Tuesday, March 13, 2007

Farrapo humano - The lost weekend


Quando eu gosto de uma coisa, eu gosto mesmo e aquilo me marca de um jeito que não sai.
E assim foi o filme de 1945 "Farrapo Humano" (The lost weekend) título original.
E como era pequena, o filme era até em preto e branco, ou meu pai que não tinha adquirido a colorida, sim sou jurássica.
Foi um filme obrigatoriamente "noir" pra mim, e quanto mais preto&branco mais intrigante, sujo, cheio de graxa, cheio de sombras obscuras, e sarjetas realistas.

E assim é o alcoolismo, não tô falando e nem quero falar de outra droga, mas do álcool, da "danada" da cachaça, da doença que é ser alcóolatra, do desespero, e das tragérias que acontecem por causa do álcool.

Eu graças ao bom Deus, Buda, Alláh e Universo...não tive pais alcóolatras, mas conheci pessoas que tiverem o desprazer e desespero de os terem, um ou outro.
E uma dessas pessoas, inclusive bem próxima da minha vida - não vou entrar em detalhe.

Eu não bebo, claro que bebo digamos "socialmente"....posso até no verão, encher o caneco de cerveja, não demais porque engorda e incha, e/ou beber vinho rosé...não a garrafa toda. Não que seja econômica, não sou alcóolatra.
Só posso perceber um pouco de glamour, one martini very dry, porque não sou alcóolatra.

Já tomei porres homéricos na juventude, aos 17 anos, aos 23 etc...os que eu me lembre, mas sou tão fraca pra bebida que vejo isso como um presente dos deuses.

Também claro que sou afiliada a Baco...e sei apreciar e não só jogar guela abaixo um bom vinho, e isso não tem segredo nenhum, bebia desde pequena com meu pai/mãe como família católica e do sul, mas criança com água (muita) e açúcar.

Falo dos destilados, whisky, gin, tequila, geniver, rum, vodka, sakê...e segue...até

Países como o Brasil, onde a vida humana não tem o valor devido, as pessoas ainda bebem e correm risco no trânsito, e assim temos muitas mortes desnecessárias.

E fora, que tem gente que quando bebe, fica agressiva, chata, fede, e irradia uma aura de desconforto ao redor, sem limites e respeito ao próximo, e o que é pior não procuram ajuda quando sóbrio, pra resolver a enrascada em que se encontram, e assim vão se afundando e colocando a culpa de suas vidas miseráveis nos outros, vítimas de si mesmos.

Páre!
Lembro do filme, como pôde um escritor...virar aquilo, como eu levei a sério na época aquela situação. Seria sorte minha que não tenho tendência ao alcoolismo? Carma, opção, força de vontade? Moderação?
E então existe uma luz no fim do túnel, antes que o rim se corroa, antes que o moral se rebaixe, antes que todos ao redor sumam, inventando desculpas.

Os alcóolatras anônimos...porque tenho certeza, atrás de 'bebum' de um farrapo humano, também bate um coração...antes que ele páre.

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