Monday, February 26, 2007

O mundo de Bebete, a verdadeira...não eu


Os apelidos fazem parte da minha longa vida, sempre dei apelidos pras pessoas, Cacá Palito, Coelhinho, Mr Medo, atualmente conheci um branquinho na net e o nome dele ficou "Bleeketje"(branquinho em holandês), Calico pro meu irmão Horácio...e por ai vai.
Desde pequena tive vários apelidos dados pela minha família. Como meu nome católico era longo "Maria Bernadete", e eu sempre achei-o antiquado. Na minha infância as meninas estava deixando de se chamarem Maria.

Lá "em casa", meu apelido nunca foi Bebete e sim Dedete, e se você pensar bem é bem mais lógico que Bebete, depois pelo meu grande amor "Berna", e até "Pernadete" por causa de minhas pernas que abalavam Paris eu eu nem sabia.

Bebete(o meu) apareceu exatamente no ano de 1974, quando minha família se mudou da Visconde Duprat 68 para a Felipe de Oliveira 551/5, no mesmo bairro de Petrópolis em Porto Alegre.

A Bebete(verdadeira), era uma guria vizinha e se chamava Elizabete ou seria com "s". A ünica da rua que possuíra casa com piscina e seus encantos e peculiaridades que vou contar agora.
Tudo na Bebete a meus olhos, era melhor. A começar pelo corpo, ela mais acinturada que eu, e suas pernas mais roliças, as minhas mais magras. Ela não era mais alta, mas a mesma estatura, mas era mais nova que eu, na primeira comunhão o vestido foi mais bonito que o meu, o cabelo mais arrumado, e as fotos do fotógrafo as mais lindas, eu tive foto feito em casa, porque meu irmão era fotógrafo.

Ela cantava no mesmo coral da igreja São Sebastião, e a voz dela, era mais forte do que a minha. Possuía cabelos encaracolados, mas a mãe dela tinha mais tempo e menos filho para fazer coques bonitinhos, tranças. E ela tinha mais roupas que eu, e nos concursos de beleza a volta da piscina, era ela que sempre ganhava o primeiro lugar, e eu e as outras crianças tínhamos que ficar safisfeitos por serem convidados, como expectadores do seu circo hedonista, argh! Eu odiava a Bebete porisso.

Foi num belo dia pra meu desespero, que descobri que Bebete havia beijado na boca, um menino que aparecia de vez em quando por lá e que eu havia me apaixonado a primeira vista. O Alexandre...primo ou tio do Fernando Barra Pires, um amigo da rua, sim meu coração partiu pela primeira vez, e por causa de quem? Alexandre? Não...Bebete. Eu gostaria que ela sumisse do mapa, fosse fazer visita pra alguém da família, nunca mais voltasse, e que sua mãe resolvesse se mudar daquela casa, mas nada, ela continua lá.

Bebete, tinha um problema...os pais eram separados, e ela tinha um pai loiro, ela era morena, e esse pai parecia um banana, porque desde pequena Bebete já beijava na boca, e assim encontrei uma boa forma de me vingar de tanta perfeição, e a difamei de galinha, sem mostrar a cara, tudo debaixo dos panos, hehehe.

Fora ter matado meu jacaré Zezé (sim, tínhamos uma jacaré), foi uma de minhas maiores maldades na minha infância. O misto de obsessão, ciúme, inveja, admiração fez da pequena "Dedete" com fama de boazinha e tímida, um monstrinho mascarado, porque nunca ninguém descobriu meu plano mirabolante, é nessas horas que é bom ser inteligente e criativa.

Chamei todas as crianças da rua, e foi muito fácil convencê-las que a presença de Bebete era uma ameaça ao pudor e que ela tinha aquela atitude, porque era uma desmiolada, morena burra, e que ia roubar namorado de todo mundo, porque as notas delas na escola eram baixa pra desespero da pobre mãe.

Uns até contestaram, mas ai ela não vai nos convidar mais pra tomar banho de piscina.
E eu disse, quem quer ir numa piscina vazia...porque nos últimos tempos a meia irmã dela, estava crescendo, uns três aninhos, e a mãe tinha medo de encher a piscina.

- Peguem pedras e ou giz, os de cor eram mais difíceis. E vamos escrever na calçada de Bebete, que ela é galinha. Porque vocês sabem muito bem, que ela é metida, chata, mandona, manipuladora, e ainda por cima beija na boca, ou seja, uma menina de 9 anos, beijar na boca...é galinha. Nos anos 60 no Rio Grande do Sul, com todo o machismo gaúcho, vocês devem imaginar a mentalidade.

As crianças estavam convencidas, e foram pra calçada de Bebete. E quando a riscalhava estava pronta, lá foi um apertar a campainha e todos sair correndo, e eu minha amiga Tina ficamos atrás de uma árvore, só observando a reação da pobre mãe.

A mãe de Bebete, ficou estupefata...e imediatamente mandou-a passar pra dentro, e que eu me lembre deu-lhe um castigo mais austero. A educação dela não era clássica. Mãe divorciada - alias desquitada, outro marido, piscina, biquinis minúsculos...beijo na boca, e na escola algumas notas vermelhas.

Meu plano surtiu efeito, apesar de ter ficado sem o Alexandre. Nem via como vingança
e sim como sobrevivência.

Em 1974, me mudo de vizinhança...e vou ter com a gurizada na esquina.
- Qual o seu nome?

respondi:

- Bebete(depois de refletir por alguns segundos, quem seria).

E em 1979 no centro de Porto Alegre, encontro-a grávida do segundo filho aos 18 anos.
E ela estava acompanhada com um garoto, talvez o pai do segundo filho e me apresenta:

- Olha essa é a Bernadete que já te falei, sempre admirei-a por sua conduta exemplar (todas as mães me amavam), bom caráter, beleza, cabelo liso(hihi), carisma, etc.


Ui.

PS- Foto em 2006 na rua Visconde Duprat, com a mãe do Luizinho ao lado da casa de Bebete

3 comments:

ketelen said...

Bebete, dei muita risada, meu Deus isso é um curta. Vamos roteirizar?
Adorei!! Beijos

Bebete Indarte said...

É só falar, que eu tô de malas prontas.
Beijo Kety

Bebete Indarte said...

É só falar, que eu tô de malas prontas.
Beijo Kety