Tuesday, May 8, 2007

Amor não se recicla


Ontem tive uma recaída das brabas.

Aliás há coisas em nossa vida que fogem de nosso controle.

O amor é uma delas. Ou você ama ou não ama. Um relacionamento pode acabar, pode ser "péssimo", como se todos um relacionamento pudesse ser de TODO péssimo. Não acredito nisso.
Há sempre dois lados da estória, e sempre há algo de bom dentro de uma relação, mesmo que seja o mínimo, é que a gente esquece.

Antes eu acreditava, mas como já tive quatro relacionamentos LONGOS (6 - 6,5- 7- 3 anos respectivamente) sei do que estou falando, porque todos eles foram importantes e diferentes.
E coincidentemente os que duraram mais, foram as pessoas que "eu menos amei", ou tive menos conexão de espírito. O amor é amor não existe quantidade e nem mesmo densidade, mas mesmo um relacionamento "sem esse amor" vale a pena.

Amar é assim que nem diz minha sobrinha Cláudia, a pessoa pode ter 100 defeitos, e uma qualidade...e você a ama do mesmo jeito.

E praticamente foi isso que aconteceu comigo.

Depois que nos separamos a queima roupa, briga, desaforos, agressão...nunca tivemos a oportunidade de conversar, sem colocar a culpa no outro, assim simplesmente conversar.
E cá entre nós, eu sou uma pessoa que não guardo mágoas, e não vivo de ódio, nem energia negativa pra cima de moi, porque sou sensível e frágil às maldades humanas, porque uso mais o coração do que a razão, porque não suporto viver com um peso no estômago.


Ontem depois de muito titubear tomei uma iniciativa, que foi muito difícil, mas me preparei e perguntei a mim mesmo, aliás tive um importante diálogo interno e recebi o aval do meu eu interior, e me preparei serenamente prum "não"...telefone na cara, rispidez.
Quando um relacionamento acaba, e já acabei muitos, é uma MORTE abrupta da pessoa na sua vida, mas dependendo da pessoa e da relação que você teve com ela, o "relacionamento" continua, quando se têm filhos em comum por exemplo. Assim a vida toma seu curso manso, e fica menos difícil de superar uma separação, a tristeza vem e um dia vai.

E quando não se tem filhos, e nem amizade aparente, porque parece impossível. Essa pessoa sai da sua vida física, do espaço pra sempre, e vira uma imagem ou várias de lembranças, no início um tipo de ódio em relação ao outro e com o passar do tempo as lembranças vêm (normalmente as boas imperam), e se é amor (nem preciso dizer "amor de verdade", porque AMOR é AMOR e pronto como já enfatizei anteriormente). Amor é perdão, amor é perceber também que temos defeitos e responsabilidades pra dar certo dentro de uma relação nada é de mão beijada e de graça em busca do auto-conhecimento e da felicidade própria e do outro, mas o AMOR existe ou não existe, ou se teve uma conexão profunda de alma com a pessoa, ou não. E quando essa pessoa não faz mais parte do seu universo material do seu dia-a-dia e se o amor permanece vai aparecendo um vazio muito grande dentro do seu ser, e mesmo que você se refaça porque todos nós temos esse instinto de sobrevivência, o vazio permanece em forma de saudade, falta do outro...e pode corroer o coração, e a ferida fica lá aberta...através dos anos, você sonha com a pessoa, no seu inconsciente ela está presente, no sub...sempre, quando lembra dela nos momentos mais improváveis, ouvindo uma música ou passando por algum lugar, vendo alguma foto só pra citar alguns.

Me sinto muito afortunada por sentir o amor dentro de mim, e por não ser uma pessoa orgulhosa, apesar de saber que os limites de respeito, eu mesma delimito e isso é outro assunto.


Nem estaria escrevendo, dividindo isso aqui nesse blog ...mas na minha recaída, liguei pra pessoa em questão(uma coisa que jamais pensara em fazer), temerosa que ele me ignorasse, porque a única coisa que queria era ouvi-lo, saber se não me odiava mais, se estava tudo bem, se pensava em mim de vez em quando, ouvir a voz e não é pieguice, porque quem já passou porisso sabe que é doloroso, perder alguém, sentir falta, e não ter feedback algum.

Ele atendeu, com uma voz muito doce, minha voz também estava "doce" segundo ele, me recebeu bem, o que eu não imaginava, porque estava sem expectativas.

E ficamos conversando durante horas, chorando, se despedindo, se separando "sem brigas".


E tive a oportunidade de falar, botar pra fora, e não importa o que "mundo" pense de mim, estou me sentindo uma "eu mesmo nova" nessas últimas semanas, sem medo, sem angústias, tranqüila, percebo que gastei muita energia com minha agressividade, meus repentes, minhas fugas de mim mesma, quis preencher a lacuna da separação com outro "amor inventando", mas isso não funciona quando se ainda está ligado de alguma forma, não se acha no supermercado.

Estava com medo de me arrepender com o telefonema, de me sentir idiota, mendigando atenção, com pinta de Amélia, masoquista, mas fui muito bem recebida e fiz o que devia ter feito, procurando não manipular e sem cobranças, segui a voz do meu coração.
Não sei o que vai acontecer, praticamente procurei não pensar no futuro.
Mas pude dizer o que tava entalado na garganta, de coração.

Het spijt me zeer, maar ik hou nog steeds van jou.

1 comment:

Donapacem said...

A morte de um amor é lenta e sofrida para alguns, como nós.Sofremos porque o amor acaba e nem percebemos.O amor não tem magia nenhuma, ele começa e acaba mesmo.O importante é ter a capacidade de amar sempre !

Tchau querida!

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