Wednesday, May 9, 2007

Dia de cão



Acordei super bem hoje, aprontei os rebentos pra ir pra escola. Levei o Dimitri como de costume pra escola de bicicleta...antes disso percebi que havia deixado 4 velas grandes acesas a noite inteira, que é um perigo mortal de incêndio, não suporto esse tipo de desatenção, porque sou responsável não só pela minha vida, mas pelas pessoinhas que moram comigo. Felizmente nada aconteceu, e prometi prestar mais atenção na próxima vez, esses pequenos detalhes são aviso de coisas piores que podem acontecer.

Nessa semana o "tempo"(temperatura) mudou aqui na Holanda, mais frio, chuva, ventania...céu cinza. Semana passada estava tudo tão lindo que eu sabia que não iria durar pra sempre, ai que droga porque de inverno a única coisa que gosto agora são os casacos e botas, de resto, foi-se o tempo que achava inverno chique, e a palavra intimista um interessante termo pra combinar com inverno.
O tempo infelizmente influencia meu estado de espírito, sim. Claro, já me senti muito infeliz num dia de sol, blablabla. Mas hoje em dia, prefiro ficar triste num dia de sol de rachar (porque nunca mais vi um), o sol não só me aquece, como me acorda, me dá energia pra batalha, me faz sentir melhor comigo mesmo, coisas de quem nasceu em clima tropical, e esse céu cinza e a cara de desinteresse dos holandeses me aborrece e entristece mais ainda. Sinto falta de pessoas sorridentes, o sorriso aqui é econômico, amarelo, sinto falta de amigos por perto, fico nostálgica, sinto a falta até de ex namorado, pela solidão que é isso aqui.

Sentindo dentro de mim um ar de MELANCOLIA (e antes que essa melancolia virasse depressão leve, ou coisa pior valhe-me Buda) fui pro parque "fazer ginástica e correr atrás da serotonina, endorfinas,", desde que descobri que MEXER O CORPO, correr, praticar esportes, dançar, nos ajuda de uma forma curativa à sermos mais felizes e faz bem a nossa saúde física e mental - eu sempre soube aliás, quero fazer disso uma rotina diária pra mandar a tristeza às favas, e o mesmo clima holandês de altos índices pluviométricos me impedem, e descobri que não gosto de academia, então só me resta correr ao ar livre (porque gosto).
Corri várias voltas, felizmente não estava chovendo, ouvindo meu ipod, quando numa das voltas um cão solto grande e preto- eu acho que a raça era labrador, saiu correndo e raivoso atrás de mim. Tive que correr acelerado - se bem que ele era mais rápido que eu, e se não fosse a intervenção da dona, eu estaria neste momento em picadinhos, pois cara de bons amigos ele não tinha, e como ele era rápido e veio direto na minha caneca.

No meu reflexo só o que conseguir falar era "fucking dog"...e disse pra dona mantê-lo com a coleira na linha, mas ela já estava longe, felizmente como se nada tivesse acontecido, tudo aconteceu muito rapidamente.
Ufa, sobrevivi, fiz mais ginástica e mais voltas no parque e não só catei as serotoninas como a adrenalina foi a mil e o coração quase saíndo pela boca. Voltei pra casa fazer chanting e gongyo (orações do budismo), minha meditação diária pra focar minha energia espiritual, preciso disso como bússola e nesse caso, depois do susto...pude orar pra coisas melhores acontecerem.

Fico fula da vida porque aqui na Holanda os cães grandes vão "passear" no parque, detalhe - soltos, eles não parecem amistosos, por aqui não se vê muitos poodles por exemplo, não é cachorrinho de madame, é cachorrão....e cara de cachorrão correndo atrás de você assusta.
Quando tinha cachorro (Paloma) ela sofria muito pelos cachorrões que viviam atrás dela.
O povo não se toca, e quer deixar o bichinho a vontade pra se exercitar, na maior liberdade, o que acho até correto, mas tem muito cachorrão e muitos talvez nem sejam perigosos, mas que assustam assustam e o que é pior monopolizam o parque e defecam por tudo...que não é só um nojo, mas uma falta de educação do dono, pois existe vários lugares que você pode pegar sacos plásticos para colocar as fezes, quem não faz é preguiçoso.
Às vezes penso que até foi bom a Paloma ter morrido, porque cada vez que íamos passear no parque era um estresse pra ela, pequeninha, coitadinha tentando se defender, latindo e mostrando os dentes, e eu jámais deixei as fezes dela a Deus dará, engraçado vim de um país menos desenvolvido, mas já vi que o desenvolvimento está na cabeça das pessoas, não num território determinado chamado país. Acho também que ela foi ficando cada vez mais doente aqui, e que odiou a Europa.

Felizmente meu dia de cão passou, até um solzinho apareceu timidamente entre as nuvens, a oração funcionou.
Ao chegar em casa, depois de buscar meu filho na escola, percebi que deixei a porta dos fundos aberta.
Acorda Alice, aliás Bebete, não foi a primeira vez e acho que não será a última.
Nessas horas de desatenção(dupla), é bom não estar no Brasil, porque já imagino o estrago mas aqui a probabilidade é pequena de alguém entrar na sua casa, a maior é de ser mordido por um cão furioso solto pelo parque.
Agora tenho mais um motivo pra correr.

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