Friday, March 2, 2007

Monstrinho branco


Desde setembro do ano de 2006, comecei a ingerir um monstrinho chamado "Carbonato de Lítio"(lithium). O lítio foi até glamourizado no título do álbum da banda Nirvana, o vocalista Kurt Cobain era maníaco depressivo (nome antigo), hoje em dia se chama "Distúrbio Afetivo Bipolar". Eles mudam o nome, mas o conteúdo é o mesmo.

Eu como recebi o diagnóstico tarde, digamos assim, depois de ter vivido boa parte de minha vida sem saber que era bipolar, e nunca haver precisado de remédio algum, e sempre evitei a pílula anticoncepcional...odeio essas rotinas, agora me vejo numa realidade esquisita, bizarra até...aquela de tomar as pílulas santas de cada dia.


Meu irmão possui esse diagnóstico há muito mais tempo que eu, mas não quero falar sobre ele, porque sempre fico triste, em pensar que ele não teve a atenção e as possibilidades que eu tive,
e de que nos anos 80 as coisas eram muito diferentes, sendo que ele é bipolar do tipo 1. O tipo clássico do "louquinho de atar".

O lítio, não faz nenhum mal ao organismo, é um sal, exceto de que você pode ficar com muitos enjôos, ter diarréias, tremores nas mãos, reter líquidos e possivelmente ter aumento de peso, fora que como estabilizador de humor (para a pessoa em questão não ter episódios de mania, hipomania e depressão) você se sente pesado, devagar quase parando, sem energias, e as emoções pelo menos no início do tratamento, não são sentidas plenamente, você fica feliz, mas não fica vibrando de felicidade, você fica triste, mas não chora e se desespera, tudo fica mais ameno e a atitude (pelo menos a minha) é mais passiva.


Eu mesma engordei 7 quilos desde o início do tratamento, tive uma depressão digamos "leve" no terceiro mês, mas em geral estou me adaptando bem, apenas a idéia de que devo tomar todos os dias, e de não saber por quanto tempo ainda, dois, dez, 20 anos...me sufoca um pouco. Penso às vezes de tentar a minha sorte com "Omega 3", que estimula o cérebro a funcionar como deve, mas ainda considero um meio alternativo.


Confesso, que sou muito bem comportada em seguir o tratamento a risca, talvez por que a maternidade assim o exige, e ser uma mãe bipolar e sózinha, não é uma tarefa que estava nos meus planos quando resolvi ter filhos, requer muita responsabilidade, eu que sempre tive síndrome de Wendy...e nunca gostei de brincar de casinha.


Atualmente tenho seis livros sobre bipolaridade pra ler, uma vez ou outra, dou um olhadinha neles, mas já li tudo sobre o assunto, e cada pessoa possui uma vida diferente, e uma experiência diferente, portanto, não me atenho muito à teorias, prefiro deixar o fluxo dos meus dias correrem solto, sempre fui avessa a rótulos, e não é hoje nem isso que vai fazer eu mudar de opinião, e nesse contexto prefiro ser até orgulhosa de mim mesma, aliás orgulhosa por continuar sendo eu mesma.


Acima de tudo, acredito que há muitas pessoas "loucas" não diagnosticadas nesse vasto mundo, e parece que chegará um dia, que toda a população mundial, terá um diagnóstico e um rótulo dentro da psiquiatria, um mundo de loucos, hehehe...não se todos forem loucos, será tudo muito normal.
O velho ditado popular diz, de médico e de louco todos nós temos...um pouco, e se fosse pra escolher, eu gostaria de ter bem menos, digamos um lítio a menos por dia já seria de bom tamanho.

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