Monday, June 23, 2008

"Essencial care" em Edimburgo






Às vezes dou sorte em não ter mais mãe, apesar de que sempre escondi de minha mãe minha VIDA AGITADA, escondi dela quando usei drogas, quando tomei porres, quando estava insegura sobre meu futuro nos estudos, quando tive problemas com amores não correspondidos, e incertezas em geral de adolescente.
Como mãe, a minha mãe nunca me viu...e hoje gostaria que ela estivesse por perto, pra me dar aqueles conselhos de mãe, que quase ninguém gosta, mas no fundo, eles não falham.

Ela tentou me colocar no "bom" caminho, com toda aquela dedicação aos pobres, a igreja, e as enciclopédias que comprou pra nós, e explicar que nem Jesus literalmente disse, se te baterem na face direita, dê a esquerda, não rode a baiana que não vai dar em nada, Gandhi copiou, no violence.
Mas e a violência das palavras, as críticas, as palavras amargas, e a falta de compaixão das pessoas hoje em dia?

Digo isso, que porque fui visitar o Alexandre e o Alex em Edimburgo (só faltava eu), de todos os amigos brasileiros residentes tanto no exterior como no Brasil e o que era pra ser um encontro de paz, foi selado por um desconforto, que de nada teve a ver com meus anfitriões, e o belíssimo lugar em que moram, mas com a minha insistência mal sucedida de tentar "salvar minha relação", ou de querer fazer os outros verem, o que eles nem sabem que existe, uma coisa que é usada em qualquer lugar do mundo e por todas as classes sociais, e que se chama educação.

Lá fui eu com meu terceiro presente, três anos atrás Barcelona, ano passado Hasselt (Bélgica), e neste ano Edimburgo pra comemorar meu aniversário, que foi em três etapas, na casa da Kátia, uma amiga brasileira/nipônica, um luxo de pessoa, sorte minha, no dia do mesmo numa segunda, e em Edimburgo. Todas as comemorações foram regadas a champagne...não que eu seja pela banalização do champagne, mas datas comemorativas não podem faltar, e ninguém há de negar, que é pra isso que estamos vivos, viver bem, comer bem, e beber bem, e celebrar que estamos vivendo, ouvindo Robert Schumann ou Amy Winehouse, tanto faz.

Ínventei impulsivamente de levar o meu enrolado holandês, que muitos conhecem, já que ele não me leva pra Paris. Temos um histórico de química de amor e ódio, segundo ele é uma relação simbiótica, e quando eu penso que AGORA vamos partir cada um para um lado - eu recuperada, lá vem ele/eu de novo, afundando na areia movediça de nossa história.

Na última separação não oficial pouco tempo atrás, ficamos um mês sem nos falarmos e eu me senti muito bem, sai sozinha, com amigos, com as crianças, cantei, dancei, pulei, cortei o cabelo, fiz shopping, ganhei presentes, fiz yoga...tudo lindo, e não derramei uma lágrima, até tentei, e disse:

- Pronto, estou pronta, e "estar pronto é tudo"(Shakespeare), ciao loser, está perdoado.

Mas eis que ele pede para marcarmos um encontro para conversarmos (ficou mudo)...

Mas quê, acabamos voltamos assim, sem falar muito...e tive uma idéia de presenteá-lo antecipadamente pelo aniversário, bookando pra ele a viagem, num dia depois do meu, pensei, vai-lhe fazer bem, encontrar pessoas diferentes, uma cidade diferente, respirar ar puro de civilização, selar nossa volta em grande estilo, sonho meu.

Foi ótimo rever meus amigos, que possuem uma relação de 14 anos bem harmoniosa (como eles conseguem???). E fiquei hospedada na casa da escola, já que Alex dá aula de religião lá, ele é padre mas não celibatário e teólogo claro.
A escola fica num pra mim castelo, mas eles disseram que tem outro nome, que nem a gente vê nos filmes, rodeado com muito verde, árvores, muros e entrada principal.

Os escoceses e estrangeiros que estudam lá, usam aqueles uniformes azul-marinho na faixa de 12 até 18 anos provenientes de vários países, camisa branca, e os pais pagam a bagatela de 24.000 libras por ano, e eu sonhando em ganhar na loteria pra colocar meu filho por lá, uma escola que me parece exemplar, sonho da working class, mas é para poucos e infelizmente, não é para nós, mas um aninho bem que ele podia ficar lá interno.

Kilt, kilt kilt...na Escócia você vê durante o dia normalmente, e o que eu achei mais lindo foram as colinas, os parques, os monumentos, a arquitetura georgeana, e tudo isso mostrado pelo meu amigo filósofo e tradutor Alexandre que recentemente traduziu o livro de Leonardo Boff , ao som dos bagpipes que parece uma sirene que diz, acorda Alice, Acorda Alice, ele me dedicou um exemplar "cuidado essencial sempre para alcançar a felicidade"...então, onde está o meu erro? Ser eu mesma?

Perdi a partida da Holanda x (sabe que esqueci?)...mas não me fez falta, já que a Holanda agora foi desclassificada na Copa Européia e eu tinha mais o que fazer...

Cheguei num vôo quase tranqüilo da Easyjet, com a comissária falando:

- Hello, dear.

(Já gostei das boas vindas)...mas do vôo em si, seria bem melhor se um bebê parasse de chorar; chorou o vôo inteiro e só parou quando lá chegamos, e dormiu zzzz. Sou mãe e entendo, mas não gosto. Assim como fumo e não suporto fumaça de cigarro na minha cara.
Sorte que o vôo foi curto.

No sábado chegou meu digníssimo, todo animado...e quem não estaria ganhando esse presente não é mesmo?
Me trouxe do Freeshop um perfume da Chanel - O Chance verde, que é mais verão...e que eu nem precisava, pois estou usando mais o Coco Mademoiselle, mas o que vale é a intenção.
Passeamos pelas ruas no sábado, no centro e fomos tomar um café numa estufa do Palácio da Rainha, e eu me contive pra não comprar nenhuma bugigança, mas as porcelanas dos 60 anos de casado, estava em promoção, especialmente feita pra o evento, mas imagina carregar aquilo, mesmo que daqui há 40 anos, vá à leilão por um preço bom.

Ter que me acostumar com moedas estrangeiras é fogo, depois da Europa Unificada, a gente nem sente mais que vai para outro país, e o precinho absurdo do Marlboro me fez cair de costa, 5,77 libras um maço, sendo que a libra é mais alta que o euro, não muito atualmente mas é. As taxas dos cigarros e álcool lá, são altíssimas, isso quer dizer que é melhor comprar whisky escocês no continente, e não não Escócia, apesar de lá ter mais variedade. Mas eu sempre levo meu próprio cigarro, e não gosto da idéia de estocar cigarro de freeshop, sou uma fumante esquisita.
E comprei aqueles maços que também tem em Londres de 10 cigarros, porque a caxinha é uma graça, e também faço coleção de bobagens...e digo, de caixa de Marlboro do Brasil, com aquelas fotos horripilentas.

Essa viagem foi pra colocar as fofocas em dia, já que meu amigo foi ao Japão dois anos atrás por 40 dias e também foi pra Indía, sendo que nesse país eles fizeram uma caridade numa clínica (cabana) de leprosos, vi atentamente as fotos, o vídeo da reforma da casa na França, é tão bom entrar na rotina dos outros, ouvir das viagens, saber que tem gente que consegue ter adega de vinho, estar juntos.
No Japão aquela limpeza imaculada e educação, e na India a pobreza e as belezas naturais contrastando...ai que mundo louco. E a casa na França estará pronta ano que vem, eu acho que sou um misto que nem esses países, sou uma insalata mista, sem pedigree, gosto de tudo e sempre entendi o Kid Abelha, "sei de quase tudo um pouco, e quase tudo mal" seria porque a Paula Toller é geminiana que nem eu?.

Meu amigo também traduziu vários livros, e me deu dois de presente, um sobre moda - sim eu gostava mais do que gosto, e outro traduzido por ele ....que pode-se achar aqui na Amazon título "Essential Care"(an ethics of human nature) Leonardo Boff, translater Alexandre Guilherme.
No domingo, Alex teve que trabalhar e pegamos o double dekker bus e fomos até o centro, caminhar e passear e demos uma parada no National Galleries of Scotland...para ver o Vanity Fair Portraits (1913-2008), e tinha tantas outras pra ver, mas gente pop escolhe sempre foto, e realmente valeu a pena, se bem que tinha mais outra sobre fotos.

Antes demos uma passadinha na Harvey Nichols, uma das lojas de departamentos de verdade de Londres, e eu adoro loja de departamentos de cidade grande, porque lá sempre se encontra de tudo, papel, comida, pano, trecaiada...e olhar nunca faz mal. Tirei umas fotinhos de turista com um cute kilt boy, aliás catei o menino em movimento: Where are you going to?
Mas o probRema é que o meu digníssimo ficou comparando tudo com a Holanda, e eu comecei a ficar azeda, porque afinal tinha saído da Holanda, e queria esquecer que esse país existia, apesar do meu amigo também ser um admirador da língua holandesa, pois ele teve aulas particulares com dona Rachel - uma senhora judia de mim, judia no Brasil, e ela morava bem pertinho da minha casa na Consolação, e cada vez que ele tinha aula, e passava lá em casa também.

Mas foi isso, mas ele tem uma certa carência de atenção, e como muitos holandeses, só fala one to one...não consegue participar em grupo, e se não tivesse me chamado de mentirosa na frente do meu amigo, enquanto contava sofre um fato ocorrido que não tinha lá muita importância, teria dado um desconto, mas não...
E ainda por cima alterar o tom de voz, lavando roupa suja na casa dos outros, foi de correor meus ossos, derreter o meu cérebro, coagular meu sangue.


Difícil de explicar em blog como essas coisas acontecem, mas me ENCOLHI depois dele ter me chamado de mentirosa (em inglês)...minha viagem poderia ter sido bem melhor, em meio aquele verde, aquele terreno idílico, a amigos inteligentes, excelentes anfitriões, e que eu já estava com saudades, pois vivia prometendo uma visita, e eu consegui estragar uma parte, mas como sou daquelas pessoas que tiro água de pedra, deve ter tido um porquê, e nada dizia a respeito da minha pessoa.

Até a presente data, estou assim tonta como eu mesmo digo, depois li o resultado do Quizz no Facebook, que é uma bobagem pra passar o tempo.

E deu isso:

You attract unstable people!
Congrats, you are an 'insane' magnet, and you probably have no idea why. Something about your mix of styles, how you walk not just 'one' lifestyle, but appear to have a foot in them all. To the insane, you appear to be a beacon of hope and they will flock to you, like it or not. But, they ARE insane. Lucky for you, the insane tend to be the best sexual lovers, just the rest of the package deal may not be for you.


A vida é mais plausível nos livros ou em quizz.
Preciso de mamãe.





1 comment:

Antonio Da Vida said...

... não sou mamãe nem papai, não dou presente nem ligo pra saber com tem passado, não apareço pra fazer visita supresa nem com hora marcada, não pergunto nada de indiscreto nem falo nada que eu não esteja a fim de falar... mas quando você estiver precisando de um ouvido pra "alugar", pode contar com o meu, estou a disposição e a apenas 12 dígitos de distância pelo telefone.
Beijo!