre cuidadosamente havia me remetido pelo correio pra casa nova na Holanda, mas por um erro de um algarismo, ao invés de 103 (número de minha casa nova), ele colocou 102...e o pacote havia retornado infelizmente à seu endereço na França.


Atenciosamente, Plínio antes de partir havia encarregado alguém de ir até ao hotel, e entregar o pacote 'surreal'...ou ele mesmo deu um jeitinho de me fazer essa surpresa, porque temos uma 'estória' que daria um bom enredo de curta metragem, daria sim.

Eu nem ousei ir até o apartamento do hotel pra abrir, as pessoas ao redor estavam curiosas. Acho que pensaram...essa mulher vem passar 3 dias e ganha presente.

Incrível...quer coisa melhor do que receber um PACOTÃO, cheio de coisinhas ma-ra-vi-lho-sas? e ainda por cima em Paris? já não bastava o romantismo todo da viagem a dois? De ir ao Montmartre (que pra mim foi a primeira vez) ser paquerada por dois bofes "bonsoir madam", blablabla assim em plena luz do dia.. e ir na Sacre Coeur, bem na hora da missa de domingo...onde pude acender 4 velas, uma pro meu pai, outra pra minha mãe que era fervorozamente católica apostólica romana, e outra pros meus dois falecidos irmãos 'Beto e Getúlio', e ver as freiras naqueles hábitos incríveis à moda antiga, longos em preto e branco? Ver um ônibus de turismo com o nome da minha filha 'Dominique nique nique'...

Bom, as surpresas ainda continuaram e 'antiga' Bebete Indarte, como não aguenta... 'decadence avec elegance'...foi dar pelos lados da Maison Chanel na "Avenue Montaigne'...fora que estão construíndo uma loja GIGANTESCA no outro lado da rua, e assim serão duas Chanels na mesma avenida...como dizia o Mauro Borges, Chanel é soberana, Chanel vai inspirar, Chanel é soberana...Chanel vai governá(r)...áááá...

As vitrines cada uma mais linda do que a outra, criativas e maravilhosas, com as novas coleções de primavera 2011...dar uma olhadinha na Paris limpíssima é ainda melhor, a limpeza e coleta do lixo é feita todos os dias, ou seja, 7 dias por semana, e os desempregados a longo tempo, são 'obrigados' a deixar toda a "Rive Gauche + Rive Droite" nos trincos...(hmm acho que outras capitais européias deviam seguir o exemplo).

Eis que de repente, não mais que de repente, continuamente, 'batendo' uma foto de J., vejo passar por mim um rapaz vestido elegantemente com um terno moderno, corte impecável, uma echarpe encantadora discreta, enrolada no pescoço meio dandy, um óculos com uma armação carregada (exatamente parecido com armação do Tom Ford e Marc Jacobs que vi e quero pra mim, dando um caráter refinado, moderno e pessoal, típico de 'míopes' e ceguinhos como eu. Já que temos que usar 'óculos' que armação não nos use.


Ele parou, olhou pra mim...reconheci imediatamente aquele 'rosto' familiar.

ele me olhou nos olhos e disse:

- Bebete ( Indarte) sobrenome incluído? você aqui?...

Era Ricardo Costa, o 'fazedor' de chapéus, acessórios...da 'tchurma' de São Paulo, dos meus anos de Glória Massivesca, AZE 70 (Amostra Grátis) depois Latino, Latino Itinerante blablablá...no quarteirão Alameda Itu/ rua da Consolação, 'amigo' de Facebook daqueles ainda não viciados.



Criatura.. eu disse, não acredito...só podia ser nessa 'neighbourhood'...encontrar um brasileiro, e ainda por cima conhecido e tres chic. Imediatamente já saímos tricotando quando eu ouço uma das pérolas mais lindas, a que mais amo e sei que nunca foi nem será em vão.

Nossa, você ainda lembra de mim? indaguei.. puxa vida...(assim 'parando tudo no trottoir'...).

- Claro que lembro, como não vou lembrar de uma pessoa que fez a mim e a muitos felizes.





Pois é, com uma declaração dessas, não tem como não me sentir de 'volta pro lar', numa esquina (não) qualquer de Paris...fiz as apresentações de R.C. ao J), e saímos na mesma direção à Champs Élysées, batendo um papinho naquela tarde agradável da viagem, tricotamos sobre várias coisas mundanas e sérias, como 'só brasileiro' (dá licença), sabe fazer, sobre moda, morar na Europa, trabalho, criação um pouco de gossip e impressões, sobre o Mubarak acho eu, kkk







Ricardo fez um 'chapeau' pra mim na época da minha loja Amostra Grátis (no bar AZE 70), que eu vou te contar, ele devia ter seus 20 anos na época, e já era centrado, criativo, ousado...(cópia de uma foto polaroid anexa), com esse mesmo chapéu Mário Mendes fez uma entrevista com moi na revista Elle, página inteira de foto, entrevista...o chapéu andou e rodopiou.
Nos despedimos depois do tricot, crochet...e do borda-do todo.


A viagem se seguiu como eu queria, bem no clima de Valse d'Amelie, La Bohéme, La vie rose...companhia de J. agradabilíssima, encontros e desencontros, cansaço (porque a idade pega)...música, arte, história, l'amour...e assim foi um excelente presente de "Valentine's", e me pergunto será que agora não crio vergonha na cara e aprendo o idioma de vez, e sigo o meu sonho de aprender a tocar um instrumento de lambuja?




Nunca é tarde pra nada, disso eu sei...a hora a gente que faz, não é mesmo?

Mas 'tudo' sempre acontece na hora certa, no momento certo, disso eu tenho certeza.










1 comment:

Beth Blue said...

Que delícia de viagem! Isso é que é comemorar o Dia dos Namorados, hein?

Eu e Freek estamos juntos há quase 4 anos e nunca fomos a lugar nenhum, com exceção de Maastricht, rsrsrsrs. Mas eu nem vou reclamar porque ele paga TUDO pra mim, né? Restaurante, bar, museu, cinema, etc. Além de viver dando presentes pra mim e pro Liam!

Mas que Paris é um charme, isso ela é!